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05 março 2025

Filme "Ainda estou aqui" provoca enfrentamento entre lideranças da esquerda


    A disputa está em dizer quem é o "pai da criança", provocando ciumeiras entre a Fundação FHC e Dilma Rousseff, após esta afirmar que ela foi quem criou a comissão que investigou a história de Rubens Paiva. Porém, a FHC diz que a ação ocorreu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

    No Instagram a petista afirmou: 

“É motivo de orgulho saber que a história de Rubens Paiva e de sua família — especialmente a busca incansável de Eunice Paiva pela verdade e pela justiça — pôde ser contada graças ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que criei durante meu governo para investigar os crimes da ditadura.”

    A Fundação FHC reconheceu o trabalho da Comissão, mas destacou que, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, já foram adotadas medidas significativas para tratar dos crimes cometidos pelo Estado durante o regime militar entre 1964 e 1985. A Fundação afirmou que, durante o governo de FHC, em 1996, foi emitida a certidão de óbito de Rubens Paiva, ao reconhecer o sequestro, a tortura e o assassinato que ele sofreu.

    Tal episódio é só mais um exemplo de como opera o mundo comunista. Registra a história que Lênin, Trotsky e Stálin praticaram atos similares e nunca contaram a verdade. Essa cartilha foi fielmente copiada pela esquerda brasileira tendo como um de seus intérpretes FHC, nos seus tempos de professor de sociologia na USP, desde 1953, quando ainda era muito jovem. Nessa mesma época, FHC foi também secretário da revista "Problemas", do Partido Comunista.

    É bom lembrar ainda, que a Lei da Anistia assinada pelo presidente João Figueiredo, em 28/08/1979, concedia a todos que cometeram crimes políticos, eleitorais e aos que tiveram os seu direitos políticos suspensos, a anistia ampla e irrestrita. Proporcionava também, a todos os brasileiros que direta ou indiretamente haviam participado de movimento subversivo e da luta armada, aos banidos e aos que se exilaram voluntariamente, fugindo do País, o direito de retorno ao Brasil, além da extinção dos processos a que estavam respondendo.

    Excetuavam-se desses benefícios os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentados pessoais entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979.

    A anistia beneficiou além de 230 banidos exilados, 4.522 que se auto-exilaram, para escaparem de processos por subversão. A estes se juntaram 52 outras pessoas que estavam presas, das quais 17 libertadas imediatamente e 35 depois uma análise mais detalhada de seus processos.

    Além disso, o artigo 11 da Lei diz textualmente:

"Essa Lei, além dos direitos nela expressos, não gera quaisquer outros, inclusive aqueles relativos a vencimentos, soldos, salários, proventos, restituições atrasadas, indenizações, promoções, ou ressarcimentos."

    Como estamos vendo já de algum tempo para cá, ou melhor, desde que FHC assumiu o poder, não foi o que a Lei previa o que aconteceu. A Lei tornou-se via de mão única em direção às esquerdas e aos esquerdistas vencidos na luta ideológica. Não se tornou conquista do povo brasileiro, como sonharam os seus formuladores, mas instrumento de revanchismo imoral.

    Já em agosto de 1995, portanto após poucos meses de chegar ao poder, FHC enviou ao Congresso um projeto de lei que foi aprovado no dia 04/12/1995, estabelecendo condições para indenizações financeiras aos familiares dos desaparecidos políticos. Na sequência diversos outros instrumentos legais foram estabelecidos, culminando com a aprovação da Lei 2.599 em 13 de novembro de 2002, últimos dias do governo FHC, que beneficiava qualquer cidadão brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Esse tipo de gastança só fez aumentar durante os anos seguintes de governos do PT pagando quantias cada vez mais elevadas, cujos beneficiários começaram a ser denominados de cidadãos de primeira classe. Um dos beneficiários por muito tempo - enquanto prestava seus "serviços"-  era conhecido como Hanák, cuja biografia resumida está descrita aqui.

    Aos cidadãos de segunda classe, brasileiros que imolados por terem atravessado o caminho de terroristas que não tinham escrúpulos em matar pela "causa", nenhum benefício tem sido concedido. O que se sabe é que desde a chegada de FHC ao Planalto, muitos de seus algozes estão encastelados no poder sem lembrar o mal que fizeram aos mais de 100 familiares que tiveram os seus entes queridos mortos e a outras mais de 300 que ficaram feridas com gravidade. Considerando apenas o período 1964-1974, a primeira morte ocorreu depois da explosão de uma bomba no Rio de Janeiro, em 12/11/1964 e o último (120⁰) por assassinato de um PM ao tentar prender terroristas em São Paulo, em 10/04/1974.

    Por fim, sobre Rubens Paiva, recomenda-se a leitura do artigo de Braulio Fores - Rubens Paiva o mártir que matou muita gente - disponível através deste link.

07 janeiro 2022

BRASIL SE LIVROU DE UMA DÍVIDA DE R$ 2 BILHÕES

    Neste início de ano, o governo se livrou de uma dívida de R$ 2 bilhões envolvendo o trem-bala. Isso porque o “Superior Tribunal de Justiça” da Itália reverteu duas decisões contra a União em uma disputa com a empresa Italplan Engineering.


    Embora tenha ficado conhecido no governo Dilma, a ideia de construir um trem-bala, aquele que estaria pronto para ligar São Paulo ao Rio já na Copa de 2014, começou na gestão Lula, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento.

    A companhia estrangeira cobrava em torno de € 260 milhões, mais juros e custos judiciais, desde o início da década passada. A Italplan apontava a União como “devedora solidária” e quase bloqueou contas do governo na Itália.

    Como prevê a lei brasileira de concessões, os gastos da Italplan com a elaboração do anteprojeto original seriam eventualmente reembolsados pelo consórcio vencedor da disputa — caso tivesse havido algum. A empresa italiana levou o caso à Justiça.

    Publicado pelo Tesouro Nacional em setembro, um balanço acerca de riscos fiscais com demandas judiciais e precatórios indicava prejuízo potencial de R$ 2,17 bilhões com o processo do trem-bala para a União.


31 outubro 2021

ELEIÇÕES DE CHÁVEZ E MADURO SOB O COMANDO DE LULA

Leonardo Coutinho, em seu livro "Hugo Chávez - o espectro", nos traz, de forma eloquente e estruturada, fatos que aconteceram na Venezuela, nas últimas décadas. Entre eles está o círculo de amizade dos presidentes Hugo Chávez e Nicolás Maduro com Lula. Abaixo cópia, na íntegra, das páginas 74 a 76, (livro capa dura) sobre o ocorrido no ano de 2011. Em posts anteriores o leitor poderá encontrar resumos de outras partes do livro já publicadas neste Blog. Estão acessíveis após cliques nos seguintes títulos:  Lula e Dilma sob as ordens de Chávez e  Narcobolivarianismo visitou o Brasil.

Boa leitura.

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O então embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arvelaiz, e Lula
no funeral de Hugo Chávez, 2013. Foto de Ricardo Stuckert/Instituto Lula
 

Em fevereiro de 2011, um ano e nove meses antes das eleições que viriam a reeleger Hugo Chávez para seu terceiro mandato, o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, convocou o então embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, para traçar uma estratégia com vistas a resolver um problema que vinha tirando-lhe o sono.

 – Eu durmo tranquilo porque sei que Chávez está ali [na presidência], mas também, às vezes, perco o sono pensando que Chávez poderia perder as eleições de dezembro de 2012. 

O relato da conversa está em um telegrama diplomático enviado por Arveláiz a seu chefe, o então chanceler Nicolás Maduro. O documento descreve um encontro reservado no qual Lula, que havia deixado a presidência menos de dois meses antes, traçou sua estratégia para ajudar Chávez a vencer as eleições. Naquele momento, o brasileiro esbanjava confiança. Ainda tinha o gosto da vitória pessoal que fora eleger Dilma Rousseff como sua sucessora, para o terceiro mandato consecutivo do Partido dos Trabalhadores e, de certa forma do próprio Lula, pois ele se considerava o único responsável por construir – contra todos os prognósticos e o próprio partido – a candidatura vitoriosa de Dilma. 

Arveláiz relata que, para Lula, “uma derrota de Chávez em 2012 seria igual ou pior que a queda do Muro de Berlim”. O ex-presidente sugeriu a criação de um comando de campanha sediado no Brasil que ele coordenaria pessoalmente, ao lado de José Dirceu. Como peça central de sua estratégia, Lula enviaria para Caracas o publicitário João Santana, que havia comandado sua campanha à reeleição em 2006 e a vitória de Dilma em 2010. Meses depois, Lula foi pessoalmente à Venezuela para tratar dos detalhes de seu apoio. Em 2012, João Santana foi quem assinou a campanha do chavista e posteriormente a de Nicolás Maduro, que disputou a presidência após a morte de Hugo Chávez. 

Os detalhes da operação desenhada por Lula só se tornaram conhecidos cinco anos depois, como resultado da Operação Lava-Jato – uma das maiores investigações de crimes de corrupção realizadas na história do Brasil. A mulher de João Santana, e também sua sócia, Mônica Moura, assinou um acordo de colaboração com a Justiça brasileira, por meio do qual revelou, entre vários crimes cometidos em uma série de países da América Latina, como foi sua atuação, bem como a do marido, nas eleições presidenciais na Venezuela. 

Mônica disse aos procuradores federais brasileiros que ambos foram trabalhar nas campanhas venezuelanas por meio de um arranjo coordenado pelo ex-presidente Lula. Segundo ela, o próprio Lula foi quem fez a intermediação do “contrato” com os chavistas, e ao fim se estabeleceu, com um aperto de mãos apenas, que seriam pagos 35 milhões de dólares para João Santana, integralmente por meio de caixa dois. O acerto foi definido com Nicolás Maduro, que havia sido indicado por Chávez para negociar com os brasileiros. Lula e Maduro definiram que parte da conta apresentada por Santana seria paga por empreiteiras brasileiras com contratos na Venezuela. A Odebrecht pagaria 7 milhões de dólares, enquanto a Andrade Gutierrez teria que contribuir com 4 milhões de dólares. 

Para as autoridades brasileiras, Mônica afirmou que Nicolás Maduro repassou-lhe, diretamente, 11 milhões de dólares, em uma série de malas de dinheiro que ela ia buscar pessoalmente na sede da chancelaria venezuelana e, às vezes, no Palácio de Miraflores. Semanalmente, Maduro entregava-lhe malas com valores que variavam de 300 mil a 500 mil dólares. Em um desses encontros, segundo afirma Mônica, foram entregues, de uma só vez, 800 mil dólares. Como havia um grande risco em se transitar com milhares de dólares em cash pelas ruas de Caracas, Maduro oferecia-lhe proteção equivalente à que ele próprio utilizava. 

– Sabe o que ele fazia? Ele mandava me buscar com o carro dele, carro blindado, carro preto daquelas caminhonetes de roqueiro americano, de funkeiro americano, sei lá, rapper americano, com mais dois carros, um na frente e outro atrás, me levava para a chancelaria, entrava pela garagem. Os seguranças subiam comigo para a sala dele, eu ficava lá esperando, tomando muito chá de cadeira do Maduro. Eles não têm o menor compromisso com horário. Depois, ele me chamava na sala dele, conversava um pouquinho, conversa fiada de política e depois me entregava o dinheiro. Ele próprio, não mandava ninguém me entregar. Ele entregava. Depois eu descia com o segurança dele, os seguranças, para a mesma garagem. O carro estava me esperando, ele levava até o hotel de volta. 

Depois que Maduro e Lula definiram a atuação de João Santana na campanha, os arranjos para a arrecadação do dinheiro junto às empreiteiras brasileiras ficaram sob a responsabilidade do então embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, e de um dos líderes do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro de Lula, José Dirceu. Mônica Moura afirmou que Arveláiz era o “articulador” da campanha de Chávez, por causa de sua “boa relação” com as construtoras e com a cúpula do PT. 

Segundo a empresária Mônica Moura, apenas a Odebrecht – entre todos os que participaram do “consórcio” montado por Chávez e Lula e administrado por Arveláiz – pagou integralmente o combinado. A empresária revelou que, dos 35 milhões previamente combinados, apenas 20 milhões foram efetivamente pagos. A Odebrecht entregou à empresa de João Santana os 7 milhões de dólares previstos. O pagamento foi realizado no exterior por meio de contas e empresas offshore. Dos quatro milhões de dólares prometidos pela Andrade Gutierrez, apenas metade foi entregue. Os 11 milhões de dólares que Nicolás Maduro fez questão de entregar pessoalmente a Mônica Moura tem origem – conforme suspeitam ex-chavistas no exílio – somente em duas possíveis fontes: a corrupção e o narcotráfico.



24 outubro 2021

LULA E DILMA SOB AS ORDENS DE CHÁVEZ

"Na trilha do dinheiro de Chávez: dois presos com muito a revelar",  é o título de uma matéria da Veja, publicada esta semana, 20/10/2021, que pode ser lida através deste link, na qual se comenta a prisão de ex-colaboradores do regime chavista.

A matéria aponta que um deles é Alex Saab empresário colombiano que se tornou uma figura importante nos subterrâneos do chavismo, e foi deportado de Cabo Verde para os Estados Unidos no sábado passado. Outro é Hugo Carvajal, considerado um dos mais importantes operadores da rede de narcotráfico na Venezuela, ex-chefe do serviço militar de inteligência, que caiu numa armadilha feita por seus próprios colegas e teve que fugir da Venezuela depois de declarar apoio ao oposicionista Juan Guaidó. Carvajal era o “espião dos espiões”, o homem encarregado por Chávez de ficar de olho no seu entorno mais próximo, principalmente os líderes militares que juravam lealdade e poderiam traí-lo.

A reportagem selecionou, sob sua ótica, o trecho mais significativo que o Carvajal entregou à justiça:  

... “Enquanto fui diretor de Inteligência e Contrainteligência Militar da Venezuela, recebi uma grande quantidade de informes assinalando que o financiamento internacional estava ocorrendo”. ...

... “Exemplos concretos são: Néstor Kirchner na Argentina, Evo Morales na Bolívia, Lula da Silva no Brasil, Fernando Lugo no Paraguai, Ollanta Humala no Peru, Zelaya em Honduras, Gustavo Petro na Colômbia, Movimento Cinco Estrelas na Itália e Podemos na Espanha. Todos estes foram registrados como receptores de dinheiro enviado pelo governo venezuelano”. 

Em seguida traz outras informações que tentam demonstrar um pouco o caminho dessas operações, com "portos" em vários países do mundo.

Tais revelações não são novidades e muitas delas já foram publicadas pela Veja em seus velhos e gloriosos tempos de uma imprensa com letra maíuscula, e não as minúsculas dos tempos atuais.

Esses registros também podem ser encontrados no livro "Hugo Chávez: o espectro", publicado em janeiro de 2018, de Leonardo Coutinho, jornalista há mais de 20 anos, dezessete deles na revista Veja. O livro mostra, detalhadamente, como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global, com pretensões que iam muito além da América Latina.

O livro nos conta que em entrevista concedida ao próprio Leonardo, em 01/08/2015, em Washington, DC, um exilado venezuelano, ex-executivo da PDVSA, reafirmou que dezenas de malas de dinheiro "desceram da Venezuela" rumo ao sul. Segundo ele, "esse dinheiro foi utilizado por chavistas para patrocinarem as campanhas de Evo Morales, na Bolivia, Pepe Mujica, no Uruguai, Fernando Lugo, no Paraguai, e Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil", p. 42, livro capa dura.

E por falar em eleições, Leonardo confirma (p. 40), o que os brasileiros souberam durante as eleições de 2012 e 2014 no Brasil. Trata-se das impressões digitais deixadas pela empresa Smartmatic nessas eleições. A Smartmatic foi contratada pelo TSE para cuidar da atualização do software utilizado nas urnas eletrônicas e prover tecnologia para transferência de dados. A Smartmatic é umbilicalmente ligada ao chavismo. Sua criação contou com o financiamento secreto do governo venezuelano e é a responsável pelas eleições venezuelanas.

Em todos os capítulos do livro, há fatos que conectam o Brasil e a Venezuela durante os treze anos de governo petista. Contudo, sua última parte, seu posfácio - E o Brasil com isso? - é dedicado ao nosso País, p. 183-94. Resumiremos a seguir três de seus seis subtítulos: " Sob as ordens de Chávez" -  "O Brasil bolivariano" - "Affair totalitário".

Sob as ordens de Chávez

Foi por meio da Lava Jato que se pôde ver as bizarras relações que o Brasil estabeleceu com os governos bolivarianos. Emilio Odebrecht revelou os bastidores de como Chávez lhe encomendou a construção do porto de Mariel, em Cuba, para ajudar o regime dos irmãos Castro. Segundo Emílio, bastou uma ligação de Chávez para Lula.

E assim foi feito. Lula interveio junto ao BNDES para conceder empréstimos que somaram US$ 682 milhões. Para se liberar o financiamento, foram negligenciados vários pareceres técnicos desfavoráveis. Emílio disse aos procuradores da Lava Jato que, em condições normais, nem o BNDES, nem a Odebrecht entrariam no negócio. Como se tratava de uma operação totalmente atípica, o contrato foi classificado como secreto até o ano 2027.

Contudo, os delírios de Chávez com a cumplicidade de Lula iam mais longe. Atingiram proporções superlativas e nada se iguala ao prejuízo, causado ao Brasil, pela construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Projetada ao custo de US$ 2,5 bilhões em 2005, só chegou a ser inaugurada em 2017,  sem estar concluída, tendo custado US$ 20,1 bilhões, sem nenhum investimento venezuelano como incialmente previsto e produzindo apenas 110 mil barris diários, menos da metade dos 230 mil para os quais fora projetada. Para se ter uma idéia comparativa, no mundo a maior refinaria está na India, com processamento de 1,2 bilhão de barris/dia e consumiu US$ 30 bilhões. Em valores proporcionais custou sete vezes menos que o projeto chavista.

O Brasil bolivariano

Os bilhões de dólares torrados pelo Brasil na aventura bolivariana do chavismo se tornaram ínfimos diante do prejuízo institucional. Em junho de 2011, após seis meses de ter assumido o Planalto, Dilma Rousseff recebeu a visita de Chávez. Dilma não esperou um minuto para dizer ao colega que não se preocupasse. Lula tinha ido embora, mas com ela seguia tudo igual.

Dilma lhe informou que estava "trabalhando" o Congresso do Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul. Como moeda de troca, Dilma submeteu ao Congresso brasileiro um projeto de reajuste de 200% do valor pago pelo Brasil pelo excedente de energia gerada em Itaipu pelo Paraguai. Dilma fez subir de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões o custo da aquisição do excedente de energia. Mas o plano de Dilma fracassou: os senadores do Paraguai agradeceram o presente e rejeitaram o pedido de autorização de admissão da  Venezuela no Mercosul.

Dilma e Chávez perderam também a próxima batalha travada no Paraguai ao tentarem impedir o impeachment do presidente Fernando Lugo. Contudo não desistiram e planejaram um castigo a ser aplicado ao Paraguai. Alegando rompimento democrático no país vizinho, Dilma, em conluio com a Cristina Kirchner, pediu a expulsão do Paraguai do Mercosul. Conseguiu a suspensão ao conquistar os votos da Argentina e do Uruguai.

Affair totalitário

... "Em 2010, sob o pretexto de "defesa dos direitos humanos", o governo Lula tentou emplacar uma lei de meios que foi interpretada pelo setor como uma medida que restringiria a liberdade de imprensa. O aparelhamento da máquina estatal chegou a contar com mais de 107 mil funcionários ocupando cargos sem concurso público. FHC deixou o governo em 2003 com menos de 19 mil servidores nessa situação. No episódio do Mensalão, na falta de uma base política, comprou-se uma."...

... "Apesar disso em treze anos de governos definidos como de esquerda, nenhuma dessas medidas prosperou, mas elas tiveram efeito sobre a percepção do que seja autoritarismo para os brasileiros. Por mais paradoxal que pareça, o mesmo Brasil que flerta com modelos ditatoriais tem aversão a eles. Os mesmos 23% da população que se dizem favoráveis a um governo militar são aqueles que também rejeitam o avanço do totalitarismo da esquerda. Boa parte dos eleitores que abominam movimentos e candidatos que pregam as virtudes do regime militar são aqueles que toleram e justificam os crimes e os desmandos da esquerda. O que sugere que ambos os polos do espectro político brasileiro tolerariam uma inflexão ao totalitarismo. Cada um deles conforme a sua preferência política." ...

... "O Brasil jamais precisou ser uma cópia exata do vizinho para reproduzir alguns de seus exemplos mais sinistros. Este por sinal foi o legado de Chávez também para o Brasil. Ele está presente, mesmo quando não pode ser visto. Este é o seu espectro."



20 setembro 2016

O CRETINISMO PARLAMENTAR

    Após a divulgação de um projeto, forjado na calada da noite, para anistiar os políticos envolvidos com o crime do caixa 2 nas campanhas eleitorais e em seguida abortado, o Senador Aloysio Nunes, do PSDB-SP, publicou em sua conta no Twitter: "A Câmara quase sucumbiu à doença identificada por Marx no livro sobre Napoleão III: o cretinismo parlamentar".

    O fato mostra que os parlamentares brasileiros não se vacinaram contra essa doença. Muito ao contrário, ela tem se manifestado com frequencia. Os que dela padecem são muitos e estão presentes em praticamente todos os partidos.

    Entretanto, o Senador Aloysio Nunes se esqueceu, ou não quis citar, que o Senado não está imune à doença.

    Não faz muito tempo, há apenas quinze dias, por ocasião da votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o Brasil e o mundo foram surpreendidos por uma maracutaia, promovida nos bastidores, tendo como líder o presidente do Senado e a aquiescência do presidente do Supremo Tribunal Federal, resultando na não aplicação da pena prevista na Constituição Federal para presidentes que são condenados por crime de responsabilidade.

    De novo, conforme noticiou a Folha de São Paulo, nessa nova maracutaia houve também a participação do presidente do Senado, segundo relato de alguns deputados e senadores, mas negado por ele.


    A pergunta que não quer calar é quando os hospedeiros das epidemias políticas brasileiras, do cretinismo parlamentar, deixarão a vida pública e passarão a ver o sol nascendo quadrado ?

01 setembro 2016

PÁGINA - QUASE - VIRADA

    Após nove meses de tramitação no Congresso chegou-se ao final do processo de impeachment da Presidente da República iniciado em dezembro de 2015.

    Durante todo esse período, o País pode saborear o gosto da democracia ao assistir o cumprimento do estabelecido em sua Carta Magna de 1988, a Constituição Cidadã, e respectiva legislação infraconstitucional, especialmente no que refere ao direito de defesa da acusada por crimes de responsabilidade.

    Por 61 votos a 20, o Senado condenou a presidente Dilma Roussef pelos crimes de responsabilidade cometidos em 2015, tendo como consequência imediata a perda de seu mandato. Essa cassação interrompe o ciclo de 13 anos do PT no poder, com suas principais lideranças abaladas e envolvidas em crimes das mais variadas naturezas, especialmente no âmbito da Operação Lava Jato.

    Entretanto, as comemorações desse resultado ocorreu sem brilho, pois, na sessão final de votação do impeachment, o Brasil foi surpreendido por uma maracutaia promovida nos bastidores tendo como líder o presidente do Senado e a aquiescência do presidente do Supremo Tribunal Federal. Canalhas, para usar o mesmo termo de como se dirigiu Tancredo Neves ao presidente do Senado Federal, quando o senador Auro Moura Andrade declarou vaga a Presidência da República enquanto Jango ainda se encontrava em território nacional.

    Tal manobra (conluio de pilantras) afrontou à Constituição, deixando os brasileiros inseguros no que tange ao cumprimento das leis. Tal tramóia retirou a pena prevista na CF para a presidente impedida de continuar exercendo o cargo maior do executivo federal e, dessa forma, a página virada, aguardada pela maioria dos brasileiros, não aconteceu em sua plenitude.

    Em seu lugar uma página negra foi escrita, pasmem, pelos chefes dos poderes legislativo e judiciário de nosso País. Uma grande mancha para a democracia brasileira.

09 junho 2016

FRAUDE DEMOCRÁTICA

    O procurador do Ministério Público junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, ouvido ontem na comissão especial do impeachment no Senado como uma das testemunhas indicadas pela acusação, afirmou que Dilma cometeu uma “fraude democrática” ao estabelecer e permitir medidas econômicas que embaçavam a realidade das contas públicas do País.

    “Tudo isso leva a uma dúvida sobre o compromisso do governo em ter uma postura coerente e correta para sustentação da dívida, porque se ela perde o controle os agentes econômicos serão penalizados, sofrerão em algum momento um prejuízo seja por uma reestruturação da dívida, seja por uma inflação fora de controle, algum ajuste acaba sendo feito, então o artifício das pedaladas que levou a uma expansão insustentável do gasto público está na raiz da profunda crise”, declarou.

    O procurador disse ainda  “não ter dúvidas” de que há uma relação direta entre a maquiagem nas contas públicas e a crise econômica no país. A realização de tais feitos provocou “danos aos alicerces da economia brasileira que podem levar anos para serem recuperados”.

    Tais afirmações ocorreram no mesmo dia em que o novo ministro da fazenda, Henrique Meirelles, declarava que o Brasil enfrenta a pior crise de sua história. “Estamos vivendo a crise mais intensa da história do Brasil. Vamos aguardar, mas não será surpresa se a contração deste ano for a mais intensa desde que PIB começou a ser medido no início do século 20, até maior do que nos anos 30".


    Não é difícil se concluir, portanto, que para o Pais retornar a superfície do poço em que se encontra, levará, se não ocorrerem atropelos na subida, pelo menos uns dez anos. Os mais antigos sabem bem o que significa “uma década perdida” e os mais novos poderão entendê-la ao se debruçarem, ao vivo, sobre o que foram os treze anos de governo do PT, recém-findos, graças a Deus.

10 maio 2016

BRASIL INTELIGENTE ?

    Ao apagar das luzes, em clima de despedidas, Dilma Rousseff lança novas metas para a banda larga no País. É assunto vencido há muito tempo. A promessa surgiu ainda no primeiro governo do presidente. Lula e, de lá para cá, renovada em todos os governos seguintes.

    Por exemplo, na campanha eleitoral de 2014 da candidata Dilma Roussef: "melhorar e ampliar o acesso da população ao serviço de banda larga para uso da internet" ... "reitero aqui meu compromisso de, nos próximos quatro anos, promover a universalização do acesso a um serviço de internet em banda larga barato, rápido e seguro" (discurso de posse em jan/2015)

    Como se sabe, a situação do Brasil nessa área não é confortável (em outras também). Em comparação com outros países, relatórios recentes mostram que a internet brasileira é lenta e avança no mesmo passo. Com uma taxa média de transmissão de dados na rede de apenas 2,7 Mbps, o Brasil ocupa a 83a. posição no ranking de nações na web e a 78a. entre as nações que mais avançam.

    Igualmente desconfortável está o avanço da internet em áreas sensíveis, como educação e saúde. Hoje, o bom funcionamento desses setores depende fortemente da disponibilidade, com qualidade, dessa tecnologia. 

    Foi por esses segmentos que a internet chegou ao Brasil, no início da década de 90, com a implantação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Apesar de seu avanço ao longo desses anos, o seu modelo atual de banda larga está esgotado.

    Segundo o Ministério das Comunicações, que nesta segunda (09) lançou o programa Brasil Inteligente, a ser formalizado através de decreto pela presidente Dilma Rousseff, considerado uma nova fase do Plano Nacional de Banda Larga, o programa quer universalizar o acesso à banda larga no País e levar a rede de fibra ótica até 70% dos municípios.

    Em termos de investimentos, serão aplicados R$ 762 milhões no novo programa ainda este ano e até 2019 receberá cerca de R$ 1,85 bilhão do Ministério da Educação (MEC).

    Entretanto, mesmo na hipótese de continuação do atual governo, o que vemos na matéria do Estadão, nos diz exatamente o inverso do que fora prometido pela presidente em seu discurso de posse. O título da reportagem já resume bem o descumprimento da promessa ; "No ano do lema "Pátria Educadora", MEC perde R$ 10,5 bi, ou 10% do orçamento".

    Cumprimento de metas, do PNE, do Fies, do Pronatec, do Ciência sem Fronteiras, ficaram para trás. Com o Brasil Inteligente o mais provável é que seguirá o mesmo caminho, ou seja, mais um decreto para inglês ver.


07 maio 2016

IMPEACHMENT - O QUE DISSE M. V. LLOSA

    A caminho do Brasil, aos 80 anos e prestes a lançar o seu mais recente livro, 'Cinco Esquinas', o Nobel peruano Mario Vargas Llosa, falou ao Estadão como vê o processo de impeachment da presidente Dilma.  Eis o que disse.

    "Com otimismo. No Brasil, há uma espécie de catarse da qual participa uma imensa quantidade de brasileiros que querem uma democracia decente e honrada, e não uma democracia de políticos que aproveitam o poder para enriquecer. 

    O Brasil está dando um exemplo pela maneira radical com que está combatendo e querendo castigar os culpados pela corrupção. Que nas próximas eleições os brasileiros sejam mais lúcidos e não votem novamente em ladrões e escolham políticos honrados".

29 abril 2016

O DIABO MOSTRA AS SUAS FACES

    Durante a campanha eleitoral de 2014, para a sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff disse que faria o diabo para vencer as eleições. De lá para cá, sem trégua, a cada dia que se passa, esse diabo vem mostrando as suas faces.

    Desde que tomou posse, em janeiro de 2011, a presidente conseguiu destruir as contas públicas, desestruturar setores econômicos, trazer a inflação de volta, mergulhar o país na recessão e assombrar a população com o fantasma do desemprego.

    Nas contas públicas, segundo dados do Banco Central, divulgados hoje (29), o déficit primário, receitas menos despesas sem considerar os gastos com juros, ficou em R$ 10,644 bilhões, o pior resultado para meses de março na série histórica iniciada em 2001. Em 12 meses, esse déficit já atingiu a marca de R$ 136,022 bilhões.

    Da mesma forma, o desemprego também cresceu. Alcançou a marca de 10,9% e atingiu 11 milhões de pessoas, segundo dados também publicados hoje (29) pelo IBGE. Na comparação com igual trimestre do ano passado, a taxa de desemprego subiu 37,9%,  Há um ano essa taxa era de 7,9%.

    Com relação ao rendimento médio real, houve uma queda de 3,2%. Passou de R$ 2.031,00 para R$ 1.966,00.

    Não há, na história dos tempos recentes do Brasil, um presidente da República que tenha cometido tantos erros de uma só vez.




26 abril 2016

DAY AFTER

Estamos a poucos dias de uma oportunidade para se virar a página do Brasil. Isto ocorrerá através da posse de um novo governo. 

A sociedade brasileira sabe que a crise atual não é superável com o governo que atualmente ocupa o Palácio do Planalto.

Como em 1992, essa mudança virá observando-se estritamente os ritos amparados constitucionalmente. 

Não está em curso um golpe. Não se terá noticias de decretação de estado de sítio nem de convocação das Forças Armadas para garantir a ordem social. Muito menos de golpistas presos.

A nova equipe, segundo o que já se divulga, toda ela conhece as causas que empurraram o País para o abismo. Não é demais repetí-las: a falta de governabilidade, considerada como o principal problema do Brasil, seguida da crise política e da corrupção.

A conquista dessa governabilidade passa necessariamente por dois aspectos: o primeiro, com a criação de um ambiente de credibilidade, com regras definidas e transparentes, que possa atrair investimentos privados que movimentem a economia, incluindo a rápida geração de empregos. 

O segundo, com a correção imediata dos padrões atuais da administração do setor público, que hoje se encontra aparelhado, loteado e saqueado numa verdadeira orgia de corrupção.

Ao mesmo tempo, faz-se necessária a eliminação da gastança irresponsável, da distribuição de benefícios mal concebidos e dos incentivos ao consumo sem estímulo à produção.

Por último, deve se iniciar, com a brevidade possível, as reformas estruturantes. Aquelas cujos efeitos se darão no médio e longo prazo. Nelas se incluem: a política, a tributária, a trabalhista, e a da previdência social.


22 abril 2016

O REI ESTÁ NU

Aumenta a desigualdade, a que nunca diminuiu, a não ser na enganosa história oficial do Brasil.

É o que acaba de ser comprovado em pesquisa realizada por alunos da UnB (dois deles também funcionários do IPEA) e relatado em artigo do jornalista Clóvis Rossi, "A fraude que a esquerda engoliu", publicada na edição da Folha deste 21/04/2016. Veja abaixo alguns trechos do artigo.

O governo destina aos juros e encargos da dívida, em um ano, o equivalente a 15 anos do gasto com o  Bolsa Família.

Ou, posto de outra forma, o governo paga às (poucas) famílias mais ricas em um ano o que vai para 42 milhões de pobres em 15 anos.

É transferencia de renda, sim, mas de todos os contribuintes, inclusive os pobres, para os ricos e ultrarricos.

A realidade desmancha, assim, a narrativa que o governo (e do PT, digo eu) ensaiou inutilmente, a de que a onda anti-Dilma é uma vingança dos ricos contra o governo dos pobres.

Como diz o próprio Lula, os ricos nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.

E a esquerda ficou em silêncio.


18 abril 2016

DILMA PERDEU O JOGO

Com 72% dos votos favoráveis à autorização do impeachment, a presidente Dilma Rousseff sofreu uma derrota acachapante na Câmara dos Deputados. Foram 367 Sim, 137 Não, 7 Abstenções e 2 Ausentes.

Em dois estados da Federação, Amazonas e Rondônia, a presidente não obteve nenhum voto a seu favor. Coube a Roraima relembrar o placar da Copa ao apresentar o resultado de 7 x 1. A tabela abaixo mostra os números dos votos em todos os estados.

Com esse resultado, a presidente caminha para o seu julgamento por crime de responsabilidade pelo Senado Federal. Prever-se que em meados de maio se dará o seu afastamento inicial do cargo por 180 dias. Retornará ao cargo apenas se for absolvida.

Em seu lugar, assume, provisoriamente, o vice-presidente da República, Michel Temer, do PMDB.


DILMA RETORNOU À TV

Em pronunciamento à jornalistas, agora há pouco, a presidente Dilma Rousseff disse que se encontra muito indignada e injustiçada com a derrota arrasadora (72% dos votos pelo impeachment) sofrida  ontem na Câmara dos Deputados.

Será que a presidente sabe mesmo o que é injustiça ? Ou continua achando que mentir aos brasileiros é de plena justiça.

A presidente continua praticando os mesmos erros já bastantes conhecidos pelos brasileiros: mentiu pra ganhar eleição, mentiu no governo, mentiu na coletiva.

Em um dos momentos surgiu também um comportamento não recomendável. A presidente se furtou a assumir suas responsabilidades.

Nesse sentido, declarou que quando assinou os atos que estão sendo questionados no processo de impeachment, os fez após recebê-los com o devido aval de seus auxiliares técnicos e jurídicos.

Aliás, esse discurso é uma das narrativas usada pelos parlamentares do PT para dizer que a presidente não cometeu crime de responsabilidade.


15 abril 2016

CHICANA DO PLANALTO SOFRE DERROTA NO STF POR 8 X 2

Na noite desta sexta-feira (14), em longa sessão, o STF rejeitou, por oito votos a dois, as manobras da presidente Dilma Rousseff para suspender o processo de impeachment em tramitação na Câmara dos Deputados.
A sessão também deixou explícita que, além de seu advogado, os dois ministros que não acompanharam o voto do relator no mandado de segurança impetrado pela AGU se portaram, também, como defensores da presidente. Os dois ministros chegaram a defender que, devido à gravidade do caso, o STF tem que interferir.

Sob nenhuma hipótese, não se justifica, numa democracia, com todos os poderes em pleno funcionamento, que um deles interfira em outro, por mais grave que seja a crise.

Isso representaria a antítese à cláusula pétrea dos Poderes e só iria contribuir para o agravamento da situação. A sua solução está justamente no respeito e na obediência aos preceitos constitucionais.

E ao STF, por ser o guardião da Constituição Federal, é suposto que seja o poder que mais conheça este pilar fundamental a um estado de direito democrático.

Tal fato nos impõe repetir o que já disse, há pouco dias, o ex-ministro do STF Carlos Velloso sobre outras questões que se encontravam em discussão na Egrégia Corte: "tal entendimento (desta vez sobre o relatório do relator) é perceptível por qualquer profissional do direito que possua apenas mediano conhecimento do mundo jurídico".


10 abril 2016

CLAREADA NA CONFUSÃO JURÍDICA

O ex-ministro do STF, Carlos Velloso, no GloboNews Painel deste sábado (09), deu uma clareada na confusão jurídica das duas últimas semanas: Basicamente, deixou claro:

1. Que concorda com o PGR, Rodrigo Janot, quando este afirma que na nomeação de Lula como ministro da Casa Civil, houve atitude “inegavelmente inusual” que “reforça o conjunto de indícios de desvio de finalidade”.

2. Que tal atitude poderá embasar uma futura investigação de tentativa de obstrução da Justiça por parte da presidente Dilma Rousseff.

3. Que a presidente, quando ao mesmo tempo que usa o Palácio do Planalto para seus discursos políticos, permite pronunciamentos de líderes de movimentos populares pregando a violência e o cometimento de crimes, poderá também receber uma ação penal. Recomendou ao STF que fique atento a esses fatos.

4. Que reprova a liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio pela qual determinou ao presidente da Câmara dos Deputados a abertura de processo de impeachment de Michel Temer. Defendeu que essa é uma questão interna corporis, portanto, é de livre arbítrio e poder apenas do presidente da CD.

Por último, ainda afirmou que tal entendimento é perceptível por qualquer profissional do direito que possua apenas mediano conhecimento do mundo jurídico.

Tais fatos não passaram desapercebidos nem para os brasileiros mais distantes desse mundo, a partir do ativismo do STF na delimitação do próprio rito do impeachment, afetando atribuições exclusivas do Congresso, por exemplo, quando definiu sobre a formação das comissões responsáveis pelo processo, quem pode e quem não pode se candidatar a integrá-las e como deve ser o voto em casa caso.

No meio do turbilhão de sua maior crise política, econômica e ética, o País espera de sua mais alta Corte, a justa medida de seus atos e das consequências de suas decisões, sejam eles tomados de forma monocrática, ou de plenário.


30 março 2016

AUDITÓRIO DO CHACRINHA

Há duas semanas, depois que foi flagrada cometendo mal feitos, a presidente Dilma Roussef deixou de cumprir a liturgia do cargo de presidente da República ao se pronunciar em espaços abertos.

Hoje (30), em mais um ato nas dependências do Palácio do Planalto, a presidente voltou a desrespeitar  às instituições da República, neste caso, a sede do poder executivo, transformando-o em um espaço semelhante aos de programas de auditório exibidos, principalmente, nos canais de TV abertos.

Nada contra esses programas, mas cada um no seu devido lugar. Ao Palácio do Planalto, entretanto, não lhe cabe essa destinação.


A transmissão do lançamento da 3a. fase do MCMV, realizada em rede pela NBR, nos fez lembrar os programas do Chacrinha que, em certos momentos, abriam seus espaços para atores desqualificados.

O ato de hoje no Planalto não foi diferente. Em todo o seu transcorrer se viu no palco protagonistas com essa característica.

Os discursos proferidos foram inapropriados, no gesto, no tom e no conteúdo e, principalmente, para quem exerce o cargo de chefe de governo e de estado de uma nação democrática.

A boa notícia é que, concomitantemente com o que lá acontecia, não faltou, também, o som da buzina do Velho Guerreiro, hoje materializada pelo grito de FORA DILMA que se ouve nas ruas.

A má notícia é que faltou o bacalhau, ops apenas pra turma da claque. Pra outros, tem sido o prato principal em jantares, onde se comemoram e/ou se discutem tenebrosas transações, conforme pode se verificar nessas duas matérias. A primeira, em 2012, neste link. A segunda, em 2015, neste aqui.



25 março 2016

A ÓRBITA PENAL DA PRESIDENTE

Há duas semanas, depois que foi flagrada com a boca na botija, a presidente Dilma Roussef deixou de cumprir a liturgia do cargo de presidente da República ao se pronunciar em espaços abertos.

Os discursos proferidos e as entrevistas concedidas foram inapropriadas, no gesto, no tom e no conteúdo, para quem exerce o cargo de chefe de governo e de estado de uma nação democrática.

Em completo desrespeito às instituições da República, em especial ao Congresso, a presidente insiste em dizer que está em curso um golpe contra o seu mandato.

Em tom agressivo, a presidente insiste em dizer que não cometeu nenhum crime.

Em boa hora, a reportagem publicada pela revista IstoÉ, nesta data (24/03), desmistifica a série de supostos crimes cometidos pela presidente.

O detalhamento e respectivo enquadramento legal, de cada um deles, encontra-se na seção da matéria denominada "A órbita penal da presidente".

Segundo a revista, há fortes indícios de que a presidente tenha cometido sete crimes, só neste mandato: de responsabilidade, improbidade administrativa, extorsão, falsidade ideológica, desobediência, e o de responsabilidade fiscal e eleitoral.

Se a presidente, de fato, acredita em sua inocência, temos um judiciário a quem deve recorrer. Não lhe será negado o devido processo legal para que possa apresentar a sua defesa.

À um governante cumpre zelar pelo máximo de serenidade e de respeito às instituições republicanas e ao povo brasileiro.

Querer agitar as ruas brasileiras e expor sua indignação ao mundo, com palavras de ordem e agressivas, como vem fazendo nos últimos dias, é um achincalhe à nação brasileira.

É cometer mais um crime e reforçar o desejo dos brasileiros pela sua imediata saída do Palácio do Planalto.

24 março 2016

PRESIDENTE DILMA ROUSSEF CONTINUA AFRONTANDO O PAÍS


Em mais um provável ato de desrespeito a liturgia do cargo que exerce, à Constituição, ao Congresso Nacional e aos brasileiros, a presidente Dilma Rousseff joga mais lenha na fogueira, quer incendiar o País.



Seu campo de batalha é no Congresso Nacional e nunca em nenhum outro espaço. Pior ainda, extrapolar as fronteiras do País como parece ser seu desejo, de acordo com as noticias divulgadas na imprensa e nas redes sociais.

À presidente cumpre zelar pelo máximo de serenidade e de respeito às instituições da República: o Congresso Nacional e o SFT, e à opinião dos brasileiros, qualquer que seja o ambiente político.



Não há golpe em curso. A presidente irá responder por crimes de responsabilidade previstos na Constituição, sob rito respaldado pelo Supremo Tribunal Federal, o qual lhe oferece todo espaço para a sua defesa.



Além disso, a população também deseja a sua saída por outros motivos não menos importantes, embora não estejam incluídos no processo de impeachment que se encontra em análise no Congresso Nacional.

Como mostrou o Datafolha, 68% da população defende o impeachment, enquanto apenas 27% são contra.


21 março 2016

TCHAU, QUERIDA !

Em Brasília, e no restante do país, o número de participantes na manifestação, em 18/03, a favor do governo, foi frustrante para o PT, pois compareceram menos de 1/10 do esperado. Nem discursos nem shows foram capazes de atrair a militância de outrora.



E leia-se bem, compareceram militantes convocados, sob pressão como a registrada aqui, e não pessoas de forma espontânea como aquelas que estiveram nas ruas no domingo passado (13/03).‬

A semana foi encerrada com a concessão de liminar do STF, a ser posteriormente analisada pelo seu plenário, cancelando a nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil e determinando o retorno do processo de investigação correspondente à República de Curitiba, sob os cuidados do juiz Sérgio Moro.

Concomitantemente, realizou-se também na sexta-feira (18/03), na Câmara dos Deputados, a primeira sessão, de uma série de dez, a ser contabilizada como prazo para a presidente Dilma Rousseff apresentar sua defesa à comissão que se pronunciará sobre o pedido de seu impeachment e que deverá ser votado em abril, segundo afirmou o presidente dessa comissão ao jornal Correio Braziliense.



A expectativa, portanto, é que em menos de 90 dias Lula e Dilma perderão o foro privilegiado. Temendo nova investida de Moro, a AGU pediu novamente ao STF liminar para nomeação de Lula.

Aliados do governo até já admitem que não conseguem mais proteger Lula. Preocupação agora é com a prisão de Dilma, segundo matéria divulgada nas redes sociais, ilustrada pela imagem abaixo e acessível neste link.


No meio dessa turbulência, a semana se inicia com a divulgação dos dados mais recentes da pesquisa Datafolha, onde se ver que a presidente tem seus indicies de aprovação em forte declínio.