A frase "Não acredite em tudo que você vê" é um alerta essencial na era digital contra manipulações por IA (deepfakes), notícias e perfis falsos nas redes sociais.
A verificação de fontes, desconfiança de contatos inesperados e o uso de senso crítico são formas de se proteger na internet.Chegou a vez da guerra
Horas depois dos EUA e de Israel atacarem o Irã no sábado, um vídeo circulou na rede social X alegando mostrar um míssil iraniano se aproximando de um jato americano. Nas imagens, o piloto escapa por pouco e sobe alto no céu enquanto o míssil detona. A cena impressionante parece saída de um videogame. E, de fato, é.


Um vídeo popular compartilhado no domingo por uma conta baseada no Iraque alega mostrar as consequências de um ataque com míssil balístico contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln. O Comando Central dos EUA descartou as alegações de um ataque como falsas.
Outro vídeo publicado no início da manhã de sábado mostra um grande ataque aéreo atingindo prédios e lançando carros pelos ares, com a legenda "Israel e Irã estão em guerra novamente", escrita em chinês. O X esclareceu que o vídeo é, na verdade, da guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho passado.
Mesmo antes dos EUA lançarem a Operação Epic Fury, um vídeo viral alegava mostrar mísseis hipersônicos se dirigindo para o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Grok afirmou que o vídeo é "provavelmente uma estratégia de guerra psicológica e sinalização de dissuasão".
A TV estatal iraniana e grupos aliados, como os houthis, há muito tempo usam propaganda para projetar força no exterior e angariar apoio interno. O Irã parece continuar permitindo que a mídia oficial e semioficial acesse a internet e crie deepfakes, disse Max Lesser, analista sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, à Free Expression. Organizações de mídia estatais iranianas, como a Press TV, ainda estão ativas no X.
Lesser observa que a Rússia e a China podem amplificar alegações vindas do Irã sobre sucessos militares, enquanto agentes comerciais, incluindo operações fraudulentas e "sites de notícias" sensacionalistas, provavelmente buscarão criar conteúdo viral para obter lucro.
A propaganda faz parte da guerra. Quando se revela que ela transmite informações falsas, se é que isso acontece, milhões de pessoas já a viram e acreditaram nela. Uma fotografia falsa de uma explosão perto do Pentágono fez com que as ações americanas caíssem brevemente em maio de 2023.
A desinformação e os deepfakes podem ser especialmente convincentes quando reforçam crenças preexistentes. Mesmo quando desmentidos, podem causar danos duradouros, obscurecendo a distinção entre verdade e mentira. Especialistas chamam isso de "dividendo do mentiroso", e isso mina a confiança até mesmo nos relatos confiáveis de jornalistas.
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