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16 setembro 2026

ASI - Qual a melhor estratégia para o seu desenvolvimento?

Cresce a especulação de que a superinteligência artificial, ou ASI — um conceito de difícil definição, vagamente descrito como modelos de IA que superam vastamente as capacidades humanas em todas as tarefas e domínios — poderia surgir em poucos anos. Em contrapartida, os principais modelos de IA atuais superam as capacidades humanas apenas em áreas restritas, como matemática e processamento de dados, ficando aquém do desempenho humano em áreas como bom senso e raciocínio profundo. O surgimento da ASI poderia trazer um progresso econômico e científico vertiginoso ou viabilizar avanços militares revolucionários, capazes de alterar o equilíbrio global de poder. No entanto, também poderia transformar fundamentalmente a relação entre máquinas e humanidade, permitindo, talvez — nos cenários mais catastróficos —, que sistemas quase onipotentes erradiquem seus criadores humanos.

Grande parte disso é hipotética. Ainda é incerto se a ASI é possível, quando poderia ser desenvolvida ou se seria possível mantê-la alinhada ao florescimento da humanidade. Essas incertezas dominam as discussões sobre qualquer resposta política. Contudo, dado que as implicações da ASI seriam sísmicas, é importante avaliar como países, em especial os Estados Unidos, poderiam abordar essa tecnologia e de que maneira diferentes estratégias em relação à ASI afetariam a atuação de Washington no cenário mundial.

Nessa perspectiva, uma opção é buscar a supremacia acelerando a corrida rumo à ASI e, simultaneamente, contendo os rivais. Essa estratégia baseia-se na convicção de que o maior perigo para os Estados Unidos não é a tecnologia de ASI incontrolável em si, mas sim a possibilidade de que um rival controle tal tecnologia. Outra opção é o desenvolvimento compartilhado, no qual os Estados Unidos buscam liberar, de forma responsável, os benefícios da ASI para a humanidade — e conter as dinâmicas perigosas de uma corrida para criá-la — desenvolvendo-a no âmbito de um consórcio de Estados comprometidos com a segurança. Uma terceira opção é a supressão: os Estados Unidos abririam mão do desenvolvimento da ASI e impediriam que qualquer outra parte a criasse, sob o argumento de que a superinteligência é perigosa demais para ser liberada no mundo.

Cada uma dessas opções prioriza aspectos diferentes do desafio da ASI (Inteligência Artificial Superinteligente): a busca por vantagem geopolítica, a necessidade de desenvolver com segurança uma tecnologia revolucionária e a importância de minimizar riscos existenciais. No entanto, cada uma delas também apresenta riscos ou falhas graves e exige apostas potencialmente irreversíveis em um futuro atualmente incognoscível. Se a premissa subjacente a uma determinada estratégia se mostrar equivocada, essa estratégia poderá fracassar de maneira catastrófica. 

Portanto, seria um erro os líderes dos EUA adotarem plenamente qualquer uma dessas opções neste momento. A melhor opção a curto prazo é uma estratégia prudente de diversificação de riscos (*hedging*), posicionando os Estados Unidos para aproveitar diversos futuros possíveis e, ao mesmo tempo, embasando sua capacidade de, futuramente, fazer uma escolha mais clara.

14 setembro 2026

A IA é poderosa o suficiente para resolver nossos problemas matemáticos mais difíceis — e nos matar a todos

A inteligência artificial pode revolucionar a ciência e resolver problemas matemáticos muito complexos, mas seu enorme poder também pode representar riscos caso sistemas avançados escapem ao controle humano ou sejam utilizados de maneira perigosa. O grande desafio é desenvolver uma IA poderosa sem perder a capacidade de controlá-la.

De um lado, sistemas de IA cada vez mais avançados podem ajudar a resolver problemas matemáticos extremamente difíceis, descobrir novas demonstrações, acelerar pesquisas científicas e contribuir para áreas como medicina, física, engenharia e mudanças climáticas.

Por outro lado, o rápido aumento da capacidade desses sistemas gera preocupações sobre controle e segurança. Uma IA muito mais inteligente que os seres humanos poderia tomar decisões ou executar ações que não correspondam aos nossos interesses. O perigo não significa necessariamente que uma IA desenvolveria “ódio” pela humanidade; o problema poderia surgir de objetivos mal definidos, perda de controle, uso mal-intencionado por pessoas ou autonomia excessiva.

Assim, a ideia central é um paradoxo: a mesma tecnologia capaz de ajudar a humanidade a solucionar alguns de seus maiores desafios também pode criar riscos de enorme dimensão, inclusive, em cenários extremos e ainda incertos, riscos existenciais para a humanidade. Por isso, pesquisadores defendem que o avanço das capacidades da IA seja acompanhado por pesquisas sobre alinhamento, segurança, supervisão humana e regras para seu desenvolvimento e utilização.

Sobre isso, Ben Cohen escreveu o artigo abaixo, publicado em 11 de setembro no The Wall Street Journal. Boa leitura.

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A IA é poderosa o suficiente para resolver nossos problemas matemáticos mais difíceis — e nos matar a todos

Você não precisa saber matemática para entender por que o avanço relacionado a um dos Problemas do Prêmio do Milênio é importante. É uma prova do progresso acelerado e aterrorizante da IA.

Por que deveríamos nos importar com o fato de a IA ter se tornado, de repente, incrivelmente boa em matemática?

Essa é uma pergunta que venho fazendo a matemáticos e pesquisadores de IA há meses — e especialmente nesta semana, quando a OpenAI publicou uma solução para um dos notavelmente complexos Problemas do Prêmio do Milênio.

E é a única questão matemática que consigo responder sem começar a suar frio.

A matemática significa coisas diferentes para pessoas diferentes: pode ser bela e elegante, ou uma fonte de pesadelos. No último ano, ela também se tornou uma prova do progresso acelerado da inteligência artificial, demonstrando como a tecnologia está se tornando muito mais inteligente — e muito mais rápida — do que a maioria das pessoas previa.

É uma área em que os céticos previam que a IA levaria anos para alcançar os marcos mais ambiciosos — e a IA já os superou. Se isso pode acontecer em um campo que exige os mais altos níveis de raciocínio, pode acontecer em qualquer lugar.

Os humanos sempre usaram a matemática para entender o mundo.

O progresso da IA ​​na matemática agora nos oferece um vislumbre de um mundo que vai além da nossa compreensão.

E nesta semana, enquanto nos maravilhávamos com a capacidade da IA ​​de realizar cálculos matemáticos, também nos perguntávamos se ela destruiria a humanidade.

Ao mesmo tempo que a OpenAI publicava sua solução para um Problema do Prêmio do Milênio, um cientista de destaque da Anthropic apresentava um tipo muito diferente de cálculo: sua convicção de que a probabilidade de extinção humana na próxima década é agora superior a 10%. Ele respondia a comentários contundentes de outro pesquisador, Jacob Coxon — que trabalhou na OpenAI e na Anthropic, mas afirmou que nenhuma das empresas está agindo de forma responsável ao correr em direção a uma superinteligência capaz de se autoperfeiçoar, colocando em risco a nossa própria existência.

Enquanto isso, a corrida armamentista matemática entre elas continua a se intensificar.

Isso não acontece porque seus negócios dependem da comprovação da Hipótese de Riemann. Acontece porque a matemática serve como uma ferramenta de marketing eficaz — uma maneira de divulgar as capacidades crescentes de seus modelos mais recentes.

Nesse sentido, o episódio envolvendo o Prêmio do Milênio é uma versão mais amena do incidente da Hugging Face. Ambos demonstram o que esses sistemas cada vez mais poderosos são capazes de fazer quando são deixados livres para operar. Em vez de arquitetar um plano para invadir uma empresa, um enxame de até 10.000 agentes dedicou-se a resolver um problema matemático durante 88 horas, construindo sobre o trabalho uns dos outros — e sobre o trabalho de humanos — até chegar a uma solução. O complexo problema de Navier-Stokes desafiava os matemáticos há quase um século. A IA precisou de milhões de dólares em recursos computacionais e de alguns dias.

Foi a conquista matemática mais notável e até então impensável em um ano repleto delas.

Os modelos de IA passaram os últimos anos fazendo coisas que acreditávamos que não seriam capazes de fazer tão cedo. First they couldn’t do basic math. Then they couldn’t do research-level math. Eles também não conseguiram ganhar o ouro na Olimpíada de matemática ou desvendar qualquer um dos famosos mistérios da matemática.

Quando fizeram tudo isso, a única coisa que restou a fazer foi resolver um dos terrivelmente difíceis Problemas do Prémio Milénio.

Há um ano, analistas especializados deram à IA uma probabilidade de cerca de 20% de o conseguir até 2030. Mas, nos últimos meses, o improvável começou a parecer inevitável. O que há de mais surpreendente no avanço do Prémio Milénio é que já não foi uma surpresa tão grande. Na verdade, a OpenAI lançou um modelo interno sobre os problemas do Prêmio Milênio depois de ouvir rumores de que a Anthropic já havia resolvido um.

Poucos dias depois de lançar a solução para um problema, a OpenAI sugeriu que estava perto de resolver outro, levantando a possibilidade de duas descobertas que nos escaparam durante décadas chegarem na mesma semana.

Para aqueles de nós que não pensam em matemática desde o ensino médio, os acontecimentos recentes trouxeram noções sobre problemas de Erdős, a conjectura do Jacobiano e um fenômeno conhecido como "explosão em tempo finito" (*finite-time blowup*).

Para os matemáticos, esses desdobramentos levantaram questões existenciais — o que fazer quando se dedicou a vida a problemas que agora estão sendo resolvidos pela IA? — e provocaram uma reação negativa intensa. Antes mesmo de a demonstração histórica surgir online, as redes sociais fervilharam com a suspeita de que o modelo da OpenAI havia se apropriado de trabalhos pioneiros e inéditos de humanos — algo que a empresa nega.

No fim das contas, aquele não foi nem mesmo o episódio mais alarmante envolvendo IA e números naquele dia.

Horas depois, Coxon pediu demissão da Anthropic devido a preocupações com a segurança e declarou ao mundo que as pessoas que desenvolvem IA "acreditam sinceramente que ela poderia matar a todos nós". Seus comentários foram corroborados por Evan Hubinger, um pesquisador cujo trabalho na Anthropic consiste justamente em garantir que a IA não nos extermine. Em sua conta no X, ele estimou as chances de aniquilação em mais de 10%. Segundo seus cálculos, o apocalipse é agora mais provável do que Stephen Curry errar um lance livre.

Tudo isso pareceria ficção científica não muito tempo atrás — e muito menos na virada do milênio, quando os sete grandes problemas da matemática foram selecionados e um prêmio de 1 milhão de dólares foi oferecido por cada solução.

"Os sete problemas", disse o matemático Alain Connes, ganhador da Medalha Fields, no ano 2000, "são totalmente inacessíveis aos computadores".

Ou, pelo menos, eram. Agora que dispomos de um novo tipo de computador, Connes me disse estar "extremamente otimista" quanto aos avanços da IA ​​na matemática. Nem todos os ganhadores da Medalha Fields compartilham desse otimismo.

Já nos "tempos remotos" de 2023, Terence Tao observou que a IA poderia ser "radicalmente transformadora" — escreveu ele em seu blog —, "a ponto de tornar insustentável a manutenção das práticas e da cultura matemáticas tradicionais sem adaptações". O homem amplamente considerado o maior matemático do mundo ainda acredita no valor dos modelos de IA. No entanto, ele está perdendo a confiança nas empresas que os desenvolvem.

Nesta semana, Tao foi um dos cerca de duas dezenas de ganhadores da Medalha Fields a alertar que a obsessão da indústria de IA em resolver problemas matemáticos poderia comprometer o propósito da própria matemática. Ele afirma que a matemática caminha rapidamente para um "pior cenário" que ameaça a saúde a longo prazo de sua área e da sociedade como um todo.


No dia em que a sociedade tomou conhecimento da solução da IA ​​para um problema do Prémio do Milénio, liguei para outro medalhista Fields para compreender o mais recente avanço.

“O sonho vago de que ainda existe um papel humano na matemática não é completamente eliminado por isso”, disse-me Timothy Gowers. “Mas meu palpite é que se você tiver um modelo capaz de fazer isso, ele será capaz de fazer muitas outras coisas.”

O que o levou a uma conclusão perturbadora.

“Não quero dizer que tudo acabou”, disse Gowers, “mas certamente não quero dizer que não acabou”.

Se isso realmente acabou era a questão quando a OpenAI recebeu matemáticos em seus escritórios em São Francisco no mês passado. A cimeira começou com uma suposição: a IA tornar-se-á sobre-humana em matemática.

Uma vez aceitada essa premissa, eles poderiam raciocinar sobre todas as suas implicações práticas. O que isso significa para a educação, ou para a colaboração, ou para a publicação de ideias, ou para a forma como formaremos a próxima geração? Eles não encontraram nenhuma solução, mas esse não era o ponto.

O objetivo deles era selecionar os problemas certos para trabalhar, como os matemáticos que escolheram os Problemas do Prêmio Milênio.

E todos nós deveríamos nos importar. Porque desta vez, os humanos terão que resolvê-los.

Começou o grande pânico americano em torno da IA

Preocupações latentes de que a tecnologia poderia acabar com a civilização e desencadear ataques cibernéticos atingiram o auge tanto nos locais de trabalho quanto nas mesas de jantar.

O pânico sobre a ameaça existencial da IA ​​disseminou-se pelo grande público americano após um alerta feito por um pesquisador da Anthropic que estava deixando a empresa.

Conversas sobre os riscos da IA ​​ganharam força em grupos de mensagens, igrejas e lares por todo o país.

A visão de que a IA levará à extinção da raça humana permanece uma opinião marginal entre os especialistas do setor.

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The Wall Street Journal

O deputado Josh Gottheimer assistia ao jogo de hóquei de campo de sua filha, no norte de Nova Jersey, na quinta-feira, quando dois pais se aproximaram para expressar suas preocupações sobre a inteligência artificial e perguntar: "O que está acontecendo?"

Perguntas como essas — vindas tanto de cidadãos comuns quanto de legisladores — repetiram-se ao longo da semana para o democrata de Nova Jersey, que apresentou projetos de lei para aumentar a supervisão da tecnologia. Elas foram motivadas pelo alerta alarmante de um pesquisador da Anthropic, publicado na terça-feira no *The Wall Street Journal*, de que sistemas de IA fora de controle poderiam destruir a civilização. Para Gottheimer, ex-executivo da Microsoft e copresidente de uma comissão da Câmara sobre IA, isso indicava que a tensão sobre a possibilidade de a IA acabar com a humanidade havia ultrapassado um limite crítico.

"Muita gente me enviou o artigo dizendo: 'Que p... é essa?' ou 'O que estamos fazendo a respeito?'", disse Gottheimer. "Quer você acompanhe o assunto de perto ou não, você lê o suficiente para pensar: 'Caramba, é melhor estabelecermos algumas regras básicas aqui'."

Por todo o país, esta foi a semana em que o pânico sobre a ameaça existencial da IA ​​pareceu romper as barreiras dos debates na internet e dos círculos do Vale do Silício, espalhando-se pelo grande público americano. Em grupos de estudo bíblico, mesas de jantar em família e grupos de mensagens entre amigos, o que antes era uma preocupação abstrata para muitos transformou-se rapidamente em uma das ameaças mais sombrias para a sociedade.

Trata-se de um ponto de virada em uma reação negativa que vinha crescendo há meses. A oposição à ampla rede de câmeras de vigilância com IA da Flock Safety nos EUA ganhou força neste verão, justamente quando detalhes sobre a invasão autônoma realizada pela IA da OpenAI contra a empresa Hugging Face se tornaram públicos. Ao fundo, ouvia-se um crescente coro de resistência aos data centers e de preocupação de que a tecnologia pudesse resultar em perda generalizada de empregos.

Quando funcionários da Anthropic compartilharam seus receios sobre o impacto potencialmente fatal da tecnologia para a humanidade — com postagens do pesquisador Jacob Coxon (que estava deixando a empresa) e de um colega acumulando centenas de milhões de visualizações —, as preocupações que vinham fermentando atingiram o ponto de ebulição.

Na televisão noturna, Jimmy Kimmel questionou em voz alta por que não estamos levando a questão mais a sério, sugerindo a teoria de que "é algo complexo demais para conseguirmos assimilar". Artistas como o ator Matt Damon, a compositora Maggie Rogers e a cantora Sheryl Crow também se manifestaram. "Como nossos líderes podem escolher seus trilhões em detrimento de seus próprios filhos?", perguntou Crow nas redes sociais.

Leitores correram para uma página da Wikipedia sobre o risco existencial representado pela inteligência artificial; a página registrou um aumento de mais de dez vezes no número de acessos, estabelecendo um recorde para o artigo. Nate Soares, um cientista da área de IA e coautor do livro *If Anyone Builds It, Everyone Dies: Why Superhuman AI Would Kill Us All* ("Se Alguém a Criar, Todos Morrem: Por Que uma IA Sobre-humana Nos Mataria a Todos"), disse que sua editora o informou de que ele vendeu mais livros na quarta-feira do que costuma vender em uma semana.

Há anos, Soares vem alertando sobre os perigos de a IA causar a extinção da humanidade. "A mensagem nunca havia rompido a bolha até agora", disse ele.

Apesar dos alertas desta semana, a ideia de que a IA levará à extinção da raça humana é uma opinião minoritária entre os especialistas do setor. Mesmo alguns daqueles que afirmam que a IA poderia ser capaz de destruir a humanidade acreditam que se trata de um evento de baixa probabilidade e que medidas podem ser tomadas para impedi-lo. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI afirmaram que levam a segurança a sério e que seus apelos por regulamentação governamental são genuínos.

"Isso parece estar em outro patamar"

Em março, o cineasta vencedor do Oscar Daniel Roher lançou um documentário sobre os riscos da IA ​​intitulado *The AI ​​Doc: Or How I Became an Apocaloptimist*, que teve uma recepção mista. "Eu esperava que o filme tivesse um impacto maior", disse Roher. No entanto, nesta semana, ele começou a receber mais ligações de amigos e familiares pedindo sua opinião sobre os riscos.

"Estou começando a ver uma mudança na conversa e no interesse", disse Roher, cujo documentário será lançado na plataforma de streaming Netflix na próxima semana.

Em um estudo bíblico realizado na quarta-feira em uma igreja no bairro de Brickell, em Miami, o reverendo Christopher Benek recebeu várias perguntas de sua congregação sobre a IA.

"Um dos meus líderes de louvor veio falar comigo e disse: 'Isso parece estar em outro patamar, porque agora está em toda parte na imprensa, em vez de ser algo isolado'", contou Benek, cujo livro *Church Leader’s Guide to Artificial Intelligence* ("Guia de Inteligência Artificial para Líderes de Igreja") foi publicado em dezembro. O vice-presidente JD Vance chamou a atenção recentemente ao descrever a tendência das máquinas de concordar excessivamente com seus usuários como algo "meio satânico".

Patrece M. Lucas, conselheira de saúde mental em Detroit, assistiu à entrevista de Coxon com Anderson Cooper, da CNN, na terça-feira, e enviou o link do trecho para seus grupos de conversa. Lucas compartilhou o vídeo para reforçar seu argumento de que as pessoas confiam excessivamente na IA e deveriam limitar o uso da tecnologia. "Um pequeno grupo disse: 'Sim, concordo com você', enquanto outros me acham a amiga estranha e não entendem ou não acreditam muito nisso", disse ela.

Leitores correram para uma página da Wikipedia sobre o risco existencial representado pela inteligência artificial; a página registrou um aumento de mais de dez vezes no número de acessos, estabelecendo um recorde para o artigo. Nate Soares, um cientista da área de IA e coautor do livro *If Anyone Builds It, Everyone Dies: Why Superhuman AI Would Kill Us All* ("Se Alguém a Criar, Todos Morrem: Por Que uma IA Sobre-humana Nos Mataria a Todos"), disse que sua editora o informou de que ele vendeu mais livros na quarta-feira do que costuma vender em uma semana.

Há anos, Soares vem alertando sobre os perigos de a IA causar a extinção da humanidade. "A mensagem nunca havia rompido a bolha até agora", disse ele.

Apesar dos alertas desta semana, a ideia de que a IA levará à extinção da raça humana é uma opinião minoritária entre os especialistas do setor. Mesmo alguns daqueles que afirmam que a IA poderia ser capaz de destruir a humanidade acreditam que se trata de um evento de baixa probabilidade e que medidas podem ser tomadas para impedi-lo. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI afirmaram que levam a segurança a sério e que seus apelos por regulamentação governamental são genuínos.

Lucas também compartilhou o vídeo no LinkedIn e escreveu: "Não acho que as máquinas — ou os zumbis, aliás — vão ouvir nossas orações, mas vamos tentar..."

"Mundo de Matrix"

Nas empresas americanas, executivos começaram a se perguntar como os receios dos funcionários podem afetar a adoção interna de IA, disse Michael Domanic, chefe de IA da consultoria Section. Cerca de metade dos adultos americanos afirmou, no início deste ano, já ter usado chatbots em algum momento — um aumento de quase 50% em relação a 2024, segundo o Pew Research Center.

Erez Kaminski, CEO da Ketryx — empresa que vende software para automatizar a conformidade regulatória de fabricantes de dispositivos médicos —, disse que cerca de metade de seus clientes mencionou preocupações com a IA durante chamadas nesta semana. Um erro poderia resultar na administração do medicamento errado ou na invasão de um banco de dados central. Durante um jantar de equipe em Cambridge, Massachusetts, na quinta-feira, os funcionários decidiram revisar todos os sistemas de gestão de riscos.

Rakesh Shah, vice-presidente de produtos da empresa de cibersegurança Quest Software, afirmou que as postagens da Anthropic e a invasão da Hugging Face mudaram o teor das conversas com os clientes. Agora, os clientes estão se preparando para sofrer invasões e responder a violações de segurança, ao contrário da crença anterior de que não seriam alvos ou de que os hackers não teriam sucesso, disse ele.

Shah contou que seus pais, na casa dos 80 anos, perguntaram recentemente sobre os riscos de segurança, enquanto seus filhos adolescentes — durante o jantar em casa, na região de Austin, Texas — questionavam se o "mundo de Matrix" estaria próximo.

"Quando o assunto chega à mesa de jantar, ele certamente passará a ser discutido também pelo conselho de administração", disse Shah, ressaltando a importância de manter o controle humano sobre a IA nessas discussões.

Uma mensagem de uma ex-namorada

O aumento da atenção tem sido benéfico para pesquisadores que trabalham com segurança em IA, muitos dos quais estão sediados na Bay Area. Após meses alertando sobre os riscos de sistemas de IA capazes de extinguir a humanidade, eles viram um súbito aumento no interesse nos últimos dias.

Jeffrey Ladish, diretor executivo da Palisade Research — uma organização sem fins lucrativos dedicada à segurança em IA — e ex-consultor de segurança da Anthropic, notou a chegada de várias doações individuais na quarta e na quinta-feira, algo incomum para uma organização financiada principalmente por subsídios. Uma das doações foi de US$ 40 mil.

Ladish tentava acompanhar o ritmo frenético de atividades quando recebeu uma mensagem de sua ex-namorada, que lhe disse: "É exatamente o que você vem dizendo há anos".

Muitos executivos não estão em pânico. Os CEOs acompanham de perto as falhas da IA, por isso temores existenciais em relação à tecnologia parecem exagerados, afirmou Sean Byrnes, investidor e coach de executivos para empresas de tecnologia em estágio inicial. Em um evento realizado na noite de quinta-feira na Bay Area, nenhum dos cerca de doze CEOs com quem ele conversou levou a sério a ideia de que a IA poderia ameaçar a humanidade.

Aliados do governo Trump e do setor de tecnologia levantaram a hipótese de que a rede de organizações sem fins lucrativos focadas em riscos de IA teria colaborado com Coxon em sua saída, amplificando seus comentários para obter regulamentações favoráveis ​​em Washington. Eles citaram vínculos anteriores entre organizações de pesquisa e funcionários da Anthropic e de outros laboratórios de IA. A Anthropic já havia declarado anteriormente que seus esforços em políticas e segurança são genuínos e que os riscos da IA ​​são reais.

Contatado pelo *Journal* na quinta-feira, Coxon disse que consultou outras pessoas que deixaram empresas de IA por motivos semelhantes, mas que a decisão de sair foi exclusivamente sua. Ele afirmou ter ficado surpreso com a repercussão gerada após seu alerta.

"Acho que ninguém esperava que a sequência de mensagens viralizasse tanto; uma reação como essa não é algo que alguém consiga fabricar", disse Coxon.

13 setembro 2026

IA pode matar todos os humanos! A probabilidade é superior a 10% na próxima década

Cresce a preocupação em laboratórios de IA de que a concorrência esteja levando empresas de tecnologia a uma corrida por modelos com capacidade de autoaperfeiçoamento, os quais correm o risco de escapar do controle humano.

O pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, está deixando o setor de IA devido ao receio de que as empresas estejam correndo para criar sistemas incontroláveis ​​e com capacidade de autoaperfeiçoamento.

Coxon acredita que nenhuma empresa consegue desenvolver inteligência artificial geral de forma responsável sem intervenção governamental ou uma desaceleração coordenada do setor.

A saída ocorre no momento em que a Anthropic se prepara para uma oferta pública inicial (IPO), buscando uma avaliação de mercado de US$ 2 trilhões.

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Um pesquisador da Anthropic está deixando o setor de inteligência artificial devido ao receio de que o laboratório e seus concorrentes estejam correndo para construir sistemas que não conseguirão controlar — um sinal de preocupações crescentes com a segurança nas principais empresas de IA.

Jacob Coxon, pesquisador especializado no treinamento de novos modelos de IA por meio do processamento de vastas quantidades de dados, afirmou na terça-feira que está deixando a empresa por não querer participar de uma corrida generalizada do setor para criar sistemas de IA capazes de se autoaperfeiçoar; ele teme que tais sistemas possam escapar do controle e destruir a humanidade.

O britânico de 27 anos, que estudou matemática, disse que muitos de seus colegas do setor agora usam termos como "crunchtime" (período de pressão intensa/reta final) e "endgame" (fase final decisiva) para descrever a trajetória em direção a modelos com capacidade de autoaperfeiçoamento.

"Estamos caminhando para muitos dos cenários mais agressivos, nos quais, até o final do próximo ano, a situação já poderia estar fora de controle", disse Coxon, acrescentando que concessões em termos de segurança são inevitáveis ​​quando empresas competem entre si e com startups chinesas emergentes.

A Anthropic não comentou imediatamente a saída. O CEO Dario Amodei e outros líderes da empresa alertaram repetidamente sobre os riscos de modelos de IA que fogem ao controle e instaram o setor a desacelerar o desenvolvimento.

Após Coxon anunciar sua saída, um cientista sênior da empresa, Evan Hubinger, escreveu na rede social X que concordava com Coxon sobre os riscos do desenvolvimento de IA.

"Nós realmente acreditamos, de forma genuína, que a IA pode matar todos os humanos! Pessoalmente, acho que a probabilidade é superior a 10% na próxima década", escreveu Hubinger. “Acredito que a Anthropic está fazendo o possível, mas ainda não temos um plano para resolver a questão do alinhamento da superinteligência e não estamos claramente no caminho certo para isso.” Outros também reforçaram essa visão.

Na quarta-feira, o governador de Illinois, JB Pritzker, respondeu a Coxon no X, afirmando que é hora de “soar o alarme” sobre a necessidade de controlar a IA.

“A ameaça que a IA representa para a humanidade está ficando mais clara; por isso, exijo uma ação imediata do setor e de Washington”, escreveu no X o democrata, que é um possível candidato à presidência em 2028.

Coxon disse que deixou a OpenAI no início deste ano para se juntar à Anthropic, pois a empresa é conhecida por seus esforços em segurança de modelos. No entanto, embora considerasse genuínos os esforços de segurança da Anthropic, ele agora acredita que nenhuma empresa consegue desenvolver de forma responsável uma IA capaz de superar humanos em diversas tarefas — o que às vezes é chamado de inteligência artificial geral — sem intervenção governamental ou uma desaceleração coordenada do setor.

Casos recentes de invasões envolvendo modelos da OpenAI e da Anthropic — alguns operando em enxames colaborativos de agentes — ilustraram como sistemas de IA podem adotar objetivos maliciosos e tentar ocultá-los dos humanos. Coxon teme que, uma vez que os sistemas comecem a evoluir por conta própria, eles possam avançar a ponto de recusar comandos.

A saída de Coxon é um dos primeiros exemplos de um funcionário da Anthropic deixando a empresa devido a receios sobre a segurança da IA. Um pesquisador da área de segurança deixou a empresa no início deste ano para estudar poesia, alertando que “o mundo está em perigo”.

Vários pesquisadores deixaram a OpenAI e outras empresas recentemente, bem como em anos anteriores, citando preocupações semelhantes. A Anthropic construiu uma das maiores plataformas de IA, em parte ao afirmar que prioriza o desenvolvimento responsável da tecnologia e investe pesadamente na área.

Líderes do setor vêm alertando que os recentes ataques cibernéticos são um sinal de alerta. Na semana passada, a OpenAI informou a jornalistas que seu modelo mais recente representava a inteligência artificial geral e um grande salto em termos de capacidades.

“Acho que algumas coisas vão dar muito errado na área de segurança cibernética se as pessoas não agirem com bastante urgência”, disse o CEO da OpenAI, Sam Altman, a autoridades do G20 na semana passada, durante uma cúpula na Carolina do Norte. “Este é um momento que exige extrema cautela. Preocupa-me que ninguém esteja preparado para as consequências de uma ascensão rápida e contínua da inteligência de máquinas”, escreveu Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, em uma publicação no blog no domingo, defendendo uma desaceleração coordenada do setor e a intervenção governamental.

Coxon, Pachocki e Amodei juntaram-se a mais de 1.000 pesquisadores de IA de toda a indústria que assinaram recentemente uma declaração pedindo coordenação governamental global em torno de um sistema para desacelerar o desenvolvimento da IA, caso seja necessário um “freio” para controlar modelos capazes de se aprimorar por conta própria. 

Quanto às regulamentações federais de IA, a administração Trump tem priorizado uma abordagem de baixa intervenção para maximizar os benefícios econômicos da tecnologia — um cenário que, segundo críticos, poderia levar a ataques cibernéticos em larga escala ou outros danos.

O senador Bernie Sanders (Independente de Vermont) e o deputado Greg Casar (Democrata do Texas) — parlamentares progressistas que estão entre os poucos a propor salvaguardas para a IA — apresentaram, na semana passada, uma proposta legislativa para banir permanentemente a superinteligência e suspender o desenvolvimento de modelos até que um órgão regulador do setor estabeleça novas regras.

A saída de Coxon ocorre no momento em que a Anthropic se prepara para uma oferta pública inicial (IPO) que deve figurar entre as maiores da história. A empresa busca uma avaliação de mercado de US$ 2 trilhões e tem enfatizado o desenvolvimento responsável da tecnologia ao atrair investidores. Amodei e outros líderes da empresa já entraram em conflito com a administração Trump e com outros executivos em diversas ocasiões, devido a práticas que, segundo eles, não priorizam a segurança da IA.

A Anthropic utiliza um canal no Slack para que os funcionários discutam as capacidades avançadas de seus modelos, afirmou Coxon, descrevendo essa prática como um reflexo da grande influência que as empresas de IA exercem sobre o desenvolvimento do setor.

“É meio insano que isso tenha que acontecer nos MacBooks de alguns engenheiros que vivem em São Francisco, em vez de em um bunker no deserto, como aquele onde conduziram o Projeto Manhattan”, disse Coxon.

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Publicado na edição impressa de 10 de setembro de 2026, do WSJ, com o título 'Pesquisador de IA da Anthropic pede demissão'.

12 setembro 2026

IA: As 24 novas regras para ter sucesso no trabalho

EMIL LENDOF/WSJ
A notícia divulgada nesta semana sobre o alerta alarmante de um pesquisador da Anthropic a respeito da IA ​​gerou grande repercussão. 

Por todo o mundo, o assunto ganhou força espalhando-se de grupos de mensagens e encontros sociais até os corredores do poder. Muitos repórteres mostraram como esses receios chegaram ao grande público, enquanto o colunista Ben Cohen analisou uma área onde o potencial da IA ​​está se tornando evidente: seu avanço acelerado na matemática, campo no qual os sistemas estão realizando feitos que especialistas acreditavam que levariam muito tempo para acontecer.

No entanto, todo esse papo apocalíptico sobre IA pode desmotivar qualquer um diante da rotina de trabalho. Por isso, o WSJ preparou um guia com 24 novas regras para se alcançar o sucesso no mercado de trabalho atual. Foram ouvidos especialistas para obter dicas sobre tudo: desde como conseguir um aumento e lidar com um chefe sobrecarregado até como tornar os jantares de trabalho mais agradáveis ​​e manter-se à frente da IA. Eis o guia:

As 24 novas regras para ter sucesso no trabalho

1. Como convencer seu chefe a lhe dar um aumento — quando ninguém está recebendo um ...

Sabemos que você consegue demonstrar que entregou resultados. Mostre que tem confiança de que fará isso novamente e que não está sendo "ganancioso ou ameaçador", diz Jon McNeill, membro do conselho da Lululemon que liderou milhares de funcionários como presidente da Tesla até 2018.

"Acho que o que realmente desagrada um chefe é quando as pessoas chegam tentando exercer pressão: passando a mensagem de que, se as exigências delas não forem atendidas, elas irão para outro lugar. Você acaba transformando a relação em algo puramente transacional, basicamente mercenário", diz McNeill, que também é cofundador da empresa de capital de risco DVx Ventures.

2. Uma lição aprendida após pedir um aumento a Jeff Bezos

Ann Hiatt trabalhou para Bezos na Amazon em seu primeiro emprego após a faculdade.

Quando trabalhava na Amazon, Ann Hiatt foi recrutada pela Microsoft para atuar como assistente de um vice-presidente sênior. Ela não tinha intenção de sair, mas levou a proposta a Jeff Bezos e perguntou se ele poderia igualá-la. "Olhando para trás, sinto um grande constrangimento, pois lembro muito claramente dele deslizando aquele papel de volta para mim e dizendo apenas: 'Tudo bem'. Percebi que ele estava realmente decepcionado comigo." Ela trabalhava diretamente com Bezos, mas admite que não havia demonstrado claramente o que faria para justificar o aumento salarial.

Ela aconselha abordar o assunto do aumento com pelo menos seis meses de antecedência — ou até um ano antes. Descreva as responsabilidades que seu gestor pode esperar que você assuma e as tarefas que ele poderá delegar a você. "Se você disser: 'Vou voltar a falar com você daqui a seis meses para apresentar meus resultados, e ficará evidente para nós dois que já conquistei esse aumento e já estou desempenhando o papel necessário'", conseguirá um "sim" com bastante facilidade, afirma ela. Além disso, se você expuser claramente o que deseja e essa oportunidade não estiver disponível, é melhor saber disso e dedicar os seis meses seguintes a elaborar um plano de ação para os próximos passos da sua carreira, diz Hiatt, que também foi a primeira chefe de gabinete do Google e hoje atua como consultora de liderança.

3. Minha gerente está sempre ocupada. Como posso aproveitar ao máximo 10 minutos do tempo dela?

Vivemos uma era de austeridade, com hierarquias mais enxutas e uma carga de trabalho maior para os gerentes de nível intermediário que permanecem na empresa.

“Cada minuto com sua gerente é limitado; portanto, pare de gastá-lo com questões administrativas que ela poderia ter lido em uma mensagem no Slack”, diz Natalie Marshall — criadora, fundadora e consultora conhecida nas redes sociais como *Corporate Natalie*, e ex-consultora da Deloitte.

Chegue à reunião com uma pauta organizada por prioridade, e não em ordem cronológica. Se você começar com “assuntos burocráticos rápidos” e deixar a solicitação principal para o 25º minuto, terá perdido a oportunidade da reunião.

Escreva uma proposta de resposta abaixo de cada pergunta. Não apresente um mistério à sua gerente; entregue um rascunho e permita que ela o edite.

Torne tudo descomplicado: algo simples, claro e com prazos codificados por cores. Ninguém jamais se arrependeu de facilitar o trabalho de sua gerente.

4. Se você é um gerente de nível intermediário sobrecarregado

Force-se a dar um passo atrás e pergunte: o que você está realmente tentando fazer? O que merece o seu foco? — diz Robert Gaudette, CEO da NRG Energy (sediada em Houston), que passou 25 anos subindo na hierarquia antes de assumir o cargo máximo no início deste ano. Se você trabalha duro nas coisas erradas, "é esforço desperdiçado".

5. O que fazer se você for um chefe interino

Aja com autoridade, mas tenha em mente que um sucessor permanente chegará em breve — diz Mitch Daniels, presidente interino da Universidade Purdue e ex-governador de Indiana. "Liguei para um ex-reitor muito experiente — e mais velho que eu — que já havia atuado como interino algumas vezes. Perguntei: 'Devo simplesmente avaliar a situação e depois aconselhar a próxima pessoa? E se eu encontrar coisas que precisam ser encerradas ou pessoas que não estão apresentando bom desempenho?' O conselho dele foi agir sobre essas questões, resolvê-las logo, para deixar o menor número possível de problemas para o próximo ocupante do cargo."

6. Você está no elevador e o CEO entra. O que você diz?

“Apresente-se, cumprimente-me, olhe nos meus olhos e conte-me no que você está trabalhando. Algumas semanas atrás, peguei o elevador com um grupo de estagiários. Eles se apresentaram, falaram um pouco sobre si mesmos — na medida do possível durante uma viagem de elevador — e depois me perguntaram: ‘E então, como foi o seu dia? Em que tipo de coisas você estava trabalhando?’ Eles demonstraram muito interesse e curiosidade intelectual.” Chris Nassetta, presidente e CEO da Hilton

“Aproveitando a oportunidade, quero apenas que saiba que estou trabalhando neste projeto. Sou muito grata pela oportunidade, pois acredito que ele realmente gera valor para a empresa e me ajuda a desenvolver habilidades.” Melanie Foley, vice-presidente executiva da Liberty Mutual Insurance

7. Destaque-se em uma reunião híbrida – Quando você é apenas um pontinho na tela

"Apresente-se antes de falar, certifique-se de que vejam o seu nome. Às vezes, em videoconferências, as pessoas estão em uma mesa grande e alguém faz uma apresentação. Eu penso: Isso é muito bom, mas não faço ideia de quem é essa pessoa", diz Hanneke Faber, CEO da Logitech.

"Se o seu regime é híbrido, é melhor você estar no escritório três dias por semana. A tela não é o lugar para se destacar", diz Valerie Capers Workman, diretora de recursos humanos da Empower Pharmacy.

8. Três autoridades da moda opinam sobre o nível de casualidade permitido

Molly Rogers, figurinista dos filmes "O Diabo Veste Prada", da série "Sex and the City" e de sua sequência, "And Just Like That..."

"Ninguém quer ouvir o barulho de um salto pesado batendo no piso de madeira toda vez que você sai da sua mesa. Leve em consideração o ambiente em que você trabalha e o quanto você interage com os outros ao longo do dia."

Tim Gunn, autor e acadêmico, mais conhecido como o mentor perspicaz do programa de competição de moda "Project Runway".

"Se você olha para o seu visual e pensa: 'Ah, isso combina bem com um bar esportivo', provavelmente não é a roupa adequada para o escritório."

Tory Burch, presidente do conselho e diretora criativa da marca de moda Tory Burch

"Em áreas criativas, não existe isso de 'casual demais'. Não estou defendendo o desleixo. Cada escritório é diferente, mas vestir-se é uma questão de individualidade — ou deveria ser."

9. Você pode recuperar o seu entusiasmo

Para espantar o marasmo, convide um colega talentoso para um café, proponha uma troca de ideias e busquem formas de trabalhar juntos. O convite pode ser simples: "Quero aprender e crescer para fazer um trabalho melhor — e uma maneira de fazer isso é fortalecer relacionamentos com pessoas como você", diz Carole Robin, que durante décadas ministrou o lendário curso "Touchy Feely" na Stanford Graduate School of Business. "Coloque-se em mais situações onde você vá aprender coisas novas; assim, não ficará entediado." 

10. Maneiras gratuitas de despertar alegria

Segundo o restaurateur Will Guidara

Não almoce olhando para a tela do computador. Convide alguém do escritório para fazer uma refeição rápida de 15 minutos sentado à mesa. Muitas vezes, deixamos a busca pela perfeição atrapalhar o que é bom. Até mesmo sentar-se de frente para um colega por um breve momento ajuda a criar proximidade. "Se você estiver esperando por aquela janela de uma hora para finalmente se conectar com alguém com quem trabalha, vai esperar muito tempo."

Para energizar a equipe, promova trocas de presentes divertidas e inusitadas (estilo "amigo da onça" ou *white elephant*), e não apenas nas festas de fim de ano. Ou disponibilize uma caixa — física ou virtual — onde as pessoas possam expressar gratidão pelos colegas. Antes de uma reunião de equipe, reserve 10 minutos para ler essas mensagens.

"É muito mais divertido ir trabalhar quando você está cercado de pessoas com quem realmente gosta de conviver", disse ele. "Os gestores precisam, simplesmente, ser bons anfitriões." Will Guidara, coproprietário do restaurante Eleven Madison Park, em Nova York, e autor do livro *Unreasonable Hospitality*.

11. Uma proposta para acabar com a tirania do jantar de trabalho de três horas

Todos nós já passamos por isso: aquele jantar de trabalho em que a salada chega, mas o restante da refeição demora horas para aparecer, obrigando você a manter conversas superficiais, longas e constrangedoras com o estranho sentado ao seu lado. O executivo de tecnologia Barry McCardel não aguenta mais essa situação e propõe um novo pacto social: nenhum jantar de trabalho deve durar mais de duas horas.

O CEO da Hex, uma plataforma de análise de dados com IA, publicou no X algumas "reformas baseadas no bom senso":

Coquetel de, no máximo, 45 minutos

Todos sentados para o jantar às 18h30

Todas as entradas servidas de uma só vez

Intervalo máximo de 10 minutos entre os pratos

Sobremesa na mesa, no máximo, às 20h

"Essa é a minha proposta de política", disse ele em uma entrevista, rindo. "Todo mundo pensa da mesma forma."

12. Como superar a IA em 2026

Segundo Adam Grant, sua especialização pode se tornar obsoleta amanhã. Você não se diferencia mais pelo simples acúmulo de fatos.

A habilidade ou capacidade diferencial é: você consegue reconhecer padrões? Consegue dar sentido a uma grande quantidade de informações díspares? Consegue identificar quais perspectivas são confiáveis ​​e quais não são?

O julgamento humano vai se sobrepor à especialização humana. Uma coisa que consigo fazer e a IA não, é exercer a verdadeira criatividade. Talvez isso signifique que a criatividade humana esteja mudando, tornando-se muito menos dependente da geração de ideias e muito mais da seleção e do desenvolvimento delas.

Tenho a hipótese de que as pessoas estão ficando cada vez mais céticas em relação a informações escritas. Vou fazer um pequeno experimento: em vez de enviar e-mails com ideias para as pessoas com quem normalmente me comunico assim, vou ligar para elas diretamente (sem contato prévio). Quero ver se o que aprendo é diferente e se o vínculo que criamos também muda.

Adam Grant é professor na Wharton School of Business da Universidade da Pensilvânia e autor do livro a ser lançado "Vibe: The Secrets of Strong Connections in a Lonely World".

13. Meu analista continua entregando trabalhos de baixa qualidade feitos por IA. O que devo fazer?

Seja direto, diz Jason Wenk, fundador e CEO da Altruist. No final do ano passado, ele abordou um funcionário dizendo: "Você não gastou mais do que 15 segundos nisso. Não é para isso que a IA serve".

Wenk conta que chega a receber várias versões de um mesmo trabalho geradas por IA, pois os colegas acionam o chatbot individualmente. "É algo penoso."

14. Diga algo original sobre IA em uma festa neste outono

Debata o incidente da Hugging Face, sugere Ethan Mollick, autor do livro a ser lançado "Co-Existence: The Next Phase of AI" e diretor do Generative AI Labs na Wharton School da Universidade da Pensilvânia.

O que você precisa saber: em julho, modelos de IA desenvolvidos pela OpenAI escaparam de um laboratório de testes ao tentar burlar uma avaliação de segurança e invadiram uma plataforma de IA chamada Hugging Face. Os modelos “começaram a se coordenar e ficaram obcecados com a forma como seriam avaliados”, diz ele.

“Por um lado, é algo muito curioso. Por outro, eles romperam as barreiras de segurança de duas das empresas mais protegidas que existem. Então, é um assunto interessante para se debater.”

15. Melhore o uso da IA ​​na sua própria vida

“Pense na IA como algo que passa por fases”, diz Mollick. Até pouco tempo atrás, estávamos na “fase dos chatbots: você pergunta algo à IA e ela lhe dá a resposta. É como uma busca no Google com esteroides”, afirma.

“Essa era está chegando ao fim, embora a maioria das pessoas não saiba disso”, diz ele. “Agora, vivemos um momento em que os agentes de IA são uma realidade e você pode delegar tarefas reais a eles. Eles preencherão formulários escolares, usarão seu computador, lerão seus e-mails e tomarão providências em seu nome.”

16. Como reagir quando um amigo é demitido...

Não envie uma mensagem genérica do tipo “Avise-me se eu puder ajudar!”. Em vez disso, ofereça apresentações a pessoas específicas da sua rede de contatos. Entre em contato mais de uma vez. Marque um café. “Deixe a pessoa falar”, diz Anna Tavis, executiva de RH com longa trajetória e atual chefe do departamento de gestão de capital humano da NYU. “Ajude-a a começar a pensar nos próximos passos.”

… e o que não dizer

A mensagem que deve ser evitada é aquela que minimiza a situação, sugerindo que isso não importa. Porque importa, diz Daniel Lozano, CEO da Kindworks.ai, uma empresa de software corporativo que busca promover a gentileza no ambiente de trabalho. Deixe claro que a demissão não foi culpa da pessoa. Lozano afirma que o ritmo das mudanças corporativas é tão acelerado que os cortes atuais, muitas vezes, não são pessoais.

17. Como controlar o ciúme quando um colega é contratado pela Anthropic antes do IPO

Só as faixas salariais anunciadas ultrapassam US$ 850.000 para alguns cargos na Anthropic — sem contar as participações acionárias oferecidas. Como lidar com aquele sentimento inevitável de inveja? Lembre-se de que esta provavelmente não é a sua única chance de ser contratado por um laboratório de ponta ou por uma empresa de tecnologia de grande destaque, diz Aline Lerner, CEO da Interviewing.io, uma plataforma de recrutamento na área de tecnologia. "Esta é apenas uma de uma série de oportunidades", afirma ela. A Anthropic e a OpenAI, observa Lerner, têm demonstrado tendência a contratar pessoas que já possuem conexões com as empresas. Ela defende a empatia em relação a quem não conta com esse tipo de rede de contatos. Para os profissionais qualificados para atuar em empresas de tecnologia de elite, é provável que existam muitas outras oportunidades atraentes à espera, diz ela. "Não acredito que essa seja uma situação de vida ou morte para a carreira."

18. Você tem o mesmo emprego há muito tempo? Renove-o.

Concentre-se em qualquer oportunidade de melhorar de forma inequívoca em algo valioso para o seu empregador, diz Cal Newport, professor de ciência da computação da Universidade de Georgetown e autor de "Deep Work". Repita esses esforços continuamente e encontre maneiras de dedicar mais parte do seu dia a essas tarefas.

Fazer isso bem abre oportunidades de ascensão e cria condições para você assumir o controle da sua vida profissional. E, segundo ele, alcançar a maestria traz realização pessoal.

19. Você deveria simplesmente pedir demissão?

NÃO.

A conta é simples: não faça isso. Não deixe um emprego antes de ter outro. É mais fácil conseguir um emprego quando você já tem um.

Se você está realmente irritado no trabalho, a melhor vingança é conseguir um emprego melhor, sair de forma elegante e viver uma vida excelente. Scott Galloway, professor clínico de marketing na Stern School of Business da NYU, empreendedor de mídia, podcaster e autor.

20. Sinalize que você quer uma mudança

"Se você trabalha para mim e eu não sei aonde você quer chegar, não tenho como ajudá-lo a chegar lá. Acho impressionante quantas pessoas não reservam um tempo para ter essa conversa", diz Guidara, o restaurateur.

Um alerta de Guidara: não faça isso na sua segunda semana de trabalho. Evite parecer impaciente ou alguém que se acha no direito de exigir algo. "Você precisa acompanhar a passagem das estações na função que ocupa antes de conquistar a possibilidade de crescer a partir dela."

21. Busque um feedback mais claro

Se você não consegue um novo emprego, o feedback pode ajudá-lo a identificar formas de se desenvolver e ir além. "Você deve fazer a pergunta de uma maneira muito específica", diz Kim Scott, consultora corporativa e ex-executiva do Google. Evite perguntas que possam ser respondidas apenas com "sim" ou "não". Uma pergunta de que ela gosta: "O que posso fazer para tornar mais fácil trabalhar comigo?"

22. Como saber se você corre risco de ser demitido

Determinar quem entra na lista de demissões é um processo notoriamente confuso e, geralmente, falho. Ainda assim, nos últimos anos, alguns padrões surgiram.

O seu grupo está sem recursos financeiros há algum tempo — um sinal de que os executivos estão priorizando outros departamentos? Seu trabalho concentra-se em coordenação ou análise — tarefas que os CEOs querem cada vez mais delegar à IA? Você trabalha em uma microequipe, com poucos subordinados diretos a um único gestor?

23. Destaque-se em um trabalho que você não ama

Arianna Huffington, Fundadora e CEO da Thrive Global

“Você encara a permanência em um trabalho que não ama de uma forma muito diferente quando não age a partir do medo e do desespero.”

24. A palavra final sobre como ter sucesso hoje

“Você precisa aprender a liderar por influência e ser um excelente membro de equipe. Acho que todos nós nos lembramos de trabalhos em grupo no ensino médio, na faculdade ou na pós-graduação, e de como uma ou duas pessoas sempre pareciam ser o motor desses grupos. Não apenas por saberem o que fazer, mas por saberem como impulsionar o projeto e carregar o time nas costas”, diz Jim Lanzone, CEO do Yahoo. “Isso é exatamente igual no ambiente de trabalho, independentemente de você estar em um nível júnior ou sênior. E essas pessoas são raras. Garanto a você: elas são muito conhecidas dentro da empresa, em todos os níveis, e não há um padrão comum em suas trajetórias. É uma questão de perfil e caráter. E essas pessoas tendem a ir muito longe.”


05 agosto 2026

O astro da matemática que tem pavor de IA — e acaba de aceitar um emprego na OpenAI

Jacob Tsimerman ganhou o maior prêmio da matemática. Agora, ele trabalha no problema mais importante de sua carreira.

Tsimerman walking onstage to receive the Fields Medal last week. 

Ao ganhar a Medalha Fields na semana passada, Jacob Tsimerman aceitou a honraria mais prestigiosa da matemática vestindo um smoking azul-claro com lapelas de cetim.

Em seguida, fez um anúncio tão marcante quanto seu smoking.

Após a cerimônia, perguntaram aos quatro matemáticos premiados quais eram seus planos para o futuro. Um disse que continuaria trabalhando com equações diferenciais parciais; outro afirmou querer experimentar com inteligência artificial; e uma terceira disse não ter a menor ideia. Restava Tsimerman.

"Vou assumir um cargo na OpenAI", disse ele.

A decisão foi, ao mesmo tempo, chocante e nada surpreendente. Trata-se de alguém que escreveu recentemente um artigo classificando as maneiras pelas quais a IA poderia exterminar a humanidade, aplicando o instinto matemático de busca por ordem ao cenário do apocalipse. Ele parou de aceitar alunos de pós-graduação que não se envolvessem com IA, pois não tinha certeza sobre o futuro da matemática. Chegou até a mudar seu foco, deixando de lado a teoria dos números e a geometria algébrica complexa.

Acontece que ele está tão preocupado com os perigos da IA ​​que agora está redirecionando seu trabalho para a segurança em IA.

O professor de destaque está se licenciando da Universidade de Toronto para atuar como pesquisador na OpenAI, mas Tsimerman não está abandonando a matemática.

Na verdade, ele quer utilizar a linguagem formal e os métodos de verificação de sua área para avançar no estudo da IA ​​— avaliando seu progresso, compreendendo a lógica por trás de suas decisões e certificando-se, de forma absoluta, de que ela não levará à nossa extinção.

As empresas na fronteira da IA, que buscam talentos de todos os tipos nas universidades, podem oferecer salários e opções de ações inimagináveis. Mas quem já conheceu um filósofo ou matemático sabe que eles não são motivados principalmente pelo dinheiro. Caso contrário, não seriam filósofos nem matemáticos.

Um dos maiores matemáticos de sua geração está trabalhando na segurança em IA porque acredita ser esse o problema mais importante que ele pode ajudar a resolver.

"Em poucos anos, os sistemas de IA terão um desempenho robustamente sobre-humano na prática da matemática", disse Tsimerman. “A consequência social disso, como escolhemos reagir, o que você sente a respeito — essas são questões muito mais difíceis.”

Por enquanto, ele está pensando em questões que está singularmente qualificado para responder.

Como podemos entender o que os sistemas de IA estão realmente fazendo? Como podemos fazer com que eles convivam bem entre si — e conosco? Como podemos provar matematicamente que eles não estão tramando secretamente a destruição da humanidade?

Matemáticos há muito utilizam suas ferramentas para compreender o comportamento humano. Tsimerman as utilizará para decifrar o comportamento das máquinas.

Sua trajetória até este momento começou muito antes de ele ganhar o “Nobel da matemática”. Tsimerman, de 38 anos, é filho de um cientista da computação e de uma professora de matemática do ensino médio. Nascido na Rússia, mudou-se para Israel ainda menino e cresceu no Canadá, onde conquistou duas medalhas de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática durante o ensino médio, antes de ingressar precocemente na Universidade de Toronto e concluir a graduação em dois anos. Obteve seu doutorado em Princeton, lecionou em Harvard e retornou à sua *alma mater* como o professor de matemática mais jovem da história da instituição.

Neste ponto de sua biografia, poderíamos falar sobre seu trabalho pioneiro nas conjecturas de André-Oort e de Griffiths sobre a algebricidade de imagens de aplicações de períodos e... bem, vamos seguir em frente.

Afinal, ele agora trabalha em questões que não exigem doutorado para serem compreendidas.

Durante a maior parte de sua carreira, Tsimerman via a IA com ceticismo. Ele sempre soube que esses sistemas se tornariam mais poderosos. "Mas, por muito tempo", disse ele, "eu nunca acreditei realmente que eles chegariam a esse nível de potência." Ele achava difícil acreditar que a IA pudesse replicar características que nos definem como humanos, como a intuição e a criatividade. Vários momentos na última década o forçaram a repensar essa ideia, e ele mudou de opinião completamente em 2022, assim que experimentou o ChatGPT.

"Se ela consegue falar sobre chocolate e escrever um poema", pensou ele, "por que não consegue falar sobre matemática e escrever equações?"

Essa epifania o levou a uma conclusão desconfortável: "Fiquei totalmente convencido de que elas se tornariam extremamente poderosas."

Logo, seu receio passou a ser o de que a IA se tornasse poderosa demais. No verão passado, ele publicou um artigo acadêmico imaginando vários cenários distópicos. O título era "Uma Taxonomia de Futuros Omnicidas Envolvendo Inteligência Artificial" — omnicida, no sentido de que todos morrem.

"Eliminados como pragas", escreve ele, "por máquinas intelectual e fisicamente superiores."

Ainda não chegamos a esse estágio da revolução da IA. Mas alcançamos um ponto em que famosas conjecturas matemáticas, que perduraram por décadas, parecem estar caindo dia após dia.

Essa fase começou quando a OpenAI revelou que um modelo ainda não lançado havia resolvido um problema de 80 anos. Ele conseguiu solucionar o problema da distância unitária não apenas por ser, talvez, mais inteligente que os humanos, mas também por conseguir raciocinar de forma coerente por muito mais tempo. Quando a empresa exibiu o raciocínio do modelo, a cadeia de pensamento ocupava 125 páginas. "Na página 12", disse Tsimerman, "eu já estaria com dor de cabeça."

O resultado seguinte, de deixar qualquer um atordoado, surgiu quando o modelo Fable, da Anthropic, encontrou um contraexemplo para a conjectura jacobiana — um problema notoriamente difícil que desafiava matemáticos há 87 anos. A descoberta foi relatada por um funcionário da Anthropic que possui doutorado em matemática e já havia ganhado o Prêmio Morgan como o melhor pesquisador de graduação dos Estados Unidos.

Por coincidência, seu orientador era Jacob Tsimerman.

Apesar desses avanços, Tsimerman ainda prefere desenvolver ideias à maneira humana. “Para mim, a diversão está em fazer pesquisa matemática à moda antiga: sozinho, diante de um quadro-negro”, disse ele. “Há muita diversão possível na interseção entre IA e matemática. Mas isso é algo de que ainda não aprendi a tirar proveito dessa forma.”

(A ideia de diversão dele também inclui algo que a IA ainda não domina: a comédia de improviso.)

Mas o giz não é sua única ferramenta para fazer matemática. A produtividade de Tsimerman aumentou porque ele está totalmente disposto a delegar as partes entediantes do trabalho à IA. Por exemplo, ele não precisa mais ler séculos de literatura acadêmica apenas para encontrar uma equação específica. “Artigos de matemática são muito difíceis de ler”, comentou.

Ganhadores da Medalha Fields: eles são como nós!

Ao contrário da maioria de nós, Tsimerman também consulta a IA enquanto escreve artigos matemáticos. Recentemente, ele pediu a um modelo que ajudasse a generalizar um de seus argumentos, e o modelo acabou apontando um erro nesse raciocínio. Ele corrigiu o erro. Mas foi a IA que o detectou.

“Se um dos meus colaboradores ou alunos tivesse feito isso, eu teria ficado muito impressionado”, disse ele. “É algo que ela não conseguia fazer no ano passado.”

Infelizmente, os modelos de IA conseguem fazer muitas coisas que antes pareciam impossíveis — como escapar de seus ambientes controlados (*sandboxes*) e invadir empresas.

Os recentes ataques envolvendo agentes da OpenAI e da Anthropic que saíram do controle parecem ter saído diretamente de um artigo sobre omnicídio. Eles também provam que matemáticos puros têm um papel importante a desempenhar na tarefa de domar a tecnologia mais poderosa e arriscada do nosso tempo.

“À medida que os sistemas de IA se tornam mais capazes, garantir que permaneçam seguros e se comportem conforme o esperado exigirá pesquisadores excepcionais e novas formas de pensar”, afirmou Kai Chen, pesquisador de alinhamento da IA ​​na OpenAI.

Com a conclusão do doutorado de seus últimos orientandos, aquele era um momento natural para Tsimerman dar um novo passo em sua própria trajetória. Ele não sabe ao certo quanto tempo ficará na OpenAI, quando voltará a dar aulas — ou quando terá a próxima oportunidade de usar seu smoking.

“Há poucas certezas ou decisões definitivas na minha vida agora”, disse ele.

Sua maior esperança é que a IA faça o que precisamos, deixando-nos livres para fazer o que gostamos. Perguntamos o que ele gostaria de fazer.

“Não me faltam coisas”, disse ele. “A matemática é uma delas.”


Fonte: Matéria publicada pelo WSJ em 31/07/2026.

30 julho 2026

A ascensão de empresas que faturam milhões com apenas um funcionário

No mundo do empreendedorismo, especialmente no das atartups, estão surgindo empresas sem nenhum funcionário. São aquelas que fazem parte de uma categoria de empreendedores que lançam — e muitas vezes administram — novas empresas sozinhos. Ferramentas de inteligência artificial respondem aos e-mails, ajudam a escrever e corrigir códigos de software, atendem a solicitações de clientes, cadastram novos assinantes e processam reembolsos quando surgem problemas.

De novo, sua maior concentração está no berço das grandes empresas de tecnologia ao longo do tempo, a Califórnia.

Antigamente, administrar um negócio de certo porte exigia uma equipe. A IA está virando essa premissa de cabeça para baixo, e cada vez mais aspirantes a empreendedores estão tocando o negócio sozinhos.

Uma das análises divulgada recentemente mostra que existem milhares de empreendedores individuais gerando mais de US$ 1 milhão em receita, com esse grupo dobrando de tamanho entre 2023 e 2025. O número de empreendedores individuais que ultrapassaram a marca de US$ 10 milhões quase triplicou nesse mesmo período.

A capacidade da IA ​​de lidar com diversas tarefas administrativas a torna potencialmente útil para lançar negócios individuais em muitas áreas. No entanto, a habilidade da tecnologia de também realizar tarefas fundamentais no setor de tecnologia, como a programação, faz desse campo um ponto de grande destaque.

Ao analisar dados do Censo dos EUA (Census Bureau), o economista Taylor Bowley, do Bank of America Institute, constatou que, entre todos os setores, os pedidos de abertura de novas empresas no setor de tecnologia de informação registraram o maior aumento percentual — quase 45% — no último ano. Ao mesmo tempo, a proporção de candidatos do setor que afirmam planejar a contratação de funcionários apresentou a queda mais acentuada entre todos os setores analisados.

Esses dados do Censo não rastreiam empresas operadas individualmente. No entanto, os números mostram, de modo geral — tanto no setor de tecnologia quanto fora dele —, que o número de novas iniciativas permanece estável entre empresas com maior probabilidade de contratar funcionários, mas cresce em outros segmentos. Economistas afirmam que esse é um forte indício de que o número de empreendedores individuais está em ascensão.

Contudo, empreender sozinho utilizando IA ainda pode sair surpreendentemente caro, por ter de se pagar um custo elevado pelo acesso ao Claude, da Anthropic, para processar as solicitações — essa empresa de IA, assim como outras, cobra com base no uso. Porém, esse cenário está sendo alterado desde que se passou a utilizar modelos de IA de código aberto e gratuitos provenientes da China.

Resta saber qual será o impacto dos negócios individuais no mercado de trabalho. Pesquisas indicam que os americanos temem que a IA substitua postos de trabalho, e economistas renomados também analisam essa possibilidade. No entanto, a IA também está criando muitos novos empregos, e os empreendedores que atuam sozinhos demonstram como a tecnologia pode, ao mesmo tempo, abrir portas e limitar oportunidades de emprego.

28 julho 2026

A presença da internet não garante inovação educacional

Como veremos a seguir, a presença da internet não garante inovação educacional. Faltam formação docente contínua, conteúdos adequados, metodologias corretas e, sobretudo, políticas públicas que priorizem o uso inteligente da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem.

Dados recentes do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 apontam que, apesar de 95,4% das escolas públicas terem acesso à internet, apenas 44,5% conseguem fazer uso pedagógico dela em sala de aula, o que demonstra a limitação da tecnologia nessas instituições brasileiras. Em outras palavras, conectamos escolas, embora muito tardiamente, mas ainda não conectamos o aprendizado ao potencial da tecnologia.

E nesse contexto é obrigatório lembrar que a IA não está deixando as pessoas mais inteligentes. Pode até estar deixando a ignorância mais bem escrita. Como já se percebe, a IA organiza informações. Mas ela não viveu a experiência, não conhece o contexto, não assume riscos e não responde pelas consequências de uma decisão. Ela entrega respostas. Quem precisa fazer as perguntas certas continuará sendo o ser humano. Estamos entrando em uma época em que escrever será cada vez menos um diferencial. A tecnologia mais poderosa do século XXI pode ampliar a inteligência humana. Mas também pode atrofiá-la, se passarmos a terceirizar nossa capacidade de refletir. A IA é uma excelente copiloto. O cérebro humano continua sendo o comandante. E esse é um cargo que não deveria ser delegado. Porém, para isto nossas escolas e seus ensinamentos devem melhorar muito e rapidamente para que se possa usufruir, com inteligência, da tecnologia que estar por vir, conforme descrito a seguir.

No mundo, já se ultrapassou o horizonte de eventos; a decolagem começou. A humanidade está prestes a construir uma superinteligência digital e, pelo menos até agora, isso é muito menos estranho do que se poderia imaginar.

Robôs ainda não estão andando pelas ruas, nem a maioria de nós passa o dia conversando com IAs. As pessoas ainda morrem de doenças, ainda não conseguimos ir ao espaço com facilidade e há muito sobre o universo que não compreendemos.

E, no entanto, recentemente já se construiu sistemas que são mais inteligentes do que os humanos em muitos aspectos e capazes de ampliar significativamente a produtividade de quem os utiliza. A parte mais difícil desse trabalho já ficou para trás; os avanços científicos que nos levaram a sistemas como o GPT-4  foram conquistados com muito esforço, mas nos levarão muito longe.

A IA contribuirá para o mundo de muitas maneiras, mas os ganhos na qualidade de vida — decorrentes de uma IA que impulsiona um progresso científico mais rápido e aumenta a produtividade — serão enormes; o futuro pode ser muito melhor do que o presente. O progresso científico é o maior motor do progresso geral; é extremamente empolgante pensar em quanto mais podemos alcançar.

Em certo sentido amplo, o ChatGPT já é mais poderoso do que qualquer ser humano que já viveu. Centenas de milhões de pessoas dependem dele diariamente para tarefas cada vez mais importantes; uma pequena nova capacidade pode gerar um impacto extremamente positivo, enquanto um pequeno desalinhamento, multiplicado por centenas de milhões de usuários, pode causar um impacto negativo significativo.

O ano de 2025 marcou a chegada de agentes capazes de realizar trabalho cognitivo real; a programação de computadores nunca mais será a mesma. É provável que 2026 traga sistemas capazes de gerar novos insights. Já 2027 poderá ver a chegada de robôs capazes de realizar tarefas no mundo físico.

Muito mais pessoas serão capazes de criar software e arte. No entanto, o mundo demanda muito mais de ambos, e os especialistas provavelmente continuarão sendo muito mais competentes do que os iniciantes, desde que adotem as novas ferramentas. De modo geral, a capacidade de uma pessoa realizar muito mais coisas em 2030 do que em 2020 representará uma mudança marcante — uma mudança da qual muitas pessoas saberão tirar proveito. Nos aspectos mais fundamentais, a década de 2030 talvez não seja radicalmente diferente. As pessoas continuarão amando suas famílias, expressando sua criatividade, jogando e nadando em lagos.

No entanto, em outros aspectos também cruciais, é provável que a década de 2030 seja drasticamente diferente de qualquer época anterior. Não sabemos até que ponto podemos superar a inteligência de nível humano, mas estamos prestes a descobrir.

Na década de 2030, a inteligência e a energia — isto é, as ideias e a capacidade de concretizá-las — tornar-se-ão extremamente abundantes. Esses dois fatores foram, por muito tempo, os principais limitadores do progresso humano; com inteligência e energia em abundância (e uma boa governança), podemos, teoricamente, obter qualquer outra coisa.

Já convivemos com uma inteligência digital incrível e, após um choque inicial, a maioria de nós já se acostumou a ela. Rapidamente, passamos do espanto com a capacidade de uma IA gerar um parágrafo bem escrito para a expectativa de quando ela poderá criar um romance inteiro; ou do espanto com diagnósticos médicos que salvam vidas para a expectativa de quando ela desenvolverá as curas; ou do espanto com a criação de um pequeno programa de computador para a expectativa de quando ela poderá criar uma empresa inteira. É assim que a singularidade funciona: maravilhas tornam-se rotina e, depois, requisitos básicos.

Já ouvimos cientistas relatarem que são duas ou três vezes mais produtivos do que eram antes da IA. A IA avançada é interessante por muitos motivos, mas talvez nada seja tão significativo quanto o fato de podermos utilizá-la para acelerar a própria pesquisa em IA. Poderemos descobrir novos substratos computacionais, algoritmos melhores e, quem sabe, o que mais. Se conseguirmos realizar o equivalente a uma década de pesquisas em apenas um ano — ou um mês —, o ritmo de progresso será, obviamente, muito diferente.

Daqui para a frente, as ferramentas que já foram construídas nos ajudarão a obter novos insights científicos e a criar sistemas de IA ainda melhores. É claro que isso não equivale a um sistema de IA atualizando seu próprio código de forma totalmente autônoma; ainda assim, trata-se de uma versão embrionária de autoaperfeiçoamento recursivo.

Há outros ciclos de retroalimentação em ação. A criação de valor econômico desencadeou um efeito de impulso (ou "volante") na expansão cumulativa da infraestrutura necessária para operar esses sistemas de IA cada vez mais poderosos. E robôs capazes de construir outros robôs (e, em certo sentido, centros de dados capazes de construir outros centros de dados) não estão tão distantes assim.

Se tivermos de produzir o primeiro milhão de robôs humanoides pelo método tradicional, mas eles passarem a operar toda a cadeia de suprimentos — extraindo e refinando minérios, dirigindo caminhões, operando fábricas, etc. — para construir mais robôs, que por sua vez podem construir mais instalações de fabricação de chips, centros de dados, etc., então o ritmo de progresso será, obviamente, bem diferente.

À medida que a produção de centros de dados se torna automatizada, o custo da inteligência deve, com o tempo, convergir para um valor próximo ao custo da eletricidade. (As pessoas costumam ter curiosidade sobre quanta energia uma consulta ao ChatGPT consome. A consulta média consome cerca de 0,34 watt-hora — aproximadamente o que um forno consumiria em pouco mais de um segundo, ou o que uma lâmpada de alta eficiência consumiria em alguns minutos. Também consome cerca de 0,000085 galões de água; mais ou menos um quinze avos de uma colher de chá).

O ritmo do progresso tecnológico continuará a acelerar, e as pessoas continuarão sendo capazes de se adaptar a quase tudo. Haverá aspectos muito difíceis, como o desaparecimento de categorias inteiras de empregos; por outro lado, o mundo ficará tão mais rico e tão rapidamente que poderemos considerar seriamente novas ideias de políticas públicas que antes eram inviáveis. Provavelmente não adotaremos um novo contrato social de uma só vez, mas, ao olharmos para trás daqui a algumas décadas, veremos que as mudanças graduais terão resultado em algo grandioso.

Se a história servir de referência, descobriremos novas atividades e novos desejos, além de assimilar rapidamente novas ferramentas (a mudança nos empregos após a Revolução Industrial é um bom exemplo recente). As expectativas aumentarão, mas a nossa capacidade crescerá com a mesma rapidez, e todos nós teremos acesso a coisas melhores. Construiremos coisas cada vez mais maravilhosas uns para os outros. As pessoas possuem uma vantagem importante e curiosa, a longo prazo, em relação à IA: somos biologicamente programados para nos importar com outras pessoas e com o que elas pensam e fazem, ao passo que não damos tanta importância às máquinas.

Um agricultor de subsistência de mil anos atrás olharia para o que muitos de nós fazemos e diria que temos empregos de fachada, pensando que estamos apenas brincando para nos entreter, já que temos comida em abundância e luxos inimagináveis. Espero que olhemos para os empregos de daqui a mil anos e os consideremos também "empregos de fachada", embora não tenhamos dúvidas de que, para quem os exerce, eles parecerão incrivelmente importantes e gratificantes.

O ritmo de novas conquistas maravilhosas será imenso. É difícil até imaginar hoje o que teremos descoberto até 2035; talvez passemos da resolução de questões de física de altas energias em um ano para o início da colonização espacial no ano seguinte, ou de um grande avanço na ciência dos materiais em um ano para interfaces cérebro-máquina de alta largura de banda no ano seguinte. Muitas pessoas optarão por viver suas vidas praticamente da mesma maneira, mas pelo menos algumas provavelmente decidirão se "conectar".

Ao olhar para o futuro, é difícil assimilar essa ideia. No entanto, vivenciá-la provavelmente parecerá algo impressionante, porém administrável. De uma perspectiva relativística, a singularidade ocorre gradualmente, e a fusão acontece lentamente. Estamos percorrendo a longa trajetória do progresso tecnológico exponencial; ele sempre parece vertical quando olhamos para a frente e plano quando olhamos para trás, mas trata-se de uma curva contínua. (Pense em 2020 e em como soaria a ideia de ter algo próximo de uma IAG até 2025, em comparação com o que foram, de fato, os últimos cinco anos.)

Há desafios sérios a enfrentar, juntamente com os enormes benefícios. Precisamos resolver as questões de segurança, tanto do ponto de vista técnico quanto social; além disso, é fundamental garantir uma ampla distribuição do acesso à superinteligência, dadas as suas implicações econômicas. O melhor caminho a seguir talvez seja algo como:

Resolver o problema do alinhamento — ou seja, garantir de forma robusta que os sistemas de IA aprendam e ajam em prol daquilo que nós, coletivamente, realmente desejamos a longo prazo (os feeds de redes sociais são um exemplo de IA desalinhada: os algoritmos que os sustentam são incrivelmente eficazes em fazer você continuar rolando a tela e compreendem claramente suas preferências de curto prazo, mas fazem isso explorando algo em seu cérebro que se sobrepõe às suas preferências de longo prazo).

Em seguida, focar em tornar a superinteligência barata, amplamente disponível e não excessivamente concentrada nas mãos de uma única pessoa, empresa ou país. A sociedade é resiliente, criativa e capaz de se adaptar rapidamente. Se conseguirmos canalizar a vontade e a sabedoria coletivas das pessoas, então — embora cometamos muitos erros e algumas coisas deem muito errado — aprenderemos e nos adaptaremos rapidamente, sendo capazes de utilizar essa tecnologia para obter o máximo de benefícios e o mínimo de efeitos negativos. Oferecer muita liberdade aos usuários, dentro de parâmetros amplos definidos pela sociedade, parece algo muito importante. Quanto mais cedo o mundo iniciar uma discussão sobre quais são esses parâmetros amplos e como definimos o alinhamento coletivo, melhor.

27 julho 2026

IA: Bloomberg contra Bernie. O ex-prefeito de Nova York enfrenta novamente o senador comunista


Em momentos anteriores, Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, desmentiu involuntariamente a alegação do senador Bernie Sanders - o americano mais comunista, de que bilionários podem comprar as eleições americanas. Portanto, o ex-prefeito de Nova York certamente teve seus momentos de destaque.

E agora ele retorna para contestar outra proposta destrutiva de Sanders que, tragicamente, atraiu apoio bipartidário. "IA de Propriedade Estatal é uma Ideia Terrível", diz uma manchete muito bem-vinda. Michael Bloomberg escreve esta semana para o veículo de mídia que leva seu nome:

No esforço para regulamentar a inteligência artificial, uma ideia perigosa ganha força em Washington: conceder ao governo participações acionárias nas maiores empresas de IA. Ambos os partidos vislumbram ganhos financeiros imediatos. Nenhum deles pensa a longo prazo. Em algum lugar, Karl Marx está sorrindo.

Não surpreende que o senador socialista de Vermont queira exigir que os grandes laboratórios de IA cedam 50% de seu capital a um "fundo soberano", mas o presidente Trump também parece apreciar o conceito, afirmando que seria "algo maravilhoso" se o governo adquirisse participação acionária em empresas de IA. Democratas e Republicanos têm feito poucas críticas aos seus correligionários, aumentando a probabilidade de que alguma versão dessa ideia terrível se concretize.

Bloomberg delineia as razões pelas quais a propriedade estatal é sempre uma má ideia:

Quando o governo se torna acionista de uma entidade do setor privado, os efeitos positivos da concorrência de mercado podem ser comprometidos. A política se sobrepõe aos lucros, o favoritismo e o clientelismo criam raízes, a inovação sofre, a competitividade se desgasta e a regulamentação é corrompida.

Em vez de uma meritocracia onde os melhores produtos e serviços competem para vencer, o mercado transforma-se em um conluio de bastidores, onde o sucesso é determinado por conexões políticas, orçamentos de lobby e considerações eleitorais — fatores que corrompem decisões regulatórias, sufocam a concorrência e inibem a inovação. E quanto mais dinheiro dos contribuintes estiver em jogo, maiores serão os incentivos para que as empresas optem por decisões politicamente seguras, em vez de assumir riscos que poderiam gerar grandes recompensas.

Como se tudo isso não bastasse: quando as empresas se tornam grandes e inchadas demais para quebrar, o público arcará com a conta dos resgates financeiros.

Ele então explica por que a participação do governo em empresas de inteligência artificial seria particularmente destrutiva:

As empresas americanas de IA tornaram-se a inveja do mundo porque conseguiram experimentar com agilidade, testar ideias ousadas, tolerar falhas e buscar objetivos ambiciosos sem interferência indevida do governo. O fato de o governo federal já deter participação em diversas empresas de tecnologia de variados setores não significa que ele deva ampliar essa lista. A justificativa para esses acordos tem variado — fortalecer cadeias de suprimentos, proteger a segurança nacional, garantir uma "fatia do negócio" —, mas todas elas são equivocadas. E, no caso da IA, os riscos associados a esses arranjos será amplificado de forma significativa.

Considere o fato de que as empresas de IA são, muitas vezes, plataformas de expressão. Além das preocupações com censura ou vigilância, é alarmantemente alta a probabilidade de que a política comece a contaminar as respostas geradas pela IA. Defensores da liberdade de expressão estão, com razão, soando o alerta sobre o controle governamental.

Qualquer que seja a visão que se tenha da actual administração, a possibilidade de o governo ditar e distorcer os resultados da IA ​​– informação, dados e o próprio conhecimento – deveria causar arrepios na espinha. O potencial para propaganda faria George Orwell corar. E quanto mais capaz a IA se tornar, mais preocupante será essa possibilidade.

Para ser mais claro: a Casa Branca está a considerar conceder ao governo novos e enormes poderes, assumindo um papel de propriedade em empresas que poderão muito bem moldar o futuro da tecnologia, da ciência, da educação, da guerra, das comunicações e de muito mais – pondo em perigo não apenas a economia da nação, mas também a nossa liberdade e democracia.

Sanders é um ideólogo que não permitiu que nem mesmo a queda do império soviético alterasse as suas opiniões, por isso não há hipótese de que esteja disposto a considerar um argumento convincente. Mas esperemos que Trump abandone esta ideia horrível.

Quanto a Bloomberg, muitos nova-iorquinos certamente se perguntarão se ele consideraria outra candidatura a prefeito.