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09 junho 2026

Território Livre de Princesa



    Em um dia como hoje, em 9 de junho de 1930, foi assinado o decreto que formalizou a criação do Território Livre de Princesa, durante a chamada Revolta de Princesa. Liderado pelo coronel José Pereira, o movimento rompeu com a autoridade do governo paraibano de João Pessoa e declarou o município de Princesa como território autônomo, subordinado diretamente ao governo federal.
    O episódio ocorreu em meio às intensas disputas políticas da República Velha e tornou-se um dos acontecimentos mais marcantes da história da Paraíba no século XX. O território manteve administração própria por alguns meses, até ser reincorporado ao estado em agosto de 1930.

    O ato intensificou o conflito armado entre as milícias coronelistas locais e o governo estadual de João Pessoa.
O Contexto do Levante:
  • O estopim: O presidente (governador) da Paraíba, João Pessoa, havia iniciado uma política de desarmamento dos coronéis que faziam oposição ao seu governo, o que desagradou a elite agrária da região.
  • Liderança: O movimento rebelde foi liderado pelo coronel José Pereira Lima, que estabeleceu leis, bandeira e exército próprio no município.
  • Divisão política: A rebelião se insere na crise da República Velha e no acirramento das tensões entre a Aliança Liberal (oposição) e o governo federal de Washington Luís.
  • Desfecho: O "Território Livre de Princesa" manteve-se autônomo e em guerra civil com o Estado até agosto de 1930, quando as forças governistas intervieram para retomar a região. Pouco depois, em 26 de julho de 1930, o assassinato de João Pessoa no Recife serviria como catalisador final para a Revolução de 1930.


ANTECEDENTES


    O episódio de Princesa teve sua origem na posse de João Pessoa na presidência da Paraíba, em 22 de outubro de 1928. Pretendendo reformar a estrutura político-administrativa e reerguer as finanças do estado, o novo presidente decidiu deslocar para o litoral a hegemonia do comércio estadual. Até então, na ausência de qualquer barreira tributária, as cidades do interior comerciavam diretamente com os estados vizinhos, especialmente Pernambuco.


    Indiferente ao poder dos “coronéis” — chefes políticos do sertão — e de suas famílias, João Pessoa deu sequência a seu projeto implantando um rigoroso sistema de arrecadação tributária que distinguia entre as mercadorias importadas pelo litoral, através do porto de Cabedelo, e aquelas que entravam na Paraíba pelas fronteiras terrestres. Essas medidas, consubstanciadas na Lei nº 673, de 17 de novembro de 1928, tornaram praticamente impossível o comércio sertanejo com os estados vizinhos.


    Em Recife, cujo comércio foi atingido pela nova política do governo paraibano, os irmãos Pessoa de Queirós, primos de João Pessoa, passaram a liderar uma ferrenha campanha contra essa “guerra tributária” através de seu periódico, o Jornal do Comércio. Por sua vez, A União, jornal oficial da Paraíba, defendia a administração e o presidente do estado dos ataques e denúncias que lhes dirigia o jornal pernambucano.


    A discussão travada através da imprensa aguçou o descontentamento dos chefes políticos do interior, que vinham sendo sistematicamente desprestigiados pelo governo. De fato, João Pessoa chegara a ordenar a apreensão de armas, “do caboclo ao coronel”, além de promulgar leis que restringiam o domínio até então incontestável destes últimos.


    As atitudes inovadoras de João Pessoa valeram-lhe também atritos com velhos correligionários do Partido Republicano da Paraíba (PRP), ligados por laços de fidelidade partidária a seu tio Epitácio Pessoa, ex-presidente da República (1919-1922) e líder supremo da política paraibana.


    Entre os chefes políticos atingidos por João Pessoa destacava-se José Pereira, considerado um dos maiores “coronéis” do Nordeste e o mais poderoso da Paraíba. Membro da comissão executiva do PRP, seu prestígio transcendia os limites municipais, alcançando as esferas estadual e federal. Seu reduto político era o município de Princesa, a 428km da capital, perto da fronteira com Pernambuco. Essas condições faziam com que a economia de Princesa fosse totalmente voltada para o estado vizinho.


A ALIANÇA LIBERAL


    Com a aproximação das eleições presidenciais de 1930, as unidades da Federação passaram a ser consultadas a respeito de seu apoio à chapa Júlio Prestes-Vital Soares, apresentada pelo presidente da República Washington Luís. Em 29 de julho de 1929, após reunir o diretório do PRP, do qual era presidente, João Pessoa declarou que decidira não apoiar a chapa oficial. Essa atitude ficou conhecida como o “Nego”, termo que mais tarde seria incorporado à bandeira do estado.


    A resistência de João Pessoa à política do Catete resultou na escolha de seu nome para participar da chapa da Aliança Liberal ao lado de Getúlio Vargas. Sua candidatura, lançada em 30 de julho de 1929, unificou por algum tempo o PRP, desgastado por brigas internas. Mais que isso, com exceção de uma facção do partido oposicionista, o Republicano Conservador (PRC) da Paraíba, liderada por Heráclito Cavalcanti, toda a Paraíba se solidarizou com seu presidente.


    Por outro lado, a adesão do estado à Aliança Liberal resultou numa série de medidas de represália do governo central. Essa hostilidade reforçou internamente os ganhos políticos de João Pessoa, que empreendeu uma excursão por vários municípios a fim de obter o apoio eleitoral dos “coronéis” que vinha combatendo desde o início de seu mandato. João Pessoa visitou assim os municípios de Princesa e de Teixeira, este último dominado pela família Dantas, em cujo apoio político nem mesmo Epitácio Pessoa confiava.


O ROMPIMENTO DE JOSÉ PEREIRA


    Paralelamente às eleições presidenciais, em 1º de março de 1930 seriam realizadas eleições para a Câmara dos Deputados e para a renovação de 1/3 do Senado. Ao ser preparada a chapa situacionista paraibana, João Pessoa defendeu o princípio da não reeleição e propôs o revezamento dos candidatos. Reunindo-se a comissão executiva do PRP, a idéia da renovação total da bancada não conseguiu unanimidade de votos. Dos cinco membros efetivos da comissão, um — João Espínola — não compareceu, dois — Júlio Lira e Inácio Evaristo — votaram pela reeleição da bancada, e os dois restantes — o próprio João Pessoa e Demócrito de Almeida — votaram pela substituição. Valendo-se então da prerrogativa do “voto de qualidade”, João Pessoa desempatou o resultado em favor da proposta de revezamento, mantendo no entanto a candidatura do já deputado Carlos Pessoa, seu primo.


    A atitude de João Pessoa visava sobretudo a afastar João Suassuna, ex-presidente do estado, deputado federal em duas legislaturas e aliado de famílias poderosas do interior como a dos Pereira Lima e a dos Dantas. Após ter comunicado a seus correligionários, às vésperas das eleições, a chapa oficial composta à revelia da comissão executiva do PRP, João Pessoa recebeu um telegrama de José Pereira, datado de 24 de fevereiro, anunciando seu rompimento com o governo estadual. José Pereira deixava as fileiras do PRP para ingressar no PRC, que defendia a candidatura Júlio Prestes-Vital Soares. Acompanhavam-no vários líderes da política paraibana, como João Suassuna, Oscar Soares, Pedro Firmino, o padre Manuel Otaviano, Inácio Evaristo, Cícero Parente, Nilo Feitosa, Duarte Dantas e outros. Dias depois, a imprensa oposicionista divulgou as modificações sofridas pela chapa do PRC, que passou a incluir alguns dos dissidentes do PRP. O dia 24 de fevereiro de 1930, data da cisão no PRP, é considerado o início do movimento rebelde de Princesa.


A LUTA ARMADA


    Alguns dias após o rompimento de José Pereira, os fatos se revestiram de uma feição francamente guerreira. Para evitar que as eleições em Princesa viessem alterar seus planos, João Pessoa ordenou o esvaziamento da máquina burocrático-administrativa do município, deixando-o “fora da lei”. Enviou também para lá contingentes da polícia estadual, sob o pretexto de garantir o pleito. Por outro lado, desde o rompimento, José Pereira vinha armando sua gente, tendo conseguido reunir em pouco tempo cerca de dois mil homens entre agregados seus e de outros chefes políticos. A polícia estadual contava com apenas 850 homens.


    Logo após as eleições de 1º de março, iniciou-se no sertão paraibano a luta armada. Os rebeldes contavam com o auxílio em dinheiro e em munições dos Pessoa de Queirós, de Pernambuco, e ainda com o assentimento do governo federal, que, interessado na derrota política de João Pessoa, impedia Minas e Rio Grande do Sul de lhe enviar reforços. O objetivo dos sublevados era aliás forçar o governo federal a intervir na Paraíba, o que precipitaria a queda de João Pessoa. Por sua vez, João Pessoa defendia vigorosamente a autonomia estadual, tentando demonstrar que o levante de Princesa não significava o caos político em sua administração e que a situação estava sob controle.


    Em 3 de maio de 1930, o presidente da República Washington Luís sugeriu ao Congresso que este lhe apresentasse um pedido formal de intervenção na Paraíba. A sugestão não foi aceita por ferir a Constituição. Para que a intervenção fosse legal, seria necessário que o próprio João Pessoa a solicitasse. Por essa época, os combates limitavam-se a pequenos avanços e recuos das partes conflitantes. A polícia estadual não tinha condições de tomar Princesa, e nenhuma vitória significativa era alcançada. Por sua vez, os revoltosos encontravam-se também em dificuldade, pois se esgotavam os recursos de que dispunham para se alimentar e se manter em armas.


    No início de junho, em vista da relutância do Congresso na questão da intervenção, Washington Luís enviou à Paraíba cinco batalhões de caçadores do Exército e um vaso de guerra. Enquanto isso, os Pessoa de Queirós e outros líderes da revolta arquitetavam um plano para forçar a intervenção: propunham proclamar Princesa “território livre” através da promulgação de um “decreto” assinado por José Pereira. Seria ainda editado um jornal e composto um livro. O “decreto” foi assinado no dia 9 de junho de 1930 por uma “junta governativa” integrada por José Pereira, José Frazão Medeiros Lima e Manuel Rodrigues Sinhô. Seu texto, lido na Câmara no dia 13, causou grande polêmica, abrindo a primeira discussão formal sobre o chamado “caso da Paraíba”. Em 21 de junho, saiu o primeiro eúnico número do Jornal de Princesa.


    Diante desses acontecimentos, um avião do governo do estado sobrevoou Princesa e lançou um boletim intimando os revoltosos a se renderem sob pena de o município ser bombardeado. Em resposta, José Pereira enviou um telegrama a João Pessoa ameaçando “invadir o estado e implantar o terror”. Na verdade, nenhuma das partes teria condições de cumprir tais ameaças.


O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA


    Em 26 de julho de 1930, ocorreu o fato culminante de todo esse processo político: João Pessoa foi assassinado em Recife por João Duarte Dantas. Aliado de José Pereira e de João Suassuna, João Dantas alimentara durante muito tempo um intenso rancor contra João Pessoa, acusando-o de cometer arbitrariedades contra membros de sua família. Os dois haviam mesmo travado um debate através da imprensa, dando vazão a seu ódio pessoal. A divulgação pelo jornal A União de documentos íntimos apreendidos pela polícia paraibana no apartamento de João Dantas precipitou os acontecimentos.


    Com a morte de João Pessoa, o governo federal resolveu pôr termo à Revolta de Princesa. O general Lavenère Wanderley, comandante da 7ª Região Militar, sediada em Recife, foi incumbido de restabelecer a paz na Paraíba. Seu primeiro ato foi telegrafar a José Pereira informando-o de que seria necessário que “as forças do Exército ocupassem Princesa”.


    Em 11 de agosto de 1930, um contingente do Exército com seiscentos homens comandados por João Facó chegou a Princesa. Ao mesmo tempo, vários batalhões passaram a guarnecer as fronteiras do estado. Diante de providências tão concretas, José Pereira entregou ao Exército os armamentos de sua gente. No dia 19 de agosto, o general Lavenère Wanderley participou a Álvaro de Carvalho, sucessor de João Pessoa no governo do estado, a pacificação da Paraíba. Os “propósitos apaziguadores” do governo federal foram entretanto criticados pelos aliancistas, que denunciaram a permanência de tropas no estado como uma forma de intervenção.


    Por outro lado, causando indignação e pesar em todo o país, o assassinato de João Pessoa constituiu um fator decisivo para a articulação do movimento revolucionário que eclodiria em 3 de outubro de 1930.

08 junho 2026

Os 37 anos do Massacre da Praça Celestial

 


    Nos dias 3 e 4 de junho de 1989, milhares de Chineses reunidos na Praça da Paz Celestial protestavam contra a corrupção, a repressão política, a inflação e o desemprego sob o regime do Partido Comunista Chinês, o PCC.

    O movimento estudantil foi influenciado pelas reformas promovidas por Mikhail Gorbachev na União Soviética a partir de 1986. A perestroika introduziu medidas de liberalização econômica, enquanto a glasnost ampliou a abertura política e as liberdades civis, especialmente a liberdade de expressão. Essas transformações repercutiram em diversos países do bloco comunista, influenciando movimentos em nações como Polônia de Hungria.

    O líder soviético chegou à China em plena onda de protestos estudantis que, desde 15 de abril, tomava diariamente as ruas de Pequim e já contava com o apoio de diversos setores da população, incluindotrabalhadores. As manifestações eram marcadas por atos pacíficos e reivindicavam reformas políticas, maior liberdade de expressão e ampliação das liberdades civis.

    Em 17 de maio, os protestos forçaram o governo chinês a cancelar parte da agenda da visita de Gorbachev, gerando constrangimento para o regime. Dois dias depois, o secretário geral do PCC, Zhao Ziyang, tentou dissuadir os estudantes de continuarem as manifestações, mas fracassou. Em 20 de maio, o Primeiro Ministro Li Peng convoca o exército para limpar a praça e soldados e tanques são mandados às ruas. Os manifestantes erguem barricadas e bloquearam o avanço dos soldados e tanques.

    Na noite de 3 de junho, tanques e veículos blindados transportando soldados armados avançam sobre Pequim e abriram fogo contra a multidão. O confronto deixou mortos entre civis e soldados. Por volta da meia-noite de 4 de junho, as tropas chegaram à Praça Tiananmen, então ocupada por cerca de 5 mil estudantes. Novos confrontos ocorreram durante a madrugada.

    Após as negociações, os manifestantes concordaram em deixar a praça, sob ameaça de serem fuzilados caso permanecessem. A violência, porém, continuou pela cidade nos dias seguintes, com tropas utilizando armas de fogo para dispersar os últimos focos de resistência.

    O exército chinês disparou indiscriminadamente contra uma multidão que ocupava a praça e ruas próximas. As estimativas das mortes variam entre 400 a 800 até 2600 mortos além de cerca de 7000 feridos.

    O mundo inteiro viu. Um símbolo de coragem contra um Estado que prefere esmagar seus cidadãos a ouví-los. Esse homem sumiu. O massacre, até hoje, é negado. “Foi só manutenção da ordem”, dizem.


Foto simbólica: homem bloqueia passagem de tanques 
nos arredores da Praça Celestial 
(Tiananmen) de Pequim, em 1989.

    Não é exagero dizer: a estrada que começa com a criminalização da fala termina com tanques nas ruas. A liberdade de expressão não é um luxo ocidental. É uma trincheira contra a tirania.

    Lutar pela segurança jurídica e institucional é fundamental, principalmente neste momento em que o Brasil deixou e ser o país do futuro para se tornar mundialmente conhecido por estar dando os mesmo passos da ditadura já mencionada.  É nossa obrigação, é nosso dever lutar por dignidade, por um país que garanta a cada um, no pilar da Separação dos Poderes, o respeito às individualidades, às opiniões e aos direitos fundamentais.

02 junho 2026

Lula conseguiu!



    O governo americano reconheceu o Brasil como uma nação hostil, ao lado de Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia. O Secretário de Estado dos EUA disse que com exceção desses países, os outros países do continente são amigos.


Por que a esquerda ficou indignada com os EUA chamando PCC e CV de terroristas? Segundo Leandro Ruschel, após os Estados Unidos anunciarem que vão tratar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, a reação do Estado brasileiro foi tão reveladora quanto a própria medida. Em vez de comemorar uma ação contra as duas maiores facções do país, o governo correu para falar em soberania, riscos e interferência. Ou seja: diante de uma iniciativa contra grupos que aterrorizam milhões de brasileiros, o incômodo principal não foi com o terror imposto pelas facções, mas com o fato de alguém tê-las chamado pelo nome. Esse ponto precisa ser entendido com clareza. O próprio governo admitiu que essas organizações praticam o terror nos territórios em que vivem milhões de famílias. Admitiu o essencial. Mas, logo em seguida, rejeitou a consequência lógica dessa constatação. É exatamente aí que aparece o retrato moral do país. A soberania que se corre para defender não é a do cidadão que quer voltar vivo para casa. Não é a da mãe que cria filho em território dominado pelo tráfico. Não é a do comerciante que paga pedágio para continuar trabalhando. A soberania defendida é a de um arranjo estatal que já entregou o controle de partes do território ao crime, mas se ofende quando alguém de fora resolve nomear o problema. Isso não é apenas falha de gestão. Há uma visão de mundo por trás disso. Uma corrente política que há décadas aprende a tratar o criminoso como vítima da sociedade, enquanto reserva a palavra “terrorista” para o opositor político, para o dissidente, para quem incomoda o regime. O bandido armado é produto da desigualdade. O sujeito que protesta contra o sistema é ameaça à democracia. Essa inversão moral não surgiu ontem, e também não nasceu no vazio. Ela tem doutrina, tem tradição e tem consequência concreta. O nascimento do próprio Comando Vermelho já aponta nessa direção. A organização surgiu no contato entre presos comuns e militantes da esquerda armada, absorvendo disciplina de célula, lógica revolucionária e a ideia de que o crime contra a ordem estabelecida pode ser instrumento político. O PCC, mais tarde, nasce sob retórica parecida, de “defesa dos presos”, mas replicando uma lógica de poder, coesão e controle social que vai muito além de uma quadrilha comum. Quando se observa o continente como um todo, o padrão fica ainda mais visível: FARC, chavismo, narcoterrorismo, normalização da cocaína no discurso de chefes de Estado. Não é coincidência. É uma tradição política que sempre flertou com o crime quando isso serviu à sua estratégia de poder, já dizia Fidel Castro em seus ensinamentos ao presidente venezuelano Hugo Chávez.

Esses registros podem ser encontrados no livro "Hugo Chávez: o espectro", publicado em janeiro de 2018. O livro mostra, detalhadamente, como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global, com pretensões que iam muito além da América Latina.

O livro nos conta que em entrevista concedida ao próprio Leonardo, em 01/08/2015, em Washington, DC, um exilado venezuelano, ex-executivo da PDVSA, reafirmou que dezenas de malas de dinheiro "desceram da Venezuela" rumo ao sul. Segundo ele, "esse dinheiro foi utilizado por chavistas para patrocinarem as campanhas de Evo Morales, na Bolivia, Pepe Mujica, no Uruguai, Fernando Lugo, no Paraguai, e Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil", p. 42, livro capa dura.

Por isso a reação do establishment brasileiro não surpreende. Ela é coerente com a sua própria formação. Quando PCC e CV são tratados como terroristas, expõe-se não só a natureza das facções, mas também o desconforto de quem construiu, por anos, um ambiente cultural e político mais disposto a relativizar o criminoso do que a enfrentá-lo. E isso ajuda a explicar por que, no Brasil, combater o crime é tantas vezes pintado como autoritarismo, enquanto afrouxar a lei, limitar a polícia e romantizar o bandido é vendido como civilização.

01 junho 2026

O que há para junho? Destaques da Observação do Céu

O solstício traz o verão ao Hemisfério Norte. Júpiter e Vênus aparecerão próximos um do outro no céu noturno, e Mercúrio se juntará a eles logo depois. A Lua também passará na frente de Vênus em 17 de junho. Vênus e Júpiter se encontram após o pôr do sol, a Lua passa em frente a Vênus, o verão começa e tesouros do céu profundo surgem à vista.

Destaques da Observação do Céu

9 de junho: Conjunção de Vênus e Júpiter

11 a 15 de junho: Mercúrio se junta a Vênus e Júpiter após o pôr do sol

17 de junho: A Lua passa em frente a Vênus e Lua e Vênus se aproximam

21 de junho: Solstício de junho e início do verão astronômico

Junho: Triângulo de Verão e alvos de observação do céu profundo surgem à vista

No início deste mês, olhe para o oeste logo após o pôr do sol para ver Vênus e Júpiter. Eles são dois dos planetas mais brilhantes em nosso céu e, por volta de 9 de junho, aparecerão próximos um do outro após o pôr do sol. Isso é chamado de conjunção planetária — quando dois planetas parecem próximos um do outro do nosso ponto de vista na Terra, mesmo estando a milhões de quilômetros de distância no espaço.


De 11 a 15 de junho, Mercúrio entra em cena, criando um pequeno desfile de planetas baixos no céu ocidental. Isso acontece porque os planetas orbitam o Sol em trajetórias quase idênticas em nosso céu, chamadas de eclípticas. Assim, do nosso ponto de vista na Terra, eles às vezes parecem se reunir na mesma região do céu.


Vênus será o mais brilhante e fácil de observar, com Júpiter próximo. Mercúrio estará mais baixo no horizonte, então você precisará de uma visão clara para o oeste para vê-lo no brilho do crepúsculo.

Em 17 de junho, em alguns locais, a Lua passará em frente a Vênus. Isso é chamado de ocultação lunar. Para os observadores no caminho certo, Vênus parecerá desaparecer atrás da Lua e reaparecer mais tarde. O evento será visível em partes dos Estados Unidos, Canadá, Brasil e Venezuela. Fora do caminho exato de observação, muitos observadores do céu ainda poderão ver uma aproximação entre a Lua e Vênus, mas isso requer uma importante precaução. Para muitos observadores, isso acontecerá durante o dia. Se você estiver tentando observar a ocultação, não aponte binóculos, telescópio ou câmera para perto do Sol, a menos que esteja usando equipamentos de segurança solar adequados. Olhar para o Sol ou para perto dele através de lentes pode causar lesões oculares graves.

Junho também traz o solstício de verão. No Hemisfério Norte, o solstício de junho marca o início do verão astronômico. No horário do Pacífico, ele ocorre no domingo, 21 de junho, à 1h24 da manhã.

Por volta do solstício, o Hemisfério Norte tem os dias mais longos e as noites mais curtas do ano. Mas aqui vai uma curiosidade: o dia mais longo geralmente não coincide exatamente com o nascer do sol mais cedo ou o pôr do sol mais tarde. Por exemplo, em Los Angeles, o nascer do sol mais cedo ocorre antes do solstício, enquanto o pôr do sol mais tarde ocorre depois dele.

E quando o céu escurece, o verão traz alguns alvos favoritos para usuários de telescópios e astrofotógrafos. Primeiro, procure pelo Triângulo de Verão, formado pelas estrelas brilhantes Vega, Altair e Deneb. Dentro e ao redor dessa região encontram-se objetos do céu profundo como a Nebulosa do Haltere, a Nebulosa do Anel, a Nebulosa da América do Norte e a Nebulosa do Véu. A Nebulosa do Haltere, também conhecida como Messier 27, foi a primeira nebulosa planetária já descoberta.

Esses objetos não são brilhantes como planetas, mas com telescópios ou fotografia de longa exposição, eles revelam gás brilhante, estrelas moribundas e berçários estelares em nossa galáxia.


Abaixo estão as fases da Lua para junho. 



30 maio 2026

A estupidez é pior que a maldade

    Nesta sexta-feira (29) Lula se pronunciou sobre a decisão dos EUA de designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas. "Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", disse Lula em uma agenda em Sergipe.


    Ao reagir de forma crítica à decisão dos americanos, Lula, que já não estava em condição de falar do assunto por conta de suas declarações desastradas sobre o crime, ainda tropeçou nas palavras. Como se opor a algo que é interpretado como um aumento de rigidez contra grupos que tomaram o lugar do Estado em boa parte do país sem parecer discursar a favor das facções?

    “Estou muito triste hoje, com a notícia de que o secretário [de Estado] dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, discursou Lula. Não tardou e o descondenado recebeu os seguintes comentários:

    Em consonância com esses eventos, o artigo de Alexandre Garcia publicado na Oeste deste final de semana, traz em seu título a seguinte pergunta - Ainda decidimos?. O artigo começa citando a encíclica recém-divulgada pelo papa Leão XIV. Vale a pena a sua leitura que encontra-se disponível aqui.

    Dele, contudo, ressaltamos alguns trechos que nos lembram tempos passados, especialmente o vivido pelos alemães na época do nazismo. Alexandre busca em Dietrich Bonhoeffer, teólogo alemão e pastor luterano executado pelo nazismo, que explicou como um povo culto — doutores, pastores, professores, intelectuais — não só permitiu como aplaudiu Hitler.

"Bonhoeffer escreveu na prisão que a estupidez é pior que a maldade. A maldade pode ser combatida, tem argumentos, porque quer algo, se revela. Mas a estupidez não, porque é alguém que renunciou ao uso de seu próprio juízo, alguém que entregou sua capacidade de pensar e decidir a um líder, a um slogan, a uma palavra de ordem, a uma ideologia. E quando isso acontece, não se pode apelar à razão, ter um diálogo com argumentos, porque essa pessoa já não tem razão própria, porque está abduzida pela razão alheia, do líder.


[ ... ] Bonhoeffer pensa que não foram Hitler e Goebbels que destruíram a Alemanha, mas os milhões de alemães que se entregaram sem critério, sem fazer perguntas. Pior que serem malvados, eram obedientes sem pensamento próprio.

[ ... ] Nos tempos atuais, como é possível que depois do Mensalão, Lula tenha sido reeleito? Como é possível que depois do Petrolão (ou Lava Jato), tenha sido eleito pela terceira vez? Como é possível que Dilma tenha sido reeleita enquanto a economia despencava numa recessão nunca vista antes? Aparece um contrato de R$ 129 milhões com a família de um ministro do Supremo, aportes de R$ 35 milhões num resort de outro, e a vida continua. Como é possível que se impeça de continuar uma CPI sobre o roubo de R$ 6 bilhões a mais de 4 milhões de idosos? Delegamos nosso futuro?

    O destempero verbal de Lula ao atacar a decisão americana pela inclusão de facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas revela um comportamento incompatível com a liturgia do cargo e preocupante sob o ponto de vista institucional.

    A fala presidencial causa ainda mais estranheza porque o tema em debate é extremamente sério. Lula reagiu como se a decisão fosse uma afronta pessoal ou ideológica. O tom utilizado não demonstrou equilíbrio nem capacidade de liderança. Demonstrou irritação, intolerância e um preocupante desequilíbrio retórico.

    Bonhoeffer continua vivíssimo no Brasil: a estupidez é pior que a maldade.




28 maio 2026

PCC e Comando Vermelho são designadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos


O argumento de que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos “ameaça a soberania brasileira” inverte completamente o problema. A ameaça à soberania brasileira não vem dos EUA reconhecer a realidade. A ameaça à soberania brasileira vem de facções criminosas que controlam territórios, impõem regras paralelas, aterrorizam populações civis, corrompem agentes públicos, lavam bilhões, traficam drogas e armas através de fronteiras e projetam sua atuação para além do Brasil. Soberania é a capacidade efetiva do Estado de controlar seu território, proteger sua população e impedir que organizações criminosas substituam o poder público. O argumento de que PCC e CV não poderiam ser tratados como organizações terroristas porque “não têm bandeira política” é juridicamente estreito e empiricamente ingênuo. Essas organizações talvez não publiquem manifestos ideológicos como grupos revolucionários clássicos. Mas exercem poder político no sentido mais concreto possível porque controlam comunidades, intimidam autoridades, influenciam eleições, paralisam cidades, impõem toque de recolher, ordenam ataques contra agentes públicos e usam violência sistemática contra civis para preservar domínio territorial e econômico. A designação americana não transforma o Brasil em alvo. Ela mira organizações criminosas específicas que representam ameaça transnacional. Também não autoriza automaticamente intervenção militar em território brasileiro. Esse espantalho serve mais para criar pânico político do que para explicar o direito aplicável. O efeito concreto da designação é ampliar ferramentas contra financiamento, logística, facilitadores, lavagem de dinheiro, movimentação internacional, apoio material e redes de suporte. Ou seja onde essas facções são mais vulneráveis. Também é curioso ouvir preocupações abstratas com soberania quando as principais vítimas da perda de soberania são os brasileiros que vivem sob domínio criminoso. Para a mãe que não pode sair de casa porque uma facção decretou toque de recolher, para o comerciante extorquido, para a família atingida por guerra territorial, para o policial assassinado e para a comunidade abandonada à governança criminal, a soberania brasileira já foi violada há muito tempo — não por uma designação americana, mas pelo poder armado das facções. A pergunta correta é por que o Estado brasileiro permitiu que essas organizações crescessem a ponto de se tornarem uma ameaça hemisférica. Se o Brasil tivesse desmantelado sua infraestrutura financeira, contido sua expansão internacional, protegido suas fronteiras, impedido sua infiltração institucional e recuperado os territórios dominados por facções, talvez EUA não tivesse sentido necessidade de agir. Isso não é uma medida anti-Brasil. É uma medida contra o PCC e o Comando Vermelho. O verdadeiro ato pró-Brasil é reconhecer que o povo brasileiro é a primeira e maior vítima dessas organizações e que a cooperação internacional contra elas deve ser bem-vinda, não tratada como ofensa nacional. O Brasil deveria responder não com indignação performática, mas com cooperação, inteligência financeira, extradições, bloqueio de ativos, repressão à lavagem de dinheiro e uma estratégia nacional séria para recuperar territórios dominados pelo crime organizado. A soberania brasileira não será protegida defendendo a sensibilidade diplomática de facções criminosas. Será protegida destruindo o poder delas.