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28 março 2026

Flávio Bolsonaro subiu ao palco principal da CPAC Texas


    Na tarde de sábado, 28 de março de 2026, o senador Flávio Bolsonaro subiu ao palco principal da CPAC Texas (Conservative Political Action Conference) — o maior encontro conservador do mundo — e afirmou, em seu discurso, que houve interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2022. Citou a atuação da administração de Joe Biden, o financiamento de ONGs por estruturas como a USAID e a NED, a pressão diplomática sobre autoridades brasileiras, o alinhamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva com a China e a condenação de seu pai como parte de um sistema de lawfare.

Os pontos centrais do discurso

    Flávio Bolsonaro organizou o discurso em três eixos que avançavam do pessoal ao geopolítico: a condenação de Jair Bolsonaro como lawfare, o papel dos Estados Unidos nas eleições de 2022 e a posição estratégica do Brasil no cenário global.

    Começou pelo pai. Disse que Jair passou seu 71º aniversário hospitalizado e sob prisão, condenado a 27 anos num processo que chamou de lawfare “quase idêntico ao que Donald Trump sofreu aqui na América”. A comparação foi calculada: ao invocar Trump como espelho, traduziu uma realidade brasileira em linguagem que a plateia da CPAC assimila de imediato. “A acusação formal é semelhante à que o presidente Donald Trump enfrentou: insurreição. Soa familiar?”

    Em seguida, afirmou que houve interferência americana nas eleições de 2022, com atuação direta da administração Biden, financiamento de ONGs via USAID e pressão institucional sobre autoridades brasileiras. Descreveu o retorno de Lula ao poder como resultado direto dessa interferência — e não de uma vitória eleitoral legítima.

    O argumento avançou para a geopolítica. Flávio afirmou que o Brasil é peça-chave para reduzir a dependência americana da China em minerais críticos, citando que os EUA ainda dependem da China para cerca de 70% das importações de terras raras — essenciais para processadores, inteligência artificial e equipamentos militares. Disse que o governo Lula, em vez de se tornar esse parceiro, alinhou-se à China em escala massiva e adotou posições contrárias aos americanos em cada item da política externa: Venezuela, Irã, Cuba e combate ao narcotráfico.

    Para sustentar essa linha, citou dois episódios concretos e recentes. O primeiro: o governo Lula teria feito lobby ativo junto a assessores americanos para impedir que os dois maiores cartéis brasileiros — o PCC e o CV — fossem classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos, argumento que Flávio ancorou em artigo publicado pelo New York Times no dia anterior ao discurso. O segundo: o Brasil cancelou o visto do Dr. Darren Beatty, assessor sênior do Departamento de Estado para política brasileira — a mais alta posição diplomática americana para assuntos do Brasil —, após ele solicitar uma visita a Jair Bolsonaro na prisão para avaliar suas condições de detenção. “Sim, o Brasil está agora expulsando diplomatas americanos”, disse Flávio ao microfone.

    No encerramento, pediu atenção internacional às eleições de outubro de 2026 — com monitoramento do processo, fiscalização da liberdade de expressão nas redes sociais e pressão diplomática para que as instituições funcionem. E anunciou formalmente sua candidatura à presidência, com uma frase direta para a plateia: “Deixem-me olhar nos olhos de vocês e dizer — nós vamos vencer.”



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