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Mostrando postagens com marcador OTAN. Mostrar todas as postagens
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08 julho 2026

Declaração da Cúpula de Ancara


8 de julho de 2026

1. Nós, Chefes de Estado e de Governo da Aliança do Atlântico Norte, reunimo-nos em Ancara para reafirmar nosso compromisso inabalável com a defesa coletiva, nos termos do Artigo 5º do Tratado de Washington, e com o vínculo transatlântico. Um ataque a um é um ataque a todos. Nossa unidade, solidariedade e força coletiva permanecem como a base da paz, segurança e prosperidade para o bilhão de cidadãos de nossa Aliança de nações livres e democráticas. Mantemos nosso compromisso com a abordagem de 360 ​​graus para a dissuasão e a defesa.

2. Para enfrentar a ameaça de longo prazo que a Rússia representa para a segurança e a estabilidade euro-atlânticas, bem como a ameaça persistente do terrorismo, os Aliados estão cumprindo o compromisso de defesa de Haia. Em 2025, os Aliados europeus e o Canadá aumentaram seus investimentos em requisitos fundamentais de defesa em mais de US$ 139 bilhões. Nossos investimentos estão proporcionando as capacidades de que necessitamos, ao mesmo tempo em que fortalecem nossa base industrial e nossa resiliência. Hoje, em Ancara, anunciamos mais de US$ 50 bilhões em novas aquisições e nos comprometemos a expandir a capacidade de produção coletiva e a trabalhar com a indústria para acelerar a inovação. Continuaremos nossos esforços para eliminar barreiras comerciais de defesa entre os Aliados e aproveitar as parcerias da OTAN para maximizar a profundidade e a cooperação da indústria de defesa.

3. Estamos construindo o futuro: uma Europa mais forte em uma OTAN mais forte – uma Aliança modernizada. Os Aliados europeus e o Canadá, em colaboração com os Estados Unidos, estão assumindo maior responsabilidade pela defesa da Aliança. A dissuasão e a defesa da OTAN baseiam-se em uma combinação adequada de capacidades nucleares, convencionais e de defesa antimísseis, complementadas por ativos espaciais e cibernéticos. Estamos comprometidos em manter nossa vantagem em combate. Investimos em nossa capacidade de mobilizar, viabilizar e sustentar nossas forças armadas e de atingir nossas metas de capacidade em todos os domínios, incluindo ataques de precisão de longo alcance, defesa aérea e antimísseis integrada, sistemas não tripulados, tecnologias de ponta e capacidades de inteligência. Estamos desenvolvendo uma nuvem de operações de combate transatlântica interoperável e adotando modelos avançados de IA.

4. A Ucrânia contribui para a segurança transatlântica, e os Aliados permanecem unidos em seu apoio inabalável à Ucrânia na defesa de sua liberdade, soberania e integridade territorial. Os Aliados europeus e o Canadá financiam, atualmente, a vasta maioria da assistência de segurança à Ucrânia por meio de mecanismos bilaterais e multilaterais. Os Aliados ressaltam que esse apoio deve ser equitativo, previsível e sustentável a longo prazo. Para 2026, os Aliados comprometem-se a fornecer € 70 bilhões em equipamentos militares, assistência e treinamento à Ucrânia e reafirmam seus compromissos soberanos de manter níveis pelo menos equivalentes em 2027. Nesse sentido, saudamos a decisão da União Europeia de fornecer financiamento plurianual à Ucrânia por meio do Empréstimo de Apoio à Ucrânia.

5. A Aliança continua a responder e a adaptar-se à competição estratégica, à instabilidade generalizada, às ameaças híbridas e aos choques recorrentes que definem o nosso ambiente de segurança mais amplo. Os Aliados reiteram que o Irã jamais deve possuir uma arma nuclear e instam o Irã a respeitar plenamente a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

6. Expressamos nosso agradecimento pela generosa hospitalidade que nos foi dispensada pela Turquia. Aguardamos com expectativa a nossa próxima reunião.

Fonte: The Ankara Summit Declaration



14 fevereiro 2026

O que estamos defendendo?


    Marco Rubio faz a incômoda pergunta a líderes europeus e burocratas da OTAN e UE: “O QUE ESTAMOS DEFENDENDO?” E acrescentou: “Exércitos não combatem por abstrações. Exércitos lutam por um povo, por uma nação, por um estilo de vida.

    Esta parte da fala de Marco Rubio na Conferência de Segurança de Munique é um dos discursos mais contundentes de um alto funcionário americano, desde que Ronald Reagan disse a Mikhail Gorbachev "derrube esse muro!", comentou Gerson Gomes. Aqui está: Por cinco séculos, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente estava se expandindo. Seus missionários, seus peregrinos, seus soldados, seus exploradores, saindo de suas costas para cruzar oceanos, colonizar novos continentes, construir vastos impérios, se estendendo pelo globo. Mas em 1945, pela primeira vez desde a era de Colombo, o Ocidente se contraía. A Europa estava em ruínas. Metade dela vivia atrás de uma cortina de ferro e o resto parecia que logo seguiria pelo mesmo caminho. Os grandes impérios ocidentais haviam entrado em declínio terminal, acelerado por revoluções de comunistas ateus e por levantes anticoloniais que transformariam o mundo e cobririam vastas áreas do mapa com a foice e o martelo vermelhos nos anos seguintes. Contra esse pano de fundo, à época como agora, muitos passaram a acreditar que a era de predominância do Ocidente havia chegado ao fim e que nosso futuro estava destinado a ser um eco fraco e débil do nosso passado. No entanto, nossos antepassados reconheceram que o declínio era uma escolha, e foi uma escolha que eles se recusaram a fazer. Isso que fizemos juntos uma vez antes é o que o Presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora. Juntos. É por isso que não queremos que nossos aliados sejam fracos, porque isso nos torna mais fracos. Queremos aliados que possam se defender, para que nenhum adversário seja tentado a testar nossa força coletiva. É por isso que não queremos que nossos aliados sejam acorrentados pela culpa e pela vergonha. Queremos aliados que se orgulhem de sua cultura e de sua herança, que entendam que somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização, e que, juntos conosco, estejam dispostos e capazes de defendê-la. É por isso que não queremos aliados que racionalizem em cima do status quo quebrado, em vez de lidar com o que é necessário para consertá-lo.

Nós, na América, não temos interesse em ser educados e ordeiros administradores do declínio gerenciado do Ocidente. Não buscamos nos separar, mas revitalizar uma velha amizade e renovar a maior civilização da história humana. O que queremos é uma aliança revigorada que reconheça que o que aflige nossas sociedades não é apenas um conjunto de políticas ruins, mas um mal-estar de desesperança e complacência. Uma aliança que queremos é uma que não seja paralisada pelo medo. Medo das mudanças climáticas, medo da guerra, medo da tecnologia. Em vez disso, queremos uma aliança que corra ousadamente para o futuro. O único medo que temos é o medo da vergonha de não deixar nossas nações mais orgulhosas, mais fortes e mais ricas para nossos filhos. Uma aliança pronta para defender nosso povo, salvaguardar nossos interesses e preservar a liberdade de ação que nos permite moldar nosso próprio destino. Não uma que exista para operar um estado de bem-estar global e expiar os supostos pecados das gerações passadas. Uma Aliança que não permita que seu poder seja terceirizado, restringido, subordinado a sistemas além de seu controle. Uma que não dependa de outros para as necessidades críticas de sua vida nacional. E uma que não mantenha a pretensão polida de que nosso modo de vida é apenas um entre muitos e que pede permissão antes de agir. E, acima de tudo, uma aliança baseada no reconhecimento de que nós, o Ocidente, herdamos juntos algo único, distinto e insubstituível. Porque isso, afinal, é o próprio fundamento do vínculo transatlântico.

07 junho 2025

Estados bálticos emitem declaração conjunta apoiando a adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia!


 

    Os três parlamentos bálticos argumentam que a adesão da Ucrânia proporcionaria “uma estrutura mais eficaz e duradoura para salvaguardar a segurança euro-atlântica”.     Os comitês de relações exteriores da Estônia, Letônia e Lituânia divulgaram uma declaração unificada declarando apoio abrangente à integração da Ucrânia na OTAN e na União Europeia, ao mesmo tempo em que reafirmaram seu compromisso com a vitória da Ucrânia contra o que dizem ser agressão russa.



    Os três Estados Bálticos estão entre os maiores contribuintes de ajuda militar à Ucrânia em relação ao seu PIB, fornecendo armas, equipamentos e ajuda humanitária. Eles veem a guerra na Ucrânia como uma ameaça direta à sua própria independência, visto que esses países fazem fronteira com a Rússia e a Bielorrússia.     Os países Bálticos também já fizeram parte da União Soviética e sofreram ocupação soviética, portanto, compreendem profundamente o alto preço da liberdade e a ameaça representada pelas ambições imperiais russas.     Os comitês declararam que a vitória da Ucrânia sobre a agressão russa e sua adesão à OTAN "consolidariam uma paz justa e duradoura não apenas na Ucrânia, mas também em toda a Europa, e ajudariam a preservar a ordem internacional baseada em regras globalmente".

24 fevereiro 2025

Terceiro aniversário da guerra Rússia x Ucrânia

    Hoje é aniversário do início da guerra Rússia x Ucrânia. Lá se vão três anos de muitas mortes de inocentes de ambos os lados, incluindo civis. Segundo as informações publicadas, esse número já é superior a 200 mil soldados, a maioria deles do lado russo. Somados aos feridos esse número já ultrapassou a marca de 1 milhão. Adicionalmente, segundo a CNN, 6,8 milhões de refugiados ucranianos estão vivendo em diversos lugares do mundo. É um balanço intolerável para um mundo em pleno século XXI depois de já ter vivido e amargurado tudo o que aconteceu durante a II Guerra Mundial da qual esses países foram partícipes. Nesses três anos de conflito que Putin descreveu como uma "operação militar especial", já foi devastado o leste da Ucrânia e teve repercussões globais, interrompendo os mercados de energia e reorientando a estratégia da OTAN. 

    Contudo, este capítulo da agressão russa tem uma história - já registrada - ainda mais longa. Por centenas de anos, a política externa da Rússia foi caracterizada por um senso de excepcionalismo civilizacional, vulnerabilidade percebida e ambições crescentes que excederam as capacidades do país. A geografia do país levou a Rússia a ver seus vizinhos menos como amigos em potencial do que como potenciais cabeças de praia para inimigos. E os líderes russos recentes — incluindo Putin — veem todos os estados fronteiriços nominalmente independentes, agora incluindo a Ucrânia, como armas nas mãos de potências ocidentais com a intenção de empunhá-las contra a Rússia, confrontando com o desejo de Moscou pelo reconhecimento ocidental de uma esfera de influência russa no antigo espaço soviético.

    Nos últimos três anos de guerra, o Ocidente reagiu contra a Rússia emitindo sanções, fortalecendo a OTAN, abastecendo Kiev e se recusando a reconhecer as reivindicações territoriais de Moscou enquanto tentava limitar a escalada. Mas, à medida que o governo Trump busca negociações com Putin para encerrar a guerra, muitos veem a unidade ocidental desmoronando. Qualquer acordo mais amplo com Moscou exigiria aceitar o domínio russo sobre seus vizinhos pós-soviéticos. Não é este o desejo da União Europeia (UE) que hoje anunciou pacote de ajuda militar de US$ 3,5 bilhões para a Ucrânia. A UE realizará uma reunião no dia 6 de março que marcará o início do aumento dos gastos com defesa na Europa. Veja a seguir o pacote de sanções que ela acabou de aprovar.


    16º pacote de sanções contra a Rússia, aprovado por unanimidade pela UE..

1. Proibição das importações de alumínio primário russo 2. 73 navios da frota paralela russa foram adicionados à lista negra da UE, elevando o total para 152 navios.
A maioria deles são petroleiros usados ​​para contornar o teto de preço do petróleo do G7 e apoiar os esforços de guerra de Moscou. O pacote também proíbe transações com portos e aeroportos russos envolvidos na evasão do teto de preço do petróleo e fortalece os critérios para sancionar proprietários, operadores e até capitães de embarcações.
3. Restrições à exportação de produtos essenciais que poderiam reforçar as capacidades industriais e militares da Rússia.
Isso inclui cromo e certos produtos químicos (como precursores usados ​​em máquinas CNC para fabricação de precisão), bem como consoles de videogame, joysticks e simuladores de voo, que a Rússia teria reutilizado para uso militar, como controle de drones.
4. Sanções sobre indivíduos e entidades
O pacote adiciona 48 indivíduos e 35 entidades à lista de sanções da UE, sujeitando-os a congelamentos de ativos e proibições de viagens. Além disso, 53 novas entidades enfrentam uma proibição de transações relacionadas a vendas de bens de alta prioridade para a Rússia, com foco naquelas vinculadas ao complexo militar-industrial.
5. Medidas de mídia e bancárias
As licenças de transmissão de 8 veículos de comunicação russos foram suspensas para combater a propaganda. Mais 13 bancos russos foram excluídos do sistema de mensagens financeiras SWIFT, isolando-os ainda mais das finanças globais.
6. Proibição de serviços de refino de petróleo e gás
Uma proibição de manutenção de refinarias de petróleo e gás russas foi introduzida para limitar as capacidades de manutenção da infraestrutura energética da Rússia.

04 dezembro 2024

EUA abrem nova base espacial na porta da Rússia, China e Coreia do Norte

Brigadier General Anthony Mastalir meets the press on December 3, 2024,
at Yokota Air Base in Western Tokyo, Japan. The U.S. Space Forces Japan
was set up at the base the following day. 
KYODO VIA AP IMAGES

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 04/12/2024, sua primeira unidade da Força Espacial no Japão para melhorar a defesa e a dissuasão da aliança em meio a ameaças da Rússia, China e Coreia do Norte.

A Força Espacial dos EUA no Japão foi ativada durante uma cerimônia realizada na Base Aérea de Yokota, que fica a oeste de Tóquio, capital do Japão. É um componente de campo sob a Força Espacial dos EUA no Indo-Pacífico e é subordinada à Força Aérea dos EUA no Japão.

A nova unidade militar dos EUA baseada no Japão reforçará as capacidades de vigilância espacial e alerta de mísseis do país anfitrião, informou a agência de notícias japonesa Kyodo News, bem como garantirá uma coordenação suave com o Grupo de Operações Espaciais da Força Aérea Japonesa.

"Isso aprofundará a colaboração e a sincronização entre os EUA e o Japão na segurança nacional", disse o Brigadeiro-General Anthony Mastalir, comandante das Forças Espaciais Indo-Pacíficas dos EUA. Ele citou ameaças da Rússia, China e Coreia do Norte à estabilidade regional.

Em fevereiro, a Casa Branca confirmou que a Rússia obteve uma arma antissatélite emergente "preocupante" depois que o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, Mike Turner, disse que uma arma nuclear russa baseada no espaço constituía uma séria ameaça à segurança nacional.

Em outubro, o General B. Chance Saltzman, chefe de operações espaciais da Força Espacial dos EUA, disse em uma entrevista que o rápido desenvolvimento de sistemas militares chineses baseados no espaço é mais preocupante do que as possíveis armas nucleares russas no espaço.

Na Coreia do Norte, após o lançamento bem-sucedido de seu primeiro satélite espião em novembro do ano passado, Pyongyang prometeu colocar vários outros satélites espiões na órbita da Terra até o final deste ano, com o objetivo de tornar o país com armas nucleares uma "potência espacial".

A Força Espacial dos EUA foi estabelecida como o sexto ramo das Forças Armadas dos EUA em dezembro de 2019. Ela visa buscar a superioridade e proteger e defender os interesses dos Estados Unidos no espaço, já que as ameaças representadas por concorrentes estratégicos, Rússia e China, neste domínio estão crescendo.

"Nossas capacidades espaciais ajudarão a deter a agressão adversária e a proteger as forças aliadas", disse o Coronel Ryan Laughton, comandante das Forças Espaciais dos EUA no Japão.

O Tenente-General Stephen Jost, chefe das Forças dos EUA no Japão, disse que suas forças estão comprometidas em trabalhar duro com suas contrapartes japonesas no domínio espacial, bem como em buscar oportunidades para integrar este domínio aos esforços de dissuasão da aliança.

06 julho 2024

Putin literalmente tirou a OTAN de um coma profundo

Antes de Putin invadir a Ucrânia, apenas 10 membros da OTAN investiam pelo menos 2% do PIB na defesa, mas hoje, 2 anos e 4 meses depois, 23 membros já ultrapassaram essa marca, com os restantes 9 com planos concretos para cumprir esse objetivo proximamente.

Putin literalmente tirou a OTAN de um coma profundo, trazendo-a de volta à vida com fôlego redobrado.



01 julho 2024

OTAN estabelecerá em Kiev/Ucrânia um novo posto de operação

Há poucos dias se disse que os tambores que prenunciam uma terceira guerra mundial seguem tocando cada vez mais alto. A proposição do texto foi chamar a atenção de que o Brasil precisa deixar o sombrio Eixo do Mal o quanto antes. E se afirmou, e se reafirma agora, que caso isto não aconteça poderá nos custar MUITO caro.

Na próxima semana ocorrerá, em Washington, reunião da OTAN. O que já se sabe até o momento leva-nos a concluir, sem dificuldades, que a temperatura do ambiente propício a uma III GM irá aumentar. No artigo anterior o cenário analisado foi o do Oriente Médio. Agora o teatro está nos territórios da Ucrânia e da Rússia, cercados por países europeus. Vamos aos fatos já divulgados.



A OTAN colocará um alto funcionário civil em Kiev, entre uma série de novas medidas destinadas a reforçar o apoio de longo prazo à Ucrânia, que deverão ser anunciadas na cúpula em Washington na próxima semana, dizem autoridades dos EUA e da Aliança.

As medidas procuram reforçar as perspectivas da Ucrânia de eventualmente aderir à Aliança sem lhe oferecer adesão. 

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está também a estabelecer um novo comando em Wiesbaden, na Alemanha, para coordenar o fornecimento de equipamento militar a Kiev e o treino de tropas ucranianas.

Chamada de Assistência e Treinamento de Segurança da OTAN para a Ucrânia, a operação será composta por quase 700 funcionários dos EUA e outros aliados de toda a aliança de 32 países. Ela assumirá grande parte de uma missão que tem sido dirigida pelos militares americanos desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.

Funcionários atuais e antigos dos EUA disseram que as medidas permitiriam à aliança coordenar melhor os esforços dos países ocidentais para fornecer apoio militar à Ucrânia, no que se tornou um prolongado teste de vontades entre Moscou e o Ocidente na fronteira da OTAN. O plano também visa tornar os militares da Ucrânia mais parecidos com os da OTAN.

Os membros da Aliança esperam que a conferência  também chegue a um acordo sobre um compromisso financeiro anual de apoio militar à Ucrânia, embora os termos ainda estejam em negociação, disseram diplomatas da OTAN. As discussões recentes entre os membros da aliança incluíram o estabelecimento de uma meta de cerca de 40 bilhões de dólares anuais e o aumento do valor das contribuições de muitos países, embora os EUA provavelmente continuariam a ser um grande doador.

Embora muitos membros da OTAN digam que a aliança deveria convidar a Ucrânia a aderir, iniciando um processo que poderá levar anos, os EUA e a Alemanha opõem-se a tomar tal medida na conferência da próxima semana.

No âmbito das iniciativas já acordadas para aprovação final na conferência, o pessoal de países não-membros trabalhará ao lado dos americanos no novo comando da OTAN para alinhar as doações de equipamento militar com as necessidades da Ucrânia e coordenar as entregas. Eles também coordenarão o treinamento das tropas ucranianas, para garantir que o que está sendo oferecido atenda às necessidades de Kiev. O pessoal da OTAN não fará nenhum treinamento, disseram as autoridades.

Embora a mudança alargue o envolvimento da OTAN, os EUA continuarão a fornecer a maior parte do pessoal, que reportará ao General do Exército Christopher Cavoli, que serve como comandante máximo da OTAN.

O alto funcionário civil em Kiev concentrar-se-ia nos requisitos de modernização militar a longo prazo da Ucrânia e no apoio não militar, ligando-se tanto ao planejado comando de Wiesbaden como ao quartel-general da OTAN em Bruxelas.

“Uma vez que os aliados da OTAN forneceram mais de 90% da assistência total de segurança à Ucrânia, a OTAN é o local natural para coordenar a assistência para garantir que a Ucrânia seja mais capaz de se defender agora e no futuro”, disse um alto funcionário do Departamento de Estado.

A conferência  da OTAN ocorre num momento crucial na cena política americana. Biden elogiou o seu papel na mobilização do apoio da aliança à Ucrânia como uma das suas principais realizações em política externa, já que a Casa Branca procurou ajudar as forças ucranianas a resistir ao ataque da Rússia, ao mesmo tempo que limitou o risco de o conflito poder evoluir para um conflito direto dos EUA. e confronto russo. Biden também disse que deter as forças russas na Ucrânia é vital para impedir a agressão de Moscou noutras partes da Europa e mesmo fora dela.

“Consegui que outras 50 nações ao redor do mundo apoiassem a Ucrânia, incluindo o Japão e a Coreia do Sul”, disse Biden durante o debate de quinta-feira. “Nenhuma grande guerra na Europa conseguiu ser contida apenas na Europa.”

23 junho 2024

A família nuclear da Coreia do Norte versus "colocar panos quentes"


Vladimir Putin a Pyongyang, onde foi recibido por Kim Jong-un.
Foto: Kremlin / DPA vía Europa Press

        Vladimir Putin, assinou nesta quarta-feira (19/06/2024) em Pyongyang um acordo de "associação estratégica" com seu homólogo na Coreia do Norte, Kim Jong-un, no que foi a primeira visita de Putin ao país em mais de duas décadas. O documento inclui uma cláusula de "defesa mútua" em caso de agressão externa de um terceiro. O novo pacto que substitui o tratado de amizade e assistência mútua de 1961, o tratado de relações bilaterais de 2000 e as declarações de Moscou e Pyongyang de 2000 e 2001, respectivamente. 

        De acordo com esse novo tratado, tanto o Governo russo como o norte-coreano terão a possibilidade de ativar mecanismos de "assistência mútua "ante possíveis agressões" contra qualquer das partes assinantes. E, neste sentido, os dirigentes citaram explicitamente as recentes declarações de diferentes líderes de Estados membros da OTAN sobre a possibilidade de permitir que a Ucrânia utilize as armas dessa Aliança em território russo. Bom, neste domingo (23/062024), o Exército Ucraniano divulgou um vídeo lançando 8 mísseis balísticos ATACMS - americanos - em direção à Crimeia.



        É hora, portanto, de se recordar análises anteriores de estudiosos sobre o assunto, entre elas a que se encontra em um longo texto do pesquisador SUE MI TERRY¹, divulgado em 2021. 
No texto, Terry mostra como a Coreia do Norte conseguiu ter uma bomba atômica e como se lidar com um Estado pária com armas nucleares, uma questão nunca resolvida, mas que nunca se transformou totalmente numa ameaça existencial, e que tem perseguido uma longa sucessão de administrações dos EUA. Obviamente, a referida visita de Putin põe mais lenha nessa fogueira. A sensação que prevalece hoje é de uma tensão crescente entre as grandes potências. Terry disse que anos de esforços inconsistentes, e por vezes contraproducentes, dos EUA para conter a ameaça nuclear norte-coreana apenas a deixaram piorar, de tal forma que o atual presidente dos EUA, Joe Biden, enfrenta agora um adversário muito mais capaz em Pyongyang do que os seus antecessores alguma vez enfrentaram. 

        Nos 15 anos desde o primeiro teste nuclear da Coreia do Norte, o país já acumulou 60 ogivas nucleares e material suficiente para construir pelo menos seis bombas adicionais todos os anos. Mais alarmante ainda, estas armas podem agora provavelmente chegar ao território continental dos Estados Unidos. A Coreia do Norte já possui mísseis de longo alcance capazes de atingir a Costa Leste dos EUA. "O que antes era pura hipótese – um ataque nuclear norte-coreano no continente americano – está rapidamente a tornar-se uma possibilidade real."

Terry continua [ ...] "Ainda é pouco provável que a Coreia do Norte lance um ataque nuclear contra os Estados Unidos, sabendo que sofreria uma retaliação devastadora. Mas um regime norte-coreano encorajado e com capacidades nucleares crescentes poderia recorrer a comportamentos cada vez mais imprudentes, como ataques convencionais, conspirações terroristas ou ataques cibernéticos e lembra que o Japão e a Coreia do Sul, por sua vez, poderão perder a confiança no guarda-chuva nuclear dos EUA e sentir-se compelidos a utilizar as suas próprias armas nucleares, desencadeando uma corrida armamentista nuclear desestabilizadora em toda a região."

        Em seguida o texto de Terry descreve (sob sua ótica), como. a Coreia venceu. E digo, eu a vitória ocorreu por apatia das demais potências, especialmente os EUA. O que deveria ter sido no início foi substituído por "colocar panos quentes", assim como tem ocorrido em situações similares com outros países, em particular com a China. Aliás, o Brasil também usou "colocar panos quentes" durante o governo Bolsonaro e estamos submetidos, atualmente, a uma ditadura.

Segundo Terry, "As aspirações nucleares da Coreia remontam à década de 1950, quando os cientistas norte-coreanos adquiriram pela primeira vez conhecimentos nucleares básicos com a ajuda soviética. Ao longo das décadas seguintes, o regime continuou a acumular tecnologias nucleares sensíveis e, na década de 1980, construiu o seu primeiro reator nuclear em Yongbyon. Em 1985, a Coreia do Norte assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas fê-lo sob pressão soviética e não por convicção genuína. Pouco depois, começou a reprocessar secretamente o combustível nuclear usado para extrair plutônio para utilização em armas nucleares. Anos de investigação e enriquecimento adicionais culminaram no primeiro teste nuclear do país, em Outubro de 2006. Seguiram-se mais cinco testes."

        A família Kim governa o país ininterruptamente desde 1948.  Os líderes em Pyongyang estão convencidos de que ninguém, nem mesmo uma superpotência como os Estados Unidos, ousaria atacar ou mesmo minar seriamente um Estado armado com a arma mais moderna. 

        Em meados da década de 1990, talvez tenha ocorrido a melhor oportunidade que os Estados Unidos alguma vez tiveram para desfazer permanentemente o progresso nuclear do Norte. Em 1994, os esforços de enriquecimento de Pyongyang estavam bem encaminhados e o regime preparava-se para remover várias barras de combustível nuclear do seu reator usado para pesquisa em Yongbyon. Dentro das hastes, suspeitavam os especialistas, havia plutônio para uso militar suficiente para construir meia dúzia de bombas nucleares. Apesar da intensa pressão, Pyongyang recusou-se a conceder acesso ao local a inspectores internacionais.

        Washington viu o perigo – um Estado hostil poderia estar prestes a cruzar “a linha de chegada nuclear” – e contemplou seriamente uma acção militar. Num plano que chegou à mesa do presidente Bill Clinton, mísseis de cruzeiro americanos e caças stealth F-117 levariam a cabo um ataque de precisão em Yongbyon, enterrando as barras de combustível numa montanha de escombros e evitando assim que a Coreia do Norte transformasse o seu material físsil em arma. Mas enquanto Clinton ponderava as suas opções, o antigo Presidente dos EUA Jimmy Carter viajou para Pyongyang e, por sua própria iniciativa, negociou um acordo: a Coreia do Norte congelaria o seu programa de armas nucleares em troca de petróleo e assistência ao seu setor nuclear civil. Clinton concordou e, mais tarde naquele ano, assinou um acordo com o líder norte-coreano Kim Jong Il. Nos termos do acordo, a Coreia do Norte comprometeu-se a suspender os seus reatores de produção de plutónio em Yongbyon. Em troca, um consórcio liderado pelos EUA entregaria cerca de dez anos de petróleo pesado à Coreia do Norte e construiria dois reatores nucleares civis de água leve no país, entre outras concessões.

"A diplomacia de Clinton e Carter, contudo, não conseguiu controlar os norte-coreanos. Embora Pyongyang tenha congelado as suas capacidades de plutónio após o acordo de 1994, continuou secretamente a trabalhar com A. Q. Khan, o pai do programa nuclear do Paquistão, para enriquecer urânio. Quando um enviado dos EUA confrontou autoridades norte-coreanas sobre a sua fraude em Outubro de 2002, eles não se arrependeram. Em poucos meses, a Coreia do Norte expulsou inspectores internacionais e retirou-se do Tratado de Não Proliferação Nuclear, desencadeando novas tensões", relata Terry.

        A mesma dinâmica caracterizou os anos Obama, em que a Coreia do Norte iniciou um segundo teste nuclear em Maio de 2009. Após vários anos de impasse, Barack Obama, chegou a um acordo com o novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, em 2012. Desta vez, os Estados Unidos forneceriam ajuda alimentar em troca de uma moratória sobre testes de mísseis balísticos e quaisquer atividades nucleares. Contudo, pouco depois da implementação do acordo, a Coreia do Norte lançou um satélite em órbita utilizando a mesma tecnologia que seria utilizada para disparar um míssil de longo alcance. Outro acordo fracassou. Para completar, Pyongyang declarou que as suas armas nucleares não eram uma moeda de troca e não seriam abandonadas nem mesmo por “biliões de dólares”.

De acordo com Terry, "o jogo de espera parou repentinamente quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em 2017. Deixando de lado a “paciência estratégica” em favor da “pressão máxima”, Trump dobrou as sanções e autorizou o Departamento do Tesouro dos EUA a colocar na lista negra qualquer empresa ou indivíduo estrangeiro. que facilitou o comércio com a Coreia do Norte. A sua administração também convenceu o Conselho de Segurança da ONU a adoptar um novo conjunto de sanções duras destinadas a cortar quase todas as fontes de moeda forte de Pyongyang. Entretanto, uma série de fugas de informação sugeriu que a administração estava a considerar lançar um ataque militar preventivo e “nariz sangrento” contra instalações nucleares norte-coreanas. Tudo isto foi acompanhado pelas ameaças de Trump de fazer chover “fogo e fúria” sobre o “Homem Foguete” – a sua alcunha depreciativa para o líder norte-coreano". Trump deleitou-se com as três reuniões que teve com Kim ao longo de 2018 e 2019. Mas os encontros não produziram quaisquer resultados tangíveis. 

        Ao lidar com Pyongyang, Biden é o mais recente líder americano a confrontar a Coreia do Norte. Ao contrário dos presidentes anteriores, Biden enfrenta agora um adversário determinado com uma dissuasão nuclear robusta que inclui a capacidade de atingir o território continental dos Estados Unidos com mísseis nucleares. E agora acredita-se que muitas das ogivas nucleares e mísseis da Coreia do Norte estejam escondidos em instalações secretas e enterrados em bunkers impenetráveis; alguns podem ser movidos com facilidade. É pouco provável que os ataques aéreos eliminem estas capacidades de uma só vez, o que significa que Kim poderia retaliar com um ataque nuclear.

Em resumo, não agir com firmeza no momento certo, optando-se por "colocar panos quentes" não é recomendável em nenhum lugar do mundo.


  • ¹ SUE MI TERRY is a Senior Fellow at the Center for Strategic and International Studies. A former CIA analyst, she served on the National Security Council in 2008–9 and the National Intelligence Council in 2009–10.

13 fevereiro 2024

A primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas, reagiu à ordem de prisão emitida contra ela por Vladimir Putin

A Rússia emitiu uma ordem de busca e captura em seu território contra a primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas, além de funcionários de alto escalão e deputados desse país e também da Letônia, Lituânia e Polônia.

Durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (13), o porta-voz do Kremlin acusou os países bálticos de “ações hostis contra a memória histórica” da Rússia. No canal Telegram o Ministério das Relações Exteriores russo acrescentou: "Pelos crimes contra a memória daqueles que libertaram o mundo do nazismo e do fascismo, devemos responder! Isto é apenas o começo!".

O motivo da ação seria a retirada, em agosto de 2022, do tanque soviético T-34 e de outros monumentos soviéticos da cidade de Narva, na fronteira com a Rússia.

Ora, o mundo inteiro sabe que o Exército Vermelho nunca foi libertador. Ao contrário, sempre agiu da mesma forma que aqueles que enfrentou (nazistas e fascistas), ou seja, uma força de ocupação que impôs o regime comunista em diversos países. O que a Rússia sempre esquece de mencionar é que juntamente com a sua então aliada Alemanha nazi, iniciaram a Segunda Guerra Mundial.

Kaja Kallas
Kaja Kallas, está entre as vozes mais fortes dentro da União Europeia (UE) e da OTAN a favor do fornecimento de armas à Ucrânia e do endurecimento das sanções contra a Rússia.

Da mesma forma, o ministro da Cultura da Lituânia, além de 59 dos 68 deputados do Parlamento da Letônia, estão inclusos nessa decisão por votarem a favor da denúncia do tratado com a Rússia para conservação de monumentos.

Já entre os dirigentes poloneses com emissão de busca e captura estão o prefeito da cidade de Walbrzych e o presidente do Instituto de Memória Nacional.

A primeira-ministra da Estônia Kaja Kallas reagiu:

"A decisão da Rússia não é nada surpreendente. É mais uma prova de que estou fazendo a coisa certa – o forte apoio da União Europeia à Ucrânia é um sucesso e prejudica a Rússia. Sempre disse que a caixa de ferramentas da Rússia não mudou. Ao longo da história, a Rússia ocultou as suas repressões por trás das chamadas agências de aplicação da lei. Eu sei disso pela história da minha família. Quando a minha avó e a minha mãe foram deportadas para a Sibéria nos tempos da dominação soviética, a KGB emitiu um mandado de prisão contra elas. O Kremlin espera agora que esta medida irá silenciar-me a mim e a outros – mas não o fará. O oposto! Continuarei o meu forte apoio à Ucrânia. Continuarei a defender o aumento da defesa da Europa."

Kaja Kallas também afirmou:

"Agora não é o momento de pressionar por uma paz prematura. A menos que a Rússia abandone o seu objetivo de conquistar novos territórios na Ucrânia, as conversações de paz têm poucas hipóteses de conseguir alguma coisa. A história mostra que o apaziguamento apenas fortalece e encoraja os agressores e que os agressores só podem ser detidos com força. Como primeira-ministra da Estónia, um país da linha da frente da OTAN que suportou meio século de ocupação soviética, sei o que realmente significa a paz nos termos da Rússia. A paz russa não significaria o fim do sofrimento, mas sim mais atrocidades. O único caminho para a paz é expulsar a Rússia da Ucrânia."

[ ... ] "A Estônia partilha uma fronteira e uma longa história com a Rússia. Os países grandes podem cometer erros e sobreviver. Mas os pequenos têm uma margem de erro muito menor. Para nós, a necessidade de travar a agressão russa na Ucrânia é uma questão existencial. Após a Segunda Guerra Mundial, nós, Estônios, perdemos tudo para o terror soviético: perdemos o nosso território, a nossa liberdade e um quinto da nossa população. Fomos esquecidos e abandonados atrás da Cortina de Ferro durante meio século.


[ ... ] "Quando restauramos a nossa independência em 1991, após 50 anos de ocupação, decidimos que nunca mais ficaríamos sem amigos e aliados. É por isso que aderimos à UE e à OTAN. Muitos países da Europa Central e Oriental fizeram o mesmo, procurando segurança contra a agressão russa, e agora a Suécia e a Finlândia também se juntaram à aliança, numa resposta direta à invasão da Ucrânia pela Rússia. Aqueles que culpam a OTAN por provocar a Rússia através da “expansão” ou “escalada” estão a propagar a ideologia imperial do Kremlin."

[ ... ] "O mundo livre não deve reduzir o seu apoio militar à Ucrânia ou procurar congelar o conflito para prosseguir conversações de paz. Qualquer pausa nos combates agora serviria apenas os interesses militares da Rússia. Permitiria às forças russas descansar e reagrupar-se, apenas para continuarem a sua agressão mais tarde. No final, parafraseando Winston Churchill, teríamos tanto desonra como guerra.

10 fevereiro 2023

COMO OS EUA EXPLODIRAM O OLEODUTO NORD STREAM

Foto aérea de um caça F16 da Defesa da Dinamarca
mostra o vazamento de gás do Nord Stream 2. 
Em 26 de setembro de 2022, um avião de 
vigilância P8 da Marinha Norueguesa fez um voo 
aparentemente rotineiro e lançou uma boia de sonar. 
O sinal se espalhou debaixo d'água, inicialmente 
para o Nord Stream 2 e depois para o Nord Stream 1. 
Poucas horas depois, os explosivos C4 de alta 
potência foram acionados e três dos quatro 
gasodutos foram colocados fora de serviço.
Foto: Defesa Dinamarquesa

No artigo How America Took Out The Nord Stream Pipeline, Seymour Hersh faz um relato minucioso de como mergulhadores treinados especificamente para missões militares foram enviados para o mar Báltico em junho de 2022, durante exercícios navais de rotina com outros países, com o objetivo de instalar secretamente explosivos com detonação remota nos gasodutos russos .

 O processo de planejamento começou em dezembro de 2021, quando uma força-tarefa especial foi criada com a participação direta do Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, afirma o jornalista.


Todo mês de junho, nos últimos 21 anos, a Sexta Frota Americana patrocinou um grande exercício da Otan no Mar Báltico envolvendo dezenas de navios aliados em toda a região. O exercício atual seria conhecido como Baltic Operations 22, ou BALTOPS 22, explica Hersh.

Washington convenceu os planejadores da BALTOPS 22 a acrescentar um "exercício de pesquisa e desenvolvimento", envolvendo a Sexta Frota em colaboração com os “centros de pesquisa e guerra” da Marinha. O evento, realizado na costa da ilha dinamarquesa de Bornholm, envolveu mergulhadores plantando minas e equipes usando a mais recente tecnologia subaquática para encontrá-las e destruí-las, conta Hersh.

Sob este disfarce, uma operação secreta não fiscalizada pelo Congresso com mergulhadores da Marinha, plantou durante o BALTOPS as cargas de explosivos que destruiram os gasodutos, afirma o renomado jornalista, mas a Casa Branca temia que uma detonação próxima do fim das manobras navais indicaria envolvimento dos EUA nas explosões, acrescentou.

As bombas foram detonadas três meses depois, em 26 de setembro, com um sinal remoto enviado por uma bóia hidroacústica, lançada na zona onde se encontravam os explosivos por um avião de vigilância P8 da Marinha norueguesa, de acordo com Hersh.

Dois dos gasodutos, que eram conhecidos coletivamente como Nord Stream 1, vinham fornecendo à Alemanha e a grande parte da Europa Ocidental gás natural russo barato há mais de uma década. Um segundo par de gasodutos, chamado Nord Stream 2, havia sido construído, mas ainda não estava operacional.

"A decisão de Biden de sabotar os gasodutos ocorreu após mais de nove meses de debates altamente secretos dentro da comunidade de segurança nacional de Washington sobre a melhor forma de atingir esse objetivo. Durante grande parte desse tempo, a questão não era como cumprir a missão, mas como realizá-la sem nenhuma pista clara de quem era o responsável", escreve Seymour Hersh.

Uma ação que pudesse ser atribuída ao governo americano violaria as promessas dos EUA de minimizar o conflito direto com a Rússia. O sigilo era essencial.

A Marinha propôs usar um submarino recém-comissionado para atacar diretamente o gasoduto. A Força Aérea discutiu o lançamento de bombas com fusíveis retardados que poderiam ser ativados remotamente. A CIA argumentou que o que quer que fosse feito, teria que ser secreto. Todos os envolvidos entenderam o que estava em jogo”, afirma Hersh.

Enquanto a Europa permanecesse dependente dos gasodutos de gás natural barato, Washington temia que países como a Alemanha relutassem em fornecer à Ucrânia o dinheiro e as armas necessárias para derrotar a Rússia”, escreveu.

Questionada por Hersh sobre o assunto, Adrienne Watson, porta-voz da Casa Branca, disse em um e-mail: "Isso é falso e uma completa ficção". Tammy Thorp, porta-voz da Agência Central de Inteligência (CIA), respondeu da mesma forma: "Esta afirmação é completamente e totalmente falsa", relata Hersh.

O presidente Biden e sua equipe de política externa – o Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, o Secretário de Estado Tony Blinken e Victoria Nuland, Subsecretária de Estado para a Política – foram vocais e consistentes em sua hostilidade aos dois gasodutos, que correram lado a lado por 750 milhas sob o Mar Báltico a partir de dois portos diferentes no nordeste da Rússia, perto da fronteira com a Estônia,  passando perto da ilha dinamarquesa de Bornholm antes de terminar no norte da Alemanha.

A rota direta, que contornava a necessidade de transitar pela Ucrânia, tinha sido extremamente favorável para a economia alemã, que desfrutava de uma abundância de gás natural russo barato para operar suas fábricas e aquecer suas casas, permitindo ainda que os distribuidores alemães vendessem o excesso de gás, com lucro, em toda a Europa Ocidental. 

Moscou classificou as explosões como um ataque terrorista e afirmou que os EUA foram a nação que mais se beneficiou com a destruição dos gasodutos, acelerando as tentativas da Europa de se livrar do gás russo.

Depois dessa reportagem, O líder do Parlamento russo, Vyacheslav Volodin, classificou Joe Biden como "terrorista" e culpou Washington por sabotar os gasodutos Nord Stream.

Volodin disse nesta quinta-feira (9) que o discurso de Biden sobre o Estado da União, no qual ele afirmou que os EUA eram "uma nação que permanece como um farol para o mundo", o lembrou de "declarações de líderes do Terceiro Reich".

As ramificações dessa "ideologia do excepcionalismo" foram descobertas na investigação de Hersh, escreveu o parlamentar russo em rede social.

"Se [Harry S.] Truman se tornou um criminoso, que usou armas nucleares contra civis em Hiroshima e Nagasaki, Biden se tornou um terrorista, que ordenou a destruição da infraestrutura energética de seus parceiros estratégicos: Alemanha, França, Holanda", disse Volodin. 

As revelações de Hersh devem ser motivo para uma investigação internacional para "levar Biden e seus cúmplices à justiça" e garantir que as nações afetadas por esse "ataque terrorista" recebam indenização, acrescentou Volodin.

As autoridades russas vêm há meses apontando que o único lado que se beneficiou da destruição dos gasodutos foram os EUA, que aumentaram maciçamente suas entregas de gás natural liquefeito (GNL) à Europa após a sabotagem.

Quem é Hersh? 

SEYMOUR HERSH estabeleceu-se na vanguarda do jornalismo investigativo com uma exposição do massacre em My Lai, Vietnã, pelo qual ganhou um Prêmio Pulitzer. Desde então, ele descobriu histórias que Washington preferiria que permanecessem escondidas. Do papel de Kissinger no governo Nixon, passando pelo arsenal oculto de armas químicas e biológicas americanas, à exposição do regime de tortura militar nas prisões de Abu Ghraib e Guantanamo, Hersh tem consistentemente descoberto a verdade desconfortável por trás do poder dos EUA no mundo. Sua controversa exposição sobre a morte de Osama bin Laden (The Killing of Osama bin Laden, 2016), desafiou a narrativa oficial americana do assassinato. Ele ganhou o George Polk Award cinco vezes, o National Magazine Award for Public Interest duas vezes, o Pulitzer Prize for Journalism, o L A Times Book Prize e o National Book Critics Circle Award, além de dezenas de prêmios para o New York Times e New Yorker, onde foi um escritor de longa data.