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09 maio 2026

Os desfiles do Dia da Vitória na Praça Vermelha foram reduzidos

A Rússia celebrou o 81º aniversário do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazista com um desfile reduzido na Praça Vermelha, em Moscou. O evento, liderado por Vladimir Putin, ocorreu sem tanques ou equipamentos pesados, focando em marchas militares e sobrevoo de caças, refletindo tensões com a Ucrânia

Rodeado por temores de novos ataques por parte da Ucrânia, o evento ocorreu em formato reduzido, com duração de 45 minutos. O discurso de Vladimir Putin durou apenas 8 minutos para justificar a guerra com a Ucrânia e atacar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. [...] Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam. Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre", disse Putin.


“Um desfile militar serve para demonstrar força e bravura, mas, se é realizado de forma furtiva (...) e com a internet bloqueada (para reduzir as chances de um drone de ataque ucraniano conseguir se orientar até o local), ele não demonstra nada além de medo e fraqueza”, escreveu Alexander Baunov, do centro de estudos Carnegie Russia Eurasia Center, com sede em Berlim, em uma análise publicada nesta semana.

Reduzido também foi o número de lideranças de outros países que compareceram ao evento. Apenas seis e de pouca expressão política internacional. Diferentemente do ano anterior, Lula escapou do vexame ocorrido em 2025 expresso em sua própria fotografia durante o evento.



10 julho 2025

Lula, dia sim, dia não, na história da política externa brasileira

     Só lembrando que nem Rússia nem China levaram o Lula a sério o suficiente pra virem à reunião do BRICS. Pior governo da história, de longe. Pior ate que seus governos anteriores.

    Lula e Janja só são respeitados por ONG de bilionário e organização criminosa. No Dia da Vitória em Moscou eles foram colocados num canto sem sombra à esquerda, escondidos e sem prestígio, mais longe de Putin que Maduro e até Abbas. Todos sabem o que isso significa em evento oficial






O que disse.o Estadão sobre esse comparecimento de Lula. Confira nos três parágrafos:


"A imagem de Lula na Praça Vermelha, ladeado por facínoras para ver o desfile de mísseis que vão massacrar inocentes na Ucrânia, marcará o dia da infâmia da política externa brasileira".

"Ao tomar parte nas celebrações do “Dia da Vitória” em Moscou – data em que a Rússia festeja a vitória na 2.ª Guerra contra o nazismo alemão e que o autocrata Vladimir Putin usa para fazer propaganda de seu regime tirano –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva selou não um triunfo diplomático ou um gesto de realismo pragmático, mas um vexame moral e um fiasco geopolítico para o Brasil. Ao lado de autocratas de todos os cantos, Lula foi aquilo que os antigos agentes secretos soviéticos chamariam de “idiota útil”: um ocidental deslumbrado e voluntarioso – e descartável após servir às ambições do império russo.

Em teoria, a participação de um presidente brasileiro nas comemorações do fim da 2.ª Guerra poderia significar a celebração da liberdade contra a tirania, da coragem do povo russo, do papel civilizatório da Rússia nas artes, nas letras, nas ciências, ou mesmo uma oportunidade para um estadista astuto tecer alianças diplomáticas num mundo multipolar – e até explorar canais para promover uma paz justa entre Rússia e Ucrânia. Na prática, Lula foi o exato oposto.
O cortejo foi a peça de propaganda fabricada por um regime que encarna o que há de mais próximo ao fascismo hoje: uma autocracia que envilece sua nação e oprime seu povo, silenciando a oposição, perseguindo minorias, fraudando eleições para sustentar um líder vitalício adornado por uma iconografia imperial. É também um Estado predador, que desestabiliza governos, invade vizinhos e massacra civis sob a bandeira fraudulenta da “desnazificação”. A semelhança com as ambições irredentistas de Hitler, que invocava a germanidade para saquear territórios da Checoslováquia e da Polônia, é óbvia demais para ser ignorada."

    Após, indevidamente, subir a rampa do Planalto, Lula preferiu colocar a ideologia acima do interesse do povo. A conta chegou.

10 maio 2025

O dia da infâmia da política externa do Brasil

    De ontem para hoje, praticamente toda a imprensa condenou Lula por deixar de homenagear os pracinhas, brasileiros mortos durante a Segunda Guerra Mundial (II GM), para ir comemorar em Moscou a vitória russa ao lado de ditadores. Semana passada já tínhamos comentado esse assunto aqui. Ontem destacamos o artigo de Alexandre Garcia na Oeste. Hoje trazemos imagens dos artigos de opinião do Estadão e da Gazeta do Povo.



    Ambos os artigos não são apenas noticiosos. Todos trazem críticas severas sobre a escolha realizada por Lula, obviamente orientado por seu assessor internacional Celso Amorim, fã incondicional das ditaduras.

    A Gazeta textualmente diz:

"Poucas horas depois de o novo papa Leão XIV ter rezado junto com os fiéis na Praça São Pedro, em Roma, pedindo pela paz no mundo, Luiz Inácio Lula da Silva estava ao lado de ditadores e autocratas de diversos países, na Praça Vermelha, em Moscou, na Rússia, em apoio a Vladimir Putin, responsável por trazer de volta à Europa e ao mundo os horrores das grandes guerras que arrasaram o continente europeu no passado. [...]  assim, o ditador da Rússia pôde contar com os velhos aliados de sempre, incluindo Lula, que, desde o início do conflito em solo ucraniano, sempre deixou claro seu alinhamento ao Kremlin.

[...] "Lula escolheu estar ao lado de ditadores, e, nesse processo, arrasta perigosamente o Brasil para longe das democracias consolidadas, comprometendo sua imagem internacional e relativizando princípios que deveriam ser inegociáveis para qualquer nação que se diga livre."

    O Estadão realçou a imagem de Lula na Praça Vermelha, ao lado de facínoras para ver o desfile de mísseis que massacrarão inocentes na Ucrânia, e que marcará o dia da infâmia da política externa brasileira.

09 maio 2025

Dia das preferências

    Alexandre Garcia em seu artigo de fim de semana na Oeste, com o mesmo título deste post, expôs que Lula em vez de celebrar os 80 anos da vitória brasileira em 8 de maio, dia que marca o fim da Segunda Guerra Mundial, preferiu festejar com Vladimir Putin o 9 de Maio. De seu artigo extraimos o seguinte parágrafo que expõe a participação brasileira na II GM.

    "Lula ir à festa soviética pegou mal para o mundo inteiro e, principalmente, entre os brasileiros que conhecem o significado desses 80 anos. Lula foi festejar a vitória soviética no dia 9 sem antes festejar os 80 anos da vitória brasileira indo ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, no Rio. Foi enorme o esforço brasileiro para a vitória do 8 de maio no Ocidente. Cerca de 30 mil nordestinos, os “soldados da borracha”, morreram de malária e outras doenças na Amazônia, para substituir a borracha da Malásia, ocupada pelos japoneses. Nas águas do Atlântico morreram mais de mil brasileiros em navios afundados. Os maiores veteranos nos céus da Itália foram os pilotos do “Senta a Púa”. Oito morreram cumprindo missões. Na Força Expedicionária Brasileira, dos 25 mil militares, morreram quase 500, e foram decisivos no rompimento da Linha Gótica de resistência dos alemães. A tomada de Montese foi considerada pelo comandante do IV Corpo do Exército, general Crittenberger, um exemplo brasileiro de como se toma uma cidade, e foram os brasileiros os únicos na península italiana a cercar e receber a rendição de uma divisão alemã inteira — um contingente de 20 mil prisioneiros, quase igual ao total de militares da FEB. A batalha pelo Norte da África teve a participação decisiva da Base de Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Lula tinha tudo isso para comemorar no Brasil os 80 anos da suada e sangrenta vitória. Uns poucos desses heróis ainda estão entre nós para serem honrados. Mas Lula preferiu comemorar com os ex-soviéticos e seus simpatizantes, como o chinês, Maduro e similares. A preferência é antiga e bem conhecida."

    As democracias da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul, entre outras, ignoraram o convite de Putin, como têm feito desde a primeira invasão da Ucrânia ordenada por ele, em 2014. Na imagem abaixo outras lideranças convidadas por Putin.


    Durante anos, Putin, usou a celebração anual do Dia da Vitória, em 9 de maio, comemorando a vitória soviética sobre Hitler na Segunda Guerra Mundial, para celebrar sua própria grandeza. O triunfo soviético em 1945 sempre foi e continua sendo um dos poucos eventos históricos que verdadeiramente unem o povo russo e, claro, Putin, à medida que seu regime amadureceu, não pôde deixar de tirar proveito disso. Mais do que isso, ele personalizou o evento, apropriando-se de seu significado nacional e até mesmo de seus rituais públicos.

    Desde que a Rússia iniciou sua "operação especial" na Ucrânia em 2022, no entanto, o feriado anual assumiu um significado mais contemporâneo. Putin celebraou o 80º aniversário da vitória soviética com especial alarde. Porém, é difícil não notar que os principais aliados da União Soviética na Segunda Guerra Mundial — os coautores daquela vitória histórica — foram deixados de fora da celebração. Embora nem Trump nem ninguém de seu governo estivesse presente nas comemorações do Dia da Vitória, na retórica e na propaganda oficial do Kremlin, os Estados Unidos foram elevados à condição de parceiro, e histórico, em contraste direto com a Europa, que agora é o principal inimigo. Não faz muito tempo, era o contrário. Contudo, o que é isso, senão isolamento do mundo?

    Voltemos a Lula. O Brasil precisa deixar o sombrio Eixo do Mal o quanto antes. Pode nos custar MUITO caro essa ridícula situação.

 Para se chegar a essa conclusão não se precisa discutir geopolítica, regimes A ou B. É só relembrar o que a II GM representou para o Brasil, especialmente para as famílias brasileiras que tiveram, entre seus familiares, aqueles que participaram da guerra como relatado acima por Alexandre Garcia. Um exemplo do ocorrido na Itália está contado aqui e é mais do que suficiente para se encerrar a palhaçada do atual governo.


06 maio 2025

Lula escolheu comemorar o Dia da Vitória em Moscou ao lado de líderes autoritários

    O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, disse que 29 líderes de países amigos da Rússia devem comparecer às comemorações do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou, a ser celebrada no próximo dia 9. O mundo ocidental a celebra no dia anterior, 8 de maio, dia de 1945 em que foi assinada a rendição alemã.

    Na madrugada de 7 de maio de 1945, uma delegação alemã, sob as ordens do Almirante Karl Dönitz, dirigiu-se ao quartel-general do general Eisenhower em Reims, na França, e assinou os documentos de rendição. O líder soviético, Josef Stalin, insistiu numa outra cerimônia de assinatura em Berlim, que ocorreu na madrugada de 9 de maio.

    As democracias da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul, entre outras, ignoraram o convite de Putin, como têm feito desde a primeira invasão da Ucrânia ordenada por ele, em 2014.

Os companheiros de Lula
no desfile do próximo 9 de maio em Moscou

    Pode-se observar na imagem que os líderes mencionados acima não possuem uma história compatível com um regime democrático, regime este que deixou de existir no Brasil logo após ser montado o consórcio Lula-STF. Único governante eleito democraticamente é o primeiro-ministro da Eslováquia. 

    Previsto para acompanhar Lula nesta viagem estão as seguintes pessoas:




25 junho 2024

Lula não aderiu à Rússia apenas no campo político e diplomático

A encarnação dos ideais de Putin se mostra na prática


Em 17 meses de governo (os dados vão até maio), o Brasil transferiu para a Rússia US$6,9 bilhões pela importação de diesel. Para se ter uma ideia do que isso representa, o valor é mais de 12 vezes o total pago na soma dos 10 anos anteriores (2012-2022). No mês passado, nada menos que 97,8% das importações brasileiras de diesel vieram da Rússia.

Lula vetou a exportação de ambulâncias blindadas para a Ucrânia, fechou as portas para operações de vendas de munições de tanque para Alemanha – que as repassaria para a Ucrânia – sob a justificativa de que não alimentaria a guerra. 

15 maio 2024

A origem do hábito de um presidente dizer que será novamente presidente por muitos anos



Presidente Vladimir Putin caminha
para sua cerimônia de posse no Kremlin

No dourado Salão Andreyevsky do Grande Palácio do Kremlin, onde os czares russos foram coroados, Vladimir Putin prestou, no último dia 07/05/2024, o juramento de fidelidade à constituição da Rússia na sua tomada de posse para um quinto mandato como presidente. A pompa e cerimónia tradicionais transmitiram o seu poder como líder supremo e incontestado da Rússia durante o último quarto de século.

A história desse quarto de século, contudo, não merece e não recebe aplausos do mundo a não ser de ditaduras, como as encaminhadas pela brasileira. Ela só mostra um país na contramão de uma democracia que se chegou a acreditar que surgiria após o fim da União Soviética e a posse de Boris Yeltsin que promulgou uma nova constituição para a Rússia.

A constituição da Rússia de 1993, promulgada pelo presidente Boris Yeltsin, foi a primeira tentativa da Rússia de estabelecer o Estado de direito e a democracia. Continha compromissos elevados com a liberdade de expressão, o direito ao protesto, eleições livres e direitos humanos, declarando que os “direitos e liberdades das pessoas serão o valor supremo”.

Putin tem renegado esse legado desde que foi eleito pela primeira vez em 2000, depois de ter recebido o cargo quando Yeltsin se demitiu no último dia de 1999, nomeando-o, então primeiro-ministro e como presidente interino.

Desde 2008, quando completou um segundo mandato como presidente, Putin contornou repetidamente os limites constitucionais dos mandatos para permanecer no poder. Primeiro, ele trocou de posição com o então primeiro-ministro Dmitry Medvedev, e depois trocou novamente quatro anos depois, retornando à presidência. Em 2020, ele elaborou emendas constitucionais que lhe permitiram concorrer a mais dois mandatos de seis anos. Seu mandato, que começou neste mês, vai até 2030, e ele pode concorrer a pelo menos outro, que vai até 2036, quando completaria 83 anos.

O que diz a oposição

Um grupo independente de monitorização eleitoral russo, disse após a reeleição de Putin, em março deste ano, que a Rússia nunca tinha visto uma votação “tão fora de linha com os padrões constitucionais”, acrescentando que as salvaguardas constitucionais básicas contra a usurpação do poder tinham sido desmanteladas.

“A campanha foi conduzida numa situação em que os artigos fundamentais da constituição russa, que garantem os direitos e liberdades políticas, não estavam essencialmente em vigor”, disse o grupo.

As eleições de março foram rigorosamente geridas para impedir qualquer rival que se opusesse à guerra na Ucrânia, com o Kremlin a manter um controlo apertado sobre a comissão eleitoral central, os tribunais e os meios de comunicação social.

Este ano, a eleição foi amplamente condenada por não cumprir os padrões democráticos básicos, com candidatos genuínos da oposição impedidos de concorrer e com o Kremlin a exercer controle total sobre os meios de comunicação social.

A reação de Putin

Da mesma forma que em outras ditaduras, como na Venezuela, Cuba e Coréia do Norte, um outro evento revelou que seis anos após a tomada de posse de Putin em 2018, o retrocesso político só se acentuou. O principal rival político de Putin, Alexei Navalny morreu em fevereiro em uma colônia prisional no Ártico, menos de quatro anos depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato com um agente nervoso, e três anos depois de ser detido e encarcerado ao retornar à Rússia após se recuperar na Alemanha.

Durante a posse, cheio de otimismo, Putin declarou que a Rússia pretende conquistar e anexar quatro regiões do sudeste da Ucrânia, além da Crimeia, que a Rússia invadiu e anexou ilegalmente em 2014.

Para prestar o juramento, Putin colocou a mão direita sobre a Constituição, um livro vermelho que foi levado ao salão da cerimônia por um membro do regimento presidencial russo, de luvas brancas e passos de ganso, tentando oferecer um verniz de legitimidade constitucional num país. onde o Estado de direito praticamente desapareceu.

É dessa forma em qualquer ditadura. Elas fornecem  combustível suficiente para se ouvir discurso de presidente dizendo que será candidato à presidência por mais dez vezes, até completar 120 anos de idade.





26 março 2023

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL EMITE ORDEM DE PRISÃO CONTRA PUTIN

O Tribunal Penal Internacional de Haia emitiu uma ordem de prisão contra Putin por supostos crimes de guerra na Ucrânia, marcando o ponto mais baixo da relação entre a Rússia e o Ocidente.

Desde que Putin resolveu invadir a Ucrânia, a resposta do Ocidente foi basicamente isolar a Rússia, chegando ao ponto de bloquear recursos financeiros e retirar o acesso do país aos sistemas de negociação internacionais. A venda de energia russa à Europa diminuiu sensivelmente, fazendo os preços multiplicarem por até 10 vezes. Um inverno ameno e um rearranjo na cadeia de fornecimento europeu evitaram o pior, mas a situação está longe de estar normalizada. No front militar, a guerra na Ucrânia fez seu primeiro aniversário, produzindo até aqui a perda massiva de vidas e a destruição do país, além de milhões de refugiados. Do lado russo, as perdas também são muito pesadas. A OTAN oferece cada vez mais armas aos ucranianos, além de ajuda financeira que já ultrapassa os US$ 100 bilhões, bancada principalmente pelo pagador de impostos americano.

As repercussões dessa decisão estão se refletindo no relacionamento entre os países em todo o mundo, especialmente no fortalecimento das ditaduras comunistas e ao encontro do projeto chinês de, até o ano 2050, ter o domínio mundial. 

Durante a semana que se passou, Xi Jinping visitou Putin em Moscou. No encontro, os dois ditadores assinaram acordos de cooperação. A Rússia venderá energia e produtos agrícolas para a China, que, em contrapartida, substituirá o Ocidente como principal provedor de produtos e serviços de maior valor agregado, de alta tecnologia.







É obvio que há muitos interesses por trás em tudo o que ocorre no mundo das relações entre as nações. Sempre foi assim. A China já preparou seus próximos 50 anos, e procura intensificar sua influência no Brasil, que se intensificou durante o governo Lula. Eles têm uma estratégia de longo prazo, e a aplicam com interesses densos de cooptação.

A maioria dos especialistas em China avalia que o sharp power não tem o propósito de criar um cenário em que sejam viabilizadas ações de interferência política direta — esse é o jogo da Rússia, que até financia grupos de mercenários na região do Báltico para influenciar eleições e ameaçar militarmente a vizinha Ucrânia. 

A ditadura chinesa, que precisa tirar da extrema pobreza mais de 100 milhões de pessoas, estaria na verdade em busca de vantagens comerciais para a expansão de negócios e de segurança alimentar a longo prazo. O continente africano tem testemunhado a execução dessa estratégia. Quase todos os setores estratégicos na África são atualmente controlados pela China, de logística a telefonia, de energia a exploração mineral. Para contar com áreas cultiváveis no futuro, o PCC concede empréstimos a juros camaradas até a países inviáveis como Serra Leoa e República Democrática do Congo.

Nesse contexto, o Brasil aparece como alvo importante. Trata-se, afinal, do único país do mundo com potencial de dobrar rapidamente a produção do agronegócio sem causar danos ao meio ambiente. A China precisará consumir cada vez mais alimentos. E usará o sharp power para assegurar a elevação dos níveis de qualidade de vida de sua população. Cabe ao Ocidente jogar com inteligência para calibrar o poder dos chineses. E o Brasil terá de avaliar bem sua atuação e quanto estará disposto a ceder, o que, infelizmente, não está na pauta do governo atual.

04 fevereiro 2023

«La Troisième Guerre mondiale a commencé»

Em 24 de fevereiro de 2022, Putin anunciou uma "operação militar especial", supostamente para "desmilitarizar" e "desnazificar" a Ucrânia. Minutos depois, mísseis atingiram locais em todo o território ucraniano, incluindo Kiev, a capital. A Guarda de Fronteira Ucraniana relatou ataques a postos fronteiriços com a Rússia e a Bielorrússia. Pouco depois, as forças terrestres russas entraram na Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky promulgou a lei marcial e clamou por uma mobilização geral no país para combater os invasores.

"É óbvio que o conflito, que começou como uma guerra territorial limitada e agora está se transformando em um confronto econômico abrangente entre todo o Ocidente, por um lado, e a Rússia e a China, por outro, tornou-se uma guerra mundial", disse o pensador francês, Emmanuel Todd ao jornal francês Le Figaro em 12/01/2023, em uma matéria cujo título é o mesmo deste artigo.

Por sua vez, a Ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que os países da União Europeia estão em guerra contra a Rússia, enquanto autoridades dos EUA e da UE se esforçam para convencer que não são parte do conflito na Ucrânia.

"Eu já disse nos últimos dias – sim, temos que fazer mais para defender a Ucrânia. Sim, temos que fazer mais também em tanques", disse Baerbock durante um debate na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) na terça-feira (24). "Mas a parte mais importante e crucial é que fazemos isso juntos e que não fazemos o jogo da culpa na Europa, porque estamos lutando uma guerra contra a Rússia e não uns contra os outros".

Enquanto o chanceler alemão Olaf Scholz insistiu que a Alemanha deveria apoiar a Ucrânia, mas evitar o confronto direto com a Rússia, Baerbock assumiu uma posição mais agressiva.

Em seguida, a Coreia do Norte condenou os EUA e potências ocidentais por fornecerem tanques de batalha às forças ucranianas, dizendo que a "guerra por procuração" de Washington contra a Rússia representa uma ameaça à paz mundial. O envolvimento dos EUA na Ucrânia "expôs todo o continente europeu ao grave perigo de guerra". É o que disse Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, à Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA) na sexta-feira (27/01/2023).

Na mesma sexta-feira (27), o presidente da Ucrânia criticou a falta de rapidez dos EUA no envio de tanques Abrams à Ucrânia e ressaltou que Kiev não ficará satisfeita com um pequeno número.

Os comentários vieram depois que os EUA prometeram na quarta-feira (25) fornecer a Kiev 31 tanques M1 Abrams, mas alertaram que a entrega poderá levar anos. A Casa Branca explicou que espera adquirir os tanques do fabricante, em vez de retirá-los de seus arsenais. A configuração vendida não será a mesma usada pelos EUA.

No início desta semana, a Alemanha aprovou o fornecimento a Kiev de 14 tanques Leopard 2A6 de seus próprios estoques e também deu permissão a outros países para venda de seus tanques de fabricação alemã ao exército ucraniano.

Estados Unidos e OTAN não estão preparados para guerra com a Rússia, avalia especialista militar dos EUA

Douglas Macgregor, coronel reformado do Exército americano, ex-conselheiro do Secretário de Defesa do governo Trump, avalia no artigo This Time It’s Different que os EUA e a OTAN não estão preparados para lutar uma guerra total com a Rússia, regional ou globalmente.

"Ao contrário das primeiras esperanças e expectativas do Beltway [cúpula do governo federal, seus fornecedores e lobistas, e jornalistas que cobrem Washington, DC] a Rússia não entrou em colapso interno nem capitulou às demandas coletivas do Ocidente por mudança de regime em Moscou", observa Macgregor.

"Washington subestimou a coesão social da Rússia, seu potencial militar latente e sua relativa imunidade às sanções econômicas ocidentais", aponta o coronel. "Como resultado, a guerra por procuração de Washington contra a Rússia está falhando". 

Macgregor nota que "os membros da OTAN nunca estiveram fortemente unidos por trás da cruzada de Washington para enfraquecer fatalmente a Rússia". 

"Embora simpatizante do povo ucraniano, Berlim não apoiou uma guerra total com a Rússia em nome da Ucrânia. Agora, os alemães também estão desconfortáveis com a condição catastrófica das forças armadas alemãs", ressalta Macgregor.

A apenas 20 dias de se completar um ano de guerra, nenhuma das matérias encontradas em todas as mídias noticiam indicativos de negociações em busca da paz. Ao contrário, as notícias são de um crescente avanço na direção da continuidade da guerra. Será mesmo que estamos diante do que disse Todd, o pensador francês?  «La Troisième Guerre mondiale a commencé».

07 março 2022

O FUTURO QUE A RÚSSIA NOS PROMETE

 Em artigo de 2011, o professor Olavo de Carvalho explica os planos da Rússia e as estratégias que serão usadas por Putin. Confira.


O futuro que a Rússia nos promete

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 23 de maio de 2011

O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.

Carrasco mostra para a multidão a cabeça do executado na guilhotina.

Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.

"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853 - 1927).
Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.

Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.

Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.

O então primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, aperta a mão de operadores spetsnaz do Grupo Alpha da FSB durante uma visita a Gudermes, na Chechênia, em 2011.

Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.

Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.

O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.

02 março 2022

COMO PUTIN ESTÁ MUDANDO A EUROPA

    A ONU agora, 2/3/2022, em Assembleia Geral Extraordinária, acaba de aprovar a resolução em defesa da independência da Ucrânia e contra a agressão militar da Rússia. 141 votos sim, 5 votos não ( Rússia, Coreia do Norte, Belarus, Síria e Eritreia), 35 abstenções. O Brasil, disse sim, votou a favor da resolução.

    Ontem o DW Brasil publicou um interessante artigo, de Barbara Wesel, abordando as mudanças que estão ocorrendo na Europa. Assinala modificações de posicionamento de lideranças de todos os naipes políticos.

    Contudo, o artigo deixou de assinalar que o combustível que alimenta os tanques de Putin têm percorrido o seu trajeto há muito tempo. E eles foram/são fornecidos pelo próprio Ocidente, quando a OTAN passou a incorporar países do Leste Europeu, até chegar próximo das fronteiras russas, destruindo assim os acordos de 1991, após o colapso do Muro de Berlim.

A propósito de fatos como esse, ontem, 01/03/2022, Paulo Carvalhosa escreveu em seu artigo "Retórica x Fatos", o que segue:

[ ... ] Putin ficou livre para agir quando o senil Biden afirmou para quem quisesse ouvir que não enviaria tropas para a Ucrânia, praticamente chancelando a ação militar russa, decorrendo disto a suspeita que o Deep State, prevendo a inutilidade para o sistema globalista de 2/3 da população mundial, quer desta parcela se livrar por qualquer meio, colocando a culpa da hecatombe nos russos, colocados diante do fracasso da farsa pandêmica que, na visão de Davos, deveria ter levado rápido ao Great Reset, que falhou. 

A Ucrânia é, portanto, o início do fim de todo um mundo que havia sido concebido muitas décadas antes e que os artífices do globalismo de Bilderberg acreditavam conseguir implantar às custas de bilhões de vidas humanas, para o seu único proveito pessoal. 

Acabou Davos. Acabou o Clube de Bilderberg, Acabaram os planos de Biden, dos Clinton, dos Obamas, dos Soros, dos Rockfeller, dos Rothschild, dos Fernando Henrique Cardoso et catervas, dos paus-mandados Lula e Dilma e toda a turma abjeta das chamadas esquerdas pútridas do Brasil.

[...] Agora, no pleito de 2022, a se espelhar nos atos subversivos de sucessivos atentados à vida de Trump, das duas acusações infundadas que pretendiam o seu impeachment, e a maior fraude eleitoral da história dos EUA, praticada pelo Deep State mundialista em novembro de 2020, toda atenção é pouca!

    Sobre nossas urnas, ouça o Engenheiro Carlos Rocha que liderou o desenvolvimento das urnas eletrônicas brasileiras na década de 90, neste vídeo, acessível no youtube no link: https://youtu.be/2hgmWLCaij4.

Boa leitura. 

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Como Putin está mudando a Europa

Barbara Wesel
1 de março de 2022

Invasão da Ucrânia gera pequena revolução na União Europeia. Nunca antes países europeus renunciaram a princípios políticos e tradições ideológicas tão rapidamente como nos últimos dias.

A guerra do presidente russo, Vladimir Putin, contra a Ucrânia desencadeou uma série de consequências não intencionais: uniu a Europa, pôs fim a bajulações econômicas e políticas de alguns países da União Europeia (UE), levou muitos de seus velhos amigos à clandestinidade e pôs um fim temporário às disputas mesquinhas.

O entusiasmo pela nova unidade pode ser temporário, pois o preço para as duras sanções ainda não foi pago. No entanto, a guerra de Putin é como um elixir da longa vida para a UE, vacas sagradas estão sendo abatidas e um novo vento sopra pelo bloco.

França: populistas perdem terreno

Desde que tomou posse, o presidente francês, Emmanuel Macron, tem pregado que a Europa deve se tornar mais autônoma economicamente e ser capaz de se defender. Seus colegas no bloco não o apoiavam. Agora está ficando claro o quanto Macron estava certo.

Entretanto, ele também tem que admitir erros: durante muito tempo, o francês havia cortejado Putin e acreditava que ele estava preocupado com a cooperação e o respeito na Europa. Após a  última e fracassada tentativa de negociar com o Kremlin, Macron se sentiu enganado.

Seus adversários políticos, no entanto, têm que renunciar a seu ídolo Putin da noite para o dia e não querem ser lembrados de seus tweets embaraçosos de antes. Até então, a linha pró-Putin do velho esquerdista Jean-Luc Melenchon, da populista de direita Marine Le Pen e seu rival de extrema-direita Eric Zemmour não desempenharam nenhum papel na campanha eleitoral.

Agora fotos de 2017 ao lado de Putin ficaram altamente embaraçosas para Le Pen. Naquele ano, sua campanha eleitoral recebeu doações do presidente russo. Um vídeo de Zemmour nas mídias sociais, onde ele elogiou Putin como um gênio e um francês quase virtual, é agora um sucesso negativo. E Melenchon admite que estava errado a respeito do russo. Todos os três estão agora se contendo e falando sobre paz.

Hungria: Orban muda de ideia

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, havia se tornado um problema na UE nos últimos anos. Cada vez mais autoritário, corrupto e antidemocrata convencido, o húngaro tem causado discórdia e torpedeado decisões conjuntas. O desmantelamento do Estado de direito na Hungria o colocou em rota de colisão com Bruxelas. E sua total rejeição dos refugiados impediu uma política migratória comum.

Mas no fim de semana Orban foi à cidade fronteiriça de Beresegsurany, onde refugiados da Ucrânia atravessam a fronteira, para acolhê-los e prometer-lhes a ajuda da Hungria. É verdade que muitos que chegam ali pertencem à minoria húngara dos Cárpatos, mas Orban teve que retroceder nesta questão.

Orban está agora preso entre anos de proximidade com Putin e o ultraje europeu pela guerra na Ucrânia. Há apenas algumas semanas, ele havia visitado o Kremlin, quando declarou a exigência de garantias de segurança legítimas e as sanções da UE como contraproducentes. Então, no sábado passado, seu porta-voz anunciou que Budapeste apoiaria todas as sanções contra a Rússia. Viktor Orban não conseguirá retroceder tão rapidamente o quanto exigem as próximas eleições em abril, pois a opinião pública na Hungria é pró-Ucrânia.

As neutras Suécia e Finlândia

Desde a Segunda Guerra Mundial, os suecos têm considerado sua neutralidade como o mais alto bem. Em princípio, o país evita tomar partido e se distingue como negociador neutro na comunidade mundial. Agora, a primeira-ministra Magdalene Andersson declarou que entregaria capacetes, coletes de proteção e 5 mil armas antitanque à Ucrânia.

"Tomamos nossas próprias decisões em matéria de política de segurança", respondeu Andersson às ameaças de Putin sobre o suposto preço alto que Suécia e Finlândia teriam que pagar caso aderissem à Otan.

A Finlândia também reagiu friamente às ameaças de Putin. Lá, o não alinhamento imposto e a influência política do Kremlin após a Segunda Guerra Mundial são agora vistos de forma crítica. E, pela primeira vez, uma maioria de 53% dos entrevistados apoia agora que o país ingresse na Otan.  O desejo de proteção pela aliança militar ocidental parece mais importante do que a antiga tradição de neutralidade.

E quando perguntado sobre uma possível "finlandização" da Ucrânia, o ex-primeiro-ministro Alexander Stubb nega: "O termo é traumático para nós", seria um retorno às regras da Guerra Fria e não uma boa solução para a Ucrânia. "Finlandização" remete à época na década de 1970 quando a Finlândia fez concessões à União Soviética para manter uma política de boa vizinhança.

Alemanha: Fim de velhos princípios

"A Alemanha está assumindo seu papel como potência global" escreveu a agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (28/02), resumindo os comentários mundiais expressando entusiasmo e espanto na virada histórica do chanceler federal alemão, Olaf Scholz, no domingo.

Da noite para o dia, ele removeu todas as crenças de décadas da política alemã: sim às armas para a Ucrânia, sim a uma Bundeswehr pronta para a ação, sim ao aumento dos gastos com a defesa e não à dependência energética da Rússia, não aos que entendem Putin e apologistas de seu governo autoritário.

A tradução inglesa do discurso de Scholz foi compartilhada como pão quente no Twitter entre os observadores anglo-saxões, tão grande foi o assombro com a reviravolta em Berlim. O chefe de governo alemão jogou no lixo cerca de 30 anos de política alemã em relação à Rússia, especialmente a de seu próprio partido. No dia seguinte, a política externa e de segurança da República Federal da Alemanha está irreconhecível.

Reações em outros países

O presidente tcheco, Milos Zeman, durante anos um ardente apoiador do presidente Putin, agora chama seu antigo amigo de "lunático que deve ser isolado" e que põe em perigo a paz na Europa.

O populista italiano de direita Matteo Salvini, que se deixou fotografar mais de uma vez usando uma camiseta estampando Putin, tenta apagar antigos elogios ao presidente russo nas mídias sociais e colocou flores na embaixada ucraniana em Roma.

Após a anexação da Crimeia, o ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond ainda havia elogiado Putin como um patriota russo. Agora, ele suspendeu seu talk show no canal de propaganda russo RT até que a paz seja restaurada.

O ex-candidato presidencial francês François Fillon, o ex-chanceler austríaco Christian Kern e outros renunciaram a seus cargos em empresas estatais russas em protesto. Somente o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder permanece com seu cargo na Gazprom, falando que houve "erros de ambos os lados".

E por último: o premiê búlgaro Kiril Petkov demitiu seu ministro da Defesa porque ele se recusou a definir o conflito na Ucrânia como "guerra".

Refugiados ucranianos já somam 875 mil +



27 fevereiro 2022

MOSCOU ESTÁ MAIS PERTO DO QUE PARECE

Leonardo Coutinho, em seu artigo publicado na Gazeta do Povo, nos revela que os interesses de Putin não se restringem aos países que fazem fronteira com a Rússia. Putin está jogando na América Latina e no Brasil há tempos. Cada vez que ele avança algumas casas em seu terreno, há reflexos em seus movimentos na nossa região.

Na última década, a Venezuela recebeu por três vezes a visita de bombardeiros Tupolev, capazes de transportar armas nucleares. Não se sabe se estavam armados. Caso sim, teria sido o retorno desse tipo de armamento no continente desde a crise dos mísseis em 1962, quando a então URSS instalou um arsenal nuclear em Cuba, nos diz Coutinho.

E esse amor de Putin pela Venezuela, e vice-versa, não é o mesmo dedicado ao Brasil, nem mesmo na época dos governos petistas, como, por exemplo,  quando a economia da Venezuela se esfacelou e ficaram as dívidas. O Brasil ficou com o calote que a Venezuela deu no BNDES. No caso das armas russas, foi bem diferente. Confira os detalhes, na íntegra, lendo o referido artigo.

Boa leitura.

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Putin está jogando na América Latina e no Brasil há tempos

Por Leonardo Coutinho - 26/02/2022 11:08

Moscou está a 11.171 quilômetros de Brasília. A distância geográfica gera a ilusão de que os planos de Vladimir Putin se restringem ao expansionismo nas bordas de seu país. Há quem diga que o conflito, além de distante geograficamente, é também politicamente. Nem o Brasil, nem a América Latina têm a ganhar preocupando-se ou posicionando-se em relação aos planos de Putin, que nesta semana invadiu a Ucrânia. Quem dera o mundo fosse compartimentado assim.

Moscou está mais perto do que parece. Um fato inegável é que as ondas de choque da invasão da Ucrânia que atingirão o Brasil terão impacto no preço dos combustíveis, alimentos e no possível rompimento da promessa de enviar mais fertilizantes para Brasil – razão pela qual, contrariando a razão, Jair Bolsonaro foi à Rússia no pior momento possível para se encontrar com Putin em retribuição à promessa russa de ampliar a oferta do insumo.

É incompreensível a relutância em assumir ou pelo menos se esforçar para entender que Moscou não está lá longe e que o movimento das peças no tabuleiro da geopolítica não seguem regras de fronteiras e não se medem por meio de hodômetros ou medidores de Hobbs. Putin está jogando na América Latina e no Brasil há tempos. Cada vez que ele avança algumas casas em seu terreno, há reflexos em seus movimentos na nossa região.

O exemplo mais reluzente é seu papel da Rússia na Venezuela. O regime de Nicolás Maduro só se mantém de pé pela combinação da economia do ilícito – que nutre as máfias e enche os bolsos de políticos e militares – e pela ação direta e decisiva de potências extrarregionais que dão apoio diplomático, oferecem canais para evasões de sanções e proporcionam a cobertura necessária para as operações do Estado, sejam elas formais ou não. Além da China, Irã e Turquia, a Rússia é um dos parceiros que permitem ao regime venezuelano sobreviver.

Enquanto Putin coloca suas tropas para marchar sobre a Ucrânia, seus militares operam radares de espionagem na Venezuela, próximo à fronteira com a Colômbia. Segundo o Ministério da Defesa da Colômbia, são pelo menos cinco equipamentos interceptando comunicações.

Nem Chávez, nem Maduro jamais fizeram questão de esconder a presença militar russa em seu país. Sempre que pode, o ditador atual faz um discurso ou posta no Twitter que chegaram militares russos ao seu país. Na última década, a Venezuela recebeu por três vezes a visita de bombardeiros Tupolev, capazes de transportar armas nucleares. Não se sabe se estavam armados. Caso sim, teria sido o retorno desse tipo de armamento no continente desde a crise dos mísseis em 1962, quando a então URSS instalou um arsenal nuclear em Cuba.

Em 2019, quando Maduro esteve em seu momento mais crítico, Putin desembarcou em Caracas nada menos que cem militares uniformizados que desfilaram para as câmeras do regime. Foram enviados para “dar uma mão”. Dar assistência técnica na manutenção do arsenal russo – que é a base do material de defesa da Venezuela – e para orientar as Forças Armadas Bolivarianas. E pelos relatos de gente que sabe muito do que acontece nas entranhas do regime, essa “ajuda” segue até hoje.

A Venezuela tem o maior arsenal russo na América Latina. A história de aquisição das armas russas pelo regime chavista tem uma relevância extra para entender a quebradeira da Venezuela. Em 2006, depois de ser impedido de comprar armas americanas, devido a uma proibição imposta pelo Congresso dos Estados Unidos, Hugo Chávez não pestanejou. Correu para os braços de Putin. A lista de armas e equipamentos é longa. Os venezuelanos compraram 100 mil fuzis de assalto, 38 helicópteros multiuso Mi-17, três helicópteros de transporte M1-26, dez helicópteros de combate Mi-35 e 24 caças Sukhoi Su-30MK2.

Apesar de naquele momento a Venezuela estar nadando nas receitas do petróleo, Chávez fez as compras, que totalizam US$ 6 bilhões, no crediário. Quando a economia da Venezuela se esfacelou, ficaram as dívidas. O Brasil conhece bem essa história, pelo calote que eles deram no BNDES. No caso das armas russas, foi bem diferente. Dependentes de Putin para sobreviver como regime, os chavistas entregaram parte importante de sua produção e reservas de petróleo para a Rússia, como parte do pagamento.

Além de ganhar uma bela fortuna com a operação, os russos usam o fluxo petroleiro para ajudar Maduro a evadir das sanções que lhe são impostas e empurram petróleo venezuelano nas transações internacionais. Há relatos de que é cobrada uma comissão que pode superar 20% do valor das operações.

Não faz muito tempo, quando a invasão da Ucrânia ainda era uma possibilidade e o Ocidente pensava que a retórica conteria os russos, Putin mandou um recado para os Estados Unidos. Disse que se a Otan não parasse de avançar sua influência junto aos países que fazem fronteira com a Rússia, ele poderia enviar forças para a Venezuela e Cuba. A Casa Branca tratou o caso como bravata. Mas Putin parece não ser um bravateiro.

Além de ser sócio na Venezuela de Maduro, o presidente russo fincou “bases” na Nicarágua, onde mantém tropas que “auxiliam” os carniceiros de Daniel Ortega com o treinamento de “combate ao narcotráfico”. Por meio de sua estatal nuclear, a Rosatom, Putin busca expandir sua influência na Bolívia, Argentina, Paraguai e mais recentemente no Brasil.

No final do ano passado, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foi à Rússia negociar o aumento do envio de fertilizantes para o Brasil. A viagem do presidente Bolsonaro a Moscou foi uma espécie de gesto de cortesia brasileira com o parceiro que estendeu a mão em um momento crítico. Mas Putin não nos ajuda por amor. A depender da evolução da crise, sequer é possível esperar o cumprimento das promessas.

Muita gente não entende ou não quer entender. Suspeito que Bolsonaro não condenou a Rússia porque não pode, ou talvez ache que não é conveniente. O Brasil depende de Putin.

Como se vê, a Rússia não é tão distante assim.