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16 setembro 2018

ORDEM E PROGRESSO

Durante a campanha eleitoral/2018, ao ser divulgado o crescimento do candidato Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião, fui alertado com o texto a seguir: "Os dados estão rolando no pano verde-oliva permeando diferentes classes, raças, gêneros, gerações e culturas... ao final, quem será vencedor ou arrependido sofredor? Só o tempo dirá! Este sórdido filme já foi exibido, em tela cinemascope de 64 a 85 polegadas! A avaliação e respectivos resultados foram dilacerantes!"

Confesso que gostei do alerta. Este me forçou a recordar os meus tempos vividos no período citado, como criança, adolescente, jovem estudante universitário e início de minha carreira profissional. Da mesma forma, expressar sobre a tela subsequente: a de 1985 a 2018. Vamos lá.

Para mim, e para todos aqueles com quem convivi durante o primeiro período, a tela cinemascope de 64 a 85 polegadas foi deslumbrante e não dilacerante como mencionada no alerta. Foram tempos de ordem e de progresso.

Lembro-me bem, para começar, do ambiente alegre de minha residência, a casa de meus pais. Foram quinze anos contínuos de boa educação familiar e social que forneceram ao jovem de então as bases para enfrentar os próximos desafios da vida nos anos seguintes, em alguns momentos em cidades distintas, por opção das escolas selecionadas para minha educação formal.

Em todo aquele período, testemunhei os avanços conseguidos pelo Brasil em curto espaço de tempo. Como, por exemplo, em uma só canetada do governo, a obrigatoriedade de matrícula em escolas para crianças de 7 a 14 anos. A criação de novas vagas em todos os níveis. No ensino superior 110 mil em 1969, juntamente com o estabelecimento do credito educativo para alunos que não conseguissem matrícula em universidades públicas, mas tivessem passado em vestibulares de universidade privadas e que tinham renda inferior a 15 salários mínimos.

Nas telecomunicações, um avanço considerável. Em 1970, a copa do mundo em tempo real nas TVs das residências brasileiras, sem esquecer de que, em 1969 vi, pela TV, um ser humano, ao vivo, Neil Armstrong, pisar na Lua pela primeira vez. Nesses mesmos tempos, consegui realizar chamadas telefônicas, nacionais e internacionais, a partir da minha própria residência.

Também nesses idos, percorri, de automóvel, o trecho Rio de Janeiro-João Pessoa-Brasilia, ida e volta, alguns mil quilômetros, em boas estradas asfaltadas, inclusive cruzando a ponte Rio-Niterói, recém inaugurada.

Posteriormente, de 1977 a 1985, já exercendo atividades profissionais, também em cidades distintas, não houve mudança na minha avaliação sobre a tela cinemascope referenciada. Tínhamos notícias do Proalcool, do programa nuclear brasileiro, da construção da usina de Itaipú (a maior do mundo), dos avanços conseguidos no agronegócio a partir dos resultados da EMPBRAPA e por ai vai.

O clima vigente sempre foi de otimismo e constatação de avanços econômicos e sociais na nação brasileira, apesar das crises surgidas e vencidas em todo esse período.

Tínhamos avançado bastante e muito ainda por fazer em diversas áreas, incluindo as citadas acima, mas já éramos a 8a. economia do mundo após conquistar 41 posições nesse período. Também, não tínhamos medo de permanecer ou sair de casa a qualquer hora do dia ou da noite, e ninguém queria deixar o Brasil para morar em outro País.

Chegamos a 1985 após um processo de anistia política, e o retorno do poder a um civil de forma indireta depois da derrota da emenda das Diretas Já, no Congresso Nacional, levando a bela Christiani Torloni a cair no choro, ao vivo e a cores para todo o Brasil.

Passamos a respirar uma nova atmosfera que alimentou a formulação de uma nova Constituição. A Constituição Cidadã, como a denominou o Deputado Ulysses Guimarães.

Infelizmente, de lá para cá, com a tela cinemascope de 1985 a 2018 polegadas, hoje constato que as emergentes lideranças, de minha geração, que assumiram o poder nesse período, ficaram olhando para trás e fizeram com que perdêssemos o futuro.

Se olharmos de forma mais ampla, estamos diante de resultados de três décadas de políticas implantadas/praticadas no País, que contaram com o apoio, e/ou a liderança, e/ou a contribuição de parcela considerável da denominada elite de vários setores de nossa sociedade, intelectual e empresarial. 

Neste momento, apesar de todos os passos dados no sentido da modernização do País e temos de reconhecer que o Brasil avançou em algumas áreas, mas em outras continua o mesmo de décadas atrás.

O que, então, depois de 30 anos, essa última tela e o grupo que governou o Brasil nos mostra e nos entregou ? 

Um País atrasado, ultrapassado por vários outros. Basta compararmos, mundialmente, nossos índices de desigualdade, de renda per capta, de nível educacional, de saúde, de infraestrutura e de segurança. A criminalidade já ultrapassou a marca dos 64 mil assassinatos por ano, 60% a mais do que em 2001(40 mil). E o nosso IDH ? Em 2001 ocupávamos a vergonhosa 69a. posição, e hoje a 79a., que vexame!

A análise de tais índices demonstram que esse grupo, ao longo desses últimos anos, não observou, de forma isenta, os fatos que estavam acontecendo no mundo afora e passou a ressuscitar e apregoar conceitos ideológicos e práticas políticas vencidas, pelo menos, desde a queda do muro de Berlim. 

Os componentes desse grupo, olharam, e continuam olhando, pro passado e não para o futuro. E para dar um exemplo neste sentido, uma das sementes ultrapassadas foi plantada no sistema educacional brasileiro em todo o seu espectro: do fundamental ao superior. 

Nessa estratégia, as universidades, e as demais escolas públicas no Brasil, passaram a ser administradas, com raras exceções, com forte viés político em detrimento de suas qualidades científicas e gerenciais.

Na Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o local de ressonância dos problemas nacionais, vê-se debruçado diante de uma crise permanente. A imagem da Casa é de corrupção e de desmandos que invadem os olhares da sociedade, desmanchando a moldura de riquezas e grandezas de nosso território.

Portanto, a nossa democracia esvaziada de conteúdo social, sem igualdades de oportunidades e que não tem servido para atenuar as constrangedoras distâncias entre as classes sociais é uma caricatura de si mesma.

O resultado desse modelo é um estado desolador, de degradação de amplas dimensões, encontrado atualmente no País.

Hoje, diferentemente de 1985, temos medo de permanecer ou sair de casa a qualquer hora do dia ou da noite, e muitos de seus habitantes já saíram ou querem deixar o Brasil para morar em outro País. Saíram do Brasil para residirem em outros países mais de 70 mil brasileiros nos últimos três anos.

Assim, nesta tela de 1985-2018 polegadas, caminhamos para trás em termos de formação das novas gerações e os frutos já estão sendo colhidos. Se não consertarmos esse modelo agora, além de já termos perdido o século XXI, corremos o risco de também perdermos o próximo.

E o começo dessa mudança é uma reforma política. Uma reforma em profundidade no sistema político há de proibir, por exemplo, o troca-troca partidário, a proliferação de siglas de aluguel, as leis eleitorais casuísticas e promover a moralização das campanhas eleitorais.

TUDO ISSO COM ORDEM E PROGRESSO !






11 setembro 2018

DEZ DIAS APÓS O INÍCIO DA PROPAGANDA ELEITORAL NO RÁDIO E NA TV



Ultrapassados 10 dias do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, os índices nas pesquisas de opinião de Geraldo Alckimin não mostraram alterações significativas e, dessa forma, vai se confirmando a tendência de que o candidato não chegará ao 2o. turno das eleições em outubro próximo. Esta conclusão é derivada do que afirmou seu consultor ao Estadão, cujo conteúdo é reproduzido abaixo.

"Primeiros dez dias de TV são vitais, afirma consultor tucano.O sociólogo Antonio Lavareda é o principal consultor de pesquisas da campanha do presidenciável do PSDB. O Ipespe, instituto do qual ele é presidente do conselho científico, tem contrato com o partido na campanha. Ele disse que a propaganda na TV precisa de até 10 dias para dar resultado. “Os primeiros 10 dias de TV são vitais para mostrar os pequenos sinais de redução de uns e crescimento de outros.”

Na mesma matéria, a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari, disse que as intenções de voto do deputado Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL, estão consolidadas e que deverá ser muito difícil reverter esse cenário até o dia da eleição. “É um fenômeno. É muito difícil reverter esse voto. Não me lembro de ter visto uma pergunta espontânea que caiu ao longo da campanha. Nunca vi espontânea cair de uma pesquisa para outra, oscilar negativamente. Sempre crescente. O voto dele é firme e consistente”, afirmou.

Duas pesquisas divulgadas nesta 2a.feira 10/09/2018 reafirmam o exposto acima. O candidato #JairBolsonaro ganhou 5 pontos na pesquisa espontânea do Datafolha e na pesquisa estimulada, BTG/FSB, ele já atingiu a marca de 30%.

Ainda segundo o Datafolha, #BOLSONARO LIDERA ENTRE AS MULHERES. "Jair Bolsonaro está em primeiro lugar entre as mulheres. Ele tem 17% do eleitorado feminino e derrota Ciro Gomes, com 12%. Marina Silva, que apostou todas as fichas no voto das mulheres, despencou de 19% para apenas 12%. As pesquisas mostram que Jair Bolsonaro é muito mais rejeitado por mulheres do que por homens. Mas ele tem margem para crescer no voto feminino.

Atualização: Agora à noite, o IBOPE divulgou os resultados de uma nova pesquisa, a primeira após o atentado a Jair Bolsonaro. O desempenho dos candidatos foram os seguintes: Jair Bolsonaro: de 22 para 26%; Ciro Gomes: de 12 para 11%; Marina Silva: de 12 para 9%; Geraldo Alckmin se manteve com os mesmos 9%; Fernano Haddad: de 6 para 8%; Álvaro Dias e João Amoedo mantiveram 3% cada um; Henrique Meirelles: de 2 para 3%; Cabo Daciolo e Vera Lúcia mantiveram 1%. Brancos e Nulos: 19%. Não sabe ou não respondeu: 7%.

Atualização 2 (12/09/2018 - 15:05): A pesquisa Crusoé-Empiricus-Paraná Pesquisas confirmou a tendência das pesquisas anteriores. Bolsonaro lidera isoladamente o primeiro bloco com 26,6%. No segundo bloco, embolados, estão Ciro Gomes (11,9%), Marina Silva (10,6%), Alckimin (8,7%) e Haddad (8,35).

Atualização 3 (14/09/2018 - 11:57) Divulgada hoje pela manhã, a nova pesquisa XP/IPESPE revela que Jair Bolsonaro saltou de 23% para 26% e agora está 14 pontos à frente do segundo colocado, Ciro Gomes, que possui 12%. Ainda neste grupo, Haddad atingiu 10%, alta de 2%, Geraldo Alckmin permaneceu com 9% e Marina Silva despencou de 13%, há duas semanas, para 8% agora. A pesquisa também pontuou a rejeição aos candidatos. Bolsonaro recuou 5 pontos, de 62% para 57%. À sua frente estão os candidatos Marina Silva (64%) e Geraldo Alckmin (60%).

Atualização 4 (14/09/2018 - 2015) Pesquisa Datafolha recém divulgada confirma crescimento de Jair Bolsonaro que atinge a marca de 26%, o dobro dos segundos colocados, Ciro Gomes e Fernando Haddad, ambos com 13%. Marina Silva e Geraldo Alckmin despencaram. A primeira de 11% para 8% e o segundo de 10% para 9%. Confira o desempenho dos candidatos nos gráficos abaixo.


















05 setembro 2018

O BRASIL PRIMEIRO VAI SE ... PRA TER ALGUMA CHANCE DE SE REORGANIZAR


Desde que os portugueses puseram os seus pés aqui, fica difícil destacarmos um momento mais grave do que o atual. O que estamos vendo/convivendo no Brasil, neste momento, é muito grave. Talvez o pior de toda a sua história.

Se olharmos de forma mais ampla, estamos diante dos resultados de três décadas de políticas implantadas/praticadas no País, que contaram com o apoio, e/ou a liderança, e/ou a contribuição de parcela considerável da denominada elite de vários setores de nossa sociedade.

Os acontecimentos atuais demonstram que esse grupo perdeu a capacidade de observar os fatos de forma isenta e passou a ressuscitar e apregoar conceitos ideológicos e práticas políticas vencidas, pelo menos, desde a queda do muro de Berlim. Os componentes desse grupo, olharam, e continuam olhando, para o passado e não para o futuro.

Para ilustrar o acima exposto, vamos usar, como exemplo, a educação e a cultura, cujos fatos estiveram na mídia nos últimos dias. Na educação, os recentes dados divulgados do ensino do segundo grau são os piores da história do Brasil e sabemos que situação similar está ocorrendo no primeiro e no terceiro graus.

Se olharmos especificamente para a situação das universidades, o mote está no incêndio do Museu Nacional que é uma unidade da UFRJ.

As fotos e videos que foram divulgados, esta semana, nas redes sociais, mostram a posse do Reitor da UFRJ e palestras suas e de seus colaboradores. Tudo conta um pouco da história do Reitor e do ambiente atual vigente nas unidades de ensino brasileiras.

As universidades, e porque não dizer as demais escolas públicas no Brasil, órgãos também públicos e organizações não governamentais, passaram a ser administradas, com raras exceções, nas últimas três décadas, com forte viés político em detrimento de suas qualidades científicas e gerenciais. O resultado desse modelo é um estado desolador, de degradação de amplas dimensões, encontrado nessas unidades.

Do lado da cultura, logo após a criação do respectivo Ministério, o modelo adotado na sua gestão e dos seus órgãos vinculados tomou rumo semelhante ao exposto acima, ou seja, açodamento do viés político, péssimas administrações, benesses injustificáveis e corrupção sem freio. São essas as manchetes com as quais nos deparamos diariamente nos principais órgãos de imprensa do País.

E pra envergonhar ainda mais os CIDADÃOS BRASILEIROS, um dos responsáveis por esse quadro desolador em que se encontra o País, embora já tenha sido condenado e esteja preso, continua recebendo apoio e aplausos de pessoas com o perfil mencionado no início deste post. Nominalmente, vários componentes desse grupo compõem uma lista que circula nas redes sociais e estiveram presentes, recentemente, em um ato público ocorrido na Lapa, no Rio de Janeiro.

O que aconteceu até então? Caminhamos em todo esse período para trás em termos de formação das novas gerações. Estamos colhendo os frutos, entre eles os citados acima.

Pra terminarmos. Após conversar com um amigo diante desse contexto, concordamos com a frase que ele nos endereçou no WhatsApp, e que a copiamos literalmente agora "eu tô começando a ficar convencido de que o BRASIL primeiro vai SE ... pra ter alguma chance de se reorganizar..."

02 setembro 2018

JAIR BOLSONARO E O "AUTORITARISMO"

A campanha eleitoral no rádio e na TV teve início neste último 31 de agosto. Não foi um bom começo para uma disputa democrática. Para os candidatos que dispõem de mais tempo nesses veículos, grande parte dele foi ocupado por ataques de adversários ao candidato Jair Bolsonaro, desejando carimbá-lo com o selo de autoritarismo.

Ora, o autoritarismo que se atribui a Jair Bolsonaro, a bem da verdade, significa firmeza e empenho do candidato quando se expressa para explicitar a necessidade para impor a ordem no Brasil. Em um país com mais de 60 mil homicídios por ano, além dos vergonhosos recordes de estupros e latrocínios, é necessário um presidente que não tenha medo de fazer cumprir as leis.

Nesse sentido, é fundamental, portanto, que chegue ao Palácio um presidente enérgico para que os demais setores, inclusive o econômico, funcionem a pleno vapor para se tentar conter a crise atual e serem fixados os alicerces para a construção, em todos os sentidos, de uma nova e bem sucedida Nação.

PS.: Este post responde também, pelo menos em parte, ao artigo "Bolsonaro ameaça a democracia brasileira", escrito por Steven Levitsky, publicado na Folha de São Paulo, também em 31 de agosto último, com conteúdo bastante alinhado com as ações promovidas pelos candidatos adversários de Jair Bolsonaro.

26 agosto 2018

O PARTIDO NOVO E SUA PROPOSTA PARA A EDUCAÇÃO

Retorno ao assunto EDUCAÇÃO, após leitura de matéria no Estado de São Paulo, deste sábado (25/08). Em resumo, o artigo, já em seu tendencioso titulo afirma que as escolas militares custam três vezes mais que as demais escolas públicas. "Estudantes de colégios militares custam três vezes mais ao País / Exército gasta R$ 19 mil ao ano por aluno e rede pública, R$ 6 mil; modelo defendido por Bolsonaro é considerado de alto custo e elitista."

Entretanto, o propósito central do artigo não está em discutir o tema educação, e sim adentrar na seara política, para criticar o candidato Jair Bolsonaro que já afirmou que se for eleito multiplicará o número de colégios militares em todo o País, PARA QUE SIRVAM DE MODELO para as demais escolas públicas. Não custa lembrar que estas, nos ensinos fundamental e médio, por força legal, são de responsabilidade das prefeituras municipais e dos governos estaduais, respectivamente.

Não irei me aprofundar em detalhes, mas afirmo que, considerando os resultados da relação custo benefício em termos gerenciais e qualitativos, a proposta do #Bolsonaro sobre a implantação de colégios militares, #Brasil afora, poderá ser o início de uma revolução educacional que o País necessita para chegar bem ao século XXII - Este, o século XXI, já o perdemos.

Outro fato atual, que me espanta, é a proposta do Partido Novo de tornar a educação uma mercadoria. Tomei conhecimento, pela primeira vez, dessa proposta, em 28/jan/2018, no próprio Twitter do João Amoêdo, o cacique do partido, fato que me levou a escrever um post acessível neste link .


Em outro post, mostro os resultados da educação no Brasil, piorada a partir do governo FHC que trocou qualidade por quantidade, numa jogada com empresas privadas, todas elas na busca do dinheiro público fácil sem a contrapartida de qualidade devida. Os números obtidos falam por si só sobre o quesito qualidade. Só no ensino superior temos hoje 2.391 instituições, sendo 301 públicas e 2.090 privadas. Consulte-o aqui

Por fim, acrescento abaixo uma imagem que ajudará o leitor a pensar um pouco mais sobre a proposta do Partido Novo para a educação.





26 junho 2018

NÃO TEMOS ESTADISTAS PARA NELES VOTARMOS

As consequências da não renovação da vida partidária do País e de seu sistema político se tornou mais visível durante a realização do segundo turno da eleição para governador em Tocantins.

A ele não compareceram 52% dos eleitores, repetindo o resultado do primeiro turno quando 43,5% se negaram a escolher um candidato.

Um dos motivos dessa ausência foi a presença, como candidatos, de velhas figuras carimbadas da política. O eleitor cansou de ser obrigado a votar em candidatos impostos por siglas políticas de um sistema há muito tempo ultrapassado.

O nível de confiança do eleitor nos partidos políticos caiu para um dos menores da história, segundo a última pesquisa do INCT/IDDC, realizada entre 15-23 de março deste ano, em 26 estados do País, onde oito em cada dez brasileiros afirmam não ter nenhuma confiança nessas instituições. Os principais motivos citados são a existência de corrupção nos partidos e a falta de capacidade de representar os interesses dos eleitores.

Para piorar, caem em escala global os índices de apoio à democracia. Na pesquisa Latinobarômetro de 2010, em 18 países, 61% dos latino-americanos disseram acreditar que a democracia é a melhor forma de governo existente. Em outubro de 2017, esse número caiu para 53%. México, com 38%, e Brasil com 43%, apresentaram os menores percentuais de apoio à democracia.

Estamos bem próximos das eleições, e bem ao contrário do desejado pelos eleitores, o que se constata diariamente, até o presente, entre os já anunciados candidatos em todos os estados da federação, é que as mazelas como demagogia, corrupção, fisiologismo, patrimonialismo permanecem presentes.

As velhas figuras carimbadas continuam dominando o processo político-eleitoral. Nesse espectro encontramos velhas caras manjadas tanto pelo cidadão quanto pela justiça, herdeiros dessa gente por descendência de sanguinidade, além de prepostos fantoches.

Não temos estadistas para neles votarmos.

O grande desafio para o Brasil está posto. Ou abandonamos a velha política, ou as mazelas que atormentam a vida do cidadão e o nosso subdesenvolvimento continuarão existindo.

Soluções existem. Entre elas, o fim do voto obrigatório. Tal anacronismo está presente em apenas 10% das nações, a maioria na América Latina. O voto facultativo é adotado praticamente em 100% dos países democráticos. No Brasil, em pesquisa realizada em junho de 2015, 66% dos eleitores reprovam que o voto seja obrigatório. O voto facultativo amplia o diálogo entre eleitor e candidato pois este tem que convencer aquele a ir votar.

Na mesma direção, a recente pesquisa realizada pela Pew Research Center em 38 países, nos mostra que o apoio à democracia sobe quando ela é associada a medidas que ampliam a possibilidade de participação cidadã no processo político, como o direito de a população ser ouvida em plebiscito sobre as principais questões que lhe afetam e com uma maior transparência das ações dos governantes.

03 junho 2018

PETROBRAS: EXCELÊNCIA CORPORATIVA SACRIFICADA

A semana que se encerrou deixou registros nos livros que dizem respeito à governança de nosso País. Todos eles, incluindo as soluções apresentadas para os problemas surgidos, não merecem aplausos da população. Estamos nos referindo a paralisação dos caminhoneiros e a mudança de comando da Petrobras.

Ambos extremamente interligados e decorrentes dos últimos governos que ocuparam o Palácio do Planalto. A politicagem falou mais alto do que uma boa gestão. 

Em sua coluna na Folha, de 30/03/2014, Jânio de Freitas advertia: "Não levar a sério a Petrobras, e tudo que lhe diga respeito, é ser irresponsável com o país. O que adverte para a utilização política que dela façam os oposicionistas". E governistas acrescento eu. 

Para corroborar isso, na mesma edição, Elio Gaspari alertou "Se o governo quer evitar surpresas, deve dar uma olhada nos negócios que copatrocina juntando grandes empreiteiras, bancos oficiais e cleptocratas africanos. Nunca é demais lembrar que Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, é a mulher mais rica d'Africa, com uma poupança estimada em US$ 4,1 bilhões".

Em setembro de 2015, a presidente Dilma viajou aos EUA. O que a presidente tinha para dizer sobre a Petrobras? Considerando os dados de seu último balanço à época, o endividamento da empresa atingia um valor próximo dos R$ 500 bi no final do 3o. trimestre, ou seja, um adicional de R$100 bi em relação ao trimestre anterior. Para completar, em 5 anos, a empresa tinha perdido 69% de seu valor. 

Em maio de 2018, um dia antes da crise atual, bem diferente dos resultados acima, após uma gestão, sem interferência política,  nos últimos 2 anos, a Petrobras voltou a ser a maior empresa brasileira em valor, depois que o preço de sua ação saltou de R$ 8,04, em 31/05/2016 para R$ 27,39.

Entretanto, nenhum dos governos, nem o da Dilma e nem o do Temer, prestou a devida atenção aos alertas dos colunistas. Deu no que deu. O País viveu em caos durante mais de uma semana e passará a conviver com suas sequelas, a partir da semana que ora se inicia. 

Preferiu-se sacrificar a excelência corporativa praticada na Petrobras nos dois últimos anos de uma gestão sem politicagem, e que a tirou do fundo poço, para aliviar a pressão do povo sobre os ocupantes do Palácio do Planalto, o que nos faz lembrar de um possível regime parlamentarista que já deveria estar em pleno funcionamento como sistema político do Brasil.

Para o País e para a sua população, sobrou um mundo de incertezas, ainda mais quando acrescido dos resultados absolutamente imprevisíveis das próximas eleições.

26 maio 2018

A PONTE DO MDB RUIU

Na contramão do que afirmam seus líderes, a "Ponte para o Futuro", denominação dada ao documento produzido pelo MDB (antigo PMDB) para chegar ao poder, não obteve os resultados esperados e tudo piorou a partir do momento em que se ouviu do presidente da República, nos subterrâneos do Palácio Jaburu, a famosa frase "Tem que manter isso ai, viu".

Pois bem. Mais do que levar o País para o futuro, a Ponte tem levado o Brasil para o abismo envolto num mar de corrupção, desmentindo os discursos proferidos durante as comemorações do aniversário de dois anos de ocupação do Palácio do Planalto.

Mas o que esperar dessas lideranças que estão ocupando (ou ocuparam) postos e cargos públicos e que, em sua maioria, são citadas, investigadas, denunciadas e, algumas delas, já até presas por corrupção ?

Na política não acontecem milagres. É 100% verdade que nela não encontraremos nenhum santo. O DNA dos políticos do partido, e de outros também, é o de lutarem por cargos em ministérios e secretarias não porque tenham conhecimento da área, mas porque os órgãos têm verbas, principalmente aquelas destinadas à obras que não acabam nunca, ricas em renovação de contratos e em superfaturamentos.

Esse recado é passado quotidianamente pelas pesquisas de opinião e que também já decretaram que Temer é um ex-presidente da República no exercício da Presidência, enfraquecido por denúncias de corrupção, redução do apoio político no Congresso e fraco comando administrativo do governo. A ministros mais íntimos, Temer admite que o governo vive momento dramático.

Para os cidadãos brasileiros, o mais sensato, neste momento, seria o MDB pedir desculpas à Nação pelo legado deixado em seus mais de trinta anos no poder.

Jamais o partido poderá apagar um rastro rico em acrobacias econômicas e negociatas, incluindo-se aí os acertos, ainda em 2002, para a eleição do ex-presidente Lula e sua participação nos governos do PT.

(i) Galhofa no velório. Temer, chefe de um governo morto e insepulto, adotou a galhofa como tom em mais um velório: em pronunciamento pela TV à Nação.

(ii) Maia critica uso das Forças Armadas: "Resposta de governo fraco".


(iii) Governadores criticam gestão Temer contra ato de caminhoneiros


(iv) A ministros, Temer admite que o governo vive momento dramático




(Autor desconhecido)

Atualizado em 28/05/2018, às 20:39 horas.


04 maio 2018

NÃO À VELHA POLÍTICA: RENOVAÇÃO JÁ !

"Uma sociedade não funciona bem e uma democracia se torna disfuncional quando cidadãos sentem que o sistema é viciado e que alguns poucos têm acesso a privilégios." Passados mais de 30 anos de sua redemocratização, o Brasil é o exemplo perfeito dessa afirmação, sob qualquer ângulo que se queira observar: da política, da educação, da saúde, da segurança, da mobilidade, etc.

A disfuncionalidade registrada no nosso sistema político, é oriunda do domínio de ferro das oligarquias que se faz presente desde a Primeira República. Mudam os nomes, mas não mudam nem a lógica, nem a prática. Nos tempos mais recentes, é exercida pelos partidos da chamada velha política, onde o presidencialismo de cooptação e o capitalismo de compadrio deitam e rolam, nadam de braçada.

Como resultado, reina no País uma enorme desigualdade entre os seus habitantes, que atingiram níveis inaceitáveis, são uma ameaça concreta à democracia e a convivência civilizada. E, com esse sistema, no qual menos de 1% da população controla o País, a Nação não terá nem estabilidade política e nem crescimento econômico duradouro.


Não há soluções fáceis, mas uma delas está na necessidade de que os políticos velhos abram espaço para a participação de novos partidos e de novos nomes no debate público.


As eleições de 2018 estão se aproximando. De forma pragmática, parece não haver nenhuma dúvida de que a velha política, minada pela corrupção, insensível às necessidades e demandas das pessoas comuns, continuará dominando e sendo dominada pelo poder econômico e os eleitores permanecendo em segundo plano.


Portanto, entre as opções disponíveis, não será surpresa se o número de votos nulos, brancos, como também o de eleitores ausentes, nas próximas eleições, seja elevado, conforme vão demonstrando as pesquisas de opinião. Tais números, por si só, já representam uma rejeição à velha política.


Uma outra opção, é o eleitor não votar nem em candidatos e nem em partidos da velha política, 
na busca pela (re)construção de confiança entre o eleitor e um novo poder, rejeitando aqueles que estiveram no poder nos últimos trinta anos.

RENOVAÇÃO JÁ !