Lula convencido de que dispensa roteiro chegará ao último confronto sem ouvir quem o prepara. Na terça-feira, chegou a condicionar sua presença no debate da Globo à quebra dos sigilos de Flávio, e o PT precisou corrigi-lo horas depois, confirmando a participação.

Do lado de Flávio, a orientação é dedicar mais tempo à economia, segurança pública e temas sociais, além de responder diretamente às perguntas de Lula. Trata-se de uma correção estratégica típica de campanhas competitivas: manter a contundência política, mas transmitir imagem mais presidencial e preparada para governar.
Outro aspecto relevante é que a campanha pretende preservar elementos que considera bem-sucedidos no primeiro debate, inclusive a movimentação pelo estúdio e a pressão constante sobre Lula.
A conclusão é objetiva. A campanha de Flávio percebeu que a eleição não será decidida pelos eleitores mais engajados, mas por quem ainda está em dúvida. Flávio poderá ampliar seu alcance eleitoral justamente no segmento que decidirá o resultado da disputa.
Na Band, a presença de Deltan Dallagnol com a camiseta “eu prendi o Lula”, ao lado de Sergio Moro, Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, não foi acaso. Foi mensagem direta: a agenda da corrupção, da impunidade e da responsabilização permanece viva no centro do embate eleitoral.
Não é revanchismo; é memória institucional diante de um candidato cuja trajetória política foi permanentemente marcada por escândalos, condenações anuladas por decisões judiciais e suspeitas que o eleitor não tem obrigação de esquecer.
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