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03 junho 2022

A imaginação malthusiana de Bill e Melinda Gates

Por Flavio Gordon (*)

02/06/2022 14:15

Tomas Robert Kuhn(**) cunhou a expressão “mudança de paradigma” para se referir originalmente a uma alteração significativa nas concepções científicas dominantes em uma dada época. Obviamente, o termo não se restringe ao domínio especializado da ciência, aplicando-se também às mudanças de cosmovisão coletiva (ou Weltanschauung, como dizem os alemães) decorrentes da percepção social dessa alteração. É na mistura entre as conquistas científicas (ou tecnocientíficas) propriamente ditas e o simbolismo a elas associado – transmitido via literatura, cinema, música, artes plásticas, publicidade, jornalismo, política etc. – que ocorrem as grandes mudanças de paradigma de alcance sociocultural, capazes de mudar a maneira como, num determinado momento da história, a maioria das pessoas enxerga o mundo ao redor.

O ambientalismo – a preocupação legítima em não poluir o próprio ninho em que se vive e não ultrapassar os limites dos recursos naturais necessários à sobrevivência da espécie humana – pode ser considerado como uma dessas grandes “mudanças de paradigma”. Um evento simbólico que, sem dúvida, contribuiu para essa mudança foram as fotografias da Terra tiradas da Apollo 8 em dezembro de 1968. De repente, o nosso planeta aparecia com contornos bem visíveis, dando a impressão de ser pequeno, limitado e até certo ponto desamparado, boiando fragilmente na imensidão do universo. Daí decorreu toda uma imagética representando a Terra como “a nossa aldeia global” ou “o nosso lar comum”. E, desse simbolismo, uma espécie de renouveau da mentalidade malthusiana, pois as imagens da Apollo 8 deixavam a sensação de haver gente demais para um planetinha tão diminuto.

Não demorou muito para que a administração dos recursos da aldeia global fosse requerida por uma série de caciques e síndicos, que, apresentando-se indiscriminadamente como “ambientalistas”, e sob o pretexto da ecologia, o que faziam mesmo era seguir a velha regra do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Naquele mesmo ano de 1968, em que os terráqueos puderam ver o seu “lar comum” de uma perspectiva espacial, era fundado o Clube de Roma pelo industrial italiano Aurelio Peccei e pelo cientista escocês Alexander King (quem, de certa feita, descreveu a si próprio como “um protótipo do tecnocrata internacional”). Reunindo figuras ilustres das finanças, da ciência e da política, o Clube foi pioneiro na fusão entre malthusianismo e ambientalismo, criando a síntese que, até hoje, continua informando os principais ideólogos do “desenvolvimento sustentável”.

Também em 1968 foi publicado o livro A Bomba Populacional, de Paul R. Ehrlich, eminente biólogo e professor da Universidade de Stanford. O livro, que previa uma fome global iminente graças à superpopulação do planeta, foi muito influente no espírito dos protagonistas do Clube de Roma, tendo como um dos corolários o famoso relatório Os Limites do Crescimento?, publicado sob o patrocínio do Clube em 1972, e que serviu como uma espécie de bíblia para a agenda ambiental da ONU. Dizendo-se solidamente amparado na ciência – que só “negacionistas” ousariam questionar –, o autor fazia algumas propostas para impedir a catástrofe: 1. que as mulheres, especialmente as pobres, pudessem ser forçadas a abortar; 2. que a população em geral pudesse ser esterilizada por meio de drogas intencionalmente adicionadas na água e na comida; 3. que os bebês de mães solteiras e adolescentes fossem-lhes retirados à força e entregues a casais mais velhos; 4. que pessoas predispostas a “contribuir com a deterioração social” pudessem ser “forçados por lei a exercer sua responsabilidade reprodutiva” (ou seja, que fossem obrigadas a abortar e a se esterilizar); 5. que um “regime planetário” transnacional assumisse o controle da economia global e ditasse os detalhes mais íntimos da vida do cidadão comum, recorrendo a uma força policial internacional se preciso fosse.

Embora as previsões radicais de Ehrlich tenham se mostrado infundadas, e suas propostas fossem obviamente totalitárias, uma cosmovisão misantrópica e neomalthusiana continuou prevalecendo entre os representantes das elites globalistas. E aí temos, mais uma vez, de falar em Bill Gates – o cacique global personagem da coluna da semana passada – e a sua obsessiva agenda de controle populacional.

Em 1999, Bill e Melinda Gates fundaram o Instituto de População e Saúde Reprodutiva, sediado na Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins. Embora, a certa altura, tenha adotado esse nome eufemístico (sendo “saúde reprodutiva” um conhecido eufemismo para a promoção do aborto), o instituto já chegou a se chamar “Instituto para o Controle Populacional”, uma forma bem mais honesta de descrever a sua atuação.

Com efeito, tanto o Instituto quanto a Fundação Gates têm investido pesado na promoção do aborto, especialmente entre mulheres pobres de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Filho de um ex-diretor da Planned Parenthood – fato pouco conhecido –, Bill Gates tem investido milhões de dólares todos os anos (ver, por exemplo, aqui) para subsidiar campanhas de controle de natalidade em regiões como a África Subsaariana e o Sudeste Asiático, fazendo da agenda contraceptiva uma das prioridades das organizações “filantrópicas” que levam o seu nome.

Em seu livro The Moment of Lift: How Empowering Women Changes the World, Melinda Gates chega a sugerir que controle da natalidade equivale a controle da pobreza, e que, se as mulheres ocidentais são mais “empoderadas” que as africanas, por exemplo, isso se deve ao maior acesso a métodos contraceptivos e abortivos. Daí que a senhora Gates tenha empenhado US$ 5 bilhões para tornar as mulheres africanas menos férteis, menos restritas e mais “liberadas”, oferta que a ativista nigeriana pró-vida Obianuju Ekeocha, em memorável carta-resposta, recusou gentilmente, sob o argumento de que, para a imensa maioria das mulheres africanas, os bebês são recebidos como uma dádiva divina.

“Com sua incrível riqueza” – escreveu Ekeocha –, “Melinda quer substituir o legado de uma mulher africana (que são os seus filhos) pelo legado do ‘sexo livre’”. E disse mais: “Vejo esses US$ 5 bilhões nos trazendo miséria. Vejo-os trazendo-nos maridos infiéis. Vejo-os trazendo-nos ruas vazias e carentes do inocente tagarelar das crianças. Vejo-os trazendo-nos doença e, por fim, a morte. Vejo-os nos dando uma aposentadoria privada do amor terno e do cuidado dos nossos filhos”.

Eis aí um belo alerta, infelizmente inaudível aos ouvidos neomalthusianos de uma gente arrogante para quem o objetivo propalado de acabar com a pobreza passa necessariamente pelo controle reprodutivo dos pobres.

(*) Em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-gordon/bill-e-melinda-gates-controle-populacional-aborto/ 

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(**)  Teoria Malthusiana ou malthusianismo é uma ideia sobre demografia que defende que a população cresce mais rápido do que a produção de alimentos. Esta ideia foi criada pelo economista inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834), no final do século XVIII, em plena Revolução Industrial.

“GERM GAMES” - Bill Gates é indubitavelmente um craque. Let’s play!

Ao longo da pandemia C19, Flávio Gordon tem publicado, na Gazeta do Povo, brilhantes textos expondo um contexto sobre a possível origem laboratorial do coronavírus e o envolvimento de personagens mundialmente conhecidas.

Seus dois últimos artigos estão focados no personagem Bill Gates, "outrora vendedor de vacinas digitais (os antivírus da Microsoft), e hoje vendedor de vacinas analógicas", além de ter se tornado profeta.

O próximo artigo (02/06) -  "A imaginação malthusiana de Bill e Melinda Gates" - mais uma vez fala de Bill Gates – o cacique global personagem deste artigo – e a sua obsessiva agenda de controle populacional, juntamente com sua ex-esposa Melinda Gates. Ambos criaram o “Instituto para o Controle Populacional” que juntamente com a Fundação Gates têm investido pesado na promoção do aborto, especialmente entre mulheres pobres de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.


Textos imperdíveis. Boa leitura.

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“Germ Games”

Por Flavio Gordon (*)

25/05/2022 17:44

“Todo mundo precisa de um técnico. Não importa se você é um jogador de basquete, um tenista, um ginasta ou um jogador de bridge.” (Bill Gates)


No fim de 2021, Bill Gates declarou que os governos do mundo deveriam se preparar para enfrentar futuras pandemias e ataques bioterroristas com vírus da varíola. O alerta foi dado em entrevista a Jeremy Hunt, presidente do Comitê Seleto de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, para o think tank Policy Exchange. A preparação deveria incluir o investimento de bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, bem como a criação de uma força-tarefa contra pandemias por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Além dessas propostas, o fundador da Microsoft sugeriu também a prática daquilo que chamou de “germ games” (“jogos gérmicos”, em tradução livre), uma espécie de exercício preparatório para o enfrentamento de eventuais novos surtos, quer de origem natural, quer de origem terrorista. “Custará provavelmente cerca de um bilhão por ano para uma força-tarefa ao nível da OMS, para fazer o controle e aquilo que chamo de ‘germ games’, em que você pratica” – disse Gates. “Imaginemos que um bioterrorista ataque dez aeroportos com o vírus da varíola. Como responder a isso?”

A fala de Bill Gates é de 4 de novembro de 2021. Coisa de seis meses depois, cá estamos nós, às voltas com o anúncio de uma possível nova pandemia, agora justamente de... varíola. Não sei o que pensa o leitor, mas, após as notícias sobre o aumento global dos casos de varíola do macaco – situação que já leva autoridades de saúde em várias partes do mundo, inclusive da nossa Anvisa, a cogitar medidas restritivas similares às adotadas para a Covid-19 –, começo a achar que nós somos as peças no tabuleiro desses tais “jogos gérmicos” concebidos pelo outrora vendedor de vacinas digitais (os antivírus da Microsoft), e hoje vendedor de vacinas analógicas. Afinal, já tivemos um desses jogos antes. E conhecemos a estranha coincidência de ele haver antecipado a pandemia global que, meses depois, devastaria o planeta.

Aconteceu em outubro de 2019, mesma época em que – mais uma estranha coincidência! – a China estava adquirindo quantidades inéditas de testes PCR. Naquele momento, a Fundação Bill e Melinda Gates, o Johns Hopkins Center for Health Security e o Fórum Econômico Mundial (entidade responsável por publicar o libelo globalista Covid-19: the Great Reset) reuniram 15 lideranças das áreas de negócios, saúde pública e governança para um estranho evento, com o pitoresco nome de “Event 201: a global pandemic exercise”.

O referido “germ game” teve três horas e meia de duração, no decorrer das quais os participantes – dentre eles George Fu Gao, então diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China – eram confrontados com cenários dramáticos e vários dilemas, tendo por missão formular respostas e propor soluções para uma hipotética pandemia causada por... um novo coronavírus. Ausente num jogador comum, essa capacidade de antever a jogada é marca registrada do craque. E, em se tratando dos “germ games”, Bill Gates é indubitavelmente um craque.

Mas os jogos mundiais pandêmicos não estariam completos sem a presença de um outro jogador de destaque: Anthony Fauci. Também aproximadamente no mesmo momento em que a China comprava quantidades extraordinárias de testes PCR, e que Bill Gates e seus companheiros de equipe faziam exercícios de futurologia sobre uma pandemia de coronavírus, a FDA (U.S. Food and Drug Administration) aprovava uma nova vacina de prevenção contra a varíola comum e... contra a varíola do macaco. A vacina foi produzida pela Bavarian Nordic, empresa que recebeu da Niaid (U.S. National Institute of Allergy and Infectious Diseases), perpetuamente comandada por Fauci, um subsídio de US$ 100 milhões. Empresa de sorte, não é mesmo?

E isso não é tudo. Em 28 de fevereiro deste ano, meses antes do mais recente surto global de varíola do macaco, foi publicado na revista científica chinesa Virologia Sinica um estudo que reunia fragmentos do genoma do vírus da varíola do macaco, a fim de permitir a sua detecção via testes PCR. A metodologia utilizada é conhecida como TAR (recombinação associada a transformação), descrita como “essencial para preparar clones contagiosos de grandes vírus de DNA e RNA”. O estudo admite que, aplicado à pesquisa em virologia, o método TAR “pode suscitar preocupações sobre segurança, sobretudo quando o produto reunido contém um conjunto completo de material genético capaz de ser recuperado num patógeno contagioso”.

Ah, já ia quase me esquecendo de contar ao leitor: o referido estudo é coautorado por nove pesquisadores do... Instituto de Virologia de Wuhan (IVW). Sim, aquele mesmo, em cujos laboratórios com índices insuficientes de biossegurança se realizavam pesquisas em “ganho de função” financiadas pela mesma Niaid de Anthony Fauci, e que pode muito bem ter sido a origem do Sars-CoV-2, hipótese que o “consórcio” mundial de imprensa nos garantiu se tratar de uma “teoria da conspiração” (como já discutimos em vários artigos, aqui, aqui, aqui e aqui).

Para quem, mais uma vez, ouse especular que as novas mutações do vírus da varíola do macaco possam ser fruto de experimentos conduzidos no IVW ou qualquer outro laboratório, a pecha de “teoria da conspiração” já está novamente à disposição, pronta para uso. Já para os incorrigíveis, segundo os quais toda essa corrida sanitária talvez não passe de um pretexto para o controle político totalitário, estão abertas novas vagas em maravilhosos centros de reeducação para a cidadania global. Os jogadores estão prontos. O tabuleiro, montado. E as peças, cá estamos. Let’s play!

Próximo artigo:  "A imaginação malthusiana de Bill e Melinda Gates


(*) Em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-gordon/germ-games-bill-gates-variola-do-macaco/?ref=link-interno-materia 

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