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23 julho 2026

Sinal amarelo para o Brasil

Entre as prioridades do 15º Plano Quinquenal chinês, aprovado em 12 de março de 2026, encontram-se a autossuficiência alimentar, a IA no campo e e novas proteínas. Todas estão no centro de seu planejamento para os próximos anos. O recado para os grandes exportadores, como o Brasil, é difícil de ignorar. A estratégia da China é clara - importar menos e produzir mais. O movimento já começou. Desde janeiro, a China passou a aplicar um adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais estabelecidas para países como o Brasil, com o objetivo declarado de proteger sua produção doméstica.

Enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.

"A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.

"Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal. Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma o professor Ricardo Abramovay, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo .

O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas. 

Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.

A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.

Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático. 

Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava. 

Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento.

A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões. 

No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão. 

Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos. 

Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica.

"Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século", alerta Tooze.

O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país.

"É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical", conclui.

Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente.

"A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa", afirma.

Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.

"É muito comum usar o termo 'verde' na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada", diz Wachholz.

"O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado", afirma a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP). "Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja", afirma.

Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas.

Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%.

"A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja", diz Tereza Cristina.

Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências. "É um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil", afirma.

Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas.

"O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos", avalia. "Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda".

Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente: "Quando a China fala, ela cumpre. Então isso é um alerta para a produção brasileira."

Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o "Programa China" na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado.

"Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos", afirma. "O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador".

Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.

23 julho 2022

‘BIG TECHS FARÃO COM BOLSONARO O QUE FIZERAM COM TRUMP’

Fundador da Gettr, Jason Miller comentou a censura nas redes sociais, criticou a imprensa tradicional e disse que há um apelo global pela liberdade de expressão

O texto do Cristyan Costa, publicado na revista Oeste (22), nos traz a entrevista do fundador da Gettr, Jason Miller, da qual sou usuário (https://gettr.com - @eratostenes) - rede social baseada na liberdade de expressão e que rejeita a censura política e a cultura do cancelamento -  alertando-nos sobre os riscos das redes sociais fazerem com Bolsonaro o mesmo que fizeram com Donald Trump, em 2020.

Miller sugeriu ao Bolsonaro descentralizar os meios de comunicação e usar as plataformas que estão ao alcance.

Particularmente, já tive conteúdos cancelados no Twitter e no Facebook. O último deles o da imagem ao lado.

Segue a entrevista. Boa leitura.

                                                                     *  *  *



Cristyan Costa - Revista Oeste, 22/07/2022

Nascido em Seattle, o empresário Jason Miller atua na política desde os anos 1990. Ele ganhou fama em virtude de suas boas técnicas de comunicação. Nos anos 2000, por exemplo, Miller ajudou o então deputado Rick Keller a garantir a reeleição na Câmara. Em 2004, apoiando o empresário Jack Ryan para o Senado, conseguiu fazê-lo vencer uma disputa acirrada pela indicação do Partido Republicano. Não fosse a desistência precoce de Ryan, Miller acredita que o candidato teria vencido o rival Barack Obama à época. A partir daí, tornou-se um respeitado consultor político e estrategista hábil.

Miller ganhou notoriedade em 2016, graças à campanha bem-sucedida do então candidato Donald Trump à Presidência, de quem foi porta-voz até 2021. Em junho daquele ano, o estrategista de comunicação do republicano decidiu lançar a plataforma Gettr, para fazer frente à tirania das big techs. Seu lema é: “Uma rede social baseada na liberdade de expressão e que rejeita a censura política e a cultura do cancelamento”.

Em entrevista à Revista Oeste, Miller declarou que o Twitter pode repetir com o presidente Jair Bolsonaro o que fez com Donald Trump em 2020. “O correto a fazer é descentralizar os meios de comunicação e usar as plataformas que estão ao alcance”, recomendou a Bolsonaro, na mais recente visita que fez ao Brasil, no ano passado.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como nasceu a Gettr?

A Gettr surgiu como resultado de uma discriminação política nos Estados Unidos em 2020, que não se restringiu apenas ao caso do laptop de Hunter Biden [o Twitter censurou o perfil do jornal New York Post por publicar uma reportagem sobre o filho do então candidato Joe Biden]. Qualquer pessoa que ousou dizer algo “fora do script”, como a possibilidade de o novo coronavírus ter vindo de um laboratório em Wuhan, por exemplo, sofreu com isso. Há dois anos, testemunhamos as big techs, e seus aliados da grande mídia, conspirando para silenciar a liberdade de expressão nos EUA. Com o tempo, vimos que esse não era um problema apenas dos norte-americanos, mas, sim, do mundo todo, inclusive do Brasil, do Reino Unido, da França e de outras democracias. Percebemos que há um clamor global por liberdade de expressão. Foi aí que surgiu a Gettr.

De que modo o senhor vê as big techs e qual deveria ser o papel delas?

A Seção 230 da Lei das Comunicações, desconhecida por muitos norte-americanos, precisa de uma reforma. Aprovada em 1996, esse dispositivo assegura algumas imunidades e determina que as plataformas digitais não são responsáveis pelo conteúdo de terceiros postado nelas, desde que esse material não seja ilegal. As big techs, contudo, estão usando a Seção 230 para cometer abusos, ao permitir que apenas uma ideologia fale, enquanto censura outras, por meio de “mecanismos de moderação”. Só porque uma opinião política “não é popular” não significa que ela seja ilegal ou prejudicial a alguém. Quando se trata de debate e liberdade de expressão, as big techs não devem escolher os “perdedores e os vencedores”. A Gettr é contra conteúdos ilegais e violentos, mas entende que todos têm o direito de falar.

O senhor avalia que há censura nas redes sociais?

Com certeza, sobretudo no Twitter, no Facebook, no TikTok e no Instagram. Essas plataformas usam a política da discriminação e da censura para calar pontos de vista de que elas discordam. Em linhas gerais, é isso. Inicialmente, as big techs tinham o objetivo de integrar as pessoas de diferentes partes do mundo. Em determinado momento, porém, isso mudou para um “queremos apenas reunir pessoas que pensam como nós”. O grande pivô foram as eleições de 2016, quando os setores de esquerda da mídia e da sociedade culparam o Twitter e o Facebook por “elegerem” o ex-presidente Donald Trump. Eles perceberam que os candidatos não tradicionais tinham mais chances de vencer por meio das redes sociais do que pela velha imprensa. Decidiu-se, então, pôr um basta nisso.

Qual o diferencial da Gettr para as demais redes sociais, incluindo as conservadoras, como a Parler, e quais os principais desafios da plataforma para crescer?

Somos mais competitivos, porque estamos tanto na Apple Store quanto na Google Play. Além disso, juntamos o que há de melhor nas outras redes sociais, como a timeline e as livestreams [transmissões ao vivo] do Twitter e do Facebook. Recentemente, incluímos uma ferramenta chamada Voice, que permite ao usuário publicar vídeos curtos, como no Instagram e no TikTok. Então, tudo o que o usuário da Gettr precisa está lá, na palma da mão: a linha do tempo com os últimos posts, transmissões de conteúdo ao vivo e 24 horas por dia (em breve, teremos mais conteúdo em português) e vídeos curtos, que os jovens gostam.

É impossível falar em redes sociais e não mencionar a cultura do cancelamento. O que ela é para o senhor?

A cultura do cancelamento é quando as big techs e a imprensa decidem excluir para sempre de suas plataformas alguém cuja opinião não é “popular” para esses gigantes da tecnologia. A prática não se restringe a políticos ou militantes partidários. O comediante David Chappelle é um exemplo disso. Sem sucesso, tentaram cancelá-lo por causa de suas piadas sobre a comunidade trans. Isso sem falar no cerco ao comediante Rick Gervais ou à cantora Nicky Minaj, que falou sobre possíveis efeitos colaterais das vacinas contra a covid-19 e foi suspensa do Instagram. Não é algo exclusivamente voltado ao Partido Republicano ou do presidente Jair Bolsonaro. O que a cultura do cancelamento está fazendo é eliminar pessoas das redes e tornar suas vozes radiativas, porque não se enquadram na cultura das big techs. Fico imaginando a quantidade de pessoas nas empresas e até na mídia que acabam cedendo ao autoritarismo, por medo de ser canceladas pelos demais.

Quando se tem um presidente fraco na Casa Branca, o Partido Comunista da China e a Rússia se sentem empoderados e tomam decisões agressivas, como invadir a Ucrânia

Qual a sua avaliação sobre a imprensa tradicional norte-americana e as agências de checagem?

É impossível que um ser humano seja politicamente imparcial. Todos têm opiniões, mesmo aqueles eleitores independentes, que não se alinham a partidos. Por isso, seria tolice dizer que os checadores de fatos são um grupo redimido e puro. O que estavam fazendo os checadores de fatos quando a imprensa publicou sobre o suposto conluio entre Trump e a Rússia em 2017 e 2020? Mais tarde, provou-se que essa história não era verdade. Em janeiro de 2020, Anthony Fauci garantiu que a covid-19 não seria tão grave assim. Um mês depois, esse mesmo cientista pediu para não usarmos máscaras. Na sequência, recomendou utilizarmos mais de uma máscara. Qual dos dois Anthony Fauci está correto e qual deles tem de ser checado?

Como o senhor viu a reação do establishment diante da possibilidade de Elon Musk comprar o Twitter?

Nunca achei que Musk conseguiria comprar o Twitter, principalmente porque os termos do contrato eram muito ruins. Ainda que Musk conseguisse adquirir a empresa, o Twitter não permitiria que ele fizesse muitas mudanças. Os funcionários estavam tão preocupados com seus empregos que começaram a sabotar a negociação logo no início. Vimos ainda os horríveis ataques pessoais ao empresário, com vazamento de áudios ofensivos e vídeos de empregados tirando sarro de Musk. Repentinamente, ele se tornou um “monstro da direita” para essas pessoas, ainda que nunca tenha votado em republicanos.

O senhor acha que a desistência de adquirir a empresa foi uma jogada?

Acredito que ele não desistiu de comprar o Twitter por causa da quantidade de “perfis falsos” que a companhia se recusou a mostrar. Ao olhar para a estrutura de monetização da plataforma, Musk percebeu que teria de quadruplicar o número de usuários ativos diários. Isso é muito difícil, tendo em vista a ideia original de comprar o Twitter: ter de volta os eleitores do presidente Trump. Ele perderia pessoas do outro lado. Penso que Musk entendeu que não conseguiria monetizar a plataforma como pretendia no começo. Além disso, a cultura do Twitter não pode ser mudada. Por isso, precisamos cada vez mais de novas plataformas.

Em 2021, o senhor foi detido pela Polícia Federal a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Por que o senhor acha que isso ocorreu?

Foi um ato político voltado a atingir o presidente Jair Bolsonaro. Lembro-me de estar no Aeroporto de Brasília, depois de participar do CPAC Brasil, quando fui preso pela Polícia Federal. Perguntei por que havia sido preso. Eles responderam que eu estava sendo investigado em duas “apurações secretas” do STF. Interpelei o que seria isso e me disseram que, como era tudo sigiloso, não poderiam me dizer. Então, pediram para eu assinar um documento de mais ou menos sete páginas e, depois disso, estaria liberado. A papelada estava em português, idioma o qual eu não falo. Foi claramente uma tentativa de intimidar alguém que eles enxergam como aliado do presidente Bolsonaro. O que ocorreu é fruto da politização da Suprema Corte. Ressalto algo bem importante: na Gettr, não tomamos lado em campanhas eleitorais. Queremos gente da esquerda, da direita e aqueles que não estão nem aí para política.

O presidente Joe Biden completou pouco mais de um ano na Casa Branca. Como está sendo o governo dele?

Biden tem sido nada menos que uma vergonha, não apenas para a América, mas também para outras democracias. Penso que, quando se tem um presidente fraco na Casa Branca, o Partido Comunista da China e a Rússia se sentem empoderados e tomam decisões agressivas, como invadir a Ucrânia ou ameaçar uma investida contra Taiwan. Espero que possamos tirar Biden da Presidência em 2024, e é o que deve ocorrer.

Estamos em ano eleitoral aqui no Brasil. É possível que o Twitter repita com o presidente Jair Bolsonaro o que fez com Donald Trump em 2020?

Quando estive com Bolsonaro, falei para ele procurar alternativas em outras plataformas. Não é uma questão de “se”, mas de “quando” as big techs irão atrás dele. Pode ser meses antes das eleições ou uma semana. O correto a fazer é descentralizar os meios de comunicação e usar as plataformas que estão ao alcance. Falo isso para qualquer político. Precisa-se obter vantagem usando diversos meios. Se você colocar todos os ovos em apenas um ninho, vai acabar igual ao presidente Trump e ser excluído. Ou eles decidem tirar de circulação uma história, como a do laptop de Hunter Biden.