A comparação entre o Brasil de dezembro de 2022, ao término do governo Jair Bolsonaro, e o Brasil de 2026, sob a administração de Lula, revela indicadores que merecem atenção, reflexão e, sobretudo, explicações. O aumento do preço dos alimentos, as dificuldades enfrentadas pelas empresas, o crescimento da população em situação de rua e a deterioração das contas públicas compõem um cenário preocupante, que não pode ser ignorado pelo discurso político.
As cinco imagens apresentadas procuram retratar essa transformação por meio de números.
O primeiro indicador é o preço do café, produto tradicional da mesa dos brasileiros. Segundo a imagem, o preço médio do quilo teria passado de R$ 28,00, no primeiro trimestre de 2022, para R$ 49,50, em agosto de 2026. Isso representaria um aumento nominal de aproximadamente 76,8%. Trata-se de uma elevação expressiva, especialmente para as famílias de menor renda.
O segundo indicador diz respeito à saúde financeira das empresas. A imagem sobre recuperação judicial sugere um crescimento extraordinário dos pedidos, de 833 em 2022 para 5.680 em 2025. Se confirmados e metodologicamente comparáveis, esses números representariam um sinal grave de dificuldades no ambiente empresarial. Juros elevados, endividamento, restrições de crédito e custos operacionais podem comprometer a sobrevivência das empresas, prejudicando investimentos e empregos.
O terceiro indicador revela um problema social ainda mais dramático: a população em situação de rua. Conforme a imagem, o número de pessoas cadastradas no CadÚnico teria aumentado de 198,7 mil, em dezembro de 2022, para 392,4 mil, em junho de 2026. Isso corresponderia a um crescimento de aproximadamente 97,5%. Mesmo considerando que o aperfeiçoamento dos cadastros pode elevar os registros, a dimensão do problema exige respostas concretas. Moradia, emprego, saúde mental, assistência social e políticas de reinserção precisam produzir resultados perceptíveis na vida das pessoas.
O quarto indicador envolve as contas públicas. A imagem apresenta uma passagem de um superávit primário de R$ 126 bilhões, em 2022, para um déficit de R$ 55 bilhões, em 2025. A comparação aponta uma mudança importante na situação fiscal, embora seja indispensável verificar os valores, a abrangência dos indicadores e os critérios contábeis empregados. O equilíbrio das contas públicas não é apenas uma questão técnica: déficits persistentes podem aumentar o endividamento, pressionar os juros e limitar a capacidade de investimento do Estado.
Os dados fiscais são particularmente relevantes porque encontram respaldo nos registros do Banco Central: o setor público consolidado encerrou 2022 com superávit primário de aproximadamente R$ 126 bilhões e 2025 com déficit de R$ 55 bilhões. A mudança representa uma deterioração de R$ 181 bilhões no resultado anual, embora não explique, isoladamente, suas causas.
A quinta imagem acrescenta um indicador importante. Segundo os valores apresentados na imagem, a dívida bruta do governo geral passou de 71,7% do PIB, em dezembro de 2022, para 82,9%, em agosto de 2026. Isso representa um aumento de 11,2 pontos percentuais, equivalente a um crescimento relativo de aproximadamente 15,6%.
Esse avanço merece atenção porque indica que o endividamento público cresceu em relação ao tamanho da economia brasileira. Quanto maior essa relação, maiores podem ser os desafios para financiar as despesas governamentais, administrar os juros da dívida e preservar a confiança na sustentabilidade das contas públicas.
O aumento do endividamento não decorre exclusivamente dos gastos do governo. Também é influenciado pelas taxas de juros, pelo crescimento econômico e por outros fatores financeiros. Entretanto, a persistência de déficits fiscais pode contribuir para agravar esse quadro.
É importante observar que os 82,9% de agosto de 2026 são o valor informado pela imagem, ainda não verificado diretamente no Banco Central. A comparação deve ser confirmada na série oficial da dívida bruta do governo geral.
O Brasil não pode ser avaliado apenas pelos discursos de seus governantes, mas pelas condições reais de vida de sua população. Quando alimentos pesam mais no orçamento, empresas enfrentam dificuldades, cresce o número de pessoas registradas em situação de rua e as contas públicas se deterioram, existem motivos objetivos para cobrar mudanças.
Afinal, a pergunta que deve orientar o debate nacional não é apenas qual Brasil Bolsonaro entregou a Lula, mas, principalmente, qual Brasil o atual governo está deixando para os brasileiros e para as próximas gerações. Essa resposta deve ser construída com números verificáveis, responsabilidade administrativa e resultados — não apenas com promessas ou propaganda política.







