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31 dezembro 2024

Lula atrasa a "COLHEITA"

        Em entrevista de 15 de dezembro depois de ter alta hospitalar ao programa “Fantástico”, da TV Globo, Lula  disse que 2025 será “o ano da colheita” –embora tenha começado 2024 dizendo que este seria o ano em que a população veria os resultados de seu governo.

         O ano de 2023 foi de arar a terra, jogar adubo, jogar semente, cobrir a semente, e 2024 será o ano da colheita daquilo que a gente plantou em 2023”, disse em entrevista à rádio Metrópole, em 23 de janeiro. 

        Conforme levantamento do Poder360 baseado nos discursos oficiais e entrevistas exclusivas, o chefe do Executivo repetiu ao menos 21 vezes que os 12 meses deste ano seriam voltados à “colheita”. 


        O que de fato Lula entregou: Dados usados pelos economistas, mas que passam distante do cidadão comum, dá a dimensão do desmoronamento econômico nos dois anos do governo Lula. É a combinação perversa da inflação alta com o dólar em disparada. 

        Pelos cálculos da agencias econômicas, a renda per capita do brasileiro retrocederá. Na ponta do lápis, ao longo do governo Lula, cada brasileiro já ficou mais pobre — desde que ele assumiu. Esse recuo é um dos maiores entre os países emergentes para o mesmo período. 


Aumenta a insatisfação da turma que fez o L

        Em 2 anos de governo,  Lula não aumentou seu eleitorado. Ao contrário, desde 2023, viu sua desaprovação entre quem o elegeu subir 8 pontos percentuais.

        Pesquisa PoderData realizada de 14 a 16 de dezembro mostrou que 18% dos eleitores que dizem ter votado no presidente no 2º turno das eleições de 2022 agora rejeitam a administração do petista. 

        Ele recebeu 60.345.999 votos no 2º turno de 2022 contra 58.206.354 de Jair Bolsonaro. Isso significa que os percentuais de insatisfeitos equivalem a algo perto de 10,86 milhões de eleitores. O número é 5 vezes maior que os 2,14 milhões de votos que decidiram a eleição em favor do petista.



30 dezembro 2024

Ensinamentos de Aristóteles são atualmente obrigatórios aos homens de Estado do Brasil


        

        A política de Aristóteles trata do Estado em geral e das Constituições. A política que traça o ideal e as regras relativas à comunidade humana, é também estreitamente ligada à moral.

        Como se forma a sociedade política? De acordo com Aristóteles isto ocorre segundo a ordem temporal: a primeira sociedade a se formar é a família. Em seguida, dá-se a união de diversas famílias. Vem então a cidade e o Estado, a mais elevada das sociedades.

        Esta é a ordem cronológica mas, do ponto de vista da natureza e da verdade, o Estado situa-se antes dos indivíduos, da família e da cidade, como o todo se situa antes das partes, estas têm naquele sua causa final e sua mais elevada realização.

        Segundo Aristóteles, a finalidade do Estado é a mais elevada que se possa conceber, uma vez que o Estado é a mais perfeita expressão da tendência social. Essa finalidade não pode ser a simples satisfação de necessidades físicas, nem a aquisição de riqueza, nem o comércio, nem mesmo a proteção dos cidadãos pelas leis. Essa finalidade deve ser a felicidade dos cidadãos.

        Cabe ao Estado zelar para que os cidadãos possuam, em primeiro lugar, os bens interiores, ou virtude, e depois os bens exteriores. O Estado deve regulamentar a propriedade e a família, e não eliminá-las. O pior dos Estados é aquele que permite que cada um viva como lhe aprouver.

        A virtude do Estado é a justiça, ou seja, a ordem em virtude da qual cada um ocupa, dentro do Estado, o lugar e a posição que lhe convém, cada um é investido da função que é capaz e digno de preencher.

        Nesse sentido, Aristóteles nos ensina que a máxima sobre a qual devem se regular as Constituições é que a consumação da finalidade do Estado pressupõe as leis e o magistrado. O verdadeiro soberano, o único, é a razão, a ordem. Esse soberano é invisível. A razão deve portanto, na prática, ser representada pelas leis.

        Mas as leis são necessariamente constituídas de enunciados e por mais inclusiva que seja, ela necessariamente deixará escapar dentre eles (enunciados) uma infinidade de casos particulares. Daí a necessidade do magistrado. Ele é soberano apenas onde a lei não pode decidir, diante da impossibilidade existente de se especificar todos os detalhes em regulamentos gerais (legislação), afirma Aristóteles.

        Pode se ver, portanto, que a política de Aristóteles, ainda hoje, pode fornecer ensinamentos aos homens de Estado, e, no momento atual, especialmente e obrigatoriamente aos do Brasil.

        Feliz Ano Novo.


29 dezembro 2024

Rupturas profundas e generalizadas na sociedade

2024 está se encerrando como um dos anos de maior ruptura generalizada na sociedade. Ela se fez presente em praticamente todos os continentes, com predominância nos regimes ditatoriais ou "democráticos" de esquerda e/ou que adotam a pauta wokevista como uma ameaça aos valores tradicionais, e associada à censura e ao controle social. Mesmo em países com controle severo dos meios de comunicação, muitos desses fatos foram revelados.



Dentre as reportagens divulgadas em 2024, destacam-se aquelas que explicitaram ataques violentos na China nos últimos meses perfurando o verniz de estabilidade de uma sociedade rigidamente controlada. Vejamos alguns desses casos. 

  • No final de setembro, um homem de 37 anos matou três pessoas e feriu outras 15 em uma onda de esfaqueamentos em um supermercado de Xangai. 
  • Em outubro, um homem de 50 anos feriu cinco pessoas em um ataque com faca em Pequim. Em 11 de novembro, um homem de 62 anos dirigiu em direção a uma multidão na cidade de Zhuhai, no sul, e matou 35 pessoas e feriu outras 43 no que é considerado um dos atos de violência criminosa mais mortais da China em décadas. 
  • Nos dias que se seguiram, um esfaqueamento em massa por um estudante de 21 anos matou oito e feriu 17 em uma escola profissional em Wuxi, perto de Xangai, e 
  • um ataque de carro que deixou várias crianças em idade escolar e pais feridos do lado de fora de uma escola primária na província de Hunan. 
  • Houve pelo menos 20 ataques desse tipo na China este ano, com um número de mortos de mais de 90 pessoas. 

Autoridades do governo chamaram esses incidentes de "isolados" e ofereceram explicações enfatizando motivações individuais: o motorista do ataque de carro em Zhuhai estava insatisfeito com seu acordo de divórcio, por exemplo; o agressor de Wuxi foi reprovado nos exames. 

Porém, em conjunto, os ataques revelam rupturas profundas e generalizadas na sociedade chinesa alimentadas pela estagnação econômica, desigualdade sistêmica e imobilidade e exclusão social. Como resultado, esses incidentes passaram a ser conhecidos como "ataques de vingança contra a sociedade".

Um estudo comparativo publicado no Journal of Threat Assessment and Management, em 2022, revelou que a China foi responsável por 45% dos esfaqueamentos em massa relatados em todo o mundo entre 2004 e 2017. Sua participação pode ser atribuída não apenas à ampla disponibilidade de facas e controle rigoroso de armas, mas também a tensões sociopolíticas, incluindo estresse financeiro severo. 

Atos violentos na China geralmente têm como alvo vítimas aleatórias em espaços públicos e às vezes são performáticos; em outras palavras, o ponto não é atingir um objetivo específico, mas sim chamar a atenção da sociedade. Embora o extenso aparato de censura do Estado efetivamente sufoque o discurso público estendido sobre ataques em massa, a organização sem fins lucrativos China Digital Times, sediada na Califórnia, documentou surtos de atividades online após tais incidentes — indicando intenso interesse público — antes que as postagens fossem apagadas pelos censores.

Os controles rígidos do Partido Comunista Chinês - PCCh apenas agravaram o problema. A violência sustenta a ordem social da China, e a vingança contra os ataques à sociedade deve ser entendida em parte como uma resposta à violência estrutural perpetrada pelo próprio Estado, incluindo o silenciamento da dissidência e outras estratégias de controle, como a política do filho único

Os ataques públicos são frequentemente reações à repressão. A ironia é que o governo geralmente responde a eles com ainda mais repressão. Após o ataque em Zhuhai, por exemplo, as autoridades locais rapidamente impuseram uma proibição de denúncias, proibiram o luto em público e "higienizaram" o site. E o Estado mobilizou suas capacidades legais e de vigilância em uma aplicação de cima para baixo da estabilidade de curto prazo, uma marca registrada da gestão de crise do PCCh.

Tais respostas vêm às custas de medidas que abordariam os problemas subjacentes que incitam a vingança contra os ataques da sociedade. Se o PCCh se apegar a um estilo de governança centralizado e autoritário, as fraturas sociais estão fadadas a se intensificar. "Sem reformas sistêmicas para lidar com essas questões, a China corre o risco de fomentar um ciclo de frustração e inquietação que pode cada vez mais explodir em violência e até mesmo ameaçar a estabilidade de longo prazo do país", afirma a reportagem do jornal citado anteriormente.

Respondendo a ataques violentos ou expressões em massa de descontentamento, o Partido, em uma sede de controle, historicamente confiou em algumas estratégias principais que provavelmente só se intensificarão. Entre as mais centrais estão a vigilância, o policiamento aprimorados, e a cultura do cancelamento, que se propagam pelo mundo inclusive aqui no Brasil.

A já extensa infraestrutura de vigilância da China — reconhecimento facial avançado, pontuação de crédito social, monitoramento orientado por IA — está se expandindo ainda mais. Novas tecnologias, como o sistema Crowd Emotion Detection and Early Warning Device, que as autoridades afirmam poder analisar o comportamento e as emoções de grandes grupos de pessoas, podem ser usado para ajudar a detectar distúrbios, destacando os esforços do Estado não apenas para responder aos ataques, mas para evitá-los completamente. 

Medidas adicionais, como maior presença policial perto de escolas e em espaços públicos e monitoramento intensificado durante períodos politicamente sensíveis, evocam os modelos de segurança em regiões como Xinjiang, onde o governo chinês reprime sistematicamente os uigures e outras minorias muçulmanas há anos no que se tornou um estado policial provincial de fato.

Como o sociólogo Xueguang Zhou observou, a abordagem do PCCh não depende apenas da mobilização, mas também da propaganda, que se encaixa na censura do partido e na gestão narrativa. A rápida exclusão de comentários críticos nas mídias sociais e a supressão do discurso público garantem que os ataques em massa sejam enquadrados como incidentes isolados, em vez de sintomas de falhas sistêmicas mais profundas. 

Ao controlar a narrativa, o PCCh busca evitar a indignação pública e incidentes de imitação, mantendo sua imagem de autoridade. Mas essas medidas pesadas, por sua vez, perpetuam sentimentos de alienação e agitação entre o povo chinês, aumentando o risco de mais ataques.

Wu Si, o ex-editor-chefe do periódico de história Yanhuang Chunqiu, disse que "regras ocultas" governam a sociedade chinesa — sistemas informais que "não são éticos nem inteiramente legais", mas sustentam a estrutura social. 

Mas a frequência crescente de vingança contra ataques à sociedade sugere que a indiferença do Partido a certos direitos e sua repressão à dissidência podem estar tendo um efeito não intencional: o aumento da violência que pode parecer apolítica à primeira vista, mas constitui uma rejeição desesperada do status quo político. E se o Partido não conseguir expandir as oportunidades econômicas e reduzir as desigualdades e injustiças estruturais, ele pode acabar se deparando com desafios maiores do que a vingança contra ataques à sociedade.

Da mesma forma, tais desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos. Esses protestos destacam o crescente descontentamento entre diversos grupos e, para muitos, representam um protesto contra décadas de repressão.

28 dezembro 2024

Transparência dos governos capitalistas

Giorgia Meloni
Primeira-ministra da Itália
O Parlamento italiano aprovou a lei orçamentária para 2025, a terceira desde que o governo Giorgia Meloni (de direita) tomou posse.

Nele se constata um grande ato de equilíbrio, que apoia rendimentos médio-baixos, ajuda famílias com crianças, atribui recursos recordes para cuidados de saúde, reduz a carga fiscal e dá uma ajuda a quem produz e cria emprego e bem-estar. Sob o ângulo econômico/empresarial enxerga-se medidas estruturais, a começar pela redução da carga fiscal e apoio as empresas que investem e reforçam a sua solidez e competitividade. Infelizmente, aqui no Brasil essa transparência não existe e tanto a Lei de Diretrizes Orçamentárias quanto o próprio orçamento são caixas pretas e aprovadas a toque de caixa no apagar das luzes do funcionamento do Congresso Nacional. Mais uma lição a ser aprendida igualmente com aquelas que estão sendo emanadas pelo atual governo argentino. Em comum entre os dois governos: todos são capitalistas e condenam firmemente o comunismo e suas respectivas ditaduras.

One Child Nation - o legado da violência estatal

A política do filho único da China, aplicada de 1978 a 2015, interrompeu a dinâmica familiar e se baseou em métodos coercitivos e intrusivos, incluindo esterilizações e abortos forçados.

Esse é mais um tema que está relacionado, sendo discutido e estudado no âmbito do que se passou a denominar de "rupturas profundas e generalizadas na sociedade".

Embora a política tenha alcançado o objetivo de desacelerar o crescimento populacional, uma das ameaças mais significativas à economia da China hoje é o profundo desequilíbrio demográfico que resultou em um vasto número de aposentados idosos dependentes do estado ou de seus filhos para apoio e menos pessoas em idade produtiva. 

O Estado desconsiderou amplamente os custos humanos de longo prazo da política, incluindo desigualdade sustentada, desconfiança aprofundada no governo e a desestabilização da coesão social e da ordem política. De fato, mesmo depois que o governo suspendeu a política do filho único, a taxa de natalidade continuou seu rápido declínio, caindo pela metade entre 2016 (18,83 milhões de nascimentos) e 2023 (9,02 milhões). Isso se deveu em parte aos efeitos socioeconômicos duradouros da política.

Entre outras coisas, ela normalizou famílias pequenas e incutiu a crença de que ter muitos filhos poderia prejudicar as finanças e carreiras de um casal.

Uma das consequências mais devastadoras dessa política é a situação dos pais shidu, que sofreram a morte prematura do único filho que lhes foi atribuído pelo antigo sistema e não conseguem conceber outro. 

A cada ano mais de 76.000 pais se juntam a esse grupo, que enfrenta formas particularmente agudas de marginalização. Na cultura tradicional chinesa, os filhos oferecem realização emocional e segurança econômica para os pais idosos; eles também conferem valor social, cuja ausência pode levar ao ostracismo. 

Esses problemas são agravados pelo apoio estatal inadequado; pais idosos que perderam um filho único são elegíveis para um pagamento estatal único de cerca de US$ 4.600, uma fração do apoio financeiro que a maioria dos pais esperaria receber de seus filhos. Os pais shidu incorporam as consequências mais amplas da governança autoritária, que, ao priorizar o controle sobre o bem-estar, promove uma negligência sistêmica que aumenta as queixas sociais e pode, em última análise, contribuir para o fenômeno da vingança contra a sociedade.

O documentário “One Child Nation”, produzido pela Amazon Prime Video, explora as consequências nefastas da medida, que vão muito além da (já absurda) interferência estatal na vida privada das famílias. A política resultou em intimidação, esterilizações forçadas, abortos nas últimas semanas de gravidez, abandono de recém-nascidos, infanticídios e tráfico humano.  👈👈👈 Comentários sobre o filme neste link.

Desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos: os pais shidu, por exemplo, protestam anualmente em frente à sede da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar em Pequim para exigir que o estado cumpra suas promessas de cuidado e apoio; em 2022, as pessoas organizaram boicotes em massa de pagamentos de hipotecas para protestar contra uma crise imobiliária e manifestações de "papel branco" contra as medidas rígidas impostas pela política "zero COVID" da China. 

Respondendo a ataques violentos ou expressões em massa de descontentamento, o Partido, em uma sede de controle, historicamente confiou em algumas estratégias principais que provavelmente só se intensificarão. Entre as mais centrais estão a vigilância e o policiamento aprimorados

A já extensa infraestrutura de vigilância da China — reconhecimento facial avançado, pontuação de crédito social, monitoramento orientado por IA — está se expandindo ainda mais. Novas tecnologias, como o sistema Crowd Emotion Detection and Early Warning Device, que as autoridades afirmam poder analisar o comportamento e as emoções de grandes grupos de pessoas, podem ser usados para ajudar a detectar distúrbios, destacando os esforços do estado não apenas para responder aos ataques, mas para evitá-los completamente. 

Medidas adicionais, como maior presença policial perto de escolas e em espaços públicos e monitoramento intensificado durante períodos politicamente sensíveis, evocam os modelos de segurança em regiões como Xinjiang, onde o governo chinês reprime sistematicamente os uigures e outras minorias muçulmanas há anos no que se tornou um estado policial provincial de fato.

Como o sociólogo Xueguang Zhou observou, a abordagem do PCCh não depende apenas da mobilização, mas também da propaganda, que se encaixa na censura do partido e na gestão narrativa. A rápida exclusão de comentários críticos nas mídias sociais e a supressão do discurso público garantem que os ataques em massa sejam enquadrados como incidentes isolados, em vez de sintomas de falhas sistêmicas mais profundas. 

Ao controlar a narrativa, o PCCh busca evitar a indignação pública e incidentes de imitação, mantendo sua imagem de autoridade. Mas essas medidas pesadas, por sua vez, perpetuam sentimentos de alienação e agitação entre o povo chinês, aumentando o risco de mais ataques.

Wu Si, o ex-editor-chefe do periódico de história Yanhuang Chunqiu, disse que "regras ocultas" governam a sociedade chinesa — sistemas informais que "não são éticos nem inteiramente legais", mas sustentam a estrutura social. 

Mas a frequência crescente de vingança contra ataques à sociedade (próximo artigo) sugere que a indiferença do Partido a certos direitos e sua repressão à dissidência podem estar tendo um efeito não intencional: o aumento da violência que pode parecer apolítica à primeira vista, mas constitui uma rejeição desesperada do status quo político. E se o Partido não conseguir expandir as oportunidades econômicas e reduzir as desigualdades e injustiças estruturais, ele pode acabar se deparando com desafios maiores do que a vingança contra ataques à sociedade.

Como ja se disse no artigo anterior, a China está passando neste momento pela mudança mais profunda desde os anos de Mao.

27 dezembro 2024

Ano se encerra com a saída de investidores da B3

Em março deste ano, 24/03/2024, a notícia de capa do Estadão citou um evento econômico e não deixou de ser também política, porque isso ocorreu em decorrência da interferência de Lula e do governo do PT na gestão de empresas listadas em bolsa como a Petrobras, que recentemente teve perdas de mais de dezenas de bilhões de reais em valor acionário quando Lula passou por cima da gestão do seu próprio indicado para gerir a empresa. Isso é péssimo para o País pois significa menos dinheiro para financiar empresas e empreendimentos econômicos, o que vai gerar perda de empregos e encarecimento do crédito em toda a economia do país. Mercado fraco, país pobre é a regra básica que desconhecem.

Final do ano

De março para cá a situação piorou e esse valor até setembro já tinha alcançado R$ 28,6 bilhões, faltando ainda ser contabilizado o último trimestre do ano, sendo que a saída em outubro foi de R$ 3,05 bi e, aproximadamente, o mesmo valor se repetiu em novembro com R$ 3 bi.

Dólar

Os patamares recordes alcançados pelo dólar em dezembro, chegando a valer mais de R$ 6,30, trouxeram um clima amargo para o fechamento da primeira metade do governo de Lula, muito se assemelhando ao governo Dilma.

Inflação e juros

No momento o Banco Central está elevando fortemente a taxa básica de juros (Selic), para trazer a inflação, hoje acumulada em 4,87%, para dentro da meta — atualmente em 3% ao ano, com intervalo de tolerância até 4,5%.

A Selic chegou a 12,25% no início de dezembro, e deve chegar até 14,25% em março, segundo sinalização do Banco Central.

Deficit das estatais

O deficit de R$ 7,4 bilhões representa uma alta de 258,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve saldo negativo de R$ 2,06 bilhões. Os dados consideram todas as receitas e despesas das empresas públicas, mas não contabilizam o lucro líquido da estatal.



A receita do sucesso está logo ao lado







Metástases do tumor autoritário

Chegamos ao final do ano e não se precisa escrever algo novo sobre o momento atual do Brasil. Basta se recorrer ao que foi publicado no início do ano, mais precisamente em 24/03/2024, um domingo, em que o Editorial do Estadão recebeu o título de "Metástases do tumor autoritário", no qual criticou a atuação dos ministros do STF e chamou a atenção para o abuso de autoridade da PF a mando do ministro Alexandre de Moraes.

O Estadão lembrou que o Congresso aprovou a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito para "extirpar o risco (de 'ataques a democracia') pela raiz e garantir que todo presidente governará sob leis iguais para todos". O jornal, porém, chamou a atenção para o fato de que as instituições, notadamente o STF, não cumpre a lei; isso porque "atropela o devido processo legal", como evidenciado no caso dos presos de 8 de janeiro pelos supostos "ataques à democracia".

O jornal comentou ainda sobre a atuação do STF na Operação Lava Jato, alvo de reveses impostos pelo judiciário. De acordo com o editorial, "é o Supremos que parece se atribuir a condição de juízo universal da defesa da democracia". Também foi criticada a condução dos inquéritos "secretos, elásticos para apurar fake news".

Por fim, o editorial reafirmou que o ministro Alexandre de Moraes "forja tipos penais", o que configura flagrante desrespeito ao Estado de Direito.

Como se sabe, metástase é o processo pelo qual as células cancerosas se desprendem do tumor original, entram na circulação sanguínea ou linfática e se espalham para outras partes do corpo, formando novos tumores.

Mutatis mutandis, não há nenhuma dúvida de que, por todo o ano, as células do tumor judiciário brasileiro se expandiram acentuadamente, destruindo os instrumentos jurídicos do País, a partir de sua própria Constituição.

Portanto, após decorridos nove meses do referido Editorial, temos a obrigação de cumprimentar o Estadão pelo adequado título dado a matéria.

26 dezembro 2024

Danos em cabos elétricos e de dados danificados no Mar Báltico


Nesta manhã a Comissão Europeia e do Alto Representante emitiram uma Declaração conjunta sobre a investigação de cabos elétricos e de dados danificados no Mar Báltico, cujo teor está copiado a seguir.

"O incidente de ontem envolvendo cabos submarinos no Mar Báltico é o mais recente de uma série de ataques suspeitos a infraestruturas críticas. Elogiamos as autoridades finlandesas por sua rápida ação ao abordar a embarcação suspeita. Estamos trabalhando com as autoridades finlandesas na investigação em andamento. Estamos em total solidariedade com a Finlândia, Estônia e Alemanha.

Condenamos veementemente qualquer destruição deliberada da infraestrutura crítica da Europa. A embarcação suspeita faz parte da frota fantasma da Rússia, que ameaça a segurança e o meio ambiente, ao mesmo tempo em que financia o orçamento de guerra da Rússia. Proporemos medidas adicionais, incluindo sanções, para atingir essa frota.

Em resposta a esses incidentes, estamos fortalecendo os esforços para proteger os cabos submarinos, incluindo troca aprimorada de informações, novas tecnologias de detecção, bem como capacidades de reparo submarino e cooperação internacional. Continuamos comprometidos em garantir a resiliência e a segurança de nossa infraestrutura crítica.

Atualmente, não há risco para a segurança do fornecimento de eletricidade na região."

Como se sabe, esse incidente envolvendo cabos submarinos no Mar Báltico é apenas o mais recente de uma série de ataques suspeitos a infraestruturas críticas na região.

Felizmente as antenas também estão ligadas e rapidamente as autoridades finlandesas agiram e abordaram a embarcação suspeita. Essa embarcação faz parte da frota fantasma da Rússia, que ameaça a segurança e o meio ambiente, ao mesmo tempo que financia o orçamento de guerra da Rússia. O Eagle S, o petroleiro suspeito de romper um cabo de energia submarino crítico entre a Finlândia e a Estônia e danificar ou separar quatro cabos de Internet, seguiu escoltado para as águas finlandesas.

Líderes de outros países da região já se pronunciaram e irão propor medidas adicionais, incluindo sanções, para atingir essa frota.

Também irão reforçar os esforços para proteger os cabos submarinos, incluindo uma troca de informações melhorada, novas tecnologias de deteção, capacidades de reparação submarina e cooperação internacional.

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Azerbaijan Airlines

Por que a Rússia recusou o pedido do piloto azeri para um pouso de emergência em um aeroporto russo?

Por que forçaram o avião a sobrevoar o Mar Cáspio?

Por que eles usaram guerra eletrônica (interferência) contra o avião sobre o Mar Cáspio? A aeronave foi exposta a interferência e falsificação de GPS perto de Grozny. A altitude oscilou por 74 minutos antes do acidente perto do Aeroporto de Aktau, a 433 km do destino original. A aeronave ficou no ar por 2h 33 min. (FlightRadar24).

38 pessoas morreram devido aos russos.

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 Chernobyl 

USINA DE CHERNOBYL, PRIPYAT, UCRÂNIA - RELATO E CENAS QUE POUCOS PUDERAM VER ATÉ HOJE


Pripyat, Ucrânia, cidade onde moravam os trabalhadores da usina de Chernobyl e mostra cenas que poucos puderam ver até hoje. Ainda hoje quem a visita assumi o risco de enfrentar a radiação. Aqui, neste link,  as imagens estão reproduzidas. 


Stalin, governou a União Soviética, com mão de ferro de 1920-1953, instaurou um regime de terror e opressão que envolveu a perseguição política e expurgos terríveis. Instalou o comunismo, uma máquina de criar pobreza, fome e morte.

Considerando os expurgos e todas as medidas econômicas controversas que instaurou, estima-se em até 9 milhões o número de pessoas que morreram por ações e decisões diretas de Stalin. A repressão política, a censura, a tortura e os massacres ordenados por Stalin e Lenin superaram em muito as piores atrocidades cometidas pelos czares russos que eles substituíram. A Revolução Russa, por eles liderada, prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. 


A grande frustração registrada pelos jovens chineses nos últimos anos


Dentre as diversas reportagens publicadas em 2024, muitas delas mostram como nos últimos anos a economia da China tem lutado para cumprir as aspirações de uma população cada vez mais educada e os seus respectivos desafios em razão da grande frustração já registrada pelos jovens nos últimos anos. 

Os dados coletados mostram que há projeções de mais de 12 milhões de novos graduados universitários em 2025, o que representa um vasto excesso de oferta considerando a taxa de desemprego juvenil do país de 18,8%. (Na realidade, a taxa é provavelmente maior porque os dados excluem estudantes ativos.) 

A escassez de oportunidades de emprego significativas criou limites à mobilidade ascendente. Cargas de trabalho extenuantes e oportunidades decrescentes de avanço têm cobrado um preço psicológico dos trabalhadores, especialmente os mais jovens. 

Em resposta, muitos jovens abraçaram o desafio silencioso que envolve evitar carreiras avançadas, adotando estilos de vida minimalistas e renunciando a aspirações tradicionais, como casamento ou propriedade de casa ou carro, para protestar contra as pressões sociais que estimulam a competição implacável. 

Para outros, o desafio se tornou mais alto. As informações divulgadas pelos pesquisadores Ma Ziqi e Zhao Yunting levantaram a hipótese de que a “exclusão social”, que pode fazer o jovem sentir-se sistematicamente impedido de progredir financeiramente ou condenado ao ostracismo por causa de uma posição socioeconômica, é um impulsionador da vingança e ataques contra  a sociedade porque tal exclusão promove isolamento, ressentimento e desespero.

A estagnação econômica só tem atiçado a violência. Na China, os aumentos tanto no crescimento do PIB quanto nos salários estão diminuindo, e o custo da moradia e da educação está aumentando. Esses desenvolvimentos estão gerando insegurança financeira entre os chineses, diminuindo suas esperanças de um futuro estável e próspero dentro do sistema atual. 

A crise econômica também ajudou a exacerbar a desigualdade. O 1% mais rico da China agora controla mais de 30% da riqueza do país, enquanto a metade inferior da população controla apenas 6% — uma imagem gritante da polarização de recursos em um país supostamente comunista que valoriza resultados igualitários e o que o PCCh chama de "prosperidade comum".

Tal disparidade tem resultado em um acúmulo de estresses econômicos, sociais e psicológicos com pouca chance de liberação. E queixas não resolvidas ajudaram a criar um clima no qual as pessoas abraçam a violência por desespero. A governança opressiva (estatal) do PCCh só agrava a crise. 

Da mesma forma, tais desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos. Esses protestos destacam o crescente descontentamento entre diversos grupos e, para muitos, representam um protesto contra décadas de repressão. 

Adicionalmente, para grande parte do público chinês, a atual violência estatal é uma continuação da repressão mais totalitária sofrida sob Mao Zedong desde o início dos anos 1950 até a Revolução Cultural de uma década, que terminou com a morte de Mao em 1976. As pessoas não tinham recursos durante a violência brutal daquela época, dado o controle total do estado sobre os recursos e a narrativa do país. Esses dias já se foram, mas o legado dessa violência continua vivo.

Com as devidas maquiagens e uma nova roupagem, é o retorno da escravidão conhecida. A China está passando neste momento pela mudança mais profunda desde os anos de Mao. 


24 dezembro 2024

Não choveu picanha, mas, novamente, uma tempestade de fake news inundou a TV

Novo pronunciamento de Lula é uma cópia de suas falas anteriores. Uma tempestade de fake news. Lula expôs, mais uma vez, o que de fato representa o seu governo. Não tergiversou, foi direto ao ponto: um governo velho, sem rumo e sem projeto de Brasil.

O brasileiro que quiser comer picanha na virada deste ano pagará mais caro no corte da carne na comparação com o réveillon anterior.

Uma das promessas mais lembradas de Lula nas eleições diz respeito justamente ao preço da picanha. Ele havia dito que o Brasil teria o corte mais barato. “Esse país tem que voltar a crescer, tem que voltar a ser feliz, tem que voltar a gerar emprego. O povo, eu digo sempre, o povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha”, declarou em entrevista ao Jornal Nacional em 2022.

Com relação aos números da economia a mentira é maior. Os números estão aí. A matemática, ao contrário de Lula, não mente. O Déficit Fiscal de 2025 será de R$ 700 bilhões, não R$ 100 bilhões.

O país está, de fato, em colapso fiscal, como evidenciado pela fuga da bolsa de valores e a compra em massa de dólares. A crise é evidente e conforme escreveu Antônio Camarotti, jornalista da Forbes, "o Brasil não suportará mais dois anos de desmandos do governo de Lula. O artigo completo está acessível aqui.

Além disso, juristas e advogados constitucionalistas têm investigado as “pedaladas contábeis” realizadas desde 2003, cujo impacto acumulado pode chegar a R$ 3 trilhões. Consequentemente, o déficit público real em 2024 não seria de R$ 100 bilhões, mas de R$ 700 bilhões, ao incluir R$ 600 bilhões registrados de forma inadequada. O impeachment de Dilma Rousseff foi fundamentado em irregularidades contábeis de menor magnitude. No caso de Lula, os valores envolvidos chegam a trilhões, com impactos acumulados desde 2003. A gravidade das irregularidades contábeis na gestão de Lula levanta questionamentos legítimos sobre a viabilidade de um processo de impeachment. A decisão de avançar com um processo de impeachment dependerá não apenas da análise jurídica, mas também do contexto político e do apoio institucional.

Até na véspera de Natal

o mau velhinho aparece pra enganar o povo



23 dezembro 2024

Polícia Federal é uma Gestapo em gestação no consórcio Lula-STF


J.R. GUZZO   Gazeta do Povo 23/12/24 

É claro que, mais cedo ou mais tarde, o regime Lula-STF iria montar a sua própria polícia política para reprimir adversários, desafetos e gente que incomoda o governo. Não existe até hoje, na experiência humana, nenhum regime de esquerda que não tenha se tornado uma ditadura, e não existe nenhuma ditadura que não tenha a polícia como ferramenta vital para manter-se de pé. Não poderia ser diferente no Brasil, e não está sendo – a Polícia Federal, hoje, está cada vez mais próxima de se tornar para o Supremo e seus sócios no governo Lula o que o DOPS foi para a ditadura militar de 1964. É claro que o regime Lula-STF não chegou, como ditadura em construção, ao nível técnico de seus mestres. Ainda falta, por exemplo, a censura na imprensa – por enquanto seu ataque se concentra nas redes sociais, que é área que realmente os preocupa. Não há a tortura oficializada, nem a pena de morte, nem campo de concentração. O Congresso continua aberto, e há discursos de senadores e deputados – feitos sob o risco de perseguição policial, censura e cassação. Mas o DOPS do Supremo, que opera sobretudo sob a direção do ministro Alexandre de Moraes – e agora Flávio Dino – já está em fase de treinamento avançado. A Gestapo em gestação no regime é a Polícia Federal, e o seu uso como polícia política é 100% ilegal – uma das top ten das ilegalidades do consórcio Lula-STF, com certeza. No momento, uma das atividades fundamentais da PF é executar planos criados pelos chefes, em vez de fazer investigações: ou seja, já recebem ordens de cima mandando que os inquéritos descubram isso, mais isso e mais aquilo, e têm de usar a sua criatividade para entregar o que a chefia está querendo. Nada poderia demonstrar esse fato de maneira mais óbvia do que o inquérito universal do Golpe dos Estilingues – fantasia inventada no STF e na mídia para eliminar rivais políticos. Essa aventura já começa a ser exposta na imprensa internacional. A última manifestação foi uma contundente reportagem do Wall Street Journal, que acaba de ser publicada, levantando a possibilidade de ações clandestinas da PF nos Estados Unidos para incriminar falsamente o ex-assessor presidencial Filipe Martins. Tais ações, por envolverem o Departamento de Imigração dos Estados Unidos, podem vir a ser investigadas pelo “czar” da imigração americana no futuro governo de Donald Trump – um dos mais radicais colaboradores do novo presidente. No seu último espasmo de polícia secreta de ditadura, a Polícia Federal se submeteu a um papel particularmente estúpido: “investigar”, a pedido do governo de Lula, os “responsáveis” pelas recentes altas do dólar, incluindo autores de memes. O culpado número 1 pela disparada do dólar para acima dos R$ 6 é o próprio presidente Lula; precisa dizer mais alguma coisa? Antes disso e, também num de seus piores momentos, a PF se atirou contra o deputado Marcel van Hattem, um dos mais combativos da oposição. A degeneração, aqui, é especialmente ofensiva. A polícia quer punir Marcel e mais um colega deputado por discursos feitos na tribuna da Câmara – um insulto grosseiro à Constituição Federal, que determina imunidade por quaisquer palavras dos parlamentares. O discurso de Marcel van Hattem se referia justamente ao perigoso caso de Filipe Martins – mas não é ele, o deputado, quem pode ser investigado, e investigado na duríssima Justiça americana, por falsificação de documento oficial. Ditaduras, ou projetos de ditadura, dão nisso: começam a tirar a roupa, vão sendo obrigados a tirar cada vez mais e, no fim, acabam em pelo.

O GABINETE PETISTA DA DESINFORMAÇÃO

O texto reproduzido a seguir é do Editorial do Estadão e revela a ofensiva, claramente coordenada, do governo petista para afirmar que o País está sob ‘ataque especulativo’ dos inimigos do Brasil e de Lula, tendo recorrido para isto a uma operação tipicamente lulopetista.

Afirma o Editorial que rapidamente ficou indisfarçável a ideia de que a estratégia foi forjada revelando, inclusive, os componentes do "Gabinete". Lembra também a origem dos “blogs sujos”, que nos primeiros governos petistas recebiam generoso financiamento público para atacar sistematicamente os desafetos do partido. Ou seja, os petistas são a vanguarda veterana na arte de destruir reputações e inventar conspirações e estão sempre a postos para agir quando a coisa aperta, o que costuma acontecer com frequência.

Para os BRASILEIROS essa informação não trouxe novidade. Contudo, a novidade sentida neste momento por conta do Estadão ter ido rebuscar os seus arquivos, nos obriga a fazer a pergunta: quais o motivo que o levara a fazer o ELE durante a campanha eleitoral de 2022?

Boa leitura.

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O GABINETE PETISTA DA DESINFORMAÇÃO

Editorial do Estadão de 23 de dezembro de 2024

Numa ofensiva claramente coordenada, o governo petista inventa que o País está sob ‘ataque especulativo’ dos inimigos do Brasil e de Lula, tudo para desviar a atenção de suas lambanças
Incapaz de reconhecer o real motivo da crise de confiança no Brasil e tomar providências para reduzir as incertezas com as contas públicas do País, o governo do presidente Lula da Silva recorreu a uma operação tipicamente lulopetista para explicar a escalada do dólar e as turbulências no mercado financeiro: de maneira claramente organizada, liderada de dentro do Palácio do Planalto, difundiu a “narrativa” de que tudo não passa de um ataque especulativo contra a moeda brasileira, contra o governo e contra o Brasil. Segundo tal lógica, usada por porta-vozes do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) como quem enfrenta inimigos do povo, os recordes sucessivos da cotação do dólar, cuja disparada só arrefeceu depois da injeção de bilhões de dólares pelo Banco Central (BC), foram resultado de uma espécie de complô malévolo em escala internacional. Os especuladores, representados pela “Faria Lima”, estariam mobilizados para arruinar Lula e, por extensão, o povo brasileiro.
A tese, evidentemente, não se sustenta – como, aliás, afirmou o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nome indicado por Lula para suceder a Roberto Campos Neto. Galípolo demonstrou discordar da ideia de que o País está sob ataque especulativo e lembrou o óbvio: o mercado não é “algo monolítico, tem compra e venda, vencedores e perdedores”. Para ele, “ataque especulativo como algo coordenado não representa bem”. Lula e seus sabujos não pensam da mesma forma. Apesar dessa clareza solar de Galípolo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mais uma vez reafirmou suas teses persecutórias, seguida de nomes como o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) – que pediu à Polícia Federal para abrir um inquérito contra a “Faria Lima” –; o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE); e o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli.
Ficou indisfarçável a ideia de que a estratégia foi forjada não apenas nas hostes do partido – que, como se sabe, se impôs à equipe econômica do governo e quer mandar mais na economia do que o ministro Fernando Haddad –, e sim do Palácio do Planalto. A artimanha ficou patente quando o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Paulo Pimenta, foi às redes sociais na quarta-feira (18/12) para difundir a tese, com a ênfase de quem denuncia um golpe de Estado. Definindo o tal “ataque especulativo” como “crime de lesa-pátria”, Pimenta afirmou que “a indústria das fake news está trabalhando mais uma vez contra o Brasil, e nós precisamos agir”, informando que o governo acionou autoridades para identificar autores de frases mentirosas atribuídas a Galípolo – e que tais frases espalhadas pelo mundo livre da internet, e não as lambanças do governo no plano fiscal, teriam produzido as oscilações no câmbio. É o estado da arte do lulopetismo.
O Brasil ainda tem fresca na memória a atuação do chamado “gabinete do ódio” dos tempos bolsonaristas – quando havia uma estrutura de comunicação dentro do governo de Jair Bolsonaro destinada a difundir mentiras e atacar opositores na internet. Mas esse gabinete do ódio, malgrado muito competente em seu mister, foi apenas um aprendiz dos infames “blogs sujos”, que nos primeiros governos petistas recebiam generoso financiamento público para atacar sistematicamente os desafetos do partido. Ou seja, os petistas são a vanguarda veterana na arte de destruir reputações e inventar conspirações e estão sempre a postos para agir quando a coisa aperta, o que costuma acontecer com frequência.
Os atuais inquilinos do Palácio do Planalto, portanto, estão fazendo exatamente o que deles se esperava: contaminam o debate público com bobagens paranoicas que desviam a atenção do País do que realmente importa, difundindo teorias conspiratórias e apontando o dedo para inimigos ocultos sem resolver nenhum dos problemas reais. São métodos característicos de governos populistas e autoritários.

Uma Reforma Tributária Desastrosa: O Brasil Rumo ao Caos Econômico

Já nos referimos em outros artigos que para o Brasil ser salvo no próximo século, o dever de casa tem que ser feito agora. Infelizmente, Stephen Kanitz, em seu artigo de hoje, nos diz que um dos deveres de casa já foi realizado mas no sentido inverso ou seja, o de se rumar para o caos econômico em meio século.

O artigo completo está publicado a seguir. Boa leitura.

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Uma Reforma Tributária Desastrosa: O Brasil Rumo ao Caos Econômico

Por Stephen Kanitz, 22/12/2014

O Brasil está prestes a implementar uma reforma tributária que pode ter consequências graves para a economia. A transição desta reforma levará mais de 50 anos para ser plenamente concluída e promete décadas de caos, burocracia e perda de competitividade. Por meio século, as empresas terão que lidar com duas contabilidades fiscais simultâneas: uma que lentamente se expande e outra que gradativamente desaparece. Essa exigência duplicada gerará confusão, sobrecarga e inevitáveis erros fiscais, que se acumularão em passivos imprevisíveis. Muitas empresas já estão planejando terceirizar uma das contabilidades para aliviar a pressão sobre seus contadores. A extinção do ICMS, um tributo estadual usado para atrair empresas e estimular o desenvolvimento regional, será um golpe severo para os estados. Sem essa ferramenta, estados eficientes não poderão reduzir impostos para viabilizar negócios. Com margens de lucro variando entre 5% e 8%, uma redução de 5% na carga tributária poderia salvar muitos negócios em dificuldades, mas a reforma negligencia completamente esse impacto. Apesar de anos de debates, a reforma mantém aberrações fiscais que penalizam o setor produtivo. Tributar cada etapa da cadeia de produção continuará drenando o capital de giro das empresas, que são obrigadas a antecipar impostos ao governo antes mesmo de receber pelos produtos vendidos. Além disso, a exigência de pagamento em 15 dias, mesmo quando as vendas são feitas a prazo de 10 meses sem juros, compromete ainda mais a capacidade de investimento e o crescimento econômico. O silêncio de setores importantes, como FIESP, Associação Comercial e Fecomércio, diante dessa tragédia anunciada é alarmante. Como um único economista do governo, Bernard Appy, conseguiu monopolizar o debate sobre uma reforma de tamanha magnitude? Onde estão as vozes que deveriam proteger o setor produtivo e lutar por um sistema tributário mais justo? E a sociedade também tem sua parcela de responsabilidade. A apatia política e a omissão intelectual permitiram que essa reforma avançasse sem oposição significativa. Poucos perceberam que ela consumirá 28% de sua renda sem oferecer uma contrapartida adequada. Essa negligência custará caro. Esta reforma tributária não é apenas desastrosa – ela ameaça diretamente o desenvolvimento econômico do Brasil. O que está em jogo não é apenas a sobrevivência das empresas, mas a capacidade do país de se manter competitivo no cenário global. É hora de mobilização, coragem e vozes ativas para impedir que essa decisão comprometa nosso futuro.