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21 julho 2026

Eleições 2026. Dois caminhos, não um dilema

 

Em seu artigo de hoje, (21/07/2026), Adolo Sachsida (ex-Ministro de Minas e Energia e ex-Secretário de Política Econômica) faz um alerta sobre o futuro da política econômica brasileira. Nele, Sachsida nos diz que uma das frases que sintetizam a visão do PT é: “O fiscal não pode se opor ao crescimento”.  Eis alguns trechos de seu artigo.


Sachsida sugere que a afirmação parece razoável, quase inofensiva. Como costuma ocorrer com slogans bem construídos, porém, ela esconde mais do que revela. Afinal, essa frase sugere que responsabilidade fiscal e crescimento seriam objetivos adversários — e que limitar o gasto público significaria necessariamente limitar o desenvolvimento. 


Quando a dívida pública é elevada e sua trajetória provoca desconfiança, o equilíbrio fiscal deixa de ser uma preferência de economistas ortodoxos e passa a ser condição para o próprio crescimento. É a confiança na sustentabilidade das contas públicas que ajuda a reduzir o risco-país, os juros de longo prazo e o custo do crédito para a empresa que deseja investir e para a família que pretende financiar a casa própria.


Sem essa confiança, o crescimento produzido pelo gasto público tende a ser o de sempre: um impulso de curto prazo, seguido de inflação, juros elevados e uma conta que alguém terá de pagar — geralmente quem dispõe de menos instrumentos para se proteger.


Dois caminhos, não um dilema


A escolha diante do país não é entre responsabilidade fiscal e crescimento, como o programa do PT insiste em sugerir. É entre dois modelos de crescimento. Um depende de gasto público crescente, tributação elevada e intervenção estatal — e dura exatamente até o dinheiro acabar. O outro nasce da estabilidade macroeconômica — dívida sob controle, moeda estável, meta de inflação respeitada, Banco Central independente — somada ao aumento da produtividade: segurança jurídica, abertura econômica, competição, infraestrutura, melhores marcos legais, educação, crédito eficiente e desburocratização.


Não é preciso telepatia nem "fontes que preferem não se revelar" para saber qual desses dois caminhos está sendo anunciado. Foi dito publicamente, com todas as letras, por quem coordena o programa de governo do PT, Sergio Gabrielli. Ao eleitor cabe apenas decidir se prefere acreditar no que ouve ou no que gostaria de ter ouvido. O Brasil já pagou, uma vez, para aprender essa lição. Seria uma pena pagar de novo — com juros.

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