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14 outubro 2026

Broken China: How the Economic Miracle Shattered and What It Means for the World

 

Por José Carlos Cavalcanti
Professor
Departamento de Economia
Universidade Federal de Pernambuco
Recife, 05/10/2026

Este talvez seja um dos mais interessantes livros a serem lidos em 2026. Seu título: “Broken China: How the Economic Miracle Shattered and What It Means for the World”. Escrito por Logan Wright, e publicado pela Polity em 2026. Tem 272 páginas e é, fundamentalmente, uma análise da desaceleração econômica da China através da lente de seu sistema financeiro e ciclo de crédito — e não principalmente através de demografia, geopolítica ou ideologia de Xi Jinping.

Dada sua extensão, bem como sua profundidade, examinaremos o livro comentando dezesseis tópicos.

1. A tese central do livro

O argumento de Wright pode ser reduzido a uma proposição:

“O modelo de crescimento da China se tornou limitado pelo próprio sistema financeiro que antes impulsionava sua expansão extraordinária.”

A China não passou por uma desaceleração cíclica convencional. Segundo Wright, o país viveu uma enorme expansão de crédito que sustentou investimento, infraestrutura, setor imobiliário e atividade estatal. Mas, quando a economia acumulou dívida demais em relação às oportunidades produtivas, o crédito deixou de gerar o mesmo crescimento.

O problema não é simplesmente “dívida demais”. É que “o sistema financeiro chinês se tornou incapaz de realocar capital para novos usos produtivos”. Essa distinção é crucial.

2. Como a China chegou aqui

Wright começa com o notável sucesso do desenvolvimento pós-1978. O mecanismo básico foi o seguinte:

repressão financeira (*) → alta poupança → bancos estatais → investimento → exportações/infraestrutura → rápido crescimento da produtividade

Os bancos mobilizavam a enorme poupança das famílias e a direcionavam para setores favorecidos.

Isso funcionou extremamente bem enquanto a China tinha: enorme potencial de urbanização; grande reserva de mão de obra subempregada; produtividade em rápida ascensão; forte demanda externa; grandes necessidades de infraestrutura; e demanda imobiliária em expansão.

Nesse ambiente, o investimento gerava altos retornos. O problema surgiu quando o retorno marginal do investimento começou a cair.

( *) A repressão financeira se refere à implementação de políticas por parte do governo para canalizar fundos domésticos para o setor público que, num ambiente de mercado desregulado, iriam para outros setores.

3. O sistema financeiro se tornou o problema

Este é provavelmente o capítulo mais importante.

Wright argumenta que o sistema financeiro chinês se tornou cada vez mais dependente da criação de crédito para sustentar o crescimento. A sequência foi aproximadamente:

crescimento liderado por investimento ↓ expansão do crédito ↓ queda dos retornos ↓ mais crédito para manter o crescimento ↓ tomadores de crédito cada vez menos produtivos ↓ rolagem de dívidas em vez de resolução ↓ sistema financeiro preso às estruturas existentes

O resultado é uma forma de “esclerose financeira”.

Ao invés de reconhecer perdas e mover capital para novos setores produtivos, o sistema frequentemente rola empréstimos antigos. Isso mantém os tomadores vivos — mas também aprisiona o capital.

4. Por que o setor imobiliário importa tanto

O setor imobiliário se tornou uma das principais manifestações desse processo. Ele conectava:

famílias → imóveis → incorporadoras → governos locais → bancos → infraestrutura

Governos locais dependiam de receitas relacionadas à terra. Incorporadoras dependiam de crédito. Bancos dependiam de garantias imobiliárias. Famílias tratavam imóveis como reserva de valor. Logo, corrigir a bolha imobiliária se tornou extremamente difícil. O dilema:

permitir perdas → instabilidade financeira vs. Evitar perdas → preservar má alocação de capital

Wright argumenta que Pequim tem escolhido cada vez mais a segunda opção.

5. A ideia importante: a China não necessariamente enfrenta um “colapso”

Wright não prevê principalmente uma crise financeira súbita. Seu argumento é mais sutil:

“A China pode permanecer estável enquanto experimenta uma deterioração prolongada de dinamismo econômico”.

Ou seja: estagnação, não colapso.

O Estado chinês tem enorme capacidade de evitar uma crise bancária clássica. Ele controla: grandes bancos; fluxos de capital; política monetária; grande parte do setor corporativo; governos locais; regulação financeira.

Assim, pode continuar rolando dívidas problemáticas e suprimindo instabilidade. Mas o custo é produtividade mais baixa.

6. Por que as ferramentas de política estão se tornando menos eficazes

Este é talvez o ponto conceitual mais forte de Wright. A China ainda possui muitos instrumentos de política — mas sua eficácia marginal está caindo. São eles:

Afrouxamento monetário: Se famílias e empresas não querem mais dívida, reduzir juros não gera investimento.

Estímulo fiscal: Mais infraestrutura gera retornos decrescentes quando já há excesso de capacidade.

Expansão de crédito: Se novos empréstimos apenas refinanciam dívidas antigas, a produtividade não aumenta.

Política industrial: Pode gerar sobrecapacidade quando a demanda doméstica é insuficiente.

Isso cria um círculo vicioso:

mais estímulo → retornos menores → mais dívida → produtividade fraca → necessidade de mais estímulo

7. O problema do consumo

Wright enfatiza a fraqueza do consumo das famílias chinesas. A recomendação convencional é:

“A China deve reequilibrar de investimento para consumo.”

Mas isso é muito difícil. As famílias poupam por causa de: redes de proteção social fracas; preocupações com riqueza imobiliária; incerteza demográfica; insegurança no emprego; poucas alternativas de poupança; e características do sistema financeiro.

Portanto, simplesmente pedir que consumam mais não resolve o problema institucional. E a China não consegue substituir facilmente investimento por consumo.

8. Xi Jinping e a centralização

Wright não ignora a política. Ele argumenta que a centralização crescente sob Xi Jinping cria novos limites. O problema não é “autoritarismo” em abstrato.

É que a centralização reduz a capacidade de: reconhecer erros de política; permitir falências; realocar recursos de setores politicamente favorecidos; e experimentar arranjos institucionais alternativos.

Isso gera o seguinte paradoxo:

“A capacidade estatal é enorme, mas a intervenção pode impedir a reestruturação necessária.”Na newsletter passada iniciamos uma resenha do livro “Broken China: How the Economic Miracle Shattered and What It Means for the World” (cuja tradução é o título desta newsletter), escrito por Logan Wright, e publicado em 2026. O livro é, fundamentalmente, uma análise da desaceleração econômica da China através da lente de seu sistema financeiro e ciclo de crédito — e não principalmente através de demografia, geopolítica ou ideologia de Xi Jinping.

9. Por que as exportações se tornam cada vez mais importantes

Se a demanda doméstica é fraca e o investimento permanece alto, a China tem incentivo para empurrar produção para mercados externos. A lógica é:

demanda doméstica fraca + alta capacidade produtiva = pressão exportadora

Isso conecta os problemas financeiros domésticos ao conflito comercial global. Os setores afetados:

  • veículos elétricos;
  • baterias;
  • painéis solares;
  • máquinas;
  • equipamentos industriais;
  • manufatura avançada.

A questão não é apenas competitividade. É que a China precisa externalizar sua capacidade excedente.

10. Por que tarifas não resolvem o problema

Se o problema é excesso de capacidade, restringir importações em um mercado apenas redireciona exportações para outro.

Possível dinâmica:

tarifas dos EUA → exportações chinesas para Europa/emergentes → tensões comerciais → fragmentação global

11. O livro desafia a narrativa de “plano mestre” da China

Wright argumenta que a situação atual não é fruto de um plano de longo prazo impecável. Em vez disso:

“A China tomou decisões racionais no curto prazo que produziram consequências cumulativas problemáticas.”

O sistema se tornou dependente de:

investimento → crédito → imóveis → finanças locais → infraestrutura → crescimento

E agora é difícil escapar.

12. O que Wright quer dizer com “China quebrada”

O termo “quebrada” não significa colapso. Significa:

“O mecanismo anterior de transformar recursos financeiros em crescimento rápido deixou de funcionar”

A economia chinesa ainda tem enormes forças:

  • capacidade industrial;
  • infraestrutura;
  • capital humano;
  • capacidades tecnológicas;
  • grande mercado doméstico;
  • capacidade estatal;
  • redes globais de manufatura.

Mas o motor de crescimento mudou — e não pode ser simplesmente reiniciado.

13. A arquitetura analítica do livro

Representação simplificada:

poupança alta → bancos estatais → expansão de crédito → imóveis/infraestrutura/indústria → crescimento → retornos menores → excesso de capacidade → dívida → rolagem → má alocação → produtividade menor → crescimento fraco → demanda fraca + pressão exportadora → tensões globais

14. Relação com Michael Pettis (*)

Há grande sobreposição entre Wright e Pettis.

Pettis: A China suprime consumo e direciona recursos para investimento, gerando excesso de poupança e desequilíbrios externos.

Wright: O sistema financeiro é o mecanismo que transforma essa poupança em crédito — e agora é o principal obstáculo ao ajuste.

São análises complementares.

15. Conexão nossa discussão sobre o “China squeeze” (**)

Se Wright está certo, o surto exportador da China pode ser:

a manifestação externa de um desequilíbrio doméstico não resolvido.

desequilíbrio financeiro → excesso de investimento → capacidade excedente → absorção doméstica insuficiente → dependência de exportações → tensões externas

16. Importância do livro

A contribuição de Wright é financeira, não geopolítica. O insight mais útil:

“O sistema financeiro chinês evoluiu de motor de acumulação para mecanismo de preservação da alocação existente.”

Isso levanta a questão:

“A China pode reestruturar sua economia sem reconhecer perdas enormes?”

Wright é cético. Ele conecta:

modelo de crédito → retornos decrescentes → capacidade excedente → superávits externos → resistência global → ajuste forçado → implicações para poupança global e financiamento do Tesouro dos EUA

Assim, o livro Broken China não é apenas sobre a China — é sobre como sua desaceleração pode ter consequências globais muito diferentes das de uma recessão convencional.

13 outubro 2026

Dessa mata não sai coelho

Quem teve a oportunidade de conhecer o pensamento de personalidades intelectuais como Celso Furtado, Hélio Jaguaribe e Roberto Campos entende o atraso intelectual brasileiro. 

Chega a ficar dramático ver as figuras que giram em torno de Lula (Guilherme Boulos, Lindbergh Farias, Otoni de Paula, André Janones e Ana Elisa) formulando teses nacionais. 

Tem gente que ainda acredita que é possível mudar a realidade nacional com criaturas deste perfil intelectual. Temos um País sem rumo, endividado, sem a menor diretriz de desenvolvimento, com profundas deficiências de infraestrutura, atraso tecnológico, e uma enorme legião de analfabetos funcionais. 

E a grande política nacional gira em torno da picanha, da cervejinha, do vale gás e do reajuste do Bolsa Família. É neste ponto nefasto em que chegamos.

Pesquisa que acertou o 1º turno mostra Flávio Bolsonaro com 55% contra 45% de Lula no 2º


Na corrida pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro lidera com 55% dos votos válidos no segundo turno, contra 45% de Lula, segundo pesquisa Gerp divulgada nesta terça-feira, 13.

Esse é o primeiro levantamento do instituto após o primeiro turno, que foi um dos que mais se aproximou da tendência que apareceu na urna. A pesquisa divulgada na véspera mostrou Flávio com 46% e Lula com 44%, enquanto na urna o senador teve 47,03% contra 45,16% do atual presidente.

12 outubro 2026

Site pró-Lula escondeu alerta sobre boato contra Flávio Bolsonaro e tentou apagar rastros do autor

Versões recuperadas por A Investigação registram a ordem de retirar a ressalva sobre a Farmácia Popular e a aprovação de um vídeo que explorava a mesma acusação.
Por David Agape

Na madrugada de quinta-feira, 8, o Radar da Virada, site criado para ajudar a militância a promover Lula nas redes, retirou um aviso de que não havia fonte para a acusação de que Flávio Bolsonaro acabaria com o programa Farmácia Popular. Horas antes, contas da comunidade ligada ao projeto divulgaram a história no Kwai e no TikTok. Um vídeo com o mesmo tema continuou entre as recomendações, favorecido pelas regras do sistema.

O Farmácia Popular é um programa federal que fornece medicamentos farmácias credenciadas. O boato de que Flávio teria anunciado que iria encerrar o programa circulou entre a militância petista e foi refutado até mesmo por agências de checagem. O plano de governo promete manter os programas sociais e a sua candidatura declarou que fortalecerá o programa.

O levantamento de A Investigação recuperou versões antigas do Radar da Virada e encontrou a retirada do alerta atribuída, no código, a uma decisão de uma pessoa chamada “Gustavo”. Depois, o nome foi apagado, a autoria das alterações foi substituída e o histórico público foi reescrito. Na sexta-feira, 9, o projeto fechou o acesso ao código e substituiu também o histórico de uma cópia pública. Os registros, porém, sobreviveram em outra cópia.

Construído com Claude Code, ferramenta de inteligência artificial que escreve programas, o Radar surgiu em 6 de outubro, depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio. Seus documentos o chamavam de war room, uma sala de guerra digital para a disputa por votos. O painel reúne tendências, vídeos para compartilhar e mapas eleitorais, e se conecta a uma rede de ferramentas pró-Lula, entre elas Fura Bolha, Diretório 13 e a plataforma da Comunidade Tech contra Flávio Bolsonaro.

Os arquivos registram outras decisões: checagens continuaram a ser produzidas, mas deixaram de aparecer; o alerta “Falso, não compartilhe” foi descartado; um canal alertado pelo próprio sistema seguiu sendo promovido; e o medidor da imprensa recebeu regras favoráveis a Lula. No sábado, 10, o site oficial da candidatura indicou o Radar como ferramenta de voluntários.

A indicação documenta a divulgação pela candidatura. O levantamento não estabeleceu que ela tenha criado, financiado ou dirigido a rede. Também não encontrou anúncios dos sites na biblioteca da Meta nem um sistema de disparo em massa: os botões de compartilhamento dependem da ação de quem visita as páginas.

A regra eleitoral permite a mobilização de apoiadores para ampliar o alcance de mensagens. Quando essa organização serve a fins ilícitos, prevê a responsabilização de quem organiza, cria, distribui e participa, conforme a conduta de cada pessoa.

09 outubro 2026

Lula, a maior parte dos eleitores já preferiu Flávio

Com menos de uma semana dos resultados eleitorais do primeiro turno das eleições 2026, com Flávio Bolsonaro em vantagem de 1,87 ponto percentual sobre Lula, deixou a esquerda no modo desespero. Promoveu-se uma grande lavagem de roupa suja, com os caciques se acusando por algo que, ao fim, é responsabilidade de uma única pessoa: o próprio candidato.


Pelo que se sabe até agora, a comunicação falhou porque não ofereceu perspectiva, ou desprezou a força das redes sociais tratando a área como um grande parquinho a ser dividido entre correntes partidárias. Tudo indica que o desespero terá continuidade com as opções de conserto que estão sendo tomadas. Uma delas está expressa nesta imagem cujo CV não deixa dúvidas sobre os resultados a serem alcançados. A pauta nele tratada é a pauta de Lula.

Além dela, sabe-se que foi Lula quem preferiu empurrar com a barriga a discussão sobre a “promiscuidade do STF”, como ele mesmo definiu, em vez de encarar o problema desde o início e se afastar dos efeitos radioativos das revelações sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Nem depois da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 15 de setembro, que escandalizou o Brasil com um show de prepotência e descaso pela lei, ele se movimentou para se afastar de seus aliados no tribunal.

Não vai funcionar Lula. Concluir isto não foi tarefa difícil. Foi suficiente apenas ouvir seus 10 minutos de propaganda eleitoral desta sexta-feira, 09 de outubro. Não deixou dúvidas, seu destino já foi traçado e as imagens e memes que surgem nas redes sociais já refletem o day after dessas eleições. >>> Com Lula estará enterrado também o PT.

Além de parecer oportunista, por ser bissexto, o papo com quem pensa diferente se dá quase sempre em tom condescendente, como se coubesse ao esquerdista esclarecido fazer o pobre de direita ver a luz que até hoje ignorou. Para piorar, o que se tenta defender é um Lula que preferiu governar com o tapetão do STF em vez de fortalecer a frente ampla que o elegeu e abrir diálogo real com a população.
Lula já disputou sete eleições presidenciais e ganhou três. Lula está cansado de saber disso: a maior parte dos eleitores já preferiu Flávio.

Deputada do PT apaga perfil no X após posts problemáticos viralizarem mas todos foram salvos

 "Em 8 de outubro de 2026, a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) desativou o perfil no X depois que antigas publicações suas passaram a circular. Na véspera, ela se reuniu com Lula para reforçar a comunicação digital da campanha, que tentava reverter a derrota para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Eleita com cerca de 524 mil votos em Minas Gerais, Ana Elisa era uma aposta para essa virada. Luiz Bacci relatou que a repercussão dos posts irritou a cúpula do PT."

A matéria completa - produzida pelo jornalista David Agape - está copiada a seguir. Boa leitura.


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Deputada do PT apaga perfil no X após posts problemáticos viralizarem mas todos foram salvos

Aposta do PT para virar a disputa nas redes após a derrota para Flávio, Ana Elisa apagou o X quando seus posts preconceituosos vieram à tona.


Em 8 de outubro de 2026, a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) desativou o perfil no X depois que antigas publicações suas passaram a circular. Na véspera, ela se reuniu com Lula para reforçar a comunicação digital da campanha, que tentava reverter a derrota para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Eleita com cerca de 524 mil votos em Minas Gerais, Ana Elisa era uma aposta para essa virada. Luiz Bacci relatou que a repercussão dos posts irritou a cúpula do PT.

Um seguidor de A Investigação salvou 49 publicações da conta @aanaelisast. Numa delas, Ana Elisa escreveu “odeio branco”; em outras, disse esperar que Alexandre de Moraes bloqueasse Instagram, Facebook e WhatsApp e sugeriu retirar a isenção de impostos das igrejas evangélicas. Há ainda mensagens dirigidas a Iara com referências a menores de idade e ao Conselho Tutelar. Parte do conjunto foi escrita quando ela era adolescente, mas as três falas citadas são de 2024 a 2026.

Outra aposta da esquerda para a campanha digital de Lula, Jones Manoel (PSOL-PE) foi eleito deputado federal por Pernambuco com cerca de 249 mil votos. Num debate no podcast Fala Ordinário, ao ser questionado sobre estupros cometidos pelo Hamas, disse apoiar “todas as formas de resistência do povo palestino” e que não era “sommelier de resistência”. 

Ana Elisa disse ter desativado a conta após ameaças de morte e violência sexual, que denunciou à polícia. Uma reportagem de Eli Vieira no Claudio Dantas submeteu ao detector Pangram a carta de ameaça divulgada por ela em setembro; a ferramenta classificou o texto como gerado por IA (100%). O resultado não esclarece quem escreveu a mensagem. 

Em vídeo, Ana Elisa responsabilizou Nikolas Ferreira (PL-MG) caso algo lhe acontecesse. O deputado divulgou uma captura de um post de 2022 no qual ela pedia a Lula que fechasse igrejas; Ana Elisa nega a autoria. A captura não está entre os 49 registros reunidos aqui, que incluem outras ironias dela sobre boatos de fechamento de igrejas. 

Nikolas também a comparou, numa montagem, a Charles Henriquepédia, personagem do programa Pânico na TV. Ana Elisa incluiu a imagem entre as “montagens, prints e fotos” que, segundo ela, eram usadas para ridicularizá-la.

As 50 publicações preservadas

Cada item traz a fala, a data de publicação em horário de Brasília, a idade de Ana Elisa na ocasião e os links para o arquivo e o endereço original no X. A relação está agrupada por tema. Falas irônicas aparecem como foram escritas, sem transformá-las em propostas formais.

Iara e menores

  • Pediu para apagar os tuítes: “Iara, apaga esses twetes, juro, da tempo” · 30 jun. 2023, 16h04 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Avisou que, beirando os 20, não se pode mais adotar criança de 13 anos: “Amga cuidado vc tá beirando os 20, não se pode mais adotar crianças de 13 anos se é que você me entende” · 13 fev. 2023, 15h02 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Orgulho da Iara pesquisando faculdade: “tô orgulhosa da Iara falando de faculdade, pesquisando, estudando e querendo fazer, tô orgulhosa demaissss” · 20 mai. 2024, 21h01 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Mencionou Iara e o Conselho Tutelar: “vamos rezar pra iara gente pode ser que em breve o conselho tutelar esteja começando as buscas contra ela” · 4 jan. 2023, 20h07 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Em mensagem a Iara, mencionou beijos em menores de 14 anos: “Realmente quando não tá falando tá beijando menores de 14 anos” · 27 jan. 2023, 14h24 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Disse que, se vazassem as conversas com Iara, iriam presas por pelo menos 30 anos: “se vasa minhas conversas c a iara a gente vai presa por pelo menos 30 anos” · 23 out. 2023, 19h35 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Iara e a lei: “a iara 24 horas me perguntando lei, um dia ela quer denunciar, no outro ela quer infringir” · 17 ago. 2023, 15h04 · 17 anos · [Arquivo]

Aborto

  • Ironizou a preocupação da mãe com um aborto de quem não é filho dela: “Mais um dia implicando a minha dinha que tá preocupadíssima que fulano irá abortar sendo que fulano não é filho dela e ela tem que tomar conta da vida dela” · 17 jan. 2023, 15h59 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a legalização do aborto: “descansem religiosos, ngm vai obrigar vocês a abortar, deixa a legalização em paz, vão rezar” · 22 set. 2023, 19h33 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Relato: “acabaram de me oferecer aborto com cabide” · 31 out. 2022, 16h50 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Contraste entre legalizar e abandonar: “ser a favor da legalização do aborto: nojo. Abandonar depois que a criança nasce: aprovação” · 13 set. 2023, 16h39 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre prazo e estupro: “FODASEEEEEE SE É DEPOIS DA 22ª SEMANA FODASEEEEEEEE É DE ESTUPRADOR, O ABORTO É LIVREEEE. QUEM DECIDE É A VÍTIMA. QUEIMA ESSA BANCADA EVANGÉLICA, QUEIMA ESSE PL, PQ NEM O CAPETA PODE COM ESSE POVO” · 14 jun. 2024, 18h36 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Comparou bet com legalização do aborto: “Toda vez que você se deparar com alguém dizendo: ‘Não adianta acabar com as bets; os sites clandestinos continuarão do mesmo jeito’, pergunte: Isso também vale para a legalização do aborto?” · 26 set. 2026, 08h01 · 21 anos · [Arquivo] 

  • Sobre gravidez: “Se gravidez fosse bom, algum deputado já havia proibido” · 16 mai. 2026, 21h07 · 20 anos · [Arquivo] 

Religião e igrejas

  • Sobre catolicismo: “não é o catolicismo que é intolerante amg, são os membros do catolicismo, a religião não tem nada do que eles dizem, só pregam errado” · 26 jan. 2024, 19h43 · 18 anos · [Arquivo]

  • Sobre crente e arma: “tô chocada que crente pode fazer arminha” · 3 out. 2022, 18h10 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre conversão: “Todo mundo vira crente quando se FODE né faz faz faz pitimba os crente acolhe. A maior virtude é perdoar mesmo Arthur Aguiar” · 29 set. 2020, 11h31 · 15 anos · [Arquivo] 

  • Ironizou boatos sobre kit gay e fechamento de igrejas: “lula para de fazer coisas boas para o Brasil, cadê o kit gay e o fechamento das igrejas?” · 4 abr. 2023, 12h04 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Ironizou a alegada promessa de fechar igrejas: “7 até por que não fechou as igrejas como o prometido” · 14 fev. 2023, 22h02 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre isenção de impostos: “Eu acho que a primeira coisa que o Lula podia fazer a partir de agora é tirar a isenção de impostos das igrejas evangélicas” · 16 mai. 2026, 20h05 · 20 anos · [Arquivo] 

  • Sobre padres e rede social: “eu só quero saber quando o Vaticano vai PROIBIR padre de ter rede social? Não casar é o de menos, eles precisam começar a focar no que realmente importa, tipo os fiéis.” · 25 abr. 2026, 12h27 · 20 anos · [Arquivo] 

  • Sobre exoneração de padre: “se tiver alguma nota pra assinar a favor da exoneração desse padre, eu assino viu, pode mandar” · 22 jan. 2023, 13h27 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre São Jorge: “tem uns católicos que são tão fanáticos, que como eles sabem que outras religiões cultuam São Jorge, eles nem são devotos, não postam, não fazem novena, tem gente que quer se apropriar até de santo, MISERICÓRDIA” · 23 abr. 2024, 23h06 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Depois de assistir Ainda Estou Aqui: “Hoje, finalmente assisti ‘Ainda estou aqui’, e só tenho uma coisa a dizer, quem ainda apoia a direita, merece putrificar nesse tal inferno, que os ‘crentes’ tanto acreditam!” · 29 jan. 2025, 00h08 · 19 anos · [Arquivo] 

Raça

  • Sobre zoar branco: “Vcs não entendem o tanto que é gratificante zooar um branco por ele ser branco dps de tantos anos de opressão e de pensarmos que o feio era ser negro” · 6 out. 2020, 11h07 · 15 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Cocielo: “qm não sente dor vendo os posts do cocielo, certamente é branco.” · 3 jan. 2024, 21h35 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre branco: “odeio branco” · 26 mar. 2024, 13h52 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a Globo: “Pra mim, deviam era subir a tag que a Globo é racista, afinal, até hoje nunca repudiou nenhuma fala nem atitude de qualquer pessoa deste programa!” · 28 mar. 2024, 14h06 · 18 anos · [Arquivo] 

Política e instituições

  • Disse, falsamente, que bolsonaristas tentavam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil: “Afinal, quem queria fechar as igrejas? O Lula? Os bolsonaristas estão tentando retirar o título de padroeira do Brasil da NOSSA SENHORA APARECIDA. ESTE É O NÍVEL!” · 24 set. 2026, 23h00 · 21 anos · [Arquivo] 

  • Pedido a Lula e Xandão: “Caralhooooo, lula e Xandão faz alguma coisaaaaaaaaa” · 8 jan. 2023, 16h18 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre bolsonaristas: “nu a justiça divina podia tanto mandar um elemento natural naqueles bolsonaristas igual foi na época dos egípcios” · 8 jan. 2023, 16h00 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a picanha: “hoje após anos irei comer uma bela picanha, obrigada Lula e obrigada namorado” · 7 abr. 2024, 13h26 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a eleição de Flávio Bolsonaro: “o Lula definitivamente não é a melhor figura política DO MUNDO, até pq, ninguém consegue ser, vivemos em um SISTEMA. Mas se a própria esquerda ficar alimentando este discurso e ignorando que a direita é burra e vai utilizar disso, Flávio Bolsonaro é eleito este ano.” · 8 fev. 2026, 19h39 · 20 anos · [Arquivo] 

  • Sobre mulher defendendo estupro: “Mulher defendendo estupro não é erro não amiga, tem q ter um pinto” · 23 fev. 2024, 20h47 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Virgínia: “acho q a Virgínia nunca estuprou ngm amg, mas vai me avisando qualquer mudança” · 28 fev. 2024, 20h47 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre idade e Ney: “Amg, não diga que você tem 20 anos, pq pessoa de 10 concordar com o ney sim, maior de idade é tenso” · 8 jun. 2024, 15h05 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre pesquisas: “eu não acredito nas pesquisas. LINDA VOCÊ É TÃO BURRA QUANTO SEU CANDIDATO” · 24 ago. 2022, 16h42 · 16 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Ciro e Simone: “parabéns a vocês que votaram no Ciro e na Simone, acabaram de contribuir pra mais 4 anos de tortura e ditadura” · 2 out. 2022, 19h28 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre o sigilo de 100 anos: “pensando aqui que faltam 12 dias pro sigilo de 100 anos ser derrubado” · 19 dez. 2022, 11h57 · 17 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a comunicação de Lula: “Eu preferia quando a gente reclamava que o Lula não sabia se comunicar” · 7 fev. 2025, 17h12 · 19 anos · [Arquivo]

  • Sobre empresário: “Tô nem aí pra empreendedor, empresário é essa caralhada toda, governo Bolsonaro não tava nem aí pra nós os subservientes; pq q o do Lula tem que lamber esse povo? Que se fodam da mesma forma que a gente se fudeu no governo passado.” · 21 dez. 2024, 09h50 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre revogação: “vai tomar no cu Lula, tem que revogar nada não, maluco vai achar que ganha tudo no grito” · 15 jan. 2025, 17h21 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Lula e Nikolas Ferreira: “enquanto o Lula arregar pra nikollas Ferreira, tem que encher o cu de folha mesmo, desisto, esquerda só se afunda!” · 15 jan. 2025, 17h32 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre oficial de justiça: “se tem uma coisa que fazer pobre trancar o uc é o oficial de justiça bater na porta” · 22 nov. 2024, 13h09 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre ficar rico e o governo: “falou falou e falou merda, o objetivo deles é exatamente esse fazer com que a gente acredite que eles tão postando algo pra gente ficar ‘rico’ mas o governo quer que a gente continue pobre, sério é muito descaramento” · 4 dez. 2023, 11h02 · 18 anos · [Arquivo] 

  • Sobre a polícia no Senado: “o dia que a polícia pular no Senado, e der tiro igual deu no complexo do alemão, aí eu vou entender que essa luta é contra banido” · 24 jan. 2025, 22h16 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Augusto Cury e Michel Temer: “Todas as vezes que você tiver dúvida se Augusto Cury é um bom nome para o Brasil, lembre-se de que uma pessoa do espectro político de centro-direita pode fazer com o Brasil. Quer um exemplo? Michel Temer, vice de Dilma Rousseff em seu último mandato. Simplesmente tomou o poder dela.” · 27 ago. 2026, 10h02 · 20 anos · [Arquivo] 

  • Sobre Pix e Alexandre de Moraes: “era pra isso que ele queria acabar com o pix, pra que todos nós ficássemos subestimadas as imposições dele, esse cara é doente!!!!! TODA A MINHA SOLIDARIEDADE A ALEXANDRE DE MORAES.” · 30 jul. 2025, 13h56 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre ditadura e Xandão: “essa ditadura tá ruim mesmo, podia começar calando vocês, ditadura boa é assim, boraaa Xandão” · 21 mar. 2025, 00h14 · 19 anos · [Arquivo] 

  • Sobre bloquear redes: “pois eu já não vejo a hora do Xandão bloquear, Instagram, Facebook, e WhatsApp, por favor, TORNE REAL!” · 10 jan. 2025, 13h49 · 19 anos · [Arquivo] 

08 outubro 2026

Lula querendo esconder sua verdadeira marca

Lula quer que o eleitor esqueça quem ele sempre foi: arrogante, não humilde; associado ao “sistema”, sobretudo ao STF; e leniente com o crime organizado.

Desnorteado depois da pancada nas urnas, Lula deu um salve “urgente” nas redes sociais com três “recados” à militância petista. Primeiro, que tenham “humildade” e “não falem mal do eleitor que não votou na gente”. Depois, que sua candidatura é “a única antissistema” e que a “promiscuidade” do Supremo Tribunal Federal (STF) foi jogada nas suas “costas”. Por fim, que o crime organizado atua como uma “multinacional” e que lugar de bandido é na “cadeia”.

Recorde-se que o PT “antissistema” que Lula acaba de inventar recebeu cinco dos últimos seis mandatos presidenciais. Por 18 anos, negociou orçamentos, costurou coalizões, manuseou estatais, distribuiu subsídios e aparelhou gabinetes por toda a República. Nos bastidores, engendrou grossos esquemas de corrupção, como o mensalão e o petrolão.
O governo escandalizado com a “promiscuidade” do STF passou quatro anos recorrendo a ele ora como polícia da democracia, para perseguir adversários, ora como terceira casa legislativa, para abater legislações que o desagradavam e empurrar goela abaixo as que o interessavam. Na campanha, suas tropas de choque togadas meteram todos os dedos na balança eleitoral. O presidente que agora se diz preocupado com o “critério” de indicação ao STF é o mesmo que indicou seu advogado pessoal.
Chega a ser um insulto à inteligência e à memória. Em 2013, quando o PT vivia o auge do poder e da arrogância, a musa intelectual das esquerdas, Marilena Chauí, explicou num evento com caciques petistas, entre palmas da plateia e risos de Lula, que “odeia a classe média”, porque ela é um “atraso de vida”, “petulante” e “terrorista”; uma “abominação cognitiva”, “ética” e “política”, “porque ela é fascista”. Eis a velha pedagogia petista: quem vota no PT é esclarecido; quem não vota é “fascista”. Pior: se for pobre, é ingrato, razão pela qual o “pobre de direita”, que não vota no PT, já virou personagem folclórico nos tratados da intelligentsia petista.
O chefão petista pede agora três semanas de amnésia coletiva. A respeito da segurança pública, por exemplo, quer que o País inteiro esqueça que seus governos nada fizeram contra as organizações criminosas e que a militância lulopetista continua a glamourizar bandidos como heróis da luta de classes ou a retratá-los como subproduto das injustiças sociais. Tudo para tentar conquistar um eleitor já vacinado contra as imposturas de Lula.
O nome elegante dessa estratégia é “reposicionamento”. O vulgar é oportunismo. Lula pode trocar de discurso, de aliados, de inimigos, de princípios e até de biografia como quem troca de roupa. Mas não pode trocar de povo, e o recado das urnas ao presidente é que o brasileiro está farto de ser tratado como trouxa. Assim como a humildade dos petistas, a paciência do eleitor também tem prazo de validade.

Fonte: Editorial do Estadão de 8 de outubro de 2026 - 'REBRANDING' DE LULA