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30 outubro 2026

Uma semana após a "vitória" de Lula

A expectativa dos brasileiros sobre ter que sobreviver em mais quatro anos de governo Lula veio ao ar no dia seguinte às eleições: o prenúncio do caos econômico. O mercado financeiro entrou em pânico, e o Ibovespa desabou quase 14%. Foi o pior resultado diário desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19, e a terceira maior queda da história da bolsa brasileira. 2026 ficará como uma mancha para o nosso sistema eleitoral que, mais uma vez, não observou os limites institucionais. É realmente urgente a reforma do Judiciário!

O desespero de grande parte da população é compreensível. Além das incontáveis dúvidas que cercam a votação, a campanha pela reeleição foi marcada pela compra de votos disfarçada de auxílio social e por uma avalanche de mentiras nas redes sociais.

Só neste ano eleitoral, Lula criou 51 novas medidas com impacto no Orçamento federal que somaram, segundo levantamento do Estadão, mais de R$ 405 bilhões.

Diferentemente do que faz desde 2003, quando estreou no Planalto, agora Lula não terá a quem culpar pela “herança maldita” que ele mesmo criou. A expressão foi usada pela primeira vez para se referir ao legado deixado por Fernando Henrique Cardoso. Mas Lula sabia que a história não era bem assim. Três meses depois da posse, o ministro Antônio Palocci telefonou para FHC para agradecer, “em nome do presidente”, pelo país que haviam recebido: economicamente organizado e com a estabilidade de preços promovida pelo Plano Real.

A história da herança maldita foi uma das mais duradouras mentiras usadas por Lula para enganar o eleitorado e tirar vantagem política. Neste ano, contudo, a tarefa de espalhar falsidades foi terceirizada para o deputado federal André Janones, promovido a general da mentira. Em junho, ao participar de evento com militantes do PT, Janones deu palestra sobre como criar versões dos fatos. Deixou claro que a qualidade do conteúdo, assim como a veracidade das histórias, pouco importa. André Janones é a cara da campanha de Lula à reeleição.

Depois de gastar mais de R$ 400 bilhões no que pode ser definido como o maior caso de abuso de poder econômico e político de uma reeleição na história do mundo, Lula ganhou a presidência pela quarta vez, mas perdeu o Brasil. No caso, o Brasil é representado por um Congresso majoritariamente de oposição.

A nova composição do Parlamento também preocupa integrantes do Supremo Tribunal Federal. Eles sabem que seus abusos poderão encontrar mais resistência.

A eleição terminou, mas o julgamento político continua. E será feito diariamente, não pelos discursos, pelas comemorações ou pelas articulações de Brasília, mas pelos resultados efetivamente entregues à população.

Afinal, uma vitória eleitoral pode garantir mais quatro anos de mandato. Mas somente um governo competente, responsável e comprometido com todos os brasileiros poderá transformá-la em uma verdadeira vitória para o país.

29 outubro 2026

01 de fevereiro de 2027, uma data decisiva para o destino do Brasil

Em todo o País, fala-se muito da "fuga" de Flávio Bolsonaro e quase nada sobre o acordo que está em curso para abafar simultaneamente todos os escândalos que atingem poderosos nos três poderes. A peça fundamental neste acordo é a reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado com o compromisso de não instalação de CPIs ou processos de impeachment.

Justificar a necessidade de pacificação política não deve incluir esse item em qualquer agenda. Pelo contrário, caso ele apareça a pauta já nasce destruída. A sociedade brasileira não suporta mais tanta desconexão entre suas necessidades reais e as vontades de uma elite corrompida.

Felizmente começam a surgir senadores que já declararam que não votarão no Alcolumbre como Guilherme Derrite-SP,  Jorge Seif-SC e Marcelo van Hattem-RS e cogita-se as candidaturas de Rogério Marinho-RN e Tereza Cristina-MS. 

O Senado Federal precisa ser a Casa da Federação e da representação democrática, não um espaço de perpetuação de grupos corruptos no poder.

E talvez esteja aí a questão mais grave: de que adianta o eleitor renovar o Congresso se os mecanismos internos de poder continuam reproduzindo as mesmas práticas que ele esperava modificar?



Francês defende investigação das eleições brasileiras: “Desconfiança estrutural”

A situação de Flávio Bolsonaro, as dúvidas levantadas sobre o processo eleitoral brasileiro, as semelhanças entre Brasil e Venezuela e os possíveis efeitos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos sobre a América Latina estão entre os temas de entrevista com o francês Jacob Safar, consultor em assuntos estratégicos internacionais especializado nos Estados Unidos e no Oriente Médio.

Da França, Safar afirma que a situação de Flávio Bolsonaro é vista, nos meios conservadores e por parte da opinião pública, como uma operação política para neutralizar um adversário que representa uma alternativa forte, e não apenas como uma questão judicial. Segundo ele, o caso já provoca debates nos Estados Unidos, onde há quem o considere um exemplo de lawfare.

O consultor também defende uma investigação internacional independente sobre o processo eleitoral brasileiro e aponta semelhanças entre o funcionamento das instituições no Brasil e na Venezuela, embora ressalte que os dois países não sejam equivalentes. Na entrevista, ele ainda analisa a política de Donald Trump para a América Latina, o combate ao PCC e ao Comando Vermelho e as causas da violência que tem marcado manifestações na França.

Venezuela e Brasil: covardia da repressão não tem pátria

 

Por Paulo Cursino - 28/10/2026

Maria Corina e Flavio Bolsonaro.
Dois exilados de duas ditaduras.
Uma de Maduro e suas eleições fraudadas.
Uma de Lula e suas eleições sujas e STF aparelhado.
Ambos da mesma América Latina subdesenvolvida de sempre.
Ambos salvos pela América da liberdade de sempre.
Maria Corina foi chamada de covarde por canalhas da Venezuela.
Flavio também foi chamado de covarde por canalhas no Brasil.
Caluniados pelos mesmos motivos, pelas mesmas pessoas, porque a vagabundagem moral e a covardia da repressão não tem pátria.
Ambos vítimas da corrupção moral, sistêmica, e endêmica de seus países de origem.
Uma mulher. Um homem.
Dois seres humanos.
Com sonhos, com amores, com famílias.
Ambos obrigados a viver longe da terra onde nasceram.
Dois heróis da liberdade.
Ambos lutando contra políticos com prazos de validade vencidas.
Ambos tentando tirar seus países do século XX das mãos de líderes com ideias do século XIX.
E ambos envolvidos em uma poética coincidência:
Flavio foi roubado no domingo dia 25 de outubro e teve que sair de um país onde não há mais justiça.
Maria Corina voltou para a Venezuela no mesmo dia, no mesmo 25 de outubro, em uma Venezuela livre e voltando a ter justiça.
Um sinal de esperança.
Uma prova de que o mundo dá voltas e de que a verdade sempre vence e a paz sempre retona.
O inferno da Venezuela acabou.
O do Brasil também acabará um dia.
Lula quebrou o Brasil e pagará por isso.
Flavio não quebrará seu espírito e sairá vitorioso.
Lula não viverá para sempre e os coniventes com regimes repressores sempre vão para a lata de lixo da história.
E, ah, sim, sempre bom lembrar: no meio do caminho, Maria Corina ainda ganhou o prêmio Nobel da Paz.
Vai que é tua, Flavio.
Lute a boa luta.
A boa América está contigo.
Os bons brasileiros também.
E Deus está conosco.


O oportunismo não está mais em banho maria

Pronunciamento de Tarcísio de Freitas, como o mostrado na imagem, o deixa mal na sua largada para disputar a presidência da República em 2030. O mais educado comentário encontrado nas redes sociais sobre esse tema o chama de traidor.

A justificativa é óbvia. Tarcísio jamais seria eleito governador de São Paulo nas eleições de 2022 sem a decisão e o apoio de Jair Bolsonaro. Não há nenhuma dúvida de que ele sem o apoio de Bolsonaro nem candidato seria.

Tal declaração surgiu no contexto da ida de Flávio Bolsonaro para os EUA e da publicação de sua carta dirigida aos brasileiros.

O que fica evidente é que diversas figuras políticas, incluindo o Tarcísio, estão querendo transformar a viagem de Flávio em um ato de fuga e ocupar a posição e/ou título de novo líder político brasileiro. 

Porém, todos eles precisam ler mais sobre Charles De Gaulle para aprenderem como surge um líder e passar a ter o apoio de sua nação.



PS.: a petezada está comemorando.

Os fabricantes de chips, antes acuados, agora dão o troco na Apple

Durante anos, a Apple pressionou os produtores de memória flash a conceder descontos agressivos — até que as gigantes da computação em nuvem (hyperscalers) voltadas para IA elevaram os preços e absorveram toda a oferta disponível.

Certo dia, enquanto andava de moto em um deserto no sul da Califórnia, o executivo de vendas Scott Nelson parou sua moto, sacou um rifle e disparou contra seu antigo iPod.

Nelson vendia memórias flash para a Apple e detestava a sensação de sempre sair perdendo nas negociações. A Kioxia, fabricante japonesa tinha pouco poder de barganha. A Apple era a maior compradora mundial de memórias flash — os chips presentes nos iPhones que armazenam fotos, músicas e aplicativos — e usava essa posição para espremer cada centavo de seus fornecedores. A Apple forçava os fabricantes a abrir seus registros contábeis para monitorar as vendas, garantindo que ninguém mais obtivesse um acordo melhor.

A Kioxia e outros fabricantes de memórias flash sentiam-se frustrados ao receber valores irrisórios da Apple por componentes que a gigante do iPhone revendia aos consumidores por preços muito mais altos. Essa disparidade no poder de negociação irritava profundamente Nelson, que, em forma de protesto, passou a usar celulares com sistema Android.

Nelson guardou os pedaços de seu iPod — o primeiro dispositivo da Apple a utilizar memória flash. Hoje, os fragmentos permanecem em sua mesa, carregando um significado especial agora que a situação se inverteu.

No último ano, a demanda por parte das gigantes da computação em nuvem (hyperscalers) voltadas para IA fez com que os preços das memórias flash quintuplicassem, segundo a empresa de pesquisa TechInsights, inaugurando uma nova era para a Kioxia e outros fornecedores. Há dois anos, a Apple comprava quase o dobro de memórias flash que Microsoft, Amazon, Meta e Google somadas, conforme estimativas da TechInsights. Atualmente, essas gigantes da nuvem compram o dobro do volume adquirido pela Apple.

Durante conversas informais na maior conferência do setor, realizada neste verão em Santa Clara, na Califórnia, fornecedores de memória flash e suas equipes de vendas não esconderam a satisfação ao ver a Apple enfrentar essa reviravolta. Os contratos voltados para a inteligência artificial deram à Kioxia e a outros fornecedores um novo poder de barganha, permitindo-lhes cobrar preços mais altos da Apple.

Este ano, Meta, Microsoft e Amazon firmaram contratos com a Kioxia para garantir o fornecimento a longo prazo, comprometendo-se a pagar preços mais elevados. Esses acordos protegem os lucros da Kioxia caso o cenário de mercado venha a mudar. A empresa não quis comentar.

As empresas de computação em hiperescala (*hyperscalers*) têm condições de pagar mais. O armazenamento em memória flash representa uma parcela menor na construção de um data center do que na fabricação de um iPhone, e as normas contábeis permitem que as empresas distribuam esse custo ao longo de vários anos.

O artigo completo (longo)
Espera-se que a Apple gaste US$ 25 bilhões em armazenamento flash este ano — um valor que, segundo estimativas da TechInsights, corresponde a uma quantidade de armazenamento similar à que a empresa adquiriu por US$ 6 bilhões em 2025. Tim Cook, CEO da Apple, comparou a escalada nos preços dos chips de memória a uma “enchente centenária”.

28 outubro 2026

“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou Flávio Bolsonaro


O senador Flávio Bolsonaro optou por não realizar uma coletiva de imprensa e preferiu divulgar uma declaração. Flávio denunciou a interferência do STF no processo eleitoral, questionou a prorrogação do horário de votação, afirmou que houve fraude eleitoral e declarou o abuso de poder político e econômico em favor da reeleição de Lula. 

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, afirmou. Flávio anunciou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, realizar pronunciamentos regulares e apresentar uma estratégia de mobilização por meios pacíficos e legítimos. Também pediu apoio à comunidade internacional e às instituições brasileiras. “Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre.”

Veja a seguir o documento:















27 outubro 2026

A chama da oposição brasileira não deve ser apagada

Donald Trump concedeu asilo político para Flávio Bolsonaro. Trump poderá ser lembrado como o Churchil de 1940, quando deu abrigo a De Gaulle. Quiçá o Flávio tenha a mesma determinação do De Gaulle e crie o movimento Brasil Livre a partir do solo americano. 

Estamos em guerra.


Relembre abaixo os acontecimentos ocorridos naquela época, em plena Segunda Guerra Mundial.

Em 17 de junho de 1940, o destino da Europa continental parecia traçado. Com o avanço avassalador das forças da Alemanha Nazista sobre o território francês e o colapso iminente das defesas aliadas, o Marechal Philippe Pétain assumiu o governo da França e anunciou pelo rádio a intenção de solicitar o armistício com o Terceiro Reich.

Recusando-se a aceitar a rendição e o jugo nazista, o então Subsecretário de Estado da Guerra e da Defesa Nacional, General Charles de Gaulle, tomou uma das decisões mais audaciosas da história moderna. Na manhã de 17 de junho de 1940, na pista de pouso de Bordeaux, De Gaulle embarcou num avião britânico da RAF fornecido pelo primeiro-ministro Winston Churchill. Levava consigo poucas bagagens e uma determinação inflexível: fundar o movimento França Livre (France Libre) a partir do solo britânico. Ao aterrisar em Londres naquele mesmo dia, Charles de Gaulle era uma figura praticamente solitária, destituída de exército, recursos ou reconhecimento oficial formal por parte dos diplomatas europeus. No entanto, contava com o apoio vital do governo britânico para iniciar a reconstrução do orgulho e da soberania do seu país a partir do exílio. Embora a partida decisiva da França tenha ocorrido em 17 de junho, foi na tarde do dia seguinte, 18 de junho de 1940, que a voz de De Gaulle ecoou pelo mundo a partir dos estúdios da BBC em Londres. No célebre discurso conhecido como o "Apelo de 18 de Junho", o general dirigiu-se aos seus compatriotas: “Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não deve ser apagada e não será apagada.” Ele convocou militares, engenheiros e civis franceses no Reino Unido ou nas suas colônias a unirem-se a ele para combater o nazismo. De Gaulle lembrou que aquela não era apenas uma batalha no solo da França, mas sim uma guerra mundial com recursos imensos à disposição dos Aliados, incluindo os impérios colonial e britânico e a capacidade industrial dos Estados Unidos. A viagem de 17 de junho de 1940 transformou o General de Gaulle de um oficial militar num líder político global. A partir da Inglaterra, organizou tropas que lutaram na África, apoiou a Resistência Francesa interna e garantiu que a França terminasse a Segunda Guerra Mundial como uma das nações vitoriosas.

Governos vêm e vão, mas o caráter de uma nação se revela nas escolhas de seu povo

Governos vêm e vão, mas o caráter de uma nação se revela nas escolhas de seu povo. Eleger pela quarta vez  o maior ladrão da história do país não representa apenas uma decisão política, mas um verdadeiro atestado de fracasso moral de grande parte da sociedade brasileira. 

Aceitar alguém com esse histórico na Presidência revela uma profunda deterioração dos valores éticos que deveriam orientar qualquer sociedade civilizada. Esse personagem passará. Não será eleito novamente e talvez sequer conclua seu mandato. 

Entretanto, o problema é muito maior. Como transformar um país em que mais da metade da população parece disposta a relativizar a honestidade, a integridade e o caráter? Como apostar em um lugar melhor para nossos filhos quando a grande maioria ignora a virtude moral? Como lutar por uma nação onde a moralidade e a ética são suplantadas pela corrupção? 

Governantes são passageiros, mas a degradação moral de uma sociedade pode atravessar gerações. E quando uma parcela tão expressiva da população já não reconhece e relativiza determinados limites éticos, torna-se difícil acreditar em qualquer transformação coletiva. 

Resta, portanto, uma conclusão tão amarga quanto inevitável: a salvação sempre será individual. Lutem por si. Defendam somente seus interesses. Deixem que as mentes moralmente deterioradas sucumbam às consequências do país que elas próprias escolheram.

Dom Adair José Guimarães - Bispo de Formosa-GO

26 outubro 2026

O segundo golpe: a caminhada final do regime totalitário

O pesadelo abordado aqui se tornou realidade no primeiro dia útil após as "eleições" realizadas neste domingo 26 de outubro. Portanto, não houve demora e seu surgimento veio do mercado conforme ilustram as imagens abaixo: 


A previsão não esbarra aí mas atinge também o mesmo segmento e vai muito além. Segundo Fernão Lara Mesquita o que virá por aí é muito pior. Ouça-o no vídeo a seguir:





PS.: Fotografia após às 18:00 horas desta segunda-feira (26)







O pesadelo continua

O resultado da eleição de 2026 foi a confirmação de que o sistema consegue se perpetuar. Lula saiu do primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e, no segundo, “virou” com margem estreita depois que seu ex-advogado no Supremo, Cristiano Zanin, prorrogou a votação no país inteiro por liminar monocrática.

2026 ficará como uma mancha para o nosso sistema eleitoral. Criada pela demora do TSE em analisar pedidos e agravada pela interferência indevida e intempestiva do STF. Que mais uma vez não observa os limites institucionais. Lamentável tudo isso. É realmente urgente a reforma do Judiciário!

De tudo que pode destruir uma nação, nada é mais letal do que a desconfiança no sistema eleitoral. A eleição é a apoteose da democracia e seu ato mais tangível: é quando uma escolha direta e limpa dá o mesmo valor a todos os cidadãos, seja quem for o cidadão, seja qual for seu voto.

A oposição tem o direito e deve questionar o resultado. Isso a mantém ativa e tem razões para ir adiante com as reclamações. O PT faria o mesmo e com a violência habitual deles "em nome da democracia". A oposição de direita não joga sujo, não é violenta, e precisa marcar posição, continuar expondo os absurdos do lulopetismo, os crimes eleitorais e as soluções reais para o país. Há razões e elementos de sobra para se questionar todo o processo, sobretudo o abuso de poder dos governistas no Palácio do Planalto e no STF, tais como:

- a compra de votos descarada de Lula abusando do poder com populismo eleitoral (crimes eleitorais). Isso aqui enseja a cassação da chapa. No mínimo, escancara a falta de pudores e incompetência ou aparelhamento do TSE para conter os abusos.

- a intervenção de Zanin, o ex-advogado de Lula no STF, extemporânea e invasiva, ilegal, afrontando a Justiça Eleitoral. E a de Gilmar Mendes.

Bom, se o imponderável aparecer nas próximas horas ou dias, algo podre que exponha o atual governo e o processo eleitoral, aproveitar a oportunidade para crescer e apontar o dedo para o governo de Lula. Afinal, eles fizeram o diabo para ganhar a eleição, como Dilma já prometeu. Não há precedentes do derrame de dinheiro na campanha (mais de R$ 400 bilhões, segundo o Gastômetro do Estadão) e promessas abusivas que não têm recursos para serem implementadas. Assim como o uso de ministros amigos para interferir no processo a favor de Lula, como Gilmar Mendes, Dino e Zanin.

Não esmorecer, traçar estratégias e ir adiante. O Brasil desanda ainda mais se a oposição desaparecer ou se desorganizar. Metade do Brasil precisa de liderança e deve vir da oposição. E ir adiante. Seguir. Avançar. Eleição é momento.

23 outubro 2026

Por que o futuro da guerra não consegue escapar do passado?

Em um momento em que os debates sobre segurança nacional tendem a ser polarizados por linhas partidárias e ideológicas, há um ponto em que analistas e formuladores de políticas de todo o espectro político parecem concordar: o futuro da guerra será determinado pela tecnologia. Mísseis hipersônicos, computação quântica, enxames de drones e inteligência artificial têm sido apontados como tecnologias transformadoras que moldarão os campos de batalha, reformularão estratégias e subverterão doutrinas militares estabelecidas.

Não há dúvida de que essas tecnologias já estão exercendo um impacto tremendo. Em Gaza, no Irã, no Líbano, na Ucrânia e em outros lugares, todas as partes com capacidade de empregar inteligência artificial e sistemas autônomos o fizeram — no ar, em terra e no mar, por vezes em grande escala. Também é inquestionável que, para manter seu status como a principal força de combate do mundo, as forças armadas dos EUA precisam garantir que possuem as capacidades mais sofisticadas e de ponta disponíveis. Para continuar desenvolvendo e operacionalizando essas tecnologias, os planejadores de defesa devem priorizar sua expansão e integração, bem como o desenvolvimento de conceitos operacionais inovadores para seu emprego. O risco de serem superados por rivais como a China é real.

Contudo, existe um risco igualmente significativo: o que se pode chamar de “armadilha tecnológica”. Nela, os formuladores de políticas desenvolvem uma sensação equivocada de certeza sobre como as inovações transformarão a guerra e como serão os conflitos no futuro, negligenciando, ao mesmo tempo, os fundamentos imutáveis ​​da guerra. Um foco excessivo no papel da tecnologia seria uma visão de curto alcance, capaz de conduzir as forças armadas a direções perigosas — especialmente se os planejadores estiverem excessivamente confiantes quanto à evolução de novas capacidades e tomarem decisões baseadas nessa confiança, a qual, quase certamente, será infundada.

Para os planejadores militares, a fé em soluções tecnológicas pode obscurecer as questões mais fundamentais: quem mata, quem morre e quem decide? No período pós-Guerra Fria, essa miopia contribuiu para resultados desastrosos no Afeganistão, no Iraque, na Ucrânia e em Gaza. Na próxima década, à medida que as tensões entre EUA e China persistem, a “névoa tecnológica” pode acabar pavimentando o caminho para uma guerra catastrófica entre grandes potências. Os formuladores de políticas deveriam se preocupar menos em obter a tecnologia certa no momento certo e mais com o fato de que a fixação na tecnologia pode levá-los a perder de vista os elementos essenciais da guerra e a encontrar conforto em uma falsa certeza.

POR MEIO DE UM ESPELHO, DE FORMA OBSCURA

Há mais de 50 anos, o historiador militar Michael Howard fez uma advertência célebre: as guerras futuras são imprevisíveis. “Sinto-me tentado a afirmar, de modo dogmático, que, qualquer que seja a doutrina em que as Forças Armadas estejam trabalhando agora, elas estão equivocadas”, escreveu ele. “Também me sinto tentado a dizer que o fato de estarem equivocadas não importa. O que realmente importa é a capacidade de acertar rapidamente quando o momento chegar.”

Contudo, talvez Howard tenha sido um tanto otimista demais quanto aos custos de se estar equivocado. Para os americanos, um exemplo emblemático da história recente é a forma como a proeza tecnológica das Forças Armadas dos EUA na Guerra do Golfo (1990–1991) pareceu anunciar um novo modelo de guerra — altamente tecnológico — que garantiria a vitória na era pós-Guerra Fria. Em vez disso, Washington descobriu, de maneira lenta e dolorosa, que as vantagens tecnológicas que derrotaram o regime de Saddam Hussein não eram suficientes para vencer insurgências no Afeganistão e no Iraque, nos conflitos que se seguiram ao 11 de setembro.

Prever o papel da tecnologia em guerras futuras tornou-se ainda mais difícil hoje, devido à velocidade, à escala e à complexidade do progresso tecnológico contemporâneo. No passado, inovações transformadoras costumavam ser caras em sua fase inicial — exigindo muitos recursos ou pessoal — ou demandavam conhecimentos e habilidades especializados, acessíveis a poucos. Pense no poder combinado do fuzil, da ferrovia e do telégrafo no século XIX, ou nos caças e nas armas nucleares no século XX. Em contrapartida, muitas das tecnologias atuais apresentam barreiras de entrada baixas: são baratas de produzir, e o acesso ao conhecimento necessário para criá-las foi democratizado e globalizado. Hoje, os adversários frequentemente se enfrentam em campos de batalha mais equilibrados, o que torna mais complexo, para os planejadores militares, compreender quando — e por quanto tempo — novas ferramentas conferirão uma vantagem desproporcional.

Focar excessivamente na aquisição dos equipamentos mais modernos e sofisticados acaba obscurecendo a forma como a tecnologia de ponta atua em conjunto com ferramentas mais simples. Na década de 2010, os planejadores de defesa não levaram essa dinâmica em consideração ao prever os campos de batalha do futuro, os quais, segundo eles, seriam dominados por plataformas sofisticadas. Em 2017, um alto funcionário do Pentágono declarou que o caça furtivo F-35 seria um “fator decisivo para a vitória em uma guerra”. A Estratégia de Defesa Nacional de 2018, elaborada sob a direção de Elbridge Colby — que hoje atua como subsecretário de Defesa —, previa que um conjunto restrito de capacidades de ponta — incluindo computação avançada, inteligência artificial, robótica, tecnologia hipersônica e biotecnologia — “garantiria nossa capacidade de lutar e vencer as guerras do futuro”.

Em vez disso, o que surgiu foram conflitos como a guerra na Ucrânia, que pode ser descrita como uma mistura da Primeira Guerra Mundial com a Terceira Guerra Mundial. Mísseis balísticos russos sofisticados causam estragos em cidades ucranianas, assim como bombas planadoras guiadas com precisão, lançadas por caças a partir de posições fora do alcance dos sistemas de defesa antiaérea. Paralelamente, no entanto, bombas altamente letais são lançadas por drones transportados por simples balões; e uma das defesas mais eficazes contra drones consiste no uso de redes de pesca (ou materiais similares) estendidas sobre postos de controle, infraestruturas críticas e — como ocorreu em Izium — sobre toda uma pequena cidade ucraniana. A convicção de que a tecnologia sofisticada dominaria os campos de batalha revelou uma falha de imaginação que trouxe consequências reais: há doze anos, poucos teriam previsto que, no contexto de um eventual conflito entre os EUA/Israel e o Irã, drones iranianos de baixo custo atacariam alvos vulneráveis ​​em países árabes do Golfo — como, de fato, tem ocorrido desde fevereiro.

O CENTRO DE GRAVIDADE

A obsessão pela tecnologia pode obscurecer o princípio de que a guerra continua sendo, essencialmente, um empreendimento humano. Como afirmou o teórico militar Carl von Clausewitz há quase dois séculos: “A guerra não é a ação de uma força viva sobre uma massa inerte... mas, sempre, o choque entre duas forças vivas”. A tecnologia pode, inadvertidamente, fazer com que a guerra pareça algo mecânico e estéril. Contudo, a natureza da guerra permanece inalterada. Sua linguagem é a violência, e a tecnologia simplesmente oferece formas novas e diferentes de se comunicar. Portanto, as questões fundamentais da guerra permanecem relevantes, independentemente das mudanças tecnológicas: quais são os fins (particularmente no que diz respeito à política), os modos e os meios?

Talvez o momento mais perigoso para que líderes se deixem distrair pelo fascínio da tecnologia seja justamente quando avaliam se devem entrar em guerra. Frequentemente, eles acreditam, de forma equivocada, que a tecnologia tornará essa decisão menos custosa em termos políticos — especialmente se supuserem que as inovações ajudarão a reduzir o número de baixas. A fixação nas vantagens tangíveis e quantificáveis ​​proporcionadas pela tecnologia pode desviar a atenção de debates e discussões essenciais sobre as consequências mais amplas do recurso à violência. Essa dinâmica provavelmente influenciou a decisão da Rússia de invadir a Ucrânia. Putin e seus assessores acreditavam que as forças armadas russas eram suficientemente capazes, graças a um esforço massivo de reforma tecnológica iniciado em 2009. Às vésperas da invasão em larga escala de 2022, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, afirmou com orgulho que mais de 70% das forças armadas russas dispunham de armamentos avançados. Poucas semanas após o início da invasão, ficou claro que isso conferiu pouca vantagem a Moscou. O mesmo se aplica à tentativa, por parte dos Estados Unidos e de Israel, de derrubar o regime iraniano em 2026 — uma decisão moldada, em parte, pela crença de que a sofisticação das forças armadas americanas, especialmente em comparação com as de seu oponente, tornava o sucesso quase inevitável. Após os ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas em 2025, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou que a ofensiva demonstrou a Teerã que as capacidades militares de Washington são “quase ilimitadas”. Na realidade, os limites dessas capacidades tornaram-se flagrantemente evidentes quando o regime iraniano resistiu à investida de 2026 e, inclusive, conseguiu fechar o Estreito de Ormuz.

Existem maneiras de evitar a armadilha tecnológica. A primeira é definir um objetivo claro antes de entrar em guerra. Os planejadores precisam desenvolver uma teoria de vitória antes mesmo de o primeiro disparo ser feito e, em seguida, colocar essa teoria em prática de forma consistente. Esses processos fundamentais não podem ser anulados pela tecnologia, nem delegados a ela. Antes de iniciar a guerra de 2026 contra o Irã, a administração Trump não conseguiu articular claramente o objetivo da operação; em vez disso, apresentou uma série de justificativas e fundamentos variáveis, além de diferentes descrições do estado final desejado. A expectativa, ao que parece, era que a "mágica" tecnológica permitisse alcançar todos os itens de uma extensa lista de desejos, sem a necessidade de estabelecer prioridades ou lidar com concessões.

Para esclarecer os objetivos, os planejadores devem identificar o que Clausewitz chamou de "centro de gravidade" de uma operação militar: "o ponto central de todo poder e movimento, do qual tudo depende". É aí que reside a origem do poder do adversário; portanto, esse deve ser o foco da atenção e dos recursos militares. Durante a Guerra do Golfo (1990–1991), o comandante das forças dos EUA no Oriente Médio, general Norman Schwarzkopf, identificou o centro de gravidade como o sistema de comando e controle de Saddam Hussein sobre suas forças armadas. Consequentemente, a estratégia dos EUA concentrou-se em impedir a comunicação de Saddam com suas tropas e em enfraquecer a capacidade das forças iraquianas de executar ordens — um cenário que contribuiu para convencer Saddam a aceitar um cessar-fogo. Sem essa clareza sobre onde direcionar os esforços e como mensurar seu impacto, uma força militar terá dificuldade em alcançar seus objetivos. No início da guerra do Iraque, em 2003, a incapacidade dos militares americanos de identificar a população iraquiana como o centro de gravidade — ou seja, a falha em compreender que a liderança política e militar já não detinha o controle — resultou em anos de perdas devastadoras. Isso ocorreu porque foram adotadas táticas que fomentaram o sentimento antiamericano, alimentaram uma insurgência e tornaram mais difícil o estabelecimento de um governo crível e funcional.

Outra forma de evitar a armadilha tecnológica é realizar avaliações criteriosas, imparciais e regulares das lições aprendidas durante e entre os conflitos. O Irã estudou minuciosamente os ataques que Israel e os Estados Unidos realizaram contra suas instalações nucleares em 2025. Reconhecendo que uma nova guerra provavelmente representaria um risco existencial para o regime da República Islâmica, as autoridades de segurança iranianas empenharam-se em um esforço sério e intenso de preparação. Ao descentralizar o comando e o controle, tanto nos níveis político quanto militar, durante a guerra de 2026, o regime conseguiu sobreviver a uma ofensiva prolongada. Os aliados dos EUA, naturalmente, são igualmente capazes de realizar tal adaptação. Nos últimos anos, o Centro de Análise Conjunta e Lições Aprendidas da OTAN manteve uma equipe de pesquisadores dedicada ao estudo da guerra na Ucrânia — uma forma inteligente de institucionalizar essa tarefa e um possível modelo a ser aplicado em outros teatros de operações.

UM POR TODOS, TODOS POR UM?

A combinação de foco em objetivos estratégicos, preparação e aprendizado permanece crucial para uma tomada de decisão eficaz em um cenário de guerra, não podendo ser substituída pela tecnologia. Da mesma forma, embora a tecnologia influencie os meios e as formas de conduzir a guerra, ela não os alterou de maneira fundamental. Considere, primeiramente, a importância das coalizões e as dificuldades inerentes à sua gestão. A entrada em um conflito armado expõe interesses, objetivos e perspectivas distintos — por vezes, até mesmo opostos — entre os aliados. Diante de divergências no calor do conflito, os planejadores podem buscar soluções alternativas; contudo, tais medidas podem ser apenas paliativos de curto prazo que mascaram fissuras estratégicas mais profundas.

No início de 2026, os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã contando apenas um com o outro. Embora as forças armadas dos EUA e de Israel jamais tenham operado com tamanha integração em toda a sua história, o sucesso limitado da empreitada coloca em xeque a perspicácia estratégica dessa parceria, a despeito de suas notáveis ​​capacidades tecnológicas. Os dois países falharam, de forma notável, em atrair outros parceiros, seja na região ou na Europa. Logo de início, diversos aliados e parceiros dos EUA negaram às forças americanas o acesso ao seu território, às suas bases e ao seu espaço aéreo. Embora os planejadores de defesa dos EUA sempre soubessem que tais permissões poderiam não ser concedidas — a Turquia, por exemplo, recusou-se a permitir que as forças americanas invadissem o Iraque a partir de seu território em 2003 —, a resistência observada desta vez apresentou uma natureza e uma escala diferentes. Embora a maioria dos países tenha acabado por concordar, aqueles que inicialmente recusaram criaram obstáculos ao planejamento de defesa dos EUA, uma vez que o modelo norte-americano de condução de guerras baseia-se em uma rede global de bases sem paralelo. Segundo diversas reportagens, Israel contornou esse desafio estabelecendo uma área de apoio militar no Irã durante a guerra de 2025 e outra no Iraque, em 2026. Contudo, a natureza improvisada de tais abordagens criativas gera problemas para o planejamento militar.

À medida que a guerra se prolongou, os Estados árabes do Golfo não aderiram formalmente à coalizão entre EUA e Israel, embora, em vários momentos ao longo do conflito, o Bahrein, o Kuwait, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ...utilizaram força militar contra o Irã. Sua disposição em empregar força foi, por si só, significativa, mas não influenciou o campo de batalha, apesar de algumas das capacidades sofisticadas que esses países possuem. Por outro lado, o Irã gerenciou com maestria seu grupo aliado — a milícia libanesa Hezbollah —, envolvendo-o no conflito e permitindo que Teerã projetasse poder por meio de tecnologias relativamente simples, como foguetes, morteiros e, notadamente, drones de baixo custo, que o Hezbollah utilizou repetidamente contra soldados israelenses no Líbano e civis dentro de Israel. Paralelamente, a Rússia também auxiliou o Irã a atacar instalações militares dos EUA no Golfo, resultando em consequências devastadoras (embora não decisivas).

As complexidades da manutenção de uma coalizão também se manifestam na Europa, onde os planejadores de defesa enfrentam um "trilema" de segurança. Primeiramente, precisam definir como integrar um exército ucraniano altamente capacitado e modernizado ao planejamento de defesa continental. À medida que a Alemanha intensifica os investimentos em suas forças armadas, a Europa também precisa lidar com uma mudança no equilíbrio interno de poder militar — uma situação que traz ecos históricos inquietantes. E, por incrível que pareça, no último ano, os europeus tiveram de considerar o risco de uma agressão por parte dos Estados Unidos, uma vez que o presidente Donald Trump chegou a cogitar a possibilidade de garantir o controle americano sobre a Groenlândia. Essas três realidades impõem uma série de escolhas difíceis à estratégia europeia, já que priorizar qualquer uma delas provavelmente tornaria mais complexo lidar com as outras duas — e nenhuma tecnologia oferece uma solução para esse impasse.

SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR

O determinismo tecnológico também pode levar a suposições equivocadas sobre baixas — tanto civis quanto militares. Atualmente, a seleção de alvos é cada vez mais moldada pela inteligência artificial, e os ataques são realizados, com frequência crescente, por sistemas autônomos. Muitos argumentam que esses avanços tecnológicos aprimorarão a definição de alvos e oferecerão maior proteção aos civis. Até o momento, contudo, não está claro se os sistemas autônomos cumpriram essa promessa. Durante a guerra em Gaza, por exemplo, militares israelenses puderam aprovar rapidamente alvos gerados por um sistema de inteligência artificial chamado "Lavender". No entanto, tais sistemas refletem as regras de engajamento estabelecidas pelos tomadores de decisão; após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, as forças armadas israelenses elevaram o patamar de baixas civis que estariam dispostas a aceitar ao atacar militantes do Hamas. Talvez por esse motivo, pesquisadores que conduziram um experimento sobre a tomada de decisão de cerca de 2.000 militares israelenses constataram que, em cenários hipotéticos envolvendo altos níveis de danos colaterais, eles demonstravam uma “aversão a algoritmos” e o desejo de confiar mais na tomada de decisão humana.

Ironicamente, os civis podem acabar ficando mais vulneráveis ​​— e não menos — à medida que novas tecnologias tornam mais difícil atacar militares e alvos militares; isso aumenta o risco de danos colaterais e pode até dar a certas partes um incentivo para atacar deliberadamente civis e alvos desprotegidos. Muitas forças armadas, incluindo a dos Estados Unidos, recorrem cada vez mais à tecnologia para minimizar os riscos enfrentados por suas próprias tropas. Esse desejo por uma “guerra imaculada” não é novo. Cerca de 700.000 militares americanos participaram da Guerra do Golfo, em 1990–91; ao contrário das previsões de um banho de sangue, apenas 143 deles morreram — um resultado que reforçou o argumento de que a tecnologia tornara possível realizar grandes operações militares com risco mínimo para as tropas americanas. Dois anos depois, a Batalha de Mogadíscio abalou essa percepção, quando os militares americanos se retiraram da Somália após a morte de 18 soldados em um combate prolongado contra militantes somalis, que estavam armados com equipamentos baratos e de tecnologia relativamente simples, como fuzis, metralhadoras e granadas propelidas por foguete. No início deste século, a rápida derrubada do Talibã no Afeganistão pelas forças americanas reacendeu o sonho de uma guerra praticamente sem derramamento de sangue, viabilizada por inovações tecnológicas. Contudo, os combates exaustivos que se seguiram, tanto no Afeganistão quanto no Iraque, acabaram por esfriar novamente essa ideia.

A esperança na tecnologia, no entanto, é persistente; as forças armadas dos EUA parecem estar, mais uma vez, planejando operações que utilizam ferramentas de alta tecnologia para reduzir os riscos ao seu pessoal. Em uma operação realizada na Venezuela em janeiro passado, isso significou o emprego de forças de operações especiais, apoiadas por plataformas espaciais e cibernéticas, além de mais de 150 aeronaves e drones — tudo isso com o objetivo de capturar uma única pessoa: o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. No Irã, a estratégia tem consistido em travar uma guerra voltada a transformar as condições no terreno, mas com ataques realizados, em sua maior parte, a partir do ar e do mar. Vale ressaltar que essa abordagem está ligada ao fato de que os Estados Unidos não estão envolvidos em guerras existenciais. E, quando as forças armadas americanas enfrentam um adversário que percebe o conflito como existencial — como no caso do Irã —, as autoridades americanas frequentemente se surpreendem com o fato de seus adversários se recusarem a recuar e estarem dispostos a sofrer perdas avassaladoras. Mesmo que a tecnologia permita Menos baixas americanas não significam que se deva suprimir um debate político robusto sobre a decisão de entrar em guerra. Afinal, as baixas não são, de longe, o único custo que a guerra contemporânea pode acarretar. Mesmo conflitos que resultam em um número relativamente baixo de baixas podem destruir economias, derrubar governos e fragmentar sociedades.

RETOMANDO O BÁSICO

Países que não se envolvem em guerras há muitas décadas, como a China, podem ser ainda mais suscetíveis à "armadilha tecnológica" do que os Estados Unidos. Tais nações podem concentrar-se na aquisição de ferramentas inovadoras, em vez de se prepararem para enfrentar adversários que sabem como integrar novas tecnologias em larga escala. Isso pode criar oportunidades para Washington, dada a sua vasta experiência recente na formulação de conceitos operacionais vinculados a avanços tecnológicos. Contudo, países como a China podem estar tão ou mais confiantes em suas próprias capacidades — apesar de possuírem muito menos experiência —, o que eleva significativamente o risco de erros de cálculo e de escalada de conflitos.

Uma fé excessiva em novas tecnologias pode levar à criação de forças armadas muito menores, à medida que máquinas substituem o pessoal humano. Nos Estados Unidos, essa mudança poderia ampliar o abismo já existente entre a população em geral e aqueles que servem nas forças armadas; menos americanos ainda teriam qualquer vínculo — e, consequentemente, interesse — sobre como, quando, onde e por que Washington recorre à força militar. Esse distanciamento das forças armadas em relação à sociedade que servem é corrosivo tanto para a própria instituição quanto para a democracia de modo geral, uma vez que mina o princípio de que a decisão de entrar em guerra deve refletir a vontade popular. Países que adotam o serviço militar obrigatório não enfrentam exatamente o mesmo problema, mas o determinismo tecnológico também afetará sua relação com a sociedade: mesmo que precisem de menos cidadãos servindo, a armadilha tecnológica pode reduzir a coesão social ao marginalizar ainda mais os setores da sociedade de onde, tradicionalmente, provêm os recrutas.

Talvez o efeito mais pernicioso da armadilha tecnológica seja a possibilidade de esvaziar a capacidade de dissuasão. Isso ocorre porque os formuladores de políticas podem ser tentados a adotar uma visão míope sobre o uso da força, moldada por perspectivas deterministas a respeito do impacto da tecnologia no campo de batalha. A dissuasão exige que o adversário seja capaz de interpretar, de forma coerente, os sinais enviados sobre a capacidade e a determinação de um Estado. Se ambas as partes em um conflito confiam em suas próprias capacidades e nas da outra parte, elas podem enfrentar uma pressão crescente para superar uma à outra na demonstração de uma maior disposição para lutar. Tal dinâmica pode resultar em uma perigosa espiral de escalada, especialmente se estiver aliada à suposição de que a tecnologia minimizará o papel e as responsabilidades dos seres humanos.

É possível escapar da névoa tecnológica. O aspecto mais importante a ser compreendido por estrategistas e autoridades é que, embora os meios de condução da guerra continuem a mudar, a natureza fundamental da guerra permanecerá a mesma. Não existe, nem jamais existirá, um atalho — tecnológico ou de qualquer outra natureza — para responder às questões complexas que precisam ser enfrentadas antes de enviar tropas para lutar, matar e morrer.

Fonte: The Fog of Tech, publicado em 20/10/2026, por Mara Karlin na revista FA.