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22 março 2026

TERAFAB - a fábrica anunciada por Elon Musk em 21 de março de 2026


Elon Musk - 21/03/2026

    O projeto TERAFAB é uma fábrica de semicondutores (chip fab) em escala inédita na história da humanidade, anunciada oficialmente por Elon Musk. Ele é desenvolvido em parceria direta entre a Tesla e a SpaceX, com forte envolvimento da xAI, e será construída em Austin, Texas (no campus da Tesla, próximo ao Giga Texas).

Dados exatos anunciados na apresentação de 21 de março de 2026:
  • Meta principal: produzir mais de 1 Terawatt (1 TW) de capacidade computacional por ano (incluindo lógica, memória e empacotamento avançado integrado).
  • Distribuição do output: ~80% destinado a aplicações no espaço e ~20% para uso na Terra.
  • Musk explicou claramente o motivo: “Most must necessarily go to space, as US electricity is only 0.5TW” (a eletricidade total dos Estados Unidos é apenas 0,5 TW, o que torna impossível colocar 1 TW de computação no solo).
  • Capacidade inicial na Terra: chips suficientes para 100-200 GW de compute por ano, já escalando rapidamente.
  • Estrutura da fábrica: totalmente integrada verticalmente (do design à litografia, teste e iteração recursiva, tudo no mesmo local), permitindo ciclos de melhoria exponencialmente mais rápidos.
  • Musk resumiu: “We either build the Terafab or we don’t have the chips.” E descreveu o projeto como “the next step towards becoming a galactic civilization”.
Como a TERAFAB é o caminho direto para o Dyson Swarm (*)

    Um enxame de milhões/bilhões de satélites solares orbitando o Sol, capturando energia estelar e convertendo-a diretamente em computação. A TERAFAB é literalmente “the final missing piece” (a última peça que faltava) para tornar isso realidade, pelos seguintes motivos que Musk conectou na apresentação:

  1. Solução do gargalo de chips e energia na Terra
Com 1 TW/ano de compute (realização de cálculos usando um sistema de computação), a TERAFAB entregará volume suficiente para equipar os primeiros satélites. Os 80% enviados ao espaço contornam completamente o limite terrestre de energia (0,5 TW nos EUA). No vácuo espacial, a energia solar é ilimitada e o calor é dissipado por radiação (sem ar). 
    
    2. Blocos de construção: os “AI Mini Sats”

Os chips da TERAFAB vão equipar os protótipos já em desenvolvimento: satélites de IA de 100 kW (com painéis solares + radiadores integrados). Esses satélites vão escalar rapidamente para megawatts. Cada um é simultaneamente coletor de energia solar + supercomputador de IA + radiador. Lançados em massa pela Starship, eles começam a formar um “anel” funcional ao redor do Sol. 

    3. Auto-replicação e crescimento exponencial

Com os chips em quantidade ilimitada e lançamentos baratos, os próprios satélites vão construir mais satélites (self-replicating). Começa com centenas de GW no espaço em poucos anos e explode para petawatts (1.000× mais). Musk ligou isso diretamente: a TERAFAB + Starship = bootstrap para capturar “a energia do Sol inteiro”.

    4. Visão de civilização galáctica (Kardashev Tipo II)

Musk descreveu a TERAFAB explicitamente como o passo seguinte para uma “galactic civilization”. O enxame de satélites de IA solares será o primeiro Dyson Swarm operacional — o que o público chama informalmente de “Dyson Ring”.
Em 10-20 anos, a humanidade passará de ~0,7 TW de energia total capturada hoje para uma escala bilhões de vezes maior. Resumo da cadeia causal anunciada por Musk em 21 de março:
TERAFAB (1 TW/ano de chips)
  • → produção em massa de satélites solares de IA
  • → lançamento via Starship
  • → órbita solar + replicação
  • → Dyson Swarm funcional
    Sem a TERAFAB, o volume de chips necessário seria impossível na Terra. Com ela, o “Dyson Swarm” deixa de ser ficção científica e vira engenharia executável agora. É o maior salto de infraestrutura computacional e energética da história humana.


(*)  Dyson Swarm é uma megaestrutura teórica composta por milhões ou bilhões de satélites independentes, painéis solares ou habitats que orbitam uma estrela para capturar quase toda a sua produção de energia. Proposto como uma alternativa estruturalmente estável à sólida "Esfera de Dyson", o enxame é visto como um marcador de uma civilização avançada.

21 março 2026

1985 foi o apogeu da música de barzinho em Brasília

No início dos anos 1980, o Chorão (302) e o Amigos (105) abriram espaço para a música ao vivo. No Amigos se destacava a bossa de Rosa Passos com o violão do Miranda. Forte na música ao vivo era também o Jangadeiro na 715, com o Dilsão cantando e tocando guitarra.

Ainda se destacavam o Asa Branca (710), com forró e sambão, Mistura Fina (209) com um som de jazz mais sofisticado, o Bar Academia que tinha uma banda própria, mas sempre trazia atrações nacionais como Elza Soares ou Cauby. Ao lado tinha o Overnight com a cantora da casa, Cleide Magalhães. 

Ali perto do CEUB havia ao menos 6 casas com música ao vivo, com destaque, claro, para o Bom Demais na 706 e também para o Bye Bar Brasil com o som da Ana Donizetti e Josias dos Santos. Por ali também havia o Tarrafas, o Recanto Carioca e o Esquina Mineira (905) com MPB ao vivo.

Na 304 dominava o Degraus, com os melhores músicos tocando, com destaque para a cantora Ângela Regina. Na 204, mais abaixo, o Samba Show e Cia. Já na 202, havia o Amore Mio Bar que dobrou de tamanho quando comprou o vizinho Bar Doce Bar.

Saindo da Asa Norte, no setor central destacavam-se os piano bares do Garvey Hotel  e do Aracoara. Havia ainda o bar Terraço com shows de Johnny Lopes, o Bar do Chorão, anexo ao Clube do Choro e o sensacional Panorama, na Torre de TV.

A Asa Sul era mais sofisticada, com destaque para o piano do chique Piantella na 202 com o grande Renato Vasconcellos e o baixista Zambinha. Chiques também eram o Fino´s (405) com direção do ícone Daniel Jr., o London Tavern (408) que fazia jam sessions de jazz.

Mas o mais badalado local de música da Asa Sul era o Tasca (405) com música ao vivo de terça à domingo com o melhor da MPB e jazz. O Cavaquinho (114) era bem movimentado também.

Mais populares era o Esquina (302) com sambão e chorinho e o Piatã (204) com músicas românticas do Wilson Maia. Um point que surgiu em 1985 foi o Umas e Outras na 213 já com bandinhas jovens tocando.

O Lago Sul era mais conhecido pelas discotecas, mas havia o Barril 2000 que lotava (acho que às segundas feiras) com shows do Miltinho Guedes com o Dente, Muca e Beto da banda Plug. No Sobrado 23, sempre havia shows de Toninho Terra acompanhado do violonista Zezinho. No GAF, música romântica ao piano.

Em 1985 se destacavam, no Gilbertinho, dois points: o Le Club e o Grog, ambos mistos de boites com casas de shows ao vivo. No Grog lembro de shows do Artimanha, Nara Leão e do Nadador Rômulo Arantes Jr que virou cantor depois que se aposentou das piscinas.

A foto é do José Eduardo Ladeira Filho 
tocando no Tasca


PS.: Texto de autor desconhecido



Detecção paleomagnética de movimentos relativos das placas - evidência mais antiga de tectônica de placas e da idade da Terra

    Artigo publicado na Science - "Paleomagnetic detection of relative plate motions and an infrequently reversing core dynamo at 3.5 Ga". Isto representa um ritmo sete vezes mais rápido que qualquer placa tectônica se move hoje. Essa descoberta acaba de ser apresentada como a evidência direta mais antiga do movimento das placas tectônicas na Terra.


    A técnica utilizada é fascinante. A equipe coletou
 931 amostras de rocha em mais de 100 locais diferentes e analisou o magnetismo presente nelas. Cada rocha funciona como uma espécie de “bússola fóssil”, registrando a direção do campo magnético da Terra no momento em que se resfriou.

    As variações encontradas não eram apenas as inversões magnéticas que conhecemos, quando o norte se torna sul, mas mudanças mais sutis na orientação. Para identificá-las, os pesquisadores aqueceram progressivamente as rochas a quase 600°C, ponto em que todo o magnetismo é perdido, o que permitiu diferenciar sinais criados em momentos distintos.

    Essas mudanças só teriam duas explicações possíveis: ou os polos magnéticos da Terra se moveram de forma dramática, ou o próprio continente se deslocou. Como não há evidências de movimentos tão intensos dos polos em outras partes do mundo no mesmo período, a conclusão aponta para o movimento continental.

    “Apostamos muito alto”, disse Brenner, pesquisador, hoje pós-doutorando em Yale. “Desmagnetizar milhares de núcleos leva anos. E valeu muito a pena! Os resultados superaram nossos sonhos mais ousados.”

    Os números impressionam. A região hoje conhecida como Pilbara Oriental se moveu 24 graus de latitude em apenas 30 milhões de anos, terminando sua jornada a 77° Sul, mais ao sul que grande parte da Antártida atual. No auge desse deslocamento, a região se movia a aproximadamente 47 centímetros por ano.

Estromatólitos em Shark Bay, na Austrália Ocidental.
A região do Pilbara, onde foi realizado o estudo,
guarda alguns dos registros mais antigos de vida no planeta (
Imagem: s_porter01 / iStock)

    Além de avançar para o sul, o Pilbara também girou no sentido horário por mais de 100 graus nesse período, algo ainda mais distante do padrão dos movimentos continentais observados hoje.

    Depois de toda essa agitação, algo curioso aconteceu: o Pilbara praticamente parou. Por 25 milhões de anos, o movimento foi tão pequeno que sequer pôde ser medido, como se o continente tivesse se esgotado após tanta atividade.

    Enquanto isso, outras regiões do planeta não passavam pela mesma experiência. O Cinturão de Pedra Verde de Barberton, na África do Sul, uma das poucas regiões do mundo com rochas de idade similar, permaneceu praticamente imóvel durante o mesmo período.

    A descoberta força os cientistas a repensar como funcionava a tectônica de placas nos primórdios da Terra. Atualmente, o planeta opera em um sistema chamado de “tampa ativa”. Nos primeiros dias da Terra, muitos geólogos acreditavam na existência de uma “tampa estagnada” ou “tampas lentas”, com pouco ou nenhum movimento de placas.

    Um planeta em que pelo menos um continente se movia mais rápido que qualquer placa atual pode precisar de uma classificação totalmente nova. Os autores do estudo consideram a possibilidade de um sistema de “tampa episódica” ou o criativamente batizado “tampa plutônica esponjosa“. Mais continentes precisarão ser estudados para uma resposta definitiva, mas o modelo de “tampa estagnada” claramente não se aplica a 3,5 bilhões de anos atrás.

“Estamos vendo movimento de placas tectônicas, o que exige que havia fronteiras entre essas placas e que a litosfera não era uma grande casca contínua ao redor do globo, como muitos argumentaram antes”, disse Brenner. “Em vez disso, ela estava segmentada em diferentes pedaços que podiam se mover uns em relação aos outros.”

    Além do movimento continental, a equipe identificou evidências da inversão mais antiga do campo magnético planetário já registrada, ocorrida há 3,46 bilhões de anos. Os pesquisadores acreditam que essas inversões eram mais raras do que nos tempos atuais. Como explicou o professor Roger Fu: “Não é por si só conclusivo, mas sugere que talvez o dínamo estivesse em um regime ligeiramente diferente do atual.”

    A tectônica de placas não é apenas uma curiosidade geológica. Ela molda a vida na Terra de formas fundamentais, empurrando cadeias de montanhas para cima e separando espécies em continentes distantes. Muitos cientistas planetários argumentam que as condições para a própria vida seriam mais hostis, se não completamente impossíveis, sem a reciclagem de materiais pelo manto que a tectônica de placas proporciona.

    O fato de nenhum outro planeta ou lua do Sistema Solar parecer ter tectônica de placas deixa os cientistas questionando por que a Terra é diferente. Essa pergunta permanece sem resposta, mas parece que, durante a maior parte da história terrestre, a tectônica de placas foi uma característica constante do planeta.

17 março 2026

No Brasil o Estado de Direito Democrático é uma ficção


    Rui Barbosa nos avisou sobre o maior problema de uma ditadura do poder judiciário.

                             

    O Brasil formalmente democrático enfrenta grave contradição. Não são os Três Poderes que se submetem à Constituição, mas a Constituição é que está sujeita aos caprichos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Em resumo, o Estado de Direito Democrático no Brasil atual é uma ficção.

    As consequências horríveis são visíveis para o mundo inteiro como se tem observado em matérias e vídeos nas redes sociais. Nelas se toma conhecimento de presos políticos, exilados, fugitivos e de nomes que já faleceram.



    Resultado. O País vive uma profunda polarização social, econômica e política. Na prática, o que avança é a corrupção e o saque institucional: cargos capturados, a lei aplicada de forma seletiva e o Estado tratado como espólio.



  












    Vieram as traições, os expurgos institucionais, inclusive contra militares profissionais, para eliminar freios e alinhar o aparato estatal. O poder foi parcialmente capturado por facções. Quem mantinha disciplina virou suspeito. Quem obedecia a hierarquia passou a ser rotulado como ameaça.

       
    


  

Ainda não dá para se comemorar a queda do referido sistema. Mas ... 

A blindagem feita em nome de uma suposta 'defesa da democracia' foi para o vinagre, enquanto a ideia de que o STF 'tem de voltar ao seu quadrado', para o Brasil retornar aos trilhos democráticos, espalhou-se pela sociedade.

14 março 2026

Júri vai decidir se as redes sociais têm culpa nisso

 

Resumo

  • Pais de uma jovem que passava 16 horas no Instagram levaram plataformas sociais à justiça alegando que elas provocam um vício intencional nas telas. 

  • O caso, que está sendo julgado em um tribunal de Los Angeles, é o primeiro desse tipo e, segundo especialistas, pode proporcionar grandes repercussões regulatórias. 

  • Advogados da família alegam que a jovem desenvolveu transtornos psicológicos, como dismorfia corporal, em razão da excessiva exposição às telas; plataformas negaram relação.


Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte
acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles
Foto: Ethan Swope/Getty Images/AFP


    Conhecida apenas por seu primeiro nome ou pelas iniciais KGM, para proteger sua privacidade, a história de Kaley se tornou o caso exemplar para mais de 2 mil processos semelhantes que buscam responsabilizar as empresas de redes sociais pelos supostos danos à saúde mental de seus usuários mais jovens.

   Lori Schott passou vários dias de olho nesse julgamento em Los Angeles, apesar de não ter participado do processo. Sua filha Annalee tirou a própria vida aos 18 anos, uma tragédia que Schott atribui à forma como o Instagram a expôs a conteúdos psicologicamente prejudiciais, apesar de a empresa supostamente saber o que essas postagens poderiam causar aos jovens.

    Milhares de outros casos semelhantes ao de Kaley, que atualmente tramitam no sistema judicial dos EUA, serão inevitavelmente influenciados pelo resultado deste julgamento inédito.

    O artigo completo sobre este caso está acessível na BBC News neste link.

13 março 2026

O possível retorno do Brasil aos trilhos democráticos

Reale Jr: Única saída no caso
de Moraes e Toffoli é a transparência
       

    A única forma de o Supremo Tribunal Federal (STF) superar a crise do Caso Master é os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli serem transparentes na relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, avaliou o jurista Miguel Reale Júnior no UOL News, do Canal UOL.

    Ao comentar pedidos no Senado por CPI e impeachment dos ministros, Reale afirmou que a apuração precisa ser ampla e que os próprios integrantes da Corte devem facilitar a verificação de informações reveladas pela imprensa.

    Ainda não dá para se comemorar a queda dos referidos ministros. Mas, com o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master pela Polícia Federal, que sugerem o envolvimento de ambos em transações nebulosas com a instituição, já dá para dizer que a vitória da democracia está bem encaminhada. Faltam explicações convincentes sobre as relações duvidosas que eles mantinham com o Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, apontadas pelas investigações da Polícia Federal.

    A blindagem feita em nome de uma suposta 'defesa da democracia' foi para o vinagre, enquanto a ideia de que o STF 'tem de voltar ao seu quadrado', para o Brasil retornar aos trilhos democráticos, espalhou-se pela sociedade.


09 março 2026

AS REDES SOCIAIS SÃO UMA ARMADILHA?

    "As redes sociais são uma armadilha", afirmou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua famosa entrevista concedida ao jornal El País. Nela, o sociólogo da "Modernidade Líquida" expande a sua crítica sobre como a tecnologia afeta os laços humanos. 

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo? 

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

Aqui está uma síntese dos pontos principais da visão de Bauman

1. Comunidade vs. Rede

·       Comunidade: É algo a que se pertence. Exige compromisso, diálogo e, muitas vezes, convívio com o diferente e o difícil. Na comunidade, não se escolhe tudo; há uma partilha de destino.

·       Rede: É algo que "te pertence". O utilizador sente-se no controle. Nas redes sociais, as relações tornam-se mercadorias que podemos ligar ou desligar conforme a nossa conveniência.

2. A facilidade de "Eliminar" (A falta de competências sociais)

    Para Bauman, a grande armadilha é a ilusão de companhia sem as exigências da amizade. Nas redes, se alguém nos contradiz ou nos aborrece, basta um clique para "eliminar" ou "bloquear".

    Isso impede o desenvolvimento de competências sociais reais, que só se aprendem no "olho no olho", onde somos forçados a negociar, a ouvir o contraditório e a coexistir com quem pensa diferente.

3. A Zona de Conforto e o Narcisismo

    Ele argumenta que a maioria das pessoas não usa as redes para expandir horizontes, mas para se fechar numa "zona de conforto".

    Buscamos apenas o eco das nossas próprias vozes e o reflexo do nosso próprio rosto (o fenômeno das "bolhas").

·       A rede serve para aliviar o medo da solidão e do abandono, mas de forma superficial, criando uma sensação de conexão que não preenche o vazio existencial.

4. A Troca de Liberdade por Segurança

    Bauman toca num dilema clássico: para ter a "segurança" de nunca estar sozinho e de ter o controlo sobre quem nos rodeia, abdicamos da nossa liberdade de sermos surpreendidos pelo outro. As redes sociais oferecem um substituto barato para a verdadeira vida social, que é inerentemente conflituosa e imprevisível. 

    Conclusão da Síntese: Para Bauman, as redes sociais são uma armadilha porque substituem as relações profundas por conexões frágeis. Elas prometem proximidade, mas entregam isolamento; prometem diálogo, mas facilitam o monólogo. No final, o indivíduo sente-se mais conectado do que nunca, mas continua profundamente só no mundo real.


PS.: (1) O texto acima foi objeto de discussão, neste ano, em sala de aula de Sociologia do 1o. ano do Ensino Médio do Colégio Marista de Brasília. Anteriormente, foi também questão abordada no PAS/UnB.

(2) Neste link Bauman vai mais além. Concedida há 10 anos, a entrevista se encontra muito atual. -  https://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/cultura/1451504427_675885.html