


O verdadeiro fervor revolucionário na América Latina atual, com líderes determinados a transformar não apenas seus países, mas a própria região, é evidente principalmente na direita ideológica. Com líderes conservadores vencendo diversas eleições recentemente e favoritos em outras no próximo ano, a América Latina parece preparada para uma mudança histórica que alteraria fundamentalmente a forma como os países lidam com o crime organizado, a política econômica, suas relações estratégicas com os Estados Unidos e a China, e muito mais. Em 2025, o presidente conservador do Equador, Daniel Noboa, foi reeleito, enquanto o partido de Milei obteve uma vitória inesperadamente expressiva nas eleições legislativas de meio de mandato da Argentina, impulsionando ainda mais sua agenda. A Bolívia viu o fim de quase 20 anos de regime socialista com a eleição de Rodrigo Paz Pereira, um reformista de centro. Os candidatos conservadores à presidência lideram as pesquisas na Costa Rica e no Peru, e estão muito próximos da vitória no Brasil e na Colômbia, em eleições previstas para antes do final de 2026.
A América Latina é composta por cerca de 20 países com histórias e dinâmicas políticas distintas, e a direita pode não prevalecer em todos os casos. Mas houve outros momentos na história em que a região se moveu mais ou menos em sincronia: as ditaduras reacionárias que varreram grande parte da região nas décadas de 1960 e 1970, após a Revolução Cubana; a grande onda de redemocratização da década de 1980; as reformas pró-mercado do "Consenso de Washington" da década de 1990; e a chamada onda rosa que levou Chávez e outros esquerdistas ao poder no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Hoje, outro realinhamento regional parece estar se formando, desafiando algumas das premissas mais básicas que o mundo exterior faz sobre a América Latina. O resultado seria uma região que, nos próximos anos, adotaria uma política mais agressiva contra o narcotráfico e outros crimes, seria mais receptiva a investimentos nacionais e estrangeiros, se preocuparia menos com as mudanças climáticas e o desmatamento e estaria amplamente alinhada com o governo Trump em prioridades como segurança, migração e limitação da presença da China no Hemisfério Ocidental.
