Em seu discurso de ontem à noite, Donald Trump disse que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020.
- Em 2012, havia um suposto plano envolvendo o governo e a empresa Smartmatic para pré-programar máquinas de votação em cerca de 300 centros tradicionalmente pró-Chávez, visando garantir vitória por aproximadamente 1,5 milhão de votos. Chávez teria parabenizado a equipe após vencer por ~1,6 milhão de votos.
- Em setembro de 2020, foram relatados planos técnicos detalhados para manipular as eleições de dezembro de 2020 usando um “segundo conjunto de máquinas virtuais” que replicariam resultados legítimos e depois substituiriam por dados manipulados, fazendo-os parecer originados de máquinas legítimas.
Vale lembrar que a empresa Smartmatic foi fundada por venezuelanos e, por exemplo, na eleição de 2014 treinou 14.000 funcionários que trabalharam na operação das urnas eletrônicas brasileiras naquele pleito. Nesta oportunidade Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, o PSDB fez uma tentativa de auditoria e a conclusão foi a mesma da Comissão do Exército para Integridade Eleitoral de 2022 (convidados a fazê-lo pelo TSE) e da auditoria do PL em 2022: as maquininhas brasileiras são uma caixa preta, impossível de se auditar. Obs: apenas o PL foi multado em 2022 em… R$ 22 milhões - 22 era o número de Bolsonaro. Oficialmente consta no website do TSE que a auditoria feita pelo PSDB não encontrou nenhuma irregularidade. Mas o TSE esquece de dizer que não encontrou nada porque era impossível de se verificar o cruzamento de dados e demais técnicas de auditoria. Este foi o mesmo subterfúgio usado por Moraes, presidente do TSE na eleição de 2022, para atropelar o que disse o Exército e declarar “o Exército não encontrou nada de errado”. E antes que digam que isto é porque “o sistema é impenetrável” - como sempre arguido pelo então ministro Barroso - o TSE não menciona que o próprio tribunal reconheceu, através de um inquérito da PF aberto em 2018 a pedido da presidente do TSE, Rosa Weber, que houve uma invasão feita por um hacker e que esteve dentro dos sistemas, inclusive com a senha do ministro do TSE Sérgio Banhos, desde o início até o final de 2018, ou seja, abarcando os 2 turnos eleitorais de 2018.
Então se pergunta: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?
A TRADUÇÃO DAS EVIDÊNCIAS …
“AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA)
NOTA DA CIA
Resumo de Relatórios Selecionados de Inteligência, de 2004–2020, sobre as Capacidades da Venezuela para Manipulação Eletrônica de Eleições
29 de junho de 2026
Resumo
Os relatórios da Comunidade de Inteligência produzidos entre 2004 e 2020 documentaram preocupações persistentes acerca da manipulação, pelo governo venezuelano, de sistemas eletrônicos de votação e das potenciais implicações para a segurança nacional da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos.
A inteligência concluiu que autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, provavelmente, alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, incluindo a tecnologia da Smartmatic, a fim de influenciar resultados eleitorais na Venezuela.
A avaliação da Comunidade de Inteligência de 2006 concluiu que os vínculos da Smartmatic com a Venezuela representavam uma ameaça à segurança nacional, fundamentando-se em informações sólidas sobre a intenção do governo venezuelano de influenciar a política dos Estados Unidos e em evidências de manipulação dos próprios sistemas eleitorais venezuelanos.
Essa avaliação levou o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que forçaram a Smartmatic a alienar suas operações norte-americanas em 2007.
Relatórios posteriores indicaram que sistemas eletrônicos de votação continham vulnerabilidades que poderiam, teoricamente, ser exploradas por agentes sofisticados com acesso interno.
Entretanto, embora a inteligência tenha validado preocupações relevantes acerca de fornecedores de tecnologia eleitoral ligados ao exterior, não confirmou de forma definitiva que fraudes eletrônicas em larga escala tenham sido efetivamente executadas em eleições específicas na Venezuela, mantendo como avaliação-base da CIA que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais.
Os relatórios relativos a técnicas avançadas forneceram informações preocupantes sobre alegadas capacidades e intenções do governo venezuelano, embora derivadas de fontes limitadas.
Nota de Escopo Este resumo concentra-se nas informações da Comunidade de Inteligência referentes às intenções e capacidades da Venezuela para manipular máquinas de votação, tanto internamente quanto, potencialmente, em outros países. Não constitui uma reavaliação abrangente de toda a inteligência disponível sobre o tema, mas sim um resumo das principais conclusões constantes de documentos selecionados produzidos entre 2004 e 2020. Interesse do Governo Venezuelano na Manipulação Eleitoral Fontes de inteligência entre 2004 e 2020 relataram que o presidente venezuelano Hugo Chávez e, posteriormente, seu sucessor Nicolás Maduro demonstraram interesse contínuo em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. Em abril de 2004, informações de inteligência indicaram que Chávez pretendia impedir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos, sugerindo intenção de influenciar a política norte-americana. A avaliação concluiu que a aquisição da empresa norte-americana Sequoia pela Smartmatic representava uma ameaça moderada à segurança nacional dos Estados Unidos. Antes da eleição presidencial venezuelana de 2012, relatórios de inteligência informaram que os serviços de inteligência de Chávez, incluindo a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), trabalharam juntamente com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Smartmatic para desenvolver planos destinados à manipulação dos resultados eleitorais mediante máquinas de votação previamente programadas. Segundo esses relatórios, o plano previa a instalação de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros eleitorais situados em áreas tradicionalmente favoráveis a Chávez, garantindo uma vantagem aproximada de 1,5 milhão de votos.
Após a eleição, vencida por Chávez por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram que o presidente teria parabenizado sua equipe pela implementação bem-sucedida do plano de manipulação. Em setembro de 2020, informações de inteligência relataram que autoridades venezuelanas desenvolveram planos técnicos detalhados para manipular as eleições parlamentares de dezembro de 2020. Segundo esses relatórios, a técnica consistiria na criação de um segundo conjunto virtual de máquinas eleitorais destinado a reproduzir resultados legítimos e, posteriormente, substituir os dados por resultados manipulados, fazendo parecer que os votos provinham das máquinas oficiais. Foi também relatado que, na Venezuela, componentes não especificados de inteligência artificial teriam sido instalados para alterar a apuração dos votos, detectar quando auditorias estivessem sendo realizadas e produzir comprovantes impressos sem registrar, gravar ou transmitir efetivamente esses votos. Analistas da CIA consideraram que tais capacidades eram tecnicamente possíveis, ressaltando, entretanto, que essa avaliação tratava apenas da viabilidade técnica, e não constituía confirmação de que tais funcionalidades efetivamente existissem. Uma análise alternativa da CIA, produzida em 2013 segundo a metodologia denominada “Advogado do Diabo” (Devil’s Advocacy), descreveu um cenário plausível de como uma manipulação eletrônica em larga escala poderia ter ocorrido nas eleições venezuelanas de 2012 sem ser detectada. Essa análise observou que o sistema eletrônico venezuelano apresentava vulnerabilidades decorrentes de acesso privilegiado interno, do controle centralizado do CNE sobre a tecnologia eleitoral e de limitações na capacidade de fiscalização da oposição. O relatório concluiu que, caso tal manipulação tivesse ocorrido, a legitimidade das eleições na Venezuela e em outros países clientes da mesma tecnologia poderia ser colocada em dúvida. Contudo, a avaliação-base da CIA permaneceu sendo a de que nenhuma fraude eletrônica em larga escala ocorreu em 2012, fundamentando-se em pesquisas pré-eleitorais, ausência de padrões irregulares de votação e na própria admissão da derrota pela oposição. Relatórios de inteligência também indicaram de forma consistente que indivíduos ligados aos serviços de inteligência venezuelanos possuíam acesso à tecnologia eleitoral e aos sistemas de votação. Em 2012, fontes relataram que Chávez designou um especialista militar em comunicações para atuar junto ao CNE, com acesso em tempo real aos resultados eleitorais. Também foi informado que o Diretor de Tecnologia da Informação do CNE, descrito como pessoa de confiança do governo, mantinha estreita relação com o aparato estatal. Técnica O relatório de inteligência de setembro de 2020 apresentou a descrição mais detalhada de uma técnica específica para manipulação eleitoral. Segundo o documento, essa técnica teria sido concebida para:
• Replicar arquivos digitais (hash files) enviados ao banco de dados central de totalização dos votos;
• Simular máquinas reais de votação que favorecessem o partido governista;
• Sobrescrever os arquivos de integridade (hash files) das máquinas favoráveis à oposição;
• Fazer votos alterados aparentarem ter sido produzidos por máquinas eleitorais legítimas.
Em tese, essa técnica permitiria ao governo venezuelano monitorar e ajustar os resultados em tempo real durante e após a eleição. Segundo os relatórios, a utilização de tecnologia de máquinas virtuais permitiria realizar essa manipulação evitando sua detecção pelos procedimentos convencionais de auditoria. Avaliações e Preocupações da Comunidade de Inteligência A Avaliação Nacional de Ameaças de 2006, produzida pelo Conselho Nacional de Inteligência, concluiu que a aquisição, pela Smartmatic, da empresa norte-americana Sequoia representava ameaça moderada à segurança nacional.