Impropérios constam na mais nova versão do programa do Partido dos Trabalhadores (PT). Intitulado Documento de programa para o VIII Congresso, o texto ocupa 61 páginas e está dividido em cinco tópicos que reforçam o pensamento petista nos mais diferentes campos, de políticas socioeconômicas no âmbito nacional às relações exteriores. O mentor intelectual é uma figura que, mesmo com condenações na Justiça, jamais se afastou do comando do PT: José Dirceu.
Dirceu discursou no congresso anual do PT, que ocorreu no último fim de semana, em Brasília. No evento, foi aprovado o manifesto que serve como resumo do programa elaborado pelo ex-ministro.
1. Denunciar como “sequestro” a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por há quase 70 anos.
2. Elogiar o “papel moderador” da China no cenário global atual.
3. Atacar o “imperialismo decadente” dos Estados Unidos.
4. Marcar posição contra liberdades econômicas e da imprensa.
5. Advogar em prol da diminuição de poder das Forças Armadas e do Judiciário.
Aos 80 anos, ele, que foi ministro-chefe da Casa Civil no início do primeiro governo de Lula, cumpriu temporadas na cadeia por causa de envolvimento com dois dos maiores esquemas de corrupção do país: o Mensalão e o Petrolão. Em vez do ostracismo, o petismo oferece a Dirceu o papel de protagonista. Além de idealizar o projeto do partido, ele almeja voltar a ter status de autoridade e, para isso, se apresenta como pré-candidato a deputado federal por São Paulo, cargo para o qual já foi eleito em 1998 e 2002.
Dirceu, além de defender o conteúdo presente no material, afirmou que o principal objetivo deste ano será “derrotar a família Bolsonaro”. “Derrotar a intervenção externa”, oficializar o PT como partido socialista e “quebrar a ortodoxia neoliberal” foram outros mantras ditos pelo ex-ministro, que acabou sendo tietado por militantes.
Vale relembrar o que concluiu o jornalista Otávio Cabral em seu livro "Dirceu, a biografia".

Além de sua participação no mensalão, o livro também assinala outros episódios típicos de sua atuação na esquerda brasileira. Entre eles, um que relata que, por sua determinação, foi realizado o sequestro, seguido de prisão e sevícias do então universitário João Parisi Filho, estudante da Universidade Mackenzie.
Naquela ocasião José Dirceu liderava o movimento estudantil de esquerda e tinha se aquartelado nas dependências do Conjunto Residencial da USP, o Crusp, o qual era também usado, pelo movimento estudantil, como delegacia e como local para o armazenamento de munições, armas e livros considerados subversivos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário