Muito distante de assinar embaixo sobre a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro, não se pode deixar de observar certos fatos a ele relacionados. O vídeo acima e as imagens aqui postadas impõem certas reflexões.
Tanto a direita quanto a esquerda parecem cometer erros de estratégia por superestimar o quão extraordinária essa eleição realmente foi.
Estão dizendo que o Lula fez um "milagre" eleitoral ao abocanhar 7 de cada 10 votos novos disponíveis no segundo turno. Alguns chegam a falar, impropriamente, que isso seria "matematicamente impossível" e evidenciaria, por si só, fraude. Por que seria "impossível", segundo essas pessoas? Porque os candidatos de 3ª via eram quase todos de direita, então, na cabeça delas, seria "impossível" a maioria desses votos migrarem para Lula e não para Flávio. O que as pessoas não perceberam é que essa eleição foi um repeteco da de 2022 nesse aspecto. A situação era parecida: candidato de oposição (Lula) termina o 1º turno na frente e os candidatos de 3ª via (Ciro Gomes e Simone Tebet eram os destaques) são quase todos do mesmo lado do espectro político que ele (esquerda). Seria de se esperar que, por serem votos de esquerda, todos migrariam para o o primeiro colocado, que era Lula, certo? Errado: em 2022, o segundo colocado, Jair Bolsonaro, foi quem abocanhou 7 de cada 10 votos novos disponíveis no segundo turno. Quem diz que Lula fez "milagre" agora por abocanhar também 7 de cada 10 votos novos precisa então reconhecer que Bolsonaro também fez "milagre" na época ao conseguir números parecidos. De fato, Bolsonaro quase virou a eleição dessa forma, como Lula conseguiu: teve 50,9% dos votos. Perdeu por um fio de cabelo.

A eleição de 2026 teve, sim, uma discrepância em relação a 2022, que foi a queda da abstenção. Pode até ter havido algum ilícito aí a apurar, mas repare que a narrativa de fraude nas urnas por resultado "matematicamente impossível" só serve para distrair disso em vez de contribuir para a elucidação.
