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21 março 2026

1985 foi o apogeu da música de barzinho em Brasília

No início dos anos 1980, o Chorão (302) e o Amigos (105) abriram espaço para a música ao vivo. No Amigos se destacava a bossa de Rosa Passos com o violão do Miranda. Forte na música ao vivo era também o Jangadeiro na 715, com o Dilsão cantando e tocando guitarra.

Ainda se destacavam o Asa Branca (710), com forró e sambão, Mistura Fina (209) com um som de jazz mais sofisticado, o Bar Academia que tinha uma banda própria, mas sempre trazia atrações nacionais como Elza Soares ou Cauby. Ao lado tinha o Overnight com a cantora da casa, Cleide Magalhães. 

Ali perto do CEUB havia ao menos 6 casas com música ao vivo, com destaque, claro, para o Bom Demais na 706 e também para o Bye Bar Brasil com o som da Ana Donizetti e Josias dos Santos. Por ali também havia o Tarrafas, o Recanto Carioca e o Esquina Mineira (905) com MPB ao vivo.

Na 304 dominava o Degraus, com os melhores músicos tocando, com destaque para a cantora Ângela Regina. Na 204, mais abaixo, o Samba Show e Cia. Já na 202, havia o Amore Mio Bar que dobrou de tamanho quando comprou o vizinho Bar Doce Bar.

Saindo da Asa Norte, no setor central destacavam-se os piano bares do Garvey Hotel  e do Aracoara. Havia ainda o bar Terraço com shows de Johnny Lopes, o Bar do Chorão, anexo ao Clube do Choro e o sensacional Panorama, na Torre de TV.

A Asa Sul era mais sofisticada, com destaque para o piano do chique Piantella na 202 com o grande Renato Vasconcellos e o baixista Zambinha. Chiques também eram o Fino´s (405) com direção do ícone Daniel Jr., o London Tavern (408) que fazia jam sessions de jazz.

Mas o mais badalado local de música da Asa Sul era o Tasca (405) com música ao vivo de terça à domingo com o melhor da MPB e jazz. O Cavaquinho (114) era bem movimentado também.

Mais populares era o Esquina (302) com sambão e chorinho e o Piatã (204) com músicas românticas do Wilson Maia. Um point que surgiu em 1985 foi o Umas e Outras na 213 já com bandinhas jovens tocando.

O Lago Sul era mais conhecido pelas discotecas, mas havia o Barril 2000 que lotava (acho que às segundas feiras) com shows do Miltinho Guedes com o Dente, Muca e Beto da banda Plug. No Sobrado 23, sempre havia shows de Toninho Terra acompanhado do violonista Zezinho. No GAF, música romântica ao piano.

Em 1985 se destacavam, no Gilbertinho, dois points: o Le Club e o Grog, ambos mistos de boites com casas de shows ao vivo. No Grog lembro de shows do Artimanha, Nara Leão e do Nadador Rômulo Arantes Jr que virou cantor depois que se aposentou das piscinas.

A foto é do José Eduardo Ladeira Filho 
tocando no Tasca


PS.: Texto de autor desconhecido



Detecção paleomagnética de movimentos relativos das placas - evidência mais antiga de tectônica de placas e da idade da Terra

    Artigo publicado na Science - "Paleomagnetic detection of relative plate motions and an infrequently reversing core dynamo at 3.5 Ga". Isto representa um ritmo sete vezes mais rápido que qualquer placa tectônica se move hoje. Essa descoberta acaba de ser apresentada como a evidência direta mais antiga do movimento das placas tectônicas na Terra.


    A técnica utilizada é fascinante. A equipe coletou
 931 amostras de rocha em mais de 100 locais diferentes e analisou o magnetismo presente nelas. Cada rocha funciona como uma espécie de “bússola fóssil”, registrando a direção do campo magnético da Terra no momento em que se resfriou.

    As variações encontradas não eram apenas as inversões magnéticas que conhecemos, quando o norte se torna sul, mas mudanças mais sutis na orientação. Para identificá-las, os pesquisadores aqueceram progressivamente as rochas a quase 600°C, ponto em que todo o magnetismo é perdido, o que permitiu diferenciar sinais criados em momentos distintos.

    Essas mudanças só teriam duas explicações possíveis: ou os polos magnéticos da Terra se moveram de forma dramática, ou o próprio continente se deslocou. Como não há evidências de movimentos tão intensos dos polos em outras partes do mundo no mesmo período, a conclusão aponta para o movimento continental.

    “Apostamos muito alto”, disse Brenner, pesquisador, hoje pós-doutorando em Yale. “Desmagnetizar milhares de núcleos leva anos. E valeu muito a pena! Os resultados superaram nossos sonhos mais ousados.”

    Os números impressionam. A região hoje conhecida como Pilbara Oriental se moveu 24 graus de latitude em apenas 30 milhões de anos, terminando sua jornada a 77° Sul, mais ao sul que grande parte da Antártida atual. No auge desse deslocamento, a região se movia a aproximadamente 47 centímetros por ano.

Estromatólitos em Shark Bay, na Austrália Ocidental.
A região do Pilbara, onde foi realizado o estudo,
guarda alguns dos registros mais antigos de vida no planeta (
Imagem: s_porter01 / iStock)

    Além de avançar para o sul, o Pilbara também girou no sentido horário por mais de 100 graus nesse período, algo ainda mais distante do padrão dos movimentos continentais observados hoje.

    Depois de toda essa agitação, algo curioso aconteceu: o Pilbara praticamente parou. Por 25 milhões de anos, o movimento foi tão pequeno que sequer pôde ser medido, como se o continente tivesse se esgotado após tanta atividade.

    Enquanto isso, outras regiões do planeta não passavam pela mesma experiência. O Cinturão de Pedra Verde de Barberton, na África do Sul, uma das poucas regiões do mundo com rochas de idade similar, permaneceu praticamente imóvel durante o mesmo período.

    A descoberta força os cientistas a repensar como funcionava a tectônica de placas nos primórdios da Terra. Atualmente, o planeta opera em um sistema chamado de “tampa ativa”. Nos primeiros dias da Terra, muitos geólogos acreditavam na existência de uma “tampa estagnada” ou “tampas lentas”, com pouco ou nenhum movimento de placas.

    Um planeta em que pelo menos um continente se movia mais rápido que qualquer placa atual pode precisar de uma classificação totalmente nova. Os autores do estudo consideram a possibilidade de um sistema de “tampa episódica” ou o criativamente batizado “tampa plutônica esponjosa“. Mais continentes precisarão ser estudados para uma resposta definitiva, mas o modelo de “tampa estagnada” claramente não se aplica a 3,5 bilhões de anos atrás.

“Estamos vendo movimento de placas tectônicas, o que exige que havia fronteiras entre essas placas e que a litosfera não era uma grande casca contínua ao redor do globo, como muitos argumentaram antes”, disse Brenner. “Em vez disso, ela estava segmentada em diferentes pedaços que podiam se mover uns em relação aos outros.”

    Além do movimento continental, a equipe identificou evidências da inversão mais antiga do campo magnético planetário já registrada, ocorrida há 3,46 bilhões de anos. Os pesquisadores acreditam que essas inversões eram mais raras do que nos tempos atuais. Como explicou o professor Roger Fu: “Não é por si só conclusivo, mas sugere que talvez o dínamo estivesse em um regime ligeiramente diferente do atual.”

    A tectônica de placas não é apenas uma curiosidade geológica. Ela molda a vida na Terra de formas fundamentais, empurrando cadeias de montanhas para cima e separando espécies em continentes distantes. Muitos cientistas planetários argumentam que as condições para a própria vida seriam mais hostis, se não completamente impossíveis, sem a reciclagem de materiais pelo manto que a tectônica de placas proporciona.

    O fato de nenhum outro planeta ou lua do Sistema Solar parecer ter tectônica de placas deixa os cientistas questionando por que a Terra é diferente. Essa pergunta permanece sem resposta, mas parece que, durante a maior parte da história terrestre, a tectônica de placas foi uma característica constante do planeta.

21 março 2022

COMUNISMO NO BRASIL: 100 ANOS DE HISTÓRIA E DE MUITOS CRIMES

A infelicidade do Século

"O século passado nos deixou uma marcante característica não encontrada em outros tempos: a extraordinária amplitude dos massacres de homens feitos por homens. Isso só foi possível pela tomada do poder pelo comunismo de tipo leninista e pelo nazismo tipo hitlerista," afirma o historiador Alain Besançon (A Infelicidade do Século).

Besançon, nos diz também que ainda que inimigos e originários de histórias diferentes, os dois regimes têm traços em comum. Eles se colocaram com o objetivo de chegar a uma sociedade perfeita, destruindo os elementos negativos que se opusessem a ela. Eles pretendiam ser filantrópicos, pois queriam, um deles, o bem de toda a humanidade, o outro o do povo alemão. Mas o que os aproxima mais é que ambos se deram ao direito - e mesmo dever - de matar, e o fizeram com métodos que se assemelham.

"O livro negro do comunismo" (Stephanie Courtois et al.,1999), ousou calcular a soma de mortos que era possível atribuir-se ao comunismo. Uma cifra de 85 a 100 milhões, sem que tenham sido seriamente contestadas. No caso do nazismo, calcular com exatidão o número correto de pessoas mortas como resultado de suas políticas é uma tarefa extremamente difícil. Não há um só documento criado por funcionários nazistas na época da Guerra que explicite exatamente quantas pessoas foram mortas. Estima-se em cerca de 20 milhões, os civis e soldados desarmados mortos pelo regime.

O comunismo no Brasil

Fundadores do PCB, em março de 1922.
De pé, da esquerda para a direita:
Manuel Cendon, Joaquim Barbosa,
Astrogildo Pereira,João da Costa Pimenta,
 Luís Peres e José Elias da Silva;
 sentados, da esquerda para a direita:
Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e
Cristiano Cordeiro

No próximo dia 25 de março de 2022, completa-se 100 anos da criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB).  100 anos de história e de muitos crimes. Fundado por nove comunistas, por ex-militantes anarquistas inspirados pela Revolução Russa tinha a denominação de Partido Comunista-Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC), e no mesmo ano de sua fundação foi colocado na ilegalidade. Voltou à legalidade em 1927. Em 1934, o PC-SBIC passou a denominar-se Partido Comunista Brasileiro (PCB). O partido tinha a obrigação de seguir as "21 condições" para novos partidos comunistas ingressarem no Komintern (Internacional Comunista). 

Luiz Carlos Prestes foi o mais famoso “militante” do PCB, ocupando o cargo de Secretário-Geral por 37 anos. Passou a ser membro do PC-SBIC em 1931. Deflagrou a sangrenta Intentona Comunista, em 1935. Esse primeiro grande crime de lesa-pátria do PCB, ocorrido em Natal, Recife e Rio de Janeiro, ocasionou a morte de 34 militares (alguns friamente assassinados enquanto dormiam nos quartéis) e de mais de 1.000 civis.

Em 1935, antes do levante comunista, um “Tribunal Vermelho” do PCB promoveu o “justiçamento” (assassinato) de Bernardino Pinto de Almeida, o ”Dino Padeiro”, por crime de traição. Em 2 de dezembro de 1935, o PCB fez “justiçamento” de Afonso José dos Santos, cujo crime só foi elucidado em 1941. 

Um dos crimes mais horrendos perpetrados pelo PCB foi o assassinato de Elvira Cupelo Colônio, a “Elza Fernandes” ou “Garota”, amante, desde os 16 anos, de Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”, na época secretário-geral do PCB. Presa junto com “Miranda” após a Intentona Comunista, no início de janeiro de 1936, a “Garota” foi solta e passou a ser considerada traidora junto à cúpula do PCB. 

Condenada à morte por Luís Carlos Prestes, a “Garota” foi então estrangulada com uma corda em volta do pescoço e, como o corpo não coubesse em um saco, foi partido ao meio e enterrado nos fundos de uma casa, em Guadalupe, no Rio de Janeiro. Estava perpetrado um dos crimes mais hediondos cometidos pelo PCB. A história do Partidão e “Os crimes do PCB”, incluindo outros “justiçamentos”, podem ser conferidos aqui.

Após o levante militar de 1935, o PCB foi colocado na ilegalidade. Preso em 15 de março de 1936, Prestes foi anistiado pelo Presidente Getúlio Vargas, em 1945, ano em que o PCB retorna à legalidade e Prestes se elegeu senador pelo PCB. A bancada comunista, em 1945, foi de 17 deputados federais, entre eles Jorge Amado, Carlos Marighella e Gregório Bezerra. O PCB foi colocado novamente na ilegalidade em 1947 pelo Superior Tribunal Eleitoral, por ser um partido supranacional que defendia a ditadura do proletariado. Em 1948, os parlamentares do PCB foram cassados. 

Em 1962, ocorre a primeira grande dissidência dentro do PCB, com a criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Essa dissidência ocorreu após as denúncias dos crimes de Stálin apresentadas por Nikita Krutschev durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em 1956. O PCdoB teria destaque, anos mais tarde, na Guerrilha do Araguaia (1967-1974). 

O PCB conheceu seu mais longo período de clandestinidade durante o governo dos generais-presidentes, de 1964 a 1985. Diferente do PCdoB, o PCB não se envolveu diretamente na luta armada durante o “regime militar”, empunhando armas pela “redemocratização” do Brasil, mas na luta gramscista de “ocupação de espaços” em todos os setores nacionais, onde “Herbert Marcuse dava o pretexto ideológico e Antonio Gramsci a modalidade de organização partidária”, no dizer de Olavo de Carvalho. 

Ainda na década de 1970, essa tomada de “ocupação de espaços” ocorreu especialmente nas redações de jornais e revistas, com destaque para a atuação de Frei Betto e frades dominicanos, que tinham contato com o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), embrião da Ação Libertadora Nacional (ALN), fundado em 1968 por Carlos Marighella, por discordar do PCB quanto à luta armada após este participar da OLAS, em Cuba, em 1967. Marighella havia abandonado um curso de Engenharia para se filiar ao PCB em 1934. O AC/SP tinha assistência jurídica, composta de 3 advogados: Nina Carvalho, Modesto Souza Barros Carvalhosa e Raimundo Paschoal Barbosa. Quando procurado pela polícia, em São Paulo, Frei Beto, que havia ingressado no convento dos dominicanos, em São Paulo, em 1966, foi acobertado pelo Provincial da Ordem, Frei Domingos Maia Leite, e transferido para o seminário dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, RS. Frei Beto foi preso no RS, onde atuava junto com a ALN para fuga de terroristas ao Uruguai. 

Frei Betto, quando atuava como repórter na Folha da Tarde, recrutou os jornalistas Jorge Miranda Jordão (Diretor), Luiz Roberto Clauset, Rose Nogueira e Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel. A “ocupação de espaços” incluía também a TV Cultura (Vladimir Herzog), as universidades (método Paulo Freire), as editoras de livros (Civilização Brasileira, de Ênio Silveira), o meio intelectual (Caio Prado), os centros de cultura popular e até as igrejas, especialmente a Igreja Católica dos “progressistas” (neomarxistas) Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara e Frei Leonardo Boff. 

Na Editora Abril, a base de apoio era de aproximadamente 20 pessoas, comandadas pelo jornalista Roger Karman, e composta por Karman, Raymond Cohen, Yara Forte, Paulo Viana, George Duque Estrada, Milton Severiano, Sérgio Capozzi e outros, que elaboraram um arquivo secreto sobre as organizações armadas (servia também como fonte de informações para organizações subversivas). O antigo membro do PCB, escritor e filósofo Olavo de Carvalho, em depoimento à “História Oral do Exército - 31 Março 1964”, descreve como ocorreu essa nova intentona comunista, cujas consequências permanecem até os dias atuais, com destaque para a predominância do ensino da ideologia comunista nas escolas e nas universidades

Assim, pode-se afirmar que tanto a ALN de Carlos Marighella, quanto a VPR de Carlos Lamarca, são filhos diletos do PCB. Durante o “regime militar”, mais de uma centena de “genéricos do PCB” foram criados no Brasil, para propagar o terrorismo e a subversão, com vistas a implantar uma ditadura comunista no País. Para isso, os terroristas fizeram cursos em Moscou, Pequim e em Cuba. Uma lista desses movimentos terroristas que infernizaram o Brasil nas décadas de 1960 e 1970 pode ser conferida neste link . 

Em maio de 1980, Prestes foi substituído na presidência do Partidão pelo cabo Giocondo Dias, por muitos anos seu motorista e guarda-costas. Em 1985, com o fim do governo militar, tanto o PCB, quanto o PCdoB voltaram a funcionar como partidos políticos. 

Roberto Freire foi o último comunista brasileiro a receber dinheiro da antiga URSS, o tal “ouro de Moscou”, por ocasião de sua campanha eleitoral à Presidência do Brasil, em 1989. Quem fez esta declaração foi o ex-diplomata da União Soviética no Brasil, Vladimir Novikov, coronel da KGB, que serviu em Brasília sob a fachada de Adido Cultural junto à Embaixada Soviética, nos anos de 1980. 

Nesses 100 anos de história e inúmeros crimes praticados, o PCB teve três candidatos a Presidente da República: Minervino de Oliveira (1930), Yedo Fiúza (1945) e Roberto Freire (1989). 

Em 1992, o PCB transformou-se em Partido Popular Socialista (PPS) após a dissolução da União Soviética, porém foi recriado em 1995 (bandeira com foice e martelo) por comunistas históricos, que não aceitaram a nova ordem mundial após o fim da URSS. Em março de 2019 alterou seu nome para Cidadania e continuando no seu comando o Roberto Freire, cuja extensa presidência tem levado alguns de seus membros a deixarem o partido, como foi o caso recente (2022) do senador Alessandro Vieira, de Sergipe, que já se filiou ao PSDB.