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14 julho 2021

AS ASPIRAÇÕES DE CUBA, CHINA E URSS IAM ALÉM DO ÂMBITO LOCAL

O livro "A vida secreta de Fidel: as revelações de seu guarda-costas pessoal", escrito por Juan Reinaldo Sánchez e Axel Gyldén, em tradução de Júlia da Rosa Simões, Sánchez nos diz que viveu por 17 anos, 1977-94, na intimidade do "líder" como seu guarda-costas pessoal. Posteriormente, jogado na lata do lixo, foi preso, torturado e quase eliminado, cumpriu 2 anos de cadeia (1994-96). Em 2008, depois de 10 tentativas de fugas infrutíferas, conseguiu se evadir para os EUA.

Sánchez nos conta as ambições de Fidel Castro, entre elas aquelas que extrapolavam o território cubano. Veja o que ele escreveu.

"As aspirações do líder máximo iam muito além do âmbito local, inscritas num projeto continental, ou planetário, no centro da Guerra Fria. As ambições de Fidel não se limitava a Cuba. Castro queria exportar sua revolução para todo o mundo, a começar pelo continente latino-americano, onde queria criar "um, dois, três Vietnãs" , segundo a teoria castrista do foco, ou foquismo."

"Popularizada por Ernesto Che Guevara, essa doutrina afirmava que multiplicando os focos de insurreição rural, esses primeiros pontos se propagariam como um incêndio até as grandes cidades, e depois para o país como um todo. Em 1967, o francês Régis Debray desenvolveu essa idéia em Revolução na revolução (1967), livro de sucesso fenomenal. Foi esquecido, nos meios universitários dos cinco continentes esse best-seller se tornou uma obra de referência para todos os movimentos de guerrilha e seus futuros combatentes, tanto na América Latina quanto na África e no Oriente Médio."

Repercussões no Brasil. Relatório do Arquivo Público do Estado do Rio mostra que esquerdistas buscaram ajuda militar na ilha antes do golpe de 64

Em maio de 1961, o dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro) Jover Telles escreveu quatro páginas intituladas "Relatório à Comissão Executiva sobre minhas atividades em Cuba".

No documento, endereçado ao núcleo supremo do CC (Comitê Central) do partido, ele detalhou o dia-a-dia da sua missão. Telles chegou a Havana em 30 de abril de 1961. Deixou a cidade em 23 de maio. No item 12 do relatório, Telles escreveu: "Curso político-militar: levantei a questão. Estão dispostos a fazer. Mandar nomes, biografia e aguardar a ordem de embarque".

Na mesma época, o líder das Ligas Camponesas, Francisco Julião (1915-99), estava em Havana tratando do apoio cubano à luta armada. No item 13, Telles contou que "Julião começou a falar em pedido de armas etc. (...) Dei opinião contrária, por dois motivos: a) poderia ser o pretexto para uma grande provocação e para o rompimento de Jânio com Cuba; b) o assunto não estava em boas mãos. Que discutissem o assunto com Prestes (Luís Carlos Prestes, secretário-geral do PCB), quando lá fosse".

Em maio de 1961, também estava em Cuba, conforme o relato de Jover Telles, um dos precursores da guerrilha socialista no Brasil, Clodomir dos Santos Morais, advogado que comandava um grupo de líderes das Ligas Camponesas e pregava -sem sucesso- a adesão do PCB à luta armada. Acabou expulso do partido.

O fundamental da narrativa de Jover Telles é a concordância dos cubanos em promover cursos militares. Embora inédita, essa não é uma informação de todo surpreendente.

"Desde o início (1959) os cubanos estavam convictos de que a luta armada era o caminho da revolução", diz o historiador Jacob Gorender, 78, que em 1961 era membro do CC do PCB. "Para mim, porém, o relatório é novidade. Deve ter circulado por poucas pessoas." 

A revolução da revolução 

Já Régis Debray nos revela que o Peru, a Guatemala e o Brasil (São Paulo e Nordeste) foram os três países eleitos pelo "Bureau Latino-Americano" de Buenos Aires  seção da "IVa. Internacional". Assim agiu Hugo Blanco, chegado a Argentina, com os camponeses do Valle de la Convencion. No Brasil, as ligas camponesas de Francisco Julião deviam ser "trabalhadas" no mesmo sentido.

"A concepção de organizar a insurreição armada por etapas através da chamada guerra do povo, é formal, burocrática e militarista. Leva no fundo à subestimação das massas, sua utilização e a postergação da sua intervenção direta". 

Indo mais além no livro do Debray, em três páginas (28-30), ele nos dá a receita usada por um desses modelos de guerrilha. Dela me veio a lembrança da Guerrilha do Araguaia, ocorrida no início dos 1970, na região sul do Pará, local escolhido pelo PCdoB. 

Da esq. p/ dir. em sentido horário:

Contudo, " a preparação dos guerrilheiros do PCdoB remonta ao ano de 1964, quando os primeiros militantes iniciaram formação político-militar na China, visto que o Partido adotou a linha de guerra popular prolongada de inspiração maoista. Sua defesa da luta armada era anterior a 1964, e contrária à ideia de "foco" cubano e da revolução continental marxista-leninista. Entre 1964 e 1968, dezoito militantes haviam passado por treinamento militar na China, entre eles vários dos que agora se estabeleciam no Araguaia.[6] No Brasil, um primeiro grupo de futuros guerrilheiros realizou seus primeiros treinamentos numa casa em São Vicente, na Baixada Santista, sob a direção e articulação de Armando Gimenez – antigo diretor do PCdoB em São Paulo – e Osvaldo Orlando da Costa".[7] Entre outubro de 1973 e outubro de 1974 a guerrilha foi sistematicamente exterminada". 


14 julho 2014

#ELEICOES2014 - MENOS DISCURSO E MAIS AÇÃO !

A Copa acabou, o assunto principal passa a ser a próxima a eleição. Na semana que se passou foi iniciada a campanha eleitoral. Alguns candidatos foram as ruas para um contato direto com o povo. A presidente Dilma Roussef, que concorre à reeleição, optou por ficar no Palácio da Alvorada. Preferiu a comunicação pela internet fazendo o lançamento do site oficial de sua  campanha.

Uma coisa é certa. De todos os candidatos, o eleitor espera menos discurso e mais ação. Esta mensagem já foi dita à Nação nas manifestações ocorridas em junho de 2013. De lá pra cá algumas iniciativas foram apresentadas, em sua maioria por iniciativa da Presidente, mas muitas delas, de tão inadequadas, foram rapidamente depositadas na lata do lixo. O Congresso, através dos presidentes das Casas, também se mexeu. Mas, passado pouco tempo, retornou à velocidade anterior as referidas manifestações.

Essa primeira semana de campanha não indicou que teremos mudanças significativas no comportamento dos candidatos que os diferencie do ocorrido em eleições passadas. Mas há tempo suficiente para isto ser alterado. Programas de governo entregues ao TSE não são suficientes.

O Brasil não quer mais ouvir promessas vagas. A sociedade e, em especial, aquelas pessoas que concordaram e concordam com os temas abordados nas manifestações de junho de 2013 e nas redes sociais, querem saber, com elevado nível de clareza e de compromisso, o que será feito para atender os seus reclamos, incluindo a origem dos recursos a serem aplicados.

Aos três candidatos que atualmente lideram as pesquisas eleitorais e, por terem exercido recentemente cargos executivos cabem maiores responsabilidades. Além de terem condições de serem mais precisos, têm a obrigação de explicarem porque deixaram de cumprir promessas realizadas em campanhas passadas nos seus respectivos espaços de atuação. Reconheço que, para esses candidatos, não será uma tarefa fácil e desejável de fazê-la.

Por exemplo, pegando o gancho no relançamento de promessa da candidata Dilma Roussef: melhorar e ampliar o acesso da população ao serviço de banda larga para uso da internet. Além de explicar o como irá fazê-lo, seria muito importante, também, a sociedade saber o porque do  ainda não tê-lo feito. Esta promessa é muito antiga, surgiu no primeiro governo do Presidente Lula.

Como se sabe, a situação do Brasil nessa área, como em outras trazidas à rua em junho de 2013,  não é confortável. Em comparação com outros países, relatórios recentes mostram que a internet brasileira é lenta e avança no mesmo passo. Com uma taxa média de transmissão de dados na rede de apenas 2,7 Mbps, o Brasil ocupa a 83a. posição no ranking de nações na web e a 78a. entre as nações que mais avançam.

Igualmente desconfortável está o avanço da internet em áreas sensíveis, como educação e saúde. Hoje, o bom funcionamento desses setores depende fortemente da disponibilidade, com qualidade, dessa tecnologia.

Foi por esses segmentos que a internet chegou ao Brasil, no início da década de 90, com a implantação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Apesar de seu avanço ao longo desses anos, o seu modelo atual de banda larga está esgotado. Como recomenda o presidente da RNP, o Brasil precisa construir uma nova política de Estado para levar fibra ótica ao interior do País que permita a ampliação da velocidade da internet para que se possa utilizar toda a potencialidade atualmente existente nas aplicações desenvolvidas para a rede.

Até as eleições de 2018 não queremos ouvir novamente que o governo tem o padrão Felipão e continuarmos a ocupar as posições acima. O Brasil não suportará mais outro placar de 7x1 (inflação x crescimento). Menos marketing e mais compromisso com o eleitor !