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02 junho 2026

Lula conseguiu!



    O governo americano reconheceu o Brasil como uma nação hostil, ao lado de Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia. O Secretário de Estado dos EUA disse que com exceção desses países, os outros países do continente são amigos.


Por que a esquerda ficou indignada com os EUA chamando PCC e CV de terroristas? Segundo Leandro Ruschel, após os Estados Unidos anunciarem que vão tratar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, a reação do Estado brasileiro foi tão reveladora quanto a própria medida. Em vez de comemorar uma ação contra as duas maiores facções do país, o governo correu para falar em soberania, riscos e interferência. Ou seja: diante de uma iniciativa contra grupos que aterrorizam milhões de brasileiros, o incômodo principal não foi com o terror imposto pelas facções, mas com o fato de alguém tê-las chamado pelo nome. Esse ponto precisa ser entendido com clareza. O próprio governo admitiu que essas organizações praticam o terror nos territórios em que vivem milhões de famílias. Admitiu o essencial. Mas, logo em seguida, rejeitou a consequência lógica dessa constatação. É exatamente aí que aparece o retrato moral do país. A soberania que se corre para defender não é a do cidadão que quer voltar vivo para casa. Não é a da mãe que cria filho em território dominado pelo tráfico. Não é a do comerciante que paga pedágio para continuar trabalhando. A soberania defendida é a de um arranjo estatal que já entregou o controle de partes do território ao crime, mas se ofende quando alguém de fora resolve nomear o problema. Isso não é apenas falha de gestão. Há uma visão de mundo por trás disso. Uma corrente política que há décadas aprende a tratar o criminoso como vítima da sociedade, enquanto reserva a palavra “terrorista” para o opositor político, para o dissidente, para quem incomoda o regime. O bandido armado é produto da desigualdade. O sujeito que protesta contra o sistema é ameaça à democracia. Essa inversão moral não surgiu ontem, e também não nasceu no vazio. Ela tem doutrina, tem tradição e tem consequência concreta. O nascimento do próprio Comando Vermelho já aponta nessa direção. A organização surgiu no contato entre presos comuns e militantes da esquerda armada, absorvendo disciplina de célula, lógica revolucionária e a ideia de que o crime contra a ordem estabelecida pode ser instrumento político. O PCC, mais tarde, nasce sob retórica parecida, de “defesa dos presos”, mas replicando uma lógica de poder, coesão e controle social que vai muito além de uma quadrilha comum. Quando se observa o continente como um todo, o padrão fica ainda mais visível: FARC, chavismo, narcoterrorismo, normalização da cocaína no discurso de chefes de Estado. Não é coincidência. É uma tradição política que sempre flertou com o crime quando isso serviu à sua estratégia de poder, já dizia Fidel Castro em seus ensinamentos ao presidente venezuelano Hugo Chávez.

Esses registros podem ser encontrados no livro "Hugo Chávez: o espectro", publicado em janeiro de 2018. O livro mostra, detalhadamente, como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global, com pretensões que iam muito além da América Latina.

O livro nos conta que em entrevista concedida ao próprio Leonardo, em 01/08/2015, em Washington, DC, um exilado venezuelano, ex-executivo da PDVSA, reafirmou que dezenas de malas de dinheiro "desceram da Venezuela" rumo ao sul. Segundo ele, "esse dinheiro foi utilizado por chavistas para patrocinarem as campanhas de Evo Morales, na Bolivia, Pepe Mujica, no Uruguai, Fernando Lugo, no Paraguai, e Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil", p. 42, livro capa dura.

Por isso a reação do establishment brasileiro não surpreende. Ela é coerente com a sua própria formação. Quando PCC e CV são tratados como terroristas, expõe-se não só a natureza das facções, mas também o desconforto de quem construiu, por anos, um ambiente cultural e político mais disposto a relativizar o criminoso do que a enfrentá-lo. E isso ajuda a explicar por que, no Brasil, combater o crime é tantas vezes pintado como autoritarismo, enquanto afrouxar a lei, limitar a polícia e romantizar o bandido é vendido como civilização.

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