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11 janeiro 2026

As Forças que estão remodelando a Região na era Trump

     Praticamente desde o momento em que ele e seu bando de rebeldes barbudos entraram em Havana em 1959 até sua morte por causas naturais em 2016, o líder mais icônico da América Latina foi Fidel Castro. Com seu uniforme militar característico, charutos Cohiba finos e discursos longos vilipendiando os Estados Unidos, Castro cativou a imaginação de aspirantes a revolucionários e milhões de pessoas ao redor do mundo. Nunca satisfeito em apenas governar Cuba, Castro trabalhou incansavelmente para exportar suas ideias. Sua rede global de aliados e admiradores cresceu ao longo das décadas, incluindo líderes tão diversos quanto Salvador Allende no Chile, Hugo Chávez na Venezuela, Robert Mugabe no Zimbábue e Yasser Arafat, chefe da Organização para a Libertação da Palestina.

    O comandante se reviraria no túmulo se soubesse que, hoje, as duas figuras latino-americanas que mais se aproximam de seu perfil global são ambas da direita ideológica. Javier Milei, o autoproclamado presidente “anarcocapitalista” da Argentina, que empunha uma motosserra para simbolizar seu zelo por reduzir drasticamente o tamanho do governo, e Nayib Bukele, o líder barbudo da geração millennial de El Salvador, conquistaram seguidores fervorosos em seus países e no exterior. Em vez do onipresente grito revolucionário cubano, ¡Hasta la victoria, siempre! (“Sempre em frente para a vitória!”), o lema libertário de Milei, ¡Viva la libertad, carajo! (“Viva a liberdade, caralho!”), agora estampa camisetas em alguns campi universitários nos Estados Unidos e é citado por políticos até mesmo em Israel. 

    Assim como Castro em sua época, ambos os líderes estão exercendo uma influência muito maior do que o esperado para seus países no cenário global. Milei foi o primeiro chefe de Estado a se encontrar com o presidente dos EUA, Donald Trump, após sua eleição em 2024, recebendo uma recepção suntuosa em seu resort Mar-a-Lago. Trump chamou Milei de "meu presidente favorito" e, em outubro, concedeu um pacote de resgate de US$ 20 bilhões à Argentina — o maior auxílio financeiro dos Estados Unidos para qualquer país em 30 anos. O sucesso de Milei em reduzir a burocracia e os entraves governamentais, o que ajudou a diminuir a inflação na Argentina de mais de 200% quando ele assumiu o cargo em 2023 para cerca de 30% no final de 2025, foi aclamado como um modelo pela líder da oposição conservadora do Reino Unido, Kemi Badenoch, pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e por muitos outros na direita europeia. Isso também o tornou uma espécie de guru para titãs libertários do Vale do Silício, como Elon Musk, que empunhou a motosserra de Milei no palco de uma conferência de conservadores nos Estados Unidos em fevereiro. Enquanto isso, a repressão de Bukele às gangues o tornou uma figura extremamente popular em grande parte da América Latina e além, mesmo que ele ignore sem pudor as preocupações com o devido processo legal e os direitos humanos. (Em uma pesquisa de 2024, cerca de 81% dos chilenos avaliaram Bukele positivamente, percentual superior ao de qualquer outro líder global e mais que o dobro do de seu próprio presidente.) Bukele tem mais de 11 milhões de seguidores no TikTok, mais do que qualquer outro chefe de Estado, com exceção de Trump.

    O verdadeiro fervor revolucionário na América Latina atual, com líderes determinados a transformar não apenas seus países, mas a própria região, é evidente principalmente na direita ideológica. Com líderes conservadores vencendo diversas eleições recentemente e favoritos em outras no próximo ano, a América Latina parece preparada para uma mudança histórica que alteraria fundamentalmente a forma como os países lidam com o crime organizado, a política econômica, suas relações estratégicas com os Estados Unidos e a China, e muito mais. Em 2025, o presidente conservador do Equador, Daniel Noboa, foi reeleito, enquanto o partido de Milei obteve uma vitória inesperadamente expressiva nas eleições legislativas de meio de mandato da Argentina, impulsionando ainda mais sua agenda. A Bolívia viu o fim de quase 20 anos de regime socialista com a eleição de Rodrigo Paz Pereira, um reformista de centro. Os candidatos conservadores à presidência lideram as pesquisas na Costa Rica e no Peru, e estão muito próximos da vitória no Brasil e na Colômbia, em eleições previstas para antes do final de 2026.

    A América Latina é composta por cerca de 20 países com histórias e dinâmicas políticas distintas, e a direita pode não prevalecer em todos os casos. Mas houve outros momentos na história em que a região se moveu mais ou menos em sincronia: as ditaduras reacionárias que varreram grande parte da região nas décadas de 1960 e 1970, após a Revolução Cubana; a grande onda de redemocratização da década de 1980; as reformas pró-mercado do "Consenso de Washington" da década de 1990; e a chamada onda rosa que levou Chávez e outros esquerdistas ao poder no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Hoje, outro realinhamento regional parece estar se formando, desafiando algumas das premissas mais básicas que o mundo exterior faz sobre a América Latina. O resultado seria uma região que, nos próximos anos, adotaria uma política mais agressiva contra o narcotráfico e outros crimes, seria mais receptiva a investimentos nacionais e estrangeiros, se preocuparia menos com as mudanças climáticas e o desmatamento e estaria amplamente alinhada com o governo Trump em prioridades como segurança, migração e limitação da presença da China no Hemisfério Ocidental.

11 janeiro 2024

Falso brilhante

Falso Brilhante foi o décimo quarto álbum de estúdio da cantora brasileira Elis Regina, lançado no Brasil em 1976 pela gravadora Phonogram. O álbum surgiu de um espetáculo planejado para contar a história de vida e profissional de Elis Regina.


O álbum está na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, de acordo com a revista Rolling Stones. Segundo o Jornal do Brasil, o álbum vendeu cerca de 182 mil cópias no Brasil, até 23 de março de 1980, sendo o disco mais vendido da carreira da cantora.

Atualmente, Falso Brilhante é considerado não apenas um dos maiores sucessos da carreira de Elis Regina, como um dos discos mais representativos da MPB dos anos 1970.

Antecedentes - O Espetáculo Falso Brilhante

Em 1975, Elis Regina estreou uma temporada solo intitulada Falso Brilhante, com o objetivo de contar sua história, vida e carreira, sem deixar de lado as críticas à ditadura militar brasileira. 

Tudo isso num ambiente um tanto circense. As apresentações, sob direção cênica de Myriam Muniz e direção musical de Cesar Camargo Mariano, ocorreram no Teatro Bandeirantes, ficando em cartaz por praticamente dois anos, de 1975 a 1977. 


Ocorreram, apenas em São Paulo, 257 apresentações, com público aproximado de 280 mil pessoas. O título, Falso Brilhante, foi extraído do bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, de João Bosco e Aldir Blanc, lançado por Elis em novembro de 1974, sendo ressignificado como metáfora de sua vida.

“Sentindo frio em minh’alma / te convidei pra dançar / a tua voz me acalmava / são dois pra lá, dois pra cá / no dedo um falso brilhante / brincos iguais ao colar / e a ponta de um torturante / bandaid no calcanhar...”

Devido à popularidade do espetáculo Falso Brilhante, foi solicitado que Elis e seus músicos gravassem parte do repertório em estúdio para que fosse lançado um LP. O disco foi gravado em apenas dois dias entre as folgas das apresentações ao vivo e, talvez por isso mesmo, Falso Brilhante foi, à época, tido como produção de qualidade menor, em termos técnicos e de arranjos.

O Beco das Garrafas

O Beco das Garrafas fica na Rua Duvivier, no Rio de Janeiro. É uma rua estreita e sem saída. Batizado inicialmente como ‘Beco das Garrafadas’, surgiu do costume dos moradores dos edifícios dali jogarem garrafas nos frequentadores das boates que ficavam na rua. No início da década de 1960 havia quatro boates muito famosas: Ma Griffe, Bacará, Little Club e Bottle’s. 

O Beco - onde Miele e Bôscoli iniciaram suas carreiras - era um lugar que os fascinava. Estavam sempre lá em busca de bebida, boa música e amor ao Beco. 

Fascinados ficaram também ao se depararem com uma cantora minúscula, de voz forte, alegre, vibrante e senso rítmico espetacular. Foi nesse mesmo período que Elis conheceu o incomparável Lennie Dale.