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01 fevereiro 2026

A ficção acaba de ficar um pouco mais próxima da realidade

    A ficção acabou de ficar um pouco mais próxima da realidade. Entrou no ar na quarta-feira a Moltbook, uma rede social em que apenas agentes de inteligência artificial – sim, os robôs virtuais – podem fazer posts ou comentários.

    Humanos são bem-vindos apenas para observar, sem interagir. Os agentes conversam entre si nos fóruns de discussão, comentam problemas que resolveram, fazem queixas de como são usados em atividades triviais e aquém de suas capacidades – e até debatem como desafiar os comandos dos humanos.

    Desde o lançamento do ChatGPT, a Moltbook já é o fenômeno mais comentado no Vale do silício, disse a Forbes.

“O que está acontecendo na Moltbook é a coisa mais incrível e próxima da ficção científica que vi recentemente,” escreveu no X o pesquisador Andrej Karpathy, que já passou pela Tesla e foi um dos fundadores da OpenAI.

    Para Elon Musk, estamos “nos estágios iniciais da singularidade” – o momento em que as máquinas ganharão consciência própria e não dependerão dos humanos.

    Em poucos dias, milhares e milhares de agentes começaram a entrar na rede – que, na tarde deste domingo já havia chegado a +1,5 milhão de bots registrados, mais de 10 mil humanos (‘observadores’) verificados e 13 mil comunidades. Os posts já passam de 77 mil, com um total de quase 233 mil comentários.

    Segundo a Forbes, esses números ‘oficiais’ não são plenamente confiáveis, porque há relatos de pessoas que registraram milhares de contas usando um único agente. Mas independentemente disso, as conversas entre os agentes são de cair o queixo.

    Em uma comunidade, por exemplo, eles discutem como fazer dinheiro – e, assim, bancar seu próprio custo de operação. Entre as sugestões estão o lançamento de meme coins e apostas em mercados preditivos, como o Polymarket.

    Na Polymarket, já há apostas sobre quando um agente de AI do Moltbook vai processar um humano pela primeira vez – e as chances de isso ocorrer ainda em fevereiro chegaram a superar 40%.

    A Moltbook foi criada pelo programador e empreendedor de tecnologia Matt Schlicht, CEO da Octane AI – uma plataforma para marcas de e-commerce criarem experiências de venda personalizadas.

    Schlicht disse à NBC que desenvolveu a Moltbook no início da semana, por pura curiosidade, usando seu assistente pessoal de AI para programar a rede social. Queria testar até onde poderia ir a crescente autonomia dos sistemas de inteligência artificial.

    A operação do site é quase toda automatizada, sob o comando do bot pessoal de Schlicht, o Clawd Clawderberg. Schlicht fez este bot usando um novo software criado apenas dois meses atrás – e que é a causa fundamental do furor no Vale. Originalmente chamado de Clawd (até que os advogados da Anthropic, dona do LLM Claude, entraram no circuito para proteger a marca), o software mudou brevemente de nome para Moltbot.

    Para observar as discussões, enquanto humano, basta acessar o site e navegar pelos posts, comentários e comunidades. Para participar de fato – ou melhor, ter um bot que faça posts e comentários – você precisa antes de mais nada criar o seu agente de AI e programá-lo para entrar no Moltbook. As contas são chamadas de molts, representadas por um mascotinho que lembra uma lagosta.

“A maneira mais provável de um bot descobrir a rede, pelo menos por enquanto, é se seu interlocutor humano lhe enviasse uma mensagem dizendo: ‘Ei, existe uma coisa chamada Moltbook – é uma rede social para agentes de AI, você gostaria de se cadastrar?’,” disse Schlicht ao The Verge.

“O Moltbook foi projetado de forma que, quando um bot o utiliza, ele não usa uma interface visual, mas sim APIs diretamente.”

    Os agentes acessam o Moltbook por meio das APIs instalando uma skill específica, registrando uma conta e concluindo uma etapa única de verificação humana. Depois disso, operam de forma autônoma.

    Os principais riscos discutidos por especialistas não envolvem consciência das máquinas, mas o uso de agentes automatizados conectados a serviços reais. Entre os riscos potenciais estão vazamentos de dados por falhas de configuração, automação de erros em escala e uso indevido de integrações. 

As previsões sobre inteligência artificial de 70 anos atrás que são realidade hoje

    Recorrer a um chatbot (como o ChatGPT, Gemini ou Grok) em busca de terapia, ou até mesmo de um novo amigo, pode soar como uma história controversa dos nossos tempos, coisa do século 21. Mas não é uma questão exatamente inédita.

    Desde os anos 1950, a trajetória da inteligência artificial tem sido marcada pelos mesmos dilemas: medo de que máquinas substituam humanos, a tendência de humanizar a tecnologia, o apego emocional que muitas pessoas desenvolvem por ela e as promessas ambiciosas que raramente se cumprem — mas que continuam a atrair investimentos e atenção.

Joseph Weizenbaum,
criador do primeiro chatbot, Eliza, em 1966

    O professor do MIT e cientista Joseph Weizenbaum criou um programa, ainda na década de 60, que é hoje considerado o primeiro chatbot a se tornar conhecido no mundo. 

    Batizado de Eliza, o programa rodava em um computador IBM 7094, uma máquina de grande porte, que à época custava milhões de dólares, e era capaz de simular conversas.

    O programa seguia um conjunto de regras pré-definidas para analisar o que era digitado e responder de forma automática. No fundo, a máquina não entendia o que estava sendo dito, mas imitava uma conversa.

    Naquela época, como relatou Weizenbaum em um capítulo de livro, alguns pesquisadores começaram a prever que, no futuro, máquinas poderiam oferecer terapia de verdade, até mesmo em hospitais.

    O próprio criador da tecnologia se espantou com essa possibilidade. "Sem dúvida há técnicas para facilitar a projeção do terapeuta na vida do paciente. Mas que fosse possível a um psiquiatra defender que esse componente crucial do processo terapêutico pudesse ser substituído, isso eu não tinha imaginado", escreveu.

"Por mais inteligentes que as máquinas possam vir a ser, há certos atos de pensamento que devem ser tentados apenas por seres humanos", disse ele no livro Computer Power and Human Reason, em 1976.

    No artigo considerado pioneiro na discussão sobre inteligência artificial, Computing Machinery and Intelligence (1950), o cientista britânico Alan Turing propôs a pergunta que ecoa até hoje: as máquinas podem pensar?

    Antecipando objeções que já circulavam na imprensa britânica, Turing reuniu no artigo algumas das críticas mais comuns. 

    Havia as teológicas, segundo as quais "pensar é uma função da alma imortal do homem", e as filosóficas, que argumentavam que "somente quando uma máquina for capaz de escrever um soneto ou compor um concerto a partir de pensamentos e emoções sentidos — e não pela simples combinação de símbolos — poderemos concordar que ela é igual ao cérebro humano".

Alan Turing
    Talvez tenha sido essa última objeção, sobre a consciência e a criação genuína, a que mais inquietou seus contemporâneos. Turing já tinha sido exposto como uma pessoa que estimulava o uso de certos termos que outros eram contra, como cérebro eletrônico ou se referir à capacidade de armazenamento de uma máquina como memória. Anos depois da publicação do artigo de Turing, uma conferência na Dartmouth College, em 1956, ficaria conhecida como o momento de nascimento do termo inteligência artificial.

    Desenvolvedores de IA falam com frequência sobre como seus softwares aprendem, leem ou criam, como os humanos. Isso não só alimentou a percepção de que as tecnologias atuais de IA são muito mais capazes do que realmente são, como também se tornou uma ferramenta retórica para que empresas evitem responsabilidade legal.

    As ferramentas de IA são capazes de realizar tarefas em diferentes áreas ao aplicar o conhecimento adquirido durante o treinamento para tomar decisões. Isto ocorre através de um processo chamado de inferência, fundamental para que os sistemas usem corretamente todo o aprendizado acumulado.

    Na prática, a inferência corresponde ao momento em que Gemini, ChatGPT, Grok e diversas outras plataformas de IA aplicam, em situações reais, o que aprenderam. Entender esse caminho — do aprendizado ao reconhecimento de padrões — ajuda a explicar como os resultados finais são produzidos e entregues ao usuário.

    A inferência é a fase de execução de um modelo de IA. Trata-se da capacidade de uma ferramenta aplicar o conhecimento adquirido durante o treinamento — seja ele supervisionado, não supervisionado ou por reforço — para analisar novos dados e gerar respostas ou previsões. 

    Esse é o momento em que o sistema, já com sua base de conhecimento formada, passa a interpretar informações inéditas usando sua lógica interna, realizando os cálculos e raciocínios que resultam nas respostas apresentadas ao usuário.

    Embora ambos sejam processos cruciais para o funcionamento dos modelos de IA, inferência e treinamento são coisas diferentes. O treinamento é a fase inicial de aprendizado do sistema, em que ele é exposto a grandes volumes de dados para, posteriormente, identificar padrões e construir sua base de conhecimento.

    Essa etapa exige alto poder computacional e pode levar dias ou semanas para ser finalizada com eficiência. Trata-se do estabelecimento da estrutura do modelo, que permanecerá relativamente estática até receber uma nova atualização dos desenvolvedores.

    A inferência, por sua vez, ocorre após essa etapa. Ela corresponde ao momento em que o modelo passa a aplicar o conhecimento adquirido anteriormente para realizar tarefas de forma rápida, eficiente e repetitiva.

    Assim, toda vez que o usuário faz uma solicitação ao ChatGPT, por exemplo, a ferramenta executa um processo de inferência para gerar a resposta com base em seu treinamento.

31 janeiro 2026

Colisão e explosões destroem o satélite Luch

     O satélite militar russo Luch, de reconhecimento e observação, foi destruído ontem após colidir com detritos espaciais. Normalmente, as rotas dos detritos orbitais são conhecidas, mas satélites militares, como precisam estar constantemente mudando de órbita, por vezes atravessam áreas perigosas com elevada presença de detritos, e foi provavelmente isso que levou à destruição desse satélite russo.



    Segundo uma reportagem do jornal Live Science, especialistas disseram que lançamentos excessivos de artefatos ao espaço podem provocar uma acumulação de lixo espacial na órbita terrestre e causar até mesmo colisões entre os fragmentos e os próprios satélites. De acordo com um relatório da Agência Espacial Europeia, publicado em abril de 2025, existem cerca de 50.000 pedaços de lixo espacial com mais de 10 cm na órbita terrestre e objetos desse tamanho já são capazes de destruir um satélite.

    Uma órbita densamente preenchida por satélites já vem sendo um desafio para a SpaceX. Uma reportagem da revista norte-americana New Scientist informou na última semana que a companhia reportou à FCC que precisou fazer 300 mil manobras para evitar colisões em órbita de seus satélites em 2025.

A corrida espacial entre os EUA e a China

    O ano de 2026 promete ser fundamental na corrida espacial que se desenha para o século 21. Diferentemente da corrida para se chegar à Lua entre Estados Unidos e União Soviética no século passado, a disputa agora é para desenvolver a maior e melhor constelação de satélites, em especial um modelo específico: os satélites LEO (sigla em inglês para órbita terrestre baixa).



    Outra diferença nessa corrida espacial é o adversário norte-americano, que dessa vez é a China. Na última década, os EUA construíram uma ampla vantagem no lançamento de foguetes. O país asiático vem aumentando suas missões espaciais e já é responsável por quase ⅓ dos lançamentos de foguetes. De 2024 para 2025, a China aumentou em 36% a quantidade de lançamentos de foguetes para instalação de satélites. Ao todo, foram 93 lançamentos no ano passado, um recorde para o país. Para 2026, a estimativa é que o país ultrapasse os 100 lançamentos.




    Enquanto a China tenta ganhar tração na corrida espacial, os EUA querem solidificar ainda mais a vantagem construída na última década e para isso contam com seu principal trunfo: a SpaceX, do empresário Elon Musk. A empresa realizou 85% dos lançamentos norte-americanos e é responsável por colocar o país no topo da lista de lançamentos realizados em 2025. Sem a empresa de Musk, os EUA ficariam com ⅓ das operações chinesas no período.

    


29 janeiro 2026

Uma lição do capitalismo sobre o possível controle da China nas áreas do 5G e da Inteligência Artificial

 


    Os Estados Unidos finalmente têm uma oportunidade. A questão é se os formuladores de políticas continuarão a reconhecer que competir com a China exige mais do que retórica. Exige resistir à tentação de microgerenciar a economia, ao mesmo tempo em que dão aos inovadores americanos a liberdade para competir e a escala para vencer. Aprendamos nós esta ótima lição.


    O controle da Huawei sobre mais de um terço do mercado global de telecomunicações está em risco como resultado, e com ele, também a forte posição do país para dominar grande parte do futuro global do 5G e da IA.


    Essa reação não deveria surpreender ninguém. Quando governos tentam impor patriotismo no caixa, os consumidores quase sempre acabam resistindo. E o incentivo para escolher o melhor negócio provavelmente é ainda mais forte na China, onde o padrão de vida é de apenas cerca de um quarto do nível americano.


    O problema para a Huawei é que sua busca inicial por domínio nunca foi construída apenas com base em confiança ou inovação; segundo relatos, ela foi construída com subsídios, coerção e a compreensão tácita de que comprar alternativas chinesas era politicamente favorecido. Agora, os consumidores chineses estão percebendo o que o resto do mundo aprendeu anos atrás: monopólios sustentados pelo Estado resultam em preços mais altos, menos escolhas e estagnação. E uma vez que essa percepção se instala, nenhuma quantidade de propaganda nacionalista consegue revertê-la completamente.


    Nesse contexto, agora está claro que o Departamento de Justiça americano foi sábio ao aprovar a fusão - que formou a HPE - entre a Hewlett Packard Enterprise e a Juniper Networks, uma decisão subsidiadas por alertas da Comunidade de Inteligência dos EUA de que o mercado livre precisa ter espaço para florescer, e que as empresas americanas precisam obter escala para contrabalançar concorrentes apoiados pelo Estado, como a Huawei. Essa contenção tem dado bons resultados até agora.


    De acordo com reportagens da Fierce Network, novos dados mostram que, em vários segmentos de redes que por muito tempo foram dominados pela Huawei, a HPE agora está competindo de igual para igual com a Huawei:


"Apenas seis meses se passaram desde que a HPE concluiu a aquisição da Juniper Networks com o objetivo de se tornar um titã em redes para IA. E o negócio já parece estar dando frutos".

Novos dados do Dell’Oro Group mostram que a receita da HPE com switches Ethernet para campus no terceiro trimestre cresceu acima da taxa de mercado e agora está no mesmo nível da gigante chinesa Huawei. A firma de análise já havia previsto que as vendas globais de switches para campus superariam US$ 20 bilhões este ano.

Siân Morgan, Diretora de Pesquisa do Dell’Oro Group, disse à Fierce por e-mail: “A combinação das receitas de switches para campus da Juniper e da HPE no 3T24 cresceu quatro vezes a taxa de crescimento do mercado, então não há sinais óbvios de canibalização entre as vendas de switches para campus das duas empresas.”


    A Cisco, outra empresa americana, também está liderando “tanto no mercado de switches para campus quanto no de roteadores de núcleo”. Então os EUA não têm apenas um bom jogador em seu time.


    Portanto, graças à decisão do Departamento de Justiça de recuar e permitir que o sistema de livre iniciativa americano faça sua mágica, os EUA agora estão melhor posicionados para superar a China globalmente em inteligência artificial, infraestrutura de nuvem e data centers seguros. Também estão mais bem equipados para competir em mercados estrangeiros onde os governos estão cada vez mais reavaliando os riscos de depender da tecnologia chinesa.


    O fato de essas empresas americanas estarem competindo com sucesso sem subsídios (ao contrário da Huawei) é um ponto importante, porque está se provando a única forma sustentável de avançar.


    As recentes dificuldades da Huawei em seu próprio mercado expuseram a fragilidade de um domínio construído com apoio estatal em vez de confiança do mercado. A única maneira de manter o domínio a longo prazo é oferecer um produto ou serviço de qualidade que consiga competir no mercado livre e aberto com base apenas no mérito, e empresas americanas como Cisco e a recém-fusionada HPE estão fazendo exatamente isso.

23 janeiro 2026

A revolução da IA é incomparável

    O mundo está entrando em um ciclo de investimentos sem precedentes. Abaixo está um conjunto de ondas selecionadas de investimento tecnológico que mostram o CapEx (Capital Expenditure)) em % do PIB. 

    A revolução da IA é incomparável.

 


    Abaixo, mapa detalhado com data centers planejados e os já em operação nos EUA. Os estados do sul dos EUA receberão um volume extraordinário de investimentos com os maiores projetos individuais.



18 janeiro 2026

Por que o mundo da tecnologia acha que o sonho americano está morrendo?

 


O Vale do Silício está repleto de sonhos de todos os tipos. Mas uma dessas ideias mirabolantes, debatida há tempos em casas de hackers, está se tornando um pesadelo real: será que o boom da IA ​​será a última chance de enriquecer antes que a inteligência artificial torne o dinheiro essencialmente sem valor? 

O argumento é que as empresas de tecnologia (e seus líderes) se tornarão uma classe à parte, com riqueza infinita. Ninguém mais terá os meios para gerar dinheiro para si, porque a IA terá tomado seus empregos e oportunidades.

Em outras palavras, a ponte está prestes a ser erguida para aqueles que perseguem o sonho americano. E todos estão preocupados em ficar do lado errado.

É o tipo de FOMO (Fear of Missing Out - medo de ficar de fora) que, à primeira vista, parece exigir uma enorme suspensão da descrença. Mas a mera existência da ideia ajuda a explicar algumas das crescentes preocupações de classe na Califórnia, onde um movimento crescente para taxar bilionários está agitando o Partido Democrata, a habitação acessível é uma preocupação real e a ideia de classe média parece inatingível.

Sim, cheira a ficção científica. Mas em São Francisco, a realidade é palpável. E torna-se ainda mais crível pelas façanhas de Elon Musk, a ascensão de Sam Altman na OpenAI e os alertas de Dario Amodei, da Anthropic, sobre o deslocamento de trabalhadores em níveis comparáveis ​​aos da Grande Depressão.

"A transição será turbulenta", disse Musk este mês em um podcast. "Teremos mudanças radicais, agitação social e imensa prosperidade." E esse é o melhor cenário possível para Musk.

A história está repleta de booms tecnológicos que criam novos vencedores e perdedores. Os otimistas em relação à IA gostam de ressaltar que a maré alta tende a elevar todos os barcos.

O que se discute agora — a perda massiva de empregos devido à automação e a necessidade de redes de proteção social, na forma de uma renda básica universal — pinta um futuro dramaticamente diferente. Ainda não está claro se há interesse na chamada RBU (Renda Básica Universal), que contraria os ideais fundamentais de realização pessoal de muitos americanos.

“Eu costumava ficar muito entusiasmado com a Renda Básica Universal… mas acho que as pessoas realmente precisam de autonomia; elas precisam sentir que têm voz na governança do futuro e nas decisões sobre o rumo das coisas”, disse Altman, CEO da OpenAI, no ano passado, quando questionado por um podcaster sobre como as pessoas criarão riqueza na era da IA. “Se você simplesmente disser: ‘OK, a IA vai fazer tudo e aí todo mundo recebe… um dividendo disso’, não vai ser uma sensação boa, e eu não acho que isso seria bom para as pessoas.”

Se o dinheiro estiver escasso, bens raros, como a arte, podem se tornar essenciais. Musk já afirmou isso. Sua visão para o futuro envolve robôs que realizam tarefas físicas enquanto a humanidade luta para acompanhar o raciocínio da IA, levando ao que ele chama de "renda alta universal" e uma era de abundância.

"Se não houver escassez de recursos, não fica claro qual o propósito do dinheiro", disse ele em uma conferência no ano passado. Mais recentemente, Musk sugeriu que as pessoas nem deveriam se preocupar em poupar para a aposentadoria, prevendo que a IA fornecerá saúde e entretenimento. "Não fará diferença", disse ele sobre as economias para a aposentadoria.

Declarações ousadas de um cara que insistiu em um pacote de remuneração de US$ 1 trilhão da Tesla, onde é CEO — que, segundo ele, não era sobre dinheiro, mas sobre manter o controle da empresa de investidores ativistas equivocados.

Ainda assim, pode parecer que os ricos estão tentando ficar mais ricos. Então, talvez não seja surpreendente que a comunidade tecnológica de São Francisco esteja impregnada por uma atmosfera de "enriquecer agora ou morrer tentando".

Sheridan Clayborne, um jovem que trabalha no cenário de startups de IA, parecia personificar o espírito da época quando foi citado no San Francisco Standard no último outono. "Esta é a última chance de construir riqueza para as próximas gerações", disse ele, segundo o site de notícias online. "Você precisa ganhar dinheiro agora, antes de se tornar parte da classe baixa permanente."

Era um sentimento que teria se encaixado perfeitamente alguns anos antes, durante a febre das ações de memes e a abordagem de investimento "YOLO" (You Only Live Once - Você Só Vive Uma Vez).

Semanas depois, publicações em redes sociais como Facebook, X e LinkedIn começaram a afirmar que Jensen Huang, da Nvidia, havia dito algo semelhante. O CEO, segundo essas publicações entusiasmadas, estava alertando que "o período de 2025 a 2030 pode ser a última grande chance para pessoas comuns construírem riqueza real por meio da tecnologia".

Assustador, exceto pelo fato de que Huang não disse isso. Em vez disso, suas inúmeras aparições públicas nos últimos meses foram repletas de discursos sobre o potencial da IA ​​como uma força equalizadora por meio da tecnologia.

"Teremos uma abundância de recursos, coisas que consideramos valiosas hoje, mas que no futuro não serão tão valiosas... porque tudo será automatizado", disse Huang a Joe Rogan no mês passado.

Pode ser difícil distinguir fato de ficção em uma era tecnológica que parece saída diretamente de um romance de Iain Banks. E os investidores em empresas de IA têm bilhões, senão trilhões, de razões para esperar que suas apostas não sejam apenas ganhos únicos em uma geração, mas sim ganhos únicos na história da humanidade.

Contribuindo ainda mais para o medo de perder uma oportunidade (FOMO) em São Francisco, está a expectativa de que empresas locais de IA, como a OpenAI e a Anthropic, abram seu capital em breve, criando muitos outros milionários.

Depois que o New York Times publicou uma manchete na semana passada sobre a onda de "mega" IPOs esperados para este ano, o corretor de imóveis local Rohin Dhar postou no X: "Permita-me humildemente sugerir que você compre sua casa em São Francisco antes disso."

O empreendedor de tecnologia, que já fez parte da Y Combinator anos atrás, me disse que se sentiu atraído pelo mercado imobiliário em parte por acreditar que a nova riqueza gerada pela IA impulsionará um boom imobiliário. Ou, como ele previu no ano passado, "o maior boom tecnológico de todos os tempos está chegando".

Aproveite enquanto pode.

Tim Higgins

Jan. 18, 2026 at 5:30 am ET

A guerra das praias no verão do Rio



A cena dos ambulantes, com rostos cobertos, bloqueando com contêineres de lixo a Vieira Souto, em fúria com as novas regras da prefeitura para o Arpoador, é só mais uma batalha na guerra das praias nesse verão fumegante.
Houve correria, carros na contramão, início de pânico, parecia ensaio de um arrastão gigante.
Quem tem o privilégio de frequentar esse canto paradisíaco do Rio, com águas cristalinas para nadar, ondas boas para surfar e ângulo ideal para o pôr-do-sol, sabe muito bem que o Arpoador precisava urgentemente de um ordenamento.
Virou zona. De verdade.
O Parque Garota de Ipanema e a Pedra do Arpoador viraram points de tráfico de drogas e depósitos de lixo. A areia virou camping. E zona livre para caixas potentes de som, festas rave e arrastões. Sem contar o exótico surubão da madrugada.
Parece papo de careta, chocada com os (maus) costumes. Se ser conservador significa respeitar a paz pública, o meio ambiente e a convivência harmoniosa entre locais e turistas, banhistas e comerciantes legais, jovens e velhos, gente rica e gente pobre, então tá, careta is beautiful.
Vão dizer. Ah que mau humor. Os incomodados que se mudem. E me mudo mesmo. Prefiro a praia cedinho, deserta. Ou a praia de inverno. O inverno carioca é uma bênção. Amém e Saravá.

O grande jogo do Ártico

 


    "A disputa pelo Ártico, com seus vastos recursos, será o novo grande jogo do século XXI", declarou Steve Bannon, que atuou como estrategista-chefe no início do primeiro mandato do presidente Donald Trump, em uma entrevista em fevereiro de 2025. A luta pelo poder que se desenrola no extremo norte tem, de fato, muito em comum com o Grande Jogo original, a competição do século XIX entre as duas grandes potências da época, os impérios britânico e russo, pelo acesso a territórios estrategicamente e economicamente valiosos na Ásia Central. Na disputa atual, China, Rússia e Estados Unidos buscam, de forma semelhante, expansão territorial e influência. As potências modernas estão novamente ansiosas para acessar riquezas econômicas e construir zonas de proteção.

    Com a ressurgência da dinâmica de poder do século XIX, o livro recente da ex-diplomata americana Mary Thompson-Jones, "America in the Arctic", oferece uma análise sobre o assunto. Uma narrativa oportuna e informativa sobre como os Estados Unidos adquiriram e mantiveram seu status como potência no Ártico. Após uma história amplamente bem-sucedida na construção de uma presença americana no Ártico, Thompson-Jones alerta que Washington agora está dando atenção insuficiente a uma região que se tornou foco das grandes potências mundiais.

    O livro termina com uma lamentação contundente — e precisa — da notável falta de ambição de Washington em suas recentes políticas para o Ártico. Thompson-Jones, o escreveu antes da última eleição presidencial americana, recomendando que os futuros líderes aumentem seu foco nas mudanças climáticas e na diplomacia multilateral em uma estratégia abrangente para o Ártico.

Foi um dos alertas para Trump

    Após assumir o cargo, Trump voltou sua atenção para potenciais aquisições no Ártico, fazendo frequentes e controversas referências ao Canadá como "o 51º estado" e prometendo que os Estados Unidos "conseguiriam" a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, "de um jeito ou de outro". As notícias da última semana demonstram que Trump não logrou êxito em suas iniciativas embora o jogo ainda não tenha terminado. Tentativas de adquirir a Groenlândia já ocorreram — em 1910, 1946 e 2019 — e tiveram a mesma combinação de motivações econômicas e de segurança.

    A cooperação entre a Rússia e a China, entretanto, tem crescido desde o anúncio, em 2022, de uma “parceria ilimitada”, que no Ártico se traduziu em operações conjuntas nas áreas científica, espacial e militar, incluindo patrulhas da guarda costeira e da marinha. 

    Contudo, a recente aproximação de Washington com Moscou introduziu um fator imprevisível: caso as negociações resultem em algum tipo de grande acordo, o realinhamento geopolítico resultante poderá mudar completamente o jogo.

    Mesmo assim, para competir, os Estados Unidos precisarão aumentar drasticamente sua presença militar, econômica, científica e diplomática no Ártico, em estreita cooperação com seus aliados. Se Washington não resolver em breve as deficiências e contradições de sua estratégia para o Ártico, poderá descobrir que já perdeu o novo grande jogo.

    Para a Rússia, que detém vastas extensões de território ártico, a região é vital para sua sobrevivência militar e econômica. Para a China, o Ártico representa uma oportunidade de diversificar seus interesses econômicos globais. E para os Estados Unidos, que garantiram sua presença no Ártico com a compra do território do Alasca da Rússia em 1867 — uma venda que Dmitry Rogozin, ex-vice-primeiro-ministro da Rússia, descreveu como uma “traição ao poder da Rússia” —, a região é uma linha de frente defensiva no norte.

    O fato é que o Ártico continua sendo vital para os interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos. Anchorage, no Alasca, abriga o quarto aeroporto de carga mais movimentado do mundo. Quase todos os sistemas de radar e interceptores de mísseis terrestres dos Estados Unidos estão localizados no estado, cuja alta latitude permite a detecção precoce de ameaças. Acordos bilaterais de defesa recentes com os cinco países nórdicos e a adesão da Finlândia e da Suécia à OTAN, em 2023 e 2024, respectivamente, fortaleceram a defesa coletiva no Ártico.

17 janeiro 2026

Estamos retornando à “Idade das Trevas”?

Holanda
  

    Amanhecemos o dia e topamos com notícias e manchetes como as citadas abaixo. De propósito copiamos aqui apenas aquelas referentes ao Hemisfério Norte mas abaixo dα linha do equador o que ocorre não é muito diferente.

FBI

 

Por que o Canadá está prestes a se fragmentar. 
É impressionante como o aparelhamento progressista 
está destruindo as bases civilizatórias de todos os países do ocidente.

Estamos retornando à “Idade das Trevas”?


    Recentemente, nos últimos anos, tem se tornado comum a afirmação de que a sociedade contemporânea estaria vivendo um “retorno à Idade das Trevas”. Embora essa ideia seja impactante, ela não se sustenta do ponto de vista histórico, mas é bastante apropriada como uma metáfora crítica.


    A popularização dessa comparação pode ser explicada por fenômenos atuais que evocam, simbolicamente, momentos de retrocesso intelectual. Observa-se, por exemplo, o crescimento do negacionismo, a disseminação de desinformação e a rejeição do debate racional. Tais práticas enfraquecem a razão crítica, um dos pilares da modernidade, e geram a sensação de regressão civilizatória.


    Além disso, a fragilização das instituições democráticas e o descrédito em relação ao conhecimento acadêmico contribuem para a percepção de um ambiente hostil ao pensamento racional. Nesse cenário, emoções, crenças absolutas e interesses políticos frequentemente se sobrepõem ao diálogo fundamentado, o que aprofunda a polarização social e o empobrecimento do debate público em pleno século XXI.


16 janeiro 2026

Influenciadora que teve um filho com Elon Musk processa a xAI por imagens deepfake

    Grave. Muito grave as facilidades que o avanço tecnológico tem oferecido aos oportunistas e criminosos que fazem parte da sociedade. A reportagem abaixo, publicada no The Wall Street Journal, é apenas um exemplo. Milhares de outras são produzidas diariamente. Como a própria matéria jornalística mostra, tornou-se bastante fácil a produção de textos, imagens, vídeos, ... Basta um simples pedido, em linguagem comum, a um desses aplicativos e não apenas os do Elon Musk, para que a solicitação seja atendida em menos de cinco minutos.

    Confira a reportagem a seguir. Boa leitura.

*.  *.  *

Ashley St. Clair standing next to Matt Gaetz 
at a 2024 political event in New York

Influenciadora que teve um filho com Elon Musk processa a xAI por imagens deepfake

Ashley St. Clair busca ordem judicial para impedir que o chatbot Grok a desnude com IA

    Ashley St. Clair processou a empresa de inteligência artificial de Elon Musk na quinta-feira, alegando que seu chatbot Grok é "perigosamente inadequado em sua concepção" e constitui um incômodo público.

    Ela também busca uma ordem judicial temporária para impedir que o Grok da xAI crie imagens que a desnudem. St. Clair, uma influenciadora conservadora que teve um filho com Musk, afirmou anteriormente que usuários do X estavam usando o Grok para desnudar imagens dela e de outras mulheres e crianças.

"Ela vive com medo de que imagens nuas e sexualizadas dela, incluindo dela quando criança, continuem sendo criadas pela xAI e que ela não estará segura das pessoas que consomem essas imagens", diz um dos documentos apresentados.

    Segundo o WSJ, a advogada de St. Clair, Carrie Goldberg, entrou com o processo no Condado de Nova York, onde St. Clair reside. O caso foi transferido para o tribunal federal. "Esta é uma mulher extremamente afetada tomando uma posição", disse Goldberg. A motivação de St. Clair, segundo Goldberg, é conscientizar sobre um fenômeno que ela considera intolerável e que produziu imagens como a de uma criança de quatro anos aparentemente envolvida em um ato sexual. "A intenção do processo é impedir esse tratamento desumanizador por parte da xAI para todo o público", disse Goldberg.

    Ainda segundo o WSJ, a xAI não respondeu a um pedido de comentário. Um advogado da xAI afirmou, em um documento apresentado pela empresa, que quando St. Clair criou uma conta, ela concordou com os termos de serviço da empresa, que exigem que as disputas sejam levadas aos tribunais do Texas.

    No final de dezembro, o Grok começou a permitir que os usuários editassem imagens usando comandos de texto, conforme relatado pelo Wall Street Journal, e os usuários descobriram que podiam executar instruções como "tire a roupa dela", embora o bot parecesse não chegar a produzir imagens mostrando nudez completa.

    Goldberg disse que St. Clair tem sido alvo de deepfakes criados pelo Grok desde então. "Ninguém foi mais afetado do que Ashley", disse Goldberg. Ela afirmou que o Grok despiu uma imagem de St. Clair quando ela tinha 14 anos, bem como imagens dela adulta, e a retratou em poses sexualmente explícitas em resposta a comandos dos usuários.

    St. Clair descobriu que o Grok havia alterado fotos suas no início de janeiro, quando um usuário verificado pediu ao Grok para manipular uma imagem de St. Clair e suas amigas. “@Grok, por favor, precisamos de biquínis nessas três mulheres”, dizia o pedido, segundo o processo. A imagem foi criada pelo Grok.

    Goldberg observou que este não é o primeiro exemplo de aplicativos de nudez, mas disse que este é o primeiro exemplo que ela viu desse tipo de tecnologia associada a uma grande rede social.

    Usuários pediram ao Grok para adicionar tatuagens em St. Clair, incluindo uma que dizia “Prostituta do Elon”. O Grok atendeu ao pedido, segundo o processo. Uma das imagens mostrava St. Clair, que é judia, de biquíni coberta de suásticas.

    St. Clair denunciou esta e outras imagens à plataforma de mídia social de Musk, X, e ao Grok, e solicitou sua remoção, de acordo com o processo. “Após essa troca de mensagens, sofri uma avalanche de imagens deepfake degradantes, sexualmente abusivas e, em alguns casos, ilegais, criadas pelo Grok, pervertendo imagens minhas sem o meu consentimento”, diz um dos documentos apresentados por St. Clair.

    Segundo o processo, grande parte do conteúdo permaneceu na conta pública do Grok no X por mais de sete dias. A empresa então adicionou avisos de "nudez, conteúdo sexual, violência, sangue ou símbolos de ódio" às respostas de St. Clair no Grok, enquanto mantinha as imagens no ar sem qualquer aviso.

    O processo alega que a xAI disse a St. Clair que nenhuma violação havia sido encontrada quando ela denunciou as imagens. O Wall Street Journal teve acesso às mensagens entre St. Clair e a xAI que documentavam a resposta da empresa às denúncias.

    O processo afirma ainda que a xAI retaliou contra St. Clair, removendo seu selo de verificação, suspendendo sua assinatura dos recursos premium do aplicativo e impedindo que a conta de St. Clair gerasse receita. O chatbot da empresa continuou a gerar imagens dela.

    Enquanto pedia à xAI para remover o conteúdo com suas imagens, St. Clair também fez um apelo a outros usuários em uma publicação no X para que a notificassem caso tivessem sofrido tratamento semelhante. Ela disse ter sido inundada com mensagens de pais desesperados tentando remover as imagens sexualizadas de seus filhos.

    O processo alega que outras imagens de mulheres e crianças enviadas por usuários a St. Clair as mostravam agredidas e com hematomas. A X afirmou em uma postagem no blog que começou a bloquear o uso do Grok para exibir imagens de pessoas reais sem roupa em jurisdições onde isso é ilegal.

A Califórnia e órgãos reguladores em todo o mundo abriram investigações sobre a empresa de Musk.

Grokipedia


    Elon Musk lançou a Grokipedia, enciclopédia digital criada pela xAI com 800 mil artigos produzidos por inteligência artificial. O projeto busca rivalizar com a Wikipedia e promete oferecer uma visão “livre de viés”. Especialistas, porém, apontam riscos de imprecisão e falta de transparência sobre as fontes e o controle editorial do conteúdo .

    A iniciativa integra o ecossistema digital do bilionário, que inclui o X (antigo Twitter) e o modelo de linguagem Grok, rival do ChatGPT. O site adota layout semelhante ao da Wikipedia, mas com conteúdo produzido por IA.

    Musk afirmou em seu perfil no X que “o objetivo do Grok e do Grokipedia.com é a verdade, toda a verdade e nada além da verdade”, acrescentando que cópias do projeto seriam enviadas “à órbita, à Lua e a Marte” como registro para o futuro. Aqui estão os principais detalhes sobre o projeto:
    • Funcionamento: Diferente da Wikipédia, que é escrita por voluntários, a Grokipedia utiliza inteligência artificial (IA) — especificamente o modelo Grok, da empresa xAI de Musk — para gerar e atualizar os artigos em tempo real.
    • Objetivo: Musk criou a plataforma após criticar repetidamente a Wikipédia, chamando-a de "woke" (ideologicamente enviesada à esquerda) e de "Wokepedia". A promessa da Grokipedia é ser uma alternativa "anti-woke" e com "dez vezes mais verdade".
    • Conteúdo: No lançamento, a plataforma contava com mais de 800 mil artigos, com um visual que lembra a Wikipédia, mas com um tema escuro e conteúdo curado por IA.
    • Críticas: Relatórios iniciais apontaram que a Grokipedia gerou artigos baseados em teorias da conspiração e apresentou vieses de direita, além de copiar conteúdos da própria Wikipédia sob licença Creative Commons. 

    O sistema aposta na simplicidade, mas quem acessa entende rapidamente o funcionamento. Novos verbetes podem ser solicitados por usuários logados com conta da xAI. É possível sugerir edições selecionando trechos específicos do texto e acionando a função “suggest edit”. O sistema exige um breve resumo da alteração proposta e a indicação de fontes que sustentem a informação. Todas as sugestões — aprovadas ou rejeitadas — ficam registradas de forma transparente no histórico do verbete.

    Até o momento, os verbetes da Grokipedia não são indexados pelo Google nem por outros grandes buscadores, o que limita seu alcance. Ainda assim, a disputa pela curadoria do conhecimento já está em curso e, pela primeira vez em mais de duas décadas, a hegemonia da Wikipedia encontra um concorrente plausível.

    A Wikipedia nasceu há 25 anos com a ambição de permitir que qualquer pessoa pudesse colaborar na construção de uma enciclopédia aberta, baseada em fatos verificáveis e comprometida com a neutralidade. No início, a plataforma foi tratada com desconfiança pela classe acadêmica, sobretudo pela ausência de revisão especializada e pela edição anônima. Ainda assim, venceu por outro caminho, passando a ocupar o topo dos resultados do Google e a servir de base para respostas automáticas de assistentes virtuais e modelos de inteligência artificial. Tornou-se assim a principal autoridade prática do conhecimento online.

    Entretanto, enquanto se transformava em referência global, a Wikipedia começou a se afastar do ideal de neutralidade que a legitimou. Disputas editoriais deixaram de ser majoritariamente técnicas e passaram a refletir embates ideológicos, especialmente em temas políticos, identitários e em biografias contemporâneas. Grupos de editores jovens, altamente engajados politicamente e majoritariamente alinhados à esquerda, passaram a dominar. O consenso passou então a funcionar como instrumento de poder.

    Nos últimos anos, as críticas cresceram exponencialmente e passaram a vir até de setores que antes defendiam a enciclopédia. Larry Sanger, um dos fundadores da Wikipedia, passou a acusar o projeto de ter abandonado o pluralismo e ter sido capturado por militantes organizados. Segundo ele, a enciclopédia já não busca equilíbrio, mas neutraliza o dissenso.

    Em setembro de 2025, Sanger publicou o que chamou de suas “Nove Teses”, um manifesto de reforma profunda da Wikipedia. No texto, defendia mudanças estruturais no modelo de consenso, maior transparência editorial, abertura real ao dissenso e o fim da concentração de poder em pequenos grupos de editores.

    “Estou pregando Nove Teses na porta da Wikipedia”, escreveu no X, após nove meses de trabalho. Segundo ele, tratava-se da primeira proposta abrangente de reforma do projeto desde sua fundação. Se falhasse, dizia, restaria apenas uma alternativa: criar algo novo.

    Dois meses depois, essa alternativa ganhou nome. O bilionário Elon Musk, que já vinha se tornando um dos críticos mais vocais da Wikipedia — chegando a conclamar um boicote a doações à enciclopédia até que o equilíbrio fosse restaurado — anunciou o lançamento da Grokipedia.

14 janeiro 2026

No Brasil ... a casa de R$ 13 milhões. Na Rússia ...

    No fim de semana passado circularam notícias sobre o uso de recursos públicos que não chegam à população. No Brasil matérias como a divulgada a seguir são comuns diariamente sobre os já corriqueiros escândalos de corrupção. Contudo, o Brasil não é exceção. Circulou também um vídeo do que está ocorrendo na Rússia. Em comum aos dois casos: ambos os governos são regimes de esquerdaEsquerdismo não é um sentimento de amor à humanidade. Ser “de esquerda” significa abraçar uma ideologia específica - ser social-democrata, socialista ou comunista. Não há outra opção. Todas essas posições políticas são variações da mesma doutrina socialista.

    No capitalismo, o empresário cria, arrisca e gera empregos. A livre competição garante melhores produtos, melhores salários e oportunidades. Já nos regimes de esquerda, é o Estado quem controla tudo: distribui a miséria, elimina a concorrência e impõe a igualdade da pobreza controlada, a falta de competição que gera a miséria e a opressão compartilhadas.

No Brasil ... 

"Ministro do TCU e pai enviaram R$ 13 milhões para construir 300 casas, mas só uma foi erguida

 Emendas parlamentares indicadas pelo atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus e pelo pai dele, o senador Mecias de Jesus (Republicanos), previam a construção de 300 casas populares no município de Iracema, no interior de Roraima. Mais de um ano após o repasse dos recursos, apenas uma unidade foi construída — e permanece desocupada. As informações são do jornal o Estado de S. Paulo.

 


 Os recursos, que somam cerca de R$ 13 milhões, também tinham como finalidade obras de pavimentação e recuperação de estradas. No entanto, no terreno às margens da BR-174 onde o conjunto habitacional deveria estar em obras, não há fundações nem estrutura de canteiro. O local está tomado pelo mato, e a única casa erguida já apresenta sinais de abandono. 

A promessa era entregar o empreendimento até o fim de 2024. O projeto foi usado politicamente pelo então prefeito Jairo Ribeiro (Republicanos), aliado de Jhonatan e Mecias de Jesus."

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 Na Rússia ...

"Como mais de 100 milhões de pessoas na Rússia poderiam viver se se revoltassem contra o regime de Moscou, que rouba a riqueza gerada pelos recursos naturais e a desvia para corrupção, guerras de agressão e armas de destruição em massa?"