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17 julho 2026

O relatório da CIA sobre fraude eleitoral na Venezuela

Em seu discurso de ontem à noite, Donald Trump disse que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020.

- Em 2012, havia um suposto plano envolvendo o governo e a empresa Smartmatic para pré-programar máquinas de votação em cerca de 300 centros tradicionalmente pró-Chávez, visando garantir vitória por aproximadamente 1,5 milhão de votos. Chávez teria parabenizado a equipe após vencer por ~1,6 milhão de votos.

- Em setembro de 2020, foram relatados planos técnicos detalhados para manipular as eleições de dezembro de 2020 usando um “segundo conjunto de máquinas virtuais” que replicariam resultados legítimos e depois substituiriam por dados manipulados, fazendo-os parecer originados de máquinas legítimas.





Vale lembrar que a empresa Smartmatic foi fundada por venezuelanos e, por exemplo, na eleição de 2014 treinou 14.000 funcionários que trabalharam na operação das urnas eletrônicas brasileiras naquele pleito. Nesta oportunidade Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, o PSDB fez uma tentativa de auditoria e a conclusão foi a mesma da Comissão do Exército para Integridade Eleitoral de 2022 (convidados a fazê-lo pelo TSE) e da auditoria do PL em 2022: as maquininhas brasileiras são uma caixa preta, impossível de se auditar. Obs: apenas o PL foi multado em 2022 em… R$ 22 milhões - 22 era o número de Bolsonaro. Oficialmente consta no website do TSE que a auditoria feita pelo PSDB não encontrou nenhuma irregularidade. Mas o TSE esquece de dizer que não encontrou nada porque era impossível de se verificar o cruzamento de dados e demais técnicas de auditoria. Este foi o mesmo subterfúgio usado por Moraes, presidente do TSE na eleição de 2022, para atropelar o que disse o Exército e declarar “o Exército não encontrou nada de errado”. E antes que digam que isto é porque “o sistema é impenetrável” - como sempre arguido pelo então ministro Barroso - o TSE não menciona que o próprio tribunal reconheceu, através de um inquérito da PF aberto em 2018 a pedido da presidente do TSE, Rosa Weber, que houve uma invasão feita por um hacker e que esteve dentro dos sistemas, inclusive com a senha do ministro do TSE Sérgio Banhos, desde o início até o final de 2018, ou seja, abarcando os 2 turnos eleitorais de 2018.

Então se pergunta: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?


A TRADUÇÃO DAS EVIDÊNCIAS … “AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA) NOTA DA CIA Resumo de Relatórios Selecionados de Inteligência, de 2004–2020, sobre as Capacidades da Venezuela para Manipulação Eletrônica de Eleições 29 de junho de 2026 Resumo Os relatórios da Comunidade de Inteligência produzidos entre 2004 e 2020 documentaram preocupações persistentes acerca da manipulação, pelo governo venezuelano, de sistemas eletrônicos de votação e das potenciais implicações para a segurança nacional da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos. A inteligência concluiu que autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, provavelmente, alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, incluindo a tecnologia da Smartmatic, a fim de influenciar resultados eleitorais na Venezuela. A avaliação da Comunidade de Inteligência de 2006 concluiu que os vínculos da Smartmatic com a Venezuela representavam uma ameaça à segurança nacional, fundamentando-se em informações sólidas sobre a intenção do governo venezuelano de influenciar a política dos Estados Unidos e em evidências de manipulação dos próprios sistemas eleitorais venezuelanos. Essa avaliação levou o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que forçaram a Smartmatic a alienar suas operações norte-americanas em 2007. Relatórios posteriores indicaram que sistemas eletrônicos de votação continham vulnerabilidades que poderiam, teoricamente, ser exploradas por agentes sofisticados com acesso interno. Entretanto, embora a inteligência tenha validado preocupações relevantes acerca de fornecedores de tecnologia eleitoral ligados ao exterior, não confirmou de forma definitiva que fraudes eletrônicas em larga escala tenham sido efetivamente executadas em eleições específicas na Venezuela, mantendo como avaliação-base da CIA que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais. Os relatórios relativos a técnicas avançadas forneceram informações preocupantes sobre alegadas capacidades e intenções do governo venezuelano, embora derivadas de fontes limitadas.

Nota de Escopo Este resumo concentra-se nas informações da Comunidade de Inteligência referentes às intenções e capacidades da Venezuela para manipular máquinas de votação, tanto internamente quanto, potencialmente, em outros países. Não constitui uma reavaliação abrangente de toda a inteligência disponível sobre o tema, mas sim um resumo das principais conclusões constantes de documentos selecionados produzidos entre 2004 e 2020. Interesse do Governo Venezuelano na Manipulação Eleitoral Fontes de inteligência entre 2004 e 2020 relataram que o presidente venezuelano Hugo Chávez e, posteriormente, seu sucessor Nicolás Maduro demonstraram interesse contínuo em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. Em abril de 2004, informações de inteligência indicaram que Chávez pretendia impedir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos, sugerindo intenção de influenciar a política norte-americana. A avaliação concluiu que a aquisição da empresa norte-americana Sequoia pela Smartmatic representava uma ameaça moderada à segurança nacional dos Estados Unidos. Antes da eleição presidencial venezuelana de 2012, relatórios de inteligência informaram que os serviços de inteligência de Chávez, incluindo a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), trabalharam juntamente com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Smartmatic para desenvolver planos destinados à manipulação dos resultados eleitorais mediante máquinas de votação previamente programadas. Segundo esses relatórios, o plano previa a instalação de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros eleitorais situados em áreas tradicionalmente favoráveis a Chávez, garantindo uma vantagem aproximada de 1,5 milhão de votos.

Após a eleição, vencida por Chávez por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram que o presidente teria parabenizado sua equipe pela implementação bem-sucedida do plano de manipulação. Em setembro de 2020, informações de inteligência relataram que autoridades venezuelanas desenvolveram planos técnicos detalhados para manipular as eleições parlamentares de dezembro de 2020. Segundo esses relatórios, a técnica consistiria na criação de um segundo conjunto virtual de máquinas eleitorais destinado a reproduzir resultados legítimos e, posteriormente, substituir os dados por resultados manipulados, fazendo parecer que os votos provinham das máquinas oficiais. Foi também relatado que, na Venezuela, componentes não especificados de inteligência artificial teriam sido instalados para alterar a apuração dos votos, detectar quando auditorias estivessem sendo realizadas e produzir comprovantes impressos sem registrar, gravar ou transmitir efetivamente esses votos. Analistas da CIA consideraram que tais capacidades eram tecnicamente possíveis, ressaltando, entretanto, que essa avaliação tratava apenas da viabilidade técnica, e não constituía confirmação de que tais funcionalidades efetivamente existissem. Uma análise alternativa da CIA, produzida em 2013 segundo a metodologia denominada “Advogado do Diabo” (Devil’s Advocacy), descreveu um cenário plausível de como uma manipulação eletrônica em larga escala poderia ter ocorrido nas eleições venezuelanas de 2012 sem ser detectada. Essa análise observou que o sistema eletrônico venezuelano apresentava vulnerabilidades decorrentes de acesso privilegiado interno, do controle centralizado do CNE sobre a tecnologia eleitoral e de limitações na capacidade de fiscalização da oposição. O relatório concluiu que, caso tal manipulação tivesse ocorrido, a legitimidade das eleições na Venezuela e em outros países clientes da mesma tecnologia poderia ser colocada em dúvida. Contudo, a avaliação-base da CIA permaneceu sendo a de que nenhuma fraude eletrônica em larga escala ocorreu em 2012, fundamentando-se em pesquisas pré-eleitorais, ausência de padrões irregulares de votação e na própria admissão da derrota pela oposição. Relatórios de inteligência também indicaram de forma consistente que indivíduos ligados aos serviços de inteligência venezuelanos possuíam acesso à tecnologia eleitoral e aos sistemas de votação. Em 2012, fontes relataram que Chávez designou um especialista militar em comunicações para atuar junto ao CNE, com acesso em tempo real aos resultados eleitorais. Também foi informado que o Diretor de Tecnologia da Informação do CNE, descrito como pessoa de confiança do governo, mantinha estreita relação com o aparato estatal. Técnica O relatório de inteligência de setembro de 2020 apresentou a descrição mais detalhada de uma técnica específica para manipulação eleitoral. Segundo o documento, essa técnica teria sido concebida para:

• Replicar arquivos digitais (hash files) enviados ao banco de dados central de totalização dos votos;

• Simular máquinas reais de votação que favorecessem o partido governista;

• Sobrescrever os arquivos de integridade (hash files) das máquinas favoráveis à oposição;

• Fazer votos alterados aparentarem ter sido produzidos por máquinas eleitorais legítimas.

Em tese, essa técnica permitiria ao governo venezuelano monitorar e ajustar os resultados em tempo real durante e após a eleição. Segundo os relatórios, a utilização de tecnologia de máquinas virtuais permitiria realizar essa manipulação evitando sua detecção pelos procedimentos convencionais de auditoria. Avaliações e Preocupações da Comunidade de Inteligência A Avaliação Nacional de Ameaças de 2006, produzida pelo Conselho Nacional de Inteligência, concluiu que a aquisição, pela Smartmatic, da empresa norte-americana Sequoia representava ameaça moderada à segurança nacional.

25 junho 2026

TERREMOTOS NA VENEZUELA: ENTENDA A CAUSA

Os terremotos registrados na Venezuela estão relacionados à intensa atividade tectônica da região, onde ocorre o encontro entre a Placa Sul-Americana e a Placa do Caribe. Essas duas placas se movimentam constantemente uma em relação à outra, acumulando tensões ao longo de falhas geológicas que atravessam o norte do país.

Quando essa energia acumulada é liberada de forma repentina, ocorrem os terremotos. Por isso, a Venezuela faz parte de uma área com histórico de atividade sísmica frequente, especialmente em sua faixa costeira e regiões próximas ao Caribe.

 

O evento mais recente chamou atenção pela sua forte magnitude. As estimativas variaram entre diferentes instituições sismológicas: o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou magnitudes entre 7,2 e 7,5, enquanto pesquisadores do instituto geofísico de Potsdam, na Alemanha, estimaram valores entre 7,3 e 7,4. Pequenas diferenças nas medições são comuns devido aos métodos e modelos utilizados por cada órgão.
Tudo começa com duas placas tectônicas: a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. A maior parte do território venezuelano está sobre a Placa Sul-Americana. Já a Placa do Caribe, como o próprio nome indica, sustenta o Mar do Caribe e grande parte das ilhas e países caribenhos.
O local onde essas duas placas se encontram é chamado de limite de placas. Elas não colidem diretamente uma contra a outra; em vez disso, deslizam lateralmente. Ao longo de milhões de anos, esse movimento formou grandes fraturas na crosta terrestre, conhecidas como falhas geológicas. Na Venezuela, as principais são as falhas de San Sebastián, Boconó e El Pilar.
Como as placas se movem em direções diferentes, elas acabam ficando presas em alguns pontos. Enquanto continuam tentando se mover, a tensão vai se acumulando nas rochas, como acontece quando esticamos um elástico. Chega um momento em que essa tensão é grande demais, as rochas se rompem e toda a energia acumulada é liberada de uma só vez: é isso que provoca um terremoto.
Até aí, esse é o comportamento típico de um terremoto. Normalmente ocorre um grande sismo, seguido por vários tremores menores, chamados de réplicas.
O que tornou o evento de ontem tão incomum foi o fato de ele ter sido um terremoto dupleto. Primeiro ocorreu um sismo de magnitude 7,2 Mw e, apenas 39 segundos depois, outro terremoto de 7,5 Mw atingiu praticamente a mesma região.
O primeiro terremoto enfraqueceu edifícios, pontes e outras estruturas. Logo em seguida, o segundo terremoto atingiu uma região já fragilizada, agravando enormemente os danos. Foi justamente essa sequência que tornou o desastre tão devastador.
Muitas pessoas relataram a sensação de que o tremor parecia não ter fim. Isso aconteceu porque, na realidade, não era um único terremoto, mas dois grandes terremotos ocorrendo quase consecutivamente, separados por apenas 39 segundos.


​Pânico na capital e danos estruturais

​Em Caracas, o tremor prolongado fez prédios oscilarem, forçando milhares de moradores e funcionários de escritórios a evacuarem as estruturas às pressas. Relatos de testemunhas coletados por agências de notícias indicam que o abalo causou pânico generalizado:
​Rachaduras profundas surgiram em fachadas e paredes internas de edifícios residenciais. Janelas e objetos de vidro se estilhaçaram em diversos apartamentos da capital.

​Imagens em redes sociais começam a mostrar desabamentos parciais e danos severos em estruturas mais antigas próximas ao epicentro.

05 janeiro 2026

Por que o governo dos EUA decidiu negociar com Delcy Rodriguez?

 




Gustavo Azócar - Doctor en Ciencias Políticas. Magíster en Estrategia y Comunicación Política (The George Washington University EEUU). Consultor Político. Estratega. Escritor.


1. A estrutura de poder na Venezuela mudou no sábado, 3 de janeiro de 2026. Antes dessa data, o poder estava dividido em quatro polos principais: A.- Nicolás Maduro (juntamente com Cilia Flores) B.- Diosdado Cabello C.- Vladimir Padrino López D.- Delcy e Jorge Rodríguez 2. A partir de domingo, 4 de janeiro de 2026, a estrutura de energia foi reduzida a três polos: A.- Delcy e Jorge Rodríguez B.- Diosdado Cabello C.- Vladimir Padrino López 3. O filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, assim como os filhos e sobrinhos de Cilia, estão fazendo grandes esforços para tentar formar uma base de poder (para evitar serem varridos como aconteceu com Tareck El Aissami), mas será muito difícil para eles conseguirem isso agora que seus pais estão presos nos EUA. 4. Para alcançar a transição para a democracia, o governo dos EUA (Donald Trump e Marco Rubio) entende que é necessário realizar um processo de negociação com um dos grupos no poder na Venezuela. Negociar com uma das três facções não é uma tarefa agradável, mas é inevitável. 5. Os EUA tentaram orquestrar a transição com Vladimir Padrino López. Em mais de uma ocasião, os enviados especiais de Donald Trump (tanto durante seu primeiro quanto em seu segundo mandato) ofereceram a Padrino um acordo para que ele assumisse a presidência assim que Maduro deixasse o poder. 6. Os enviados de Trump ofereceram a Padrino um acordo semelhante ao oferecido ao General Augusto Pinochet no Chile. Mas Padrino López nunca o honrou. Pelo contrário, agarrou-se ao poder e traiu os acordos que havia assinado com Maikel Moreno e outras figuras importantes do partido governista. 7. O ex-ministro do Petróleo, Tareck El Aissami, por meio de seu principal testa de ferro, Samark López Bello, tentou abordar o governo dos EUA para liderar a transição assim que Maduro deixasse o cargo. López conversou com figuras da oposição para obter a aprovação dos EUA. Mas o governo americano recusou. El Aissami tinha laços muito estreitos com os iranianos e o Hezbollah. Maduro descobriu a manobra de El Aissami. O resto é história. 8. Durante a presidência interina de Juan Guaidó, o governo de Donald Trump tinha um plano pronto para depor Maduro. Mas, naquela época, a situação era mais ou menos a mesma de agora: Guaidó não tinha controle nem poder sobre as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, e os EUA não conseguiram convencer nenhuma das facções de poder dentro do partido governista a concordar em liderar a transição. 9. Em janeiro de 2026, a situação mudou: os EUA aceitaram o plano apresentado pelos irmãos Rodríguez (mediado pelo Reino do Catar) no final de 2025 para liderar a transição. O plano era simples: os EUA removeriam Maduro e Delcy Rodríguez assumiria o Palácio de Miraflores. Seu irmão Jorge, como presidente da Assembleia Nacional, seria o Plano B. Caso algo acontecesse com Delcy, Jorge estaria pronto para assumir o poder (conforme estabelecido pela linha de sucessão na Constituição venezuelana). 10. Ao remover Maduro da equação, o presidente Donald Trump tinha apenas 3 opções: A.- Chegar a um entendimento com Padrino López (descartado, ele não é confiável e já havia descumprido um acordo). B. - Para tratar com o Sr. Cabello (Descartado) C. - Chegar a um acordo com os irmãos Rodriguez. 11. Trump e Marco Rubio decidiram arriscar com os irmãos Rodríguez. Delcy assumirá a presidência interinamente, enquanto seu irmão Jorge (o verdadeiro mentor do acordo) ficará como um crocodilo no esgoto, aguardando sua oportunidade de se tornar Chefe de Estado. 12. Ninguém gosta desse tipo de acordo. Todo mundo sabe quem é Delcy Rodríguez e todo mundo sabe quem é Jorge Rodríguez. A questão é: as outras duas opções eram melhores? 13. O importante aqui é que Maduro não existe mais. Maduro está preso nos EUA. E embora a estrutura do regime dentro da Venezuela permaneça intacta (eles ainda controlam tudo), a ditadura está mortalmente ferida e sob ameaça. Agora eles sabem que Donald Trump está falando sério e que, assim como mandou prender Maduro, amanhã ele pode mandar prender outra pessoa. 14. Há uma negociação em curso, isso é verdade. Mas o governo (Delcy) está negociando a partir de uma posição de fraqueza (embora seus discursos tentem mostrar o contrário), enquanto Trump está negociando a partir de uma posição de força. 15. Delcy não tem vida fácil: de um lado, tem Trump, que a pressionará para cumprir o acordo. E do outro, tem Diosdado e Padrino, que a olham com desdém e desconfiança, porque sabem que, assim como ela e o irmão entregaram Maduro (porque foram eles que o entregaram), amanhã também poderiam entregar qualquer um deles (Padrino ou Diosdado) para se manterem no poder. 16. Este filme ainda não acabou. O que vimos no sábado, 3 de janeiro, foram apenas os trailers. O filme de verdade está prestes a começar. Domingo, 4 de janeiro de 2026.

04 janeiro 2026

A herança maldita deixada pelo comunismo na Venezuela

 


    Analistas do setor de petróleo acreditam ser improvável que a Venezuela veja um aumento significativo na produção de petróleo bruto por anos, mesmo que as grandes petrolíferas americanas invistam os bilhões de dólares prometidos por Trump poucas horas após a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas.

    Mesmo com as maiores reservas de petróleo estimadas do mundo, mas sua produção despencou nas últimas décadas em meio à má gestão e à falta de investimento de empresas estrangeiras, após a Venezuela nacionalizar as operações petrolíferas na década de 2000.

    Ainda segundo os analistas, qualquer empresa que queira investir lá precisaria lidar com preocupações de segurança, infraestrutura precária, questionamentos sobre a legalidade da operação americana para capturar Maduro e o potencial de instabilidade política a longo prazo.

    A Venezuela nacionalizou a indústria na década de 1970 e, na década de 2000, ordenou uma migração forçada para joint ventures controladas por sua estatal petrolífera, a PDVSA. A maioria das empresas negociou suas saídas e migrou, incluindo a Chevron, enquanto algumas outras não chegaram a um acordo e entraram com pedido de arbitragem.

    "Se Trump e sua equipe conseguirem uma transição pacífica com pouca resistência, então, em cinco a sete anos, haverá um aumento significativo na produção de petróleo, à medida que a infraestrutura for reparada e os investimentos forem resolvidos", afirmou Thomas O'Donnell, estrategista de energia e geopolítica. Ele acrescentou que o petróleo pesado produzido no país funciona bem com as refinarias da Costa do Golfo dos EUA e também pode ser misturado com petróleo mais leve produzido por fraturamento hidráulico.

    Recordando, a Venezuela é membro fundador da OPEP juntamente com o Irã, Iraque, Kuwait e Arábia Saudita - produziu até 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970, o que na época representava mais de 7% da produção global de petróleo. A produção caiu para menos de 2 milhões de barris por dia durante a década de 2010 e teve uma média de cerca de 1,1 milhão de barris por dia no ano passado, ou apenas 1% da produção global.

    Lembremos também que esse desastre tem ainda como pano de fundo o elevado nível de corrupção não mencionado pelo analista para a queda de produção de petróleo na Venezuela, fato este comum a governos do mesmo perfil como já aconteceu aqui no Brasil com o Petrolão.

03 janeiro 2026

Casa Branca observa ao vivo a prisão de Maduro

 

Trump afirmou ainda que acompanhou a ação em tempo real. 

“Parecia um programa de TV, inacreditável”

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    As forças dos Estados Unidos levaram apenas 47 segundos para capturar o ditador na Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, em um complexo em Caracas. A ação recebeu o nome de Operação Determinação Absoluta. Segundo autoridades norte-americanas, o plano foi estruturado ao longo de meses, com mobilização militar no Caribe.


    Os detalhes foram apresentados pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto do país, general Dan Caine, durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, 3.


    Segundo Trump, não houve mortes na operação e poucos homens se feriram. “Foram necessários 47 segundos, mas foi muito difícil”, afirmou a jornalistas. “Ele chegou até a porta, mas não conseguiu fechá-la. Passamos pela oposição, por forças de retaliação. Havia muitos adversários.”


    Segundo os relatos, o ditador ainda tentou alcançar um quarto seguro com portas de aço, mas não conseguiu. Caine afirmou que “houve muito tiroteio”, mas que não há registro de feridos entre os militares norte-americanos.


    Segundo Caine, mais de 150 aeronaves participaram da operação de forma coordenada. “Todas as aeronaves indo juntas ao mesmo lugar para fazer efeitos de camadas têm um objetivo único: interditar as forças nos arredores de Caracas e, ao mesmo tempo, manter a surpresa tática”, afirmou.


    A ordem para o início da ofensiva ocorreu às 22h46 no horário da Flórida, 23h46 em Caracas e 0h46 em Brasília. Os militares aguardavam uma janela específica de condições climáticas. Às 2h01 no horário local, tropas entraram no bunker onde Maduro estava. Maduro e sua mulher foram levados de helicóptero até o USS Iwo Jima.




Milhares de venezuelanos em todo o mundo foram às ruas para comemorar a queda do regime narcoterrorista de Nicolás Maduro

 

Diversos países

Madrid

    Migrantes venezuelanos ao redor do mundo comemoraram neste sábado a deposição do presidente Nicolás Maduro, liderada pelos EUA, cujo governo provocou uma das maiores crises migratórias da história recente.

    "Estamos livres. Estamos todos felizes com a queda da ditadura e com a liberdade do nosso país", disse a Reuters Khaty Yanez, uma venezuelana que passou os últimos sete anos no Chile.

    "Minha alegria é imensa", disse seu compatriota José Gregorio. "Depois de tantos anos, depois de tantas lutas, depois de tanto trabalho, hoje é o dia. Hoje é o dia da liberdade."

    Desde 2014, cerca de 7,7 milhões de venezuelanos, ou 20% da população, deixaram o país por não conseguirem comprar comida ou em busca de melhores oportunidades no exterior, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU.

    A Colômbia, país vizinho, recebeu a maior parte da diáspora, cerca de 2,8 milhões, seguida pelo Peru, com 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, um grupo de ONGs regionais que auxilia migrantes e refugiados da Venezuela, criado pela agência de migração da ONU.

11 dezembro 2025

Como Maria Corina fugiu da Venezuela para Oslo



Primeiro, Corina precisava sair do subúrbio de Caracas, onde estava escondida há um ano, e chegar a uma vila de pescadores no litoral, onde um pequeno barco a aguardava.

Ao longo de 10 horas angustiantes, Corina, usando peruca, e duas pessoas que a ajudavam a escapar passaram por 10 postos de controle militar, evitando a captura em todas as ocasiões, até que ela finalmente chegou à costa por volta da meia-noite.

Ela descansou por algumas horas antes da próxima etapa de sua jornada: uma perigosa travessia pelo Mar do Caribe até Curaçao. Ela e seus dois companheiros partiram em um típico barco de pesca de madeira às 5h da manhã, com ventos fortes e mar agitado dificultando a viagem.

A fuga que vinha sendo planejada há dois meses foi executada por uma rede venezuelana que já ajudou outras pessoas a fugirem do país. O grupo fez contato importante com as forças armadas dos EUA antes de partirem para o mar, alertando as tropas americanas na região sobre a presença dos ocupantes da embarcação para evitarem o tipo de ataque aéreo que atingiu mais de 20 embarcações semelhantes nos últimos três meses, matando mais de 80 pessoas.

O governo Trump estava ciente da operação, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, mas a extensão de seu envolvimento não estava clara.

Quase ao mesmo tempo da travessia, dois caças F-18 da Marinha dos EUA sobrevoaram o Golfo da Venezuela e passaram cerca de 40 minutos voando em círculos fechados perto da rota que ligaria a costa a Curaçao, de acordo com dados de rastreamento de voos. Foi a incursão aérea mais próxima dos EUA no espaço aéreo venezuelano desde o início do aumento da presença militar americana em setembro.

Corina chegou a Curaçao por volta das 15h de terça-feira. Ela foi recebida por um contratado privado especializado em extradições, fornecido pelo governo Trump. Exausta pela longa viagem, Corina se hospedou em um hotel e passou a noite lá.

Com o nascer do sol em Curaçao e enquanto os convidados começavam a se reunir em Oslo, um jato executivo fornecido por um associado de Miami decolou da ilha rumo à capital norueguesa, após uma escala em Bangor, Maine. Antes de embarcar, Corina gravou uma breve mensagem de áudio agradecendo a “tantas pessoas que arriscaram suas vidas” para que ela pudesse deixar a Venezuela.

Sua fuga foi mantida em segredo absoluto, a ponto de o Instituto Nobel ter informado à imprensa norueguesa que não sabia onde ela estava quando a cerimônia de premiação em Oslo começou. Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê norueguês do Nobel, disse na cerimônia de premiação que ela havia passado por “uma jornada em uma situação de extremo perigo”.

A filha de Corina recebeu o prêmio em seu nome. Após chegar a Oslo, Corina ficou na sacada do Grand Hotel, no centro da cidade, e acenou para os apoiadores. Eles gritaram “valiente” — palavra espanhola para corajosa — e cantaram o hino nacional venezuelano.



19 outubro 2025

Como Maduro se tornou à prova de golpes


Armored vehicles on a highway in Caracas 
during a Venezuelan military deployment last month. 
FEDERICO PARRA/AFP/GETTY IMAGES

    O ditador prevaleceu nos esforços para derrubá-lo — expurgando, espionando e subornando oficiais para que as forças armadas permanecessem leais.

    Durante anos, os venezuelanos que lutam para depor o presidente Nicolás Maduro esperavam que as Forças Armadas do país fizessem o trabalho por eles. Mas mesmo com o aumento ameaçador da Marinha dos EUA atualmente no exterior, o ditador é praticamente à prova de golpes.

    O líder de esquerda expurgou oficiais acusados ​​de conspirar contra ele, prendendo-os e enviando-os para o exílio. O aclamado serviço de inteligência de seu aliado próximo, Cuba, trabalhou para identificar conspirações e renegados, com oficiais de inteligência alocados em todas as unidades.

    E a cúpula do exército garantiu que oficiais e soldados de todo o exército venezuelano soubessem que tortura, prisão e até mesmo a morte os aguardam caso se rebelem.

    “O que ele não fez? Ele fez tudo o que era possível e capaz de fazer para neutralizar qualquer tipo de ação de dentro das Forças Armadas”, disse Carlos Guillén, ex-soldado venezuelano preso por conspirar contra o regime e agora exilado. “Hoje, no exército, há um terror incalculável. Esse medo está tão arraigado que os oficiais das Forças Armadas nem ousam pensar em se rebelar.”

    Em seu mandato, Maduro fraudou duas eleições presidenciais, afirmam monitores eleitorais e grupos de direitos humanos, enquanto prendia críticos e supervisionava um colapso econômico que levou oito milhões de venezuelanos a emigrarem.

    Mas, de certa forma, Maduro está mais seguro do que nunca, com a maioria dos líderes da oposição no exílio e os venezuelanos com medo demais para protestar como antes.

    O problema para aqueles que veem a esperança nas Forças Armadas em ascensão é que Maduro se cercou de uma fortaleza de tenentes cujas fortunas e futuro estão ligados aos seus, desde o Ministro da Defesa até generais, almirantes, coronéis e capitães de todas as Forças Armadas.

    Maduro promoveu oficiais em um ritmo vertiginoso, principalmente com base na lealdade, e não na competência, afirmam ex-oficiais militares e pesquisadores que estudaram as Forças Armadas venezuelanas. Ele permitiu que eles enriquecessem, seja com dinheiro pago por grupos de narcotraficantes para permitir que cargas de cocaína transitassem pela Venezuela, seja administrando inúmeras empresas estatais. Isso os tornou cúmplices da corrupção generalizada do regime.

    Maduro também se esforçou para tornar quase impossível que oficiais descontentes coordenassem um golpe, semeando oficiais de contrainteligência cubanos altamente competentes, bem como espiões venezuelanos, entre os oficiais e a base.

    Operadores de inteligência que trabalham com agentes de contrainteligência cubanos recompensam aqueles que traem conspiradores com empregos, dinheiro, carros e até casas, disse Edward Rodríguez, ex-coronel do Exército que fugiu da Venezuela e vive no exílio. Soldados e oficiais também sabem que, se forem acusados ​​de conspiração, não serão os únicos a sofrer. “Eles podem sequestrar sua esposa, seus filhos, seus pais”, disse Rodríguez. 

    O presidente Trump levantou implicitamente a questão de um golpe apoiado pelos EUA na última quarta-feira (15/10/2025), quando disse ter autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a conduzir operações secretas na Venezuela. Questionado por um repórter na Casa Branca se planejava derrubar Maduro, Trump se recusou a responder.





31 agosto 2025

Força-Tarefa Naval dos EUA cresce em preparação para a invasão da Venezuela?

    Um sinal claro: a campanha contra Maduro e a Venezuela está se acelerando.

    O USS Lake Erie (CG-70), após atravessar o canal do Panamá, agora se juntou à frota americana em expansão no Caribe.



    Oito navios de guerra americanos, incluindo o USS Iwo Jima, o USS San Antonio e o USS Newport News, estão destacados na área de operações do SOUTHCOM. Nenhum presidente jamais enviou uma frota tão grande para outro país da América do Sul na história moderna. O governo dos EUA atualizou o gráfico de navios ao largo da costa venezuelana. Agora são 8 embarcações de superfície e 1 submarino nuclear.




    A Venezuela colocou todas as forças militares em alerta máximo e enviou tropas para a costa e fronteira com a Colômbia. A Venezuela também alertou suas pequenas forças de defesa aérea, caso os EUA lancem mísseis de cruzeiro Tomahawk.

    Os três filhos de Maduro desembarcaram na Nicarágua, onde não há extradição para os Estados Unidos.



PS.: Em atualização

29 julho 2025

Aumenta a recompensa para US$ 25 milhões, chefe de cartel e narcoterrorismo


 

    O presidente da VenezuelaNicolás Maduro, é alvo dos Estados Unidos, que estabeleceu uma recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) pela sua prisão. Maduro é acusado pelo governo americano de chefiar um cartel classificado como terrorista.

    A divulgação do cartaz coincide com o aniversário de um ano da reeleição de Maduro, em um pleito controverso e sem transparência, amplamente repudiado pela comunidade internacional.

    Outros dois altos oficiais de Maduro são procurados pelos EUA, também com recompensas milionárias por informações que levem às suas prisões: 

Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior, Justiça e Paz, e considerado nº 2 do chavismo—recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões);  

Vladimir Padrino López, ministro da Defesa —recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 84 milhões).

    O casamento da Venezuela com o narcotráfico, foi feito de forma didática. Fidel Castro convenceu Chávez de que, ao oferecer apoio total e irrestrito aos colombianos das Farcs, não só fomentaria a revolução no país vizinho como causaria danos aos Estados Unidos. O Brasil não foi excluído desses ensinamentos.

20 outubro 2024

BRASIL NÃO PODE SE CALAR ANTE ABUSOS NA VENEZUELA

Da mesma forma que o Editorial do Estadão deste domingo, O Globo, também em seu Editorial, reivindica e cita a obrigação da diplomacia brasileira a romper o silêncio e a denunciar a ditadura de Maduro em defesa dos direitos humanos.

Tal atitude é baseada no relatório da ONU sobre as mortes e prisões ilegais ocorridas na Venezuela após a fraude eleitoral que manteve Maduro no poder.

Ambos os Editoriais, portanto, estão em consonância com o que pensam os brasileiros e muita gente de outros países, tornando exposto o vergonhoso desempenho político, diplomático e humanitário sob o comando de Lula que resolveu substituir a Constituição brasileira pela cartilha do Foro de São Paulo, como alertou o Editorial do Estadão:

"A julgar pelo contorcionismo retórico do chanceler de facto, Celso Amorim, para impedir o Brasil de se juntar aos países civilizados na condenação de Maduro, o governo Lula, no fundo, parece concordar com os companheiros do Foro de SP. E mesmo depois que foi seguidamente desrespeitado pelo governo de Maduro, sendo acusado inclusive de ter sido “recrutado pela CIA”, Lula continua obsequiosamente silente."

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Editorial de O Globo de 20 de outubro de 2024.

O relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a Venezuela divulgado na semana passada expõe mais uma vez a tibieza do Itamaraty e do Palácio do Planalto diante da ditadura de Nicolás Maduro. As violações sistemáticas de direitos humanos relatadas no documento mostram que não dá mais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor internacional Celso Amorim insistirem na tática de apaziguamento, tentando mediar uma saída negociada para a crise desencadeada pela fraude eleitoral cometida por Maduro para ficar no poder.

Já ficou claríssimo que Maduro não quer negociar nada e não tem nenhum tipo de inibição quando se trata de sufocar seus inimigos políticos. Qualquer tolerância com seu regime deve ser interpretada como anuência às violações relatadas nas 161 páginas do relatório. São casos de prisão de adversários sem ordem judicial, torturas, violência sexual, desaparecimentos depois de detenção — conjunto de crimes enquadrado na legislação internacional de defesa dos direitos humanos.

O trabalho da missão das Nações Unidas cobriu o período de 1º de setembro de 2023 a 31 de agosto deste ano. “Assim que foram anunciados os resultados das eleições, as autoridades lançaram uma campanha sem precedentes de detenções indiscriminadas e em massa”, diz o relatório. A ação da polícia venezuelana procurou atingir filiados a partidos ou gente próxima a líderes da oposição, em especial a María Corina Machado.

De acordo com as próprias autoridades, o total de prisões chegou a milhares. A missão documentou 143 em detalhes, 121 delas por atividades políticas de oposição a Maduro. Na maioria dos casos, afirma o relatório, as detenções foram feitas sem mandado judicial, por agentes em roupas civis, sem identificação, conduzidos por veículos sem placa onde os presos eram jogados. No período pós-eleitoral, as autoridades prenderam, segundo o relatório, 158 crianças. Pelo menos 25 pessoas foram mortas, quase todas a tiro. “Em pelo menos oito dos incidentes fatais, membros das forças de segurança do Estado, assim como civis simpáticos ao governo, usaram armas de fogo nos protestos”, diz o documento.

Um exemplo, entre tantos, revela como a Venezuela se transformou em Estado policial. María Adreina Camacho, coordenadora nacional do comitê de campanha do candidato oposicionista Edmundo González — vencedor nas urnas, mas hoje exilado na Espanha —, postou um vídeo às 18h30 de 6 de agosto avisando que o governo começava a pôr em marcha a Operação Tun Tun (referência ao barulho da polícia batendo na porta). Às 21h um grupo de policiais, incluindo uma mulher, foi à casa de Camacho prendê-la. Passaram-se quase dois dias sem informação de seu paradeiro. Num vídeo publicado pelas autoridades, ela aparecia algemada num pequeno avião. A família deduziu que era levada para Caracas e conseguiu localizá-la em El Helicoide, centro comercial abandonado transformado em penitenciária por Maduro.

Com o Judiciário aparelhado pelo chavismo, são inúteis os pedidos de habeas corpus. Em vez de defender os cidadãos, a Procuradoria-Geral denuncia os presos políticos às “Cortes de Terrorismo”. O relatório obriga a diplomacia brasileira a romper o silêncio e a denunciar a ditadura de Maduro em defesa dos direitos humanos.

A DEMOCRACIA DO FORO DE SP


O Editorial do Estadão deste domingo reporta os laços do Brasil e do partido de Lula (PT) com o Foro de São Paulo. 

Há décadas, Lula e FHC demonstraram para a grande imprensa que eram adversários, adotando os ideais da política das tesouras, de Lênin, como única solução para implantar o socialismo-comunismo no Brasil. Forjaram uma falsa oposição para culminar com o grande projeto de instalação do socialismo em toda a América Latina. Desta forma, qualquer um dos dois que fosse eleito pelo voto democrático, estava comprometido com os ditames socialistas em toda a extensão da América Latina, objeto do Foro de São Paulo.

Em 2020, o reconhecido jornalista espanhol, Luis María Ansón, publicou no jornal El Mundo, um artigo, na íntegra acessível aqui, no qual o escritor chama a atenção para os planos do Foro de São Paulo, planejados para o período 2019-2023.

Em seu primeiro parágrafo, Ansón aponta aqueles que lideraram a criação do Foro e suas motivações e objetivos. O primeiro deles, Fidel Castro e o segundo, Lula. Ambos deixaram uma biografia vergonhosa para os seus respectivos países

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Editorial do Estadão de 20 de outubro de 2024

O PT de Lula, aquele que diz defender a democracia, assina nota que aplaude a ‘vitória’ de Maduro

Ninguém pode acusar a companheirada latino-americana de incoerência. Reunido na Cidade do México, um grupo de trabalho do Foro de São Paulo reconheceu a “vitória” do ditador Nicolás Maduro nas eleições presidenciais venezuelanas – que foram flagrantemente fraudadas pelo regime chavista, conforme atestaram as mais diversas e insuspeitas organizações internacionais. O PT, partido do presidente Lula da Silva, aquele que liderou uma autointitulada “frente ampla pela democracia” nas eleições presidenciais de 2022, subscreve o obsceno comunicado, que cospe na cara de todos e de cada um dos democratas que, arriscando a própria vida e a liberdade pessoal, enfrentam o déspota venezuelano.

Para o PT e seus associados, é um “imperativo” exigir que se “respeite a institucionalidade democrática da Venezuela e a autodeterminação do povo venezuelano com relação aos resultados eleitorais que deram a vitória ao presidente Maduro”. Do contrário, segue o raciocínio, triunfará a extrema direita, que, segundo esses valentes humanistas, está se organizando em todo o mundo para “influenciar a política e os destinos dos povos a partir do ponto de vista dos interesses do capital financeiro internacional e transnacional, ao custo da vida das pessoas, da humanidade e do planeta”. Ou seja, reconhecer a vitória de Maduro equivale a salvar o mundo.

Ao que tudo indica, pouco importa a fuga em massa dos venezuelanos desesperados em razão da deterioração econômica causada pela ditadura e também daqueles que buscam escapar das garras do regime, que prende e tortura seus adversários de maneira generalizada, conforme constataram investigadores da ONU.

O que interessa, segundo se lê no comunicado do Foro de São Paulo, é defender a “soberania” dos países latino-americanos contra o “imperialismo estadunidense”, cuja prioridade é “frear a influência de China e Rússia na América Latina e no Caribe, região por eles considerada seu ‘quintal’, em sua busca por fontes de recursos naturais e de mercados”. Se milhares morrerem ou perderem seus direitos políticos no caminho, esse é o preço a pagar para a realização da utopia marxista.

Pode-se dizer que nada disso surpreende, é claro. O Foro de São Paulo foi criado por iniciativa de Lula e de Fidel Castro, o que basta para conhecer sua índole. Nada do que ali seja produzido terá utilidade ou importância para o debate público. Mas é dever de uma democracia genuína, como a brasileira, reagir quando o partido do presidente da República esposa ideias tão antidemocráticas como as que o Foro expressa, sobretudo diante do sofrimento do povo venezuelano.

A julgar pelo contorcionismo retórico do chanceler de facto, Celso Amorim, para impedir o Brasil de se juntar aos países civilizados na condenação de Maduro, o governo Lula, no fundo, parece concordar com os companheiros do Foro de SP. E mesmo depois que foi seguidamente desrespeitado pelo governo de Maduro, sendo acusado inclusive de ter sido “recrutado pela CIA”, Lula continua obsequiosamente silente.

09 setembro 2024

Espanha dá as boas-vindas a Edmundo González


Neste final de semana (7-8/09/2024), o Governo espanhol reiterou o seu compromisso com os direitos políticos e a integridade física de todos os venezuelanos, especialmente dos líderes políticos.​

Edmundo González decolou de Caracas com destino à Espanha em avião da Força Aérea Espanhola. O Governo de Espanha providenciou os meios diplomáticos e materiais necessários à sua transferência, efetuada a seu pedido. O avião pousou na Base Aérea de Torrejón de Ardoz (Madrid).

González viajou acompanhado de sua esposa e do Secretário de Estado de Relações Exteriores e Globais, Diego Martínez Belío, e foi recebido pela Secretária de Estado da Ibero-América e do Caribe e Espanhol no Mundo, Susana Sumelzo.

A partir de agora terão início os procedimentos para o pedido de asilo, cuja resolução será favorável no interesse do compromisso da Espanha com os direitos políticos e a integridade física de todos os venezuelanos, especialmente dos líderes políticos.

Foi uma operação bastante audaciosa da Força Aérea Espanhola para retirar o líder venezuelano, o legítimo vencedor das últimas eleições presidenciais ocorridas na Venezuela e que, recentemente, recebeu um mandado de prisão emitido pelo ditador Nicolás Maduro.