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Mostrando postagens com marcador Dia do Trabalho. Mostrar todas as postagens
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03 maio 2024

A IMAGEM DO FRACASSO (*)

É histórica, desde já, a constrangedora foto do presidente Lula da Silva discursando para um punhado de gatos-pingados em pleno 1.º de Maio. A imagem não deixa margem para dúvida: a agenda política da esquerda – e a do PT, em particular – se desvela hoje tão vazia quanto a minguada plateia reunida anteontem no estacionamento do estádio do Corinthians, em Itaquera, zona leste da capital paulista. Pouca gente se abalou a ouvir o que Lula tinha a dizer no Dia do Trabalho porque o próprio presidente não consegue se conectar com os trabalhadores do século 21.

Em cima do palanque, confrontado por tantas clareiras diante de seus olhos mal-acostumados com aquela cena desoladora, especialmente no Dia do Trabalho, Lula se exasperou. “O ato está mal convocado”, resmungou o petista. “Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar”, reclamou, dirigindo a bronca ao secretário-geral da Presidência, Márcio Macedo, a quem Lula atribuiu a missão de ser o “responsável pelo movimento social brasileiro”, seja lá o que isso signifique.

Não se sabe qual foi a estratégia de comunicação do governo para a celebração do Dia do Trabalho, um marco importante para a construção da persona pública de Lula, por razões óbvias. O fato é que, por mais brilhante que essa estratégia tivesse sido – e ainda por cima contando com recursos dos contribuintes, por meio da Lei Rouanet, de patrocínio da Petrobras e de filmagem da estatal Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) –, o ato não poderia ser diferente do fiasco que foi por uma razão fundamental: o Brasil é governado por um presidente que não viu o tempo passar.

Lula ainda pensa como o sindicalista que eletrizava os trabalhadores com seus discursos na Vila Euclides, São Bernardo do Campo (SP), no fim dos anos 1970. Não apenas o País não é o mesmo no qual Lula ascendeu como uma liderança política popular, como o mundo mudou por completo desde que o petista chegou à Presidência pela primeira vez, há mais de 20 anos. Ao longo desse tempo, houve transformações profundas não só das relações de trabalho – outrora baseadas na oposição entre patrões e empregados –, mas também, e principalmente, na visão que os próprios trabalhadores passaram a ter de seus meios de subsistência.

Fortíssimos durante décadas, até por força de imposição legal, os sindicatos e as centrais sindicais, que tradicionalmente enchiam as ruas no 1.º de Maio, hoje não passam de um decalque esmaecido de uma representação profissional que no auge do sindicalismo já era passível de críticas por suas vinculações partidárias. De uns anos para cá, as guildas estão irremediavelmente desacreditadas por uma massa de trabalhadores que não se sentem representados nem querem sê-lo, muito mais interessados que estão em empreender por conta própria.

Nem Lula nem o PT enxergam isso. Basta dizer que reduziram o fiasco do 1.º de Maio a um problema de “comunicação”. Tanto não compreendem a transformação da realidade que os cerca que, dia sim e outro também, insistem em condenar a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso em 2017. Ao contrário de “precarizar” o mercado de trabalho, como acusam esses ditos “progressistas”, a reforma se impôs pela realidade de milhões de trabalhadores autônomos que já eram precarizados e, portanto, precisavam de um marco legal para protegê-los – e proteger, sobretudo, sua liberdade de tomar as rédeas da própria vida.

O mercado de trabalho está aquecido e a renda média aumentou, ainda que pouco. Mas nem assim os trabalhadores, ao que parece, conseguem vincular esse cenário menos adverso à figura do presidente da República. Decerto porque, como ficou claro em seu discurso em Itaquera, Lula não tem qualquer projeção de futuro mais auspiciosa a lhes oferecer. E, ademais, porque o petista insiste em uma agenda econômica fracassada, baseada no intervencionismo e no desbragado gasto estatal, que, ao longo dos governos petistas, prejudicou justamente a chamada classe trabalhadora.

Lula pode não ter visão sobre o novo mundo do trabalho. Mas os trabalhadores têm memória.

(*)  Editorial do Estadão, de 3 de maio de 2024

LULA E OS FÓSSEIS DO SINDICALISMO (*)

Mostrou-se um fiasco a comemoração do Dia do Trabalho patrocinada pelas centrais sindicais governistas na capital paulista, que contou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No ato em que afrontou a lei eleitoral e pediu votos para o pré-candidato a prefeito Guiherme Boulos (PSOL), o mandatário mal disfarçou seu incômodo com a meia dúzia de gatos pingados que se dispôs a compor a plateia no feriado ensolarado. Lula reclamou da falta de mobilização do governo para atrair mais público.

O desabafo, como num ato falho psicanalítico, revela o mecanismo por trás da ruína do sindicalismo brasileiro. Não cabe teoricamente a governos cooptar associações representativas dos trabalhadores quando elas são o resultado da livre organização da sociedade civil.

Mas no Brasil, desde o varguismo, a simbiose entre Estado e sindicatos tem sido uma regra duradoura.

A Constituição de 1988 estabeleceu monopólios setoriais e territoriais para a atuação de sindicatos. Nos primeiros mandatos, Lula estendeu o imposto sindical para as centrais. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal facilitou o desconto de contribuições assistenciais na folha salarial dos trabalhadores.

Ao longo de décadas, o artifício serviu para enriquecer e proteger as oligarquias que se apoderaram dos cartórios de representação oficial dos trabalhadores, mas fracassou, por obsolescência, no objetivo de representar de fato as aspirações de milhões de brasileiros que atuam num mercado de trabalho que passa por intensas transformações desde o final do século 20.

O ato desta quarta-feira (1º) foi um resultado anedótico desse esvaziamento. A bisonha proposta do governo petista de regular o trabalho por aplicativos pelo molde varguista —repelida fortemente pela própria categoria que pretende proteger— atesta a permanência da dissonância cognitiva.

Pesquisas começam a indicar que a reforma trabalhista aprovada na gestão de Michel Temer (MDB), atacada pela retórica ultrapassada do esquerdismo, pode ter contribuído para a queda do desemprego no Brasil. O clamor pelo desembaraço das amarras da burocracia nas relações de trabalho tornou-se uma plataforma popular.

Também por explorar esse flanco dos anseios do eleitorado, a direita se apresenta como a única corrente no Brasil atual capaz de mobilizar multidões espontaneamente em suas manifestações. A esquerda perdeu as ruas, e isso deveria soar como alerta máximo nas hostes do lulismo.

Ou as forças políticas em torno do PT se atualizam, inclusive nos temas relacionados ao trabalho, ou correrão mais riscos de ser derrotadas nas próximas eleições.

 (*) Editorial da Folha de São Paulo de 3 de maio de 2024

01 maio 2024

A riqueza é resultante do trabalho



Comemora-se hoje, mundialmente, o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Esta data, criada em Paris, em 1889, está relacionada com eventos, especialmente a greve geral ocorrida na cidade de Chicago, em 1886, que paralisou os parques industriais da cidade e foi acompanhada de forte repressão policial, e se propagando pelos dias seguintes, resultando, após a explosão de uma bomba, em sete mortos e dezenas de pessoas feridas entre policiais e manifestantes.

No Brasil, em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas, levando o movimento dos trabalhadores a ganhar força, fazendo com que o então presidente Athur Bernardes, em 1925, seguisse o que vinha ocorrendo em várias partes do mundo e igualmente reservasse o primeiro de maio como o Dia do Trabalho no Brasil.

De lá pra cá, empresas, trabalhadores e profissões se multiplicaram. As greves também. No Brasil e no mundo, as projeções de necessidade de trabalhadores em áreas especificas, que requerem nível de estudos mais elevados, são alvissareiras.

As pessoas trabalhadoras desejam vislumbrar e participar dessas oportunidades, portanto, ocuparem as vagas que irão surgir no mercado de trabalho. Querem condições para construirem suas vidas com autonomia. A riqueza é resultante do trabalho.

Entretanto, não é difícil se concluir que não haverá uma rápida absorção dos atuais desempregados. Isto porque as exigências de qualificação profissional têm crescido substancialmente. Poderemos, então, enfrentar uma situação paradoxal: existirão vagas mas não teremos trabalhadores.

09 maio 2017

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ROBÔS DESTRUINDO E CRIANDO POSTOS DE TRABALHO

No Dia do Trabalho (2017) abordamos a situação de desemprego no Brasil, sob o título SEM TRABALHADORES, para ilustrar o fato de que sem um forte programa de educação, que esteja alinhado com o surgimento das novas profissões, continuará existindo um alto número de desempregados no País, independentemente de seu nível educacional.

Dentro de 10 a 15 anos, estaremos diante de um mundo em que a maior parte dos trabalhos hoje conhecidos será realizada por máquinas inteligentes suportadas pela Inteligência Artificial (IA).


Na área médica, por exemplo, há profissões que estão próximas de desaparecer. É o caso dos radiologistas que interpretam dados colhidos por máquinas ultramodernas, cujos laudos passarão a ser emitidos, de forma automática, a partir da interpretação desses dados por máquinas inteligentes com o auxílio da IA. Atualmente os dados colhidos são mostrados em imagens e estas são interpretadas pelos radiologistas que emitem os respectivos laudos.


No setor industrial, pesquisas demonstram que a automação (com a introdução de robôs) é a maior responsável pelo desemprego da classe média americana e não a exportação de empregos para o mundo asiático como chegou a ser afirmado pelo atual presidente dos EUA. Para cada novo robô introduzido na manufatura, seis trabalhadores perdem seus empregos.


Em contrapartida, novos postos de trabalho e
 novas profissões estão surgindo. Por exemplo, no setor de tecnologia da informação, mais recentemente, é na área de IA que se encontram as melhores oportunidades de trabalho (e de novos empreendimentos também). Dentre elas, profissionais com novos perfis para atuarem nas áreas de machine learning e big data.

Nos últimos anos surgiu o conceito de Eletrônica Médica, ou de Saúde Eletrônica. Os profissionais dessa área são aqueles que criam equipamentos para solucionar problemas médicos combinando o conhecimento de medicina e biologia com princípios e práticas de engenharia.


Nessas áreas, dentre muitas outras iniciativas, já existem trabalhos com o objetivo de se desenvolver sensores não-invasivos capazes de ler as atividades cerebrais de um indivíduo e traduzi-las para meios digitais, registrando de forma definitiva a sua memória em computadores. Este aprimoramento de memória será muito útil, especialmente para os portadores de Alzheimer e de outros tipos de demência.


Quase todos os setores e profissões serão afetados, criando um novo conjunto de problemas sociais, mas surgindo, também, um grande número de oportunidades. Saber gerenciar esses dois lados é o grande desafio para todas as nações.


Esse desafio, diferentemente do que ocorreu no passado quando a economia evoluiu de agrária para industrial e, mais recentemente, para a do conhecimento, está no tempo, no prazo em que ela está ocorrendo.


A revolução industrial se deu ao longo de séculos porém, as revoluções tecnológicas de hoje estão ocorrendo em poucos anos. Basta ver o que aconteceu com os mercados da fotografia, da música e da telefonia. Em poucos anos estas industrias foram totalmente transformadas.


E, nesse sentido, ao mesmo tempo em que estão surgindo novos postos de trabalho intelectualmente desafiadores, percebe-se que não estamos sendo capazes de treinar os trabalhadores que perderam os seus empregos na mesma velocidade dessas mudanças.



01 maio 2017

SEM TRABALHADORES

Comemora-se hoje, mundialmente, o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Esta data, criada em Paris, em 1889, está relacionada com eventos, especialmente a greve geral ocorrida na cidade de Chicago, em 1886, que paralisou os parques industriais da cidade e foi acompanhada de forte repressão policial, tendo se estendida pelos dias seguintes, resultando, após a explosão de uma bomba, em sete mortos e dezenas de pessoas feridas entre policiais e manifestantes.

No Brasil, em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas, levando o movimento dos trabalhadores a ganhar força, fazendo com que o então presidente Athur Bernardes, em 1925, seguisse o que vinha ocorrendo em várias partes do mundo e igualmente reservasse o primeiro de maio como o Dia do Trabalho no Brasil.

De lá pra cá, empresas, trabalhadores e profissões se multiplicaram. As greves também. Apesar do Brasil hoje contar com mais de 14 milhões de desempregados, segundo os últimos dados do IBGE, as projeções de necessidade de trabalhadores em áreas especificas, que requerem nível de estudos mais elevados, são alvissareiras.

Na área de medicina, segundo as projeções da EPSM/UFMG, em 2030 o deficit no setor alcançará a marca de 100 mil profissionais (procura de 693 mil contra uma oferta de 593 mil). Entre as especialidades que os hospitais têm mais dificuldade em contratar estarão pediatria, anestesiologia, neurologia e cardiologia.

Nas engenharias, apesar da projeção do IPEA (Estudo Radar n.12) não mostrar deficit, estima-se, para 2020, uma oferta de 1,8 milhão contra uma procura de apenas 1,15 milhão. Entretanto, a qualidade da formação e a migração de profissionais para ocupações que não são típicas da área preocupa.

Em menor escala, existe demanda também na área de geologia. Segundo o IG/DPCT/UNICAMP, caso as atividades do setor de mineração e do pré-sal voltem aos níveis de 2012-2013, em 2020 a oferta de profissionais será de cerca de 60% da demanda (700/1216).

Se imaginarmos, e estamos torcendo para que isto ocorra, uma reversão da economia brasileira, a necessidade de mais trabalhadores, nessas e em outras áreas, só irá se ampliar.

Entretanto, não é difícil se concluir que não haverá uma rápida absorção dos atuais desempregados. Isto porque as exigências de qualificação profissional têm crescido substancialmente. Poderemos, então, enfrentar uma situação paradoxal: existirão vagas mas não teremos trabalhadores.

É hora, portanto, de se cuidar rapidamente da formação dos trabalhadores. Porém, SMJ, poucas são as iniciativas existentes nesse sentido.

É o momento dos dirigentes do País e de outras organizações, em todos os níveis, agirem com eficácia para sanarem essa deficiência, mas sem traços de paternalismo como já vimos em passado recente. Que o Brasil não seja, novamente, pego de calças curtas.

As pessoas trabalhadoras desejam vislumbrar e participar de oportunidades que as levem às vagas que irão surgir no mercado de trabalho. Querem condições para construirem suas vidas com autonomia. A riqueza é resultante do trabalho.