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20 abril 2026

Empresa americana compra a única mina de terras raras do Brasil

 

A americana USA Rare Earth fechou um acordo gigante para comprar 100% do grupo Serra Verde, dono da única mina do Brasil que produz e processa os chamados minerais de terras raras, anunciou a empresa ao mercado nesta 2ª (20/4). O negócio foi fechado por U$ 2,8 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 14 bilhões. A maior parte do pagamento será feita em ações da companhia e o restante em dinheiro.

CONTEXTO

Apesar do nome, terras raras não são terra. É um grupo de minerais estratégicos, essenciais para fabricar componentes de carros elétricos, chips de smartphones, sistemas de inteligência artificial e até armamento militar. Hoje, a China domina quase completamente a extração e a fabricação desses materiais em todo o mundo, usando isso a seu favor em disputas políticas e econômicas. A mina brasileira, que fica no estado de Goiás, é considerada um ativo único: é a única fora da Ásia a extrair comercialmente os quatro elementos mais cobiçados desse grupo.

POR QUE IMPORTA

Embora a mina fique no Centro-Oeste, essa disputa global afeta diretamente todo o Brasil, inclusive o Rio. O avanço da tecnologia nas ruas cariocas, a expansão de frotas de veículos elétricos, o preço dos eletrônicos que consumimos e o desenvolvimento de energia limpa dependem de quem controla a base dessa cadeia. Com essa compra, os Estados Unidos buscam quebrar a dependência do mercado chinês e garantir que indústrias essenciais não fiquem sem matéria-prima.

O QUE MUDA

A empresa americana quer controlar todo o processo, da extração da pedra no Brasil até a fabricação final dos ímãs e componentes eletrônicos. Em vez de depender do processamento asiático, a produção brasileira será conectada diretamente com fábricas nos Estados Unidos, França e Reino Unido.

NÚMEROS

A mina brasileira tem capacidade para produzir cerca de 5 mil toneladas de minerais já processados por ano. E não vai sobrar para o mercado aberto: toda essa produção inicial já está comprometida em um contrato longo de 15 anos com investidores apoiados pelo próprio governo americano.

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