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20 outubro 2024

BRASIL NÃO PODE SE CALAR ANTE ABUSOS NA VENEZUELA

Da mesma forma que o Editorial do Estadão deste domingo, O Globo, também em seu Editorial, reivindica e cita a obrigação da diplomacia brasileira a romper o silêncio e a denunciar a ditadura de Maduro em defesa dos direitos humanos.

Tal atitude é baseada no relatório da ONU sobre as mortes e prisões ilegais ocorridas na Venezuela após a fraude eleitoral que manteve Maduro no poder.

Ambos os Editoriais, portanto, estão em consonância com o que pensam os brasileiros e muita gente de outros países, tornando exposto o vergonhoso desempenho político, diplomático e humanitário sob o comando de Lula que resolveu substituir a Constituição brasileira pela cartilha do Foro de São Paulo, como alertou o Editorial do Estadão:

"A julgar pelo contorcionismo retórico do chanceler de facto, Celso Amorim, para impedir o Brasil de se juntar aos países civilizados na condenação de Maduro, o governo Lula, no fundo, parece concordar com os companheiros do Foro de SP. E mesmo depois que foi seguidamente desrespeitado pelo governo de Maduro, sendo acusado inclusive de ter sido “recrutado pela CIA”, Lula continua obsequiosamente silente."

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Editorial de O Globo de 20 de outubro de 2024.

O relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a Venezuela divulgado na semana passada expõe mais uma vez a tibieza do Itamaraty e do Palácio do Planalto diante da ditadura de Nicolás Maduro. As violações sistemáticas de direitos humanos relatadas no documento mostram que não dá mais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor internacional Celso Amorim insistirem na tática de apaziguamento, tentando mediar uma saída negociada para a crise desencadeada pela fraude eleitoral cometida por Maduro para ficar no poder.

Já ficou claríssimo que Maduro não quer negociar nada e não tem nenhum tipo de inibição quando se trata de sufocar seus inimigos políticos. Qualquer tolerância com seu regime deve ser interpretada como anuência às violações relatadas nas 161 páginas do relatório. São casos de prisão de adversários sem ordem judicial, torturas, violência sexual, desaparecimentos depois de detenção — conjunto de crimes enquadrado na legislação internacional de defesa dos direitos humanos.

O trabalho da missão das Nações Unidas cobriu o período de 1º de setembro de 2023 a 31 de agosto deste ano. “Assim que foram anunciados os resultados das eleições, as autoridades lançaram uma campanha sem precedentes de detenções indiscriminadas e em massa”, diz o relatório. A ação da polícia venezuelana procurou atingir filiados a partidos ou gente próxima a líderes da oposição, em especial a María Corina Machado.

De acordo com as próprias autoridades, o total de prisões chegou a milhares. A missão documentou 143 em detalhes, 121 delas por atividades políticas de oposição a Maduro. Na maioria dos casos, afirma o relatório, as detenções foram feitas sem mandado judicial, por agentes em roupas civis, sem identificação, conduzidos por veículos sem placa onde os presos eram jogados. No período pós-eleitoral, as autoridades prenderam, segundo o relatório, 158 crianças. Pelo menos 25 pessoas foram mortas, quase todas a tiro. “Em pelo menos oito dos incidentes fatais, membros das forças de segurança do Estado, assim como civis simpáticos ao governo, usaram armas de fogo nos protestos”, diz o documento.

Um exemplo, entre tantos, revela como a Venezuela se transformou em Estado policial. María Adreina Camacho, coordenadora nacional do comitê de campanha do candidato oposicionista Edmundo González — vencedor nas urnas, mas hoje exilado na Espanha —, postou um vídeo às 18h30 de 6 de agosto avisando que o governo começava a pôr em marcha a Operação Tun Tun (referência ao barulho da polícia batendo na porta). Às 21h um grupo de policiais, incluindo uma mulher, foi à casa de Camacho prendê-la. Passaram-se quase dois dias sem informação de seu paradeiro. Num vídeo publicado pelas autoridades, ela aparecia algemada num pequeno avião. A família deduziu que era levada para Caracas e conseguiu localizá-la em El Helicoide, centro comercial abandonado transformado em penitenciária por Maduro.

Com o Judiciário aparelhado pelo chavismo, são inúteis os pedidos de habeas corpus. Em vez de defender os cidadãos, a Procuradoria-Geral denuncia os presos políticos às “Cortes de Terrorismo”. O relatório obriga a diplomacia brasileira a romper o silêncio e a denunciar a ditadura de Maduro em defesa dos direitos humanos.

20 outubro 2023

Mississippi


PUSSYCAT lançou o single MISSISSIPPI nos EUA, em 29 de junho de 1976. A música continua fazendo sucesso, sendo uma das mais ouvidas no YouTube, presente em diversos canais.

Quando a contagiante música country-rock “Mississippi” chamou a atenção pela primeira vez em 1975, poucos poderiam ter previsto o grande sucesso destinado a seus criadores, as sensações pop holandesas Pussycat. No entanto, o single efervescente ganharia aclamação da banda em toda a Europa e lançaria o grupo ao estrelato internacional. Agora, no aniversário do seu lançamento nos Estados Unidos em 1976, revisitamos as raízes musicais mágicas do sucesso definidor de Pussycat.

Muito antes de "Mississippi" varrer as ondas de rádio, Pussycat começou como Sweet Reaction, uma banda familiar formada pelas irmãs Tonny, Betty e Marianne Kowalczyk em sua cidade natal, Limburg, Holanda. Depois de anos fazendo pequenos shows, as talentosas irmãs cruzaram o caminho do produtor Eddy Hilberts, que as incentivou a adotar um som mais amigável ao rádio sob o novo nome divertido de Pussycat. Embora inicialmente hesitante, Tonny e seus companheiros de banda, incluindo seu marido Lou Wille, logo expandiram a formação do Pussycat e mudaram seu estilo folk para o pop e o rock com influências country.

O catalisador para a transformação de Pussycat chegou em 1969, quando Werner Theunissen, um professor de violão local, escreveu a estridente "Mississippi". Encantado pela melodia contagiante e pela letra da música que celebra as raízes musicais americanas, Hilberts sabia que poderia ser o avanço da banda. Depois de assinar com Pussycat para o selo Bovema da EMI, ele produziu o número country-pop e lançou-o como single em 1975.

"Mississippi" se tornou uma sensação da noite para o dia, rendendo a Pussycat seu primeiro hit número um na Holanda naquele dezembro. Os vocais alegres de Tonny deslizaram sobre os riffs de piano e guitarra enquanto ela cantava sobre seu amor pelo delta blues folclórico. Foi uma ode encantadora ao nascimento do rock n' roll com uma batida dançante à qual ninguém resistiu. À medida que a fama da música se espalhava, chegavam pedidos de gravadoras de todo o mundo, ávidas por lançar esse sucesso crossover cativante. No início de 1976, "Mississippi" liderou as paradas da Noruega à Nova Zelândia, emergindo como um dos sucessos mais onipresentes da década.

Chegando à América naquele mês de setembro, "Mississippi" subiu nas paradas da Billboard, impulsionando a até então obscura Pussycat ao estrelato nos Estados Unidos. Foi um feito ainda mais impressionante visto que a banda cantou inteiramente em inglês, apesar de sua origem holandesa. Os críticos elogiaram a mistura de brilho pop e charme de raízes rústicas da música, tipificado pelos riffs de blues de Theunissen e pelo canto com sotaque doce de Tonny.

Embora as próprias Pussycat tenham ficado surpresas com o sucesso, isso consolidou seu status como sensações pop internacionais. “Não estávamos prontas para isso”, refletiu Tonny mais tarde, quando a fama repentina mudou suas vidas. Depois de anos tocando em pequenos locais holandeses, a Pussycat agora estava agendando shows com ingressos esgotados em todo o mundo. À medida que as vendas de "Mississippi" ultrapassaram os cinco milhões de cópias, o sucesso se tornou um dos singles pop mais amados da época.

No entanto, para Pussycat, “Mississippi” não era uma mera novidade; refletia a paixão de toda a vida pela história da música americana. “A música é uma apreciação da música country dos velhos tempos e de como o rock conquistou sua alma”, explicou Tonny. Na verdade, a sua homenagem lírica às raízes sulistas do rock tocou uma corda global. Quando alcançou o primeiro lugar no Reino Unido naquele outono, Pussycat se tornou o primeiro grupo holandês a chegar ao topo das paradas britânicas.

Embora Pussycat tenha continuado lançando álbuns por anos após seu lançamento, "Mississippi" continuou sendo o hit que definiu sua carreira. Hoje, é uma joia pop dos anos 1970 que varreu o mundo com sua mistura irresistível de country, rock e pop orquestral. Agora, 47 anos depois, celebra-se a canção contagiante que transformou três irmãs holandesas em sensações musicais em 1976. Mesmo décadas depois, os primeiros sons da guitarra de Werner Theunissen nunca deixam de fazer os dedos dos pés baterem. Ouça-a em um dos canais do Youtube.