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05 fevereiro 2023

OS AUSENTES NUNCA TÊM RAZÃO

        Em seu ótimo artigo na Revista Oeste deste fim de semana (Edição 150), Gustavo Segré, nos relembra Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brede e de Montesquieu (1689-1755), político e escritor francês, que provocou mudanças radicais na forma de governar.

        O Brasil ratificou a modalidade republicana quando, pela Constituição brasileira de 1988, o Princípio da Separação dos Poderes foi estabelecido, no Art. 2º, sob o título dos princípios fundamentais, e constitui uma das cláusulas pétreas (lei que não pode ser alterada) do ordenamento jurídico brasileiro. Segundo Montesquieu, com os Poderes divididos em diferentes instâncias, com autonomia e limites entre eles, seria impossível a formação de um regime tirânico ou autoritário.

Segré nos lembra ainda que, "sem quase perceber, o Brasil passou a abdicar de Montesquieu e sua divisão de Poderes — cuja ideia remonta a Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), na Grécia antiga, e ao iluminista John Locke (1632-1704) — e passou a migrar para outra teoria de poder. Mais exatamente à “dominação legitima”, de Max Weber, que disserta sobre as formas de legitimação do poder".

E continua: "O Poder Judiciário já está muito longe de ser “invisível e nulo”, e começou a “colaborar” com o Poder Executivo em diversas determinações. De um dia para o outro, a Justiça passou a ditar limites à liberdade de expressão, impedindo que determinadas palavras pudessem ser usadas para se referir a determinada pessoa. Muitos meios de comunicação sentiram a canetada de quem deveria cuidar das leis e da Constituição, ao terem seus canais do YouTube desmonetizados e com a Justiça definindo o que podia ou não ser dito".

... "O curioso no caso do Brasil é que a verdadeira dominação não está sendo aplicada diretamente pelo Poder Executivo da República, e sim pelo Poder Judiciário, que, em tese, deve ser o contraponto dos outros dois Poderes. Sem dúvida a dominação social se aplica nesta nova realidade do Brasil, não importando quem a executa, e sim quem a sofre".

Segré conclui o seu artigo citando o dramaturgo francês Philippe Néricault Destouches que teve como uma das suas frases mais famosas a seguinte: “Os ausentes nunca têm razão”. "Ela mostra que está na hora de trabalharmos, cada um desde as nossas fortalezas (econômicas, sociais, de comunicação, jurídicas etc.), para que Brasil volte a ter, nas suas estruturas de poder, um balanceamento muito mais perto de Montesquieu -cujos princípios fundamentais estão descritos abaixo - do que de Max Weber".


Princípios fundamentais

Barão de Montesquieu
O Barão de Montesquieu era uma referência do Iluminismo e, portanto, nada melhor do que compartilhar, como parte final deste artigo, os princípios fundamentais desse livre pensador.

  • Liberdade de expressão: a possibilidade de as pessoas expressarem livremente suas ideias e pensamentos, sem por isso ser censuradas ou penalizadas de outras formas;

  • Empirismo: a ideia de que todo o conhecimento só pode ser obtido e tomado como verdade a partir do momento que é comprovável na prática, com testes;

  • Jusnaturalismo: a ideia de que o ser humano possui uma dignidade própria e direitos inerentes à sua condição. São eles: a vida, a liberdade e a busca da felicidade;

  • Tripartição dos Poderes: um governo justo e equilibrado não concentra todas as suas funções em um só grupo ou pessoa; portanto, é bom e justo que haja Três Poderes: o Legislativo, criador de leis; o Executivo, administrador da nação; e o Judiciário, que julga o descumprimento das leis;

  • Contrato social: a ideia de que as sociedades devem estabelecer um acordo entre governante e governados para que haja um governo legítimo. Ou seja, o povo abdica de sua liberdade absoluta para viver em sociedade sob o governo de leis e de um representante. Assim, a soberania do governo reside na vontade do povo, não na do governante;

  • Racionalismo: a valorização da razão e a crença que ela é a única via de obtenção do conhecimento;

  • Cientificismo: a valorização da ciência e do método científico empírico como via de conhecimento e progresso da humanidade;

  • Livre-comércio: a não intervenção do Estado na economia, fator que garantiria um maior desenvolvimento econômico;

  • Propriedade privada: o direito dos homens de adquirirem a posse de bens para usufruir a seu modo;

  • Igualdade jurídica: a abolição dos privilégios de casta ou classe na sociedade — todos os homens tornam-se iguais perante a lei;

  • Liberdade religiosa: a possibilidade de escolher qual religião professar;

  • Liberalismo: a doutrina da liberdade individual, social, política e econômica.


10 janeiro 2022

MIRIAM LEITÃO PEDE O BANIMENTO DE JAIR BOLSONARO DAS REDES SOCIAIS

Miriam Leitão, da Rede Globo, pediu a expulsão do presidente da República, Jair Bolsonaro, das redes sociais.

“Está na hora de as redes de comunicação como Facebook, Twitter e todas outras redes começarem a tirar o presidente Bolsonaro dessa conexão. E foi assim com o ex-presidente Trump. Teve um momento [em] que ele foi banido das redes sociais”, disse.

A Miriam ainda não aprendeu que o Brasil  mudou e que o maior legado de Bolsonaro não serão estradas, pontes etc, mas a retirada da esquerda do armário com sua hipocrisia travestida de bom mocismo e virtuosidade e o retorno do pensamento conservador no Brasil.

Miriam não aprendeu a viver em uma democracia com opiniões divergentes – evidentemente acaloradas - e nunca sob o chapéu de benesses governamentais concedidas pela esquerda. Esse clima de democracia nunca foi aceito pela esquerda porque esta sempre quis impor a ditadura do pensamento único, que prevaleceu até então, utilizando do canal hoje denominado de velha imprensa, imprensa militante e similares.

Miriam não leu  Voltaire, que, nos tempos do Iluminismo, cunhou a frase que sintetiza o direito à liberdade de expressão: “Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”.

Não, a Miriam ainda não aprendeu que o dono do espaço de comunicação atualmente é o criado pelo próprio comunicador. Veja, como exemplo, a notícia que acabei de receber:  "O jornalista Oswaldo Eustáquio, depois de quatro mandados de prisão exílio e tortura, reaparece com um estúdio de televisão. Já está no ar com um jornal diário. Confira aqui https://youtu.be/AbnICknLlwU ".

Fui conferir, sugiro que a Miriam Leitão  faça isto também e aprenda muito com o Oswaldo Eustáquio, pelo menos no uso das tecnologias e liberdade de expressão.

22 agosto 2019

A FRANÇA É A PÁTRIA DO ILUMINISMO, MAS QUANDO VIAJA SE ESQUECE DE LEVÁ-LO CONSIGO

        Neste texto reuni as mensagens que o General Villas Boas acaba de publicar através do seu Twitter - @Gen_VillasBoas - em 22/08/2019, às 23:00 horas e o subscrevo.

        "Com uma clareza dificilmente vista, estamos assistindo a mais um país europeu, dessa vez a França, por intermédio do seu presidente Macron, realizar ataques diretos à soberania brasileira, que inclui, objetivamente, ameaças de emprego do poder militar.

        Segundo ele o tema será discutido na próxima reunião do G7 dentro de 2 dias. A questão que se coloca é de onde viria autoridade moral daquele país que, como disse Ho Chi Minh, é a pátria do Iluminismo, mas quando viaja se esquece de levá-lo consigo.

        Trata-se da mesma França que de 1966 até 1996, a despeito dos reclamos mundiais, realizou 193 testes nucleares na Polinésia Francesa, expondo o Taiti, ilha mais povoada da região, a índices de radiação 500 vezes maiores que o máximo recomendado por agências internacionais.

        Segundo uma reportagem do UOL Notícias, datada de 11/03/2015, uma equipe de médicos franceses calculou, no ano de 2006, que os casos de câncer aumentaram nas ilhas da região por conta daqueles testes nucleares que atingiram os próprios cidadãos franceses.

        Os desabitados atóis de Mururoa e Fangataufa escondem, até hoje, 3.200 toneladas de material radioativo de diferentes tipos, produto das explosões nucleares do exército francês, o mesmo que Macron usa para nos ameaçar.

        A questão ultrapassa os limites do aceitável na dinâmica das relações internacionais. É hora do Brasil e dos brasileiros se posicionarem firmemente diante dessas ameaças, pois é o nosso futuro, como nação, que está em jogo.

        Vamos nos unir em torno daqueles que têm procurado trazer à luz a verdade sobre essas questões ambientais e indigenistas.

        Refiro-me ao Ministro Ricardo Sales, Aldo Rebelo, Evaristo de Miranda, Luiz Carlos Molion, Lourenço Carrasco, Denis Rosenfield, Professor Francisco Carlos, General Rocha Paiva, General Alberto Cardoso e o General Heleno."