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12 dezembro 2024

Brasil cai em ranking global de competitividade


O Brasil caiu 6 posições no Índice Firjan de Competitividade Global, de acordo com o levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro divulgado nesta quarta (11).

Segundo a publicação, o país ocupou em 2023 a 46ª posição entre 66 nações, um retrocesso em relação à 40ª posição alcançada há dez anos. A análise revela piora em três dos quatro grupos de indicadores avaliados: eficiência do Estado, infraestrutura e ambiente de negócios.

A Firjan aponta que houve avanço apenas no quesito de capital humano, mas insuficiente para acompanhar o progresso de outros países. “Quando olha eficiência do estado como um todo, o Brasil piorou no quesito controle da corrupção, nas tarifas e na proteção excessiva”, disse Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da instituição.

Veja o posicionamento do Brasil no ranking da Firjan em cada categoria:

Capital humano: 33º;

Infraestrutura: 47º;

Ambiente de negócios: 51º;

Eficiência do Estado: 52ª.

Portanto, o ponto mais crítico para o país é a eficiência do Estado, com uma queda para a 52ª posição no quesito que avalia controle da corrupção, qualidade dos serviços públicos, respeito aos contratos e funcionamento do Judiciário.

A percepção de qualidade dos serviços públicos, por exemplo, coloca o país entre os oito piores, superando apenas sete nações. “Brasil está entre os oitos piores, ocupando a 56ª posição, ultrapassado por Índia e África do Sul, na eficácia do Estado”, emendou Goulart.

Outro quesito mal avaliado apontado pelo executivo é o respeito às regras e contratos e a ação do Judiciário, que afetam diretamente a confiança em investir no país.

Na infraestrutura, o cenário também é preocupante. A instalação de energia elétrica para novos negócios, por exemplo, leva em média 128 dias no Brasil, comparados aos 53 dias na Índia, um país com desafios semelhantes de desenvolvimento.

“[Brasil e Índia] estão na mesma corrida pelo desenvolvimento”, aponta Goulart.

Os 10 países líderes em competitividade:

1- Cingapura; 2- Suíça; 3- Dinamarca; 4- Finlândia; 5- Suécia; 6- Coreia do Sul; 7- Alemanha; 8- Noruega; 9- Áustria;10- Holanda. Veja na íntegra.

Segundo a pesquisa, o Brasil perde em competitividade para, entre vários países, o Panamá (40º), Vietnã (41º), Índia (42º), Indonésia (43º), Marrocos (44º) e África do Sul (45º). E aparece à frente de nações como a Sérvia (47º), Argentina (48º) e Paquistão (66º), último colocado no ranking.

No ambiente de negócios, mesmo com avanços em qualidade regulatória, o Brasil ainda não alcança seus pares. Fatores como segurança urbana e estabilidade política seguem sendo barreiras para melhorar a posição.

O único grupo de indicadores em que o Brasil não regrediu foi o de capital humano. No entanto, o investimento em educação por aluno é muito inferior ao dos líderes do ranking.

Segundo o estudo, o Brasil investe cerca de US$ 3,7 mil por aluno, enquanto a média dos cinco primeiros países (Cingapura, Suíça, Dinamarca, Finlândia e Suécia) é de US$ 22 mil.

Para Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, a educação de baixa qualidade é um dos principais entraves ao desenvolvimento do país. “As pessoas acabam não tendo acesso a uma educação de qualidade”, pontuou.

“Isso vira uma barreira para que consigam melhores postos de trabalho e um gargalo para as empresas que não conseguem mão de obra preparada para os novos tempos, à altura dos enormes desafios que as transformações tecnológicas impõem”, completou Caetano.

14 outubro 2019

POSIÇÕES BRASILEIRAS NOS RANKINGS INTERNACIONAIS DE COMPETITIVIDADE


No ranking de competitividade global, como aponta recente levantamento do Fórum Econômico Mundial, na lista de 141 países pesquisados, o Brasil ocupa a 71ª posição. Na America Latina, pelo seu tamanho e peso, não se pode aceitar que fique em oitava colocação na região, atrás de Panamá, Peru, Costa Rica, Colômbia, Uruguai e México. A melhor posição entre os latino-americanos cabe ao Chile, cuja economia é a mais aberta da América do Sul. A pesquisa registra alguns avanços do Brasil, como dinamismo de negócios. Mas falta muito para que o país alcance patamar aceitável em competitividade global.

No Índice de Competitividade do Talento Global, que mede a qualidade do capital humano, o país está em 49° lugar entre 93 países. Na produtividade por trabalhador, fica ainda mais abaixo, na 64ª posição. 

As razões para essas disparidades, dizem especialistas, são, principalmente, educação deficiente ou inapropriada para o mercado de trabalho. Burocracia e corrupção foram também citadas.

Proporcionalmente à sua população, o número de alunos matriculados nas escolas brasileiras tem crescido nas duas últimas décadas. Entretanto, o descompasso existente entre o conhecimento (quando) adquirido nas escolas e o exigido pelo mercado aumentou consideravelmente. Hoje ele é maior do que já foi no passado.

Para piorar o cenário, tal regressão se observa, acentuadamente, nas escolas públicas, responsáveis por cerca de 82% dos alunos do ensino básico.

São vários os motivos para a educação deficiente nas escolas públicas, apontam diversos professores e estudiosos do assunto.

Com raras exceções, especialmente nas escolas militares, as demais escolas enfrentam problemas em todas as frentes: infraestrutura física, laboratórios e equipamentos; conteúdo pedagógico; professores deficientes em quantidade e em qualidade; hierarquia, disciplina e segurança; comunicação e relacionamento entre alunos, pais e professores.

A propósito, veja o que respondeu um antigo professor, de uma outrora e das mais conceituadas escolas públicas de nível médio em Brasília, sobre o que havia acontecido por lá. A resposta veio direta e sem necessidade de análises sociológicas mais profundas.

"A saída da classe média das escolas públicas", disse, "levou consigo o interesse do governo e a obrigação do estado com a educação".

"O que ficou foi isso aí", referindo-se ao estado físico da escola, "um prédio em estilo modernista da época e hoje totalmente desfigurado e dilapidado, transformado em espaço arquitetônico cheio de grades, fechado e opressor".

Em pleno século do conhecimento, infelizmente, esse é o retrato atual do Brasil, deixado pelos últimos governos, após a redemocratização do País, incluindo aquela presidente que adotou "Pátria Educadora" como lema de seu governo e que não passou apenas de um slogan.

26 maio 2019

PERDA COM EVASÃO ESCOLAR É SUPERIOR AO ORÇAMENTO ANUAL DO MEC

O Brasil perde R$ 151 bilhões por ano ao manter 15% dos jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, ou 1,5 milhão de jovens, aponta matéria publicada neste domingo (26) em O Globo. Há um custo para cada um deles, impedidos de ocupar vagas com maior renda apenas com o ensino fundamental. A conta inclui também os custos para o país de ter na sua população esses trabalhadores menos qualificados. 

Essa perda é superior a todo o orçamento do Ministério da Educação, de cerca de R$ 100 bilhões por ano.

O resultado da evasão escolar na adolescência é que, dos 3,2 milhões de jovens que completam 18 anos a cada ano, 35% não terminam o ensino médio: o equivalente a 1,12 milhão nessa condição. O custo financeiro para o país é de R$ 135 mil para cada jovem que não se forma por ano.

Esse valor é superior ao custo médio por aluno, R$ 27 mil, nas universidades federais, mas existem variações enorme entre elas, R$ 14 mil/ano na UFAP e R$ 70 mil/ano na UFRJ. Mesmo assim, nenhuma delas supera o custo financeiro citado no parágrafo anterior.

As contas são do economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, que coordenou um diagnóstico sobre a educação no país:
— O custo privado mais significativo para jovens é a perda de empregabilidade e renda.

A estimativa leva em conta a perda de produtividade e competitividade do país com trabalhadores menos qualificados, mas também custos relacionados ao aumento da violência e à piora nas condições de saúde dos menos escolarizados.

Em termo qualitativos, os dados da OCDE apontam  que no Brasil 67% dos jovens de 15 e 16 anos levariam zero em matemática, leitura e ciências se comparados a seus colegas de toda parte. A mesma pesquisa nos colocou em 58o. lugar entre 65 países.


Porém, a esses resultados não se pode atribuir a falta de recursos. Já há algum tempo, o Brasil vem investindo na educação valores semelhantes aos dos países desenvolvidos, em torno de 6% de seu PIB. O que devemos cobrar é a eficiência e a eficácia, uma boa gestão, de sua utilização em todas as esferas: federal, estadual e municipal.