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17 março 2026

No Brasil o Estado de Direito Democrático é uma ficção


    Rui Barbosa nos avisou sobre o maior problema de uma ditadura do poder judiciário.

                             

    O Brasil formalmente democrático enfrenta grave contradição. Não são os Três Poderes que se submetem à Constituição, mas a Constituição é que está sujeita aos caprichos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Em resumo, o Estado de Direito Democrático no Brasil atual é uma ficção.

    As consequências horríveis são visíveis para o mundo inteiro como se tem observado em matérias e vídeos nas redes sociais. Nelas se toma conhecimento de presos políticos, exilados, fugitivos e de nomes que já faleceram.



    Resultado. O País vive uma profunda polarização social, econômica e política. Na prática, o que avança é a corrupção e o saque institucional: cargos capturados, a lei aplicada de forma seletiva e o Estado tratado como espólio.



  












    Vieram as traições, os expurgos institucionais, inclusive contra militares profissionais, para eliminar freios e alinhar o aparato estatal. O poder foi parcialmente capturado por facções. Quem mantinha disciplina virou suspeito. Quem obedecia a hierarquia passou a ser rotulado como ameaça.

       
    


  

Ainda não dá para se comemorar a queda do referido sistema. Mas ... 

A blindagem feita em nome de uma suposta 'defesa da democracia' foi para o vinagre, enquanto a ideia de que o STF 'tem de voltar ao seu quadrado', para o Brasil retornar aos trilhos democráticos, espalhou-se pela sociedade.

14 março 2026

Júri vai decidir se as redes sociais têm culpa nisso

 

Resumo

  • Pais de uma jovem que passava 16 horas no Instagram levaram plataformas sociais à justiça alegando que elas provocam um vício intencional nas telas. 

  • O caso, que está sendo julgado em um tribunal de Los Angeles, é o primeiro desse tipo e, segundo especialistas, pode proporcionar grandes repercussões regulatórias. 

  • Advogados da família alegam que a jovem desenvolveu transtornos psicológicos, como dismorfia corporal, em razão da excessiva exposição às telas; plataformas negaram relação.


Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte
acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles
Foto: Ethan Swope/Getty Images/AFP


    Conhecida apenas por seu primeiro nome ou pelas iniciais KGM, para proteger sua privacidade, a história de Kaley se tornou o caso exemplar para mais de 2 mil processos semelhantes que buscam responsabilizar as empresas de redes sociais pelos supostos danos à saúde mental de seus usuários mais jovens.

   Lori Schott passou vários dias de olho nesse julgamento em Los Angeles, apesar de não ter participado do processo. Sua filha Annalee tirou a própria vida aos 18 anos, uma tragédia que Schott atribui à forma como o Instagram a expôs a conteúdos psicologicamente prejudiciais, apesar de a empresa supostamente saber o que essas postagens poderiam causar aos jovens.

    Milhares de outros casos semelhantes ao de Kaley, que atualmente tramitam no sistema judicial dos EUA, serão inevitavelmente influenciados pelo resultado deste julgamento inédito.

    O artigo completo sobre este caso está acessível na BBC News neste link.

13 março 2026

O possível retorno do Brasil aos trilhos democráticos

Reale Jr: Única saída no caso
de Moraes e Toffoli é a transparência
       

    A única forma de o Supremo Tribunal Federal (STF) superar a crise do Caso Master é os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli serem transparentes na relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, avaliou o jurista Miguel Reale Júnior no UOL News, do Canal UOL.

    Ao comentar pedidos no Senado por CPI e impeachment dos ministros, Reale afirmou que a apuração precisa ser ampla e que os próprios integrantes da Corte devem facilitar a verificação de informações reveladas pela imprensa.

    Ainda não dá para se comemorar a queda dos referidos ministros. Mas, com o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master pela Polícia Federal, que sugerem o envolvimento de ambos em transações nebulosas com a instituição, já dá para dizer que a vitória da democracia está bem encaminhada. Faltam explicações convincentes sobre as relações duvidosas que eles mantinham com o Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, apontadas pelas investigações da Polícia Federal.

    A blindagem feita em nome de uma suposta 'defesa da democracia' foi para o vinagre, enquanto a ideia de que o STF 'tem de voltar ao seu quadrado', para o Brasil retornar aos trilhos democráticos, espalhou-se pela sociedade.


09 março 2026

AS REDES SOCIAIS SÃO UMA ARMADILHA?

    "As redes sociais são uma armadilha", afirmou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua famosa entrevista concedida ao jornal El País. Nela, o sociólogo da "Modernidade Líquida" expande a sua crítica sobre como a tecnologia afeta os laços humanos. 

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo? 

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

Aqui está uma síntese dos pontos principais da visão de Bauman

1. Comunidade vs. Rede

·       Comunidade: É algo a que se pertence. Exige compromisso, diálogo e, muitas vezes, convívio com o diferente e o difícil. Na comunidade, não se escolhe tudo; há uma partilha de destino.

·       Rede: É algo que "te pertence". O utilizador sente-se no controle. Nas redes sociais, as relações tornam-se mercadorias que podemos ligar ou desligar conforme a nossa conveniência.

2. A facilidade de "Eliminar" (A falta de competências sociais)

    Para Bauman, a grande armadilha é a ilusão de companhia sem as exigências da amizade. Nas redes, se alguém nos contradiz ou nos aborrece, basta um clique para "eliminar" ou "bloquear".

    Isso impede o desenvolvimento de competências sociais reais, que só se aprendem no "olho no olho", onde somos forçados a negociar, a ouvir o contraditório e a coexistir com quem pensa diferente.

3. A Zona de Conforto e o Narcisismo

    Ele argumenta que a maioria das pessoas não usa as redes para expandir horizontes, mas para se fechar numa "zona de conforto".

    Buscamos apenas o eco das nossas próprias vozes e o reflexo do nosso próprio rosto (o fenômeno das "bolhas").

·       A rede serve para aliviar o medo da solidão e do abandono, mas de forma superficial, criando uma sensação de conexão que não preenche o vazio existencial.

4. A Troca de Liberdade por Segurança

    Bauman toca num dilema clássico: para ter a "segurança" de nunca estar sozinho e de ter o controlo sobre quem nos rodeia, abdicamos da nossa liberdade de sermos surpreendidos pelo outro. As redes sociais oferecem um substituto barato para a verdadeira vida social, que é inerentemente conflituosa e imprevisível. 

    Conclusão da Síntese: Para Bauman, as redes sociais são uma armadilha porque substituem as relações profundas por conexões frágeis. Elas prometem proximidade, mas entregam isolamento; prometem diálogo, mas facilitam o monólogo. No final, o indivíduo sente-se mais conectado do que nunca, mas continua profundamente só no mundo real.


PS.: (1) O texto acima foi objeto de discussão, neste ano, em sala de aula de Sociologia do 1o. ano do Ensino Médio do Colégio Marista de Brasília. Anteriormente, foi também questão abordada no PAS/UnB.

(2) Neste link Bauman vai mais além. Concedida há 10 anos, a entrevista se encontra muito atual. -  https://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/cultura/1451504427_675885.html 




07 março 2026

A Globo muda de lado. Será?


A Globo, que passou os últimos sete anos sustentando, aplaudindo e JUSTIFICANDO a imposição de um verdadeiro regime de exceção — através da censura, da perseguição política, da criminalização da direita e da blindagem de um establishment PODRE —, resolveu agora mudar de posição, ao começar a expor a lama que envolve o cerne do poder no Brasil.

As mais recentes foram divulgadas esta semana e a última é objeto desta matéria obtida no Jornal Nacional, em sua forma integral está acessível aqui e o seu final no vídeo abaixo.


A pergunta que todos fazem: por que a mudança de postura?

Não se engane

Ainda não está completamente claro, mas a lógica é cristalina: cumprida a tarefa de blindagem do sistema, Moraes deixou de ser um ativo. Virou um passivo. O cão de guarda mordeu demais, e agora incomoda o próprio dono.

Os registros históricos nunca poderão ser apagados

A Globo sabe que Moraes não poderá colocar os jornalistas da Globo no "inquérito" das Fake News e mandar fechar a emissora — como fez com outros órgãos de comunicação, o Terça Livre, por exemplo, sob aplausos da própria Globo e do resto da militância de redação.

Até então, conseguiram usar a ladainha da "defesa da democracia" como esteio de legitimidade por um tempo. Até porque o STF resolveu descondenar e alçar Lula à presidência, angariando o suporte entusiasmado de toda a esquerda e seus aparelhos — a Academia, a "imprensa", os artistas e outros setores influentes da sociedade. A Corte tem 95% de apoio da esquerda. Porém, 95% da direita a repudia. Mas não há condições objetivas, como diriam os comunistas, para esse nível de repressão no Brasil. Não agora. Não com o mundo inteiro olhando. Logo, é preciso outro caminho. E esse caminho passa pela velha fórmula: entregar os anéis para preservar os dedos. Por enquanto, os anéis a serem entregues são Toffoli e Moraes.

A torneira secou

Tudo isso foi precipitado pela implosão do Banco Master, que aparentemente assumiu o papel que já foi das empreiteiras: principal fonte de recursos para o establishment.

Quando a torneira secou, e a lama explodiu, a engrenagem começou a ranger. O arranjo de poder que manteve o sistema em pé começou a rachar. A Globo, como um dos pilares desse establishment, faz agora o que sempre fez: trabalha para rearranjar a dinâmica de poder. Moraes, antigo esteio do sistema, passa a ser o alvo que precisa ser removido. Não por amor à Justiça. Por autopreservação. Resta saber se Moraes aceitará esse novo arranjo e sua decisão definirá o grau de caos que o Brasil enfrentará nos próximos meses. Mas, qualquer que seja o caso, uma coisa é evidente: a mínima pacificação do país SÓ será alcançada com a ANULAÇÃO das condenações POLÍTICAS dos últimos anos e com o fim do estado de exceção — representado pelo Ato Institucional que o Supremo baixou, disfarçado de "Inquérito das Fake News".

06 março 2026

A DEVASSA DA MÁFIA


A Revista Oeste novamente nos brinda com uma ótima edição sobre o atual momento do Brasil. Pelo que nela está exposto, e em outros veículos de comunicação tembém, conclui-se, usando-se apenas os padrões morais brasileiros, que não há a menor condição de autoridades brasileiras envolvidas permanecerem em seus postos. 

O fosso, ou melhor, a fossa séptica, só aumenta. Segundo as matérias da Oeste em sua edição 312, capa acima, num primeiro momento, a falência do Master parecia ser a maior fraude bancária da história do país, com um rombo de mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e milhares de servidores públicos prejudicados pela perda do dinheiro investido em fundos de pensão depositados na instituição financeira. Já seria uma façanha e tanto. Mas foi pior que isso, avisou o desespero de ministros do Supremo Tribunal Federal, ansiosos por esconder as falcatruas de Daniel Vorcaro, dono do banco. 

A descoberta do contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes, e do resort no Paraná que escancarava a ligação entre Dias Toffoli e o banqueiro pareciam ser a parte mais sórdida do escândalo. Engano. A cada dia que passa, mais revelações devassam a máfia disfarçada de empresa que inclui integrantes dos Três Poderes, além de jornalistas e centenas de funcionários de altíssimo escalão. Todas as novidades do escândalo que ameaça explodir a ditadura do Judiciário estão na reportagem de capa desta edição. 


Além disso, foram identificadas personagens empenhadas em garantir o sono de Toffoli. Pertencem ao grupo, por exemplo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o decano Gilmar Mendes, presidente de honra do STF. Mas pelo andar da carruagem, os envolvidos no esquema do Master devem preparar-se para o pior. “Sem vergonha na cara, os comprados ainda pensam que não foram desnudados pelos fatos e fazem olhar de paisagem”, observa o artigo de Alexandre Garcia. “Talvez estejam na esperança de um milagre. Melhor abandonar toda a esperança, porque apenas apareceu a ponta do iceberg. O striptease só começou.” 


Finalmente, não se pode deixar de cumprimentar os editores e articulistas da Oeste pelo título da capa. Dificilmente haverá uma melhor expressão para o momento atual do Brasil.


04 março 2026

IA - Grandes desafios e muitas oportunidades

O lançamento do ChatGPT no final de 2022 marcou uma virada na história da tecnologia, em especial da IA generativa. Seu rápido crescimento superou o de qualquer outra plataforma na história (veja imagem abaixo) e provocou uma revolução no campo das aplicações generativas com Inteligência Artificial (IA).

Já dissemos aqui que desde os anos 1950 a trajetória da inteligência artificial tem sido marcada pelos mesmos dilemas: medo de que máquinas substituam humanos, a tendência de humanizar a tecnologia, o apego emocional que muitas pessoas desenvolvem por ela e as promessas ambiciosas que raramente se cumprem — mas que continuam a atrair investimentos e atenção.

Essa nova onda impactou praticamente todos os domínios e campos, desde saúde até finanças e entretenimento. Como resultado, as tecnologias de IA Generativa têm muitos usos potenciais e seu impacto na sociedade ainda está sendo explorado.

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Mas o ChatGPT foi apenas a ponta do iceberg. O campo da IA Generativa já vinha evoluindo rapidamente nos últimos anos. Esses avanços levaram a novas possibilidades e aplicações para IA Generativa, como nas áreas de Processamento de Linguagem Natural, Visão Computacional e Geração de Música. 

Além disso, a crescente disponibilidade de dados e poder de computação permitiu o desenvolvimento de modelos mais complexos e sofisticados, levando a um potencial ainda maior para IA Generativa no futuro. À medida que esse campo continua a crescer e se desenvolver, será emocionante ver quais novos avanços surgirão e como eles moldarão nosso mundo.

O que é IA Generativa?

A IA Analítica, também conhecida como IA Tradicional, refere-se ao uso de máquinas para analisar dados existentes e identificar padrões ou fazer previsões, como detecção de fraudes ou recomendações de conteúdo. Ela se concentra em analisar e processar as informações disponíveis. Por outro lado, a IA Generativa é um campo que envolve máquinas que geram novos dados, como imagens, texto ou música, com base em padrões aprendidos

Por que agora?

A IA Generativa está em andamento há algum tempo, mas nos últimos anos, todo o ecossistema de IA Generativa passou por um desenvolvimento significativo, após mergulhar nos avanços feitos no campo do Processamento de Linguagem Natural.

A imagem abaixo ilustra um pouco da evolução das tecnologias de IA no Processamento de Linguagem Natural.

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Quais são os problemas em Processamento de Linguagem Natural?

    • Complexidade da Linguagem Natural. A linguagem humana é matizada, ambígua e dependente do contexto.
    • Problema de Dependência de Longo Prazo: Em muitos casos, o significado de uma sentença ou frase é fortemente dependente do contexto estabelecido muito antes no texto.
    • Escalabilidade: O processamento de texto em grande escala requer recursos computacionais significativos.

Os sistemas de IA que entendem e geram texto, conhecidos como modelos de linguagem, são a grande novidade na praça. Mas nem todos os modelos de linguagem são criados iguais. Vários tipos estão emergindo como dominantes, incluindo modelos grandes e de uso geral, como GPT-3 e GPT-4 da OpenAI, e modelos ajustados para tarefas específicas.

Olhando Para o Futuro

À medida que modelos de linguagem (de borda, grandes e ajustados) continuam a evoluir com novas pesquisas, eles provavelmente encontrarão obstáculos no caminho para uma adoção mais ampla. Por exemplo, embora o ajuste fino de modelos exija menos dados em comparação com o treinamento de um modelo desde o início, o ajuste fino ainda requer um conjunto de dados. Dependendo do domínio — por exemplo, traduzindo de um idioma pouco falado — os dados podem não existir. Isso traz enormes desafios, mas também muitas oportunidades para Engenheiros de IA, Cientistas de Dados e Engenheiros de Dados.

O pesquisador observa que todos os modelos de linguagem, independentemente do tamanho, permanecem pouco estudados em certos aspectos importantes. Espera-se que áreas como explicabilidade e interpretabilidade – que visam entender como e por que um modelo funciona e expor essas informações aos usuários – recebam maior atenção e investimento no futuro, principalmente em domínios de “alto risco” como a medicina.

03 março 2026

Don’t believe everything you see

A frase "Não acredite em tudo que você vê" é um alerta essencial na era digital contra manipulações por IA (deepfakes), notícias e perfis falsos nas redes sociais. 
A verificação de fontes, desconfiança de contatos inesperados e o uso de senso crítico são formas de se proteger na internet.

Chegou a vez da guerra


Horas depois dos EUA e de Israel atacarem o Irã no sábado, um vídeo circulou na rede social X alegando mostrar um míssil iraniano se aproximando de um jato americano. Nas imagens, o piloto escapa por pouco e sobe alto no céu enquanto o míssil detona. A cena impressionante parece saída de um videogame. E, de fato, é.



As imagens foram editadas a partir de um jogo chamado "War Thunder", de acordo com a seção "notas da comunidade" do X. Nenhum relato confirmou que o evento realmente aconteceu. Mesmo assim, o vídeo já alcançou mais de seis milhões de visualizações na plataforma.

As redes sociais foram inundadas com vídeos gerados por inteligência artificial ou fora de contexto que supostamente mostram ataques com mísseis. Imagens falsas chegaram a circular mostrando o aiatolá Khamenei preso sob os escombros. Grande parte do conteúdo parece ter sido criada para antagonizar a opinião pública contra os Estados Unidos e Israel.

Um vídeo popular compartilhado no domingo por uma conta baseada no Iraque alega mostrar as consequências de um ataque com míssil balístico contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln. O Comando Central dos EUA descartou as alegações de um ataque como falsas. 


Outro vídeo publicado no início da manhã de sábado mostra um grande ataque aéreo atingindo prédios e lançando carros pelos ares, com a legenda "Israel e Irã estão em guerra novamente", escrita em chinês. O X esclareceu que o vídeo é, na verdade, da guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho passado.


Mesmo antes dos EUA lançarem a Operação Epic Fury, um vídeo viral alegava mostrar mísseis hipersônicos se dirigindo para o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Grok afirmou que o vídeo é "provavelmente uma estratégia de guerra psicológica e sinalização de dissuasão".


A TV estatal iraniana e grupos aliados, como os houthis, há muito tempo usam propaganda para projetar força no exterior e angariar apoio interno. O Irã parece continuar permitindo que a mídia oficial e semioficial acesse a internet e crie deepfakes, disse Max Lesser, analista sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, à Free Expression. Organizações de mídia estatais iranianas, como a Press TV, ainda estão ativas no X.

Lesser observa que a Rússia e a China podem amplificar alegações vindas do Irã sobre sucessos militares, enquanto agentes comerciais, incluindo operações fraudulentas e "sites de notícias" sensacionalistas, provavelmente buscarão criar conteúdo viral para obter lucro.

A propaganda faz parte da guerra. Quando se revela que ela transmite informações falsas, se é que isso acontece, milhões de pessoas já a viram e acreditaram nela. Uma fotografia falsa de uma explosão perto do Pentágono fez com que as ações americanas caíssem brevemente em maio de 2023.

A desinformação e os deepfakes podem ser especialmente convincentes quando reforçam crenças preexistentes. Mesmo quando desmentidos, podem causar danos duradouros, obscurecendo a distinção entre verdade e mentira. Especialistas chamam isso de "dividendo do mentiroso", e isso mina a confiança até mesmo nos relatos confiáveis ​​de jornalistas.