Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros anunciou sua renúncia ao cargo, apenas sete meses após assumir a Presidência do Brasil. O gesto mergulhou o país em uma grave crise política.
Jânio havia sido eleito em 1960 com uma campanha marcada pelo símbolo da “vassoura”, prometendo combater a corrupção e promover uma ampla reforma administrativa. Seu governo, porém, enfrentou dificuldades políticas e econômicas desde os primeiros meses.
A renúncia foi comunicada por meio de uma carta enviada ao Congresso Nacional, na qual Jânio afirmou que “forças terríveis” se levantavam contra ele. Até hoje, historiadores discutem suas reais motivações.
Uma das interpretações mais difundidas é que Jânio esperava que a crise provocada por sua saída levasse o Congresso e setores da sociedade a pressioná-lo para retornar ao poder com poderes ampliados. O plano, entretanto, não funcionou.
A renúncia também desencadeou uma crise em torno da sucessão. O vice-presidente João Goulart estava em viagem à China, e setores das Forças Armadas se opunham à sua posse. Para evitar uma ruptura institucional, foi adotado temporariamente o regime parlamentarista.
Jânio Quadros permaneceu como uma das figuras mais enigmáticas da política brasileira. Sua renúncia, inesperada e ainda cercada de controvérsias, contribuiu para a instabilidade que culminaria no golpe militar de 1964.