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11 setembro 2026

11 de setembro - o day after para os EUA e para o resto do mundo

Lembre-se da posição dos Estados Unidos pouco antes do 11 de setembro. A última imagem das torres gêmeas você pode ver aqui. Era uma época de força e otimismo. Os EUA haviam vencido a Guerra Fria e desfrutavam de hegemonia internacional. Sua vitória sobre o Iraque na primeira Guerra do Golfo ainda repercutia: um exército americano tão poderoso que conseguia esmagar ameaças distantes, em pouco tempo e com poucas baixas americanas.

Essa mentalidade otimista moldou a estratégia anterior ao 11 de setembro. Muitos líderes americanos acreditavam que integrar nações à economia global as tornaria mais parecidas com o Ocidente e menos propensas a entrar em guerra. A China e a Rússia eram peças-chave nesse plano.

"Quanto mais trouxermos a China para o mundo, mais o mundo trará mudanças e liberdade para a China", disse o presidente Bill Clinton. Washington defendeu a integração da China e acolheu a Rússia no grupo de nações G-7, transformando-o no G-8.

Havia também considerações práticas. A China prometia mais de um bilhão de novos clientes para as empresas americanas. As vastas reservas de gás e petróleo da Rússia ajudavam a abastecer a Europa e a economia global.

Apesar do otimismo, não faltavam alertas. "Infelizmente, uma política de engajamento está fadada ao fracasso", escreveu o acadêmico John Mearsheimer em seu livro de 2001, *A Tragédia da Política das Grandes Potências*. "Se a China se tornar uma potência econômica, quase certamente converterá seu poder econômico em poder militar e tentará dominar o Nordeste Asiático... Em suma, a China e os Estados Unidos estão destinados a ser adversários à medida que o poder da China cresce."

Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, foi igualmente enfático em seu livro de 1997, *O Grande Tabuleiro de Xadrez*: é "imperativo que não surja nenhum desafiante eurasiano capaz de dominar a Eurásia e, assim, também desafiar a América".

Pouco depois de terroristas atacarem o World Trade Center e o Pentágono — e de o voo 93 da United, sequestrado, cair perto de Shanksville, na Pensilvânia —, os EUA lançaram sua Guerra ao Terror. O país invadiu o Afeganistão para derrotar a Al-Qaeda, responsável pelos ataques. Em uma histórica falha de inteligência, os EUA também invadiram o Iraque, em parte para apreender armas de destruição em massa que não existiam. Seguiram-se duas longas guerras, que mataram mais de 7.000 militares dos EUA e centenas de milhares de militares, policiais e civis afegãos e iraquianos, segundo um estudo da Universidade Brown. Os conflitos — uma combinação complexa de guerra e construção de nações — custaram aos EUA vários trilhões de dólares e tumultuaram o Sul da Ásia e o Oriente Médio.

Eles também absorveram a atenção de sucessivas administrações. A política externa continuou em muitas frentes. Mas, à medida que o mundo voltava a cair na rivalidade entre grandes potências, os EUA pareciam ter sido pegos de surpresa.

"Enquanto os EUA estavam fortemente envolvidos no Oriente Médio e no Sul da Ásia... o equilíbrio geopolítico mudou em desfavor dos EUA, tanto na Europa quanto no Leste Asiático, devido à ascensão de uma Rússia mais agressiva e de uma China mais capaz e assertiva", escreveu Richard Haass, ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, em 2021.

Quando a Rússia invadiu a Geórgia (durante a presidência de George W. Bush) e, posteriormente, tomou a Crimeia (durante a presidência de Barack Obama), as respostas do Ocidente não conseguiram impedir novos atos de expansionismo. Mais tarde, a Rússia lançou uma guerra em grande escala contra a Ucrânia. Muitos analistas afirmam que o Ocidente deveria ter imposto sanções muito mais severas à Rússia e armado melhor os vizinhos vulneráveis, entre outras medidas.

"A guerra da Rússia contra a Ucrânia é o exemplo de uma dissuasão que falhou", escreve Ben Hodges, ex-comandante-geral do Exército dos EUA na Europa. "Não estávamos preparados nem unidos para reconhecer que a Rússia representava uma ameaça real." 

A China e a OMC

Quanto à China, naquela altura, já havia ocorrido uma verdadeira mudança geopolítica de grandes proporções. Isso não tinha relação com o terrorismo.

O fato ocorreu em 11 de dezembro de 2001, enquanto os EUA bombardeavam as cavernas de Tora Bora, no Afeganistão, e o presidente Bush liderava uma cerimônia mundial para marcar os três meses dos atentados de 11 de setembro.

Naquele dia, a China ingressou oficialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A entrada da China na OMC — defendida por Washington e pelo setor empresarial americano, entre outros — abriu ainda mais a economia do país ao comércio global e proporcionou à China maior acesso aos mercados estrangeiros. O impacto foi imediato. As exportações chinesas inundaram os mercados globais. Empresas estrangeiras instalaram-se em massa na China e transferiram mais atividades de manufatura para esse local de custos mais baixos. Fábricas nos EUA e em outras nações fecharam as portas, e empregos foram perdidos.

As críticas de empresas e governos logo se intensificaram. Eles alegavam que a China roubava propriedade intelectual, pressionava empresas estrangeiras a transferir tecnologia em troca de acesso ao mercado, manipulava sua moeda para impulsionar as exportações, subsidiava suas indústrias estatais para lhes conferir uma vantagem desleal nos mercados globais e violava ou contornava outros compromissos assumidos perante a OMC.

A velocidade da ascensão chinesa que se seguiu surpreendeu as nações. As exportações anuais de mercadorias dispararam, saltando de US$ 266 bilhões em 2001 para US$ 3,58 trilhões em 2024. Sua participação nas exportações globais de mercadorias subiu de 4% para 15%. Economistas denominaram essa transformação de "Choque da China".

Com a riqueza econômica veio o poderio militar. A China militarizou o Mar do Sul da China, construindo ilhas artificiais e postos avançados, além de desafiar seus vizinhos. O país colocou em operação seu primeiro porta-aviões em 2012, o segundo em 2019 e o terceiro em 2025. Em um encontro recente em Pequim, o líder chinês Xi Jinping alertou o presidente Donald Trump sobre os perigos da "Armadilha de Tucídides" — a tendência de eclosão de uma guerra quando uma potência em ascensão ameaça uma potência dominante.

Uma oportunidade perdida

Muitos diplomatas e especialistas argumentam que os EUA, distraídos por suas guerras, perderam aquele momento crucial para confrontar a China e gerir sua ascensão. O país demorou a agir contra as práticas comerciais chinesas, recorrendo a cláusulas de salvaguarda da OMC e a outras sanções. Segundo eles, os EUA poderiam ter criado blocos comerciais alternativos e condicionado a adesão da China a uma mudança de comportamento. A América deveria ter reforçado sua presença militar e suas coalizões no Pacífico. Esses especialistas reconhecem que a China, de qualquer forma, acabaria deixando sua marca na economia. A questão era quão rápido e quão disruptivo seria esse processo.

Durante esse período, autoridades do governo Bush faltaram a várias reuniões regionais importantes na Ásia, como as cúpulas da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). "Onde está a liderança dos EUA?", questionou uma autoridade de Singapura durante uma entrevista em 2006.

O governo Obama anunciou uma mudança de foco para a Ásia e tentou criar um bloco comercial alternativo, a Parceria Transpacífico, que inicialmente excluiria a China. No entanto, naquela altura, muitos americanos já haviam passado a ver com maus olhos os acordos comerciais. A política interna inviabilizou a participação dos EUA no plano.

Os governos Trump e Biden impuseram tarifas e controles de exportação, além de incluírem empresas chinesas em listas negras. Contudo, a China já havia ultrapassado, há muito tempo, o seu ponto de inflexão. Seu modelo de capitalismo de Estado, seu vasto ecossistema manufatureiro, sua perspectiva de investimento de longo prazo e sua capacidade de contornar restrições ocidentais haviam se tornado eficazes demais. O país continuou a crescer.

Vale ressaltar que a trajetória da China foi iniciada décadas antes do 11 de Setembro, quando o país começou sua liberalização econômica em 1978. Washington não foi o único agente a ajudar a China a construir seu poder econômico nos anos seguintes. Talvez a principal força impulsionadora de todo esse processo tenha sido o setor empresarial ocidental.

“Durante três décadas”, escreveu em maio Shane Tedjarati, ex-executivo da Honeywell e da Deloitte na China, “as empresas ocidentais adotaram uma estratégia que era racional do ponto de vista trimestral, mas cumulativamente autodestrutiva: a transferência sistemática para a China de capacidade industrial, *know-how* operacional, disciplina de engenharia e acesso indireto ao mercado, em troca de custos mais baixos, margens maiores e retornos de curto prazo para os acionistas”. O resultado doloroso: “a criação dos próprios concorrentes que agora batem à nossa porta”.

A globalização em retrocesso

A incapacidade dos EUA de lidar com as perturbações decorrentes da ascensão da China alimentou outra fissura na ordem mundial no pós-11 de Setembro: a revolta dos americanos contra a globalização. As guerras, a imigração e uma crise financeira — não relacionada a esses fatores — que forçou milhões de americanos a deixarem suas casas agravaram ainda mais o clima político. Em 2025, apenas 17% dos americanos confiavam que o governo faria a coisa certa, segundo o Pew Research.

Esse descontentamento alimentou correntes de isolacionismo e nativismo, impulsionando a ascensão do movimento "America First" (América em Primeiro Lugar) de Donald Trump. Muitos apoiadores questionam ou rejeitam grande parte da ordem global multilateral e baseada em regras — como a OTAN, as alianças europeias e a OMC —, por acreditarem que ela não os beneficia.

Pouco disso era totalmente novo. A automação, a terceirização e a concorrência estrangeira já estavam transformando a realidade dos trabalhadores industriais americanos quando o número de empregos no setor manufatureiro dos EUA atingiu seu auge, em 1979. Postos de trabalho estavam sendo transferidos para o México, Taiwan e outros mercados com mão de obra mais barata. O "choque do Japão" abalou a indústria automobilística americana antes mesmo do "choque da China".

No entanto, o descontentamento ganhou uma voz política mais forte nos anos que se seguiram ao 11 de setembro. Uma agitação semelhante, impulsionada em parte pela ascensão da China, espalhou-se pela Europa, trazendo consigo a ascensão de políticas de direita, da xenofobia e de ataques a organizações internacionais, notadamente a União Europeia. O antiglobalismo tornou-se um fenômeno global.

Aqueles que vivenciaram os ataques de 11 de setembro sentem que aquele dia abalou o mundo. E de fato abalou — sobretudo por meio de decisões que os Estados Unidos tomaram após o evento, bem como de intervenções que deixaram de realizar.

O novo século é dominado por forças de longa data. A globalização, a agitação social e a rivalidade entre grandes potências representam mudanças tectônicas que já estavam em curso antes dos ataques terroristas. O 11 de setembro, por si só, não criou essa ordem mundial. Contudo, aquele dia e seus desdobramentos desempenharam um papel decisivo, marcado por tragédias, erros de cálculo e consequências.

26 agosto 2026

A busca silenciosa da China para dominar a América Latina. Pequenos projetos, grande influência

Há anos, autoridades dos EUA vêm manifestando preocupação com os megaprojetos chineses na América Latina. Sucessivas administrações, por exemplo, soaram o alerta sobre o Porto de Chancay, no Peru — controlado e operado por uma gigante chinesa do setor de transporte marítimo — e sobre a Usina Hidrelétrica Coca Codo Sinclair, construída pela China no Equador. Em resposta, Washington emitiu condenações diplomáticas contra autoridades latino-americanas, revogou vistos e até ameaçou usar a força contra governos da região.

É fácil entender por que os Estados Unidos estão tão preocupados com grandes obras de infraestrutura sendo construídas e operadas pela China. Para muitas autoridades americanas, esses projetos são uma forma de Pequim obter influência sobre governos latino-americanos — uma preocupação que Washington expressa desde 2017, quando a Estratégia de Segurança Nacional do primeiro governo Trump alertou que a China buscava "atrair a região para sua órbita por meio de investimentos e empréstimos conduzidos pelo Estado".

No entanto, Washington está focado em um desafio do passado. Pequim já não aposta em megaprojetos multibilionários para fortalecer sua posição no Hemisfério Ocidental. Em vez disso, está se inserindo na região ao promover iniciativas menores e mais discretas, muitas vezes em nível municipal ou estadual. Empresas chinesas estão desenvolvendo projetos de lítio em várias províncias argentinas. Elas operam todas as distribuidoras de energia que atendem a cidade de Lima, no Peru. Além disso, fornecem equipamentos para forças policiais latino-americanas em muitos municípios da região e instalam sistemas de câmeras de vigilância.

Individualmente, essas ações podem parecer superficiais. Mas, em conjunto, estão tornando os países receptores dependentes da China. As iniciativas de segurança de Pequim, por exemplo, fazem com que muitas cidades e províncias latino-americanas dependam, na prática, da China para sua infraestrutura de segurança pública e resposta a emergências — e, no caso de Lima, para a infraestrutura elétrica. Trata-se de uma dependência que muitos políticos nacionais jamais planejaram e que talvez nem tenham previsto. Eles podem não estar cientes dos riscos potenciais associados a esse nível e tipo de dependência, nem preparados para lidar com as possíveis consequências.

Esses esforços não são exclusivos da América Latina. A China também está envolvida em iniciativas semelhantes em outras partes do mundo em desenvolvimento. Afinal, elas são muito mais baratas do que muitas de suas iniciativas anteriores — e mais difíceis de identificar. Pequim, em outras palavras, está inaugurando um tipo de política externa que privilegia a captura discreta e subnacional em detrimento de grandes projetos chamativos.

Durante grande parte da década de 2010, Pequim investiu bilhões de dólares em infraestrutura na América Latina, como portos, barragens gigantescas e até mesmo uma ferrovia transcontinental destinada a ligar a costa do Pacífico do Peru ao Atlântico do Brasil. (A ferrovia nunca foi construída, mas versões dela ainda estão em discussão.) Esses investimentos fizeram parte da famosa Iniciativa Cinturão e Rota da China, na qual o país gastou somas enormes em megaprojetos em todo o Sul global. Ao fazer isso, a China esperava garantir o fornecimento de commodities, abrir mercados para empresas chinesas e, em seguida, converter seu peso econômico em alinhamento diplomático — incluindo convencer países que ainda reconheciam Taiwan a transferir o reconhecimento para a China continental.

Mas, a partir do início da década de 2020, a China mudou de rumo, principalmente no Hemisfério Ocidental. Concluiu que grandes projetos custavam muito caro em um momento em que a economia chinesa estava fragilizada e geravam muita reação geopolítica negativa. Em vez disso, optou por se concentrar no que chama de iniciativas “pequenas, mas belas”. São investimentos que não têm uma presença física imponente e geralmente são voltados para sistemas nacionais e subnacionais menores. Pequim aplica esse termo de forma restrita: seu Livro Branco para a América Latina, com previsão para 2025, reserva a expressão para pequenos projetos de redução da pobreza. Mas a expressão é uma lente útil para esse novo tipo de política externa chinesa — uma política de investimentos de baixo para cima que se multiplicam, gerando interdependência e influência.

Para perceber a importância que esse modelo adquiriu, basta seguir o dinheiro — ou pelo menos as partes que podem ser contabilizadas. Os empréstimos tradicionais da Iniciativa Cinturão e Rota para a região caíram de quase US$ 25 bilhões em 2010 para uma média de US$ 1,3 bilhão por ano. Mas, a julgar pelas estimativas que acompanham os negócios empresa por empresa, as companhias chinesas ainda investiram US$ 8,5 bilhões na América Latina em 2024, apenas um décimo a menos do que no ano anterior — e esse número provavelmente está subestimado. A diferença é que esse dinheiro agora flui por meio de transações comerciais, em vez de empréstimos soberanos de Pequim. Grande parte dele se manifesta na aquisição de ativos existentes por empresas chinesas, como distribuidoras de energia e mineradoras, em vez de o governo chinês gastar na construção de novos megaprojetos. Outras vezes, ainda se manifesta na aquisição de novos equipamentos, mas de um tipo muito menor, como equipamentos policiais. Como esses negócios envolvem itens que as estatísticas de investimento geralmente não capturam — vendas de equipamentos, programas de treinamento, doações e contratos de manutenção são considerados compras, não investimentos —, eles atraem menos atenção. Às vezes, são envoltos em cláusulas de confidencialidade e, muitas vezes, só vêm à tona quando um jornalista local encontra o contrato.

O governo chinês ainda está envolvido nesse ecossistema, inclusive, às vezes, por meio de diretrizes de cima para baixo. Mas seu papel pode ser mais indireto. A China frequentemente subsidia suas empresas locais, que, por sua vez, vendem seus produtos a governos latino-americanos a preços baixos. À medida que essas vendas e contratos se acumulam, a China passa a reconhecer que os acordos acumulados são ativos estratégicos. Eventualmente, Pequim incorpora vários projetos comerciais dentro de um país em acordos formais de cooperação com o governo desse estado. Por exemplo, na província argentina de Jujuy, rica em lítio, uma troca de pesquisas entre as agências geológicas dos dois países se transformou em uma parceria estatal explícita focada no levantamento das salinas da província. Posteriormente, uma empresa chinesa adquiriu uma participação majoritária em um projeto local de lítio.

A China tem se infiltrado em diversos sistemas locais para ampliar sua influência. Empresas chinesas, por exemplo, forneceram milhares de ônibus elétricos em cidades da América do Sul — um acréscimo necessário em uma das regiões mais urbanizadas do mundo. Trens fabricados na China transportam passageiros nas três principais linhas ferroviárias elétricas de Buenos Aires. E, talvez o mais notável, a China tem se envolvido no fornecimento de assistência em segurança interna. A segurança é uma questão política crucial na América Latina, onde a taxa de homicídios gira em torno de 20 por 100.000 habitantes — três vezes a média global. A violência de cartéis e gangues, o roubo de cargas e os ataques de ransomware (tipo de software malicioso (malware) que sequestra os dados ou o dispositivo de uma vítima e exige o pagamento de um resgate para liberar o acesso) são grandes preocupações para a maioria dos cidadãos, e por isso os políticos prometem repetidamente mais ações. A China se ofereceu como fornecedora acessível de equipamentos policiais.

Os países receptores geralmente começam adquirindo provisões básicas — equipamentos antimotim e veículos blindados doados para as forças armadas da Bolívia, motocicletas doadas para a polícia caribenha — cada acordo atendendo às necessidades de autoridades com poucos equipamentos e pressionadas a demonstrar que estão combatendo o crime. Eventualmente, o relacionamento evolui para itens mais sofisticados. Em abril de 2025, por exemplo, o governador do Rio de Janeiro viajou à China e assinou contratos com as empresas chinesas de tecnologia de vigilância Hikvision e Dahua para a aquisição de mais de 27.000 câmeras corporais e veiculares. Na cidade mexicana de Ciudad Juárez, situada logo na fronteira com a cidade americana de El Paso, autoridades locais compraram 1.000 câmeras com reconhecimento facial dos mesmos dois fornecedores (ambos constavam, na época, da lista de empresas proibidas pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA). Em 2018, 62% das importações de equipamentos de vigilância da Argentina provinham da China, em comparação com apenas 5% provenientes dos Estados Unidos. Hoje, pelo menos 35 cidades latino-americanas utilizam sistemas de vigilância chineses.

Uma vez firmados esses acordos, a cooperação se acelera. Às vezes, ela atinge os mais altos escalões do governo. Considere, por exemplo, o desenvolvimento do ECU-911 — o sistema nacional de resposta a emergências do Equador. O projeto começou em 2011, quando o governo equatoriano contratou a CEIEC, uma empresa estatal chinesa de eletrônica de defesa, para criar uma rede de vigilância com câmeras da Huawei. Um empréstimo de US$ 240 milhões do Banco de Desenvolvimento da China financiou o sistema, garantido não por garantias soberanas, mas por um contrato de venda de petróleo que comprometia a PetroEcuador, a estatal petrolífera equatoriana, a enviar 72.000 barris por dia para a PetroChina durante a vida útil do sistema. Com o tempo, o projeto acabou atraindo a atenção de alto nível de Pequim. Em 2016, o líder chinês Xi Jinping visitou o Equador, onde inaugurou pessoalmente um laboratório de segurança conjunto na sede do ECU-911. Pequim complementou a iniciativa doando 10.000 fuzis AK-47 para as Forças Armadas equatorianas. No início de 2018, a tecnologia chinesa de reconhecimento facial já estava em uso nos centros de atendimento de emergência ECU-911. E em 2024, as câmeras municipais e privadas independentes do Equador foram integradas à rede. O que começou como um único contrato tornou-se a espinha dorsal do aparato de segurança interna do Equador.

Por fim, a China tem treinado agentes da lei na América Latina. Delegações da Argentina, Brasil, Cuba e Panamá estudaram na Universidade de Polícia de Investigação Criminal da China, em Shenyang. Em setembro de 2024, o ministro da segurança pública da China assinou um acordo de treinamento com o diretor de polícia da Nicarágua, abrangendo narcóticos, crimes cibernéticos e terrorismo; anteriormente, a China já havia fornecido equipamentos para controle de distúrbios à Nicarágua. Os Estados Unidos ainda treinam mais policiais latino-americanos do que Pequim. Mas, diferentemente dos cursos de Washington, os da China são integrados a câmeras, plataformas e intercâmbios judiciais que consolidam o restante de sua infraestrutura.

O mais importante para a China é que essas iniciativas atraem relativamente pouca atenção. Afinal, a maioria dos projetos começa pequena — um contrato de equipamentos municipais, um memorando provincial, um acordo de manutenção. Consequentemente, são relativamente baratos para a China. Um contrato para câmeras, por exemplo, custa uma fração do que custa uma barragem, além de receber pouca atenção. Como resultado, os políticos nacionais de um país podem nem perceber que as cidades estão, de forma constante, entregando cada vez mais serviços a empresas chinesas. Autoridades americanas também podem não se dar conta disso. Pequim pode, portanto, fazer investimento após investimento quase sem ser detectada até que, de repente, tenha construído grande parte da infraestrutura crítica de segurança de um Estado.

Uma vez que os sistemas interligados da China estejam em funcionamento, são difíceis de remover. Isso é proposital. Ao longo de seu envolvimento com as voláteis democracias da América Latina, Pequim aprendeu que precisava de uma estratégia que sobrevivesse aos ciclos políticos, como esta. Uma vez que a infraestrutura de segurança pública de uma cidade seja majoritariamente fabricada na China, que sua polícia e promotores tenham estudado em Shenyang e que seus tribunais tenham assinado um acordo de cooperação com Pequim — como aconteceu com a Venezuela em 2023 —, a relação adquire memória institucional e laços interpessoais. Ao firmar acordos com autoridades regionais, por exemplo, a China constrói relações políticas duradouras que podem se tornar rapidamente mais valiosas, caso esses políticos cheguem a cargos mais altos.

A transição para sistemas independentes da China também é financeiramente difícil para os beneficiários. Um município latino-americano que tenha firmado múltiplos contratos com a China e queira diversificar provavelmente conseguiria encontrar fornecedores não chineses com preços acessíveis para necessidades específicas, como equipamentos antimotim. Mas é difícil abandonar os sistemas integrados. Também é difícil encontrar fornecedores alternativos para itens um pouco mais sofisticados. A China, por exemplo, fabrica os sistemas de vigilância mais econômicos e amplamente adotados do mundo. Nos países onde os vende, as empresas chinesas frequentemente eliminam a concorrência local, graças aos generosos subsídios governamentais. As câmeras chinesas, por sua vez, muitas vezes não têm assistência técnica sem o suporte contínuo da China, porque a maioria dos projetos de câmeras produzidos no país são proprietários. A substituição dessas câmeras é extremamente cara e difícil. Isso significa que, quando elas quebram, as cidades precisam recorrer a empresas chinesas. Não é à toa que um estudo de 2020 não conseguiu encontrar um único governo que tenha adotado uma plataforma chinesa de vigilância e policiamento e depois a tenha abandonado completamente. Os governos tendiam a restringir funcionalidades específicas em vez de remover os sistemas por completo.

Como resultado, muitos países da América Latina são altamente vulneráveis ​​à coerção econômica. Se um Estado adota uma posição contrária aos interesses de Pequim, a China pode apertar o cerco, retendo peças de reposição, atualizações de software e técnicos, transformando uma parceria comercial em instrumento de pressão. Mesmo sem coerção, a dependência da China tem frustrado muitos políticos da região. O Equador é um exemplo disso.

O ECU-911 nunca reduziu a criminalidade de forma mensurável; na verdade, o número de homicídios no Equador saltou de cerca de 1.000 em 2016 para mais de 4.800 em 2022. O sistema também se mostrou frágil. Em 2022, cerca de 1.100 de suas 6.500 câmeras estavam inoperantes. Hoje, ele mal funciona, e as autoridades equatorianas estão insatisfeitas com ele. No entanto, o país não tem alternativa, e substituir o sistema atual por um novo seria proibitivamente caro e inconveniente. Como resultado, o ECU-911 continua operando precariamente, deixando o país dependente de Pequim para gerir seu combalido mecanismo de resposta a emergências. Essa mesma dinâmica de dependência já ocorreu no setor de telecomunicações. As redes 4G de três das quatro principais operadoras do Brasil, por exemplo, foram construídas e continuam sendo mantidas pela Huawei, o que impossibilitou que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro banisse a empresa das redes 5G, apesar de todos os seus esforços.

Por outro lado, para outras autoridades, a troca vale a pena, dada a falta de alternativas viáveis ​​em tempo hábil. De fato, muitos líderes regionais buscam ativamente sistemas chineses, que oferecem soluções pragmáticas para os desafios de segurança e governança de seus países. Eles também apresentam soluções para políticos locais com tamanha rapidez que atropelam respostas mais cautelosas. Alguns Estados latino-americanos chegam a fazer concessões políticas preventivas à China, na esperança de adquirir rapidamente seus produtos. Em março de 2023, por exemplo, Honduras rompeu relações formais com Taiwan e estabeleceu laços com Pequim. Três meses depois, assinou 17 acordos de cooperação com a China — incluindo um voltado para cidades inteligentes — e manifestou apoio à Iniciativa de Segurança Global da China (uma estrutura concebida para ajudar a contestar a ordem internacional liderada pelos EUA). Em menos de um ano, o sistema 911 de Honduras concedeu um contrato sem concorrência para um sistema chinês de gestão de vídeo, e o país instalou 3.500 câmeras fabricadas pela Huawei.

O resultado é uma questão de soberania desconfortavelmente familiar para a região: o que acontece quando governos locais e nacionais agem contra seus próprios cidadãos em benefício de atores estrangeiros? Muitas vezes, a resposta é que os interesses estrangeiros prevalecem. Quando populações indígenas bloquearam as salinas da Argentina devido ao impacto ambiental de projetos de lítio financiados pela China (e por não terem sido consultadas antes da efetivação do acordo), o governador de Jujuy acelerou uma reforma constitucional para proibir bloqueios de estradas. Segundo grupos de direitos humanos, a polícia provincial também agrediu e deteve ilegalmente manifestantes.

Os esforços de Pequim na América Latina criaram riscos que ninguém está avaliando adequadamente. Ao estruturar sistemas de governança com base em modelos chineses, a região troca a viabilidade econômica de curto prazo pela dependência — e, com ela, pela influência chinesa sobre suas decisões.

Mas, para a China, os resultados são claros. Pequim conquistou nova influência na América Latina. Atualmente, mantém relações estabelecidas com governos municipais, provinciais e nacionais, incluindo cerca de 180 acordos de cidades-irmãs com 17 países latino-americanos. A estratégia chinesa também não apresenta um ponto único de falha. Ela evita setores de grande visibilidade, como portos — onde está mais exposta a resistências —, inserindo-se, em vez disso, nas necessidades cotidianas de prefeitos, governadores, agências provinciais e departamentos governamentais centrais de menor destaque.

Não é de surpreender, portanto, que a China aplique o mesmo modelo em outras regiões. Na cidade paquistanesa de Lahore, a Autoridade de Cidades Seguras de Punjab instalou centros de comando fabricados pela Huawei e 10.000 câmeras de vigilância, em um contrato de US$ 84,7 milhões. O sistema de vigilância do Quênia opera com tecnologia chinesa. O Ministério da Segurança Pública da China firmou acordos de policiamento ou segurança com cerca de 74 países, totalizando mais de 200 pactos. O país treinou comprovadamente mais de 12.000 agentes estrangeiros desde 2000. Mesmo nos Estados Unidos, a China avançou em níveis subnacionais — especificamente ao vender guindastes portuários para autoridades e operadores locais — durante anos, antes que o governo federal agisse para impedir essa prática.

Na arte de governar da China, a doutrina nem sempre precede a ação. Ela também pode surgir na sequência das escolhas do país, legitimando e ampliando iniciativas que começaram como experimentos. Os dois primeiros documentos de política da China para a América Latina, de 2008 e 2016, tratavam a segurança regional como um tema secundário em relação a acordos comerciais e à questão de Taiwan. No entanto, o documento mais recente, publicado em dezembro de 2025, estabeleceu a cooperação em segurança como um componente central. Isso aconteceu porque contratos e programas chineses voltados para o policiamento e a segurança na América Latina já estavam em operação.

Como a doutrina chinesa ratificou a prática, os Estados Unidos ficaram para trás. Até hoje, o país continua focado em se precaver contra uma estratégia chinesa baseada na criação de ativos grandes e visíveis — portos, redes 5G, infraestrutura espacial — em vez de acordos chineses com órgãos municipais de compras e academias de polícia. Se os Estados Unidos levam a sério a contenção da influência chinesa em seu hemisfério, precisam mudar de rumo. Devem descobrir como fornecer a esses atores soluções viáveis ​​e eficazes para os seus problemas. Caso contrário, a China continuará sendo a parceira preferencial de muitos na América Latina.

23 julho 2026

Sinal amarelo para o Brasil

Entre as prioridades do 15º Plano Quinquenal chinês, aprovado em 12 de março de 2026, encontram-se a autossuficiência alimentar, a IA no campo e e novas proteínas. Todas estão no centro de seu planejamento para os próximos anos. O recado para os grandes exportadores, como o Brasil, é difícil de ignorar. A estratégia da China é clara - importar menos e produzir mais. O movimento já começou. Desde janeiro, a China passou a aplicar um adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais estabelecidas para países como o Brasil, com o objetivo declarado de proteger sua produção doméstica.

Enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.

"A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.

"Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal. Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma o professor Ricardo Abramovay, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo .

O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas. 

Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.

A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.

Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático. 

Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava. 

Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento.

A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões. 

No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão. 

Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos. 

Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica.

"Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século", alerta Tooze.

O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país.

"É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical", conclui.

Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente.

"A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa", afirma.

Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.

"É muito comum usar o termo 'verde' na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada", diz Wachholz.

"O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado", afirma a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP). "Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja", afirma.

Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas.

Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%.

"A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja", diz Tereza Cristina.

Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências. "É um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil", afirma.

Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas.

"O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos", avalia. "Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda".

Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente: "Quando a China fala, ela cumpre. Então isso é um alerta para a produção brasileira."

Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o "Programa China" na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado.

"Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos", afirma. "O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador".

Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.

08 junho 2026

Os 37 anos do Massacre da Praça Celestial

 


    Nos dias 3 e 4 de junho de 1989, milhares de Chineses reunidos na Praça da Paz Celestial protestavam contra a corrupção, a repressão política, a inflação e o desemprego sob o regime do Partido Comunista Chinês, o PCC.

    O movimento estudantil foi influenciado pelas reformas promovidas por Mikhail Gorbachev na União Soviética a partir de 1986. A perestroika introduziu medidas de liberalização econômica, enquanto a glasnost ampliou a abertura política e as liberdades civis, especialmente a liberdade de expressão. Essas transformações repercutiram em diversos países do bloco comunista, influenciando movimentos em nações como Polônia de Hungria.

    O líder soviético chegou à China em plena onda de protestos estudantis que, desde 15 de abril, tomava diariamente as ruas de Pequim e já contava com o apoio de diversos setores da população, incluindotrabalhadores. As manifestações eram marcadas por atos pacíficos e reivindicavam reformas políticas, maior liberdade de expressão e ampliação das liberdades civis.

    Em 17 de maio, os protestos forçaram o governo chinês a cancelar parte da agenda da visita de Gorbachev, gerando constrangimento para o regime. Dois dias depois, o secretário geral do PCC, Zhao Ziyang, tentou dissuadir os estudantes de continuarem as manifestações, mas fracassou. Em 20 de maio, o Primeiro Ministro Li Peng convoca o exército para limpar a praça e soldados e tanques são mandados às ruas. Os manifestantes erguem barricadas e bloquearam o avanço dos soldados e tanques.

    Na noite de 3 de junho, tanques e veículos blindados transportando soldados armados avançam sobre Pequim e abriram fogo contra a multidão. O confronto deixou mortos entre civis e soldados. Por volta da meia-noite de 4 de junho, as tropas chegaram à Praça Tiananmen, então ocupada por cerca de 5 mil estudantes. Novos confrontos ocorreram durante a madrugada.

    Após as negociações, os manifestantes concordaram em deixar a praça, sob ameaça de serem fuzilados caso permanecessem. A violência, porém, continuou pela cidade nos dias seguintes, com tropas utilizando armas de fogo para dispersar os últimos focos de resistência.

    O exército chinês disparou indiscriminadamente contra uma multidão que ocupava a praça e ruas próximas. As estimativas das mortes variam entre 400 a 800 até 2600 mortos além de cerca de 7000 feridos.

    O mundo inteiro viu. Um símbolo de coragem contra um Estado que prefere esmagar seus cidadãos a ouví-los. Esse homem sumiu. O massacre, até hoje, é negado. “Foi só manutenção da ordem”, dizem.


Foto simbólica: homem bloqueia passagem de tanques 
nos arredores da Praça Celestial 
(Tiananmen) de Pequim, em 1989.

    Não é exagero dizer: a estrada que começa com a criminalização da fala termina com tanques nas ruas. A liberdade de expressão não é um luxo ocidental. É uma trincheira contra a tirania.

    Lutar pela segurança jurídica e institucional é fundamental, principalmente neste momento em que o Brasil deixou e ser o país do futuro para se tornar mundialmente conhecido por estar dando os mesmo passos da ditadura já mencionada.  É nossa obrigação, é nosso dever lutar por dignidade, por um país que garanta a cada um, no pilar da Separação dos Poderes, o respeito às individualidades, às opiniões e aos direitos fundamentais.

31 janeiro 2026

Colisão e explosões destroem o satélite Luch

     O satélite militar russo Luch, de reconhecimento e observação, foi destruído ontem após colidir com detritos espaciais. Normalmente, as rotas dos detritos orbitais são conhecidas, mas satélites militares, como precisam estar constantemente mudando de órbita, por vezes atravessam áreas perigosas com elevada presença de detritos, e foi provavelmente isso que levou à destruição desse satélite russo.



    Segundo uma reportagem do jornal Live Science, especialistas disseram que lançamentos excessivos de artefatos ao espaço podem provocar uma acumulação de lixo espacial na órbita terrestre e causar até mesmo colisões entre os fragmentos e os próprios satélites. De acordo com um relatório da Agência Espacial Europeia, publicado em abril de 2025, existem cerca de 50.000 pedaços de lixo espacial com mais de 10 cm na órbita terrestre e objetos desse tamanho já são capazes de destruir um satélite.

    Uma órbita densamente preenchida por satélites já vem sendo um desafio para a SpaceX. Uma reportagem da revista norte-americana New Scientist informou na última semana que a companhia reportou à FCC que precisou fazer 300 mil manobras para evitar colisões em órbita de seus satélites em 2025.

A corrida espacial entre os EUA e a China

    O ano de 2026 promete ser fundamental na corrida espacial que se desenha para o século 21. Diferentemente da corrida para se chegar à Lua entre Estados Unidos e União Soviética no século passado, a disputa agora é para desenvolver a maior e melhor constelação de satélites, em especial um modelo específico: os satélites LEO (sigla em inglês para órbita terrestre baixa).



    Outra diferença nessa corrida espacial é o adversário norte-americano, que dessa vez é a China. Na última década, os EUA construíram uma ampla vantagem no lançamento de foguetes. O país asiático vem aumentando suas missões espaciais e já é responsável por quase ⅓ dos lançamentos de foguetes. De 2024 para 2025, a China aumentou em 36% a quantidade de lançamentos de foguetes para instalação de satélites. Ao todo, foram 93 lançamentos no ano passado, um recorde para o país. Para 2026, a estimativa é que o país ultrapasse os 100 lançamentos.




    Enquanto a China tenta ganhar tração na corrida espacial, os EUA querem solidificar ainda mais a vantagem construída na última década e para isso contam com seu principal trunfo: a SpaceX, do empresário Elon Musk. A empresa realizou 85% dos lançamentos norte-americanos e é responsável por colocar o país no topo da lista de lançamentos realizados em 2025. Sem a empresa de Musk, os EUA ficariam com ⅓ das operações chinesas no período.

    


29 janeiro 2026

Uma lição do capitalismo sobre o possível controle da China nas áreas do 5G e da Inteligência Artificial

 


    Os Estados Unidos finalmente têm uma oportunidade. A questão é se os formuladores de políticas continuarão a reconhecer que competir com a China exige mais do que retórica. Exige resistir à tentação de microgerenciar a economia, ao mesmo tempo em que dão aos inovadores americanos a liberdade para competir e a escala para vencer. Aprendamos nós esta ótima lição.


    O controle da Huawei sobre mais de um terço do mercado global de telecomunicações está em risco como resultado, e com ele, também a forte posição do país para dominar grande parte do futuro global do 5G e da IA.


    Essa reação não deveria surpreender ninguém. Quando governos tentam impor patriotismo no caixa, os consumidores quase sempre acabam resistindo. E o incentivo para escolher o melhor negócio provavelmente é ainda mais forte na China, onde o padrão de vida é de apenas cerca de um quarto do nível americano.


    O problema para a Huawei é que sua busca inicial por domínio nunca foi construída apenas com base em confiança ou inovação; segundo relatos, ela foi construída com subsídios, coerção e a compreensão tácita de que comprar alternativas chinesas era politicamente favorecido. Agora, os consumidores chineses estão percebendo o que o resto do mundo aprendeu anos atrás: monopólios sustentados pelo Estado resultam em preços mais altos, menos escolhas e estagnação. E uma vez que essa percepção se instala, nenhuma quantidade de propaganda nacionalista consegue revertê-la completamente.


    Nesse contexto, agora está claro que o Departamento de Justiça americano foi sábio ao aprovar a fusão - que formou a HPE - entre a Hewlett Packard Enterprise e a Juniper Networks, uma decisão subsidiadas por alertas da Comunidade de Inteligência dos EUA de que o mercado livre precisa ter espaço para florescer, e que as empresas americanas precisam obter escala para contrabalançar concorrentes apoiados pelo Estado, como a Huawei. Essa contenção tem dado bons resultados até agora.


    De acordo com reportagens da Fierce Network, novos dados mostram que, em vários segmentos de redes que por muito tempo foram dominados pela Huawei, a HPE agora está competindo de igual para igual com a Huawei:


"Apenas seis meses se passaram desde que a HPE concluiu a aquisição da Juniper Networks com o objetivo de se tornar um titã em redes para IA. E o negócio já parece estar dando frutos".

Novos dados do Dell’Oro Group mostram que a receita da HPE com switches Ethernet para campus no terceiro trimestre cresceu acima da taxa de mercado e agora está no mesmo nível da gigante chinesa Huawei. A firma de análise já havia previsto que as vendas globais de switches para campus superariam US$ 20 bilhões este ano.

Siân Morgan, Diretora de Pesquisa do Dell’Oro Group, disse à Fierce por e-mail: “A combinação das receitas de switches para campus da Juniper e da HPE no 3T24 cresceu quatro vezes a taxa de crescimento do mercado, então não há sinais óbvios de canibalização entre as vendas de switches para campus das duas empresas.”


    A Cisco, outra empresa americana, também está liderando “tanto no mercado de switches para campus quanto no de roteadores de núcleo”. Então os EUA não têm apenas um bom jogador em seu time.


    Portanto, graças à decisão do Departamento de Justiça de recuar e permitir que o sistema de livre iniciativa americano faça sua mágica, os EUA agora estão melhor posicionados para superar a China globalmente em inteligência artificial, infraestrutura de nuvem e data centers seguros. Também estão mais bem equipados para competir em mercados estrangeiros onde os governos estão cada vez mais reavaliando os riscos de depender da tecnologia chinesa.


    O fato de essas empresas americanas estarem competindo com sucesso sem subsídios (ao contrário da Huawei) é um ponto importante, porque está se provando a única forma sustentável de avançar.


    As recentes dificuldades da Huawei em seu próprio mercado expuseram a fragilidade de um domínio construído com apoio estatal em vez de confiança do mercado. A única maneira de manter o domínio a longo prazo é oferecer um produto ou serviço de qualidade que consiga competir no mercado livre e aberto com base apenas no mérito, e empresas americanas como Cisco e a recém-fusionada HPE estão fazendo exatamente isso.

26 outubro 2025

Marco Rubio sobre a reunião entre Trump e Lula



O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Brasil se beneficiaria mais ao estreitar relações comerciais com Washington do que com Pequim. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio.

"Obviamente, temos algumas questões com o Brasil, particularmente sobre como alguns de seus juízes têm tratado o setor digital nos EUA, os indivíduos localizados nos Estados Unidos por meio de postagens em redes sociais. Teremos que resolver essas questões também. Mas o Presidente vai explorar se há maneiras de superar tudo isso, porque acreditamos que será benéfico fazê-lo. Vai levar algum tempo”

    Ora, como potência preeminente do mundo, os Estados Unidos definem o ritmo em que outros países ascendem ou caem – e no início do século XXI, esse ritmo era abismal. Em 2001, o país sofreu o ataque mais mortal à sua terra natal. Na década seguinte, travou duas das três guerras mais longas de sua história, custando centenas de milhares de vidas, incluindo milhares de americanos, e gastando US$ 8 trilhões, sem garantir a vitória. Em 2008, sofreu o pior colapso financeiro desde a Grande Depressão.

    Enquanto isso, outras economias diminuíram a diferença. Entre 2000 e 2010, o PIB da China em dólares — o indicador mais claro do poder de compra de um país nos mercados internacionais — saltou de 12% para 41% do PIB dos EUA. A participação da Rússia quadruplicou; a do Brasil e da Índia mais que dobrou; e as principais economias da Europa também obtiveram ganhos significativos.

    Mas a maré logo virou. Na década de 2010, a maioria das grandes economias recuou. As participações do Brasil e do Japão no PIB dos EUA foram reduzidas aproximadamente pela metade. Canadá, França, Itália e Rússia perderam cerca de um terço de seu peso econômico relativo cada, enquanto as participações da Alemanha e do Reino Unido se contraíram em cerca de um quarto. Apenas China e Índia continuaram a subir.

    A década de 2020 foi ainda mais difícil. A Índia é a única grande economia que ainda acompanha o ritmo dos Estados Unidos. De 2020 a 2024, o PIB da China caiu de 70% para 64% do PIB dos EUA. O do Japão caiu de 22% para 14%. As economias da Alemanha, França e Reino Unido caíram ainda mais, enquanto a da Rússia está cambaleando após um breve solavanco durante a guerra. As economias combinadas dos países da África, América Latina, Oriente Médio, Sul da Ásia e Sudeste Asiático também encolheram — de cerca de 90% do PIB dos EUA há uma década para apenas 70% em 2023.

    Na última década, apenas a Índia e os Estados Unidos avançaram em produtividade total dos fatores, que mede a eficiência com que um país converte trabalho, capital e outros insumos em produção econômica. O Japão estagnou, enquanto outros países retrocederam, investindo mais insumos, mas produzindo menos crescimento. Nos setores avançados, a diferença é maior: as empresas americanas capturam mais da metade dos lucros globais de alta tecnologia; A China mal consegue atingir 6%.

    As vantagens dos Estados Unidos vão além. Seu mercado consumidor é maior do que o da China e da zona do euro juntos. É o segundo maior comerciante do mundo, mas está entre os menos dependentes do comércio, com exportações representando apenas 11% do PIB – um terço do qual vai para o Canadá e o México – em comparação com 20% da China e 30% globalmente. No setor de energia, saltou de importador líquido para o maior produtor, desfrutando de preços muito abaixo dos concorrentes. E o dólar continua a dominar as reservas, o setor bancário e o câmbio. A dívida pública e privada total nos Estados Unidos é enorme – cerca de 250% do PIB em 2024 e provavelmente aumentará com os cortes de impostos estendidos aprovados pelo Congresso em julho – mas ainda menor do que a de muitos pares: no Japão, ultrapassa 380%; na ​​França, 320%; e na China, ultrapassa 300%, incluindo os passivos ocultos de governos locais e empresas. Além disso, de 2015 a 2025, a dívida nos Estados Unidos caiu ligeiramente, enquanto aumentou quase 60 pontos percentuais na China, mais de 25 no Japão e no Brasil, e quase 20 na França.

    E apesar de mais de um trilhão de dólares em subsídios na última década, a China ainda depende dos Estados Unidos e de seus aliados para 70% a 100% de cerca de 400 bens e tecnologias essenciais. Chips semicondutores, por exemplo, ultrapassaram o petróleo bruto como a maior importação do país, mas a produção doméstica cobre menos de um quinto da demanda. Na vanguarda, a China depende quase inteiramente de fornecedores estrangeiros. Após os controles de exportação de chips de IA impostos por Washington em 2022, a participação dos EUA no poder global de computação de IA aumentou quase 50%, enquanto a da China foi reduzida pela metade, deixando os Estados Unidos com uma vantagem de cinco vezes maior. Esse episódio ressaltou o que os acadêmicos Stephen Brooks e Benjamin Vagle chamaram de "poder comercial excludente": em setores intensivos em P&D, os Estados Unidos e seus aliados capturam mais de 80% das receitas globais. Em tempos normais, esse domínio gera poder de mercado; em uma crise, torna-se uma arma — a China pode perder de 14% a 21% do PIB em um corte comercial, em comparação com apenas 4% a 7% para os Estados Unidos.

   Essas vulnerabilidades são agravadas pelo sistema político chinês. O Partido Comunista Chinês transformou a autocracia em uma camisa de força econômica, apertando seu controle sobre o setor privado e direcionando capital para empresas com conexões políticas. As startups financiadas por capital de risco caíram de aproximadamente 51.000 em 2018 para apenas 1.200 em 2023, de acordo com reportagem do Financial Times. O investimento estrangeiro caiu para o menor nível em três décadas, enquanto a fuga de capitais aumentou, com dezenas de milhares de milionários e centenas de bilhões de dólares saindo a cada ano. O resultado é uma economia frágil — ativos formidáveis ​​na superfície, mas passivos crescentes por baixo.

    Concluindo, o Marco Rubio parece ter muitos bons motivos e fundamentos para se pronunciar como o exposto no início deste artigo. Será que a turma do Lula compreenderá ou irá continuar acreditando nos discursos ideológicos do Lula e do Celso Amorim? Que Deus salve o Brasil.