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29 março 2026

Os 2 trilhões de dólares que se gastou em energia verde não fizeram nada para evitar a crise energética e podem até tê-la causado



    A mídia diz que deveríamos ter investido mais em energia verde. Não, não deveríamos. Os 2 trilhões de dólares que gastamos não fizeram nada para evitar a crise energética e podem até tê-la causado, conclui Michael Shellenberger no seu artigo acima. Veja abaixo outros parágrafos deste artigo. Os números são interessantes.

    O conflito com o Irã serve como um lembrete de que é preciso se acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis, afirmam muitos na mídia. A interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, causada pelo Irã, significa que o mundo está perdendo 13 milhões de barris de petróleo e derivados por dia, o que representa mais de 10% do consumo global.

    Após a QatarEnergy, a maior exportadora mundial de GNL, declarar problemas em todas as exportações devido a ataques de drones iranianos, compradores asiáticos se apressaram em redirecionar seus pedidos para a Austrália. Mas então, na semana passada, um ciclone atingiu o corredor de GNL da Austrália, forçando a paralisação de três das maiores instalações do país.

    David Wallace-Wells, do New York Times, observou: "Ninguém jamais começou uma guerra por causa de painéis solares." Mas ninguém entra em guerra por causa de painéis solares pelo mesmo motivo que ninguém entra em guerra por causa de velas: eles não conseguem alimentar as coisas que sustentam economias, civilizações e guerras. Um galão de combustível de aviação contém 34 quilowatts-hora de energia em uma embalagem que pesa seis libras. Uma bateria de íon-lítio que armazena a mesma energia pesa 250 libras.

    Essa diferença de densidade explica por que todas as forças armadas do planeta utilizam hidrocarbonetos líquidos, por que todos os navios porta-contêineres que cruzam o Pacífico queimam óleo combustível pesado, por que todas as colheitadeiras em Iowa funcionam com diesel e por que todos os Boeing 747 que pousam em Heathrow utilizam querosene. O fato de ninguém declarar guerra por causa de painéis solares é uma prova de suas limitações, não de sua superioridade.

    Muitos respondem alegando que os combustíveis fósseis persistem devido a subsídios governamentais e favorecimento político. O FMI afirma que os subsídios globais aos combustíveis fósseis totalizam US$ 7 trilhões. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, citou esse número ao pedir a eliminação dos “subsídios aos combustíveis fósseis que distorcem os mercados e nos prendem ao passado”.

    Mas a cifra de US$ 7 trilhões é quase inteiramente fictícia. Os próprios dados do FMI mostram que apenas 18% de sua estimativa de subsídios reflete gastos governamentais reais ou subfaturamento dos custos de fornecimento. Os 82% restantes consistem no que o FMI chama de “subsídios implícitos”, uma construção teórica que atribui um valor monetário aos custos ambientais e sociais da queima de combustíveis fósseis e, em seguida, trata a não tributação desses custos como um subsídio.

    Seguindo essa lógica, qualquer produto cujo preço não reflita o custo total externalizado de sua produção é considerado "subsidiado". O verdadeiro problema é que o mundo investiu demais em energia verde e de menos em petróleo e gás. 

    Globalmente, o relatório Investimento Mundial em Energia 2025 da AIE (Agência Internacional de Energia) documentou que US$ 2,2 trilhões foram destinados à energia limpa em 2025, exatamente o dobro dos US$ 1,1 trilhão investidos em petróleo, gás natural e carvão combinados. 

    Nos EUA, os gastos federais com impostos para usuários finais de energia verde, somente no ano fiscal de 2025, totalizaram US$ 57,9 bilhões. Este valor supera o total de todos os gastos federais com impostos sobre combustíveis fósseis no período de 31 anos, de 1994 a 2025, que totalizaram US$ 50,8 bilhões.

    O setor de extração de petróleo e gás gerou US$ 1,8 trilhão em receitas totais nos EUA em 2024, o que significa que os US$ 3 bilhões em apoio governamental representam 0,17% da receita do setor, um erro de arredondamento econômico.

    Se o mundo tivesse passado a última década construindo a infraestrutura de petróleo, gás, GNL, oleodutos e fertilizantes que os engenheiros projetaram e as empresas propuseram, a crise de Hormuz ainda seria um evento geopolítico sério, mas não ameaçaria causar uma recessão.





04 julho 2025

A raiz das crises políticas está em uma crise intelectual

    Já se percebeu que as sucessivas crises políticas e econômicas da nossa época têm sua origem em uma profunda crise moral. Se a raiz das crises políticas está em uma crise moral, e a raiz da crise moral está em uma crise intelectual, nos resta perguntar o que mais está na raiz dessa crise intelectual. 

 

    "A ausência de um bom entendimento sobre os problemas e soluções, bem como a dificuldade em chegar a consensos, contribuem para o surgimento e agravamento de crises políticas", Olavo de Carvalho.

    Mas há respostas para as crises no Brasil. Uma delas, por exemplo, foi exposta em Lisboa. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a competência da Corte para “processar e julgar crimes” deveria ser repensada. Ele apontou que o papel “mais essencial” do STF é a defesa das garantias e dos direitos fundamentais. 

“Penso que o primeiro papel do Supremo Tribunal Federal é garantir a defesa de um justo processo”, disse durante o Fórum de Lisboa – evento apelidado de “Gilmarpalooza”, criado pelo ministro Gilmar Mendes

    Mendonça também citou que pesquisas indicam um “descrédito da sociedade brasileira em relação às instituições”. Na semana passada, um levantamento do Datafolha mostrou que 58% dos entrevistados dizem sentir vergonha dos ministros do Supremo.

“Podemos nos fazer surdos para isso ou nós podemos fazer uma autocrítica, uma análise e tentar melhorar para o futuro. Eu acho que esse é o papel da democracia”, disse o ministro.

    O ministro disse ainda que o Brasil precisa de uma reforma do Estado, envolvendo os Três Poderes, para uma avaliação mais adequada e segura do papel de cada instituição.

25 junho 2025

Haja Fôlego ou é melhor ir para Assunção?

    O título acima e sua possível resposta se encontram no artigo publicado nesta segunda-feira, cópia mais abaixo. Entre outras coisas que se possa discutir, o assunto nos traz um mote para se falar, de uma maneira mais ampla, sobre o momento atual vivido pelo Brasil, cuja denominação não precisa de muitas palavras e, bem ao contrário,  de apenas uma: CRISE.

    Olhando-se para o mundo encontraremos o registro histórico de crises em todos os continentes. Duas delas são mencionadas desde o ensino fundamental: A grande depressão, 1930-1933 - e a Guerra Fria, iniciada logo após o fim da IIGM. Entretanto, mais importante do que lembrar as suas denominações, é recordar a denominação dos grandes planos para solucioná-las, New Deal e Plano Marshall, respectivamente. Em comum entre os dois planos estão a presença de uma grande Nação, os EUA, e, principalmente, de lideres que os conceberam e/ou os conduziram: do presidente americano Franklin Delano Roosevelt e George Marshall, Secretário de Estado do presidente americano Harry Truman.

    Nesse mesmo período histórico, o Brasil foi lembrado, por Emil Farhat, com o que aqui aconteceu nos primeiros dez anos após o rasteiro fascismo do "Estado Novo". 

[...] "Nessa década, o crescimento da renda nacional chegara a atingir a sólida cifra de 7% ao ano. Com esse algarismo estimulando sua capacidade criadora, homens de empresas brasileiras e estrangeiras "apostavam" no futuro do Brasil somas que chegaram a atingir 500 bilhões de cruzeiros (valor de 1960), de novos investimentos. Isso ampliava continuamente o mercado de trabalho, garantindo emprego certo e esperançosas oportunidades para o quase MILHÃO de jovens que, anualmente, estavam "chegando para a vida" no País. O Estadão publicava um suplemento dominical no qual havia a média semanal de até 40 páginas oferecendo empregos qualificados. Caía no Brasil vinda da América, da Europa e da Ásia uma média de 350 milhões de dólares, em capital de risco e de empréstimos. E não para por aqui. Em 1962 o Brasil possuía 20 vez mais automóveis do que a China com 700 milhões de chineses. Foi então que surgiu na vida pública brasileira um tétrico e inacabável período de grandes contrafações políticas, começando com a renúncia de Jânio Quadros. Nada então poderia ter sido melhor para os comunistas. Era como eles queriam: o poder caía inesperadamente em mão despreparadas, inexperientes e que não aceitavam nem o desconforto, nem as inibições oriundas de quaisquer tipos de escrúpulos."

     A crise logo chegou ao Brasil, os investimentos sumiram, a classe empresarial e os trabalhadores logo sentiram suas consequências e só começou a ser estancada em 1964. A partir de 2023 e mesmo antes, o filme recomeçou a gravação interrompida em 31 de março de 1964.

    Em períodos mais recentes, seu resumo está neste vídeo. Assista-o.



* * * 




As dificuldades da Base Industrial de Defesa em exportar e avançar no mercado internacional 

Nelson During
Editor-chefe DefesaNet

23 de junho de 2025 - Atualizado 15:16

1 – Indústria de Defesa move-se para o Paraguai?

As principais empresas da chamada Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS), produção de armamento e munição do Brasil começam a olhar e planejam deixar o país e mudar para o Paraguai.

O motivo não seria somente a energia barata e impostos mais baixos além de uma lei trabalhista mais branda. Segundo um importante gestor do setor, as empresas estão simplesmente embretadas em uma batalha surda, sutil e quase sadomasoquista, mas mortífera nos gabinetes de Brasília.

O campo de batalha, em um jogo no qual as empresas estão perdendo contratos duramente conquistados por não estarem recebendo licenças de exportação do Ministério das Relações Exteriores  (MRE). Mesmo apresentando documentos e certificados de usuários finais (End User), as exportações estariam sendo atrasadas ou embargadas pela burocracia do governo brasileiro e os clientes internacionais cancelando os contratos. “Viajamos pelo mundo, participamos de feiras e promovemos nossos produtos. Quando conquistamos um importante negócio não conseguimos trabalhar”.

2 – Indústria de Defesa move-se para o Paraguai?

Outro ponto que após conseguir a licença de exportação é a obtenção de garantias bancárias. Nas negociações de defesa há a troca de garantias, tanto de quem compra como para o que vende.

Aqui não importa o cadastro bancário da empresa, mas sim as “compliances” das entidades financeiras. Não importa o VP Geraldo Alckmin declarar apoio e o primeiro nível do BB, BNDES, etc.  jurarem apoio pois o terceiro escalão boicotará firmemente. Tudo em nome de uma entidade “limpinha” e “imaculada”.

– Indústria de Defesa move-se para o Paraguai?  

Após ter folego jurídico, político e financeiro, para completar esta maratona a análise no MRE a Secretaria de Assuntos Multilaterais Políticos (SAMP), com o Departamento de Assuntos Estratégicos, de Defesa e de Desarmamento (DDEF)   

Sim, deveria ser esse, o roteiro final, mas agora surge o Monte Olimpo, siga a nova trilha:
 
a – após o DDEF o assunto sobe à Secretaria Geral do MRE;
b – depois ao próprio Gabinete do Ministro, e no caso atual,
c –  a decisão última vai ao Palácio Planalto com o Conselheiro Internacional Celso Amorim e certamente o próprio Presidente Lula (que já vetaram operações de interesse das Forças Armadas).

Final – Haja Fôlego ou é melhor ir para Assunção?


Afinal o mote da Tecnocracia de Brasília é de não vender equipamentos de Defesa ou Segurança para países ou regiões que tenham conflitos.