A expansão do Universo: o Big Bang
Um dos temas mais instigantes da ciência é a origem do Universo.Você já se perguntou como tudo o que existe foi formado? Ou quando o Universo teve início? Essas e outras perguntas instigam nossa curiosidade desde sempre e contribuem para o desenvolvimento de novas tecnologias, pois o ser humano procura explicações para tudo, desde o surgimento da matéria e energia até as possibilidades para vivermos em sociedades cada vez mais populosas.
Atualmente, a teoria do Big Bang é o modelo científico mais aceito entre os cientistas para explicar a origem do Universo. De acordo com esse modelo, todo o Universo se originou por volta de 13,7 bilhões de anos atrás, com base em um único ponto. Esse ponto, infinitamente denso (muita matéria em um pequeníssimo volume) e quente, expandiu-se muito rapidamente. Em seguida, o Universo começou a esfriar e formaram-se os elementos que compõem a matéria. Ao longo do tempo, foram formadas as galáxias, as estrelas e os planetas.

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Jornada visual através de 4 bilhões de anos de evolução humana |
A vida na Terra começou com estruturas minúsculas e simples conhecidas como protocélulas — formas primitivas de vida que não possuíam características complexas, mas que estabeleceram a base para tudo o que veio depois. Ao longo de milhões de anos, essas formas de vida básicas evoluíram para organismos multicelulares mais complexos. Um dos primeiros exemplos conhecidos é o Dickinsonia, uma criatura de corpo mole que existiu muito antes dos animais modernos.
À medida que a evolução progrediu, novas características biológicas surgiram — simetria bilateral, sistemas nervosos e visão inicial — levando aos primeiros vertebrados. Os peixes foram os pioneiros desse grupo, dominando os oceanos antes de algumas espécies se aventurarem em terra. Essa transição deu origem aos tetrápodes, ancestrais dos anfíbios, répteis e, finalmente, mamíferos.
Cerca de 200 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros mamíferos — pequenas criaturas parecidas com musaranhos que viveram ao lado dos dinossauros. Com o tempo, os mamíferos desenvolveram características definidoras, como pelos, glândulas mamárias e sistemas circulatórios mais avançados, permitindo-lhes prosperar.
Avançando para cerca de 7 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros grandes primatas. Dessa linhagem, os primeiros humanos do gênero Homo evoluíram, trazendo avanços importantes como andar ereto, cérebros maiores, fabricação de ferramentas, linguagem e fogo. Esses desenvolvimentos prepararam o cenário para a civilização humana moderna.
Hoje, a evolução humana é moldada não apenas pela seleção natural, mas pela tecnologia e mudanças ambientais. À medida que continuamos a avançar, o futuro da nossa espécie pode ser influenciado pela medicina, pela genética e pela adaptação global, alterando potencialmente o curso da própria evolução.
A história cíclica e a história linear
Ao longo da história, inúmeros mitos foram criados por diferentes povos, na tentativa de explicar a origem do ser humano e do Universo.
A visão cíclica está profundamente ligada às tradições religiosas politeístas e panteístas. Nessas tradições, a história é concebida como ciclos de tempo encadeados e alternados; trata-se de um movimento circular contínuo, em que as coisas chegam ao fim para, então, recomeçar.
Em contrapartida, nas tradições religiosas monoteístas, principalmente na cultura ocidental, com influência judaico-cristã, o tempo é visto de maneira linear, por isso o futuro está aberto para mudanças desencadeadas pelas decisões tomadas no presente.
Segundo filósofo alemão Ernst Cassirer, o desenvolvimento das tradições religiosas está impregnado de elementos míticos, incluindo a presença de elementos da natureza: as fases da lua, as quatro estações, o vaivém das águas dos oceanos, ... Muitas tradições religiosas e culturais mantêm ou resgatam esse vínculo crucial para o futuro da humanidade. Encontra-se isto na mitologia do povo asteca, na mitologia grega, no Hinduísmo, no Budismo, ... Os seguidores dessas tradições religiosas acreditam que todos os indivíduos passam por um clico de reencarnações sucessivas até a purificação total.
Nas religiões monoteístas, principalmente as de tradição judaico-cristã, o tempo é visto de maneira linear, vinculando o ser humano à história. Por isso, a memória histórica de um acontecimento está presente na concepção do tempo linear. Do ponto de vista cristão, com a fé em Jesus, Deus se faz presente na história, e esta se torna o lugar da "epifania", ou seja, da manifestação de Deus. Homens e mulheres tornam-se responsáveis não apenas por seus semelhantes, mas pelo planeta e por todas as formas de vida, ou seja, tornam-se co-participantes da construção da história.
As religiões tradicionais africanas refletem as múltiplas culturas presentes no continente. Os mitos das diversas crenças propõem diferentes explicações para temas como vida, morte e até mesmo para a origem da cor da pele das pessoas.
No hinduísmo, acredita-se que a alma passa por um ciclo de reencarnações até atingir a libertação final. Nesse ciclo, a alma volta a viver em outro corpo, humano ou animal, dependendo de suas ações na última vida.
Entre a religião e a ciência
A relação entre religião e ciência, no mundo ocidental, sempre oscilou, ao longo da historia, entre conflito, independência, diálogo e integração.
Com o surgimento do pensamento filosófico na Grécia, no século VI a.C., tanto a concepção mística de mundo - que preconiza o mistério da existência - quanto a visão mítica de mundo passaram a ser questionadas. Os gregos pré-socráticos começaram a repensar as explicações presentes nos mitos e a querer, cada vez mais, encontrar explicações pelo discurso lógico para os fatos que observavam na natureza e no convívio da sociedade.
Na Europa, o século XVI foi marcado por constantes confrontos entre a Igreja Católica e os Estados, mais pelo poder. Ainda assim, nessa época, o pensamento científico passou a questionar algumas concepções estabelecidas pela Igreja Católica. Foi a época em que Nicolau Copérnico difundiu a teoria héliocêntrica, segundo a qual o Sol seria o centro do Universo e a Terra e os demais planetas giravam em torno dele. Teoria esta reiterada posteriormente por Galileu. Anteriormente, a ideia era de que o Sol se movimentava ao redor da Terra, idéia esta defendida pela interpretação de alguns textos bíblicos, como em alguns Salmos. Esta concepção também aparece no capítulo 10 de Josué.
Outro questionamento aconteceu no século XIX, quando Charles Darwin publicou seus estudos na obra A origem das espécies. Darwin propôs uma teoria que defendia a constante evolução de todos os seres vivos, em contraposição a uma interpretação fundamentalista do livro do Gênesis, da Bíblia, que atribui a criação dos setores a Deus, já formados do modo como os conhecemos hoje.