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23 julho 2026

Sinal amarelo para o Brasil

Entre as prioridades do 15º Plano Quinquenal chinês, aprovado em 12 de março de 2026, encontram-se a autossuficiência alimentar, a IA no campo e e novas proteínas. Todas estão no centro de seu planejamento para os próximos anos. O recado para os grandes exportadores, como o Brasil, é difícil de ignorar. A estratégia da China é clara - importar menos e produzir mais. O movimento já começou. Desde janeiro, a China passou a aplicar um adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais estabelecidas para países como o Brasil, com o objetivo declarado de proteger sua produção doméstica.

Enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.

"A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.

"Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal. Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma o professor Ricardo Abramovay, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo .

O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas. 

Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.

A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.

Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático. 

Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava. 

Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento.

A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões. 

No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão. 

Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos. 

Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica.

"Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século", alerta Tooze.

O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país.

"É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical", conclui.

Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente.

"A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa", afirma.

Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.

"É muito comum usar o termo 'verde' na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada", diz Wachholz.

"O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado", afirma a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP). "Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja", afirma.

Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas.

Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%.

"A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja", diz Tereza Cristina.

Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências. "É um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil", afirma.

Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas.

"O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos", avalia. "Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda".

Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente: "Quando a China fala, ela cumpre. Então isso é um alerta para a produção brasileira."

Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o "Programa China" na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado.

"Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos", afirma. "O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador".

Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.

08 junho 2026

Os 37 anos do Massacre da Praça Celestial

 


    Nos dias 3 e 4 de junho de 1989, milhares de Chineses reunidos na Praça da Paz Celestial protestavam contra a corrupção, a repressão política, a inflação e o desemprego sob o regime do Partido Comunista Chinês, o PCC.

    O movimento estudantil foi influenciado pelas reformas promovidas por Mikhail Gorbachev na União Soviética a partir de 1986. A perestroika introduziu medidas de liberalização econômica, enquanto a glasnost ampliou a abertura política e as liberdades civis, especialmente a liberdade de expressão. Essas transformações repercutiram em diversos países do bloco comunista, influenciando movimentos em nações como Polônia de Hungria.

    O líder soviético chegou à China em plena onda de protestos estudantis que, desde 15 de abril, tomava diariamente as ruas de Pequim e já contava com o apoio de diversos setores da população, incluindotrabalhadores. As manifestações eram marcadas por atos pacíficos e reivindicavam reformas políticas, maior liberdade de expressão e ampliação das liberdades civis.

    Em 17 de maio, os protestos forçaram o governo chinês a cancelar parte da agenda da visita de Gorbachev, gerando constrangimento para o regime. Dois dias depois, o secretário geral do PCC, Zhao Ziyang, tentou dissuadir os estudantes de continuarem as manifestações, mas fracassou. Em 20 de maio, o Primeiro Ministro Li Peng convoca o exército para limpar a praça e soldados e tanques são mandados às ruas. Os manifestantes erguem barricadas e bloquearam o avanço dos soldados e tanques.

    Na noite de 3 de junho, tanques e veículos blindados transportando soldados armados avançam sobre Pequim e abriram fogo contra a multidão. O confronto deixou mortos entre civis e soldados. Por volta da meia-noite de 4 de junho, as tropas chegaram à Praça Tiananmen, então ocupada por cerca de 5 mil estudantes. Novos confrontos ocorreram durante a madrugada.

    Após as negociações, os manifestantes concordaram em deixar a praça, sob ameaça de serem fuzilados caso permanecessem. A violência, porém, continuou pela cidade nos dias seguintes, com tropas utilizando armas de fogo para dispersar os últimos focos de resistência.

    O exército chinês disparou indiscriminadamente contra uma multidão que ocupava a praça e ruas próximas. As estimativas das mortes variam entre 400 a 800 até 2600 mortos além de cerca de 7000 feridos.

    O mundo inteiro viu. Um símbolo de coragem contra um Estado que prefere esmagar seus cidadãos a ouví-los. Esse homem sumiu. O massacre, até hoje, é negado. “Foi só manutenção da ordem”, dizem.


Foto simbólica: homem bloqueia passagem de tanques 
nos arredores da Praça Celestial 
(Tiananmen) de Pequim, em 1989.

    Não é exagero dizer: a estrada que começa com a criminalização da fala termina com tanques nas ruas. A liberdade de expressão não é um luxo ocidental. É uma trincheira contra a tirania.

    Lutar pela segurança jurídica e institucional é fundamental, principalmente neste momento em que o Brasil deixou e ser o país do futuro para se tornar mundialmente conhecido por estar dando os mesmo passos da ditadura já mencionada.  É nossa obrigação, é nosso dever lutar por dignidade, por um país que garanta a cada um, no pilar da Separação dos Poderes, o respeito às individualidades, às opiniões e aos direitos fundamentais.

31 janeiro 2026

Colisão e explosões destroem o satélite Luch

     O satélite militar russo Luch, de reconhecimento e observação, foi destruído ontem após colidir com detritos espaciais. Normalmente, as rotas dos detritos orbitais são conhecidas, mas satélites militares, como precisam estar constantemente mudando de órbita, por vezes atravessam áreas perigosas com elevada presença de detritos, e foi provavelmente isso que levou à destruição desse satélite russo.



    Segundo uma reportagem do jornal Live Science, especialistas disseram que lançamentos excessivos de artefatos ao espaço podem provocar uma acumulação de lixo espacial na órbita terrestre e causar até mesmo colisões entre os fragmentos e os próprios satélites. De acordo com um relatório da Agência Espacial Europeia, publicado em abril de 2025, existem cerca de 50.000 pedaços de lixo espacial com mais de 10 cm na órbita terrestre e objetos desse tamanho já são capazes de destruir um satélite.

    Uma órbita densamente preenchida por satélites já vem sendo um desafio para a SpaceX. Uma reportagem da revista norte-americana New Scientist informou na última semana que a companhia reportou à FCC que precisou fazer 300 mil manobras para evitar colisões em órbita de seus satélites em 2025.

A corrida espacial entre os EUA e a China

    O ano de 2026 promete ser fundamental na corrida espacial que se desenha para o século 21. Diferentemente da corrida para se chegar à Lua entre Estados Unidos e União Soviética no século passado, a disputa agora é para desenvolver a maior e melhor constelação de satélites, em especial um modelo específico: os satélites LEO (sigla em inglês para órbita terrestre baixa).



    Outra diferença nessa corrida espacial é o adversário norte-americano, que dessa vez é a China. Na última década, os EUA construíram uma ampla vantagem no lançamento de foguetes. O país asiático vem aumentando suas missões espaciais e já é responsável por quase ⅓ dos lançamentos de foguetes. De 2024 para 2025, a China aumentou em 36% a quantidade de lançamentos de foguetes para instalação de satélites. Ao todo, foram 93 lançamentos no ano passado, um recorde para o país. Para 2026, a estimativa é que o país ultrapasse os 100 lançamentos.




    Enquanto a China tenta ganhar tração na corrida espacial, os EUA querem solidificar ainda mais a vantagem construída na última década e para isso contam com seu principal trunfo: a SpaceX, do empresário Elon Musk. A empresa realizou 85% dos lançamentos norte-americanos e é responsável por colocar o país no topo da lista de lançamentos realizados em 2025. Sem a empresa de Musk, os EUA ficariam com ⅓ das operações chinesas no período.

    


29 janeiro 2026

Uma lição do capitalismo sobre o possível controle da China nas áreas do 5G e da Inteligência Artificial

 


    Os Estados Unidos finalmente têm uma oportunidade. A questão é se os formuladores de políticas continuarão a reconhecer que competir com a China exige mais do que retórica. Exige resistir à tentação de microgerenciar a economia, ao mesmo tempo em que dão aos inovadores americanos a liberdade para competir e a escala para vencer. Aprendamos nós esta ótima lição.


    O controle da Huawei sobre mais de um terço do mercado global de telecomunicações está em risco como resultado, e com ele, também a forte posição do país para dominar grande parte do futuro global do 5G e da IA.


    Essa reação não deveria surpreender ninguém. Quando governos tentam impor patriotismo no caixa, os consumidores quase sempre acabam resistindo. E o incentivo para escolher o melhor negócio provavelmente é ainda mais forte na China, onde o padrão de vida é de apenas cerca de um quarto do nível americano.


    O problema para a Huawei é que sua busca inicial por domínio nunca foi construída apenas com base em confiança ou inovação; segundo relatos, ela foi construída com subsídios, coerção e a compreensão tácita de que comprar alternativas chinesas era politicamente favorecido. Agora, os consumidores chineses estão percebendo o que o resto do mundo aprendeu anos atrás: monopólios sustentados pelo Estado resultam em preços mais altos, menos escolhas e estagnação. E uma vez que essa percepção se instala, nenhuma quantidade de propaganda nacionalista consegue revertê-la completamente.


    Nesse contexto, agora está claro que o Departamento de Justiça americano foi sábio ao aprovar a fusão - que formou a HPE - entre a Hewlett Packard Enterprise e a Juniper Networks, uma decisão subsidiadas por alertas da Comunidade de Inteligência dos EUA de que o mercado livre precisa ter espaço para florescer, e que as empresas americanas precisam obter escala para contrabalançar concorrentes apoiados pelo Estado, como a Huawei. Essa contenção tem dado bons resultados até agora.


    De acordo com reportagens da Fierce Network, novos dados mostram que, em vários segmentos de redes que por muito tempo foram dominados pela Huawei, a HPE agora está competindo de igual para igual com a Huawei:


"Apenas seis meses se passaram desde que a HPE concluiu a aquisição da Juniper Networks com o objetivo de se tornar um titã em redes para IA. E o negócio já parece estar dando frutos".

Novos dados do Dell’Oro Group mostram que a receita da HPE com switches Ethernet para campus no terceiro trimestre cresceu acima da taxa de mercado e agora está no mesmo nível da gigante chinesa Huawei. A firma de análise já havia previsto que as vendas globais de switches para campus superariam US$ 20 bilhões este ano.

Siân Morgan, Diretora de Pesquisa do Dell’Oro Group, disse à Fierce por e-mail: “A combinação das receitas de switches para campus da Juniper e da HPE no 3T24 cresceu quatro vezes a taxa de crescimento do mercado, então não há sinais óbvios de canibalização entre as vendas de switches para campus das duas empresas.”


    A Cisco, outra empresa americana, também está liderando “tanto no mercado de switches para campus quanto no de roteadores de núcleo”. Então os EUA não têm apenas um bom jogador em seu time.


    Portanto, graças à decisão do Departamento de Justiça de recuar e permitir que o sistema de livre iniciativa americano faça sua mágica, os EUA agora estão melhor posicionados para superar a China globalmente em inteligência artificial, infraestrutura de nuvem e data centers seguros. Também estão mais bem equipados para competir em mercados estrangeiros onde os governos estão cada vez mais reavaliando os riscos de depender da tecnologia chinesa.


    O fato de essas empresas americanas estarem competindo com sucesso sem subsídios (ao contrário da Huawei) é um ponto importante, porque está se provando a única forma sustentável de avançar.


    As recentes dificuldades da Huawei em seu próprio mercado expuseram a fragilidade de um domínio construído com apoio estatal em vez de confiança do mercado. A única maneira de manter o domínio a longo prazo é oferecer um produto ou serviço de qualidade que consiga competir no mercado livre e aberto com base apenas no mérito, e empresas americanas como Cisco e a recém-fusionada HPE estão fazendo exatamente isso.

26 outubro 2025

Marco Rubio sobre a reunião entre Trump e Lula



O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Brasil se beneficiaria mais ao estreitar relações comerciais com Washington do que com Pequim. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio.

"Obviamente, temos algumas questões com o Brasil, particularmente sobre como alguns de seus juízes têm tratado o setor digital nos EUA, os indivíduos localizados nos Estados Unidos por meio de postagens em redes sociais. Teremos que resolver essas questões também. Mas o Presidente vai explorar se há maneiras de superar tudo isso, porque acreditamos que será benéfico fazê-lo. Vai levar algum tempo”

    Ora, como potência preeminente do mundo, os Estados Unidos definem o ritmo em que outros países ascendem ou caem – e no início do século XXI, esse ritmo era abismal. Em 2001, o país sofreu o ataque mais mortal à sua terra natal. Na década seguinte, travou duas das três guerras mais longas de sua história, custando centenas de milhares de vidas, incluindo milhares de americanos, e gastando US$ 8 trilhões, sem garantir a vitória. Em 2008, sofreu o pior colapso financeiro desde a Grande Depressão.

    Enquanto isso, outras economias diminuíram a diferença. Entre 2000 e 2010, o PIB da China em dólares — o indicador mais claro do poder de compra de um país nos mercados internacionais — saltou de 12% para 41% do PIB dos EUA. A participação da Rússia quadruplicou; a do Brasil e da Índia mais que dobrou; e as principais economias da Europa também obtiveram ganhos significativos.

    Mas a maré logo virou. Na década de 2010, a maioria das grandes economias recuou. As participações do Brasil e do Japão no PIB dos EUA foram reduzidas aproximadamente pela metade. Canadá, França, Itália e Rússia perderam cerca de um terço de seu peso econômico relativo cada, enquanto as participações da Alemanha e do Reino Unido se contraíram em cerca de um quarto. Apenas China e Índia continuaram a subir.

    A década de 2020 foi ainda mais difícil. A Índia é a única grande economia que ainda acompanha o ritmo dos Estados Unidos. De 2020 a 2024, o PIB da China caiu de 70% para 64% do PIB dos EUA. O do Japão caiu de 22% para 14%. As economias da Alemanha, França e Reino Unido caíram ainda mais, enquanto a da Rússia está cambaleando após um breve solavanco durante a guerra. As economias combinadas dos países da África, América Latina, Oriente Médio, Sul da Ásia e Sudeste Asiático também encolheram — de cerca de 90% do PIB dos EUA há uma década para apenas 70% em 2023.

    Na última década, apenas a Índia e os Estados Unidos avançaram em produtividade total dos fatores, que mede a eficiência com que um país converte trabalho, capital e outros insumos em produção econômica. O Japão estagnou, enquanto outros países retrocederam, investindo mais insumos, mas produzindo menos crescimento. Nos setores avançados, a diferença é maior: as empresas americanas capturam mais da metade dos lucros globais de alta tecnologia; A China mal consegue atingir 6%.

    As vantagens dos Estados Unidos vão além. Seu mercado consumidor é maior do que o da China e da zona do euro juntos. É o segundo maior comerciante do mundo, mas está entre os menos dependentes do comércio, com exportações representando apenas 11% do PIB – um terço do qual vai para o Canadá e o México – em comparação com 20% da China e 30% globalmente. No setor de energia, saltou de importador líquido para o maior produtor, desfrutando de preços muito abaixo dos concorrentes. E o dólar continua a dominar as reservas, o setor bancário e o câmbio. A dívida pública e privada total nos Estados Unidos é enorme – cerca de 250% do PIB em 2024 e provavelmente aumentará com os cortes de impostos estendidos aprovados pelo Congresso em julho – mas ainda menor do que a de muitos pares: no Japão, ultrapassa 380%; na ​​França, 320%; e na China, ultrapassa 300%, incluindo os passivos ocultos de governos locais e empresas. Além disso, de 2015 a 2025, a dívida nos Estados Unidos caiu ligeiramente, enquanto aumentou quase 60 pontos percentuais na China, mais de 25 no Japão e no Brasil, e quase 20 na França.

    E apesar de mais de um trilhão de dólares em subsídios na última década, a China ainda depende dos Estados Unidos e de seus aliados para 70% a 100% de cerca de 400 bens e tecnologias essenciais. Chips semicondutores, por exemplo, ultrapassaram o petróleo bruto como a maior importação do país, mas a produção doméstica cobre menos de um quinto da demanda. Na vanguarda, a China depende quase inteiramente de fornecedores estrangeiros. Após os controles de exportação de chips de IA impostos por Washington em 2022, a participação dos EUA no poder global de computação de IA aumentou quase 50%, enquanto a da China foi reduzida pela metade, deixando os Estados Unidos com uma vantagem de cinco vezes maior. Esse episódio ressaltou o que os acadêmicos Stephen Brooks e Benjamin Vagle chamaram de "poder comercial excludente": em setores intensivos em P&D, os Estados Unidos e seus aliados capturam mais de 80% das receitas globais. Em tempos normais, esse domínio gera poder de mercado; em uma crise, torna-se uma arma — a China pode perder de 14% a 21% do PIB em um corte comercial, em comparação com apenas 4% a 7% para os Estados Unidos.

   Essas vulnerabilidades são agravadas pelo sistema político chinês. O Partido Comunista Chinês transformou a autocracia em uma camisa de força econômica, apertando seu controle sobre o setor privado e direcionando capital para empresas com conexões políticas. As startups financiadas por capital de risco caíram de aproximadamente 51.000 em 2018 para apenas 1.200 em 2023, de acordo com reportagem do Financial Times. O investimento estrangeiro caiu para o menor nível em três décadas, enquanto a fuga de capitais aumentou, com dezenas de milhares de milionários e centenas de bilhões de dólares saindo a cada ano. O resultado é uma economia frágil — ativos formidáveis ​​na superfície, mas passivos crescentes por baixo.

    Concluindo, o Marco Rubio parece ter muitos bons motivos e fundamentos para se pronunciar como o exposto no início deste artigo. Será que a turma do Lula compreenderá ou irá continuar acreditando nos discursos ideológicos do Lula e do Celso Amorim? Que Deus salve o Brasil.


17 maio 2025

Modelo de censura chinês está mais próximo de ser adotado no Brasil


    Após a estada de Lula e Janja na China com uma equipe de mais de 100 pessoas, sob as custas de nosso dinheiro, ganhou urgência a preparação um novo projeto de responsabilização de plataformas digitais que prevê o bloqueio das redes sociais nos casos de omissão das empresas no cometimento de crimes na internet.

A pressa, obviamente, é decorrente das manchetes das gafes lulistas, especialmente as da Janja, que inundaram as redes sociais, após o Lula e a Janja da Silva pedirem uma intervenção no TikTok ao presidente chinês Xi Jinping em um jantar em Pequim.

"Eu perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança para a gente discutir a questão digital, sobretudo o Tik-Tok — disse Lula na China."

    Além das redes sociais, estarão sob a mesma legislação, caso seja aprovada pelo Congresso, serviços de mensagens, buscadores, e-commerce, marketplaces e outros serviços digitais que facilitem a distribuição de produtos ou serviços.

    Atualmente, os provedores só são obrigados a retirar conteúdos criminosos com determinação judicial específica para cada situação e, mesmo assim, ainda podem recorrer.

    Seguindo o modelo adotado na China, o texto prevê que uma autoridade da administração pública, ainda a ser definida pelo governo federal, irá assumir o papel de órgão regulador dos serviços digitais e terá a prerrogativa de notificar as empresas sobre os abusos. O bloqueio da plataforma, uma vez previsto na lei, poderia ser feito por essa autoridade, sem necessidade de decisão judicial.


PS.:

A AGU (Advocacia Geral da União) notificou Meta e TikTok nesta 4ª feira (14.mai.2025) para que as empresas removam de suas redes sociais postagens com informações falsas sobre a viagem da comitiva brasileira à Rússia.


O prazo dado às empresas é de 24 horas. A Meta é dona das plataformas Facebook, Instagram e Threads. As notificações foram feitas depois de um pedido da Seco (Secretaria de Comunicação da Presidência da República).


Dentre as fake news citadas pela AGU está a de que a viagem teria sido feita em um avião de carga da FAB (Força Aérea Brasileira) que carregava 200 malas com dinheiro desviado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).


Além disso, as publicações afirmam que a primeira-dama, Janja da Silva, teria sido detida em um aeroporto na Rússia com dinheiro do instituto e que o episódio teria causado um atrito diplomático entre os 2 países.


Segundo a AGU, o objetivo dos conteúdos é atingir a legitimidade da missão diplomática do Estado brasileiro. Afirmou ainda que as publicações "têm potencial de vulnerar a estabilidade institucional e de comprometer a integridade das políticas públicas tuteladas pela União".


No documento, o órgão afirmou que as empresas poderão ser responsabilizadas por omissão, caso o conteúdo não seja removido.

16 maio 2025

Americanos descobrem dispositivos espiões em inversores chineses que colocam em risco a rede elétrica

Por Leandro Ruschel - 15/05/2025

A descoberta que disparou o alarme: uma investigação revelada ontem pela Reuters mostrou que técnicos do Departamento de Energia (DOE) dos EUA abriram inversores solares e sistemas de baterias fabricados por empresas chinesas – entre elas Huawei, Sungrow e CATL – e encontraram rádios celulares e beacons Bluetooth não listados nos manuais nem nos processos de certificação. Esses componentes criam um segundo canal de comunicação que pode contornar firewalls das concessionárias e permitir a desativação remota dos equipamentos, com potencial de provocar blecautes em larga escala. Não é caso isolado: um histórico de “presentes” indesejados Em 2024, uma investigação bipartidária no Congresso norte-americano descobriu que guindastes portuários da estatal chinesa ZPMC, instalados em mais de 80 portos dos EUA, traziam modems 3G / 4G escondidos nos gabinetes de controle. Os dispositivos transmitiam dados de posicionamento e permitiam interferir nos freios das pontes rolantes, oferecendo à China uma janela de vigilância – e de sabotagem – sobre a logística militar ocidental. Pouco antes, em 2020, agentes do DOE apreenderam no porto de Houston um mega-transformador de 500 kV fabricado pela JiangSu HuaPeng. Ao desmontar o equipamento em Sandia, engenheiros encontraram uma placa “condicionadora de sinais” não documentada, ligada ao sistema que abre e fecha disjuntores – um autêntico interruptor remoto capaz de desligar nós críticos da rede elétrica. O caso remete às acusações de 2018 contra servidores da Super Micro: auditores de data centers relataram minúsculos chips soldados às placas-mãe, desviando o controlador de gerenciamento (BMC) para baixar código malicioso na primeira inicialização. Embora a empresa e algumas agências neguem, ex--funcionários de contra-inteligência sustentam que a ameaça era real. Em 2021, câmeras IP da Hikvision tornaram-se vetor de ataque quando pesquisadores encontraram senhas mestre embutidas no firmware e uma falha grave que permitia assumir o vídeo – e, a partir dele, atacar outras máquinas na rede corporativa. Agora, os rádios LTE e beacons Bluetooth ocultos nos inversores solares repetem o mesmo padrão: inserir, sem qualquer transparência contratual, um canal de comunicação secreto que pode ser acionado para espionagem ou sabotagem. O padrão é claro: componentes de comunicação extras, nunca documentados, inseridos ao longo da cadeia de suprimentos, que abrem portas para espionagem ou sabotagem. China: uma ditadura hostil que exige “cooperação” das empresas Desde 2017, a Lei de Inteligência Nacional chinesa obriga qualquer empresa chinesa a “apoiar, auxiliar e cooperar” com as agências de espionagem de Pequim. Na prática, isso significa que toda tecnologia vinda da China pode tornar-se uma arma de Estado em caso de crise — exatamente o cenário que estrategistas militares ocidentais temem. Riscos concretos para o Ocidente - Desestabilização de redes elétricas – A simples abertura simultânea de inversores residenciais suficientes pode derrubar frequência e forçar desligamentos de emergência. - Monitoramento de logística crítica – Modems em guindastes rastreiam contêineres militares antes mesmo de estes chegarem ao destino. - Ataques à cadeia de suprimentos digital – Chips ou backdoors em servidores permitem acesso privilegiado a nuvens corporativas. Hora de acelerar a substituição de importações Para enfrentar essa ameaça, governos e empresas precisam agir em três frentes complementares. A primeira envolve uma política industrial coordenada que forneça incentivos fiscais e linhas de financiamento a fabricantes de equipamentos de energia renovável sediados em países aliados, encurtando cadeias de suprimento e reduzindo pontos únicos de falha. Em paralelo, cada contrato de aquisição de tecnologia estratégica deve exigir um “inventário de componentes” — o chamado SBOM — acompanhado do direito de desmontar fisicamente os dispositivos para confirmar que o que foi entregue bate com o que está descrito no papel. Finalmente, deve-se ampliar de forma faseada as proibições de uso de hardware chinês em infraestrutura crítica, como já ocorre com o 5G, estendendo-as a inversores, baterias e equipamentos portuários, enquanto se distribui a produção entre parceiros nas Américas e na Europa para criar redundância regional. Já passou da hora de tomar providências As revelações da Reuters apenas reforçam o que uma sequência de incidentes vem demonstrando há mais de uma década: a ditadura chinesa não é um parceiro comercial neutro, mas um adversário estratégico que integra o hardware “amigável” exportado ao Ocidente ao seu aparato de inteligência. Continuar dependente desses componentes críticos significa expor nossa segurança energética, logística e digital a riscos inaceitáveis. A hora de agir — substituindo importações e reforçando inspeções — é agora, antes que o próximo “chip fantasma” apague as luzes.
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