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24 agosto 2024

CAVN - Uma ponte para o futuro

 

        No próximo dia 7 de setembro de 2024 será comemorado o primeiro centenário do Colégio Agrícola Vidal de Negreiros. Na sua inauguração, em 1924, foi inicialmente denominado de Patronato Agrícola, posteriormente de Aprendizado Agrícola, em seguida de Escola Agrotécnica. Todas essas denominações finalizadas com Vidal de Negreiros, em homenagem a André Vidal de Negreiros, um dos líderes da Insurreição Pernambucana contra a colonização holandesa no Brasil. Essa unidade educacional teve sua origem através do Decreto No. 12.893 de 28/02/1918, e sempre esteve sob a administração do governo federal.

Vista aérea da sede do CAVN

        Atualmente o Colégio está vinculado à Universidade Federal da Paraiba (Campus III), com sua sede localizada a 2 km da cidade de Bananeiras, estado da Paraíba, distante cerca de 120 km de sua capital João Pessoa e a 70 km de Campina Grande.

        Sob o ponto de vista pedagógico, os que lá se tornam alunos recebem ensinamentos teóricos, conhecimentos das práticas agropecuárias - “Aprender Fazendo” - e participam de atividades profissionais, esportivas e sociais.

        São muitas as histórias oriundas de seus milhares de ex-alunos. Em comum elas possuem um traço que o define não apenas como uma escola, mas como uma extensão de suas residências familiares, tal o aconchego encontrado naqueles que fizeram e fazem o Colégio até os dias atuais. Aqui não haveria espaço para citar os depoimentos de todos os alunos. Por isso mesmo, apenas um deles será exposto, propositadamente de forma anônima, pois traduz - com exatidão - a síntese de todos os demais.

"Devo tudo de minha vida a Deus e ao nosso amado CAVN. Foi lá que recebi os melhores ensinamentos técnicos e humanitários, que me fizeram trilhar pelos caminhos da Agropecuária e também de minha formação como pessoa."

        As comemorações terão duração de uma semana tendo seu ápice nos dias 6 e 7 de setembro. A sua programação está ilustrada na imagem abaixo. Para todos aqueles que estiveram - "moraram" - no CAVN por algum tempo, a maioria dos eventos dessa programação relembra atividades comuns praticadas anualmente do Colégio, em momentos festivos durante toda a sua existência.

PS.: A base e o V são da cor azul



19 janeiro 2017

UMA CRISE ANUNCIADA. HÁ MAIS DE CEM ANOS !

    Nas últimas semanas o País inteiro tem sido submetido aos noticiários sobre a avalanche de rebeliões e assassinatos ocorridos em presídios brasileiros da forma mais brutal, incluindo casos de degola e esquartejamento, lembrando o ocorrido entre cangaceiros e policiais, especialmente com o bando de Lampião na década de 30 do século passado. As estatísticas recentes mostram que caminhamos rapidamente para subir no ranking mundial de população prisional. Hoje já se ocupa a quarta posição, com o número de presos ultrapassando a marca de 1 milhão, a maioria deles composta de pessoas jovens que não passaram do ensino fundamentalsegundo o censo do CNJ.

    No início dos anos 1900, antes mesmo do cangaço se espalhar pela região nordeste, já se tinha conhecimento dos problemas carcerários vigentes no País. Sabia-se que os presídios eram "escolas" para a formação e o aprimoramento dos que lá ingressavam, fossem eles criminosos, ou não.

    Foi nesse contexto, nos idos de 1917-18, durante o começo dos preparativos para a comemoração do primeiro centenário da independência do Brasil, em 1922, que o Dr. Dulphe Pinheiro Machado, Diretor Geral do Serviço de Povoamento, do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, iniciou a criação de instituições de ensino agrícola para o recebimento de todos os jovens pobres, órfãos, vivendo nas ruas em completa promiscuidade e transformá-los em profissionais do agronegócio.

    Nas suas justificativas para a criação dessas instituições, Pinheiro Machado usou relatório elaborado pelo Ministério da Justiça que fazia alusão à situação dos jovens quanto ao seu futuro, porque se gerava constrangimento deparar-se com adolescentes na verdadeira promiscuidade com criminosos nas dependências de casas de detenção. Esses jovens eram presos e conduzidos às prisões porque viviam perambulando nas ruas, não tinha teto, ou tinham perdido seus pais.

    Apesar da criação de 22 escolas (Patronatos Agrícolas) de muito sucesso em todo o País, tal iniciativa não foi multiplicada e aquelas que foram criadas não receberam a merecida atenção do poder público nas décadas seguintes terminando por serem desmobilizadas.


Patronato Agrícola Vidal de Negreiros, inaugurado em 07 de setembro de 1924.
Bananeiras - PB


    Hoje, passados mais de 100 anos daquela proposta, nos damos conta de que ao invés da expansão dos Patronatos Agrícolas, estamos vendo a proliferação de "escolas" de aperfeiçoamento criminal com a chegada em escalada vertiginosa de organizações criminosas cada vez mais poderosas.

    Vaticinou-se, assim, o que disse o Senador Alcindo Guanabara, em uma de suas defesas da proposta de Pinheiro Machado, em plenário do Senado, quando afirmou: "As gerações futuras exigirão contas dos que não apontaram outros rumos para a sociedade desvalida, senão a que conduz às prisões".
   

Atualizado em 20/02/2025.