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26 junho 2026

Putin humilhado: tropas ameaçam voltar suas armas contra ele


Segundo a matéria publicada ontem  pelo repórter  (DAILY BEAST),  relata-se que a alta cúpula militar e membros dos serviços de segurança apoiam um motim em gestação como decorrência dos caóticos resultados humanos e militares obtidos na guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

A reportagem expões que um ex-oficial militar russo fez um apelo direto a Vladimir Putin, alertando o líder russo sobre um levante armado caso o país não seja informado da "verdade" sobre a guerra na Ucrânia.

Em um vídeo no Instagram que rapidamente acumulou milhões de visualizações na quinta-feira, Alexander Lunin dirigiu-se a Putin, alertando para "consequências muito graves" caso suas exigências fossem ignoradas.

Lunin, de 39 anos e pai de dois filhos, afirmou ter sido incumbido de "transmitir uma mensagem" a Putin por oficiais militares e membros dos serviços de segurança não identificados. Segundo ele, pediram-lhe que exigisse uma reunião com Putin no Kremlin — com direito a "transmissão ao vivo" — para que o país pudesse saber a "verdade" sobre o que está acontecendo.

"Se, em um futuro próximo, eu não for ao Kremlin e falar ao vivo ao seu lado, o exército voltará suas armas contra o Kremlin", disse ele.

Relata-se que Lunin comandou um batalhão de voluntários russos na Ucrânia ocupada até algum momento do ano passado, quando disse ter sido afastado por se recusar a cumprir ordens. Ele contou ao veículo de mídia independente *Agentstvo* que autoridades de defesa foram à sua casa, na região de Voronezh, para exigir que ele gravasse um vídeo com um apelo a Putin. Aparentemente, elas haviam notado que ele usava as redes sociais para divulgar as queixas das tropas vindas do campo de batalha.

Mais de quatro anos após Putin lançar sua "operação militar especial" contra a Ucrânia com promessas de uma vitória rápida, Kiev inverteu o jogo com uma série de ataques de longo alcance que elevaram a tensão para Moscou e alertaram os cidadãos russos comuns sobre as falhas do Kremlin no campo de batalha.

O presidente russo tem recusado repetidamente acordos de paz. Lunin disse que os oficiais militares estavam fartos da guerra e do "moedor de carne" nas linhas de frente.

"Ninguém quer derramamento de sangue. Apenas deixem claro para o presidente que haverá um caos total aqui se isso continuar", disse ele, relatando o que os oficiais lhe haviam dito ao exigir seu apelo público a Putin. “Neste momento, dezenas, centenas, milhares de nossos soldados estão confinados em fossas, punidos por seus comandantes. Eles ficam lá, apodrecendo, sendo torturados e maltratados pela chamada Gestapo, pelo simples fato de terem se recusado a cumprir ordens estúpidas e suicidas”, disse Lunin, segundo o veículo de mídia independente russo Meduza.

25 junho 2026

Rússia x Ucrânia: Resultados humanos e militares caóticos


A guerra na Ucrânia, agora em seu quinto ano, atingiu mais um ponto de inflexão. As forças russas enfrentam dificuldades visíveis no campo de batalha, à medida que a estratégia de Kiev — tornar a guerra inútil para a Rússia — começa a surtir efeito. No entanto, o futuro da segurança europeia não depende apenas do desfecho deste conflito. Mesmo que derrotada, a Rússia continuará sendo a principal ameaça na Europa nos próximos anos. Apesar da economia estagnada, da demografia desfavorável e de um regime autoritário que se torna cada vez mais rígido, a Rússia permanece como a principal potência capaz de — e empenhada em — desestabilizar a arquitetura de segurança do continente. Além disso, a reconstituição militar russa no pós-guerra não é uma questão de "se", mas de "quando".

Resultados humanos e militares caóticos

Pelo menos 400.000 soldados russos ...foram mortos em combate na Ucrânia — um relatório de inteligência britânico divulgado no final de maio sugere quase 500.000 — e outros 600.000 a 800.000 ficaram gravemente feridos. Apesar dessas baixas massivas, o tamanho da força aumentou de aproximadamente 850.000 militares na ativa antes da guerra para 1,3 milhão atualmente. Muitas unidades dobraram ou triplicaram de tamanho, e a maioria delas incorporou unidades de drones, reconhecimento, assalto e guerra eletrônica. Seguindo o exemplo da Ucrânia, a Rússia também criou um novo ramo de combate dedicado à guerra com drones, denominado Forças de Sistemas Não Tripulados. Embora muitas das unidades atuais devam ser reduzidas após a guerra, e os destacamentos de assalto e as formações de reserva sejam extintos, é improvável que as forças armadas retornem ao seu tamanho anterior ao conflito.

Ao mesmo tempo, as perdas de equipamentos russos na guerra têm sido impressionantes. De acordo com relatos de fontes abertas, no início de maio de 2026, as forças armadas russas perderam mais de 14.000 veículos blindados de combate, 2.100 peças de artilharia e milhares de outros itens. Devido aos ataques cada vez mais bem-sucedidos da Ucrânia, a Rússia agora está perdendo sistemas de defesa aérea em números muito maiores do que no início da guerra, o que levanta questões sobre como compensará os sistemas mais caros que não podem ser facilmente substituídos. Entre as perdas de aeronaves e defesas antimísseis, a guerra está degradando as forças armadas russas de maneira significativa. No curto prazo, isso as tornará mais vulneráveis ​​ao poder aéreo da OTAN e às suas capacidades superiores de ataques de precisão de longo alcance.

Planejadores de defesa e analistas divergem quanto à gravidade do perigo futuro representado pelas forças armadas russas e à rapidez com que essa ameaça pode crescer. Alguns temem que Moscou seja capaz de manter uma postura agressiva logo após o fim da guerra na Ucrânia. Outros acreditam que pode levar muitos anos para reconstituir suas forças militares, atualmente enfraquecidas e degradadas. Há uma percepção de que as perdas de tropas e equipamentos deixaram as forças russas em frangalhos e que um exército incapaz de realizar avanços significativos na Ucrânia dificilmente poderia ameaçar a Europa.

É o preço que sociedade russa está pagando por uma decisão ditatorial já conhecida e vista em diversos países e em diversos períodos da história mundial.

23 fevereiro 2026

Rússia e Ucrânia: quatro anos de combates

    Esta terça-feira (24) marca quatro anos desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia. O número de soldados de ambos os países que foram mortos, feridos ou desaparecidos está se aproximando de dois milhões, segundo as últimas informações já divulgadas. É um preço multo alto para muitas famílias.

Um soldado russo fez um brinde com sua família antes de ser enviado para o front, prometendo-lhes que "chegaria a Kiev". Em vez disso, acabou da mesma forma que aconteceu com centenas de milhares de outros soldados russos.


'Não há ninguém para cortar lenha'. "É de partir o coração — muitas das nossas pessoas foram mortas", declara uma moradora da cidade de Sedanka, no extremo leste da Rússia.  "Todos os nossos homens partiram para a operação militar especial", afirmou um grupo de mulheres ao governador da região, durante visita em março de 2024, utilizando a expressão adotada pelo governo russo para se referir à guerra na Ucrânia.

Perdas russas na guerra contra a Ucrânia

    Anos de combates mudaram irrevogavelmente o continente europeu e a própria natureza da guerra. As repercussões no Brasil são de toda ordem, incluindo, em 2025, a ida de Lula a Moscou para presenciar desfiles militares ao lado de ditadores. 

    "Lula escolheu estar ao lado de ditadores, e, nesse processo, arrasta perigosamente o Brasil para longe das democracias consolidadas, comprometendo sua imagem internacional e relativizando princípios que deveriam ser inegociáveis para qualquer nação que se diga livre", lembrou a Gazeta do Povo.

    O Estadão realçou a imagem de Lula na Praça Vermelha, ao lado de facínoras para ver o desfile de mísseis que massacrarão inocentes na Ucrânia, e que marcou o dia da infâmia da política externa brasileira.





21 agosto 2025

Ataques ucranianos forçaram Moscou a suspender as exportações de gasolina

    Ataques ucranianos em refinarias de petróleo russas provocaram escassez de gasolina na Rússia, relata o Financial Times.

    Os preços no atacado da gasolina A-95 subiram 55% desde o início de 2025, com ataques de drones afetando pelo menos 10% da capacidade de refino.     A crise forçou Moscou a suspender as exportações de gasolina na tentativa de manter o abastecimento doméstico. No entanto, a medida não conseguiu conter os aumentos de preços nem aliviar a escassez.     As perturbações mais graves são relatadas no Território Transbaikalsky e na Crimeia ocupada, onde a gasolina está sendo racionada por meio de cupons.



07 junho 2025

Estados bálticos emitem declaração conjunta apoiando a adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia!


 

    Os três parlamentos bálticos argumentam que a adesão da Ucrânia proporcionaria “uma estrutura mais eficaz e duradoura para salvaguardar a segurança euro-atlântica”.     Os comitês de relações exteriores da Estônia, Letônia e Lituânia divulgaram uma declaração unificada declarando apoio abrangente à integração da Ucrânia na OTAN e na União Europeia, ao mesmo tempo em que reafirmaram seu compromisso com a vitória da Ucrânia contra o que dizem ser agressão russa.



    Os três Estados Bálticos estão entre os maiores contribuintes de ajuda militar à Ucrânia em relação ao seu PIB, fornecendo armas, equipamentos e ajuda humanitária. Eles veem a guerra na Ucrânia como uma ameaça direta à sua própria independência, visto que esses países fazem fronteira com a Rússia e a Bielorrússia.     Os países Bálticos também já fizeram parte da União Soviética e sofreram ocupação soviética, portanto, compreendem profundamente o alto preço da liberdade e a ameaça representada pelas ambições imperiais russas.     Os comitês declararam que a vitória da Ucrânia sobre a agressão russa e sua adesão à OTAN "consolidariam uma paz justa e duradoura não apenas na Ucrânia, mas também em toda a Europa, e ajudariam a preservar a ordem internacional baseada em regras globalmente".

04 maio 2025

Ousadia e inovação fazendo diferença na Ucrânia

    Foram divulgadas fotos do novo drone naval Magura V7 da Ucrânia que derrubou dois caças russos Su-30SM sobre o Mar Negro há dois dias. O Tenente-General Kyrylo Budanov, disse ao site de notícias War Zone que a tripulação de um avião russo foi resgatada das águas geladas por um navio comercial, enquanto os tripulantes do segundo avião não sobreviveram.. Os dois aviões custaram US$ 50 milhões cada.


   

    Su-30SM


    


Vídeo divulgado pelo exército ucraniano 

    A reportagem relata que a Ucrânia afirmou ter abatido os dois caças russos usando drones navais equipados com mísseis modificados de fabricação americana, no que autoridades militares em Kiev disseram ser o primeiro ataque desse tipo na história da guerra.

    Os abates demonstram a ameaça que a Ucrânia representa para a Rússia, com um complexo militar-industrial que está inovando para se manter firme contra o exército muito maior de Moscou. O país menor encontrou meios cada vez mais ousados ​​de enfraquecer seu inimigo.

    Em um discurso em vídeo no sábado, o presidente Volodymyr Zelensky descreveu o ataque como "brilhante" e "uma prova das capacidades da Ucrânia". Kiev afirmou que este é o primeiro caso de uma aeronave de combate abatida por um drone marítimo.

    A Ucrânia afirmou que o míssil usado para atingir os jatos russos era um AIM-9 guiado por infravermelho de fabricação americana, fornecido pelos EUA e Canadá à Ucrânia.

02 março 2025

Em post no X, o vice-presidente JD Vance não revelou a verdade


 

    O vice-presidente JD Vance fez esse post no X dizendo que aqueles que querem envios permanentes de armas para a defesa ucraniana são aqueles que apoiam a desindustrialização da América, dizendo ainda que os EUA não produzem em número suficiente aquilo que enviam .

    Vance optou por esconder 2 “detalhes” importantes, com o 1° sendo que, segundo o Congresso dos EUA (controlado pelo partido dele), cerca de 80% dos bilhões de dólares anunciados para a defesa ucraniana ficam justamente nos EUA e são investidos diretamente na indústria de defesa para produzir os itens enviados para a Ucrânia. Ou seja, a ajuda militar para a Ucrânia promove justamente a industrialização americana, ao contrário do que ele afirmou. 

    O 2° “detalhe” é que praticamente a totalidade dos itens enviados para a Ucrânia são retirados dos chamados “depósitos de material excedente”, ou seja, itens que estão estocados há anos, com muitos deles prestes a atingir a data de validade / reciclagem, o que significa que boa parte desses itens, se não fossem enviados para a Ucrânia, seriam descartados ou enviados para a sucata para serem reciclados. Vance obviamente sabe disso tudo!

Fonte: Neste link do X.

Mundo: Momento decisivo para uma nova arquitetura



 

    A semana se encerrou com o extenso noticiário sobre o encontro ocorrido na Casa Branca entre os presidentes Trump e Zelensky, no qual farpas foram trocadas, acordos deixaram de ser firmados e a agenda encerrada antecipadamente, não havendo sequer a tradicional coletiva de imprensa que estava prevista.

    Horas depois dessa discussão, Zelensky viajou para o Reino Unido para uma reunião com o primeiro-ministro Keir Starmer. Logo após cumprimentar o presidente ucraniano, Starmer reiterou o apoio do Reino Unido à Ucrânia, e disse: "Estamos com a Ucrânia pelo tempo que for preciso." Zelensky agradeceu Starmer pelo apoio e confirmou que fará uma reunião com o Rei Charles 3° no domingo (2/3).

    A delegação ucraniana também participará de uma cúpula de líderes europeus organizada por Starmer neste domingo (2/3). Ele também comemorou o acordo anunciado de um empréstimo no valor de £ 2,26 bilhões (R$ 19 bi) para a Ucrânia. "Este empréstimo aumentará as capacidades de defesa da Ucrânia e será pago por meio de receitas de ativos russos congelados", escreveu o presidente no X.

    O presidente francês, Emmanuel Macron, que se encontrou com Trump no início da semana passada, disse que o agressor é a Rússia e a vítima é a Ucrânia. "Há um agressor: a Rússia. Há uma vítima: a Ucrânia. Estávamos certos em ajudar a Ucrânia e em sancionar a Rússia há três anos - e em continuar a fazê-lo".

    O chanceler alemão, Olaf Scholz, também escreveu no X que "ninguém quer a paz mais do que os ucranianos", antes de acrescentar que "a Ucrânia pode confiar na Alemanha e na Europa". Já Friedrich Merz, que é cotado para suceder Scholz como líder alemão, disse que está com a Ucrânia e Zelensky "nos bons e maus momentos". "Nunca devemos confundir o agressor com a vítima nesta guerra terrível", afirmou Merz.

    A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que é necessária uma "reunião imediata" entre os EUA, a Europa e os seus aliados para discutir a guerra na Ucrânia

    Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a "dignidade" de Zelensky "honra a bravura do povo ucraniano". "Seja forte, seja corajoso, não tenha medo". "Você nunca está sozinho, querido presidente. Continuaremos trabalhando com você para uma paz justa e duradoura", escreveu nas redes sociais.

    A ministra das Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas, escreveu: "A Ucrânia é a Europa! Nós apoiamos a Ucrânia. Aumentaremos nosso apoio à Ucrânia para que ela possa continuar a lutar contra o agressor. Hoje ficou claro que o mundo livre precisa de um novo líder. Cabe a nós, europeus, assumir esse desafio", escreveu ela no X. 

    O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, escreveu: "Ucrânia, a Espanha está com você". 

    A Suécia está com a Ucrânia. Eles não estão lutando apenas por sua liberdade, mas pela liberdade de toda a Europa, disse o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson. 

    O primeiro-ministro da Polônia, vizinha da Ucrânia, também se manifestou. "Caro Zelensky, queridos amigos ucranianos: vocês não estão sozinhos!", escreveu Donald Tusk. O líder norueguês Jonas Gahr Støre também acrescentou seu apoio: "Apoiamos a Ucrânia em sua luta justa por uma paz justa e duradoura."

    Do Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau disse que "a Rússia invadiu a Ucrânia ilegal e injustificadamente". Os ucranianos vêm lutando há três anos com coragem e resiliência. Sua luta por democracia, liberdade e soberania é uma luta que importa para todos nós. O Canadá continuará a apoiar a Ucrânia e os ucranianos para alcançar uma paz justa e duradoura", disse ele.


Momento decisivo para uma nova arquitetura

    Nas duas décadas que se seguiram ao fim da Guerra Fria, o globalismo ganhou terreno sobre o nacionalismo. Simultaneamente, a ascensão de sistemas e redes cada vez mais complexos — institucionais, financeiros e tecnológicos — ofuscou o papel do indivíduo na política. Mas no início da década de 2010, uma mudança profunda começou. Ao aprender a aproveitar as ferramentas deste século, um grupo de figuras carismáticas reviveu os arquétipos do anterior: o líder forte, a grande nação, a civilização orgulhosa.

    A mudança começou, sem dúvida, na Rússia. Em 2012, Vladimir Putin encerrou um curto experimento durante o qual deixou a presidência e passou quatro anos como primeiro-ministro, enquanto um aliado complacente serviu como presidente. Putin retornou ao cargo mais alto e consolidou sua autoridade, esmagando toda a oposição e se dedicando a reconstruir "o mundo russo", restaurando o status de grande potência que havia evaporado com a queda da União Soviética e resistindo ao domínio dos Estados Unidos e seus aliados.

    Dois anos depois, Xi Jinping chegou ao topo na China. Seus objetivos eram como os de Putin, mas muito maiores em escala — e a China tinha capacidades muito maiores. Em 2014, Narendra Modi, um homem com vastas aspirações para a Índia, completou sua longa ascensão política ao cargo de primeiro-ministro e estabeleceu o nacionalismo hindu como a ideologia dominante de seu país. No mesmo ano, Recep Tayyip Erdogan, que passou pouco mais de uma década como o primeiro-ministro esforçado da Turquia, tornou-se seu presidente. Em pouco tempo, Erdogan transformou o conjunto democrático faccionalizado de seu país em um show autocrático de um homem só.

    Talvez o momento mais consequente dessa evolução tenha ocorrido em 2016, quando Donald Trump ganhou a presidência dos Estados Unidos. Ele prometeu "tornar a América grande novamente" e colocar "a América em primeiro lugar" — slogans que capturaram um espírito populista, nacionalista e antiglobalista que vinha se infiltrando dentro e fora do Ocidente, mesmo quando a ordem internacional liberal liderada pelos EUA se consolidou e cresceu. Trump não estava apenas surfando uma onda global.

    O retorno de Trump e de tribunos comparáveis ​​de grandeza nacional estão agora definindo a agenda global. Eles são homens fortes autointitulados que dão pouco valor a sistemas baseados em regras, alianças ou fóruns multinacionais. Eles abraçam a glória passada e futura dos países que governam, afirmando um mandato quase místico para seu governo.

    De certa forma, esses líderes e suas visões evocam “o choque de civilizações” que o cientista político Samuel Huntington, escrevendo no início dos anos 1990, imaginou que impulsionaria o conflito global após a Guerra Fria. Mas eles o fazem de uma maneira que é frequentemente performática e flexível, em vez de categórica e excessivamente zelosa. É o choque de civilizações light: uma série de gestos e um estilo de liderança que pode reconfigurar a competição (e cooperação) sobre interesses econômicos e geopolíticos como uma disputa entre estados-civilização em cruzada.

    Essa disputa é retórica às vezes, permitindo que os líderes empreguem a linguagem e as narrativas da civilização sem ter que se ater ao roteiro de Huntington ou às divisões um tanto simplistas que ele previu.

    Nos próximos anos, o tipo de ordem que esses líderes moldarão dependerá muito do segundo mandato de Trump. Afinal, foi a ordem liderada pelos EUA que encorajou o desenvolvimento de estruturas supranacionais após a Guerra Fria. Agora que os Estados Unidos se juntaram à dança das nações do século XXI, eles frequentemente darão o tom. Com Trump no poder, a sabedoria convencional em Ancara, Pequim, Moscou, Nova Déli e Washington (e muitas outras capitais) decretará que não há um sistema único e nenhum conjunto de regras acordado. 

    Nesse ambiente geopolítico, a já tênue ideia do "Ocidente" recuará ainda mais — e, consequentemente, também o status da Europa, que na era pós-Guerra Fria foi parceira de Washington na representação do "mundo ocidental".

    A administração Trump tem o potencial de ter sucesso em uma ordem internacional revisada que levou anos para ser feita. Mas os Estados Unidos prosperarão apenas se Washington reconhecer o perigo de tantas falhas nacionais cruzadas e neutralizar esses riscos por meio de uma diplomacia paciente e aberta. Trump e sua equipe devem considerar a gestão de conflitos como um pré-requisito para a grandeza americana, não como um impedimento a ela.

    Velhas alianças e suposições não são apenas destruídas, as peças não se encaixam mais. Agora é um momento decisivo para tentar criar uma nova arquitetura.

24 fevereiro 2025

Terceiro aniversário da guerra Rússia x Ucrânia

    Hoje é aniversário do início da guerra Rússia x Ucrânia. Lá se vão três anos de muitas mortes de inocentes de ambos os lados, incluindo civis. Segundo as informações publicadas, esse número já é superior a 200 mil soldados, a maioria deles do lado russo. Somados aos feridos esse número já ultrapassou a marca de 1 milhão. Adicionalmente, segundo a CNN, 6,8 milhões de refugiados ucranianos estão vivendo em diversos lugares do mundo. É um balanço intolerável para um mundo em pleno século XXI depois de já ter vivido e amargurado tudo o que aconteceu durante a II Guerra Mundial da qual esses países foram partícipes. Nesses três anos de conflito que Putin descreveu como uma "operação militar especial", já foi devastado o leste da Ucrânia e teve repercussões globais, interrompendo os mercados de energia e reorientando a estratégia da OTAN. 

    Contudo, este capítulo da agressão russa tem uma história - já registrada - ainda mais longa. Por centenas de anos, a política externa da Rússia foi caracterizada por um senso de excepcionalismo civilizacional, vulnerabilidade percebida e ambições crescentes que excederam as capacidades do país. A geografia do país levou a Rússia a ver seus vizinhos menos como amigos em potencial do que como potenciais cabeças de praia para inimigos. E os líderes russos recentes — incluindo Putin — veem todos os estados fronteiriços nominalmente independentes, agora incluindo a Ucrânia, como armas nas mãos de potências ocidentais com a intenção de empunhá-las contra a Rússia, confrontando com o desejo de Moscou pelo reconhecimento ocidental de uma esfera de influência russa no antigo espaço soviético.

    Nos últimos três anos de guerra, o Ocidente reagiu contra a Rússia emitindo sanções, fortalecendo a OTAN, abastecendo Kiev e se recusando a reconhecer as reivindicações territoriais de Moscou enquanto tentava limitar a escalada. Mas, à medida que o governo Trump busca negociações com Putin para encerrar a guerra, muitos veem a unidade ocidental desmoronando. Qualquer acordo mais amplo com Moscou exigiria aceitar o domínio russo sobre seus vizinhos pós-soviéticos. Não é este o desejo da União Europeia (UE) que hoje anunciou pacote de ajuda militar de US$ 3,5 bilhões para a Ucrânia. A UE realizará uma reunião no dia 6 de março que marcará o início do aumento dos gastos com defesa na Europa. Veja a seguir o pacote de sanções que ela acabou de aprovar.


    16º pacote de sanções contra a Rússia, aprovado por unanimidade pela UE..

1. Proibição das importações de alumínio primário russo 2. 73 navios da frota paralela russa foram adicionados à lista negra da UE, elevando o total para 152 navios.
A maioria deles são petroleiros usados ​​para contornar o teto de preço do petróleo do G7 e apoiar os esforços de guerra de Moscou. O pacote também proíbe transações com portos e aeroportos russos envolvidos na evasão do teto de preço do petróleo e fortalece os critérios para sancionar proprietários, operadores e até capitães de embarcações.
3. Restrições à exportação de produtos essenciais que poderiam reforçar as capacidades industriais e militares da Rússia.
Isso inclui cromo e certos produtos químicos (como precursores usados ​​em máquinas CNC para fabricação de precisão), bem como consoles de videogame, joysticks e simuladores de voo, que a Rússia teria reutilizado para uso militar, como controle de drones.
4. Sanções sobre indivíduos e entidades
O pacote adiciona 48 indivíduos e 35 entidades à lista de sanções da UE, sujeitando-os a congelamentos de ativos e proibições de viagens. Além disso, 53 novas entidades enfrentam uma proibição de transações relacionadas a vendas de bens de alta prioridade para a Rússia, com foco naquelas vinculadas ao complexo militar-industrial.
5. Medidas de mídia e bancárias
As licenças de transmissão de 8 veículos de comunicação russos foram suspensas para combater a propaganda. Mais 13 bancos russos foram excluídos do sistema de mensagens financeiras SWIFT, isolando-os ainda mais das finanças globais.
6. Proibição de serviços de refino de petróleo e gás
Uma proibição de manutenção de refinarias de petróleo e gás russas foi introduzida para limitar as capacidades de manutenção da infraestrutura energética da Rússia.

28 abril 2024

Imagens desse vídeo são de arrebentar o coração

Ver uma mãe chorando por um filho, especialmente numa situação como a revelada por esse vídeo é de abater o coração. Pior ainda quando a cena não demonstra nenhum sentimento de pesar mas, ao contrário, é de ironia como traduzem as imagens dessa mãe recebendo um aperto de mãos e uma caixa de bombons após ser informada que o seu filho morreu na guerra de expansão territorial que Vladimir Putin está promovendo na Ucrânia. 

Na Rússia, no caso de soldados solteiros, os pais recebem uma parcela única de um seguro estimado em 5 milhões de rublos, o equivalente a R$ 280 mil. 

Porém, segundo informações já publicadas, os pagamentos estão atrasados e costumam ser feitos entre 10 a 12 meses após a confirmação da morte.

Entretanto, habitualmente as baixas russas na guerra são classificadas como “desaparecido em ação”. Nesses casos o seguro só é pago após 5 anos a partir da data de desaparecimento.

Sabe-se também que os soldados que estão sendo obrigados a irem para o "front" são de outras etnias oriundos de outras partes que compõem a Federação Russa, incluindo crianças.


06 agosto 2023

Antes tarde do que nunca

Embora tardiamente, o símbolo comunista do brasão soviético foi retirado do Monumento da Pátria, em Kiev. 


  

Em seu lugar, foi instalado o brasão da Ucrânia.

 

A reinauguração do monumento está marcada para o final de Agosto. Essa obra faz parte de um amplo processo de desrussificação e descomunização que começou em 2014, mas que se acelerou em 2022 com a segunda invasão russa da Ucrânia.

Uma lição para o Brasil e para o mundo! Abolir qualquer vestígio da seita ideológica comunista (a máquina de criar pobreza, fome e morte em qualquer lugar do mundo), responsável pelos maiores genocídios da História. 

Segundo a publicação "O livro negro do comunismo: crimes, terror, repressão", o comunismo matou mais de 94 milhões de pessoas. Estimativa do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), órgão público francês. 

O comunismo no Brasil

Fundadores do PCB, em março de 1922. 
De pé, da esquerda para a direita: 
Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, 
Astrogildo Pereira,João da Costa Pimenta,
 Luís Peres e José Elias da Silva;
 sentados, da esquerda para a direita: 
Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e 
Cristiano Cordeiro

Em março/2022, completaram-se 100 anos da criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB).  100 anos de história e de muitos crimes. Fundado por nove comunistas, por ex-militantes anarquistas inspirados pela Revolução Russa tinha a denominação de Partido Comunista-Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC), e no mesmo ano de sua fundação foi colocado na ilegalidade. Voltou à legalidade em 1927. Em 1935, deflagrou a sangrenta Intentona Comunista. Esse primeiro grande crime de lesa-pátria do PCB, ocorrido em Natal, Recife e Rio de Janeiro, ocasionou a morte de 34 militares (alguns friamente assassinados enquanto dormiam nos quartéis) e de mais de 1.000 civis.

O antigo membro do PCB, escritor e filósofo Olavo de Carvalho, em depoimento à “História Oral do Exército - 31 Março 1964”, descreve como ocorreu essa nova intentona comunista, cujas consequências permanecem até os dias atuais, com destaque para a predominância do ensino da ideologia comunista nas escolas e nas universidades 


23 julho 2023

Rússia x Ucrânia - Ida sem volta

Em poucas palavras, uma rápida análise, em 23/07/2023, em resposta a pergunta contida na imagem..

  • A Ucrânia fará parte da OTAN, como já foram indicadas e aceitas a Suécia e a Finlândia. A Suíça está quase lá, salvo engano. 
  • A Rússia de hoje é a Alemanha dos anos 30, incluindo a existência de um grupo local que deseja a queda/morte do Putin.
  • A Rússia terá a China a seu favor? Se sim, a temperatura aumenta e o final é a destruição de todos com o uso de armas nucleares. 
  • E a América do Sul? A China já está instalando suas bases militares na Argentina e na Venezuela. Nesta última já existe uma base da Rússia. 
  • Enfim, os americanos estão fudidos, pois novamente caberá a eles decidirem esse imbróglio.

02 março 2022

COMO PUTIN ESTÁ MUDANDO A EUROPA

    A ONU agora, 2/3/2022, em Assembleia Geral Extraordinária, acaba de aprovar a resolução em defesa da independência da Ucrânia e contra a agressão militar da Rússia. 141 votos sim, 5 votos não ( Rússia, Coreia do Norte, Belarus, Síria e Eritreia), 35 abstenções. O Brasil, disse sim, votou a favor da resolução.

    Ontem o DW Brasil publicou um interessante artigo, de Barbara Wesel, abordando as mudanças que estão ocorrendo na Europa. Assinala modificações de posicionamento de lideranças de todos os naipes políticos.

    Contudo, o artigo deixou de assinalar que o combustível que alimenta os tanques de Putin têm percorrido o seu trajeto há muito tempo. E eles foram/são fornecidos pelo próprio Ocidente, quando a OTAN passou a incorporar países do Leste Europeu, até chegar próximo das fronteiras russas, destruindo assim os acordos de 1991, após o colapso do Muro de Berlim.

A propósito de fatos como esse, ontem, 01/03/2022, Paulo Carvalhosa escreveu em seu artigo "Retórica x Fatos", o que segue:

[ ... ] Putin ficou livre para agir quando o senil Biden afirmou para quem quisesse ouvir que não enviaria tropas para a Ucrânia, praticamente chancelando a ação militar russa, decorrendo disto a suspeita que o Deep State, prevendo a inutilidade para o sistema globalista de 2/3 da população mundial, quer desta parcela se livrar por qualquer meio, colocando a culpa da hecatombe nos russos, colocados diante do fracasso da farsa pandêmica que, na visão de Davos, deveria ter levado rápido ao Great Reset, que falhou. 

A Ucrânia é, portanto, o início do fim de todo um mundo que havia sido concebido muitas décadas antes e que os artífices do globalismo de Bilderberg acreditavam conseguir implantar às custas de bilhões de vidas humanas, para o seu único proveito pessoal. 

Acabou Davos. Acabou o Clube de Bilderberg, Acabaram os planos de Biden, dos Clinton, dos Obamas, dos Soros, dos Rockfeller, dos Rothschild, dos Fernando Henrique Cardoso et catervas, dos paus-mandados Lula e Dilma e toda a turma abjeta das chamadas esquerdas pútridas do Brasil.

[...] Agora, no pleito de 2022, a se espelhar nos atos subversivos de sucessivos atentados à vida de Trump, das duas acusações infundadas que pretendiam o seu impeachment, e a maior fraude eleitoral da história dos EUA, praticada pelo Deep State mundialista em novembro de 2020, toda atenção é pouca!

    Sobre nossas urnas, ouça o Engenheiro Carlos Rocha que liderou o desenvolvimento das urnas eletrônicas brasileiras na década de 90, neste vídeo, acessível no youtube no link: https://youtu.be/2hgmWLCaij4.

Boa leitura. 

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Como Putin está mudando a Europa

Barbara Wesel
1 de março de 2022

Invasão da Ucrânia gera pequena revolução na União Europeia. Nunca antes países europeus renunciaram a princípios políticos e tradições ideológicas tão rapidamente como nos últimos dias.

A guerra do presidente russo, Vladimir Putin, contra a Ucrânia desencadeou uma série de consequências não intencionais: uniu a Europa, pôs fim a bajulações econômicas e políticas de alguns países da União Europeia (UE), levou muitos de seus velhos amigos à clandestinidade e pôs um fim temporário às disputas mesquinhas.

O entusiasmo pela nova unidade pode ser temporário, pois o preço para as duras sanções ainda não foi pago. No entanto, a guerra de Putin é como um elixir da longa vida para a UE, vacas sagradas estão sendo abatidas e um novo vento sopra pelo bloco.

França: populistas perdem terreno

Desde que tomou posse, o presidente francês, Emmanuel Macron, tem pregado que a Europa deve se tornar mais autônoma economicamente e ser capaz de se defender. Seus colegas no bloco não o apoiavam. Agora está ficando claro o quanto Macron estava certo.

Entretanto, ele também tem que admitir erros: durante muito tempo, o francês havia cortejado Putin e acreditava que ele estava preocupado com a cooperação e o respeito na Europa. Após a  última e fracassada tentativa de negociar com o Kremlin, Macron se sentiu enganado.

Seus adversários políticos, no entanto, têm que renunciar a seu ídolo Putin da noite para o dia e não querem ser lembrados de seus tweets embaraçosos de antes. Até então, a linha pró-Putin do velho esquerdista Jean-Luc Melenchon, da populista de direita Marine Le Pen e seu rival de extrema-direita Eric Zemmour não desempenharam nenhum papel na campanha eleitoral.

Agora fotos de 2017 ao lado de Putin ficaram altamente embaraçosas para Le Pen. Naquele ano, sua campanha eleitoral recebeu doações do presidente russo. Um vídeo de Zemmour nas mídias sociais, onde ele elogiou Putin como um gênio e um francês quase virtual, é agora um sucesso negativo. E Melenchon admite que estava errado a respeito do russo. Todos os três estão agora se contendo e falando sobre paz.

Hungria: Orban muda de ideia

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, havia se tornado um problema na UE nos últimos anos. Cada vez mais autoritário, corrupto e antidemocrata convencido, o húngaro tem causado discórdia e torpedeado decisões conjuntas. O desmantelamento do Estado de direito na Hungria o colocou em rota de colisão com Bruxelas. E sua total rejeição dos refugiados impediu uma política migratória comum.

Mas no fim de semana Orban foi à cidade fronteiriça de Beresegsurany, onde refugiados da Ucrânia atravessam a fronteira, para acolhê-los e prometer-lhes a ajuda da Hungria. É verdade que muitos que chegam ali pertencem à minoria húngara dos Cárpatos, mas Orban teve que retroceder nesta questão.

Orban está agora preso entre anos de proximidade com Putin e o ultraje europeu pela guerra na Ucrânia. Há apenas algumas semanas, ele havia visitado o Kremlin, quando declarou a exigência de garantias de segurança legítimas e as sanções da UE como contraproducentes. Então, no sábado passado, seu porta-voz anunciou que Budapeste apoiaria todas as sanções contra a Rússia. Viktor Orban não conseguirá retroceder tão rapidamente o quanto exigem as próximas eleições em abril, pois a opinião pública na Hungria é pró-Ucrânia.

As neutras Suécia e Finlândia

Desde a Segunda Guerra Mundial, os suecos têm considerado sua neutralidade como o mais alto bem. Em princípio, o país evita tomar partido e se distingue como negociador neutro na comunidade mundial. Agora, a primeira-ministra Magdalene Andersson declarou que entregaria capacetes, coletes de proteção e 5 mil armas antitanque à Ucrânia.

"Tomamos nossas próprias decisões em matéria de política de segurança", respondeu Andersson às ameaças de Putin sobre o suposto preço alto que Suécia e Finlândia teriam que pagar caso aderissem à Otan.

A Finlândia também reagiu friamente às ameaças de Putin. Lá, o não alinhamento imposto e a influência política do Kremlin após a Segunda Guerra Mundial são agora vistos de forma crítica. E, pela primeira vez, uma maioria de 53% dos entrevistados apoia agora que o país ingresse na Otan.  O desejo de proteção pela aliança militar ocidental parece mais importante do que a antiga tradição de neutralidade.

E quando perguntado sobre uma possível "finlandização" da Ucrânia, o ex-primeiro-ministro Alexander Stubb nega: "O termo é traumático para nós", seria um retorno às regras da Guerra Fria e não uma boa solução para a Ucrânia. "Finlandização" remete à época na década de 1970 quando a Finlândia fez concessões à União Soviética para manter uma política de boa vizinhança.

Alemanha: Fim de velhos princípios

"A Alemanha está assumindo seu papel como potência global" escreveu a agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (28/02), resumindo os comentários mundiais expressando entusiasmo e espanto na virada histórica do chanceler federal alemão, Olaf Scholz, no domingo.

Da noite para o dia, ele removeu todas as crenças de décadas da política alemã: sim às armas para a Ucrânia, sim a uma Bundeswehr pronta para a ação, sim ao aumento dos gastos com a defesa e não à dependência energética da Rússia, não aos que entendem Putin e apologistas de seu governo autoritário.

A tradução inglesa do discurso de Scholz foi compartilhada como pão quente no Twitter entre os observadores anglo-saxões, tão grande foi o assombro com a reviravolta em Berlim. O chefe de governo alemão jogou no lixo cerca de 30 anos de política alemã em relação à Rússia, especialmente a de seu próprio partido. No dia seguinte, a política externa e de segurança da República Federal da Alemanha está irreconhecível.

Reações em outros países

O presidente tcheco, Milos Zeman, durante anos um ardente apoiador do presidente Putin, agora chama seu antigo amigo de "lunático que deve ser isolado" e que põe em perigo a paz na Europa.

O populista italiano de direita Matteo Salvini, que se deixou fotografar mais de uma vez usando uma camiseta estampando Putin, tenta apagar antigos elogios ao presidente russo nas mídias sociais e colocou flores na embaixada ucraniana em Roma.

Após a anexação da Crimeia, o ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond ainda havia elogiado Putin como um patriota russo. Agora, ele suspendeu seu talk show no canal de propaganda russo RT até que a paz seja restaurada.

O ex-candidato presidencial francês François Fillon, o ex-chanceler austríaco Christian Kern e outros renunciaram a seus cargos em empresas estatais russas em protesto. Somente o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder permanece com seu cargo na Gazprom, falando que houve "erros de ambos os lados".

E por último: o premiê búlgaro Kiril Petkov demitiu seu ministro da Defesa porque ele se recusou a definir o conflito na Ucrânia como "guerra".

Refugiados ucranianos já somam 875 mil +



25 fevereiro 2022

COMO TERMINA A CRISE NA UCRÂNIA

Por Henry Kissinger
Washington Post, em 06/03/2014

A discussão PÚBLICA sobre a Ucrânia tem tudo a ver com confronto. Mas sabemos para onde vamos? Na minha vida, vi quatro guerras começarem com grande entusiasmo e apoio público, todas as quais não soubemos como terminar e de três das quais nos retiramos unilateralmente. O teste da política é como ela termina, não como começa.
Com demasiada frequência, a questão ucraniana é apresentada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao Oriente ou ao Ocidente. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser o posto avançado de nenhum dos lados contra o outro – deve funcionar como uma ponte entre eles.
A Rússia deve aceitar que tentar forçar a Ucrânia a um status de satélite e, assim, mover as fronteiras da Rússia novamente, condenaria Moscou a repetir sua história de ciclos auto-realizáveis de pressões recíprocas com a Europa e os Estados Unidos.
O Ocidente deve entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro. A história russa começou no que foi chamado de Kievan-Rus. A religião russa se espalhou a partir daí. A Ucrânia faz parte da Rússia há séculos, e suas histórias estavam entrelaçadas antes disso.
Algumas das batalhas mais importantes pela liberdade russa, começando com a Batalha de Poltava em 1709, foram travadas em solo ucraniano. A Frota do Mar Negro – o meio da Rússia de projetar poder no Mediterrâneo – é baseada em arrendamento de longo prazo em Sebastopol, na Crimeia. Até mesmo dissidentes famosos como Aleksandr Solzhenitsyn e Joseph Brodsky insistiam que a Ucrânia era parte integrante da história russa e, de fato, da Rússia.
A União Europeia deve reconhecer que a sua lentidão burocrática e a subordinação do elemento estratégico à política interna na negociação da relação da Ucrânia com a Europa contribuíram para transformar uma negociação em crise. A política externa é a arte de estabelecer prioridades.
Os ucranianos são o elemento decisivo. Eles vivem em um país com uma história complexa e uma composição poliglota. A parte ocidental foi incorporada à União Soviética em 1939, quando Stalin e Hitler dividiram os despojos. A Crimeia, cuja população é russa de 60%, tornou-se parte da Ucrânia apenas em 1954, quando Nikita Khrushchev, ucraniano de nascimento, a concedeu como parte da celebração do 300º ano de um acordo russo com os cossacos. O Ocidente é em grande parte católico; o Oriente em grande parte ortodoxo russo. O Ocidente fala ucraniano; o Oriente fala principalmente russo. Qualquer tentativa de uma ala da Ucrânia de dominar a outra – como tem sido o padrão – levaria eventualmente à guerra civil ou à ruptura. Tratar a Ucrânia como parte de um confronto Leste-Oeste arruinaria por décadas qualquer perspectiva de trazer a Rússia e o Ocidente – especialmente a Rússia e a Europa – para um sistema internacional cooperativo.
A Ucrânia é independente há apenas 23 anos; anteriormente estava sob algum tipo de domínio estrangeiro desde o século 14. Não surpreendentemente, seus líderes não aprenderam a arte do compromisso, muito menos a perspectiva histórica. A política da Ucrânia pós-independência demonstra claramente que a raiz do problema está nos esforços dos políticos ucranianos para impor sua vontade a partes recalcitrantes do país, primeiro por uma facção, depois pela outra. Essa é a essência do conflito entre Viktor Yanukovych e sua principal rival política, Yulia Tymoshenko. Eles representam as duas alas da Ucrânia e não estão dispostos a dividir o poder. Uma política sábia dos EUA em relação à Ucrânia buscaria uma maneira de as duas partes do país cooperarem entre si. Devemos buscar a reconciliação, não a dominação de uma facção.
A Rússia e o Ocidente, e muito menos as várias facções na Ucrânia, não agiram de acordo com esse princípio. Cada um piorou a situação. A Rússia não conseguiria impor uma solução militar sem se isolar em um momento em que muitas de suas fronteiras já são precárias. Para o Ocidente, a demonização de Vladimir Putin não é uma política; é um álibi para a ausência de uma.
Putin deve perceber que, quaisquer que sejam suas queixas, uma política de imposições militares produziria outra Guerra Fria. De sua parte, os Estados Unidos precisam evitar tratar a Rússia como uma aberração a ser pacientemente ensinada sobre as regras de conduta estabelecidas por Washington. Putin é um estrategista sério – nas premissas da história russa. Compreender os valores e a psicologia dos EUA não são seus pontos fortes. A compreensão da história e da psicologia russas também não foi um ponto forte dos formuladores de políticas dos EUA.
Líderes de todos os lados devem voltar a examinar os resultados, não competir em postura. Aqui está minha noção de um resultado compatível com os valores e interesses de segurança de todos os lados:
• A Ucrânia deve ter o direito de escolher livremente suas associações econômicas e políticas, inclusive com a Europa.
• A Ucrânia não deve aderir à OTAN, posição que assumi há sete anos, quando surgiu pela última vez.
• A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo. Os sábios líderes ucranianos optariam então por uma política de reconciliação entre as várias partes de seu país. Internacionalmente, devem seguir uma postura comparável à da Finlândia. Essa nação não deixa dúvidas sobre sua feroz independência e coopera com o Ocidente na maioria dos campos, mas evita cuidadosamente a hostilidade institucional em relação à Rússia.
•É incompatível com as regras da ordem mundial existente a Rússia anexar a Crimeia. Mas deve ser possível colocar o relacionamento da Crimeia com a Ucrânia em uma base menos tensa.
Para esse fim, a Rússia reconheceria a soberania da Ucrânia sobre a Crimeia. A Ucrânia deve reforçar a autonomia da Crimeia nas eleições realizadas na presença de observadores internacionais. O processo incluiria a remoção de quaisquer ambiguidades sobre o status da Frota do Mar Negro em Sebastopol.
Estes são princípios, não prescrições. As pessoas familiarizadas com a região saberão que nem todos serão palatáveis para todas as partes. O teste não é a satisfação absoluta, mas a insatisfação equilibrada. Se alguma solução baseada nesses elementos ou em elementos comparáveis não for alcançada, a tendência para o confronto se acelerará. O tempo para isso chegará em breve.

11 fevereiro 2022

CRESCE TENSÃO ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

Nesta quinta feira (10/02) a "temperatura aumentou" no âmbito das negociações que estão ocorrendo sobre um possível conflito entre a Rússia e a Ucrânia, com repercussões diretas em outros países. O deslocamento de tropas de ambos os lados cresceu bastante e já se tornou notícia de primeira página nos meios de comunicação, inclusive aqui no Brasil. Veja na imagem algumas delas.


Da TV selecionei esta matéria do SBT (
Tensão entre Rússia e Ucrânia aumenta na Europa | SBT Brasil (10/02/22)), disponível no Youtube https://youtu.be/CNJho26Jx6M

Em texto, segue abaixo uma análise minuciosa desse grave problema que ronda toda a humanidade, produzida pelo Paulo Emendabili.

Boa leitura e nossa torcida pela paz.

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SURDOS E MUDOS

Foi assim que definiram hoje as tratativas diplomáticas entre representantes de governos ocidentais europeus e governo russo, na tentativa de evitar uma guerra, senão mundial, ao menos, continental.
Explico: Muito embora Putin tenha publicamente afirmado que em caso de guerra, a OTAN não terá tempo de piscar, trata-se exatamente do contrário, e esta é a razão principal da Rússia não arredar pé da fronteira ucraniana e de levar contingentes bélicos à Belorus e Mar do Norte, visto que a Rússia, a partir de sua derrocada nos anos 1990, viu progressivamente os países da Europa do Leste, antes sob o seu absoluto domínio, caírem nos braços e no colo do Ocidente, bem como, militarmente, ingressarem no seleto círculo da OTAN.
Isto fez com que a Rússia, embora protestasse veementemente com a Europa e os EUA a respeito desta progressiva ameaça desde então, sobretudo, depois da ascensão de Putin ao poder máximo russo, fato é que hoje a Rússia literalmente se vê cercada de bases militares da OTAN comandada, de fato, pelos EUA, que tem na aliança o seu braço longo na Europa, e que, progressivamente, nestas duas últimas décadas, foi instalando suas bases atômicas na cara e na esquina dos russos.
Putin sabe que por razões geopolíticas, energéticas e econômicas, o Ocidente, especialmente os EUA, querem o controle total da Eurásia e sem a Ucrânia totalmente incluída no cardápio, não tem jantar servido...
O atual czar russo sabe também que não pode mais arregar após colocar 150 mil homens nas fronteiras e enclaves, armados até os dentes com aviões, mísseis, tanques, artilharia pesada e leve, fruto de uma comprovada logística russa de deslocamento e abastecimento rápido que surpreendeu sim os comandos militares do Ocidente, mas não a ponto de serem dissuadidos de resistirem diante de um eventual avanço russo por sobre a Ucrânia, com todas as forças e armas da OTAN, reforçadas pelas forças deslocadas dos EUA, inclusive em água mediterrâneas.
Putin sabe bem, e disse isso claramente, no sentido que a disparidade de forças entre a OTAN e a Rússia é desproporcional em favor da OTAN, não lhe sendo nenhum segredo que mísseis do Ocidente, nucleares, lançados a partir de Kiev, atingiriam Moscou devastando-a matando, quando da fissão nuclear, toda a população moscovita e dos arredores, tudo em cerca de 8 minutos a partir do lançamento.
Já o contrário não é verdadeiro. As forças bélicas russas, para atingir nuclearmente, no revide, as principais cidades dos EUA, necessitariam posicionar os seus submarinos nucleares nas costas norte-americanas, o que provavelmente a Marinha do Tio Sam não deixaria acontecer assim tão facilmente...
Assim, a guerra seria total na Europa, soçobrando, primeiro todos, os países do leste europeu, estimando-se 35 milhões de mortos nos primeiros momentos do conflito, estendendo-se a guerra nuclear, química e biológica para toda a Europa em um segundo momento, haja ou não a participação chinesa ao lado da Rússia, pois que, como povo oriental de cultura milenar, pode sim pacientemente aguardar o circo pegar fogo para entrar na tenda só depois do rescaldo, a se apropriar do que sobrar...
Neste sentido, correta a frase de Putin que, em caso de uma guerra como esta, não haverá mesmo vencedores, somente um hemisfério, o norte, pelo menos, tornado estéril, radioativo, pestilento, fétido por dezenas de milhões de cadáveres em decomposição, além de inabitável.
O que ninguém percebeu, ou não quis notar, é que a partir de agora as relações internacionais entre potências mudaram radicalmente, pois que conflitos não mais serão resolvidos por meio da diplomacia, ou das resoluções da ONU, e sim pela força da ameaça da utilização das mais mortíferas armas e exércitos, ou seja, retrocedemos ao clássico: “escreveu, não leu, o pau comeu...”!
Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa
Dia de Júpiter, 10 de fevereiro de 2022.
90º da Revolução Constitucionalista.
105º da Revelação em Fátima.