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17 julho 2026

O relatório da CIA sobre fraude eleitoral na Venezuela

Em seu discurso de ontem à noite, Donald Trump disse que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020.

- Em 2012, havia um suposto plano envolvendo o governo e a empresa Smartmatic para pré-programar máquinas de votação em cerca de 300 centros tradicionalmente pró-Chávez, visando garantir vitória por aproximadamente 1,5 milhão de votos. Chávez teria parabenizado a equipe após vencer por ~1,6 milhão de votos.

- Em setembro de 2020, foram relatados planos técnicos detalhados para manipular as eleições de dezembro de 2020 usando um “segundo conjunto de máquinas virtuais” que replicariam resultados legítimos e depois substituiriam por dados manipulados, fazendo-os parecer originados de máquinas legítimas.





Vale lembrar que a empresa Smartmatic foi fundada por venezuelanos e, por exemplo, na eleição de 2014 treinou 14.000 funcionários que trabalharam na operação das urnas eletrônicas brasileiras naquele pleito. Nesta oportunidade Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, o PSDB fez uma tentativa de auditoria e a conclusão foi a mesma da Comissão do Exército para Integridade Eleitoral de 2022 (convidados a fazê-lo pelo TSE) e da auditoria do PL em 2022: as maquininhas brasileiras são uma caixa preta, impossível de se auditar. Obs: apenas o PL foi multado em 2022 em… R$ 22 milhões - 22 era o número de Bolsonaro. Oficialmente consta no website do TSE que a auditoria feita pelo PSDB não encontrou nenhuma irregularidade. Mas o TSE esquece de dizer que não encontrou nada porque era impossível de se verificar o cruzamento de dados e demais técnicas de auditoria. Este foi o mesmo subterfúgio usado por Moraes, presidente do TSE na eleição de 2022, para atropelar o que disse o Exército e declarar “o Exército não encontrou nada de errado”. E antes que digam que isto é porque “o sistema é impenetrável” - como sempre arguido pelo então ministro Barroso - o TSE não menciona que o próprio tribunal reconheceu, através de um inquérito da PF aberto em 2018 a pedido da presidente do TSE, Rosa Weber, que houve uma invasão feita por um hacker e que esteve dentro dos sistemas, inclusive com a senha do ministro do TSE Sérgio Banhos, desde o início até o final de 2018, ou seja, abarcando os 2 turnos eleitorais de 2018.

Então se pergunta: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?


A TRADUÇÃO DAS EVIDÊNCIAS … “AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA) NOTA DA CIA Resumo de Relatórios Selecionados de Inteligência, de 2004–2020, sobre as Capacidades da Venezuela para Manipulação Eletrônica de Eleições 29 de junho de 2026 Resumo Os relatórios da Comunidade de Inteligência produzidos entre 2004 e 2020 documentaram preocupações persistentes acerca da manipulação, pelo governo venezuelano, de sistemas eletrônicos de votação e das potenciais implicações para a segurança nacional da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos. A inteligência concluiu que autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, provavelmente, alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, incluindo a tecnologia da Smartmatic, a fim de influenciar resultados eleitorais na Venezuela. A avaliação da Comunidade de Inteligência de 2006 concluiu que os vínculos da Smartmatic com a Venezuela representavam uma ameaça à segurança nacional, fundamentando-se em informações sólidas sobre a intenção do governo venezuelano de influenciar a política dos Estados Unidos e em evidências de manipulação dos próprios sistemas eleitorais venezuelanos. Essa avaliação levou o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que forçaram a Smartmatic a alienar suas operações norte-americanas em 2007. Relatórios posteriores indicaram que sistemas eletrônicos de votação continham vulnerabilidades que poderiam, teoricamente, ser exploradas por agentes sofisticados com acesso interno. Entretanto, embora a inteligência tenha validado preocupações relevantes acerca de fornecedores de tecnologia eleitoral ligados ao exterior, não confirmou de forma definitiva que fraudes eletrônicas em larga escala tenham sido efetivamente executadas em eleições específicas na Venezuela, mantendo como avaliação-base da CIA que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais. Os relatórios relativos a técnicas avançadas forneceram informações preocupantes sobre alegadas capacidades e intenções do governo venezuelano, embora derivadas de fontes limitadas.

Nota de Escopo Este resumo concentra-se nas informações da Comunidade de Inteligência referentes às intenções e capacidades da Venezuela para manipular máquinas de votação, tanto internamente quanto, potencialmente, em outros países. Não constitui uma reavaliação abrangente de toda a inteligência disponível sobre o tema, mas sim um resumo das principais conclusões constantes de documentos selecionados produzidos entre 2004 e 2020. Interesse do Governo Venezuelano na Manipulação Eleitoral Fontes de inteligência entre 2004 e 2020 relataram que o presidente venezuelano Hugo Chávez e, posteriormente, seu sucessor Nicolás Maduro demonstraram interesse contínuo em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. Em abril de 2004, informações de inteligência indicaram que Chávez pretendia impedir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos, sugerindo intenção de influenciar a política norte-americana. A avaliação concluiu que a aquisição da empresa norte-americana Sequoia pela Smartmatic representava uma ameaça moderada à segurança nacional dos Estados Unidos. Antes da eleição presidencial venezuelana de 2012, relatórios de inteligência informaram que os serviços de inteligência de Chávez, incluindo a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), trabalharam juntamente com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Smartmatic para desenvolver planos destinados à manipulação dos resultados eleitorais mediante máquinas de votação previamente programadas. Segundo esses relatórios, o plano previa a instalação de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros eleitorais situados em áreas tradicionalmente favoráveis a Chávez, garantindo uma vantagem aproximada de 1,5 milhão de votos.

Após a eleição, vencida por Chávez por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram que o presidente teria parabenizado sua equipe pela implementação bem-sucedida do plano de manipulação. Em setembro de 2020, informações de inteligência relataram que autoridades venezuelanas desenvolveram planos técnicos detalhados para manipular as eleições parlamentares de dezembro de 2020. Segundo esses relatórios, a técnica consistiria na criação de um segundo conjunto virtual de máquinas eleitorais destinado a reproduzir resultados legítimos e, posteriormente, substituir os dados por resultados manipulados, fazendo parecer que os votos provinham das máquinas oficiais. Foi também relatado que, na Venezuela, componentes não especificados de inteligência artificial teriam sido instalados para alterar a apuração dos votos, detectar quando auditorias estivessem sendo realizadas e produzir comprovantes impressos sem registrar, gravar ou transmitir efetivamente esses votos. Analistas da CIA consideraram que tais capacidades eram tecnicamente possíveis, ressaltando, entretanto, que essa avaliação tratava apenas da viabilidade técnica, e não constituía confirmação de que tais funcionalidades efetivamente existissem. Uma análise alternativa da CIA, produzida em 2013 segundo a metodologia denominada “Advogado do Diabo” (Devil’s Advocacy), descreveu um cenário plausível de como uma manipulação eletrônica em larga escala poderia ter ocorrido nas eleições venezuelanas de 2012 sem ser detectada. Essa análise observou que o sistema eletrônico venezuelano apresentava vulnerabilidades decorrentes de acesso privilegiado interno, do controle centralizado do CNE sobre a tecnologia eleitoral e de limitações na capacidade de fiscalização da oposição. O relatório concluiu que, caso tal manipulação tivesse ocorrido, a legitimidade das eleições na Venezuela e em outros países clientes da mesma tecnologia poderia ser colocada em dúvida. Contudo, a avaliação-base da CIA permaneceu sendo a de que nenhuma fraude eletrônica em larga escala ocorreu em 2012, fundamentando-se em pesquisas pré-eleitorais, ausência de padrões irregulares de votação e na própria admissão da derrota pela oposição. Relatórios de inteligência também indicaram de forma consistente que indivíduos ligados aos serviços de inteligência venezuelanos possuíam acesso à tecnologia eleitoral e aos sistemas de votação. Em 2012, fontes relataram que Chávez designou um especialista militar em comunicações para atuar junto ao CNE, com acesso em tempo real aos resultados eleitorais. Também foi informado que o Diretor de Tecnologia da Informação do CNE, descrito como pessoa de confiança do governo, mantinha estreita relação com o aparato estatal. Técnica O relatório de inteligência de setembro de 2020 apresentou a descrição mais detalhada de uma técnica específica para manipulação eleitoral. Segundo o documento, essa técnica teria sido concebida para:

• Replicar arquivos digitais (hash files) enviados ao banco de dados central de totalização dos votos;

• Simular máquinas reais de votação que favorecessem o partido governista;

• Sobrescrever os arquivos de integridade (hash files) das máquinas favoráveis à oposição;

• Fazer votos alterados aparentarem ter sido produzidos por máquinas eleitorais legítimas.

Em tese, essa técnica permitiria ao governo venezuelano monitorar e ajustar os resultados em tempo real durante e após a eleição. Segundo os relatórios, a utilização de tecnologia de máquinas virtuais permitiria realizar essa manipulação evitando sua detecção pelos procedimentos convencionais de auditoria. Avaliações e Preocupações da Comunidade de Inteligência A Avaliação Nacional de Ameaças de 2006, produzida pelo Conselho Nacional de Inteligência, concluiu que a aquisição, pela Smartmatic, da empresa norte-americana Sequoia representava ameaça moderada à segurança nacional.

O Sistema Eleitoral dos EUA está quebrado



É o que foi divulgado agora há pouco pela Casa Branca. Aqui está o que as revelações mostram:

- Centenas de milhões de arquivos de eleitores americanos nas mãos de governos estrangeiros;

- Máquinas de votação e sistemas de contagem de votos expostos a hackers e manipulação;

- China e outros adversários tentando ativamente interferir nas eleições;

- Evidências de fraude sendo encobertas;

- Centenas de milhares de não-cidadãos e pessoas falecidas ainda ativas nas listas de eleitores;

- Sem identificação do eleitor, sem comprovação de cidadania exigida;

- Dezenas de milhões de cédulas por correio circulando sem segurança.

Em seu pronunciamento de ontem à noite, Donald Trump afirmou:

 “Comprometendo ainda mais essa tragédia, o segundo conjunto de documentos que estamos divulgando revela que membros do Estado Profundo em nossas agências de inteligência trabalharam ativamente para suprimir e minimizar informações sobre a extensão da interferência maligna de China nas eleições — encobrindo isso tanto do Presidente quanto do Povo Americano.

As agências de espionagem dos EUA começaram a descobrir o comprometimento dos arquivos de registro de eleitores em 2020, quando descobriram que dados de dezenas de milhões de eleitores em 18 estados haviam sido comprados, roubados ou hackeados pela China. No entanto, aqueles responsáveis por soar o alarme em vez disso mantiveram as informações ocultas. Eles não as divulgaram para mim como presidente, e, pelo que sabemos, não informaram o Congresso. Na verdade, tudo o que eles continuavam dizendo era: “Esta é a eleição mais segura da história do nosso país.”

O encobrimento dessa colossal violação de segurança é ainda mais perturbador à luz de informações adicionais que mostram que a China se envolveu em outras atividades relacionadas às eleições para minar minha primeira administração e nossa campanha de 2020. Eles não queriam que Donald Trump vencesse, e por um bom motivo.

Como os documentos que estamos divulgando mostram, relatórios da CIA afirmavam explicitamente: “Em meados de 2018, a política do Partido Comunista Chinês era alavancar todos os elementos domésticos e estrangeiros que se opusessem ao Presidente dos EUA em um esforço para reduzir os votos do Presidente dos EUA e fazê-lo renunciar ou impedir sua reeleição. Também em meados de 2018, a China estava trabalhando para influenciar os resultados das eleições de meio de mandato dos EUA, e mais tarde, os resultados das Eleições Presidenciais de 2020.”

Separadamente, em meados de 2019, a estratégia do Governo Chinês contra os Estados Unidos estava focada em minar a confiança doméstica no presidente dos EUA” — e eles fizeram tudo o que puderam para isso. Prosseguindo, diz: “A estratégia incluía esforços para usar contratos chineses com grandes empresas dos EUA para influenciar líderes empresariais americanos a se voltarem contra o Presidente dos EUA. O governo chinês buscava identificar jornalistas americanos que haviam relatado negativamente sobre o Presidente dos EUA, e pagar-lhes grandes somas de dinheiro para escreverem artigos ainda mais negativos sobre ele. O Governo Chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a próxima eleição.” E o motivo pelo qual eles queriam que eu perdesse é porque sabiam que eu estava atento a eles, cobrei bilhões de dólares em tarifas deles e construí o exército mais forte em qualquer lugar do mundo.

Essas são citações exatas de relatórios da CIA — o nome da pessoa que fez a citação está sob revisão. Mas fica ainda pior. Inteligência bruta obtida pelo FBI em 2020, mas enterrada por burocratas renegados, afirmava que as atividades da China até incluíam uma tentativa de fabricar boletins de voto ilegais para Joe Biden.

Documentos mostram que, durante esse período, dezenas de relatórios significativos da CIA e da NSA sobre o direcionamento eleitoral da China foram mantidos fora do Resumo Diário Presidencial. Um e-mail entre analistas de inteligência admitia que eles haviam ‘deliberadamente ajustado’ o Resumo Diário Presidencial para reter informações sobre atividades chinesas relacionadas à eleição. Outro oficial dentro do FBI escreveu que ela estava gerenciando ‘um governo paralelo’ para manter a inteligência sobre a interferência eleitoral da China longe de ser conhecida. Outros oficiais que testemunharam tais esforços perceberam as motivações como abertamente políticas.”


02 julho 2026

Os Estados Unidos criaram 1200 milionários POR DIA em 2025!


Só ano passado, foram adicionados 438 mil milionários, mais do que os milionários existentes no Brasil, que seriam 386 mil, segundo o UBS.

Pouca gente tem a exata noção da amplitude da prosperidade americana. 23,6 milhões de americanos tem um patrimônio maior que US$ 1 milhão. É uma proporção de 7,15 para cada 100 pessoas. No Brasil, a proporção de 0,18 para cada 100. Ou seja, proporcionalmente, os EUA tem 39x mais milionários que o Brasil.

28 maio 2026

PCC e Comando Vermelho são designadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos


O argumento de que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos “ameaça a soberania brasileira” inverte completamente o problema. A ameaça à soberania brasileira não vem dos EUA reconhecer a realidade. A ameaça à soberania brasileira vem de facções criminosas que controlam territórios, impõem regras paralelas, aterrorizam populações civis, corrompem agentes públicos, lavam bilhões, traficam drogas e armas através de fronteiras e projetam sua atuação para além do Brasil. Soberania é a capacidade efetiva do Estado de controlar seu território, proteger sua população e impedir que organizações criminosas substituam o poder público. O argumento de que PCC e CV não poderiam ser tratados como organizações terroristas porque “não têm bandeira política” é juridicamente estreito e empiricamente ingênuo. Essas organizações talvez não publiquem manifestos ideológicos como grupos revolucionários clássicos. Mas exercem poder político no sentido mais concreto possível porque controlam comunidades, intimidam autoridades, influenciam eleições, paralisam cidades, impõem toque de recolher, ordenam ataques contra agentes públicos e usam violência sistemática contra civis para preservar domínio territorial e econômico. A designação americana não transforma o Brasil em alvo. Ela mira organizações criminosas específicas que representam ameaça transnacional. Também não autoriza automaticamente intervenção militar em território brasileiro. Esse espantalho serve mais para criar pânico político do que para explicar o direito aplicável. O efeito concreto da designação é ampliar ferramentas contra financiamento, logística, facilitadores, lavagem de dinheiro, movimentação internacional, apoio material e redes de suporte. Ou seja onde essas facções são mais vulneráveis. Também é curioso ouvir preocupações abstratas com soberania quando as principais vítimas da perda de soberania são os brasileiros que vivem sob domínio criminoso. Para a mãe que não pode sair de casa porque uma facção decretou toque de recolher, para o comerciante extorquido, para a família atingida por guerra territorial, para o policial assassinado e para a comunidade abandonada à governança criminal, a soberania brasileira já foi violada há muito tempo — não por uma designação americana, mas pelo poder armado das facções. A pergunta correta é por que o Estado brasileiro permitiu que essas organizações crescessem a ponto de se tornarem uma ameaça hemisférica. Se o Brasil tivesse desmantelado sua infraestrutura financeira, contido sua expansão internacional, protegido suas fronteiras, impedido sua infiltração institucional e recuperado os territórios dominados por facções, talvez EUA não tivesse sentido necessidade de agir. Isso não é uma medida anti-Brasil. É uma medida contra o PCC e o Comando Vermelho. O verdadeiro ato pró-Brasil é reconhecer que o povo brasileiro é a primeira e maior vítima dessas organizações e que a cooperação internacional contra elas deve ser bem-vinda, não tratada como ofensa nacional. O Brasil deveria responder não com indignação performática, mas com cooperação, inteligência financeira, extradições, bloqueio de ativos, repressão à lavagem de dinheiro e uma estratégia nacional séria para recuperar territórios dominados pelo crime organizado. A soberania brasileira não será protegida defendendo a sensibilidade diplomática de facções criminosas. Será protegida destruindo o poder delas.

12 abril 2026

O programa nuclear iraniano sobreviveu, representando um problema para os negociadores dos EUA

O vice-presidente JD Vance afirmou que os EUA precisam de um compromisso de que o Irã não tentará reativar seu programa atômico.

WSJ - Updated  ET




Resumo Rápido

O Irã manteve a maior parte dos instrumentos para a fabricação de bombas nucleares após cinco semanas de bombardeios dos EUA e de Israel, o que representa um desafio para os negociadores americanos.

O Irã ainda possui quase 450 kg de urânio enriquecido, parcialmente enterrado em sua instalação nuclear de Isfahan, de acordo com a agência atômica da ONU.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que fazer o Irã abrir mão do urânio altamente enriquecido é uma das principais prioridades dos EUA.

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O Irã sobreviveu a cinco semanas de intensos bombardeios dos EUA e de Israel com a maior parte dos instrumentos necessários para a fabricação de uma bomba nuclear intactos, segundo autoridades e especialistas, o que representa um desafio para os negociadores americanos, já que a questão volta a atrapalhar as negociações com Teerã.

O vice-presidente JD Vance apontou as ambições nucleares do Irã como o principal ponto de disputa, após as duas partes não conseguirem chegar a um acordo durante 21 horas de negociações em Islamabad, Paquistão.

“O fato é que precisamos de um compromisso firme de que eles não buscarão uma arma nuclear e que não buscarão os meios que lhes permitiriam obtê-la rapidamente”, disse ele.

O Irã atribuiu o fracasso das negociações à recusa de Washington em ceder em suas exigências, que descreveu como maximalistas.

O problema para os EUA é que duas rodadas de combates desmantelaram grande parte do programa nuclear iraniano, mas ainda não desferiram golpes que tornariam a produção de uma arma nuclear inviável.

Ataques americanos e israelenses nas últimas semanas destruíram laboratórios e instalações de pesquisa que, segundo os dois países, o Irã utilizava para seus trabalhos relacionados a armas nucleares, como a obtenção do conhecimento necessário para construir uma ogiva. Eles também prejudicaram ainda mais seu programa de enriquecimento, destruindo uma instalação de produção de yellowcake — a matéria-prima que pode ser transformada em urânio enriquecido.

Mas o Irã provavelmente ainda possui centrífugas e uma instalação subterrânea profunda onde pode enriquecer urânio, dizem especialistas. Crucialmente, o país manteve seu estoque de quase 450 kg de urânio quase puro para armas nucleares — metade dele enterrado em contêineres em um túnel profundo sob sua usina nuclear de Isfahan, de acordo com a agência atômica das Nações Unidas.

“O Irã não vai se desfazer disso facilmente. Suas exigências serão maiores do que foram” durante as negociações de fevereiro para a entrega do material, disse Eric Brewer, ex-funcionário da Casa Branca que trabalhou com questões iranianas durante o primeiro governo Trump.

O presidente Trump considerou uma operação militar para apreender o estoque de urânio enriquecido do Irã durante as últimas semanas de combates, informou o The Wall Street Journal. Mas tal operação seria complexa e perigosa.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou antes das negociações que fazer o Irã abandonar seu urânio altamente enriquecido era a principal prioridade dos negociadores americanos. "Esperamos que isso aconteça por meio da diplomacia", disse ela.

Por ora, autoridades americanas afirmam que Teerã não está enriquecendo urânio e que o material físsil está sendo monitorado por satélite. Autoridades americanas e da agência atômica da ONU disseram que não há indícios de que o urânio altamente enriquecido tenha sido transferido desde os ataques americanos e israelenses de junho passado.

Não está claro se as negociações entre Washington e Teerã continuarão nos próximos dias, durante o período previsto de duas semanas para a diplomacia. Qualquer um dos lados pode optar por retomar o conflito militar que foi interrompido na terça-feira.

Se os EUA buscarem um acordo, terão que encontrar uma maneira de lidar com a ameaça nuclear do Irã, juntamente com o controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz, que lhe confere a capacidade de pressionar a economia global.

Grande parte dos danos ao programa nuclear iraniano ocorreu durante a guerra de 12 dias no ano passado. Os EUA lançaram bombas Massive Ordnance Penetrator em dois locais de enriquecimento de urânio — Fordow e Natanz — e destruíram prédios relacionados à energia nuclear em Isfahan com mísseis Tomahawk. Vance afirmou no domingo que os EUA destruíram os locais de enriquecimento de urânio do Irã.

Durante as cinco semanas recentes de combates, os EUA concentraram-se em atacar os estoques de mísseis e lançadores do Irã, bem como outros ativos militares convencionais, que, segundo eles, ameaçavam tornar um ataque ao programa nuclear iraniano muito custoso no futuro. Israel, por sua vez, atacou o programa nuclear.

Autoridades israelenses afirmam ter atacado diversos locais onde acreditam que o Irã estava desenvolvendo armas nucleares, incluindo laboratórios, uma universidade, uma instalação nos arredores de Teerã e um prédio no complexo militar de Parchin, onde o Irã realizava testes com explosivos de alta potência. Também alvejaram cientistas nucleares iranianos — como fizeram na guerra do ano passado —, embora não tenham divulgado quem ou quantos.

Ainda assim, o Irã provavelmente possui a maior parte do que precisa para construir uma bomba, incluindo centrífugas e seus estoques de urânio enriquecido. Os túneis em Isfahan também são considerados um local de enriquecimento declarado pelo Irã em junho passado, mas que nunca foi inspecionado, segundo autoridades atuais e antigas familiarizadas com o programa nuclear iraniano. A Agência Internacional de Energia Atômica afirma que o local pode não estar operacional. O Irã também possui um complexo de túneis altamente fortificado na chamada Montanha da Picareta, perto da instalação de Natanz, onde poderia potencialmente realizar trabalhos nucleares fora do alcance até mesmo das armas mais poderosas dos EUA.

O Irã já se recusou a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio. O país alega que suas atividades nucleares têm fins pacíficos. O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, afirmou que Teerã pode demonstrar isso encerrando seu enriquecimento doméstico e aceitando o fornecimento de urânio enriquecido do exterior.

Durante as negociações em fevereiro, Teerã ofereceu-se para diluir seu urânio enriquecido a 60% para, no máximo, 20%, segundo pessoas envolvidas nas conversas. Enquanto o enriquecimento de urânio a 60% para o nível necessário para armas nucleares leva cerca de uma semana, o enriquecimento de 20% para esse mesmo nível leva algumas semanas. De acordo com o acordo nuclear de 2015, o estoque de urânio do Irã foi limitado a um enriquecimento de 3,67% por 15 anos.

A principal incerteza em relação aos ataques ao programa nuclear iraniano desde 28 de fevereiro é a extensão dos danos causados ​​à capacidade do Irã de construir uma ogiva nuclear. São necessários cientistas experientes para moldar com segurança material físsil volátil em urânio metálico para uma ogiva e para incorporar outros componentes cruciais.

Especialistas têm quase certeza de que o Irã nunca construiu uma ogiva. Seria difícil para o Irã fazê-lo agora sem ser detectado, dada a profunda penetração de inteligência que Israel e os EUA obtiveram sobre o programa nuclear iraniano.

A extensão dos danos que Israel causou à capacidade do Irã de transformar seu programa nuclear em armamento ainda não está clara, mas pode ser significativa, disse David Albright, ex-inspetor de armas que acompanha de perto o programa nuclear iraniano como presidente do Instituto para Ciência e Segurança Internacional.

14 fevereiro 2026

O que estamos defendendo?


    Marco Rubio faz a incômoda pergunta a líderes europeus e burocratas da OTAN e UE: “O QUE ESTAMOS DEFENDENDO?” E acrescentou: “Exércitos não combatem por abstrações. Exércitos lutam por um povo, por uma nação, por um estilo de vida.

    Esta parte da fala de Marco Rubio na Conferência de Segurança de Munique é um dos discursos mais contundentes de um alto funcionário americano, desde que Ronald Reagan disse a Mikhail Gorbachev "derrube esse muro!", comentou Gerson Gomes. Aqui está: Por cinco séculos, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente estava se expandindo. Seus missionários, seus peregrinos, seus soldados, seus exploradores, saindo de suas costas para cruzar oceanos, colonizar novos continentes, construir vastos impérios, se estendendo pelo globo. Mas em 1945, pela primeira vez desde a era de Colombo, o Ocidente se contraía. A Europa estava em ruínas. Metade dela vivia atrás de uma cortina de ferro e o resto parecia que logo seguiria pelo mesmo caminho. Os grandes impérios ocidentais haviam entrado em declínio terminal, acelerado por revoluções de comunistas ateus e por levantes anticoloniais que transformariam o mundo e cobririam vastas áreas do mapa com a foice e o martelo vermelhos nos anos seguintes. Contra esse pano de fundo, à época como agora, muitos passaram a acreditar que a era de predominância do Ocidente havia chegado ao fim e que nosso futuro estava destinado a ser um eco fraco e débil do nosso passado. No entanto, nossos antepassados reconheceram que o declínio era uma escolha, e foi uma escolha que eles se recusaram a fazer. Isso que fizemos juntos uma vez antes é o que o Presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora. Juntos. É por isso que não queremos que nossos aliados sejam fracos, porque isso nos torna mais fracos. Queremos aliados que possam se defender, para que nenhum adversário seja tentado a testar nossa força coletiva. É por isso que não queremos que nossos aliados sejam acorrentados pela culpa e pela vergonha. Queremos aliados que se orgulhem de sua cultura e de sua herança, que entendam que somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização, e que, juntos conosco, estejam dispostos e capazes de defendê-la. É por isso que não queremos aliados que racionalizem em cima do status quo quebrado, em vez de lidar com o que é necessário para consertá-lo.

Nós, na América, não temos interesse em ser educados e ordeiros administradores do declínio gerenciado do Ocidente. Não buscamos nos separar, mas revitalizar uma velha amizade e renovar a maior civilização da história humana. O que queremos é uma aliança revigorada que reconheça que o que aflige nossas sociedades não é apenas um conjunto de políticas ruins, mas um mal-estar de desesperança e complacência. Uma aliança que queremos é uma que não seja paralisada pelo medo. Medo das mudanças climáticas, medo da guerra, medo da tecnologia. Em vez disso, queremos uma aliança que corra ousadamente para o futuro. O único medo que temos é o medo da vergonha de não deixar nossas nações mais orgulhosas, mais fortes e mais ricas para nossos filhos. Uma aliança pronta para defender nosso povo, salvaguardar nossos interesses e preservar a liberdade de ação que nos permite moldar nosso próprio destino. Não uma que exista para operar um estado de bem-estar global e expiar os supostos pecados das gerações passadas. Uma Aliança que não permita que seu poder seja terceirizado, restringido, subordinado a sistemas além de seu controle. Uma que não dependa de outros para as necessidades críticas de sua vida nacional. E uma que não mantenha a pretensão polida de que nosso modo de vida é apenas um entre muitos e que pede permissão antes de agir. E, acima de tudo, uma aliança baseada no reconhecimento de que nós, o Ocidente, herdamos juntos algo único, distinto e insubstituível. Porque isso, afinal, é o próprio fundamento do vínculo transatlântico.

31 janeiro 2026

Colisão e explosões destroem o satélite Luch

     O satélite militar russo Luch, de reconhecimento e observação, foi destruído ontem após colidir com detritos espaciais. Normalmente, as rotas dos detritos orbitais são conhecidas, mas satélites militares, como precisam estar constantemente mudando de órbita, por vezes atravessam áreas perigosas com elevada presença de detritos, e foi provavelmente isso que levou à destruição desse satélite russo.



    Segundo uma reportagem do jornal Live Science, especialistas disseram que lançamentos excessivos de artefatos ao espaço podem provocar uma acumulação de lixo espacial na órbita terrestre e causar até mesmo colisões entre os fragmentos e os próprios satélites. De acordo com um relatório da Agência Espacial Europeia, publicado em abril de 2025, existem cerca de 50.000 pedaços de lixo espacial com mais de 10 cm na órbita terrestre e objetos desse tamanho já são capazes de destruir um satélite.

    Uma órbita densamente preenchida por satélites já vem sendo um desafio para a SpaceX. Uma reportagem da revista norte-americana New Scientist informou na última semana que a companhia reportou à FCC que precisou fazer 300 mil manobras para evitar colisões em órbita de seus satélites em 2025.

A corrida espacial entre os EUA e a China

    O ano de 2026 promete ser fundamental na corrida espacial que se desenha para o século 21. Diferentemente da corrida para se chegar à Lua entre Estados Unidos e União Soviética no século passado, a disputa agora é para desenvolver a maior e melhor constelação de satélites, em especial um modelo específico: os satélites LEO (sigla em inglês para órbita terrestre baixa).



    Outra diferença nessa corrida espacial é o adversário norte-americano, que dessa vez é a China. Na última década, os EUA construíram uma ampla vantagem no lançamento de foguetes. O país asiático vem aumentando suas missões espaciais e já é responsável por quase ⅓ dos lançamentos de foguetes. De 2024 para 2025, a China aumentou em 36% a quantidade de lançamentos de foguetes para instalação de satélites. Ao todo, foram 93 lançamentos no ano passado, um recorde para o país. Para 2026, a estimativa é que o país ultrapasse os 100 lançamentos.




    Enquanto a China tenta ganhar tração na corrida espacial, os EUA querem solidificar ainda mais a vantagem construída na última década e para isso contam com seu principal trunfo: a SpaceX, do empresário Elon Musk. A empresa realizou 85% dos lançamentos norte-americanos e é responsável por colocar o país no topo da lista de lançamentos realizados em 2025. Sem a empresa de Musk, os EUA ficariam com ⅓ das operações chinesas no período.

    


29 janeiro 2026

Uma lição do capitalismo sobre o possível controle da China nas áreas do 5G e da Inteligência Artificial

 


    Os Estados Unidos finalmente têm uma oportunidade. A questão é se os formuladores de políticas continuarão a reconhecer que competir com a China exige mais do que retórica. Exige resistir à tentação de microgerenciar a economia, ao mesmo tempo em que dão aos inovadores americanos a liberdade para competir e a escala para vencer. Aprendamos nós esta ótima lição.


    O controle da Huawei sobre mais de um terço do mercado global de telecomunicações está em risco como resultado, e com ele, também a forte posição do país para dominar grande parte do futuro global do 5G e da IA.


    Essa reação não deveria surpreender ninguém. Quando governos tentam impor patriotismo no caixa, os consumidores quase sempre acabam resistindo. E o incentivo para escolher o melhor negócio provavelmente é ainda mais forte na China, onde o padrão de vida é de apenas cerca de um quarto do nível americano.


    O problema para a Huawei é que sua busca inicial por domínio nunca foi construída apenas com base em confiança ou inovação; segundo relatos, ela foi construída com subsídios, coerção e a compreensão tácita de que comprar alternativas chinesas era politicamente favorecido. Agora, os consumidores chineses estão percebendo o que o resto do mundo aprendeu anos atrás: monopólios sustentados pelo Estado resultam em preços mais altos, menos escolhas e estagnação. E uma vez que essa percepção se instala, nenhuma quantidade de propaganda nacionalista consegue revertê-la completamente.


    Nesse contexto, agora está claro que o Departamento de Justiça americano foi sábio ao aprovar a fusão - que formou a HPE - entre a Hewlett Packard Enterprise e a Juniper Networks, uma decisão subsidiadas por alertas da Comunidade de Inteligência dos EUA de que o mercado livre precisa ter espaço para florescer, e que as empresas americanas precisam obter escala para contrabalançar concorrentes apoiados pelo Estado, como a Huawei. Essa contenção tem dado bons resultados até agora.


    De acordo com reportagens da Fierce Network, novos dados mostram que, em vários segmentos de redes que por muito tempo foram dominados pela Huawei, a HPE agora está competindo de igual para igual com a Huawei:


"Apenas seis meses se passaram desde que a HPE concluiu a aquisição da Juniper Networks com o objetivo de se tornar um titã em redes para IA. E o negócio já parece estar dando frutos".

Novos dados do Dell’Oro Group mostram que a receita da HPE com switches Ethernet para campus no terceiro trimestre cresceu acima da taxa de mercado e agora está no mesmo nível da gigante chinesa Huawei. A firma de análise já havia previsto que as vendas globais de switches para campus superariam US$ 20 bilhões este ano.

Siân Morgan, Diretora de Pesquisa do Dell’Oro Group, disse à Fierce por e-mail: “A combinação das receitas de switches para campus da Juniper e da HPE no 3T24 cresceu quatro vezes a taxa de crescimento do mercado, então não há sinais óbvios de canibalização entre as vendas de switches para campus das duas empresas.”


    A Cisco, outra empresa americana, também está liderando “tanto no mercado de switches para campus quanto no de roteadores de núcleo”. Então os EUA não têm apenas um bom jogador em seu time.


    Portanto, graças à decisão do Departamento de Justiça de recuar e permitir que o sistema de livre iniciativa americano faça sua mágica, os EUA agora estão melhor posicionados para superar a China globalmente em inteligência artificial, infraestrutura de nuvem e data centers seguros. Também estão mais bem equipados para competir em mercados estrangeiros onde os governos estão cada vez mais reavaliando os riscos de depender da tecnologia chinesa.


    O fato de essas empresas americanas estarem competindo com sucesso sem subsídios (ao contrário da Huawei) é um ponto importante, porque está se provando a única forma sustentável de avançar.


    As recentes dificuldades da Huawei em seu próprio mercado expuseram a fragilidade de um domínio construído com apoio estatal em vez de confiança do mercado. A única maneira de manter o domínio a longo prazo é oferecer um produto ou serviço de qualidade que consiga competir no mercado livre e aberto com base apenas no mérito, e empresas americanas como Cisco e a recém-fusionada HPE estão fazendo exatamente isso.

18 janeiro 2026

O grande jogo do Ártico

 


    "A disputa pelo Ártico, com seus vastos recursos, será o novo grande jogo do século XXI", declarou Steve Bannon, que atuou como estrategista-chefe no início do primeiro mandato do presidente Donald Trump, em uma entrevista em fevereiro de 2025. A luta pelo poder que se desenrola no extremo norte tem, de fato, muito em comum com o Grande Jogo original, a competição do século XIX entre as duas grandes potências da época, os impérios britânico e russo, pelo acesso a territórios estrategicamente e economicamente valiosos na Ásia Central. Na disputa atual, China, Rússia e Estados Unidos buscam, de forma semelhante, expansão territorial e influência. As potências modernas estão novamente ansiosas para acessar riquezas econômicas e construir zonas de proteção.

    Com a ressurgência da dinâmica de poder do século XIX, o livro recente da ex-diplomata americana Mary Thompson-Jones, "America in the Arctic", oferece uma análise sobre o assunto. Uma narrativa oportuna e informativa sobre como os Estados Unidos adquiriram e mantiveram seu status como potência no Ártico. Após uma história amplamente bem-sucedida na construção de uma presença americana no Ártico, Thompson-Jones alerta que Washington agora está dando atenção insuficiente a uma região que se tornou foco das grandes potências mundiais.

    O livro termina com uma lamentação contundente — e precisa — da notável falta de ambição de Washington em suas recentes políticas para o Ártico. Thompson-Jones, o escreveu antes da última eleição presidencial americana, recomendando que os futuros líderes aumentem seu foco nas mudanças climáticas e na diplomacia multilateral em uma estratégia abrangente para o Ártico.

Foi um dos alertas para Trump

    Após assumir o cargo, Trump voltou sua atenção para potenciais aquisições no Ártico, fazendo frequentes e controversas referências ao Canadá como "o 51º estado" e prometendo que os Estados Unidos "conseguiriam" a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, "de um jeito ou de outro". As notícias da última semana demonstram que Trump não logrou êxito em suas iniciativas embora o jogo ainda não tenha terminado. Tentativas de adquirir a Groenlândia já ocorreram — em 1910, 1946 e 2019 — e tiveram a mesma combinação de motivações econômicas e de segurança.

    A cooperação entre a Rússia e a China, entretanto, tem crescido desde o anúncio, em 2022, de uma “parceria ilimitada”, que no Ártico se traduziu em operações conjuntas nas áreas científica, espacial e militar, incluindo patrulhas da guarda costeira e da marinha. 

    Contudo, a recente aproximação de Washington com Moscou introduziu um fator imprevisível: caso as negociações resultem em algum tipo de grande acordo, o realinhamento geopolítico resultante poderá mudar completamente o jogo.

    Mesmo assim, para competir, os Estados Unidos precisarão aumentar drasticamente sua presença militar, econômica, científica e diplomática no Ártico, em estreita cooperação com seus aliados. Se Washington não resolver em breve as deficiências e contradições de sua estratégia para o Ártico, poderá descobrir que já perdeu o novo grande jogo.

    Para a Rússia, que detém vastas extensões de território ártico, a região é vital para sua sobrevivência militar e econômica. Para a China, o Ártico representa uma oportunidade de diversificar seus interesses econômicos globais. E para os Estados Unidos, que garantiram sua presença no Ártico com a compra do território do Alasca da Rússia em 1867 — uma venda que Dmitry Rogozin, ex-vice-primeiro-ministro da Rússia, descreveu como uma “traição ao poder da Rússia” —, a região é uma linha de frente defensiva no norte.

    O fato é que o Ártico continua sendo vital para os interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos. Anchorage, no Alasca, abriga o quarto aeroporto de carga mais movimentado do mundo. Quase todos os sistemas de radar e interceptores de mísseis terrestres dos Estados Unidos estão localizados no estado, cuja alta latitude permite a detecção precoce de ameaças. Acordos bilaterais de defesa recentes com os cinco países nórdicos e a adesão da Finlândia e da Suécia à OTAN, em 2023 e 2024, respectivamente, fortaleceram a defesa coletiva no Ártico.

08 janeiro 2026

A computação é o novo petróleo

    Está em andamento durante toda esta semana a CES (Consumer Electronics Show), uma feira comercial anual sobre tecnologia e eletrônicos de consumo criada em 1967, organizada pela Consumer Technology Association, realizada anualmente em janeiro no Las Vegas Convention Center em Winchester-Nevada.

    Entre as estrelas profissionais da feira esteve presente Jensen Huang fundador e CEO da NVIDIA, empresa líder no setor que fornece a infraestrutra mais avançada e necessária ao funcionamento da IA no mundo. Contudo, em sua palestra de 1 hora e 50 minutos de duração, ele apontou os caminhos que irão levá-los para a próxima fronteira, para impulsionar a IA para o próximo nível. E, claro, para construir data centers com eficiência energética e menor custo-benefício. 

    Ressaltou ainda que a NVIDIA além de fabricar chips de última geração, a empresa agora desenvolve sistemas inteiros, e IA é uma pilha de computação completa. Afirmou ainda: "Estamos reinventando a IA em tudo, desde chips e infraestrutura até modelos e aplicativos. E nosso trabalho é criar toda a pilha, para que todos vocês possam criar aplicativos incríveis para o resto do mundo."


    A palestra do Jensen nos lembrou um artigo 
escrito há um mês cujo título é o deste post. Não iremos entrar no mérito dos dois fatos, nem da palestra nem do artigo, mas ambos nos ilustram porque os EUA são líderes mundiais sob qualquer ângulo que se queira examiná-lo. O artigo descreve a recente negociação entre os EUA e os países do Golo Pérsico e mostra mais uma vez que a América não dá ponto sem nó.

Boa leitura.

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A computação é o novo petróleo

Os Estados Unidos e o Golfo devem trabalhar juntos em inteligência artificial

Daniel Benaim

9 de dezembro de 2025 - Foreign Affairs

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, visitou o Golfo Pérsico em maio, seu foco não estava em Gaza, no Irã ou mesmo na normalização das relações entre Israel e a Arábia Saudita. Em vez disso, estava em acordos comerciais e, sobretudo, em inteligência artificial. Durante a viagem, Trump concordou em vender chips americanos de última geração para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e em investir em megacampus de IA no Golfo, que abrigarão empresas americanas. Um desses locais, em Abu Dhabi, poderá se tornar o maior polo mundial de poder computacional, impulsionando a inteligência artificial. Os países do Golfo, por sua vez, prometeram investir dezenas de bilhões de dólares em IA em território americano. E, no mês passado, durante sua viagem a Washington, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (também conhecido como MBS) obteve a aprovação final para importar dezenas de milhares de semicondutores americanos de última geração, que haviam sido prometidos à Arábia Saudita no início do ano.

Munidos de chips, riqueza soberana e energia abundante, os países do Golfo poderiam ultrapassar a Europa e a Índia em termos de infraestrutura de IA — tornando-se, eventualmente, o terceiro maior polo mundial de poder computacional para IA, atrás dos Estados Unidos e da China. O poder computacional agora ocupa um lugar ao lado do petróleo bruto como pilar da relação EUA-Golfo, e os países do Golfo se tornaram um parceiro prioritário para o governo Trump.

O potencial dessa cooperação em IA é significativo. Se bem-sucedidos, os acordos canalizarão a vasta riqueza dos países do Golfo para empresas americanas de IA e permitirão que essas empresas se expandam para áreas com poucos entraves burocráticos e facilidades de licenciamento. Com a conectividade do Golfo com as regiões vizinhas, o alcance da infraestrutura de IA dos Estados Unidos — ou seja, as camadas de hardware e software sobre as quais a IA é construída — poderia se estender a bilhões de usuários na África, Ásia Central e Oriente Médio. Os acordos também poderiam permitir que os Estados Unidos desbancassem a China como o principal parceiro tecnológico do Golfo, o que seria uma grande vitória para Washington sobre Pequim.

Mas exportar tecnologia americana avançada traz riscos. Por exemplo, essa tecnologia poderia cair em mãos erradas ou prejudicar as operações domésticas de empresas americanas de IA. O problema está, portanto, nos detalhes. A equipe de Trump anunciou esses acordos antes de finalizar seus termos e precisa urgentemente acertar as entrelinhas. Washington deve, em particular, exigir que esses países se comprometam com salvaguardas rigorosas em troca de invenções transformadoras dos EUA, e deve estar preparada para fazer cumprir os termos de qualquer acordo final.

O PESADELO DE UM CHIP HAWK

Há quase uma década, muito antes do ChatGPT ganhar notoriedade, jovens líderes antenados em tecnologia em Abu Dhabi e Riad apostaram que a IA poderia ajudar as economias do Golfo a diversificar sua dependência do petróleo. Em 2017, os Emirados Árabes Unidos criaram o primeiro ministério de IA do mundo e, em 2018, lançaram uma empresa estatal de IA, chamada G42. O país foi um dos pioneiros na adoção de IA em seus serviços governamentais, inaugurou uma universidade focada em IA, desenvolveu modelos de IA em árabe e lançou um enorme fundo de investimento voltado para IA. De acordo com um relatório publicado em novembro pela Microsoft, os Emirados Árabes Unidos agora têm a maior taxa de adoção de IA do mundo, medida pela porcentagem da população em idade ativa que usa IA mensalmente. Enquanto isso, em 2016, a Arábia Saudita começou a investir bilhões em empresas de tecnologia americanas, como a Uber, e a integrar a IA em seus principais empreendimentos, incluindo sua universidade de pesquisa de ponta e a companhia petrolífera nacional.

Essa iniciativa, no entanto, enfrentou dificuldades. Após o assassinato de Jamal Khashoggi pelas forças de segurança sauditas em 2018, algumas empresas do Vale do Silício hesitaram em trabalhar com os governos do Golfo. A China, por sua vez, entrou em cena, oferecendo serviços acessíveis e integrados de 5G e nuvem para empresas da região, muitas vezes com tecnologia de chips da Huawei. A inteligência artificial chinesa, ao que tudo indicava, dominaria o Golfo.

Mas, no final de 2022, o sucesso do ChatGPT demonstrou ao mundo que os Estados Unidos estavam na vanguarda da IA, tornando-se novamente o parceiro mais atraente. E, em 2023, Washington impôs novas condições às suas exportações de chips avançados. Qualquer país que quisesse comprá-los teria que se distanciar de entidades chinesas sancionadas pelos EUA, incluindo a Huawei. O Golfo entendeu a mensagem. O G42, antes profundamente interligado com empresas chinesas, começou a substituir seus equipamentos da Huawei.

Os acordos de IA de Trump com o Golfo reacenderam um debate antigo em Washington sobre como manter a vantagem tecnológica dos Estados Unidos. Os defensores de uma política de restrição à exportação de semicondutores argumentam que as exportações devem ser limitadas apenas a aliados próximos e empresas americanas no exterior, a fim de evitar que tecnologias sensíveis vazem para adversários dos EUA. Eles se opõem à venda de chips avançados para o Golfo devido aos laços tecnológicos e militares da região com a China. De acordo com os defensores de políticas restritivas em relação aos chips, os Estados Unidos podem ser seletivos em suas exportações porque a China ainda não consegue oferecer uma alternativa viável aos chips americanos em larga escala. Eles também alertam que estados autoritários poderiam fazer mau uso da IA.

Do outro lado do debate estão os defensores da difusão da IA, que enfatizam que a vitória na corrida da IA ​​depende da adoção e utilização, por outros países, de ferramentas americanas de computação, nuvem e agentes. Os defensores da difusão alertam que a regulamentação excessiva da IA ​​prejudicará as empresas americanas. Eles veem a proliferação da tecnologia americana de IA como inevitável e desejável, e minimizam os riscos de roubo de chips. Os acordos de Trump com os países do Golfo representam uma grande vitória para o grupo dos defensores da difusão. Embora os acordos de IA tenham sido iniciados durante o governo Biden, o governo Trump os ampliou consideravelmente e eliminou as restrições da era Biden às exportações de semicondutores.

O DIABO ESTÁ NOS DETALHES

Neste caso, em geral, as vantagens de uma cooperação aprimorada em IA com o Golfo superam os riscos, em sua maioria, administráveis. Esses acordos podem promover a diversificação econômica na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos e dar aos Estados Unidos uma vantagem na competição entre grandes potências, substituindo a China como o parceiro tecnológico preferencial do Golfo.

Outra grande oportunidade para os Estados Unidos reside na expansão do alcance global de sua presença em IA. As redes do Golfo na África e na Ásia, em parceria com empresas americanas ou utilizando a infraestrutura tecnológica dos EUA, podem fornecer acesso a mercados onde as empresas de tecnologia americanas raramente atuam sozinhas, onde a baixa conectividade à internet representa um problema para os serviços sediados nos EUA e onde as ofertas chinesas mais baratas se mostrarão atraentes — mesmo que não sejam tão sofisticadas. Os Emirados Árabes Unidos já ultrapassaram a China como o maior investidor na África. Iniciativas coordenadas entre EUA e Emirados podem ajudar a expandir os padrões americanos e levar os benefícios da IA ​​a mercados carentes.

Mas o vazamento é real e, portanto, importante de ser abordado agora — enquanto os detalhes dos acordos ainda estão sendo definidos e muitos dos chips ainda precisam da aprovação do Departamento de Comércio dos EUA para serem enviados ao Golfo. Os acordos devem incluir cláusulas que obriguem os compradores de chips a manter a tecnologia sensível dos EUA longe do hardware ou dos funcionários de empresas consideradas problemáticas, como a Huawei. Esses termos são especialmente importantes para empresas não americanas, sobre as quais o governo dos Estados Unidos tem menos autoridade regulatória. Embora o governo Trump tenha anunciado em 8 de dezembro que permitiria a venda de alguns semicondutores avançados para a China, os chips destinados ao Golfo são mais potentes. Washington também precisa deixar claro que um alinhamento militar ou tecnológico mais profundo com a China coloca em risco a cooperação de ponta.

Os Estados Unidos têm justificativa para exigir que seus parceiros renunciem à cooperação em IA com concorrentes americanos em tecnologias de dupla utilização, ou seja, sistemas que servem tanto a fins civis quanto militares (como drones ou satélites). Afinal, os Estados Unidos não querem que suas tecnologias avançadas sejam usadas contra suas forças em um futuro conflito. Mas tais restrições de exclusividade devem ser direcionadas estritamente às áreas de maior preocupação — como aquelas que poderiam corroer as vantagens militares americanas — e devem ser claramente compreendidas por ambas as partes. Os formuladores de políticas também devem estar cientes dos riscos de que os países do Golfo, que têm suas próprias leis, valores e prioridades, possam usar a IA para repressão interna ou interferência estrangeira. Mas, em última análise, esses Estados não precisam possuir chips de ponta para isso. Os Estados Unidos terão que demonstrar a vontade política para gerenciar essas preocupações, assim como fazem ao trabalhar com esses países fora do âmbito do ciberespaço.

Washington, no entanto, terá que prestar muita atenção ao potencial uso indevido da computação em nuvem. Isso ocorre quando entidades sancionadas pelos EUA alugam acesso remoto a poder computacional de IA via nuvem — às vezes por meio de intermediários que ocultam a identidade do cliente — permitindo-lhes usar chips sem nunca os possuírem fisicamente. Este é um problema global e Washington deve estruturar acordos para garantir que as empresas de IA e os centros de dados do Golfo que usam chips americanos monitorem e relatem usos suspeitos com a mesma urgência que seus homólogos americanos.

Os Estados Unidos têm a influência necessária para fazer cumprir esses termos e devem estar dispostos a usá-la. Os chips que sustentam a IA precisam ser substituídos e atualizados a cada poucos anos. Se a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes Unidos violarem os termos de qualquer acordo futuro, Washington pode reter os envios de semicondutores. Mas Washington deve fazer isso apenas como último recurso.

Ao preencher cargos de embaixadores em Abu Dhabi e Riad, o governo Trump pode ajudar a manter os canais de comunicação abertos e evitar que disputas técnicas se agravem. Também deve expandir o Escritório de Indústria e Segurança dentro do Departamento de Comércio, que supervisiona as exportações de chips. E as agências de inteligência dos EUA também devem cooperar estreitamente com empresas de tecnologia americanas e estrangeiras para verificar se os parceiros internacionais estão cumprindo as exigências.

MAIS DO QUE APENAS PETROESTADOS

Se os acordos internacionais de IA forem para ajudar os Estados Unidos a longo prazo, eles devem ser concebidos para complementar, e não para prejudicar, a indústria nacional de IA. Isso significa que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos precisarão cumprir rapidamente suas promessas de investimentos em infraestrutura de IA nos Estados Unidos. Significa também que os Estados Unidos precisam agir com urgência para construir infraestrutura de IA em território nacional, em parte eliminando os entraves burocráticos e aumentando a capacidade de geração de energia doméstica. Os projetos no Golfo já se beneficiam de regulamentações mais flexíveis e energia mais barata. A capacidade dos Estados Unidos de gerar gigawatts de nova eletricidade para IA definirá o limite de quanta demanda global pode ser atendida a partir do território americano.

Em última análise, o sucesso de qualquer acordo de IA também depende da aprovação do público americano. Os acordos com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos foram negociados às pressas e a portas fechadas. Esses acordos também foram negociados em um momento em que parentes de altos funcionários do governo americano enriqueceram-se com negócios imobiliários e de criptomoedas com países do Golfo. Se os americanos passarem a ver os acordos de IA como comprometidos, isso poderá prejudicar sua sustentabilidade e alimentar uma reação interna ainda maior contra a IA. As pessoas envolvidas nesse projeto, incluindo funcionários do governo Trump, monarcas do Golfo e magnatas do Vale do Silício, já estão polarizando a opinião pública americana. Os formuladores de políticas fariam bem em elaborar e implementar os acordos de IA com rigor e divulgar amplamente os detalhes para ampliar o apoio.

Existem outros obstáculos para o sucesso. Os países do Golfo terão que demonstrar que conseguem construir grandes centros de dados, oferecer preços competitivos em serviços de IA e encontrar demanda para as capacidades de IA que estão desenvolvendo. Eles precisam resistir às turbulências do mercado que podem desacelerar o atual ritmo acelerado de investimentos e construção em IA. Mas se Washington e as capitais do Golfo conseguirem concretizar uma colaboração em IA que corresponda às expectativas, isso poderá representar um ponto de virada na evolução dos países do Golfo, de petroestados a atores globais. Os Estados Unidos, por sua vez, poderiam recuperar decisivamente seu lugar como parceiro preferencial da região nas tecnologias definidoras da era.

03 janeiro 2026

Casa Branca observa ao vivo a prisão de Maduro

 

Trump afirmou ainda que acompanhou a ação em tempo real. 

“Parecia um programa de TV, inacreditável”

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    As forças dos Estados Unidos levaram apenas 47 segundos para capturar o ditador na Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, em um complexo em Caracas. A ação recebeu o nome de Operação Determinação Absoluta. Segundo autoridades norte-americanas, o plano foi estruturado ao longo de meses, com mobilização militar no Caribe.


    Os detalhes foram apresentados pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto do país, general Dan Caine, durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, 3.


    Segundo Trump, não houve mortes na operação e poucos homens se feriram. “Foram necessários 47 segundos, mas foi muito difícil”, afirmou a jornalistas. “Ele chegou até a porta, mas não conseguiu fechá-la. Passamos pela oposição, por forças de retaliação. Havia muitos adversários.”


    Segundo os relatos, o ditador ainda tentou alcançar um quarto seguro com portas de aço, mas não conseguiu. Caine afirmou que “houve muito tiroteio”, mas que não há registro de feridos entre os militares norte-americanos.


    Segundo Caine, mais de 150 aeronaves participaram da operação de forma coordenada. “Todas as aeronaves indo juntas ao mesmo lugar para fazer efeitos de camadas têm um objetivo único: interditar as forças nos arredores de Caracas e, ao mesmo tempo, manter a surpresa tática”, afirmou.


    A ordem para o início da ofensiva ocorreu às 22h46 no horário da Flórida, 23h46 em Caracas e 0h46 em Brasília. Os militares aguardavam uma janela específica de condições climáticas. Às 2h01 no horário local, tropas entraram no bunker onde Maduro estava. Maduro e sua mulher foram levados de helicóptero até o USS Iwo Jima.