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12 outubro 2026

Site pró-Lula escondeu alerta sobre boato contra Flávio Bolsonaro e tentou apagar rastros do autor

Versões recuperadas por A Investigação registram a ordem de retirar a ressalva sobre a Farmácia Popular e a aprovação de um vídeo que explorava a mesma acusação.
Por David Agape

Na madrugada de quinta-feira, 8, o Radar da Virada, site criado para ajudar a militância a promover Lula nas redes, retirou um aviso de que não havia fonte para a acusação de que Flávio Bolsonaro acabaria com o programa Farmácia Popular. Horas antes, contas da comunidade ligada ao projeto divulgaram a história no Kwai e no TikTok. Um vídeo com o mesmo tema continuou entre as recomendações, favorecido pelas regras do sistema.

O Farmácia Popular é um programa federal que fornece medicamentos farmácias credenciadas. O boato de que Flávio teria anunciado que iria encerrar o programa circulou entre a militância petista e foi refutado até mesmo por agências de checagem. O plano de governo promete manter os programas sociais e a sua candidatura declarou que fortalecerá o programa.

O levantamento de A Investigação recuperou versões antigas do Radar da Virada e encontrou a retirada do alerta atribuída, no código, a uma decisão de uma pessoa chamada “Gustavo”. Depois, o nome foi apagado, a autoria das alterações foi substituída e o histórico público foi reescrito. Na sexta-feira, 9, o projeto fechou o acesso ao código e substituiu também o histórico de uma cópia pública. Os registros, porém, sobreviveram em outra cópia.

Construído com Claude Code, ferramenta de inteligência artificial que escreve programas, o Radar surgiu em 6 de outubro, depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio. Seus documentos o chamavam de war room, uma sala de guerra digital para a disputa por votos. O painel reúne tendências, vídeos para compartilhar e mapas eleitorais, e se conecta a uma rede de ferramentas pró-Lula, entre elas Fura Bolha, Diretório 13 e a plataforma da Comunidade Tech contra Flávio Bolsonaro.

Os arquivos registram outras decisões: checagens continuaram a ser produzidas, mas deixaram de aparecer; o alerta “Falso, não compartilhe” foi descartado; um canal alertado pelo próprio sistema seguiu sendo promovido; e o medidor da imprensa recebeu regras favoráveis a Lula. No sábado, 10, o site oficial da candidatura indicou o Radar como ferramenta de voluntários.

A indicação documenta a divulgação pela candidatura. O levantamento não estabeleceu que ela tenha criado, financiado ou dirigido a rede. Também não encontrou anúncios dos sites na biblioteca da Meta nem um sistema de disparo em massa: os botões de compartilhamento dependem da ação de quem visita as páginas.

A regra eleitoral permite a mobilização de apoiadores para ampliar o alcance de mensagens. Quando essa organização serve a fins ilícitos, prevê a responsabilização de quem organiza, cria, distribui e participa, conforme a conduta de cada pessoa.