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04 maio 2025

Ousadia e inovação fazendo diferença na Ucrânia

    Foram divulgadas fotos do novo drone naval Magura V7 da Ucrânia que derrubou dois caças russos Su-30SM sobre o Mar Negro há dois dias. O Tenente-General Kyrylo Budanov, disse ao site de notícias War Zone que a tripulação de um avião russo foi resgatada das águas geladas por um navio comercial, enquanto os tripulantes do segundo avião não sobreviveram.. Os dois aviões custaram US$ 50 milhões cada.


   

    Su-30SM


    


Vídeo divulgado pelo exército ucraniano 

    A reportagem relata que a Ucrânia afirmou ter abatido os dois caças russos usando drones navais equipados com mísseis modificados de fabricação americana, no que autoridades militares em Kiev disseram ser o primeiro ataque desse tipo na história da guerra.

    Os abates demonstram a ameaça que a Ucrânia representa para a Rússia, com um complexo militar-industrial que está inovando para se manter firme contra o exército muito maior de Moscou. O país menor encontrou meios cada vez mais ousados ​​de enfraquecer seu inimigo.

    Em um discurso em vídeo no sábado, o presidente Volodymyr Zelensky descreveu o ataque como "brilhante" e "uma prova das capacidades da Ucrânia". Kiev afirmou que este é o primeiro caso de uma aeronave de combate abatida por um drone marítimo.

    A Ucrânia afirmou que o míssil usado para atingir os jatos russos era um AIM-9 guiado por infravermelho de fabricação americana, fornecido pelos EUA e Canadá à Ucrânia.

15 dezembro 2024

iPhone poderá servir como um laptop. A tela se desdobrará para ser tão grande quanto monitores de 19"

A Apple está preparando uma série de grandes mudanças de design e formato em sua linha de iPhones e potencialmente outros produtos.

Segundo as informações que estão circulando, a empresa está planejando lançar um iPhone destinado a servir como um laptop, com uma tela que se desdobra para ser quase tão grande quanto alguns monitores de desktop, com cerca de 19 polegadas. Um modelo menor se desdobraria para um tamanho de tela que seria maior do que um iPhone 16 Pro Max, destinado a servir como um iPhone dobrável.

Ambos os designs dobráveis ​​estão em desenvolvimento há anos, mas algumas peças-chave não estavam prontas. Os principais desafios incluíram melhorar a dobradiça, um mecanismo que permite que o dispositivo dobre e desdobre, e a tampa da tela, um material flexível que protege a tela dobrável.

Historicamente, novos designs de hardware têm sido os principais impulsionadores do crescimento das vendas da Apple. Dez anos atrás, a Apple lançou um novo tamanho de telefone com o iPhone 6 Plus maior, dando início a uma onda de crescimento para a empresa na época.

16 outubro 2024

Com a Queda do Século, a SpaceX aumentou ainda mais a sua distância com a Europa, China e seus concorrentes americanos

No domingo, 13 de outubro, a SpaceX, empresa do bilionário americano Elon Musk que também é dono da montadora Tesla e da plataforma de mídia social X, alcançou um novo feito técnico: recuperar o primeiro estágio "Super Heavy" do foguete Starship usando os braços mecânicos de sua torre de lançamento em Boca Chica, Texas, em vez de perdê-lo no mar como nos quatro lançamentos anteriores.

A Queda do Século

Este foi o quinto lançamento de teste, desde abril de 2023, do lançador mais poderoso do mundo — 120 metros de altura e capaz de transportar 100 toneladas métricas (10 vezes mais do que os foguetes de hoje). Aqueles que zombaram da ideia de um lançador recuperável no início do empreendimento Falcon-9 tiveram que admitir que a SpaceX mudou o modelo de negócios da indústria espacial. Trazer de volta o primeiro estágio de um foguete significa que ele pode ser reutilizado e relançado, reduzindo consideravelmente os custos.

Com esse novo "salto gigante", a SpaceX está ampliando ainda mais a lacuna com a Europa e a China, bem como com seus concorrentes americanos Blue Origin, de propriedade do fundador da Amazon, Jeff Bezos, Boeing e Lockheed Martin, no setor estratégico de exploração espacial e lançamento de constelações de satélites para uso civil ou militar. 

Para preencher pelo menos parte dessa lacuna, a Europa terá que passar da "alta costura" para a "industrialização", alertou Eva Berneke, CEO da operadora de satélites francesa Eutelsat, no Le Monde:

"O Falcon-9 já havia reduzido os preços em 50%; a Starship os levará ainda mais baixo, em pelo menos 30% a 40%."

15 outubro 2024

A Queda do Século

 


É impossível exagerar o que aconteceu nas costas do Texas, ou o que aconteceu por duas décadas em El Segundo, a pequena cidade industrial ao sul de Los Angeles onde a SpaceX nasceu. Em sua infância, o país estava cambaleando de horror. Apenas meses antes do início da SpaceX em março de 2002, terroristas tinham lançado jatos comerciais contra duas joias da coroa da engenharia da cidade de Nova York, assassinando milhares de pessoas. Enquanto fogo e cinzas ainda estavam em nas mentes e em nas telas, um homem peculiar do outro lado da costa falava sobre testes de foguetes e tornar os humanos multiplanetários — como se ele não estivesse assistindo ao noticiário junto com o resto dos demais, mas sim focado no futuro. Seus sonhos deveriam ter morrido no ano seguinte, quando se assistiu a mais horror quando o ônibus espacial Columbia se desintegrou ao reentrar na atmosfera da Terra sobre o Texas, matando sete astronautas e acelerando o fim do programa do ônibus espacial para sempre. Também poderia ter acabado com a obsessão de longa data da América em alcançar as estrelas. Mas 22 anos depois, esse não é o destino americano. Foguete fracassado após foguete fracassado, experiências críticas após experiências críticas levaram a riscos maiores e mais calculados que, por sua vez, fizeram da SpaceX  o farol para as melhores mentes de engenharia na América — e no mundo.

04 maio 2024

O poder da inovação ( 3/3 )

Em "O poder da inovação ( II )", dissemos que a capacidade de um país projetar poder na esfera internacional – militar, econômica e cultural – depende da sua capacidade de inovar mais rapidamente e melhor do que os seus concorrentes. Os fatos reias assim o demonstram e foram muito bem capturados pela Netflix em  "O ponto de virada - A bomba e a guerra fria" citada no "O poder da inovação ( I )", série esta que nos tem estimulado a continuar escrevendo mais um pouco sobre esse tema. Feito esse registro, continuemos então.Vamos lá.

A principal razão pela qual a inovação proporciona hoje uma vantagem tão grande é que gera mais inovação. Em parte, isso acontece devido a dependência de trajetória que surge quando grupos de cientistas atraem, ensinam e treinam outros grandes cientistas em universidades,  institutos de pesquisa e em grandes empresas de tecnologia. Mas também ocorre porque a inovação se baseia em si mesma. A inovação depende de um ciclo de invenção, adoção e adaptação – um ciclo de feedback que alimenta ainda mais inovação. Se algum elo da cadeia se romper, o mesmo acontece com a capacidade de um país inovar eficazmente.

Uma liderança em inovação normalmente é construída com base em anos de pesquisas anteriores. Mas o fosso em torno dos países que desfrutam de vantagens estruturais em tecnologia está diminuindo. Graças, em parte, a pesquisa acadêmica mais acessível proporcionada pelo  surgimento da Internet e do software de código aberto, as tecnologias difundem-se agora mais rapidamente em todo o mundo. 

A disponibilidade de novos avanços ajudou os concorrentes a recuperarem o atraso a uma velocidade recorde, como se verifica em países como a India e a China.  Embora parte do recente sucesso tecnológico da China resulte da espionagem e do desrespeito pelas patentes, grande parte dele remonta a esforços inovadores, e não derivados, para adaptar e implementar novas tecnologias. Lá, em 2015, o Partido Comunista Chinês apresentou a sua estratégia “Made in China 2025” para alcançar a autossuficiência em indústrias de alta tecnologia, como as telecomunicações e a IA. Em 2017, Pequim anunciou planos para se tornar líder global em inteligência artificial até 2030. 

Em computação quântica, os Estados Unidos mantêm vantagem. No entanto, durante a última década, a China investiu pelo menos 10 bilhões de dólares em tecnologia quântica, cerca de dez vezes mais que o governo dos EUA. A China está trabalhando para construir computadores quânticos tão poderosos que possam quebrar facilmente a criptografia atual. O país também está  investindo fortemente em redes quânticas – uma forma de transmitir informações sob a forma de bits quânticos – presumivelmente na esperança de que tais redes sejam imunes à monitorização por outras agências de inteligência.

A China também está tentando ativamente alcançar os Estados Unidos em biologia sintética. Os cientistas nesta área estão trabalhando numa série de novos desenvolvimentos biológicos, incluindo substitutos de carne à base de plantas. Nesta última quarta-feira (01/05/2024), o governador da Flórida assinou uma lei que proíbe e criminaliza carne fabricada em laboratório por ainda não ser seguro o suficiente para a sua comercialização.

Quando se trata de semicondutores, a China também tem planos ambiciosos. O governo chinês está financiando esforços sem precedentes para se tornar líder na fabricação de semicondutores até 2030. 

Porém, os Estados Unidos continuam a superar a China no design de semicondutores, assim como Taiwan e a Coreia do Sul, alinhados aos EUA. Em outubro de 2022, a administração Biden tomou a importante medida de impedir que as principais empresas dos EUA que produzem chips de computador de IA vendessem à China como parte de um pacote de restrições divulgado pelo Departamento de Comércio. No entanto, as empresas chinesas controlam 85% do processamento dos minerais de terras raras utilizados nesses chips e noutros produtos eletrônicos críticos, oferecendo um importante ponto de vantagem sobre os seus concorrentes. 

Contudo, a luta é ferrenha. No último dia 26/04/2024, a University of Washington anunciou em um artigo na Nature Sustainability, a produção de circuitos impressos a partir de um material desenvolvido que se transforma em uma espécie de gel ao se degradar, reduzindo os danos ao meio ambiente. A grande problemática ambiental do circuito impresso é que seu fim costuma ser no aterro sanitário, com seus produtos químicos infiltrados no meio ambiente, ou pior ainda: a queima para extração de ouro e cobre. que pode ser tóxica para o ambiente e para as pessoas em si.

Durante muito tempo, o trio governo, indústria e academia foi a principal fonte de inovação americana. Esta colaboração impulsionou muitos avanços tecnológicos, desde o pouso na Lua até a Internet. Mas com o fim da Guerra Fria, o governo dos EUA tornou-se avesso ao financiamento à pesquisa aplicada e até reduziu o montante dedicado à pesquisa fundamental. Contudo, os gastos privados dispararam ao longo do último meio século. A ascensão do capital de risco ajudou a acelerar a adoção e a comercialização, mas pouco fez para resolver problemas científicos de ordem superior. O Silicon Valley juntamente com outros atores críticos nos Estados Unidos continuam incentivando a inovação. A história de sucesso americana baseia-se numa combinação potente de ambição inspiradora, regimes jurídicos e fiscais favoráveis ​​às startups e uma cultura de abertura que permite aos empreendedores e pesquisadores interagirem e melhorarem novas ideias.

A concorrência com a China exige uma reenergização da interação entre o governo, o setor privado e o meio acadêmico. Tal como a Guerra Fria impôs a criação do Conselho de Segurança Nacional, a atual concorrência alimentada pela tecnologia deveria estimular uma reorganização das estruturas políticas existentes. Num sinal promissor, o Congresso americano parece ter reconhecido a necessidade de um apoio decisivo. Em 2022, numa votação bipartidária, aprovou a Lei CHIPS e Ciência, que destina 200 bilhões de dólares em financiamento para P&D científico ao longo dos próximos dez anos e cada nova tecnologia, desde a IA à computação quântica e à biologia sintética, deve ser perseguida com o objetivo claro de comercialização.

Na disputa do século – a rivalidade dos EUA com a China – o fator decisivo será o poder de inovação. Os avanços tecnológicos nos próximos cinco a dez anos determinarão qual país ganhará vantagem nesta competição que moldará o mundo.

O velho mantra de Silicon Valley aplica-se não apenas à indústria, mas também à geopolítica: inove ou morra.

02 maio 2024

O poder da inovação ( 2/3 )

Embora muitos dos efeitos mais transformadores, ​ainda estejam distantes, a inovação nos drones já está a virar o campo de batalha. Em 2020, o Azerbaijão empregou drones fabricados na Turquia e em Israel para obter uma vantagem decisiva na sua guerra contra a Armênia na disputada região de Nagorno-Karabakh, acumulando vitórias no campo de batalha após mais de duas décadas de impasse militar. Da mesma forma, a frota de drones da Ucrânia – muitos dos quais são modelos comerciais de baixo custo reaproveitados para reconhecimento atrás das linhas inimigas – desempenhou um papel crítico no seu sucesso.

Os drones oferecem vantagens distintas em relação às armas tradicionais: são menores e mais baratos, oferecem capacidades de vigilância incomparáveis ​​e reduzem a exposição dos soldados ao risco. Soldados em guerra urbana, por exemplo, poderiam ser acompanhados por microdrones que serviriam como olhos e ouvidos. Com o tempo, os países irão melhorar o hardware e o software que alimentam os drones para inovar mais que os seus rivais. 

Eventualmente, os drones autônomos armados – não apenas veículos aéreos não tripulados, mas também os terrestres – substituirão completamente os soldados e a artilharia tripulada. Imagine um submarino autônomo que pudesse transportar rapidamente suprimentos para águas contestadas ou um caminhão autônomo que pudesse encontrar a rota ideal para transportar pequenos lançadores de mísseis em terrenos acidentados. 

Enxames de drones, conectados em rede e coordenados pela IA, poderiam sobrecarregar as formações de tanques e de infantaria no campo. No Mar Negro, a Ucrânia utilizou drones para atacar navios russos e navios de abastecimento, ajudando um país com uma marinha minúscula a restringir a poderosa Frota Russa do Mar Negro. A Ucrânia oferece uma antevisão dos conflitos futuros: guerras que serão travadas e vencidas por humanos e máquinas trabalhando em conjunto.

Como a evolução dos drones deixa claro, o poder da inovação está subjacente ao poder militar. Em primeiro lugar, o domínio tecnológico em domínios cruciais reforça a capacidade de um país para travar a guerra e, assim, fortalece as suas capacidades de dissuasão. Mas a inovação também molda o poder econômico, dando aos estados influência sobre as cadeias de abastecimento e a capacidade de estabelecer regras para outros. Os países que dependem de recursos naturais ou do comércio, especialmente aqueles que devem importar bens raros ou fundamentais, enfrentam vulnerabilidades que outros não enfrentam.

Consideremos o poder que a China pode exercer sobre os países aos quais fornece hardware de comunicações. Não é surpresa que os países dependentes de infraestruturas fornecidas pela China – como muitos países de África, onde os componentes produzidos pela Huawei representam cerca de 70 por cento das redes 4G – tenham sido relutantes em criticar as violações dos direitos humanos na China. 

A primazia de Taiwan na fabricação de semicondutores, da mesma forma, proporciona um poderoso impedimento contra invasões, uma vez que a China tem pouco interesse em destruir a sua maior fonte de microchips.  

Os Estados Unidos, graças ao seu papel na fundação da Internet, têm desfrutado durante décadas de um lugar na mesa que define as regulamentações da Internet. Durante a Primavera Árabe, por exemplo, o fato dos Estados Unidos serem o lar de empresas tecnológicas que forneciam a espinha dorsal da Internet permitiu que essas empresas recusassem os pedidos de censura dos governos árabes.

Menos óbvia, mas também crucial, a inovação tecnológica sustenta o poder brando de um país. Hollywood e empresas tecnológicas como a Netflix e o YouTube criaram um tesouro de conteúdos para uma base de consumidores cada vez mais global – ajudando ao mesmo tempo a difundir os valores americanos. 

Esses serviços de streaming projetam o estilo de vida americano nas salas de estar de todo o mundo. Da mesma forma, o prestígio associado às universidades dos EUA e as oportunidades de criação de riqueza criadas pelas empresas dos EUA atraem empreendedores de todo o mundo. 

Em suma, a capacidade de um país projetar poder na esfera internacional – militar, econômica e cultural – depende da sua capacidade de inovar mais rapidamente e melhor do que os seus concorrentes.

O artigo anterior desta série, "O poder da inovação ( I ), está disponível neste link.

O próximo artigo: O velho mantra de Silicon Valley aplica-se não apenas à indústria, mas também à geopolítica: inove ou morra. 

30 abril 2024

O poder da inovação ( 1/3 )

Em meio as disputas políticas se inclui a exibição de eventuais domínios tecnológicos. Na imagem abaixo, a Alemanha Oriental (RDA) exibindo seus computadores em desfile estadual - 4 de julho de 1987.  A RDA não existe mais mas o costume não acabou. As ditaduras comunistas continuam com seus desfiles militares exibindo a última geração de suas armas e homenageando os ditadores do passado (e os de plantão), sem exceção, que  assassinaram (assassinam) milhões de pessoas de sua própria população.


Computadores na Alemanha

A história registra que o primeiro computador digital eletromecânico controlado por programa (software) do mundo foi desenvolvido na Alemanha por Konrad Zuse, o Z3, finalizado em 12 de maio de 1941.

Ele seguiu os passos do Z1 – o primeiro computador digital binário do mundo – que Zuse desenvolveu em 1938.  Zuse se destacou pela máquina de computação S2, considerada o primeiro computador de controle de processo.

Ainda em 1941, ele fundou uma das primeiras empresas de computadores, produzindo o Z4, que se tornou o primeiro computador comercial do mundo. De 1943 a 1945 ele projetou a Plankalkül, a primeira linguagem de programação de alto nível.

Muito de seu trabalho inicial foi financiado por sua família e pelo comércio, mas depois de 1939 ele recebeu recursos do governo alemão nazista. Durante a Segunda Guerra Mundial, o trabalho de Zuse passou despercebido no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Muito do trabalho de Zuse foi destruído na Segunda Guerra Mundial, embora o Z4, a mais sofisticada de suas criações, tenha sobrevivido e foi parar na IBM. Possivelmente, sua primeira influência documentada em uma empresa americana foi a opção da IBM por suas patentes em 1946.


O poder da inovação

Ao longo do tempo, reconhecidamente a inovação tem demonstrado poder. Foi assim no passado e continuará sendo no futuro.

Em exemplo mais recente, quando as forças russas marcharam sobre Kiev em fevereiro de 2022, poucos pensaram que a Ucrânia conseguiria sobreviver. A Rússia tinha mais do dobro de soldados que a Ucrânia. O seu orçamento militar era dez vezes maior. A comunidade de inteligência dos EUA estimou que Kiev cairia dentro de uma a duas semanas, no máximo.

Contudo, desarmada e em menor número de homens, a Ucrânia voltou-se para uma área em que detinha uma vantagem sobre o inimigo: a tecnologia. Pouco depois da invasão, o governo ucraniano carregou todos os seus dados críticos para a nuvem, para que pudesse salvaguardar a informação e continuar a funcionar mesmo que os mísseis russos transformassem os seus escritórios ministeriais em escombros. 

O Ministério da Transformação Digital do país, que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tinha criado apenas dois anos antes, adaptou o seu App móvel de governo eletrônico, Diia, para recolher informações de seus cidadãos, permitindo que eles pudessem carregar fotos e vídeos de unidades militares inimigas. 

Com a sua infraestrutura de comunicações em perigo, os ucranianos recorreram aos satélites Starlink e às estações terrestres fornecidas pela SpaceX para se manterem ligados. Quando a Rússia enviou drones fabricados no Irã através da fronteira, a Ucrânia desenvolveu os seus próprios drones especialmente concebidos para interceptar os ataques russos – enquanto os seus militares aprendiam a usar armas desconhecidas fornecidas pelos aliados ocidentais. No jogo do gato e do rato da inovação, a Ucrânia revelou-se simplesmente mais ágil. E assim, o que a Rússia imaginou que seria uma invasão rápida e fácil acabou por ser tudo menos isso.

Teste de um drone caseiro em Kiev,
novembro de 2022

O sucesso da Ucrânia pode ser creditado em parte a determinação do povo ucraniano, a fraqueza dos militares russos e a força do apoio ocidental. Mas também se deve a nova força definidora da política internacional: o poder de inovação

Não é segredo que o poder de inovação é a capacidade de inventar, adotar e adaptar novas tecnologias. Contribui tanto para o hard power quanto para o soft power

Os sistemas de armas de alta tecnologia aumentam o poderio militar. Um bom (e atual) exemplo disto está disponível no seriado Netflix "O ponto de virada - A bomba e a guerra fria".

Existe uma longa tradição de que as nações que aproveitam a inovação para projetar poder no estrangeiro, resultante dos progressos científicos. Atualmente estamos diante de mais um. Os dos avanços na inteligência artificial que abrem novas áreas de descoberta científica e que aceleram esse mesmo processo. 

A inteligência artificial aumenta a capacidade dos cientistas e engenheiros para descobrirem tecnologias cada vez mais poderosas, promovendo avanços na própria inteligência artificial, bem como noutros campos – e remodelando o mundo no processo.

A capacidade de inovar mais rapidamente e melhor – a base sobre a qual assenta agora o poder militar, econômico e cultural – determinará o resultado da competição entre grandes potências como os Estados Unidos e a China. 

Por enquanto, os Estados Unidos continuam na liderança. Mas a China está a se recuperar em muitas áreas e já avançou noutras. Para sair vitorioso desta disputa que define o século, os negócios como de costume não servirão. 

Para isso, as nações terão de superar os seus impulsos burocráticos, criar condições favoráveis ​​à inovação e investir nas ferramentas e no talento necessários para iniciar o ciclo virtuoso do avanço tecnológico. 

As nações precisarão também se comprometerem a promover a inovação a serviço do país e a serviço da democracia. Em jogo está nada menos do que o futuro das sociedades livres, dos mercados abertos, dos governos democráticos e da ordem mundial mais ampla e mais democrática.

21 abril 2024

Dia Mundial da Criatividade e Inovação



Neste Dia Mundial da Criatividade e Inovação, muitas reportagens, artigos, ... foram publicados no mundo inteiro inclusive no Brasil,  para dar conhecimento como os principais inovadores superam seus pares, impulsionam a inovação e criam esta cultura nas organizações.

Não há dúvidas de que a inovação é a força vital do progresso. Num contexto empresarial, criatividade e inovação é a capacidade de conceber, desenvolver, entregar e dimensionar novos produtos, serviços, processos e modelos de negócios. Ambas podem criar valor, aumentar a produtividade e promover a competitividade.

O potencial da inovação alimenta a esperança. Mas muitas vezes essa esperança é frustrada por uma execução ineficaz. Por isso mesmo se estuda,  se discute e se questiona o que é necessário para realmente estimular a inovação. Como consequência, recomenda-se que esforços sejam empreendidos, sistematicamente, para focar a cultura de inovação nas organizações.

Ajuda-nos nesse processo o aproveitamento da tecnologia como fator imprescindível para a superação de desempenho em seus resultados. As organizações com culturas de inovação obtêm mais valor dos investimentos estratégicos em tecnologia do que os seus pares, revelam os resultados de diversas pesquisas realizadas por estudiosos do assunto.

Entre esses resultados, sobressai-se aqueles sobre estratégia e investimento digital, indicando que para que esses investimentos tragam benefícios para toda a empresa, as empresas precisam desenvolver modelos culturais que adotem a inovação, pois os desafios culturais surgiram como a maior barreira à obtenção de resultados dos investimentos digitaisA rejeição ao risco, mentalidades isoladas e uma aversão geral à tecnologia retardam a adoção de novas ferramentas e processos. 

Com as novas tecnologias, como a IA generativa (gen AI), preparadas para atuarem em muitos setores e funções, a inovação é uma prioridade clara para muitas empresas.

Entre os resultados dos estudos publicados, foram identificadas cinco prioridades que os líderes podem abraçar para promover essa cultura – desde a identificação explícita da inovação como um valor empresarial fundamental até a defesa e recompensa da experimentação e a criação de uma sensação de segurança de que o fracasso não acarretará custos para a carreira.

Um outro resultado mostrou que as empresas com fortes culturas de inovação estão à frente dos seus pares na utilização da tecnologia para se distanciarem dos concorrentes. Quase dois terços delas estão implantando inteligência artificial em seus processos principais, tanto internos quanto voltados para o cliente, para aumentar a velocidade, a granularidade e a precisão. Nas organizações de saúde inovadoras, por exemplo, a IA está a melhorar os diagnósticos médicos e os planos de tratamento, enquanto as empresas de bebidas estão a experimentar sabores de bebidas gerados pela IA.

Além disso, a grande maioria destas empresas capta os benefícios de custo e flexibilidade que as plataformas digitais e os modelos de negócios na nuvem podem trazer. As organizações com redes de parceiros complexas, por exemplo, podem utilizar backbones tecnológicos para transmitir pequenas alterações de design ao longo das suas cadeias de abastecimento. 


Por último, os principais inovadores têm a capacidade de atrair os melhores talentos tecnológicos, utilizando estes talentos como um “multiplicador de força” para acelerar a inovação nos seus modelos de negócio e nas suas ofertas.

05 maio 2023

NEGÓCIOS E INOVAÇÃO

1. De 15 a 28 de abril, gente do mundo inteiro esteve no Rio de Janeiro  na Web Summit, o megafestival de inovação e tecnologia. Ótimo acontecimento para a cidade que mais uma vez pode exibir um selo no seleto álbum mundial dos negócios basedos em tecnologia e inovação. Pré-inscrição para 2024 já se encontra disponível.



2. De 4 a 7/05, na cidade de Omaha, no estado de Nebraska, está sendo realizado o evento considerado por muitos como  o “Woodstock do capitalismo”. As maiores personalidades desse seleto mundo marcaram presença. Warren Buffett, Bill Gates (Microsoft) e Bob Iger (Disney). O evento é realizado por acionistas da Berkshire Hathaway, a gestora de Buffett, um dos homens mais ricos do mundo. Seu patrimônio é estimado em US$ 113 bilhões, e Buffett é conhecido pelo conservadorismo nos negócios. 


Mas o que existe em comum aos dois eventos: NEGÓCIOS, que há muito tempo já deixou de ser apenas compra e venda. De uns tempos para cá, há poucas décadas, a palavra-chave para a realização de bons negócios chama-se INOVAÇÃO. Contudo, ela não existirá sem o entendimento de outras quatro palavras: consumidor, modelos de negócios, tecnologia e investimentos.

E é nessa ordem de compreensão que um bom negócio poderá surgir. Talvez você se surpreenda, mas tecnologia não é o motivo número 1 de tudo o que a gente está vivendo, embora hoje ela seja quase que imprescindível para o estabelecimento de um bom modelo de negócios. Contudo, os dois primeiros motivos são mais importantes para um bom negócio e o último, investimentos, o seu oxigênio.


PS.: Divulgados pouco antes do encontro, os resultados da Berkshire Hathaway mostraram um salto nos ganhos no primeiro trimestre de 2023.

Os ganhos operacionais aumentaram cerca de 12% em relação ao ano anterior, para US$ 8,065 bilhões no primeiro trimestre, disse o comunicado de resultados no sábado.

O lucro operacional é o lucro que resta depois que os custos das operações principais de uma empresa são retirados.

O conglomerado registrou lucro de US$ 35,5 bilhões no primeiro trimestre. O saltoé atribuído, em parte, ao retorno do império de seguros da Berkshire.

O negócio de subscrição de seguros da empresa teve um aumento claro, de ganhos de US$ 167 milhões no primeiro trimestre de 2022 para US$ 911 milhões agora.

A receita com investimentos em seguros aumentou de US$ 1,17 bilhão para US$ 1,97 bilhão.

A companhia de seguros Geico, controlada pela Berkshire, teve um prejuízo com as subscrições de US$ 1,9 bilhão no final do ano passado, depois de perder participação de mercado para a concorrente Progressive.

Até aqui neste ano, porém, está se saindo melhor, registrando um lucro de US$ 703 milhões no primeiro trimestre, graças a mensalidades médias mais altas e custos de publicidade mais baixos, mesmo com um número menor de sinistros.

Por outro lado, a empresa de energia e ferrovia de carga da Berkshire, BNSF, teve uma queda nos lucros em comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

A Berkshire também recomprou aproximadamente US$ 4,4 bilhões em ações, e seu caixa aumentou para US$ 130,6 bilhões, de US$ 128 bilhões no quarto trimestre de 2022.

15 julho 2019

100 RADICAL INNOVATION BREAKTHROUGHS FOR THE FUTURE


100 possíveis avanços tecnológicos radicais e inovações que poderão impactar a humanidade nas próximas décadas, é o que antecipa e indica o novo relatório da Comissão Européia, denominado "100 Radical Innovation Breakthroughs (RIB) for the future". 

Embora produzido com foco na União Europeia, o estudo poderá servir de referência na definição de estratégias em outras partes do globo, além de orientar reflexão e debate acerca das implicações econômicas, sociais e éticas decorrentes das próximas ondas de inovação. O Brasil pode, por exemplo, avaliar a importância potencial de cada uma dessas inovações diante de sua realidade, maturidade e força relativa do seu sistema de educação, pesquisa e inovação, gerando referências úteis para o fortalecimento de políticas e estímulos, em sintonia com os tempos desafiadores à frente.



No relatório estão incluídas áreas como agricultura de precisão, edição de genomas e bioplásticos e áreas que até recentemente eram consideradas especulativas, mas que agora dão sinais de emergir em breve como realidade. Nestas estão inclusas os chips neuromórficos, desenhados para replicar a forma como o cérebro humano pensa e compreende; inteligência de enxame, para replicar comportamento coletivo, como abelhas em uma colmeia; neurociência da criatividade e da imaginação; fotossíntese artificial e comunicação de plantas; reconhecimento de emoções; sensores biodegradáveis; habitats subaquáticos; carros voadores e mineração de asteroides.

O estudo se assenta na premissa de que há períodos em que mudanças simultâneas nos elementos sociais, tecnológicos e econômicos se aceleram até que um novo paradigma técnico-econômico tome forma e se torne dominante.

Ao todo são 87 tecnologias emergentes e 13 inovações sociais, com digitalização e inteligência artificial se apresentando como elementos-chave, e também dando sinais de que há uma nova onda se formando, impulsionada por fatores como saúde, bem-estar e sustentabilidade. Avanços emergentes, como reconhecimento de fala, realidade aumentada, chips neuromórficos, reconhecimento de emoções e os novos avanços em inteligência artificial, poderão alimentar inovações sociais baseadas em colaboração, compartilhamento, interação e relacionamentos.

02 fevereiro 2019

BRASIL E ISRAEL FIRMAM ACORDO DE US$ 10 MILHÕES PARA PROJETOS DE INOVAÇÃO INDUSTRIAL

Para ampliar a competitividade da indústria nacional e promover a cooperação tecnológica e econômica entre Brasil e Israel, os dois países firmaram acordo pelo qual vão destinar 10 milhões de dólares a projetos inovadores realizados em conjunto por empresas com sede nos dois países, nas áreas de energia, IoT, agricultura e ciências da vida.

As empresas interessadas têm até o dia 18 de abril para submeter as suas propostas. As regras seguem os regulamentos de cada agência financiadora, ou seja, no Brasil as da EMBRAPII  e em Israel as da IIA.

A proposta deve envolver ao menos uma empresa de cada país e resultar no desenvolvimento de um novo produto, novo processo produtivo ou serviço de aplicação industrial. As empresas brasileiras devem estar associadas à rede credenciada de 42 Unidades EMBRAPII para o desenvolvimento do projeto.




31 janeiro 2019

BRASIL É NOVO PARCEIRO DA CORNET / UE

    Através da EMBRAPII, o Brasil passou a integrar a rede de Pesquisa Coletiva Cornet - Collective Research Network, que reúne órgãos públicos e agências de fomento à inovação da União Europeia, com diversos países parceiros pelo mundo, como Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Japão e Peru.

    A adesão vai possibilitar que pequenas e médias empresas brasileiras realizem projetos de PD&I em parceria com a indústria dos 11 países membros da rede. Guidelines e templates para submissão de propostas podem ser acessados aqui neste link. As inscrições podem ser feitas até o dia 27 de março de 2019. Após o fechamento do edital, a EMBRAPII e o órgão do país que irá cooperar farão uma análise conjunta das propostas.

    Cada projeto tem financiamento médio de R$ 600mil. Os interessados em participar da chamada devem montar consórcios com pelo menos cinco empresas, por meio de sua associação, e apresentar uma proposta de projeto que promova a inovação em todo o setor industrial ao qual as empresas pertencem.  A ideia é promover projetos que unam empresas diferentes com o objetivo de promover o desenvolvimento geral do setor. Neste sentido, a participação de associações de setores industriais é primordial.

    Nesse modelo de cooperação internacional, cada país financia suas respectivas empresas. As empresas brasileiras devem estar associadas à rede credenciada de 42 Unidades EMBRAPII para o desenvolvimento do projeto.