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17 julho 2026

O relatório da CIA sobre fraude eleitoral na Venezuela

Em seu discurso de ontem à noite, Donald Trump disse que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020.

- Em 2012, havia um suposto plano envolvendo o governo e a empresa Smartmatic para pré-programar máquinas de votação em cerca de 300 centros tradicionalmente pró-Chávez, visando garantir vitória por aproximadamente 1,5 milhão de votos. Chávez teria parabenizado a equipe após vencer por ~1,6 milhão de votos.

- Em setembro de 2020, foram relatados planos técnicos detalhados para manipular as eleições de dezembro de 2020 usando um “segundo conjunto de máquinas virtuais” que replicariam resultados legítimos e depois substituiriam por dados manipulados, fazendo-os parecer originados de máquinas legítimas.





Vale lembrar que a empresa Smartmatic foi fundada por venezuelanos e, por exemplo, na eleição de 2014 treinou 14.000 funcionários que trabalharam na operação das urnas eletrônicas brasileiras naquele pleito. Nesta oportunidade Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, o PSDB fez uma tentativa de auditoria e a conclusão foi a mesma da Comissão do Exército para Integridade Eleitoral de 2022 (convidados a fazê-lo pelo TSE) e da auditoria do PL em 2022: as maquininhas brasileiras são uma caixa preta, impossível de se auditar. Obs: apenas o PL foi multado em 2022 em… R$ 22 milhões - 22 era o número de Bolsonaro. Oficialmente consta no website do TSE que a auditoria feita pelo PSDB não encontrou nenhuma irregularidade. Mas o TSE esquece de dizer que não encontrou nada porque era impossível de se verificar o cruzamento de dados e demais técnicas de auditoria. Este foi o mesmo subterfúgio usado por Moraes, presidente do TSE na eleição de 2022, para atropelar o que disse o Exército e declarar “o Exército não encontrou nada de errado”. E antes que digam que isto é porque “o sistema é impenetrável” - como sempre arguido pelo então ministro Barroso - o TSE não menciona que o próprio tribunal reconheceu, através de um inquérito da PF aberto em 2018 a pedido da presidente do TSE, Rosa Weber, que houve uma invasão feita por um hacker e que esteve dentro dos sistemas, inclusive com a senha do ministro do TSE Sérgio Banhos, desde o início até o final de 2018, ou seja, abarcando os 2 turnos eleitorais de 2018.

Então se pergunta: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?


A TRADUÇÃO DAS EVIDÊNCIAS … “AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA) NOTA DA CIA Resumo de Relatórios Selecionados de Inteligência, de 2004–2020, sobre as Capacidades da Venezuela para Manipulação Eletrônica de Eleições 29 de junho de 2026 Resumo Os relatórios da Comunidade de Inteligência produzidos entre 2004 e 2020 documentaram preocupações persistentes acerca da manipulação, pelo governo venezuelano, de sistemas eletrônicos de votação e das potenciais implicações para a segurança nacional da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos. A inteligência concluiu que autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, provavelmente, alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, incluindo a tecnologia da Smartmatic, a fim de influenciar resultados eleitorais na Venezuela. A avaliação da Comunidade de Inteligência de 2006 concluiu que os vínculos da Smartmatic com a Venezuela representavam uma ameaça à segurança nacional, fundamentando-se em informações sólidas sobre a intenção do governo venezuelano de influenciar a política dos Estados Unidos e em evidências de manipulação dos próprios sistemas eleitorais venezuelanos. Essa avaliação levou o governo dos Estados Unidos a adotar medidas que forçaram a Smartmatic a alienar suas operações norte-americanas em 2007. Relatórios posteriores indicaram que sistemas eletrônicos de votação continham vulnerabilidades que poderiam, teoricamente, ser exploradas por agentes sofisticados com acesso interno. Entretanto, embora a inteligência tenha validado preocupações relevantes acerca de fornecedores de tecnologia eleitoral ligados ao exterior, não confirmou de forma definitiva que fraudes eletrônicas em larga escala tenham sido efetivamente executadas em eleições específicas na Venezuela, mantendo como avaliação-base da CIA que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais. Os relatórios relativos a técnicas avançadas forneceram informações preocupantes sobre alegadas capacidades e intenções do governo venezuelano, embora derivadas de fontes limitadas.

Nota de Escopo Este resumo concentra-se nas informações da Comunidade de Inteligência referentes às intenções e capacidades da Venezuela para manipular máquinas de votação, tanto internamente quanto, potencialmente, em outros países. Não constitui uma reavaliação abrangente de toda a inteligência disponível sobre o tema, mas sim um resumo das principais conclusões constantes de documentos selecionados produzidos entre 2004 e 2020. Interesse do Governo Venezuelano na Manipulação Eleitoral Fontes de inteligência entre 2004 e 2020 relataram que o presidente venezuelano Hugo Chávez e, posteriormente, seu sucessor Nicolás Maduro demonstraram interesse contínuo em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. Em abril de 2004, informações de inteligência indicaram que Chávez pretendia impedir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos, sugerindo intenção de influenciar a política norte-americana. A avaliação concluiu que a aquisição da empresa norte-americana Sequoia pela Smartmatic representava uma ameaça moderada à segurança nacional dos Estados Unidos. Antes da eleição presidencial venezuelana de 2012, relatórios de inteligência informaram que os serviços de inteligência de Chávez, incluindo a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), trabalharam juntamente com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Smartmatic para desenvolver planos destinados à manipulação dos resultados eleitorais mediante máquinas de votação previamente programadas. Segundo esses relatórios, o plano previa a instalação de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros eleitorais situados em áreas tradicionalmente favoráveis a Chávez, garantindo uma vantagem aproximada de 1,5 milhão de votos.

Após a eleição, vencida por Chávez por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram que o presidente teria parabenizado sua equipe pela implementação bem-sucedida do plano de manipulação. Em setembro de 2020, informações de inteligência relataram que autoridades venezuelanas desenvolveram planos técnicos detalhados para manipular as eleições parlamentares de dezembro de 2020. Segundo esses relatórios, a técnica consistiria na criação de um segundo conjunto virtual de máquinas eleitorais destinado a reproduzir resultados legítimos e, posteriormente, substituir os dados por resultados manipulados, fazendo parecer que os votos provinham das máquinas oficiais. Foi também relatado que, na Venezuela, componentes não especificados de inteligência artificial teriam sido instalados para alterar a apuração dos votos, detectar quando auditorias estivessem sendo realizadas e produzir comprovantes impressos sem registrar, gravar ou transmitir efetivamente esses votos. Analistas da CIA consideraram que tais capacidades eram tecnicamente possíveis, ressaltando, entretanto, que essa avaliação tratava apenas da viabilidade técnica, e não constituía confirmação de que tais funcionalidades efetivamente existissem. Uma análise alternativa da CIA, produzida em 2013 segundo a metodologia denominada “Advogado do Diabo” (Devil’s Advocacy), descreveu um cenário plausível de como uma manipulação eletrônica em larga escala poderia ter ocorrido nas eleições venezuelanas de 2012 sem ser detectada. Essa análise observou que o sistema eletrônico venezuelano apresentava vulnerabilidades decorrentes de acesso privilegiado interno, do controle centralizado do CNE sobre a tecnologia eleitoral e de limitações na capacidade de fiscalização da oposição. O relatório concluiu que, caso tal manipulação tivesse ocorrido, a legitimidade das eleições na Venezuela e em outros países clientes da mesma tecnologia poderia ser colocada em dúvida. Contudo, a avaliação-base da CIA permaneceu sendo a de que nenhuma fraude eletrônica em larga escala ocorreu em 2012, fundamentando-se em pesquisas pré-eleitorais, ausência de padrões irregulares de votação e na própria admissão da derrota pela oposição. Relatórios de inteligência também indicaram de forma consistente que indivíduos ligados aos serviços de inteligência venezuelanos possuíam acesso à tecnologia eleitoral e aos sistemas de votação. Em 2012, fontes relataram que Chávez designou um especialista militar em comunicações para atuar junto ao CNE, com acesso em tempo real aos resultados eleitorais. Também foi informado que o Diretor de Tecnologia da Informação do CNE, descrito como pessoa de confiança do governo, mantinha estreita relação com o aparato estatal. Técnica O relatório de inteligência de setembro de 2020 apresentou a descrição mais detalhada de uma técnica específica para manipulação eleitoral. Segundo o documento, essa técnica teria sido concebida para:

• Replicar arquivos digitais (hash files) enviados ao banco de dados central de totalização dos votos;

• Simular máquinas reais de votação que favorecessem o partido governista;

• Sobrescrever os arquivos de integridade (hash files) das máquinas favoráveis à oposição;

• Fazer votos alterados aparentarem ter sido produzidos por máquinas eleitorais legítimas.

Em tese, essa técnica permitiria ao governo venezuelano monitorar e ajustar os resultados em tempo real durante e após a eleição. Segundo os relatórios, a utilização de tecnologia de máquinas virtuais permitiria realizar essa manipulação evitando sua detecção pelos procedimentos convencionais de auditoria. Avaliações e Preocupações da Comunidade de Inteligência A Avaliação Nacional de Ameaças de 2006, produzida pelo Conselho Nacional de Inteligência, concluiu que a aquisição, pela Smartmatic, da empresa norte-americana Sequoia representava ameaça moderada à segurança nacional.

O Sistema Eleitoral dos EUA está quebrado



É o que foi divulgado agora há pouco pela Casa Branca. Aqui está o que as revelações mostram:

- Centenas de milhões de arquivos de eleitores americanos nas mãos de governos estrangeiros;

- Máquinas de votação e sistemas de contagem de votos expostos a hackers e manipulação;

- China e outros adversários tentando ativamente interferir nas eleições;

- Evidências de fraude sendo encobertas;

- Centenas de milhares de não-cidadãos e pessoas falecidas ainda ativas nas listas de eleitores;

- Sem identificação do eleitor, sem comprovação de cidadania exigida;

- Dezenas de milhões de cédulas por correio circulando sem segurança.

Em seu pronunciamento de ontem à noite, Donald Trump afirmou:

 “Comprometendo ainda mais essa tragédia, o segundo conjunto de documentos que estamos divulgando revela que membros do Estado Profundo em nossas agências de inteligência trabalharam ativamente para suprimir e minimizar informações sobre a extensão da interferência maligna de China nas eleições — encobrindo isso tanto do Presidente quanto do Povo Americano.

As agências de espionagem dos EUA começaram a descobrir o comprometimento dos arquivos de registro de eleitores em 2020, quando descobriram que dados de dezenas de milhões de eleitores em 18 estados haviam sido comprados, roubados ou hackeados pela China. No entanto, aqueles responsáveis por soar o alarme em vez disso mantiveram as informações ocultas. Eles não as divulgaram para mim como presidente, e, pelo que sabemos, não informaram o Congresso. Na verdade, tudo o que eles continuavam dizendo era: “Esta é a eleição mais segura da história do nosso país.”

O encobrimento dessa colossal violação de segurança é ainda mais perturbador à luz de informações adicionais que mostram que a China se envolveu em outras atividades relacionadas às eleições para minar minha primeira administração e nossa campanha de 2020. Eles não queriam que Donald Trump vencesse, e por um bom motivo.

Como os documentos que estamos divulgando mostram, relatórios da CIA afirmavam explicitamente: “Em meados de 2018, a política do Partido Comunista Chinês era alavancar todos os elementos domésticos e estrangeiros que se opusessem ao Presidente dos EUA em um esforço para reduzir os votos do Presidente dos EUA e fazê-lo renunciar ou impedir sua reeleição. Também em meados de 2018, a China estava trabalhando para influenciar os resultados das eleições de meio de mandato dos EUA, e mais tarde, os resultados das Eleições Presidenciais de 2020.”

Separadamente, em meados de 2019, a estratégia do Governo Chinês contra os Estados Unidos estava focada em minar a confiança doméstica no presidente dos EUA” — e eles fizeram tudo o que puderam para isso. Prosseguindo, diz: “A estratégia incluía esforços para usar contratos chineses com grandes empresas dos EUA para influenciar líderes empresariais americanos a se voltarem contra o Presidente dos EUA. O governo chinês buscava identificar jornalistas americanos que haviam relatado negativamente sobre o Presidente dos EUA, e pagar-lhes grandes somas de dinheiro para escreverem artigos ainda mais negativos sobre ele. O Governo Chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a próxima eleição.” E o motivo pelo qual eles queriam que eu perdesse é porque sabiam que eu estava atento a eles, cobrei bilhões de dólares em tarifas deles e construí o exército mais forte em qualquer lugar do mundo.

Essas são citações exatas de relatórios da CIA — o nome da pessoa que fez a citação está sob revisão. Mas fica ainda pior. Inteligência bruta obtida pelo FBI em 2020, mas enterrada por burocratas renegados, afirmava que as atividades da China até incluíam uma tentativa de fabricar boletins de voto ilegais para Joe Biden.

Documentos mostram que, durante esse período, dezenas de relatórios significativos da CIA e da NSA sobre o direcionamento eleitoral da China foram mantidos fora do Resumo Diário Presidencial. Um e-mail entre analistas de inteligência admitia que eles haviam ‘deliberadamente ajustado’ o Resumo Diário Presidencial para reter informações sobre atividades chinesas relacionadas à eleição. Outro oficial dentro do FBI escreveu que ela estava gerenciando ‘um governo paralelo’ para manter a inteligência sobre a interferência eleitoral da China longe de ser conhecida. Outros oficiais que testemunharam tais esforços perceberam as motivações como abertamente políticas.”


30 maio 2026

A estupidez é pior que a maldade

    Nesta sexta-feira (29) Lula se pronunciou sobre a decisão dos EUA de designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas. "Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", disse Lula em uma agenda em Sergipe.


    Ao reagir de forma crítica à decisão dos americanos, Lula, que já não estava em condição de falar do assunto por conta de suas declarações desastradas sobre o crime, ainda tropeçou nas palavras. Como se opor a algo que é interpretado como um aumento de rigidez contra grupos que tomaram o lugar do Estado em boa parte do país sem parecer discursar a favor das facções?

    “Estou muito triste hoje, com a notícia de que o secretário [de Estado] dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, discursou Lula. Não tardou e o descondenado recebeu os seguintes comentários:

    Em consonância com esses eventos, o artigo de Alexandre Garcia publicado na Oeste deste final de semana, traz em seu título a seguinte pergunta - Ainda decidimos?. O artigo começa citando a encíclica recém-divulgada pelo papa Leão XIV. Vale a pena a sua leitura que encontra-se disponível aqui.

    Dele, contudo, ressaltamos alguns trechos que nos lembram tempos passados, especialmente o vivido pelos alemães na época do nazismo. Alexandre busca em Dietrich Bonhoeffer, teólogo alemão e pastor luterano executado pelo nazismo, que explicou como um povo culto — doutores, pastores, professores, intelectuais — não só permitiu como aplaudiu Hitler.

"Bonhoeffer escreveu na prisão que a estupidez é pior que a maldade. A maldade pode ser combatida, tem argumentos, porque quer algo, se revela. Mas a estupidez não, porque é alguém que renunciou ao uso de seu próprio juízo, alguém que entregou sua capacidade de pensar e decidir a um líder, a um slogan, a uma palavra de ordem, a uma ideologia. E quando isso acontece, não se pode apelar à razão, ter um diálogo com argumentos, porque essa pessoa já não tem razão própria, porque está abduzida pela razão alheia, do líder.


[ ... ] Bonhoeffer pensa que não foram Hitler e Goebbels que destruíram a Alemanha, mas os milhões de alemães que se entregaram sem critério, sem fazer perguntas. Pior que serem malvados, eram obedientes sem pensamento próprio.

[ ... ] Nos tempos atuais, como é possível que depois do Mensalão, Lula tenha sido reeleito? Como é possível que depois do Petrolão (ou Lava Jato), tenha sido eleito pela terceira vez? Como é possível que Dilma tenha sido reeleita enquanto a economia despencava numa recessão nunca vista antes? Aparece um contrato de R$ 129 milhões com a família de um ministro do Supremo, aportes de R$ 35 milhões num resort de outro, e a vida continua. Como é possível que se impeça de continuar uma CPI sobre o roubo de R$ 6 bilhões a mais de 4 milhões de idosos? Delegamos nosso futuro?

    O destempero verbal de Lula ao atacar a decisão americana pela inclusão de facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas revela um comportamento incompatível com a liturgia do cargo e preocupante sob o ponto de vista institucional.

    A fala presidencial causa ainda mais estranheza porque o tema em debate é extremamente sério. Lula reagiu como se a decisão fosse uma afronta pessoal ou ideológica. O tom utilizado não demonstrou equilíbrio nem capacidade de liderança. Demonstrou irritação, intolerância e um preocupante desequilíbrio retórico.

    Bonhoeffer continua vivíssimo no Brasil: a estupidez é pior que a maldade.




08 maio 2026

Lula tentou controlar a sua imagem, mas esta está cada vez menos favorável a ele


Lula já retornou ao Brasil, voltou menor

Lula foi à Casa Branca para tentar transformar uma reunião de trabalho com Donald Trump em ativo político de campanha. A narrativa desejada era simples: após meses de tensão com Washington, após tarifas, sanções de visto, crise diplomática, pressões sobre autoridades brasileiras e desgaste crescente com a nova doutrina hemisférica da administração Trump, Lula apareceria ao lado do presidente americano como um estadista capaz de dialogar com seu principal adversário ideológico. O problema é que a política internacional raramente obedece à versão que um governo deseja vender para sua própria imprensa.

Antes mesmo de o conteúdo da reunião começar a ser conhecido, a forma já havia criado ruído. A agenda previa a chegada de Lula às 11 horas da manhã, horário de Washington, mas a comitiva brasileira chegou atrasada. A informação que circulava entre pessoas próximas à cobertura era de que Trump ficou contrariado com a demora.

O que se viu, na prática, foi uma disputa entre duas versões dos fatos. De um lado, a versão administrada pelo governo brasileiro, construída depois da reunião, em ambiente mais favorável, diante de jornalistas brasileiros e com Lula falando longamente sobre a “boa conversa”, a “sinceridade” da relação com Trump e os supostos avanços do encontro. De outro, a versão observada no ambiente da Casa Branca, marcada por atraso, mudança de agenda, frustração da imprensa, ausência de aparição conjunta no Salão Oval e uma comunicação americana que, mesmo ao tratar oficialmente da reunião, preferiu preservar a centralidade visual de Trump, sem transformar Lula em personagem de destaque.

O próprio Trump publicou, após o encontro, uma declaração protocolar, positiva e cuidadosamente medida:

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes estão programados para se reunir para discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário. Presidente DONALD J. TRUMP.”

A formulação foi positiva, mas seca. Não houve ali celebração política, fotografia de grande reconciliação ou gesto simbólico de apoio à imagem de Lula. Houve um recado protocolar de encerramento de reunião.

O dado mais revelador, portanto, não está apenas naquilo que Trump escreveu. Está naquilo que a Casa Branca evitou entregar. A imprensa que aguardava acesso ao Salão Oval não teve a oportunidade que esperava. A presença dos dois líderes diante das câmeras, que poderia ter rendido a Lula uma imagem de prestígio internacional, não se concretizou da forma imaginada. A Fox News, ao comentar o episódio, registrou que havia expectativa de ver os dois presidentes, mas que isso não ocorreu. O comentarista John Roberts observou que não se esperava uma reunião “calorosa e amigável”, justamente porque Trump e Lula tinham uma relação tensa e já haviam trocado declarações duras em público.

A própria ausência das câmeras, nesse contexto, tornou-se parte da mensagem política. Se Lula tivesse sido recebido com todo o aparato visual de prestígio, com imprensa no Salão Oval, declarações conjuntas e imagens amplamente distribuídas pela Casa Branca, o governo brasileiro poderia vender a reunião como triunfo diplomático. Mas o formato final limitou esse ganho. Lula saiu com uma coletiva na embaixada brasileira, em português, diante de uma audiência muito mais controlada, enquanto a imprensa americana registrava a estranheza da ausência de uma aparição conjunta diante das câmeras.

O que houve foi uma reunião longa, densa, cercada de desconforto e seguida por duas narrativas concorrentes. A narrativa brasileira tentou vender maturidade, normalização e grandeza. A leitura americana foi mais fria: uma conversa necessária com um parceiro importante, mas difícil, dentro de uma agenda que envolve tarifas, segurança, minerais críticos, crime organizado e competição com a China. Para Lula, o encontro era um palco. Para Trump, parece ter sido mais uma peça dentro de um tabuleiro maior.

No tabuleiro real do poder, essa conta dificilmente fecha. Lula saiu da Casa Branca dizendo que a reunião foi boa. Trump disse que a reunião foi muito boa. Mas, para além dos adjetivos diplomáticos, o que se desenha é um Brasil tentando vender normalidade enquanto caminha sobre uma linha cada vez mais estreita entre a necessidade de negociar com os Estados Unidos e a incapacidade ideológica de abandonar os velhos compromissos.


14 novembro 2025

Milei obtém um acordo comercial com os EUA que eliminará algumas tarifas e visa um acordo de livre comércio

    Os Estados Unidos e a Argentina apresentaram na quinta-feira o acordo bilateral de comércio e investimento anunciado no mês passado, pelo qual Washington eliminará tarifas sobre certos recursos naturais argentinos, e ambos os países se comprometem a "melhorar as condições de acesso bilateral e recíproco" aos seus mercados de carne bovina. A declaração conjunta divulgada pela Casa Branca confirma que, como anunciado anteriormente, ambas as partes facilitarão as "condições de acesso bilateral e recíproco aos mercados de carne bovina" e também enfatiza que o governo Trump eliminará algumas das chamadas "tarifas recíprocas" de 10% que os EUA aplicam desde abril a todas as importações argentinas.

    Especificamente, serão removidas as tarifas relacionadas a "certos recursos naturais não disponíveis (nos EUA) e artigos não patenteados para uso farmacêutico". O texto publicado ontem - 13/11/2025 - também explica que a Argentina está comprometida em eliminar exigências adicionais de avaliação para produtos dos EUA, como veículos, alimentos e produtos médicos e farmacêuticos, e que "continuará a eliminar barreiras não tarifárias que afetam o comércio em áreas prioritárias". O texto indica ainda que a Argentina "simplificará os processos de registro de produtos para carne bovina, produtos cárneos, miúdos e produtos suínos dos EUA e não exigirá registro de instalações para importações de laticínios dos EUA". 

    O acordo coincide com a visita do Ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, a Washington, onde se reuniu com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O acordo foi anunciado após a viagem do presidente argentino, Javier Milei, aos Estados Unidos em outubro, onde se encontrou com Trump na Casa Branca. Trump expressou seu apoio a Milei antes das eleições de meio de mandato de 26 de outubro, que o partido governista venceu. Milei retornou aos EUA na semana passada, onde participou do Fórum Empresarial Americano em Miami, compareceu a um jantar de gala em Mar-a-Lago, residência de Donald Trump, oferecido pela Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), e concluiu sua visita em Nova York, onde se reuniu com líderes empresariais americanos.

  

    O governo de Lula entrará para a história como o mandato de quatro anos em que a Argentina recuperou a vantagem que o Brasil possuía sobre os países latino-americanos em diversas áreas.

26 outubro 2025

Marco Rubio sobre a reunião entre Trump e Lula



O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Brasil se beneficiaria mais ao estreitar relações comerciais com Washington do que com Pequim. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio. 

“Achamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro preferencial no comércio, em vez da China —por causa da geografia, da cultura, do alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio.

"Obviamente, temos algumas questões com o Brasil, particularmente sobre como alguns de seus juízes têm tratado o setor digital nos EUA, os indivíduos localizados nos Estados Unidos por meio de postagens em redes sociais. Teremos que resolver essas questões também. Mas o Presidente vai explorar se há maneiras de superar tudo isso, porque acreditamos que será benéfico fazê-lo. Vai levar algum tempo”

    Ora, como potência preeminente do mundo, os Estados Unidos definem o ritmo em que outros países ascendem ou caem – e no início do século XXI, esse ritmo era abismal. Em 2001, o país sofreu o ataque mais mortal à sua terra natal. Na década seguinte, travou duas das três guerras mais longas de sua história, custando centenas de milhares de vidas, incluindo milhares de americanos, e gastando US$ 8 trilhões, sem garantir a vitória. Em 2008, sofreu o pior colapso financeiro desde a Grande Depressão.

    Enquanto isso, outras economias diminuíram a diferença. Entre 2000 e 2010, o PIB da China em dólares — o indicador mais claro do poder de compra de um país nos mercados internacionais — saltou de 12% para 41% do PIB dos EUA. A participação da Rússia quadruplicou; a do Brasil e da Índia mais que dobrou; e as principais economias da Europa também obtiveram ganhos significativos.

    Mas a maré logo virou. Na década de 2010, a maioria das grandes economias recuou. As participações do Brasil e do Japão no PIB dos EUA foram reduzidas aproximadamente pela metade. Canadá, França, Itália e Rússia perderam cerca de um terço de seu peso econômico relativo cada, enquanto as participações da Alemanha e do Reino Unido se contraíram em cerca de um quarto. Apenas China e Índia continuaram a subir.

    A década de 2020 foi ainda mais difícil. A Índia é a única grande economia que ainda acompanha o ritmo dos Estados Unidos. De 2020 a 2024, o PIB da China caiu de 70% para 64% do PIB dos EUA. O do Japão caiu de 22% para 14%. As economias da Alemanha, França e Reino Unido caíram ainda mais, enquanto a da Rússia está cambaleando após um breve solavanco durante a guerra. As economias combinadas dos países da África, América Latina, Oriente Médio, Sul da Ásia e Sudeste Asiático também encolheram — de cerca de 90% do PIB dos EUA há uma década para apenas 70% em 2023.

    Na última década, apenas a Índia e os Estados Unidos avançaram em produtividade total dos fatores, que mede a eficiência com que um país converte trabalho, capital e outros insumos em produção econômica. O Japão estagnou, enquanto outros países retrocederam, investindo mais insumos, mas produzindo menos crescimento. Nos setores avançados, a diferença é maior: as empresas americanas capturam mais da metade dos lucros globais de alta tecnologia; A China mal consegue atingir 6%.

    As vantagens dos Estados Unidos vão além. Seu mercado consumidor é maior do que o da China e da zona do euro juntos. É o segundo maior comerciante do mundo, mas está entre os menos dependentes do comércio, com exportações representando apenas 11% do PIB – um terço do qual vai para o Canadá e o México – em comparação com 20% da China e 30% globalmente. No setor de energia, saltou de importador líquido para o maior produtor, desfrutando de preços muito abaixo dos concorrentes. E o dólar continua a dominar as reservas, o setor bancário e o câmbio. A dívida pública e privada total nos Estados Unidos é enorme – cerca de 250% do PIB em 2024 e provavelmente aumentará com os cortes de impostos estendidos aprovados pelo Congresso em julho – mas ainda menor do que a de muitos pares: no Japão, ultrapassa 380%; na ​​França, 320%; e na China, ultrapassa 300%, incluindo os passivos ocultos de governos locais e empresas. Além disso, de 2015 a 2025, a dívida nos Estados Unidos caiu ligeiramente, enquanto aumentou quase 60 pontos percentuais na China, mais de 25 no Japão e no Brasil, e quase 20 na França.

    E apesar de mais de um trilhão de dólares em subsídios na última década, a China ainda depende dos Estados Unidos e de seus aliados para 70% a 100% de cerca de 400 bens e tecnologias essenciais. Chips semicondutores, por exemplo, ultrapassaram o petróleo bruto como a maior importação do país, mas a produção doméstica cobre menos de um quinto da demanda. Na vanguarda, a China depende quase inteiramente de fornecedores estrangeiros. Após os controles de exportação de chips de IA impostos por Washington em 2022, a participação dos EUA no poder global de computação de IA aumentou quase 50%, enquanto a da China foi reduzida pela metade, deixando os Estados Unidos com uma vantagem de cinco vezes maior. Esse episódio ressaltou o que os acadêmicos Stephen Brooks e Benjamin Vagle chamaram de "poder comercial excludente": em setores intensivos em P&D, os Estados Unidos e seus aliados capturam mais de 80% das receitas globais. Em tempos normais, esse domínio gera poder de mercado; em uma crise, torna-se uma arma — a China pode perder de 14% a 21% do PIB em um corte comercial, em comparação com apenas 4% a 7% para os Estados Unidos.

   Essas vulnerabilidades são agravadas pelo sistema político chinês. O Partido Comunista Chinês transformou a autocracia em uma camisa de força econômica, apertando seu controle sobre o setor privado e direcionando capital para empresas com conexões políticas. As startups financiadas por capital de risco caíram de aproximadamente 51.000 em 2018 para apenas 1.200 em 2023, de acordo com reportagem do Financial Times. O investimento estrangeiro caiu para o menor nível em três décadas, enquanto a fuga de capitais aumentou, com dezenas de milhares de milionários e centenas de bilhões de dólares saindo a cada ano. O resultado é uma economia frágil — ativos formidáveis ​​na superfície, mas passivos crescentes por baixo.

    Concluindo, o Marco Rubio parece ter muitos bons motivos e fundamentos para se pronunciar como o exposto no início deste artigo. Será que a turma do Lula compreenderá ou irá continuar acreditando nos discursos ideológicos do Lula e do Celso Amorim? Que Deus salve o Brasil.


19 outubro 2025

Como Maduro se tornou à prova de golpes


Armored vehicles on a highway in Caracas 
during a Venezuelan military deployment last month. 
FEDERICO PARRA/AFP/GETTY IMAGES

    O ditador prevaleceu nos esforços para derrubá-lo — expurgando, espionando e subornando oficiais para que as forças armadas permanecessem leais.

    Durante anos, os venezuelanos que lutam para depor o presidente Nicolás Maduro esperavam que as Forças Armadas do país fizessem o trabalho por eles. Mas mesmo com o aumento ameaçador da Marinha dos EUA atualmente no exterior, o ditador é praticamente à prova de golpes.

    O líder de esquerda expurgou oficiais acusados ​​de conspirar contra ele, prendendo-os e enviando-os para o exílio. O aclamado serviço de inteligência de seu aliado próximo, Cuba, trabalhou para identificar conspirações e renegados, com oficiais de inteligência alocados em todas as unidades.

    E a cúpula do exército garantiu que oficiais e soldados de todo o exército venezuelano soubessem que tortura, prisão e até mesmo a morte os aguardam caso se rebelem.

    “O que ele não fez? Ele fez tudo o que era possível e capaz de fazer para neutralizar qualquer tipo de ação de dentro das Forças Armadas”, disse Carlos Guillén, ex-soldado venezuelano preso por conspirar contra o regime e agora exilado. “Hoje, no exército, há um terror incalculável. Esse medo está tão arraigado que os oficiais das Forças Armadas nem ousam pensar em se rebelar.”

    Em seu mandato, Maduro fraudou duas eleições presidenciais, afirmam monitores eleitorais e grupos de direitos humanos, enquanto prendia críticos e supervisionava um colapso econômico que levou oito milhões de venezuelanos a emigrarem.

    Mas, de certa forma, Maduro está mais seguro do que nunca, com a maioria dos líderes da oposição no exílio e os venezuelanos com medo demais para protestar como antes.

    O problema para aqueles que veem a esperança nas Forças Armadas em ascensão é que Maduro se cercou de uma fortaleza de tenentes cujas fortunas e futuro estão ligados aos seus, desde o Ministro da Defesa até generais, almirantes, coronéis e capitães de todas as Forças Armadas.

    Maduro promoveu oficiais em um ritmo vertiginoso, principalmente com base na lealdade, e não na competência, afirmam ex-oficiais militares e pesquisadores que estudaram as Forças Armadas venezuelanas. Ele permitiu que eles enriquecessem, seja com dinheiro pago por grupos de narcotraficantes para permitir que cargas de cocaína transitassem pela Venezuela, seja administrando inúmeras empresas estatais. Isso os tornou cúmplices da corrupção generalizada do regime.

    Maduro também se esforçou para tornar quase impossível que oficiais descontentes coordenassem um golpe, semeando oficiais de contrainteligência cubanos altamente competentes, bem como espiões venezuelanos, entre os oficiais e a base.

    Operadores de inteligência que trabalham com agentes de contrainteligência cubanos recompensam aqueles que traem conspiradores com empregos, dinheiro, carros e até casas, disse Edward Rodríguez, ex-coronel do Exército que fugiu da Venezuela e vive no exílio. Soldados e oficiais também sabem que, se forem acusados ​​de conspiração, não serão os únicos a sofrer. “Eles podem sequestrar sua esposa, seus filhos, seus pais”, disse Rodríguez. 

    O presidente Trump levantou implicitamente a questão de um golpe apoiado pelos EUA na última quarta-feira (15/10/2025), quando disse ter autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a conduzir operações secretas na Venezuela. Questionado por um repórter na Casa Branca se planejava derrubar Maduro, Trump se recusou a responder.





15 outubro 2025

Mais uma vitória de Trump. A Suprema Corte dos EUA confirma poder do Presidente



    Com uma votação de 6 a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos detonou o alicerce da imunidade burocrática. A Corte restaurou o poder constitucional do presidente Donald Trump para remover comissários rebeldes de agências federais. Pela primeira vez em noventa anos, o presidente pode “limpar a casa”. As muralhas da tirania burocrática começaram a rachar.

    Desde 1935, a Presidência americana vivia sob cativeiro, após a criação de um escudo jurídico em torno de burocratas não eleitos que se escondiam dentro das chamadas “agências independentes”. Eles não podiam ser demitidos. Nem pelo Congresso. Nem pelo povo. Nem pelo próprio Comandante em Chefe. Eram os castelos do Estado profundo dentro do governo: protegidos, intocáveis, escrevendo regras com força de lei, sem prestar contas a ninguém.

    Essa era terminou nesta semana. Em uma decisão inesperada, mas que entrará para a história, a Suprema Corte confirmou que Donald Trump possui autoridade constitucional plena para demitir os comissários democratas Mary Boyle, Richard Trumka Jr. e Alexander Hoehn-Saric da Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (Consumer Product Safety Commission).

    O tribunal lembrou à nação que o poder executivo pertence somente ao presidente — não às agências, não aos conselhos, nem a advogados anônimos entrincheirados no sistema que vinham agindo como impérios particulares.

    Durante décadas, essas estruturas não precisavam vencer eleições — bastava controlar quem permanecia nos bastidores. Com lealdades pessoais incrustadas em cargos intocáveis, garantiram que sua agenda sobrevivesse a qualquer presidência.

    O golpe silencioso iniciado há noventa anos foi finalmente revertido. O Estado não eleito já não se sobrepõe ao Estado eleito. Se Trump usar esse poder — e ele usará — toda a arquitetura da governança paralela desmoronará. Agências que armaram políticas por ideologia serão destituídas. Infiltrados políticos serão removidos. O exército invisível do Estado Profundo está, pela primeira vez, ao alcance. O Partido das Sombras que uniu as forças de extrema esquerda e "progressista" sob o comando de George Soros  não sobreviverá.

    Trump agora segura o machado.

O recado de Trump


 
    Na lógica americana, liberdade não é retórica. É critério econômico. Quem censura e persegue adversários passa a pagar mais para negociar.

   Questionado sobre a tarifa de 50% contra o Brasil, Jamieson Greer disse que apenas 10% são tarifa-base. Os outros 40% foram aplicados por censura judicial, perseguição à oposição e violações ao Estado de Direito, citando juízes brasileiros que atuam contra empresas americanas e adversários políticos. O alvo tácito é o STF sob Alexandre de Moraes.

    Scott Bessent, do Tesouro, citou ainda pedido de prisão ilegal de cidadãos americanos no país. Segundo eles, esse comportamento tem custo.
    A IEEPA, lei usada pelos EUA para punir regimes que atacam liberdades civis, autoriza restrições comerciais e bloqueio de transações contra governos vistos como ameaça à liberdade. Ao ser citada nesse contexto, o Brasil passa a ser tratado como economia sob suspeita.



07 outubro 2025

Terá sido mesmo uma vitória diplomática?


    Lula e a imprensa estatizada tentaram apresentar um telefonema amistoso como vitória diplomática. Porém, não tardará a descobrir (se é que já não descobriram) que Lula não foi convidado para uma conversa - e sim convocado para um interrogatório.


     A ligação entre Lula e Trump, anunciada em tom de “cordialidade” e “respeito mútuo” nesta segunda-feira, 6 de outubro, rendeu boas manchetes em Brasília - mas o que se desenha nos bastidores é outra história: um reposicionamento direto e duro na relação entre os Estados Unidos e o regime petista. Trump não designou um economista como interlocutor, mas o czar da política externa americana, Marco Rubio - um gesto que, em diplomacia, é visto como advertência.

    Escolher o secretário de Estado, e não os titulares do Tesouro (Scott Bessent) ou do Comércio (Howard Lutnick), é uma jogada calculada. O problema dos EUA com o Brasil não é mais a tarifa - é o regime. Para Washington, as tarifas são a isca e as concessões políticas, o verdadeiro objetivo. 
    Como se sabe, Rubio, filho de exilados cubanos e veterano das batalhas contra o socialismo no continente, conhece cada fio da teia que liga o PT a Cuba, Venezuela, Nicarágua e Pequim. Para ele, Lula não é apenas um presidente, mas um elo ativo entre regimes autoritários.

    O Planalto entra na negociação já de joelhos, sem força política, enquanto a economia enfraquece: as exportações para os EUA caíram quase 20% desde o início do tarifaço. Para compensar, o governo ampliou as vendas à China, como se dissesse a Washington: “Se vocês fecham as portas, eu me viro com Pequim.” Mas, do ponto de vista americano, essa reação apenas confirma o diagnóstico de Trump e Rubio - o Brasil age como satélite de regimes autoritários, trocando influência econômica por submissão política.



27 setembro 2025

Trump esvazia estratégia eleitoral de Lula

 



    
O confronto com um inimigo externo apoiado por seus adversários de 
direita na política nacional se tornou a base para a campanha de Lula pela reeleição em 2026. No melhor estilo venezuelano, Lula tenta justificar o fracasso da economia colocando a culpa no imperialismo americano.

    A passagem de Donald Trump pela Assembleia Geral da ONU, nesta semana, colocou um ponto final na estratégia eleitoral de Lula, que vinha explorando a tensão com os Estados Unidos para estancar sua impopularidade. 

    Na tribuna, Trump fez aceno claro a Lula e se colocou à disposição para conversar sobre questões envolvendo os dois países. Discurso que contrastou com as falas do ex-presidiário na mesma tribuna, cheias de referências negativas à gestão norte-americana.

    Sem mencionar diretamente Trump, Lula marcou diferenças nas áreas geopolítica, comercial e ambiental, em meio à escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Mas foi surpreendido pela fala que o sucedeu, justamente a do presidente americano.

    Um encontro de alguns segundos e uma fala de poucas linhas foram capazes de derrubar a narrativa lulista do "nós contra eles". 

    Após o encontro brevíssimo que Lula e Trump tiveram nos bastidores da tribuna, o líder americano disse ter “gostado” de Lula e acenou para a aproximação. Este foi o primeiro encontro dos dois presidentes desde a volta de Trump ao poder neste ano