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28 julho 2026

A presença da internet não garante inovação educacional

Como veremos a seguir, a presença da internet não garante inovação educacional. Faltam formação docente contínua, conteúdos adequados, metodologias corretas e, sobretudo, políticas públicas que priorizem o uso inteligente da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem.

Dados recentes do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 apontam que, apesar de 95,4% das escolas públicas terem acesso à internet, apenas 44,5% conseguem fazer uso pedagógico dela em sala de aula, o que demonstra a limitação da tecnologia nessas instituições brasileiras. Em outras palavras, conectamos escolas, embora muito tardiamente, mas ainda não conectamos o aprendizado ao potencial da tecnologia.

E nesse contexto é obrigatório lembrar que a IA não está deixando as pessoas mais inteligentes. Pode até estar deixando a ignorância mais bem escrita. Como já se percebe, a IA organiza informações. Mas ela não viveu a experiência, não conhece o contexto, não assume riscos e não responde pelas consequências de uma decisão. Ela entrega respostas. Quem precisa fazer as perguntas certas continuará sendo o ser humano. Estamos entrando em uma época em que escrever será cada vez menos um diferencial. A tecnologia mais poderosa do século XXI pode ampliar a inteligência humana. Mas também pode atrofiá-la, se passarmos a terceirizar nossa capacidade de refletir. A IA é uma excelente copiloto. O cérebro humano continua sendo o comandante. E esse é um cargo que não deveria ser delegado. Porém, para isto nossas escolas e seus ensinamentos devem melhorar muito e rapidamente para que se possa usufruir, com inteligência, da tecnologia que estar por vir, conforme descrito a seguir.

No mundo, já se ultrapassou o horizonte de eventos; a decolagem começou. A humanidade está prestes a construir uma superinteligência digital e, pelo menos até agora, isso é muito menos estranho do que se poderia imaginar.

Robôs ainda não estão andando pelas ruas, nem a maioria de nós passa o dia conversando com IAs. As pessoas ainda morrem de doenças, ainda não conseguimos ir ao espaço com facilidade e há muito sobre o universo que não compreendemos.

E, no entanto, recentemente já se construiu sistemas que são mais inteligentes do que os humanos em muitos aspectos e capazes de ampliar significativamente a produtividade de quem os utiliza. A parte mais difícil desse trabalho já ficou para trás; os avanços científicos que nos levaram a sistemas como o GPT-4  foram conquistados com muito esforço, mas nos levarão muito longe.

A IA contribuirá para o mundo de muitas maneiras, mas os ganhos na qualidade de vida — decorrentes de uma IA que impulsiona um progresso científico mais rápido e aumenta a produtividade — serão enormes; o futuro pode ser muito melhor do que o presente. O progresso científico é o maior motor do progresso geral; é extremamente empolgante pensar em quanto mais podemos alcançar.

Em certo sentido amplo, o ChatGPT já é mais poderoso do que qualquer ser humano que já viveu. Centenas de milhões de pessoas dependem dele diariamente para tarefas cada vez mais importantes; uma pequena nova capacidade pode gerar um impacto extremamente positivo, enquanto um pequeno desalinhamento, multiplicado por centenas de milhões de usuários, pode causar um impacto negativo significativo.

O ano de 2025 marcou a chegada de agentes capazes de realizar trabalho cognitivo real; a programação de computadores nunca mais será a mesma. É provável que 2026 traga sistemas capazes de gerar novos insights. Já 2027 poderá ver a chegada de robôs capazes de realizar tarefas no mundo físico.

Muito mais pessoas serão capazes de criar software e arte. No entanto, o mundo demanda muito mais de ambos, e os especialistas provavelmente continuarão sendo muito mais competentes do que os iniciantes, desde que adotem as novas ferramentas. De modo geral, a capacidade de uma pessoa realizar muito mais coisas em 2030 do que em 2020 representará uma mudança marcante — uma mudança da qual muitas pessoas saberão tirar proveito. Nos aspectos mais fundamentais, a década de 2030 talvez não seja radicalmente diferente. As pessoas continuarão amando suas famílias, expressando sua criatividade, jogando e nadando em lagos.

No entanto, em outros aspectos também cruciais, é provável que a década de 2030 seja drasticamente diferente de qualquer época anterior. Não sabemos até que ponto podemos superar a inteligência de nível humano, mas estamos prestes a descobrir.

Na década de 2030, a inteligência e a energia — isto é, as ideias e a capacidade de concretizá-las — tornar-se-ão extremamente abundantes. Esses dois fatores foram, por muito tempo, os principais limitadores do progresso humano; com inteligência e energia em abundância (e uma boa governança), podemos, teoricamente, obter qualquer outra coisa.

Já convivemos com uma inteligência digital incrível e, após um choque inicial, a maioria de nós já se acostumou a ela. Rapidamente, passamos do espanto com a capacidade de uma IA gerar um parágrafo bem escrito para a expectativa de quando ela poderá criar um romance inteiro; ou do espanto com diagnósticos médicos que salvam vidas para a expectativa de quando ela desenvolverá as curas; ou do espanto com a criação de um pequeno programa de computador para a expectativa de quando ela poderá criar uma empresa inteira. É assim que a singularidade funciona: maravilhas tornam-se rotina e, depois, requisitos básicos.

Já ouvimos cientistas relatarem que são duas ou três vezes mais produtivos do que eram antes da IA. A IA avançada é interessante por muitos motivos, mas talvez nada seja tão significativo quanto o fato de podermos utilizá-la para acelerar a própria pesquisa em IA. Poderemos descobrir novos substratos computacionais, algoritmos melhores e, quem sabe, o que mais. Se conseguirmos realizar o equivalente a uma década de pesquisas em apenas um ano — ou um mês —, o ritmo de progresso será, obviamente, muito diferente.

Daqui para a frente, as ferramentas que já foram construídas nos ajudarão a obter novos insights científicos e a criar sistemas de IA ainda melhores. É claro que isso não equivale a um sistema de IA atualizando seu próprio código de forma totalmente autônoma; ainda assim, trata-se de uma versão embrionária de autoaperfeiçoamento recursivo.

Há outros ciclos de retroalimentação em ação. A criação de valor econômico desencadeou um efeito de impulso (ou "volante") na expansão cumulativa da infraestrutura necessária para operar esses sistemas de IA cada vez mais poderosos. E robôs capazes de construir outros robôs (e, em certo sentido, centros de dados capazes de construir outros centros de dados) não estão tão distantes assim.

Se tivermos de produzir o primeiro milhão de robôs humanoides pelo método tradicional, mas eles passarem a operar toda a cadeia de suprimentos — extraindo e refinando minérios, dirigindo caminhões, operando fábricas, etc. — para construir mais robôs, que por sua vez podem construir mais instalações de fabricação de chips, centros de dados, etc., então o ritmo de progresso será, obviamente, bem diferente.

À medida que a produção de centros de dados se torna automatizada, o custo da inteligência deve, com o tempo, convergir para um valor próximo ao custo da eletricidade. (As pessoas costumam ter curiosidade sobre quanta energia uma consulta ao ChatGPT consome. A consulta média consome cerca de 0,34 watt-hora — aproximadamente o que um forno consumiria em pouco mais de um segundo, ou o que uma lâmpada de alta eficiência consumiria em alguns minutos. Também consome cerca de 0,000085 galões de água; mais ou menos um quinze avos de uma colher de chá).

O ritmo do progresso tecnológico continuará a acelerar, e as pessoas continuarão sendo capazes de se adaptar a quase tudo. Haverá aspectos muito difíceis, como o desaparecimento de categorias inteiras de empregos; por outro lado, o mundo ficará tão mais rico e tão rapidamente que poderemos considerar seriamente novas ideias de políticas públicas que antes eram inviáveis. Provavelmente não adotaremos um novo contrato social de uma só vez, mas, ao olharmos para trás daqui a algumas décadas, veremos que as mudanças graduais terão resultado em algo grandioso.

Se a história servir de referência, descobriremos novas atividades e novos desejos, além de assimilar rapidamente novas ferramentas (a mudança nos empregos após a Revolução Industrial é um bom exemplo recente). As expectativas aumentarão, mas a nossa capacidade crescerá com a mesma rapidez, e todos nós teremos acesso a coisas melhores. Construiremos coisas cada vez mais maravilhosas uns para os outros. As pessoas possuem uma vantagem importante e curiosa, a longo prazo, em relação à IA: somos biologicamente programados para nos importar com outras pessoas e com o que elas pensam e fazem, ao passo que não damos tanta importância às máquinas.

Um agricultor de subsistência de mil anos atrás olharia para o que muitos de nós fazemos e diria que temos empregos de fachada, pensando que estamos apenas brincando para nos entreter, já que temos comida em abundância e luxos inimagináveis. Espero que olhemos para os empregos de daqui a mil anos e os consideremos também "empregos de fachada", embora não tenhamos dúvidas de que, para quem os exerce, eles parecerão incrivelmente importantes e gratificantes.

O ritmo de novas conquistas maravilhosas será imenso. É difícil até imaginar hoje o que teremos descoberto até 2035; talvez passemos da resolução de questões de física de altas energias em um ano para o início da colonização espacial no ano seguinte, ou de um grande avanço na ciência dos materiais em um ano para interfaces cérebro-máquina de alta largura de banda no ano seguinte. Muitas pessoas optarão por viver suas vidas praticamente da mesma maneira, mas pelo menos algumas provavelmente decidirão se "conectar".

Ao olhar para o futuro, é difícil assimilar essa ideia. No entanto, vivenciá-la provavelmente parecerá algo impressionante, porém administrável. De uma perspectiva relativística, a singularidade ocorre gradualmente, e a fusão acontece lentamente. Estamos percorrendo a longa trajetória do progresso tecnológico exponencial; ele sempre parece vertical quando olhamos para a frente e plano quando olhamos para trás, mas trata-se de uma curva contínua. (Pense em 2020 e em como soaria a ideia de ter algo próximo de uma IAG até 2025, em comparação com o que foram, de fato, os últimos cinco anos.)

Há desafios sérios a enfrentar, juntamente com os enormes benefícios. Precisamos resolver as questões de segurança, tanto do ponto de vista técnico quanto social; além disso, é fundamental garantir uma ampla distribuição do acesso à superinteligência, dadas as suas implicações econômicas. O melhor caminho a seguir talvez seja algo como:

Resolver o problema do alinhamento — ou seja, garantir de forma robusta que os sistemas de IA aprendam e ajam em prol daquilo que nós, coletivamente, realmente desejamos a longo prazo (os feeds de redes sociais são um exemplo de IA desalinhada: os algoritmos que os sustentam são incrivelmente eficazes em fazer você continuar rolando a tela e compreendem claramente suas preferências de curto prazo, mas fazem isso explorando algo em seu cérebro que se sobrepõe às suas preferências de longo prazo).

Em seguida, focar em tornar a superinteligência barata, amplamente disponível e não excessivamente concentrada nas mãos de uma única pessoa, empresa ou país. A sociedade é resiliente, criativa e capaz de se adaptar rapidamente. Se conseguirmos canalizar a vontade e a sabedoria coletivas das pessoas, então — embora cometamos muitos erros e algumas coisas deem muito errado — aprenderemos e nos adaptaremos rapidamente, sendo capazes de utilizar essa tecnologia para obter o máximo de benefícios e o mínimo de efeitos negativos. Oferecer muita liberdade aos usuários, dentro de parâmetros amplos definidos pela sociedade, parece algo muito importante. Quanto mais cedo o mundo iniciar uma discussão sobre quais são esses parâmetros amplos e como definimos o alinhamento coletivo, melhor.

10 abril 2026

Continuaremos sem uma ponte para o futuro

     É o que tudo indica o conteúdo do artigo publicado hoje no Estadão, que termina afirmando que o novo plano tem 19 objetivos e 73 metas, mas passa ao largo de muitas questões nele mencionadas. 

"Planos como estes não são a solução, mas parte do problema. [ ... ] Planos abrangentes e grandiosos, evitando temas controversos e combinando metas múltiplas distantes e dissociadas da responsabilidade de quem executa e da realidade orçamentária, geram no máximo burocracias para anotar o que foi ou não alcançado, por razões que nada têm a ver com o plano. Com isto, tiram o foco de problemas centrais que precisam de energia e de reformas pedagógicas e institucionais concretas. Podem ser politicamente espertos, mas são pouco inteligentes."

    A ponte para o futuro não se ver. Diagnósticos e soluções para os problemas em todos os setores são conhecidos. Também não há falta de recursos. Existem, sim, nas administrações públicas, interesses particulares, políticos e menores que se sobrepõem ao bom uso dos tributos que são arrecadados da sociedade em escala cada vez maior.

    Mas o que esperar de governos compostos por pessoas inábeis que, em momento algum, não se destacaram profissionalmente, na academia, ou na política sobre os assuntos que devem administrar ? Essa "doença" precisa urgentemente ser curada para que os brasileiros voltem a ter confiança e esperança em nosso País.

    Boa leitura.

*.  *.  *
Esquecendo a lição

Simon Schwartzman

Publicado em O Estado de São Paulo, 10 de abril de 2026


Para que a educação dê certo, é preciso aprender a lição. Fizemos dois planos nacionais de educação que não funcionaram, e agora, como maus alunos, vamos para o terceiro, aprovado por aclamação pelo Congresso. Quando vi a notícia, lembrei da frase famosa de Nelson Rodrigues — toda unanimidade é burra! Unanimidades são pouco inteligentes porque evitam dilemas e choques de interesse que precisam ser enfrentados. A saída mais fácil de contorná-los é jogar neles cada vez mais dinheiro, mas já estamos passando do limite.

A educação brasileira se expandiu enormemente nas últimas décadas, envolvendo hoje mais de 60 milhões de pessoas entre estudantes, professores e funcionários, quase um terço da população. Com as boas exceções de praxe, a qualidade é baixa e o impacto na produtividade da economia, quase imperceptível. O país já gasta cerca de 6% do PIB via setor público e outros 1,6% pelo setor privado em educação, muito mais, proporcionalmente, do que a grande maioria dos países. O Plano prevê que o investimento público chegue a 10% do PIB até 2034. Com a economia crescendo pouco, a dívida pública saindo do controle e competindo com outras demandas, é uma meta tão ilusória quanto a do plano passado, que encerrou com pouco mais da metade disso.

Vivemos com um sistema educativo concebido há mais de cinquenta anos que nunca funcionou bem, e não há de ser o recente “sistema nacional de educação”, aprovado também por unanimidade, que vai dar conta da mudança. Temos pela frente, por um lado, a impossibilidade de seguir gastando cada vez mais; por outro, duas grandes revoluções que podem abrir novos horizontes.

As novas tecnologias já afetam profundamente o mercado de trabalho. Profissões inteiras estão desaparecendo, outras surgindo, ninguém sabe ao certo quais. A inteligência artificial, os programas de ensino individualizado, as microcredenciais e a educação a distância estão mudando o que significa aprender. Estamos também diante de uma grande transição demográfica:m os nascimentos caíram de 3,6 milhões em 2000 para 2,6 milhões em 2022, e a coorte que entrará no ensino fundamental em 2030 deve girar em torno de 2,3 a 2,4 milhões. Escolas precisarão ser fechadas, bons professores poderão ganhar mais e outros precisarão ser realocados ou dispensados.

Com menos estudantes e novas tecnologias, deve ser possível e será necessário fazer muito mais com os mesmos e até menos recursos de que já dispomos, e dedicar mais para cuidar da população que está envelhecendo. Precisamos consolidar as boas experiências, incorporar o que nos ensinam as pesquisas educacionais, aprender com outros países, abandonar o que não funciona e abrir espaço para inovação.

O Plano faz da inclusão e da equidade dois de seus três pilares (o terceiro é a qualidade) e se compromete a que os resultados educacionais sejam 90% equivalentes entre grupos definidos por raça, renda e território. Mas equidade, aqui, ainda significa sobretudo acesso — e o problema que o Brasil enfrenta hoje mudou de natureza. A grande exclusão do século XX era externa: as crianças e jovens que não entravam na escola. Ela continua existindo, mas, cada vez mais, no século XXI, é interna. Nunca tantos brasileiros estiveram dentro do sistema; e nunca as diferenças entre abandonar e persistir, aprender mais ou menos, e ter melhor ou pior acesso ao mercado de trabalho — associadas a diferenças econômicas e sociais de origem — foram tão grandes. Além disto, o Plano deixa de lado questões específicas urgentes. Como lidar com o “patinho feio” da educação brasileira, o ensino fundamental II, em que milhões de jovens chegam aos 15 anos sem as competências mínimas esperadas? Quando aprenderemos com outros países a definir com clareza o que todos devem saber a esta idade e criar avaliações que responsabilizem as escolas pelos resultados e orientem os próximos passos de cada estudante? Como fazer com que o ensino técnico não seja um mero penduricalho do currículo médio tradicional e ofereça alternativas efetivas para quem não irá à universidade? Como escapar da camisa de força do ENEM, que acabou se tornando o currículo oculto de todo o ensino médio, inviabilizando qualquer diversificação real? E como fazer com que o ensino superior deixe de ser, para mais da metade dos que nele entram, uma miragem de futuro profissional que nunca alcançarão?

O novo plano tem 19 objetivos e 73 metas, mas passa ao largo destas questões. Como dizia meu professor Aaron Wildavsky, planos como estes não são a solução, mas parte do problema. Planos abrangentes e grandiosos, evitando temas controversos e combinando metas múltiplas distantes e dissociadas da responsabilidade de quem executa e da realidade orçamentária, geram no máximo burocracias para anotar o que foi ou não alcançado, por razões que nada têm a ver com o plano. Com isto, tiram o foco de problemas centrais que precisam de energia e de reformas pedagógicas e institucionais concretas. Podem ser politicamente espertos, mas são pouco inteligentes.

06 maio 2025

Educação: A desconstrução do Brasil

“A educação é um campo de disputa permanente. É um campo de conflito também”, disse o sociólogo Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), ao site da fundação Perseu Abramo — mantida pelo PT com dinheiro do fundo partidário.


Cesar Callegari: contrário a propostas como o homeschooling,
os vouchers e as escolas cívico-militares


    Cesar Callegari já havia participado do CNE¹ em outras duas ocasiões e integrou a equipe de transição de Lula. Em novembro, elegeu-se por unanimidade presidente do Colegiado. Não demorou para o sociólogo imprimir sua marca ideológica à frente do Conselho. Recentemente, o órgão foi alvo de críticas ao aprovar uma resolução controversa sobre os itinerários formativos do ensino médio (disciplinas optativas selecionadas pelos estudantes para se concentrarem em áreas específicas de afinidade, como profissões ou assuntos que desejam explorar além do básico). Chama a atenção o fato de o texto não fazer referências diretas a matérias como matemática, português, física ou química.


    Para especialistas críticos ao documento, os novos parâmetros prejudicam os jovens mais pobres, matriculados na rede pública — que, impedidos de se aprofundar em áreas decisivas do conhecimento, ficarão ainda mais defasados em relação aos alunos das escolas particulares. O resultado é um país menos preparado e competitivo (e mais desigual). A fala dá o tom da atuação militante de Callegari no cenário da educação brasileira. Ex-secretário em governos de Lula, Dilma Rousseff e Fernando Haddad, ele agora está à frente de um órgão estratégico para o projeto petista de controle curricular, combate ao conservadorismo, imposição de pautas identitárias e, claro, garantia de mais financiamentos públicos. Callegari, em sua trajetória política ainda inclui dois mandatos como deputado estadual pelo PSB paulista (1995-2003). 


    Não bastasse ser um defensor da tese de que não existe neutralidade na elaboração de currículos, ele tem se esforçado em refutar propostas que ganharam força no campo da direita nos últimos anos. Entre elas o homeschooling, o sistema de vouchers e, principalmente, as escolas cívico-militares. “Escola não é quartel”, afirma o título de um artigo escrito pelo presidente do CNE e publicado na revista de esquerda CartaCapital. Segundo o sociólogo, é “espantoso” que essa ideia tenha a simpatia de famílias e professores. Callegari tem apreço pelo conceito de “controle social da educação” — o tipo de expressão que parece saída da cartilha de um regime autoritário.

    

    Em agosto de 2024, Lula indicou 13 novos membros para o CNE. Entre os escolhidos estão ex-deputados do PT e do PSB, educadores populares (voltados para grupos “marginalizados e oprimidos”) e um sindicalista conhecido por organizar greves que paralisaram aulas em todo o país (Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, ligada à CUT).


"A falta de atitudes proativas do PT , malgrado os discursos recorrentes em contrário, pereniza nossas revoltantes condições de analfabetismo e sub-alfabetização. E, na outra ponta, conduz à deterioração paulatina e contínua da qualidade de nosso ensino universitário. Isso é uma vergonha para nosso país e um adeus a nossas possibilidades de verdadeiro desenvolvimento."  (*) Texto do livro "Dez anos de PT e a desconstrução do Brasil", 2013. p. 23-24, do autor José Gobbo Ferreira




¹ O CNE tem a função, em linhas gerais, de “pensar” as políticas nacionais para o setor. Seu quadro é composto por dois secretários do próprio MEC e 22 representantes da sociedade civil, que têm mandatos de quatro anos.

29 dezembro 2024

Rupturas profundas e generalizadas na sociedade

2024 está se encerrando como um dos anos de maior ruptura generalizada na sociedade. Ela se fez presente em praticamente todos os continentes, com predominância nos regimes ditatoriais ou "democráticos" de esquerda e/ou que adotam a pauta wokevista como uma ameaça aos valores tradicionais, e associada à censura e ao controle social. Mesmo em países com controle severo dos meios de comunicação, muitos desses fatos foram revelados.



Dentre as reportagens divulgadas em 2024, destacam-se aquelas que explicitaram ataques violentos na China nos últimos meses perfurando o verniz de estabilidade de uma sociedade rigidamente controlada. Vejamos alguns desses casos. 

  • No final de setembro, um homem de 37 anos matou três pessoas e feriu outras 15 em uma onda de esfaqueamentos em um supermercado de Xangai. 
  • Em outubro, um homem de 50 anos feriu cinco pessoas em um ataque com faca em Pequim. Em 11 de novembro, um homem de 62 anos dirigiu em direção a uma multidão na cidade de Zhuhai, no sul, e matou 35 pessoas e feriu outras 43 no que é considerado um dos atos de violência criminosa mais mortais da China em décadas. 
  • Nos dias que se seguiram, um esfaqueamento em massa por um estudante de 21 anos matou oito e feriu 17 em uma escola profissional em Wuxi, perto de Xangai, e 
  • um ataque de carro que deixou várias crianças em idade escolar e pais feridos do lado de fora de uma escola primária na província de Hunan. 
  • Houve pelo menos 20 ataques desse tipo na China este ano, com um número de mortos de mais de 90 pessoas. 

Autoridades do governo chamaram esses incidentes de "isolados" e ofereceram explicações enfatizando motivações individuais: o motorista do ataque de carro em Zhuhai estava insatisfeito com seu acordo de divórcio, por exemplo; o agressor de Wuxi foi reprovado nos exames. 

Porém, em conjunto, os ataques revelam rupturas profundas e generalizadas na sociedade chinesa alimentadas pela estagnação econômica, desigualdade sistêmica e imobilidade e exclusão social. Como resultado, esses incidentes passaram a ser conhecidos como "ataques de vingança contra a sociedade".

Um estudo comparativo publicado no Journal of Threat Assessment and Management, em 2022, revelou que a China foi responsável por 45% dos esfaqueamentos em massa relatados em todo o mundo entre 2004 e 2017. Sua participação pode ser atribuída não apenas à ampla disponibilidade de facas e controle rigoroso de armas, mas também a tensões sociopolíticas, incluindo estresse financeiro severo. 

Atos violentos na China geralmente têm como alvo vítimas aleatórias em espaços públicos e às vezes são performáticos; em outras palavras, o ponto não é atingir um objetivo específico, mas sim chamar a atenção da sociedade. Embora o extenso aparato de censura do Estado efetivamente sufoque o discurso público estendido sobre ataques em massa, a organização sem fins lucrativos China Digital Times, sediada na Califórnia, documentou surtos de atividades online após tais incidentes — indicando intenso interesse público — antes que as postagens fossem apagadas pelos censores.

Os controles rígidos do Partido Comunista Chinês - PCCh apenas agravaram o problema. A violência sustenta a ordem social da China, e a vingança contra os ataques à sociedade deve ser entendida em parte como uma resposta à violência estrutural perpetrada pelo próprio Estado, incluindo o silenciamento da dissidência e outras estratégias de controle, como a política do filho único

Os ataques públicos são frequentemente reações à repressão. A ironia é que o governo geralmente responde a eles com ainda mais repressão. Após o ataque em Zhuhai, por exemplo, as autoridades locais rapidamente impuseram uma proibição de denúncias, proibiram o luto em público e "higienizaram" o site. E o Estado mobilizou suas capacidades legais e de vigilância em uma aplicação de cima para baixo da estabilidade de curto prazo, uma marca registrada da gestão de crise do PCCh.

Tais respostas vêm às custas de medidas que abordariam os problemas subjacentes que incitam a vingança contra os ataques da sociedade. Se o PCCh se apegar a um estilo de governança centralizado e autoritário, as fraturas sociais estão fadadas a se intensificar. "Sem reformas sistêmicas para lidar com essas questões, a China corre o risco de fomentar um ciclo de frustração e inquietação que pode cada vez mais explodir em violência e até mesmo ameaçar a estabilidade de longo prazo do país", afirma a reportagem do jornal citado anteriormente.

Respondendo a ataques violentos ou expressões em massa de descontentamento, o Partido, em uma sede de controle, historicamente confiou em algumas estratégias principais que provavelmente só se intensificarão. Entre as mais centrais estão a vigilância, o policiamento aprimorados, e a cultura do cancelamento, que se propagam pelo mundo inclusive aqui no Brasil.

A já extensa infraestrutura de vigilância da China — reconhecimento facial avançado, pontuação de crédito social, monitoramento orientado por IA — está se expandindo ainda mais. Novas tecnologias, como o sistema Crowd Emotion Detection and Early Warning Device, que as autoridades afirmam poder analisar o comportamento e as emoções de grandes grupos de pessoas, podem ser usado para ajudar a detectar distúrbios, destacando os esforços do Estado não apenas para responder aos ataques, mas para evitá-los completamente. 

Medidas adicionais, como maior presença policial perto de escolas e em espaços públicos e monitoramento intensificado durante períodos politicamente sensíveis, evocam os modelos de segurança em regiões como Xinjiang, onde o governo chinês reprime sistematicamente os uigures e outras minorias muçulmanas há anos no que se tornou um estado policial provincial de fato.

Como o sociólogo Xueguang Zhou observou, a abordagem do PCCh não depende apenas da mobilização, mas também da propaganda, que se encaixa na censura do partido e na gestão narrativa. A rápida exclusão de comentários críticos nas mídias sociais e a supressão do discurso público garantem que os ataques em massa sejam enquadrados como incidentes isolados, em vez de sintomas de falhas sistêmicas mais profundas. 

Ao controlar a narrativa, o PCCh busca evitar a indignação pública e incidentes de imitação, mantendo sua imagem de autoridade. Mas essas medidas pesadas, por sua vez, perpetuam sentimentos de alienação e agitação entre o povo chinês, aumentando o risco de mais ataques.

Wu Si, o ex-editor-chefe do periódico de história Yanhuang Chunqiu, disse que "regras ocultas" governam a sociedade chinesa — sistemas informais que "não são éticos nem inteiramente legais", mas sustentam a estrutura social. 

Mas a frequência crescente de vingança contra ataques à sociedade sugere que a indiferença do Partido a certos direitos e sua repressão à dissidência podem estar tendo um efeito não intencional: o aumento da violência que pode parecer apolítica à primeira vista, mas constitui uma rejeição desesperada do status quo político. E se o Partido não conseguir expandir as oportunidades econômicas e reduzir as desigualdades e injustiças estruturais, ele pode acabar se deparando com desafios maiores do que a vingança contra ataques à sociedade.

Da mesma forma, tais desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos. Esses protestos destacam o crescente descontentamento entre diversos grupos e, para muitos, representam um protesto contra décadas de repressão.

12 dezembro 2024

Brasil cai em ranking global de competitividade


O Brasil caiu 6 posições no Índice Firjan de Competitividade Global, de acordo com o levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro divulgado nesta quarta (11).

Segundo a publicação, o país ocupou em 2023 a 46ª posição entre 66 nações, um retrocesso em relação à 40ª posição alcançada há dez anos. A análise revela piora em três dos quatro grupos de indicadores avaliados: eficiência do Estado, infraestrutura e ambiente de negócios.

A Firjan aponta que houve avanço apenas no quesito de capital humano, mas insuficiente para acompanhar o progresso de outros países. “Quando olha eficiência do estado como um todo, o Brasil piorou no quesito controle da corrupção, nas tarifas e na proteção excessiva”, disse Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da instituição.

Veja o posicionamento do Brasil no ranking da Firjan em cada categoria:

Capital humano: 33º;

Infraestrutura: 47º;

Ambiente de negócios: 51º;

Eficiência do Estado: 52ª.

Portanto, o ponto mais crítico para o país é a eficiência do Estado, com uma queda para a 52ª posição no quesito que avalia controle da corrupção, qualidade dos serviços públicos, respeito aos contratos e funcionamento do Judiciário.

A percepção de qualidade dos serviços públicos, por exemplo, coloca o país entre os oito piores, superando apenas sete nações. “Brasil está entre os oitos piores, ocupando a 56ª posição, ultrapassado por Índia e África do Sul, na eficácia do Estado”, emendou Goulart.

Outro quesito mal avaliado apontado pelo executivo é o respeito às regras e contratos e a ação do Judiciário, que afetam diretamente a confiança em investir no país.

Na infraestrutura, o cenário também é preocupante. A instalação de energia elétrica para novos negócios, por exemplo, leva em média 128 dias no Brasil, comparados aos 53 dias na Índia, um país com desafios semelhantes de desenvolvimento.

“[Brasil e Índia] estão na mesma corrida pelo desenvolvimento”, aponta Goulart.

Os 10 países líderes em competitividade:

1- Cingapura; 2- Suíça; 3- Dinamarca; 4- Finlândia; 5- Suécia; 6- Coreia do Sul; 7- Alemanha; 8- Noruega; 9- Áustria;10- Holanda. Veja na íntegra.

Segundo a pesquisa, o Brasil perde em competitividade para, entre vários países, o Panamá (40º), Vietnã (41º), Índia (42º), Indonésia (43º), Marrocos (44º) e África do Sul (45º). E aparece à frente de nações como a Sérvia (47º), Argentina (48º) e Paquistão (66º), último colocado no ranking.

No ambiente de negócios, mesmo com avanços em qualidade regulatória, o Brasil ainda não alcança seus pares. Fatores como segurança urbana e estabilidade política seguem sendo barreiras para melhorar a posição.

O único grupo de indicadores em que o Brasil não regrediu foi o de capital humano. No entanto, o investimento em educação por aluno é muito inferior ao dos líderes do ranking.

Segundo o estudo, o Brasil investe cerca de US$ 3,7 mil por aluno, enquanto a média dos cinco primeiros países (Cingapura, Suíça, Dinamarca, Finlândia e Suécia) é de US$ 22 mil.

Para Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, a educação de baixa qualidade é um dos principais entraves ao desenvolvimento do país. “As pessoas acabam não tendo acesso a uma educação de qualidade”, pontuou.

“Isso vira uma barreira para que consigam melhores postos de trabalho e um gargalo para as empresas que não conseguem mão de obra preparada para os novos tempos, à altura dos enormes desafios que as transformações tecnológicas impõem”, completou Caetano.

15 setembro 2024

FOI JK QUEM CRIOU A UnB

Por Vicente Limongi Netto

É o fim da picada. Patético e inacreditável. O Correio Braziliense continua incansável na ânsia de  publicar artigos de professores da UnB, desta feita, os notáveis Isaac Roitman e Fernando Oliveira Paulino( edição de 06/09) destacando que Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira foram os idealizadores da Universidade de Brasília. Basta de cansativas lorotas. Não é verdade. Respeitem os fatos e os leitores. Quem fundou a Universidade de Brasília foi o presidente Juscelino Kubitschek. É falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa da criação da UnB. Não tem amparo nos fatos. Darcy foi o primeiro reitor, mas foi Juscelino Kubitschek quem determinou todas as providências para criá-la, incumbindo o ministro da Educação, Clóvis Salgado, que as levou a bom termo.

Quem se interessar por detalhes, pode consultar, na Biblioteca Central da UnB, além do depoimento de Cyro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, também os relatos do ministro Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com perto de 10 horas de gravações que integram o projeto “História Viva”, daquela universidade.

O presidente JJK atribuiu a Cyro dos Anjos a incumbência de elaborar os atos de criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:

“Ministro Clóvis Salgado, a fim completar programa cultural nova capital não posso deixar de fundar a Universidade de Brasília portanto peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem Congresso dia 21 abril pt sds JK“.

O radiograma de JK coroou os esforços de seu ministro da Educação, Clóvis Salgado, de todos conhecidos e relevados no relatório quinquenal do MEC apresentado a JK em 31 de dezembro de 1960, em cujas páginas de números 286 a 295, no capítulo Universidade de Brasilia, estão todos os procedimentos que nortearam a criação da UnB estabelecidos pela comissão nomeada por Clóvis Salgado.

Quem participou – A comissão era integrada, nessa ordem, pelo reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon; pelo presidente do Conselho Nacional de Pesquisas, João Cristovão Cardoso; pelo Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, Anísio Teixeira; pelo presidente da Comissão Supervisora dos Planos dos Institutos, Ernesto Luís de Oliveira Junior; pelo coordenador da Divisão de Estudos e Pesquisas Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, Darcy Ribeiro; e pelo diretor de Programas da Comissão de Aperfeiçoamento de Pesquisas de Nível Superior, Almir de Castro.

Cyro dos Anjos, nascido na cidade de Darcy Ribeiro (Montes Claros, Minas Gerais), incluiu o conterrâneo na comissão e sugeriu o nome dele para reitor quando não havia candidato a esse cargo e a UnB só existia no papel. Foi assim que aconteceu. 

24 agosto 2024

CAVN - Uma ponte para o futuro

 

        No próximo dia 7 de setembro de 2024 será comemorado o primeiro centenário do Colégio Agrícola Vidal de Negreiros. Na sua inauguração, em 1924, foi inicialmente denominado de Patronato Agrícola, posteriormente de Aprendizado Agrícola, em seguida de Escola Agrotécnica. Todas essas denominações finalizadas com Vidal de Negreiros, em homenagem a André Vidal de Negreiros, um dos líderes da Insurreição Pernambucana contra a colonização holandesa no Brasil. Essa unidade educacional teve sua origem através do Decreto No. 12.893 de 28/02/1918, e sempre esteve sob a administração do governo federal.

Vista aérea da sede do CAVN

        Atualmente o Colégio está vinculado à Universidade Federal da Paraiba (Campus III), com sua sede localizada a 2 km da cidade de Bananeiras, estado da Paraíba, distante cerca de 120 km de sua capital João Pessoa e a 70 km de Campina Grande.

        Sob o ponto de vista pedagógico, os que lá se tornam alunos recebem ensinamentos teóricos, conhecimentos das práticas agropecuárias - “Aprender Fazendo” - e participam de atividades profissionais, esportivas e sociais.

        São muitas as histórias oriundas de seus milhares de ex-alunos. Em comum elas possuem um traço que o define não apenas como uma escola, mas como uma extensão de suas residências familiares, tal o aconchego encontrado naqueles que fizeram e fazem o Colégio até os dias atuais. Aqui não haveria espaço para citar os depoimentos de todos os alunos. Por isso mesmo, apenas um deles será exposto, propositadamente de forma anônima, pois traduz - com exatidão - a síntese de todos os demais.

"Devo tudo de minha vida a Deus e ao nosso amado CAVN. Foi lá que recebi os melhores ensinamentos técnicos e humanitários, que me fizeram trilhar pelos caminhos da Agropecuária e também de minha formação como pessoa."

        As comemorações terão duração de uma semana tendo seu ápice nos dias 6 e 7 de setembro. A sua programação está ilustrada na imagem abaixo. Para todos aqueles que estiveram - "moraram" - no CAVN por algum tempo, a maioria dos eventos dessa programação relembra atividades comuns praticadas anualmente do Colégio, em momentos festivos durante toda a sua existência.

PS.: A base e o V são da cor azul



13 julho 2024

A Índia precisará de 1 milhão de engenheiros de alta tecnologia à medida que a economia se expande

Acabo de ler um artigo sinalizando que o setor de tecnologia da Índia precisará de mais de 1 milhão de engenheiros com habilidades avançadas em inteligência artificial e outras especialidades nos próximos 2 a 3 anos e que essa demanda não será atendida a menos que o governo reforce significativamente a educação e o treinamento em todo o país.

O setor tecnológico da Índia está avaliado em 254 bilhões de dólares, desempenha um papel importante na economia, empregando cerca de 5,4 milhões de pessoas. Os serviços tecnológicos representam cerca de 7,5% do produto interno bruto do país, de mais de 3 trilhões de dólares.

O mesmo artigo traz as advertências de economistas conhecidos que afirmam que a fraca escolaridade da Índia prejudicará as perspectivas de crescimento num país onde mais da metade dos 1,4 bilhão  de habitantes têm menos de 30 anos.

Tal fato me fez lembrar de uma entrevista concedida por Jonh Mayo, presidente do Laboratório Bell,  à revista Veja há exatos trinta anos (1994) (que saudades da Veja daquele tempo) quando respondeu a seguinte pergunta, formulada por Euripedes Alcântara: 

"Que desafios o avanço das tecnologias coloca para as novas gerações? ". 

Mayo respondeu: "O maior desafio é profissional. É preciso descobrir onde estão os empregos do futuro próximo. Nesse cenário, a idéia mais corrente é que a tecnologia está reduzindo o número de empregos numa velocidade nunca vista. É uma idéia errada. A tecnologia está mudando a natureza dos empregos, mas não está destruindo postos de trabalho. Muitas funções básicas, primárias e mal pagas desaparecerão para dar lugar a novos postos de trabalho mais qualificados. A idéia perversa de que as novas tecnologias estão desempregando os engenheiros e os colocando para vender sanduíches não é verdadeira. Ou não é inteiramente verdadeira".

[ ... ] "As novas tecnologias estão criando mais empregos do que aqueles suprimidos por elas. A tendência é cristalina. Hoje em dia a oferta de emprego nos Estados Unidos é maior do que em qualquer outra época de sua História. Isso se deve a tecnologia. Isso nao é nenhuma novidade. Sempre foi assim. A revolução industrial criou mais empregos do que havia antes dela."

 [ ... ]  " Se há um conselho a ser dado aos jovens, é o de que tudo quanto eles aprenderam nos quatro ou cinco anos de universidade é suficiente apenas para o primeiro ano de vida profissional. Para os anos seguintes, o aprendizado terá de ser recomeçado. As chances de fazer uma carreira apenas com o que se aprendeu na universidade hoje em dia é zero. Uma carreira profissional dura em torno de trinta a 35 anos. No ritmo em que pesquisa avança atualmente, isso significa que a pessoa passará por quatro a cinco revoluções tecnológicas. Cada uma significará uma chance de a pessoa se tornar osoleta para o mercado de trabalho. Portanto, o processo de aprendizado tem de ser contínuo."

Artigos como esse acima foram importantes para, em 2006, se formular para o Brasil um plano de formação de recursos humanos para TICs. O plano (FCHS) foi formulado mas sua implementação, por razões políticas - troca dos titulares no Ministério da Ciência e Tecnologia - não saiu do papel. Mas, mesmo assim, ganhou também destaque em uma matéria na imprensa.

O projeto Formação de Capital Humano em Software (FCHS), tinha como base o desenvolvimento simultâneo de módulos de capacitação para reciclagem, reeducação, formação técnica e superior de profissionais. Naquela época o déficit apontado para 2012 era de 230 mil profissionais. Esse quadro na área de Tecnologia da Informação não tem se alterado. Ele é reflexo da acentuada transformação digital ocorrida no mundo, conforme já discorremos aqui.

Bom, o assunto, no mundo inteiro, não sai das manchetes. E parece mais grave devido a maior rapidez do avanço das tecnologias e - de forma inversa - a formação de recursos humanos devidamente qualificados.

As estimativas mais conservadoras são de que a lacuna na oferta e procura de talentos digitais deverá aumentar dos atuais 25% para cerca de 29% em 2028. Percentuais esses que nunca diminuíram durante os últimos 30 anos.

03 janeiro 2024

A bagaça que Harvard e outras universidades americanas se tornaram

Claudine Gay renunciou ao cargo de presidente da Universidade de Harvard na terça-feira em uma carta à comunidade universitária.

A renúncia relatada de Gay ocorre na sequência de inúmeras alegações de plágio, bem como seu controverso depoimento ao Congresso sobre o que Harvard está fazendo para combater o antissemitismo no campus após o ataque do Hamas a Israel.

Gay foi atingida com quase 50 alegações de plágio afetando oito de seus 17 trabalhos publicados.

Não é um caso isolado

A renúncia de Gay ocorre depois que Liz Magill anunciou que deixaria o cargo de presidente na Universidade da Pensilvânia, também em meio a acusações de que ela não estava fazendo o suficiente para combater ataques verbais e físicos contra judeus no campus.

Em dezembro, Gay e Magill, juntamente com Sally Kornbluth do MIT, testemunharam ao Congresso e evitaram responder se o apelo ao genocídio dos judeus violava os códigos de conduta das universidades.


Após essa audiência no Congresso, diversos doadores de alto perfil suspenderam suas doações para a escola da Ivy League, e as inscrições antecipadas para Harvard caíram cerca de 17%.




19 dezembro 2023

Governo Lula prepara ofensiva contra o agro no Plano Nacional de Educação

A reportagem do jornalista Marcos Tosi, publicada na Gazeta do Povo deste domingo 17/12/2023, revela que no próximo mês de janeiro, férias de muitos brasileiros, o governo Lula receberá caravanas de militantes em Brasília numa mobilização para incluir pautas progressistas e de viés de esquerda dentro do Plano Nacional de Educação 2024-2034. Confira o seu conteúdo completo no texto a seguir e, posteriormente, este outro "O Brasil está produzindo alimentos demais, e isso vai contra as noções de virtude das cabeças mais avançadas da Europa. O Brasil é um horror, talvez o maior horror de hoje, para a “agenda 2030”, aqui neste link.

* * *.


O MST e a CUT foram convidados para contribuir com as políticas públicas nacionais que serão encampadas pelo Ministério da Educação na próxima década. Curiosamente, instituições como a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), que é a principal representante do setor agropecuário, não estão listadas no documento oficial com os “atores sociais” convocados para a conferência.

Uma das diretrizes do documento-base da Conferência Nacional de Educação 2024, chancelado pela Presidência da República e pelo Ministério da Educação em outubro, diz que “se faz urgente a contraposição efetiva do Estado, nas suas diversas esferas federativas, às políticas e propostas ultraconservadoras”.

Dentre os alvos, são listados os colégios cívico-militares (pede-se sua “desmilitarização”), o homeschooling (visto como tentativa de descriminalizar a educação familiar) e, diz o texto, os diversos grupos “que desejam promover o agronegócio por meio da educação”.

Quanto aos colégios cívico-militares, o atual governo já acabou com o programa em nível federal, mas não conseguiu impedir que o sucesso do formato se espalhe pelo país. No Paraná, por exemplo, em consulta pública à comunidade, mais 83 escolas (de 126 consultadas) decidiram integrar o modelo cívico-militar no ano que vem. Isso elevará o total para 289 colégios, inclusive os 12 abandonados pelo MEC, que serão incorporados pelo estado. Outras 28 escolas vão votar, ainda este ano, a adesão ao sistema, podendo o número final ultrapassar 300 colégios.

Em relação à educação domiciliar, a tentativa de movimentos esquerdistas de criminalizá-la foi negada pelo STF, mas ainda falta regulamentação por parte do Poder Legislativo, o que deixa as famílias expostas a interpretações locais ideologizadas.

Esquerda declara guerra a iniciativas que valorizam o agro

Na frente de combate ao agronegócio, estão na mira o programa De Olho no Material Escolar (DONME), que surgiu no interior de São Paulo, em 2020, como reação a conteúdos ideológicos, distorcidos e desatualizados sobre a agropecuária brasileira em livros didáticos, e o programa Agrinho, iniciativa da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) que existe desde 1996 e é replicada por vários outros estados.

No Paraná, o Agrinho mobiliza todos os anos mais de um milhão de estudantes, e 80 mil professores, em concursos de redação e projetos pedagógicos envolvendo temáticas sociais, de meio ambiente, saúde e cidadania.

Na plenária estadual preparativa para a conferência de educação em Brasília, sindicalistas reunidos em Curitiba aprovaram uma moção de repúdio à “série de prejuízos e violações que o Programa Agrinho acomete aos objetivos da escola pública”. Não foi detalhado, no entanto, quais prejuízos seriam esses. A Secretaria Estadual de Educação, que participou da conferência preparatória, informou que não assinou nenhuma moção contra o Agrinho e que, pelo contrário, dá total apoio ao programa.

Contatada pela Gazeta do Povo para comentar o ataque a seu projeto de responsabilidade social, a Faep informou, em nota, que o material didático do Agrinho apresenta um conteúdo “de acordo com a realidade das crianças e professores, com atualizações constantes de especialistas de diversos estados e também do exterior”.

Ideologia à frente da educação

“Em 2020, por exemplo, o tema ‘Agro pela Água’ permitiu que os alunos trabalhassem, em sala de aula e na comunidade, o uso racional deste recurso, para que não volte a faltar no futuro. Naquele ano, a estiagem castigou tanto o campo quanto a cidade”, aponta a Faep.

Na avaliação da instituição, “os ataques ao Programa Agrinho, consolidado na educação do Paraná e com diversos exemplos de contribuição para formação do cidadão, são infundados, e têm como origem pessoas despreparadas, que não conhecem a essência do trabalho e que, em muitos casos, colocam a ideologia à frente da educação”.

Outro alvo da Conae 2024 é o movimento De Olho no Material Escolar. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos e sem ligação com grupos políticos criada em São Paulo por pais de alunos inconformados com conteúdos distorcidos sobre a agropecuária nos livros didáticos. A proposta do movimento é revisar esses materiais, a partir de dados científicos, públicos e atualizados. A curadoria tem o apoio de instituições como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Instituto de Zootecnia, Embrapa, Insper e FGV.

A empresária Letícia Jacintho, de Barretos (SP), fundadora do movimento, observa que muitas afirmações encontradas nos materiais didáticos retratam realidades obsoletas, de cem anos atrás.

O que particularmente tem irritado os ativistas de esquerda é que o movimento não busca confrontação, mas cooperação com editoras de livros didáticos, para que os autores conheçam a realidade do agronegócio nacional, com visitas a fazendas, feiras agropecuárias e agroindústrias.

Agro do século 20 ou 21?

O movimento criou uma dinâmica positiva junto às principais editoras do país. Mario Ghio, CEO da editora Somos Educação, classifica o "De Olho" como "uma ponte fundamental com a geração de tecnologia, com os pesquisadores e com a atividade econômica do mundo agro".

"De fato, na sala de atual, o mundo agro está sendo retratado ainda muito mais com a imagem do século 20 do que do século 21. Então, nosso esforço é trazer a percepção do mundo agro para o século 21", afirmou Ghio após encontro de editoras.

No interior de São Paulo, durante uma filmagem o autor de um livro didático quis ver onde estavam os boias-frias cortando cana, sem se dar conta de que, atualmente, quase a totalidade da colheita da cana-de-açúcar no estado é mecanizada. Muitos nunca ouviram falar do Vale do Silício Caipira, em Piracicaba, que concentra dezenas de empresas agritechs, várias delas incubadas pela Esalq, ao lado de gigantes como Bayer, Raízen e Suzano. 

“É algo que eles não conheciam, é uma cortina que se abre. E o setor educacional se encanta com isso, afinal, a editora quer mostrar o melhor. Não consigo acreditar que um professor levante de manhã planejando dar a pior aula. Todo mundo tem vontade de dar uma boa aula. Muitas das editoras estão listadas na bolsa, empregam gente, e tem noção da sua importância para a sociedade”, observa Letícia Jacintho.

Visitas in loco e Agroteca mostram a realidade

Estudantes e professores também têm participado dessas excursões para ver in loco as áreas de conservação nas fazendas, o uso de EPI, o plantio direto, a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) e outras boas práticas que não são contadas pelos detratores do agronegócio.

Nesta reação aos mitos e ataques contra o setor rural, o movimento De Olho no Material Escolar criou uma biblioteca digital, a Agroteca, com dezenas de conteúdos de livre acesso, como artigos, games, vídeos, infográficos, reportagens e livros, abordando em bases científicas temas sobre o agronegócio exigidos das escolas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

“Para saber sobre índio, a pessoa tinha que entrar no site da Funai; se é desmatamento, no site do Ibama; se é solo, na Embrapa. Com frequência, são materiais muito técnicos, de difícil tradução para as crianças. Por isso, às vezes o autor vai no Google e acaba adotando a linguagem das ONGs internacionais, de fácil acesso. O que nós estamos fazendo é pegar conteúdos que estão prontos e trazendo para um repositório, que é a biblioteca virtual. Não estamos influenciando na escrita. A gente simplesmente abre fontes para os autores. Eles usam o que quiserem”, ressalta a fundadora do movimento.

Grupos marxistas defendem ataques do Enem ao agro

Desde que surgiu, o movimento De Olho no Material Escolar tem sido atacado pela esquerda, por associações como a De Olho nos Ruralistas, e por grupos de professores ligados ao marxismo agrário.

“Buscam a todo custo impedir que nas escolas públicas e particulares se debata sobre desmatamento e queimadas, sobre trabalho escravo e superexploração do trabalho, sobre concentração fundiária, da riqueza e da renda, sobre a violência no campo, como se tudo isso fosse coisa do passado e não existisse mais no campo brasileiro, no qual reinaria o agro pop, tech, tudo”, reagiram, ainda em 2021, professores do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Grupo de Trabalho sobre Assuntos Agrários da Associação dos Geógrafos Brasileiros, também do Rio de Janeiro. Este último aprovou recentemente “Nota de Repúdio à Tentativa de Censura ao ENEM 2023”, defendendo as questões ideologicamente distorcidas para atacar o agronegócio.

Sobre a crítica de que o movimento De Olho no Material Escolar tem viés ideológico e anticientífico – justamente aquilo que se propõe a combater – Letícia Jacintho lembra que os questionamentos são feitos a partir de dados científicos atuais. “Temos o apoio de grandes instituições de pesquisa que participaram de toda a transformação que aconteceu na agricultura ‘tropical’ nas últimas décadas, e que nos dão curadoria e embasamento científico sobre os temas do setor rural, como Esalq e Instituto de Zootecnia (IZ), além de instituições educacionais como Embrapa, Insper, FGV e outras”, rebate.

Instituições ligadas ao agro reagem à ofensiva ideológica

Em reação à ofensiva do governo Lula contra o agro no setor educacional, quatro instituições assinaram uma "carta à nação brasileira" preparada pela Associação de Olho no Material Escolar, que aponta pontos críticos e equivocados do documento-base para o Plano Nacional de Educação.

De saída, causou estranhamento o curto prazo entre a convocação da conferência (11 de setembro) e a divulgação do documento-base (18 de outubro). "A expectativa de obtenção de documento plural, passível de beneficiar o pleno acesso à educação de qualidade por todos os brasileiros, foi frustrada", diz a carta. Em vez de construir consensos, despertou debates acalorados que podem se estender por meses e anos. "É inegável que o conteúdo divulgado pela CONAE 2024 é motivo de séria e constante preocupação para o cidadão brasileiro, combalido pelo fardo de desafios históricos que o setor educacional nacional não tem conseguido superar", pontua a nota.

Além da DONME, assinam a carta a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Querem embutir no PNDE posição refratária à iniciativa privada

Veja os pontos críticos apontados pelas instituições no documento-base da Conae 2024, que norteará o Plano Nacional de Educação:

Ausência de base técnico-científica na abordagem do conteúdo: há referências pejorativas e parciais com juízos de valores questionáveis sobre gestões anteriores desde a democratização do País;

Postura refratária à inciativa privada e seu papel no desenvolvimento econômico, além de pautas legítimas à sociedade, como o amplo debate ao direito das famílias de educarem seus filhos (democratização da educação); a exemplo da educação domiciliar;

Limitado rigor técnico na análise do PNE 2014-2024, atendo-se apenas a sumário descritivo dos seus resultados, sem refletir sobre a pertinência das metas, das estratégias ou dos indicadores;

Falta de rigor técnico na contextualização do tema de cada eixo, utilizando-se de um discurso prolixo com margem a questionamento do teor ético, o que dificulta a comunicação (para a sociedade) e o entendimento das razões que levaram às escolhas dos direcionamentos;

Ausência de análise metódica dos problemas, das suas causas e consequências e das suas relações lógicas de modo a se permitir a definição de objetivos, diretrizes e metas, além da concatenação de iniciativas a fim de se garantir efetividade e maximização de recursos;

Ausência de clareza, aprofundamento e contextualização de temas relacionados à ideologia e identidade de gênero. Ausência de proposição de letramento.

Necessidade de distinguir fatos dos mitos

Ouvido pela reportagem ainda antes da divulgação do documento esquerdizante preparatório para a Conae 2024, José Otavio Menten, professor da Esalq/USP e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável, sublinhou que o desafio na área educacional, no que tange à agropecuária, está em fazer prevalecer os fatos, e não os mitos.

“Essas pessoas, ou mal informadas, ou por vontade ideológica de ser contra o agro, acabam sendo mais eficientes na comunicação do que os técnicos e os cientistas. Essa tentativa de desvalorizar o campo é extremamente injusta. Aquela história do Jeca Tatu indolente, do coronel que explora o empregado e que produz muito pouco, do filho menos competente do proprietário que fica na roça, o resto vai para a cidade, isso mudou completamente", diz Menten.

"O Brasil é líder mundial na agricultura tropical. Fizemos uma revolução. Não dá para entender hoje no Brasil quem não tenha orgulho de nosso agro. Não somos fiscais. No ambiente acadêmico é normal a divergência, mas queremos competência técnica”, assegura.

Se o agro brasileiro fez uma revolução tecnológica e produtiva nas últimas décadas, um novo capítulo da contrarrevolução do governo Lula já tem data para lançamento: de 28 a 30 de janeiro de 2024, em Brasília, na Conferência Nacional de Educação 2024.


06 dezembro 2023

PISA: 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível mínimo em matemática

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2022 foram divulgados, nesta terça-feira (5/12), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pelo Ministério da Educação e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O destaque entre os resultados foi o baixíssimo nível de desempenho dos estudantes brasileiros em matemática. 

Obviamente, deve se perguntar também por que com todo o dinheiro investido em nossa educação, os nossos jovens aprendem menos do que há 20 anos, segundo o Pisa. Ou por que, segundo dados da OCDE, no Brasil, 67% dos jovens de 15 e 16 anos levariam zero em matemática, leitura e ciências se comparados a seus colegas de toda parte. A mesma pesquisa da OCDE nos colocou em 58o lugar entre 65 países.

Tais resultados demonstram que não foram levadas a sério  a Lei de Diretrizes e Bases de 1961 e uma mensagem de um ex-presidente da República encaminhada ao Congresso Nacional, há mais de 60 anos, na qual se ler que uma verdadeira democracia só se alcança quando todos os cidadãos, sem nenhuma distinção, tiverem acesso a uma educação de qualidade.

A LDB/1961, estabeleceu escola pública, universal, gratuita e laica para todos os brasileiros. O ensino dela decorrente, deveria estar sintonizado com amplo projeto político e liberal, onde o mérito deveria ser o mais essencial critério de progresso do individuo e o método de impulsão e de produtividade de toda a sociedade.

Resultados

De acordo com os resultados do Pisa 2022, o Brasil atingiu a pontuação de 379 em matemática, em contraste com a média dos países da OCDE, que foi de 479. Quanto ao nível de desempenho, a escala vai de 1 a 6, sendo que 2 é considerado o nível "básico" de conhecimento e, abaixo dele, é um resultado insatisfatório. Considerando isso, 73% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do mínimo (nota 2), enquanto os países da OCDE possuem apenas 31% de jovens na mesma faixa. Considerando o ranking geral nesta área, nosso país ficaria entre a 62ª e 69ª posição.

Já nas áreas de leitura e ciências, a diferença não é tão significativa em comparação aos países da OCDE, e também há bem menos estudantes em nível abaixo do básico. Em leitura, o Brasil pontuou 410 e os membros da OCDE 476 - o resultado foi semelhante entre países da América Latina. Houve também concentração menor de jovens abaixo do nível 2 (50%) - enquanto essa mesma taxa na OCDE é 27%. Em ciências, o Brasil obteve 403 pontos e a OCDE 485 - 55% dos estudantes ficaram abaixo de 2 e na OCDE essa taxa foi de 24%. 

 


 

 

O que é o Pisa

O Pisa é o principal exame internacional em educação e mede, a cada três anos, o desempenho de estudantes de 15 e 16 anos — idade em que a maioria dos alunos caminha para o fim do ciclo da educação básica.

A medição ocorre por meio de um teste computadorizado de duas horas de duração nas competências de leitura, matemática e ciências.

O objetivo não é medir conhecimentos específicos (por exemplo, se os alunos sabem aplicar determinada fórmula matemática), mas sim se as escolas são capazes de prepará-los para a vida adulta, de acordo com Andreas Schleicher, coordenador do Pisa. 

Na prática, o que o exame avalia é se esses estudantes são capazes de entender plenamente um texto, formular, empregar e interpretar conhecimentos matemáticos em diferentes contextos e compreender conceitos, dados e fenômenos científicos que lhes permitam engajar-se na sociedade como um "cidadão letrado".

Na edição de 2022, cerca de 690 mil estudantes fizeram a prova no mundo todo, uma amostra que representa 29 milhões de adolescentes de 15 anos. 

No Brasil, 10.798 alunos de 599 escolas completaram a prova de Matemática. Eles representam cerca de 2,3 milhões de alunos de 15 anos (cerca de 76% da população total com esta idade).

Perfil dos participantes do Pisa 2022 no Brasil:

  • 73,1% dos estudantes da rede estadual
  • 81,9% dos matriculados no ensino médio
  • 96,5% das escolas em área urbana
  • 76,4% das escolas localizadas no interior
[ ... ] "Nenhum vetor da atividade humana se presta mais para a dominação do homem pelo homem do que a educação.

Embora nada seja feito de concreto para retirar da ignorância grande parcela de nossos patrícios, a doutrinação ideológica está ostensiva ou subliminarmente presente em todas as atividades educacionais públicas no país."

(*) Texto do livro "Dez anos de PT e a desconstrução do Brasil", 2013. p. 23-24, do autor José Gobbo Ferreira.