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22 junho 2026

Colômbia adere à guinada à direita na América Latina

Abelardo de la Espriella

No domingo, os colombianos se uniram à revolta da América Latina contra o socialismo, elegendo o empresário Abelardo de la Espriella, de 47 anos, no segundo turno das eleições presidenciais, contra o senador Iván Cepeda, de 63 anos, do partido do presidente Gustavo Petro.

A margem de 245.624 votos de de la Espriella foi muito menor do que a projetada pelas pesquisas, com áreas do país controladas pelo crime organizado votando fortemente em Cepeda. Petro imediatamente levantou dúvidas sobre o resultado, citando irregularidades não especificadas. As autoridades eleitorais irão analisar os resultados como devem, embora veículos de mídia independentes já tenham declarado a vitória de de la Espriella.

Isso eleva para sete o número de nações latino-americanas que, desde novembro de 2023, derrubaram governos socialistas. Argentina, Equador, Bolívia, Honduras e Chile também têm agora presidentes conservadores e defensores do livre mercado. O Peru seguiu o mesmo caminho este mês, embora a vitória de Keiko Fujimori ainda não seja oficial. Panamá e Costa Rica reelegeram governos conservadores.

Oportunidades econômicas e segurança pública dominaram essas eleições, mas a ameaça às instituições democráticas representada por extremistas de esquerda também teve grande peso. O trágico exemplo da Venezuela tem sido uma poderosa demonstração do fracasso do socialismo, especialmente para os colombianos, país vizinho.

Recém-chegado à política, Espriella conduziu uma campanha anti-establishment contra a corrupção, a violência do narcotráfico e a falta de mobilidade econômica. Seus detratores tentaram minar sua credibilidade citando seu trabalho como advogado de defesa de acusados ​​de tráfico de drogas, incluindo Alex Saab, que posteriormente atuou como advogado de Nicolás Maduro, da Venezuela.

Mas ele prometeu reduzir o tamanho do governo em 40%, cortar impostos e restaurar a liberdade econômica para os produtores de combustíveis fósseis. Ele também prometeu romper com a política de Petro de apaziguamento de gangues criminosas, jurando construir megaprisões para tirar seus recrutas das ruas.

Cepeda ficou magoado com o fraco desempenho econômico de Gustavo Petro, as políticas verdes que aumentaram os preços da energia e o crescente déficit fiscal. A produção de coca disparou durante os anos de Petro e grupos armados ilegais prosperaram. Cepeda defendeu um papel maior do Estado na economia e mais concessões aos grupos guerrilheiros sob a bandeira da “paz total”.

Ele também prometeu convocar uma assembleia constituinte para reescrever a constituição, como Petro havia tentado fazer. Isso levou até mesmo os céticos em relação ao Espriella a se juntarem ao seu lado.

Espriella morou em Miami por mais de uma década, possui passaporte americano e é favorável à cooperação com os EUA. Isso reverterá a postura anti-EUA e pró-Cuba de Petro.

O partido de Petro tem maioria no Congresso e Espriella herdará finanças públicas deploráveis. Mas será difícil encontrar um destino pior do que o dePetro, e Espriella se beneficiará da rejeição eleitoral ao fracasso socialista.

22 junho 2016

DUCHA DE ÁGUA FRIA

    "Iniciamos negociações em todos os países da região menos no Brasil, já que há muita corrupção, disse o presidente da Ryanair,  companhia aérea irlandesa, famosa pelas promoções mais agressivas do setor na Europa. Essa entrevista, ao La Nación, foi publicada no mesmo dia em que se noticia o estado financeiro preocupante das duas maiores companhias aéreas brasileiras.

    Nesta mesma semana, em outro setor de interesse nacional, a Oi, operadora de telefonia, solicitou recuperação judicial com dívidas da ordem de R$ 65 bilhões de reais, resultado de uma promíscua relação publico-privada, envolvendo os mais altos escalões da República. Em 2008 chegou-se a mudar as regras que impediam a fusão da Telemar com a Brasil Telecom, além da emissão de ordem para que o Banco do Brasil e o BNDES ajudasse com recursos para que a operação pudesse ser concretizada.

    Nos dois casos e em muitos outros semelhantes, a responsabilidade por essa situação recai nos governos que se instalaram no País após a sua redemocratização e tem como causa principal a má gestão pública nos três níveis de governo: o federal, o estadual e o municipal. Em todos eles está solidamente instalado o germe da corrupção.

    Em ambos os casos se faz presente também outros vícios encontrados nessas gestões e acentuadas na era petista: descaso com qualidade da regulação setorial e uso abusivo de recursos públicos em transações duvidosas.

    Aos jovens empreendedores, tais notícias chegam como uma ducha de água fria. Não é à toa que muitos deles continuam vislumbrando oportunidades melhores em outros países. Alguns dessa turma já não estão mais aqui.