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25 novembro 2025

COP 30: um vexame de R$ 5 bilhões


O presidente da COP 30, André Corrêa do Lago,
a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva
e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
 
(Foto:
 Andre Borges/EFE)

Mesmo para o mais fervoroso apoiador da agenda do catastrofismo climático, salta aos olhos que, para o governo brasileiro, o rescaldo da conferência climática COP 30 pode ser descrito, sem má vontade, como um vexame amazônico.

Nem é preciso mencionar os múltiplos problemas da infraestrutura improvisada para o evento em uma cidade como Belém, sabidamente sem condições de sediar uma conferência internacional com mais de 50 mil pessoas — problemas que culminaram no incêndio ocorrido na chamada Blue Zone, na última sexta-feira, 21, que obrigou a evacuação das instalações e a paralisação dos trabalhos por mais de seis horas.

O maior golpe para os organizadores foi terem sido forçados a contrariar a própria proposta de estabelecer um “mapa do caminho” para a eliminação dos combustíveis fósseis, feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pressionada pelas grandes potências petroleiras e pelos maiores consumidores de hidrocarbonetos — Rússia, Arábia Saudita, China, Índia e outros —, a presidência da COP retirou da declaração final qualquer menção ao tema, provocando ferozes reações dos “descarbonizadores”.

De imediato, Colômbia e Holanda reuniram um grupo de 30 países para anunciar a realização de uma Conferência Internacional para a Eliminação Progressiva dos Combustíveis Fósseis, na Colômbia, em abril de 2026.

Como um mambembe prêmio de consolação, o presidente da COP, embaixador André Corrêa do Lago, prometeu que o Brasil apresentará um “mapa” próprio para ambos os tópicos. Resta ver quem o levará a sério.

Outra desmoralização coube aos cientistas do pavilhão Ciência Planetária, liderados pelo brasileiro Carlos Nobre e pelo sueco Johan Rockström, parceiros na ONG Guardiões Planetários, cujo espaço ficou praticamente às moscas. Os dois passaram a conferência reclamando que os negociadores não os procuravam para ouvir a “palavra da ciência” e, ao final, divulgaram um documento qualificando a ausência do “guia rodoviário” como “uma traição à ciência e às pessoas”.

Sem surpresa, os ambientalistas compartilham a apoplexia e a linguagem inflamada dos cientistas. Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace, qualificou o texto como “praticamente inútil”. Já Márcio Astrini, coordenador-geral do Observatório do Clima, preferiu apontar o dedo, dizendo que a conferência deixou claras as diferenças entre “os que querem salvar o mundo e os que querem salvar o sistema”. Modesto e humilde o moço, não?

Outro fiasco esperado foi a ausência de qualquer definição sobre o “financiamento climático”, a ilusória expectativa de que os países em desenvolvimento receberiam montanhas de dinheiro a fundo perdido das nações industrializadas para financiar uma “transição energética justa”.

O documento final registra apenas a concordância em se fazerem “esforços” para triplicar o financiamento para a adaptação climática até 2035, mas sem qualquer compromisso formal quanto à origem dos valores ou seu montante.

Da mesma forma, é incerta a viabilidade do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, menina dos olhos de Lula & cia., para o qual pretendiam atrair pelo menos US$ 10 bilhões em compromissos firmes em Belém (ver a coluna da semana passada). Ao final, mesmo com a meia-volta da Alemanha, que havia decidido não participar, não se chegou nem a US$ 7 bilhões, a maior parte condicionada ao atingimento da meta original nos próximos meses, o que ainda está por se ver.

No frigir dos ovos, o desfecho denota o equívoco de condicionar a política externa brasileira à agenda encarnada por Marina Silva e sua colega Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, além da pretensão de Lula de apresentar-se como líder ambiental global.

Nem mesmo Marina, apesar de aplaudida de pé na sessão final, conseguiu disfarçar a decepção com os resultados. “Sonhávamos com mais resultados”, admitiu.

De fato, nenhum retoque retórico pode ocultar o vexame de Belém — e um vexame bastante caro, considerando os mais de R$ 5 bilhões empregados na “maquiagem” da capital do Pará para receber a conferência, que poderiam ter tido aplicações incomparavelmente mais úteis para os paraenses e para o país.

Por Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco é jornalista, presidente do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e da Capax Dei Editora.

O Golpe da Disney: Brasil transforma justiça em farsa


Se alguém quiser um manual moderno sobre como as democracias se deterioram por dentro, pode ignorar Caracas, Havana e Manágua e olhar diretamente para Brasília, onde Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo que ficará marcado como a acusação política mais ridícula do século: um suposto "golpe" orquestrado de uma casa alugada em Orlando enquanto planejava uma viagem em família para a Disney World.

Bolsonaro entregou o poder pacificamente. Embarcou para os EUA. Fixou residência por um breve período na Flórida. Enquanto isso, Lula assumiu o cargo com controle total de todas as forças de segurança. No entanto, oito dias depois — com Bolsonaro aposentado no exterior, impotente e a milhares de quilômetros de distância — algumas centenas de manifestantes vandalizaram prédios governamentais vazios em um domingo tranquilo. Sem armas, sem cadeia de comando militar, nada que remotamente lembrasse um golpe. Bolsonaro condenou o ocorrido em tempo real. As únicas pessoas que o chamaram de golpe foram os aliados de Lula e o ministro Alexandre de Moraes, cuja ideia de “devido processo legal” se assemelha cada vez mais a uma perseguição política disfarçada de processo legal. E agora, nessa fantasia, foi condenado a quase três décadas atrás das grades — a principal figura da oposição, o favorito para 2026, preso pelo que a história lembrará como o “golpe da Disney”. Um golpe supostamente orquestrado de um subúrbio de Orlando e executado por ninguém. Um golpe cujo suposto mentor era levar seus netos a parques temáticos.

O absurdo seria cômico se não estivesse sendo usado para neutralizar o rival político mais popular do Brasil. O próprio Lula foi condenado por corrupção — e saiu impune graças a tecnicalidades arquitetadas para trazê-lo de volta ao poder. Bolsonaro, por sua vez, está preso por um crime que existe apenas na imaginação de um judiciário que trava abertamente uma guerra política. A escolha do momento não foi acidental. Um dia depois de os Estados Unidos terem suavizado as medidas comerciais num gesto de boa vontade, Alexandre de Moraes recorreu ao uso mais severo do poder judicial até então — provando exatamente por que essas sanções existiam em primeiro lugar. Bolsonaro agora se junta às fileiras de dissidentes presos não por violência ou corrupção, mas porque suas ideias aterrorizam a classe dominante: Václav Havel, Nelson Mandela, Lech Wałęsa — líderes encarcerados porque as elites temiam as urnas. As instituições se revelam pela forma como tratam seus oponentes. Quando os tribunais orquestram a eliminação do adversário mais forte antes de uma eleição, não se trata de justiça — é a manutenção do regime disfarçado de juiz. A vergonha do Brasil agora está estampada em negrito: 27 anos por um golpe que nunca aconteceu, supostamente liderado por um homem que comia churrasco em Orlando. A história não esquecerá a covardia por trás dessa sentença. O golpe da Disney será lembrado não como o crime de Bolsonaro, mas como a vergonha do Supremo Tribunal Federal.

Por Vicky Richter - Jornalista, Florida USA


A rede de censura alemã

    Uma iniciativa internacional chamada "Liber Net" mapeou toda a rede de censura alemã – e descobriu muito mais do que esperava. O estudo revela como uma grande "Rede de Censura" financiada pelo Estado controla o debate online na Alemanha, colocando em risco a liberdade de expressão na maior economia da Europa. Aqui está a versão em inglês do estudo.

    O diretor da iniciativa, foi o australiano Andrew Lowenthal que apresentou os resultados do estudo em 20 de novembro em Berlim. Entre as descobertas estão 330 ONGs, fundações e agências governamentais, todas envolvidas na censura digital.     Disponíveis no site Libernet estão também os infográficos do estudo e um banco de dados interativo sobre organizações de controle de conteúdo e o valor do financiamento que recebem do governo alemão.

    O que beneficia particularmente o estudo é a perspectiva externa. Foram principalmente australianos, americanos e espanhóis que analisaram o sistema de censura alemão. O que mais os impressionou foi a abertura da conexão e da cooperação entre ONGs e o governo federal. Segundo os autores, esse nível de abertura não seria possível nos EUA ou na Austrália, por exemplo — lá, esse tipo de cooperação precisa ser tratado com muito mais discrição e sutileza, caso contrário, correria o risco de um escândalo. Nada parecido na Alemanha...

25 novembro 2023

IA (III) - Ações fundamentais que devem ser tomadas para garantir o desenvolvimento e implantação responsável e seguro da IA

O texto anterior, IA (II), foi finalizado citando-se o Projeto de Lei nº 2338/2023, de 6 de maio de 2023, que se encontra no Senado Federal, reunindo esforços nacionais para compreender os riscos e estruturas de governança para a IA.

Neste artigo serão abordadas as sugestões que estão em discussão para uma IA responsável. São três ações fundamentais que devem ser tomadas para garantir o desenvolvimento e implantação responsável e seguro da IA.

Em primeiro lugar, deve-se dar prioridade a sistemas e tecnologias seguros, investindo recursos em sistemas de IA robustos para garantir a segurança dos utilizadores e a mitigação de riscos. Isto envolve aspectos técnicos como o estabelecimento de terminologia partilhada, parâmetros de referência e rastreabilidade, bem como a implementação de práticas responsáveis ao longo do seu desenvolvimento e implementação e a garantia de eficazes e eficientes métodos de avaliação.

Em segundo lugar, tem-se de garantir aplicações e transformações sustentáveis, alinhando a IA generativa com os objetivos sociais de longo prazo e com transparência. É essencial dotar os líderes empresariais e governamentais com os conhecimentos necessários para aproveitar o poder da IA generativa de forma eficaz e responsável nas suas respetivas organizações, ao mesmo tempo que mitigam os riscos que a acompanham.

Em terceiro lugar, a governança e a regulamentação resilientes são fundamentais. Uma aliança - mandatária - entre os responsáveis por decisões políticas e as partes interessadas para estabelecer quadros éticos e medidas regulamentares específicas para a IA generativa. 

Portanto, todos devem se unir para garantir que a inovação prospere e que os benefícios da IA sejam concretizados, minimizando-se os riscos. A IA generativa pode ser uma força para o bem, capacitando os indivíduos e o avanço das sociedades — se forem reunidos diversos insights e estratégias sólidas para colocá-la no caminho certo hoje desejado.

O mundo inteiro está discutindo também as questões relacionadas com o impacto que a inteligência artificial pode ter em diversos setores da sociedade. É o tema que será tratado no próximo artigo.