
Primeiro, Corina precisava sair do subúrbio de Caracas, onde estava escondida há um ano, e chegar a uma vila de pescadores no litoral, onde um pequeno barco a aguardava.
Ao longo de 10 horas angustiantes, Corina, usando peruca, e duas pessoas que a ajudavam a escapar passaram por 10 postos de controle militar, evitando a captura em todas as ocasiões, até que ela finalmente chegou à costa por volta da meia-noite.
Ela descansou por algumas horas antes da próxima etapa de sua jornada: uma perigosa travessia pelo Mar do Caribe até Curaçao. Ela e seus dois companheiros partiram em um típico barco de pesca de madeira às 5h da manhã, com ventos fortes e mar agitado dificultando a viagem.
A fuga que vinha sendo planejada há dois meses foi executada por uma rede venezuelana que já ajudou outras pessoas a fugirem do país. O grupo fez contato importante com as forças armadas dos EUA antes de partirem para o mar, alertando as tropas americanas na região sobre a presença dos ocupantes da embarcação para evitarem o tipo de ataque aéreo que atingiu mais de 20 embarcações semelhantes nos últimos três meses, matando mais de 80 pessoas.
O governo Trump estava ciente da operação, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, mas a extensão de seu envolvimento não estava clara.
Quase ao mesmo tempo da travessia, dois caças F-18 da Marinha dos EUA sobrevoaram o Golfo da Venezuela e passaram cerca de 40 minutos voando em círculos fechados perto da rota que ligaria a costa a Curaçao, de acordo com dados de rastreamento de voos. Foi a incursão aérea mais próxima dos EUA no espaço aéreo venezuelano desde o início do aumento da presença militar americana em setembro.
Corina chegou a Curaçao por volta das 15h de terça-feira. Ela foi recebida por um contratado privado especializado em extradições, fornecido pelo governo Trump. Exausta pela longa viagem, Corina se hospedou em um hotel e passou a noite lá.
Com o nascer do sol em Curaçao e enquanto os convidados começavam a se reunir em Oslo, um jato executivo fornecido por um associado de Miami decolou da ilha rumo à capital norueguesa, após uma escala em Bangor, Maine. Antes de embarcar, Corina gravou uma breve mensagem de áudio agradecendo a “tantas pessoas que arriscaram suas vidas” para que ela pudesse deixar a Venezuela.
Sua fuga foi mantida em segredo absoluto, a ponto de o Instituto Nobel ter informado à imprensa norueguesa que não sabia onde ela estava quando a cerimônia de premiação em Oslo começou. Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê norueguês do Nobel, disse na cerimônia de premiação que ela havia passado por “uma jornada em uma situação de extremo perigo”.
A filha de Corina recebeu o prêmio em seu nome. Após chegar a Oslo, Corina ficou na sacada do Grand Hotel, no centro da cidade, e acenou para os apoiadores. Eles gritaram “valiente” — palavra espanhola para corajosa — e cantaram o hino nacional venezuelano.

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