A reportagem expões que um ex-oficial militar russo fez um apelo direto a Vladimir Putin, alertando o líder russo sobre um levante armado caso o país não seja informado da "verdade" sobre a guerra na Ucrânia.
Em um vídeo no Instagram que rapidamente acumulou milhões de visualizações na quinta-feira, Alexander Lunin dirigiu-se a Putin, alertando para "consequências muito graves" caso suas exigências fossem ignoradas.
Lunin, de 39 anos e pai de dois filhos, afirmou ter sido incumbido de "transmitir uma mensagem" a Putin por oficiais militares e membros dos serviços de segurança não identificados. Segundo ele, pediram-lhe que exigisse uma reunião com Putin no Kremlin — com direito a "transmissão ao vivo" — para que o país pudesse saber a "verdade" sobre o que está acontecendo.
"Se, em um futuro próximo, eu não for ao Kremlin e falar ao vivo ao seu lado, o exército voltará suas armas contra o Kremlin", disse ele.
Relata-se que Lunin comandou um batalhão de voluntários russos na Ucrânia ocupada até algum momento do ano passado, quando disse ter sido afastado por se recusar a cumprir ordens. Ele contou ao veículo de mídia independente *Agentstvo* que autoridades de defesa foram à sua casa, na região de Voronezh, para exigir que ele gravasse um vídeo com um apelo a Putin. Aparentemente, elas haviam notado que ele usava as redes sociais para divulgar as queixas das tropas vindas do campo de batalha.
Mais de quatro anos após Putin lançar sua "operação militar especial" contra a Ucrânia com promessas de uma vitória rápida, Kiev inverteu o jogo com uma série de ataques de longo alcance que elevaram a tensão para Moscou e alertaram os cidadãos russos comuns sobre as falhas do Kremlin no campo de batalha.
O presidente russo tem recusado repetidamente acordos de paz. Lunin disse que os oficiais militares estavam fartos da guerra e do "moedor de carne" nas linhas de frente.
"Ninguém quer derramamento de sangue. Apenas deixem claro para o presidente que haverá um caos total aqui se isso continuar", disse ele, relatando o que os oficiais lhe haviam dito ao exigir seu apelo público a Putin. “Neste momento, dezenas, centenas, milhares de nossos soldados estão confinados em fossas, punidos por seus comandantes. Eles ficam lá, apodrecendo, sendo torturados e maltratados pela chamada Gestapo, pelo simples fato de terem se recusado a cumprir ordens estúpidas e suicidas”, disse Lunin, segundo o veículo de mídia independente russo Meduza.
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