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05 setembro 2020

HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO

Acabo de ver no Facebook a página "História da Computação" que retrata, com ótima qualidade, a história da computação no mundo. A página é gerenciada pelo professor Raul Sidnei Wazlawick, da UFSC, autor de um livro com o mesmo título.

No Facebook e na página 361 do referido livro, é mencionada a Sun Microsystems, fundada em 1982,  uma empresa de características singulares. Sugiro a leitura do livro e, em especial, a matéria dedicada a Sun.

Tal fato, me fez relembrar que, em 21/12/1990, o CNPq concluiu uma inédita licitação internacional para a aquisição de workstations. Dela participaram 10 concorrentes (CDB, DATASERVICE, EDISA, ELEBRA, IBM, MICROTEC, SCOPUS, SISGRAPH, RADIX e WF). Venceu a Scopus, sob a batuta do Luciano Dolenc, representando a Sun. Foi a maior venda (US$ 4,760,753.80) da Sun a um único cliente até então. 

Essa licitação ganhou manchetes pelo mundo afora. Foram adquiridas 165 SPARCstation 2 (S2), 351 SLCs, 10 IPCs, totalizando 526 máquinas, adicionadas de periféricos para cada tipo de rede, configuradas da seguinte forma: 7 Redes tipo A (3 S2 + 9 SLC); 22 Redes tipo B (2 S2 + 4 SLC); 100 Redes tipo C (1 S2 + 2 SLC); 10 Redes tipo D (1 IPC). 

Os equipamentos, já etiquetados com o nome/endereço do pesquisador, chegaram em Guarulhos no início de 1991. De lá, o CNPq fez a distribuição para todo o País. Muitos pesquisadores abdicaram da folia do carnaval trocando-a pela instalação das máquinas, sem a necessidade de técnicos da Sun. 

Ainda hoje guardo a satisfação do exercício de minhas funções, na época como Superintendente das Ciências Exatas e das Engenharias, no CNPq, de ter tomado essa iniciativa e coordenado todo esse processo, promovendo uma mudança de paradigma no ambiente dos laboratórios de pesquisa. Foram contempladas as áreas de Física, Astronomia, Engenharia Elétrica, Engenharia Biomédica, Ciência da Computação e Meteorologia, envolvendo 33 instituições de ensino e pesquisa em todo o País.

O lote das estações IPCs (rede D) foi destinado para a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) que começava a ser instalada no País, trazendo definitivamente, em 1992, a Internet para o Brasil, projeto este sob a gestão inicial do CNPq pelo qual fui posteriormente agraciado com o diploma "Construtores da Internet.br", descrito aqui neste link.

Registro aqui também o meu reconhecimento ao Prof. Gerhard Jacob, então presidente do CNPq, que endossou toda essa operação e assinou o respectivo cheque bancário para pagar essa conta. Em minha antiga agenda, encontra-se o registro final dessa licitação o qual compartilho aqui.


10 maio 2016

BRASIL INTELIGENTE ?

    Ao apagar das luzes, em clima de despedidas, Dilma Rousseff lança novas metas para a banda larga no País. É assunto vencido há muito tempo. A promessa surgiu ainda no primeiro governo do presidente. Lula e, de lá para cá, renovada em todos os governos seguintes.

    Por exemplo, na campanha eleitoral de 2014 da candidata Dilma Roussef: "melhorar e ampliar o acesso da população ao serviço de banda larga para uso da internet" ... "reitero aqui meu compromisso de, nos próximos quatro anos, promover a universalização do acesso a um serviço de internet em banda larga barato, rápido e seguro" (discurso de posse em jan/2015)

    Como se sabe, a situação do Brasil nessa área não é confortável (em outras também). Em comparação com outros países, relatórios recentes mostram que a internet brasileira é lenta e avança no mesmo passo. Com uma taxa média de transmissão de dados na rede de apenas 2,7 Mbps, o Brasil ocupa a 83a. posição no ranking de nações na web e a 78a. entre as nações que mais avançam.

    Igualmente desconfortável está o avanço da internet em áreas sensíveis, como educação e saúde. Hoje, o bom funcionamento desses setores depende fortemente da disponibilidade, com qualidade, dessa tecnologia. 

    Foi por esses segmentos que a internet chegou ao Brasil, no início da década de 90, com a implantação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Apesar de seu avanço ao longo desses anos, o seu modelo atual de banda larga está esgotado.

    Segundo o Ministério das Comunicações, que nesta segunda (09) lançou o programa Brasil Inteligente, a ser formalizado através de decreto pela presidente Dilma Rousseff, considerado uma nova fase do Plano Nacional de Banda Larga, o programa quer universalizar o acesso à banda larga no País e levar a rede de fibra ótica até 70% dos municípios.

    Em termos de investimentos, serão aplicados R$ 762 milhões no novo programa ainda este ano e até 2019 receberá cerca de R$ 1,85 bilhão do Ministério da Educação (MEC).

    Entretanto, mesmo na hipótese de continuação do atual governo, o que vemos na matéria do Estadão, nos diz exatamente o inverso do que fora prometido pela presidente em seu discurso de posse. O título da reportagem já resume bem o descumprimento da promessa ; "No ano do lema "Pátria Educadora", MEC perde R$ 10,5 bi, ou 10% do orçamento".

    Cumprimento de metas, do PNE, do Fies, do Pronatec, do Ciência sem Fronteiras, ficaram para trás. Com o Brasil Inteligente o mais provável é que seguirá o mesmo caminho, ou seja, mais um decreto para inglês ver.


14 julho 2014

#ELEICOES2014 - MENOS DISCURSO E MAIS AÇÃO !

A Copa acabou, o assunto principal passa a ser a próxima a eleição. Na semana que se passou foi iniciada a campanha eleitoral. Alguns candidatos foram as ruas para um contato direto com o povo. A presidente Dilma Roussef, que concorre à reeleição, optou por ficar no Palácio da Alvorada. Preferiu a comunicação pela internet fazendo o lançamento do site oficial de sua  campanha.

Uma coisa é certa. De todos os candidatos, o eleitor espera menos discurso e mais ação. Esta mensagem já foi dita à Nação nas manifestações ocorridas em junho de 2013. De lá pra cá algumas iniciativas foram apresentadas, em sua maioria por iniciativa da Presidente, mas muitas delas, de tão inadequadas, foram rapidamente depositadas na lata do lixo. O Congresso, através dos presidentes das Casas, também se mexeu. Mas, passado pouco tempo, retornou à velocidade anterior as referidas manifestações.

Essa primeira semana de campanha não indicou que teremos mudanças significativas no comportamento dos candidatos que os diferencie do ocorrido em eleições passadas. Mas há tempo suficiente para isto ser alterado. Programas de governo entregues ao TSE não são suficientes.

O Brasil não quer mais ouvir promessas vagas. A sociedade e, em especial, aquelas pessoas que concordaram e concordam com os temas abordados nas manifestações de junho de 2013 e nas redes sociais, querem saber, com elevado nível de clareza e de compromisso, o que será feito para atender os seus reclamos, incluindo a origem dos recursos a serem aplicados.

Aos três candidatos que atualmente lideram as pesquisas eleitorais e, por terem exercido recentemente cargos executivos cabem maiores responsabilidades. Além de terem condições de serem mais precisos, têm a obrigação de explicarem porque deixaram de cumprir promessas realizadas em campanhas passadas nos seus respectivos espaços de atuação. Reconheço que, para esses candidatos, não será uma tarefa fácil e desejável de fazê-la.

Por exemplo, pegando o gancho no relançamento de promessa da candidata Dilma Roussef: melhorar e ampliar o acesso da população ao serviço de banda larga para uso da internet. Além de explicar o como irá fazê-lo, seria muito importante, também, a sociedade saber o porque do  ainda não tê-lo feito. Esta promessa é muito antiga, surgiu no primeiro governo do Presidente Lula.

Como se sabe, a situação do Brasil nessa área, como em outras trazidas à rua em junho de 2013,  não é confortável. Em comparação com outros países, relatórios recentes mostram que a internet brasileira é lenta e avança no mesmo passo. Com uma taxa média de transmissão de dados na rede de apenas 2,7 Mbps, o Brasil ocupa a 83a. posição no ranking de nações na web e a 78a. entre as nações que mais avançam.

Igualmente desconfortável está o avanço da internet em áreas sensíveis, como educação e saúde. Hoje, o bom funcionamento desses setores depende fortemente da disponibilidade, com qualidade, dessa tecnologia.

Foi por esses segmentos que a internet chegou ao Brasil, no início da década de 90, com a implantação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Apesar de seu avanço ao longo desses anos, o seu modelo atual de banda larga está esgotado. Como recomenda o presidente da RNP, o Brasil precisa construir uma nova política de Estado para levar fibra ótica ao interior do País que permita a ampliação da velocidade da internet para que se possa utilizar toda a potencialidade atualmente existente nas aplicações desenvolvidas para a rede.

Até as eleições de 2018 não queremos ouvir novamente que o governo tem o padrão Felipão e continuarmos a ocupar as posições acima. O Brasil não suportará mais outro placar de 7x1 (inflação x crescimento). Menos marketing e mais compromisso com o eleitor !