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24 agosto 2026

Dez anos antes de se suicidar, a despedida de Getúlio Vargas aos Pracinhas da FEB


Dez anos de se suicidar, em junho de 1944, o Brasil vivia um dos momentos mais importantes de sua participação na Segunda Guerra Mundial. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) estava prestes a enviar seus primeiros soldados para a Europa, onde combateriam ao lado dos Aliados contra as forças do Eixo. 

Na noite de 29 de junho, os integrantes do 1º Escalão embarcaram no navio-transporte norte-americano USS General W. A. Mann. Na madrugada do dia seguinte, o presidente Getúlio Vargas esteve a bordo para se despedir dos militares que deixavam o Brasil rumo à guerra.
Em seu discurso, Vargas falou em nome da nação brasileira e reconheceu a dimensão daquele momento. Os soldados estavam deixando para trás suas famílias, seus lares e a segurança de sua terra natal para cumprir uma missão militar em território europeu.
O presidente destacou a responsabilidade que aqueles homens carregavam e pediu que dedicassem corpo e alma à missão. Também afirmou que o governo acompanharia suas famílias durante a ausência e manifestou confiança no sucesso da missão brasileira.
A despedida terminou com uma mensagem que simbolizava a esperança de que aqueles homens retornariam à Pátria: “Não é um adeus. É, antes, um ‘até breve’, quando ouvirdes a palavra da pátria agradecida.”

O navio deixou o Brasil em 2 de julho de 1944, levando o primeiro contingente da FEB para a Europa.
Posteriormente, outros escalões seguiriam para a Itália, formando a força brasileira que participaria da campanha italiana.
Aquele embarque marcou o início de uma jornada que levaria milhares de brasileiros aos campos de batalha. Muitos enfrentariam o frio dos Apeninos, o fogo da artilharia e os perigos do combate. Alguns jamais retornariam.
A história daquele momento não está apenas nos documentos ou nos registros militares. Ela também está na imagem de homens que, antes de serem soldados em uma terra distante, eram filhos, pais, irmãos e esposos que deixaram suas famílias para cumprir uma missão em nome do Brasil.
O discurso de despedida de Vargas representa, portanto, o registro de um momento singular da história brasileira: o instante em que os primeiros Pracinhas deixaram a Pátria e partiram para escrever, nos campos de batalha da Itália, uma das páginas mais importantes da história militar do Brasil.


21 agosto 2026

Agosto ganhou no Brasil a fama de “mês do desgosto”

Agosto ganhou no Brasil a fama de “mês do desgosto”, sobretudo na história política. É possível se montar uma sequência impressionante de acontecimentos. O ponto de partida pode ser o assassinato de João Pessoa, em 26 de julho de 1930, poucos dias antes de agosto, porque sua morte teve enorme repercussão política e contribuiu para o ambiente que desembocaria na Revolução de 1930. Abaixo um breve resumo desses acontecimentos.

26 de julho de 1930 — Assassinato de João Pessoa 

João Pessoa, presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas nas eleições de 1930, foi assassinado em Recife por João Dantas. O crime teve fortes componentes pessoais e políticos. Seus adversários foram responsabilizados politicamente pelo episódio, e a morte de João Pessoa acabou transformada em símbolo da oposição ao governo de Washington Luís. Poucos meses depois, em outubro, ocorreu a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

5 de agosto de 1954, ocorreu o Atentado da Rua Tonelero, no Rio de Janeiro

Uma tentativa de assassinato contra o jornalista e político Carlos Lacerda, um dos principais opositores de Getúlio Vargas. Lacerda ficou ferido no pé, mas o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, que o acompanhava, foi morto a tiros.

As investigações acabaram envolvendo integrantes da guarda pessoal de Vargas, especialmente Gregório Fortunato, chefe da guarda presidencial. O episódio provocou enorme pressão política e militar sobre o governo e foi decisivo para a crise que culminou no suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.


24 de agosto de 1954 — Suicídio de Getúlio Vargas

Talvez seja o acontecimento mais associado à fama negativa de agosto. Pressionado por adversários políticos e militares após a crise desencadeada pelo atentado da Rua Tonelero, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Sua Carta-Testamento provocou enorme comoção popular. A frase “Saio da vida para entrar na História” tornou-se um dos símbolos de sua morte.



25 de agosto de 1961 — Renúncia de Jânio Quadros

Exatamente sete anos e um dia depois da morte de Vargas, Jânio Quadros renunciou à Presidência, após apenas sete meses de governo. A renúncia abriu uma grave crise política, porque setores militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. A solução temporária foi a implantação do parlamentarismo, permitindo a posse de Jango em setembro de 1961.

22 de agosto de 1976 — Morte de Juscelino Kubitschek

O ex-presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília e pelo lema desenvolvimentista “50 anos em 5”, morreu em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende, no Rio de Janeiro. A morte de JK aumentou ainda mais a associação de agosto a acontecimentos trágicos da política brasileira.




13 de agosto de 2014 — Morte de Eduardo Campos

O então candidato à Presidência Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, morreu na queda de um avião em Santos, São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2014. Sua morte provocou nova comoção nacional e voltou a alimentar a tradição popular de considerar agosto um mês marcado por tragédias políticas.

Portanto, a fama de “agosto, mês do desgosto” não nasceu de um único acontecimento, mas foi sendo reforçada pela extraordinária concentração de crises e mortes de importantes personagens da política brasileira.

Há ainda outros acontecimentos de agosto bastante marcantes na História do Brasil, inclusive a Campanha da Legalidade de 1961, o início da crise que culminou no impeachment de Collor em 1992 e episódios importantes da ditadura militar.