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09 maio 2014

CAMPANHA ELEITORAL, NÚMEROS, PROMESSAS E MITOS

A presidente #Dilma, na tentativa de sair da defensiva e se antecipar a polarização eleitoral sobre os números da economia, se reuniu, no início desta semana, com o pessoal de sua Secretaria de Assuntos Estratégicos - SAE, agora comandada pelo ministro Marcelo Neri, na busca de indicadores sociais que se contraponham aos produzidos pelos economistas e que não agradam ao governo, mas que vêm sendo divulgados, pela mídia, no Brasil e no exterior.

Segundo divulgado na imprensa, na referida reunião o novo ministro disse que nos últimos 11 anos, a desigualdade caiu e continua caindo e a renda média continua subindo e, por isso, os brasileiros estão comprando mais objetos de consumo: microondas, tv’s, computadores, carros, etc.

Mas como não existe almoço grátis, e certamente o ministro não falou isso, se sabe, também, que como a renda subiu mais do que a produção nacional, a inflação se encarrega de corrigir essa defasagem, comendo uma parte dos salários. Além disso, que a dívida desses consumidores – a grande maioria de compra à crédito - tem se elevado consideravelmente com a alta dos juros.

Outro paradoxo é a relação entre o acesso da população aos bens, que cresceu a uma taxa de 320% nos últimos anos e os serviços, que se expandiram apenas em 48%. Vem daí a insatisfação popular com o transporte público, a saúde, a educação e a segurança, elementos imprescindíveis e fundamentais para assegurarem qualidade de vida aos brasileiros, no presente e no futuro, mas que continuam inacessíveis. Isto já foi alertado pela população desde junho de 2013.

Podemos dizer, em outras palavras, que as pessoas se sentem como quem compra um celular e só depois percebe que não tem luz em casa – já se perdeu a conta dos inúmeros apagões ocorridos – e que a conexão com a operadora (quando existe) é de baixa qualidade. Se junto ao uso do celular incluirmos o de acesso à internet a situação só piora. Com uma taxa média de transmissão de 2,7 Mbps, quando se consegue conectividade, o Brasil fica na 83a posiçãodo ranking mundial.

Supomos, também, que o ministro não a avisou que os mitos propagandeados pelo seu governo e pelo o de Lula, estão sendo derrubados, dia após dia, conforme ilustram as manchetes e as matérias diárias na imprensa. Nelas, entre outros, se incluem a auto-suficiência do petróleo, a diminuição do preço da conta de luz e o crescimento do PIB.

No que se refere ao petróleo, decorridos oito anos do anúncio feito pelo presidente Lula da suposta conquista de sua auto-suficiência do Brasil, a conta-petróleo, que faz o balanço entre exportações e importações do produto, já acumula déficit superior a US$ 53 bilhões. Da mesma forma, desde que descobriu os campos do pré-sal, a Petrobras viu sua produção, estagnada desde 2010, começar a cair, com recuo de 2,1% em 2012 sobre 2011 e de 2,3% no ano passado sobre o período anterior.

No caso das contas de luz,  ao invés da diminuição de seu preço, o que está ocorrendo é um gigantesco aumento. Este já chegou ao bolso de mais de 32 milhões de consumidores. Os demais também não escaparão. As tarifas já foram elevadas em cerca de 30,29%, em termos anuais, e já anulou o desconto médio anunciado pelo governo em 2012.

Finalmente, com relação ao PIB de 2014, várias instituições e consultores independentes têm projetado seu valor para menos de 2%. O governo ainda fala em 2,3%. Mas é bom lembrar que, durante a campanha de 2010, a promessa da candidata Dilma para o seu governo foi de um PIB anual ao redor de 5%.

A campanha eleitoral para as eleições de 2014 já está em curso. Como a pré-candidata irá tratar essas questões até as eleições ? Com anúncios de mais promessas e mitos que, rapidamente, são derretidos ? Pelo "andar da carruagem", parece que não teremos surpresas.


Brasília, 09 de maio de 2014.

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