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17 julho 2026

O relatório da CIA sobre fraude eleitoral na Venezuela

Em seu discurso de ontem à noite, Donald Trump disse que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020.

- Em 2012, havia um suposto plano envolvendo o governo e a empresa Smartmatic para pré-programar máquinas de votação em cerca de 300 centros tradicionalmente pró-Chávez, visando garantir vitória por aproximadamente 1,5 milhão de votos. Chávez teria parabenizado a equipe após vencer por ~1,6 milhão de votos.

- Em setembro de 2020, foram relatados planos técnicos detalhados para manipular as eleições de dezembro de 2020 usando um “segundo conjunto de máquinas virtuais” que replicariam resultados legítimos e depois substituiriam por dados manipulados, fazendo-os parecer originados de máquinas legítimas.





Vale lembrar que a empresa Smartmatic foi fundada por venezuelanos e, por exemplo, na eleição de 2014 treinou 14.000 funcionários que trabalharam na operação das urnas eletrônicas brasileiras naquele pleito. Nesta oportunidade Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, o PSDB fez uma tentativa de auditoria e a conclusão foi a mesma da Comissão do Exército para Integridade Eleitoral de 2022 (convidados a fazê-lo pelo TSE) e da auditoria do PL em 2022: as maquininhas brasileiras são uma caixa preta, impossível de se auditar. Obs: apenas o PL foi multado em 2022 em… R$ 22 milhões - 22 era o número de Bolsonaro. Oficialmente consta no website do TSE que a auditoria feita pelo PSDB não encontrou nenhuma irregularidade. Mas o TSE esquece de dizer que não encontrou nada porque era impossível de se verificar o cruzamento de dados e demais técnicas de auditoria. Este foi o mesmo subterfúgio usado por Moraes, presidente do TSE na eleição de 2022, para atropelar o que disse o Exército e declarar “o Exército não encontrou nada de errado”. E antes que digam que isto é porque “o sistema é impenetrável” - como sempre arguido pelo então ministro Barroso - o TSE não menciona que o próprio tribunal reconheceu, através de um inquérito da PF aberto em 2018 a pedido da presidente do TSE, Rosa Weber, que houve uma invasão feita por um hacker e que esteve dentro dos sistemas, inclusive com a senha do ministro do TSE Sérgio Banhos, desde o início até o final de 2018, ou seja, abarcando os 2 turnos eleitorais de 2018.

Então se pergunta: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?


A TRADUÇÃO DAS EVIDÊNCIAS … “AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA) NOTA DA CIA Resumo de Relatórios Selecionados de Inteligência, de 2004–2020, sobre as Capacidades da Venezuela para Manipulação Eletrônica de Eleições 29 de junho de 2026 Resumo Os relatórios da Comunidade de Inteligência produzidos entre 2004 e 2020 documentaram preocupações persistentes acerca da manipulação, pelo governo venezuelano, de sistemas eletrônicos de votação e das potenciais implicações para a segurança nacional da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos. A inteligência concluiu que autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, provavelmente, alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, incluindo a tecnologia da Smartmatic, a fim de influenciar resultados eleitorais na Venezuela. A avaliação da Comunidade de Inteligência de 2006 concluiu que os vínculos da Smartmatic com a Venezuela representavam uma ameaça à segurança nacional, fundamentando-se em informações sólidas sobre a intenção do governo venezuelano de influenciar a política dos Estados Unidos e em evidências de manipulação dos próprios sistemas eleitorais venezuelanos. Essa avaliação levou o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que forçaram a Smartmatic a alienar suas operações norte-americanas em 2007. Relatórios posteriores indicaram que sistemas eletrônicos de votação continham vulnerabilidades que poderiam, teoricamente, ser exploradas por agentes sofisticados com acesso interno. Entretanto, embora a inteligência tenha validado preocupações relevantes acerca de fornecedores de tecnologia eleitoral ligados ao exterior, não confirmou de forma definitiva que fraudes eletrônicas em larga escala tenham sido efetivamente executadas em eleições específicas na Venezuela, mantendo como avaliação-base da CIA que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais. Os relatórios relativos a técnicas avançadas forneceram informações preocupantes sobre alegadas capacidades e intenções do governo venezuelano, embora derivadas de fontes limitadas.

Nota de Escopo Este resumo concentra-se nas informações da Comunidade de Inteligência referentes às intenções e capacidades da Venezuela para manipular máquinas de votação, tanto internamente quanto, potencialmente, em outros países. Não constitui uma reavaliação abrangente de toda a inteligência disponível sobre o tema, mas sim um resumo das principais conclusões constantes de documentos selecionados produzidos entre 2004 e 2020. Interesse do Governo Venezuelano na Manipulação Eleitoral Fontes de inteligência entre 2004 e 2020 relataram que o presidente venezuelano Hugo Chávez e, posteriormente, seu sucessor Nicolás Maduro demonstraram interesse contínuo em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. Em abril de 2004, informações de inteligência indicaram que Chávez pretendia impedir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos, sugerindo intenção de influenciar a política norte-americana. A avaliação concluiu que a aquisição da empresa norte-americana Sequoia pela Smartmatic representava uma ameaça moderada à segurança nacional dos Estados Unidos. Antes da eleição presidencial venezuelana de 2012, relatórios de inteligência informaram que os serviços de inteligência de Chávez, incluindo a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), trabalharam juntamente com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Smartmatic para desenvolver planos destinados à manipulação dos resultados eleitorais mediante máquinas de votação previamente programadas. Segundo esses relatórios, o plano previa a instalação de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros eleitorais situados em áreas tradicionalmente favoráveis a Chávez, garantindo uma vantagem aproximada de 1,5 milhão de votos.

Após a eleição, vencida por Chávez por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram que o presidente teria parabenizado sua equipe pela implementação bem-sucedida do plano de manipulação. Em setembro de 2020, informações de inteligência relataram que autoridades venezuelanas desenvolveram planos técnicos detalhados para manipular as eleições parlamentares de dezembro de 2020. Segundo esses relatórios, a técnica consistiria na criação de um segundo conjunto virtual de máquinas eleitorais destinado a reproduzir resultados legítimos e, posteriormente, substituir os dados por resultados manipulados, fazendo parecer que os votos provinham das máquinas oficiais. Foi também relatado que, na Venezuela, componentes não especificados de inteligência artificial teriam sido instalados para alterar a apuração dos votos, detectar quando auditorias estivessem sendo realizadas e produzir comprovantes impressos sem registrar, gravar ou transmitir efetivamente esses votos. Analistas da CIA consideraram que tais capacidades eram tecnicamente possíveis, ressaltando, entretanto, que essa avaliação tratava apenas da viabilidade técnica, e não constituía confirmação de que tais funcionalidades efetivamente existissem. Uma análise alternativa da CIA, produzida em 2013 segundo a metodologia denominada “Advogado do Diabo” (Devil’s Advocacy), descreveu um cenário plausível de como uma manipulação eletrônica em larga escala poderia ter ocorrido nas eleições venezuelanas de 2012 sem ser detectada. Essa análise observou que o sistema eletrônico venezuelano apresentava vulnerabilidades decorrentes de acesso privilegiado interno, do controle centralizado do CNE sobre a tecnologia eleitoral e de limitações na capacidade de fiscalização da oposição. O relatório concluiu que, caso tal manipulação tivesse ocorrido, a legitimidade das eleições na Venezuela e em outros países clientes da mesma tecnologia poderia ser colocada em dúvida. Contudo, a avaliação-base da CIA permaneceu sendo a de que nenhuma fraude eletrônica em larga escala ocorreu em 2012, fundamentando-se em pesquisas pré-eleitorais, ausência de padrões irregulares de votação e na própria admissão da derrota pela oposição. Relatórios de inteligência também indicaram de forma consistente que indivíduos ligados aos serviços de inteligência venezuelanos possuíam acesso à tecnologia eleitoral e aos sistemas de votação. Em 2012, fontes relataram que Chávez designou um especialista militar em comunicações para atuar junto ao CNE, com acesso em tempo real aos resultados eleitorais. Também foi informado que o Diretor de Tecnologia da Informação do CNE, descrito como pessoa de confiança do governo, mantinha estreita relação com o aparato estatal. Técnica O relatório de inteligência de setembro de 2020 apresentou a descrição mais detalhada de uma técnica específica para manipulação eleitoral. Segundo o documento, essa técnica teria sido concebida para:

• Replicar arquivos digitais (hash files) enviados ao banco de dados central de totalização dos votos;

• Simular máquinas reais de votação que favorecessem o partido governista;

• Sobrescrever os arquivos de integridade (hash files) das máquinas favoráveis à oposição;

• Fazer votos alterados aparentarem ter sido produzidos por máquinas eleitorais legítimas.

Em tese, essa técnica permitiria ao governo venezuelano monitorar e ajustar os resultados em tempo real durante e após a eleição. Segundo os relatórios, a utilização de tecnologia de máquinas virtuais permitiria realizar essa manipulação evitando sua detecção pelos procedimentos convencionais de auditoria. Avaliações e Preocupações da Comunidade de Inteligência A Avaliação Nacional de Ameaças de 2006, produzida pelo Conselho Nacional de Inteligência, concluiu que a aquisição, pela Smartmatic, da empresa norte-americana Sequoia representava ameaça moderada à segurança nacional.

O Sistema Eleitoral dos EUA está quebrado



É o que foi divulgado agora há pouco pela Casa Branca. Aqui está o que as revelações mostram:

- Centenas de milhões de arquivos de eleitores americanos nas mãos de governos estrangeiros;

- Máquinas de votação e sistemas de contagem de votos expostos a hackers e manipulação;

- China e outros adversários tentando ativamente interferir nas eleições;

- Evidências de fraude sendo encobertas;

- Centenas de milhares de não-cidadãos e pessoas falecidas ainda ativas nas listas de eleitores;

- Sem identificação do eleitor, sem comprovação de cidadania exigida;

- Dezenas de milhões de cédulas por correio circulando sem segurança.

Em seu pronunciamento de ontem à noite, Donald Trump afirmou:

 “Comprometendo ainda mais essa tragédia, o segundo conjunto de documentos que estamos divulgando revela que membros do Estado Profundo em nossas agências de inteligência trabalharam ativamente para suprimir e minimizar informações sobre a extensão da interferência maligna de China nas eleições — encobrindo isso tanto do Presidente quanto do Povo Americano.

As agências de espionagem dos EUA começaram a descobrir o comprometimento dos arquivos de registro de eleitores em 2020, quando descobriram que dados de dezenas de milhões de eleitores em 18 estados haviam sido comprados, roubados ou hackeados pela China. No entanto, aqueles responsáveis por soar o alarme em vez disso mantiveram as informações ocultas. Eles não as divulgaram para mim como presidente, e, pelo que sabemos, não informaram o Congresso. Na verdade, tudo o que eles continuavam dizendo era: “Esta é a eleição mais segura da história do nosso país.”

O encobrimento dessa colossal violação de segurança é ainda mais perturbador à luz de informações adicionais que mostram que a China se envolveu em outras atividades relacionadas às eleições para minar minha primeira administração e nossa campanha de 2020. Eles não queriam que Donald Trump vencesse, e por um bom motivo.

Como os documentos que estamos divulgando mostram, relatórios da CIA afirmavam explicitamente: “Em meados de 2018, a política do Partido Comunista Chinês era alavancar todos os elementos domésticos e estrangeiros que se opusessem ao Presidente dos EUA em um esforço para reduzir os votos do Presidente dos EUA e fazê-lo renunciar ou impedir sua reeleição. Também em meados de 2018, a China estava trabalhando para influenciar os resultados das eleições de meio de mandato dos EUA, e mais tarde, os resultados das Eleições Presidenciais de 2020.”

Separadamente, em meados de 2019, a estratégia do Governo Chinês contra os Estados Unidos estava focada em minar a confiança doméstica no presidente dos EUA” — e eles fizeram tudo o que puderam para isso. Prosseguindo, diz: “A estratégia incluía esforços para usar contratos chineses com grandes empresas dos EUA para influenciar líderes empresariais americanos a se voltarem contra o Presidente dos EUA. O governo chinês buscava identificar jornalistas americanos que haviam relatado negativamente sobre o Presidente dos EUA, e pagar-lhes grandes somas de dinheiro para escreverem artigos ainda mais negativos sobre ele. O Governo Chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a próxima eleição.” E o motivo pelo qual eles queriam que eu perdesse é porque sabiam que eu estava atento a eles, cobrei bilhões de dólares em tarifas deles e construí o exército mais forte em qualquer lugar do mundo.

Essas são citações exatas de relatórios da CIA — o nome da pessoa que fez a citação está sob revisão. Mas fica ainda pior. Inteligência bruta obtida pelo FBI em 2020, mas enterrada por burocratas renegados, afirmava que as atividades da China até incluíam uma tentativa de fabricar boletins de voto ilegais para Joe Biden.

Documentos mostram que, durante esse período, dezenas de relatórios significativos da CIA e da NSA sobre o direcionamento eleitoral da China foram mantidos fora do Resumo Diário Presidencial. Um e-mail entre analistas de inteligência admitia que eles haviam ‘deliberadamente ajustado’ o Resumo Diário Presidencial para reter informações sobre atividades chinesas relacionadas à eleição. Outro oficial dentro do FBI escreveu que ela estava gerenciando ‘um governo paralelo’ para manter a inteligência sobre a interferência eleitoral da China longe de ser conhecida. Outros oficiais que testemunharam tais esforços perceberam as motivações como abertamente políticas.”


17 julho 2023

Integração de imagens. A IA poderá afetar os resultados de uma eleição

Os riscos criados pela Inteligência Artificial (IA) podem parecer esmagadores. Contudo, apesar de serem reais, serão também administráveis e as pessoas saíram melhor no final. O mundo que já aprendeu como lidar com problemas causados por inovações revolucionárias, tais como a chegada da eletricidade, a própria revolução industrial, os automóveis, a energia nuclear, ... e mais recentemente a ascensão dos computadores e da Internet - todos esses momentos transformadores e de muita turbulência -  com a IA não será diferente.

A integração de imagens geradas por IA

Em uma escala maior, os deepfakes gerados por IA podem ser usados ​​para tentar influenciar uma eleição. É claro que não é preciso tecnologia sofisticada para semear dúvidas sobre o legítimo vencedor de uma eleição, mas a IA tornará isso mais fácil.

Já existem vídeos falsos que apresentam imagens fabricadas de políticos conhecidos. Quantas pessoas vão ver e mudar seus votos no último minuto? Isso pode fazer pender a balança, especialmente em uma eleição acirrada.

Nos EUA, com a campanha já em curso para a eleição presidencial de 2024, as imagens abaixo foram objeto de reportagem nesse contexto, pelo The Verge, que mostra um anúncio em vídeo apresentando o que parecem ser imagens geradas por IA do ex-presidente Donald Trump beijando e abraçando Anthony Fauci, o ex-assessor médico-chefe da Casa Branca cujo papel na prevenção e resposta à pandemia do COVID-19 o tornou um alvo das teorias da conspiração. 




Em uma inspeção mais detalhada, os sinais reveladores da geração de IA tornam-se mais claros. As três imagens falsas não foram apenas retratadas sob o texto que dizia "Trump da vida real", mas também foram justapostas ao lado de três fotos reais e semelhantes de Trump e Fauci juntos - uma decisão que torna as fotos falsas ainda mais plausíveis.

“Foi sorrateiro misturar o que parecem ser fotos autênticas com fotos falsas”, disse Hany Farid, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, à AFP, “mas essas três imagens são quase certamente geradas por IA”.

Nos EUA, já está em curso um debate sobre a ética do uso da tecnologia deepfake alimentada por IA em mensagens políticas, especialmente em casos como este em que o conteúdo sintético não foi abertamente rotulado como tal.

Certamente não se resolverá o problema de desinformação e deepfakes. Mas duas coisas as pessoas já aprenderam: uma delas é que são capazes de não aceitar tudo pelo valor de face. Lembram dos usuários de e-mail que prometia uma grande recompensa em troca de compartilhar o número do seu cartão de crédito. A maioria das pessoas aprendeu a olhar duas vezes para esses e-mails. A população vai agir do mesmo modo para os deepfakes.

A outra coisa é que a própria IA pode ajudar a identificar deepfakesA Intel, por exemplo, desenvolveu um 
detector de deepfake , e a agência governamental DARPA está trabalhando em tecnologia para identificar se o vídeo ou o áudio foi manipulado.

Este será um processo cíclico: alguém encontra uma maneira de detectar a falsificação, outra pessoa descobre como combatê-la, outra pessoa desenvolve contra-contra-medidas e assim por diante. Não será um sucesso perfeito, mas também não se ficará desamparado.