Agosto ganhou no Brasil a fama de “mês do desgosto”, sobretudo na história política. É possível se montar uma sequência impressionante de acontecimentos. O ponto de partida pode ser o assassinato de João Pessoa, em 26 de julho de 1930, poucos dias antes de agosto, porque sua morte teve enorme repercussão política e contribuiu para o ambiente que desembocaria na Revolução de 1930. Abaixo um breve resumo desses acontecimentos.
26 de julho de 1930 — Assassinato de João Pessoa
João Pessoa, presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas nas eleições de 1930, foi assassinado em Recife por João Dantas. O crime teve fortes componentes pessoais e políticos. Seus adversários foram responsabilizados politicamente pelo episódio, e a morte de João Pessoa acabou transformada em símbolo da oposição ao governo de Washington Luís. Poucos meses depois, em outubro, ocorreu a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.
5 de agosto de 1954, ocorreu o Atentado da Rua Tonelero, no Rio de JaneiroUma tentativa de assassinato contra o jornalista e político Carlos Lacerda, um dos principais opositores de Getúlio Vargas. Lacerda ficou ferido no pé, mas o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, que o acompanhava, foi morto a tiros.
As investigações acabaram envolvendo integrantes da guarda pessoal de Vargas, especialmente Gregório Fortunato, chefe da guarda presidencial. O episódio provocou enorme pressão política e militar sobre o governo e foi decisivo para a crise que culminou no suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.
Talvez seja o acontecimento mais associado à fama negativa de agosto. Pressionado por adversários políticos e militares após a crise desencadeada pelo atentado da Rua Tonelero, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Sua Carta-Testamento provocou enorme comoção popular. A frase “Saio da vida para entrar na História” tornou-se um dos símbolos de sua morte.
25 de agosto de 1961 — Renúncia de Jânio Quadros
Exatamente sete anos e um dia depois da morte de Vargas, Jânio Quadros renunciou à Presidência, após apenas sete meses de governo. A renúncia abriu uma grave crise política, porque setores militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. A solução temporária foi a implantação do parlamentarismo, permitindo a posse de Jango em setembro de 1961.
O ex-presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília e pelo lema desenvolvimentista “50 anos em 5”, morreu em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende, no Rio de Janeiro. A morte de JK aumentou ainda mais a associação de agosto a acontecimentos trágicos da política brasileira.
13 de agosto de 2014 — Morte de Eduardo Campos
O então candidato à Presidência Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, morreu na queda de um avião em Santos, São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2014. Sua morte provocou nova comoção nacional e voltou a alimentar a tradição popular de considerar agosto um mês marcado por tragédias políticas.
Portanto, a fama de “agosto, mês do desgosto” não nasceu de um único acontecimento, mas foi sendo reforçada pela extraordinária concentração de crises e mortes de importantes personagens da política brasileira.
Há ainda outros acontecimentos de agosto bastante marcantes na História do Brasil, inclusive a Campanha da Legalidade de 1961, o início da crise que culminou no impeachment de Collor em 1992 e episódios importantes da ditadura militar.
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