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17 julho 2019

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA PRECISA DE RESPOSTAS. O "FUTURE-SE" PODERÁ SER UMA DELAS

O programa “Future-se” anunciado pelo MEC é bem vindo e muito positivo. Adota parâmetros e conceitos modernos e deve ampliar as possibilidades de recursos para o ensino, a inovação, a pesquisa e a tecnologia nas universidades e institutos federais de ensino superior. O programa divide-se nos eixos de gestão, governança, empreendedorismo, pesquisa, inovação e internacionalização.

As instituições poderão fazer parcerias público-privadas, ceder prédios, criar fundos com doações e vender nomes de campi e edifícios ao setor privado. O programa toca fundo no que é considerado um dos maiores desafios da educação brasileira. A eficiência e a eficácia de sua gestão.

O programa vai na direção certa: não dispensa os recursos públicos e estimula parcerias com o setor privado criando um ambiente de competição por desempenho entre as instituições, cujos vencedores serão aqueles que demonstrarem capacidade de gestão e execução de projetos de interesse público-privado.

Vencidas as barreiras legislativas, o ambiente resultante no interior das universidades e institutos federais de educação não será automático. A velocidade de seu desenvolvimento se fará proporcionalmente ao resultado da modernização implantada nas instituições. Hoje, algumas delas, já operam modelos, em algumas áreas do conhecimento, com resultados bastantes positivos. A partir do Future-se será possível estender esses modelos para praticamente todos os seus departamentos de ensino e pesquisa.

Um outro efeito do programa se dará através da presença, no ambiente universitário, de empresas de base tecnológica, quebrando assim um velho tabu. Isso também estimulará e antecipará a geração de startups nos próprios campi das instituições.

Segundo o MEC, o Future-se tenta tornar mais eficiente práticas existentes. Algumas instituições já contam com receitas próprias, mas os recursos não apresentam retorno direto para as atividades por conta de limitação legal. O dinheiro arrecadado vai para a Conta Única do Tesouro. A proposta do MEC visa à desburocratização do recebimento dessa verba.

"Para participar do “Future-se”, as universidades terão de aderir voluntariamente. As instituições que participarem do programa terão de se comprometer a adotar as diretrizes definidas pelo Ministério da Educação, utilizar a organização social contratada para dar supervisionar as atividades e adotar um programa de integridade, mapeamento e gestão de riscos corporativos, controle interno e auditoria externa."

A educação brasileira precisa de respostas. O "Future-se" poderá ser uma delas.

15 julho 2019

100 RADICAL INNOVATION BREAKTHROUGHS FOR THE FUTURE


100 possíveis avanços tecnológicos radicais e inovações que poderão impactar a humanidade nas próximas décadas, é o que antecipa e indica o novo relatório da Comissão Européia, denominado "100 Radical Innovation Breakthroughs (RIB) for the future". 

Embora produzido com foco na União Europeia, o estudo poderá servir de referência na definição de estratégias em outras partes do globo, além de orientar reflexão e debate acerca das implicações econômicas, sociais e éticas decorrentes das próximas ondas de inovação. O Brasil pode, por exemplo, avaliar a importância potencial de cada uma dessas inovações diante de sua realidade, maturidade e força relativa do seu sistema de educação, pesquisa e inovação, gerando referências úteis para o fortalecimento de políticas e estímulos, em sintonia com os tempos desafiadores à frente.



No relatório estão incluídas áreas como agricultura de precisão, edição de genomas e bioplásticos e áreas que até recentemente eram consideradas especulativas, mas que agora dão sinais de emergir em breve como realidade. Nestas estão inclusas os chips neuromórficos, desenhados para replicar a forma como o cérebro humano pensa e compreende; inteligência de enxame, para replicar comportamento coletivo, como abelhas em uma colmeia; neurociência da criatividade e da imaginação; fotossíntese artificial e comunicação de plantas; reconhecimento de emoções; sensores biodegradáveis; habitats subaquáticos; carros voadores e mineração de asteroides.

O estudo se assenta na premissa de que há períodos em que mudanças simultâneas nos elementos sociais, tecnológicos e econômicos se aceleram até que um novo paradigma técnico-econômico tome forma e se torne dominante.

Ao todo são 87 tecnologias emergentes e 13 inovações sociais, com digitalização e inteligência artificial se apresentando como elementos-chave, e também dando sinais de que há uma nova onda se formando, impulsionada por fatores como saúde, bem-estar e sustentabilidade. Avanços emergentes, como reconhecimento de fala, realidade aumentada, chips neuromórficos, reconhecimento de emoções e os novos avanços em inteligência artificial, poderão alimentar inovações sociais baseadas em colaboração, compartilhamento, interação e relacionamentos.

13 julho 2019

NOVA PREVIDÊNCIA. É CONFISCO ?

    Para reformar a Previdência se ouviu, novamente, a mesma justificativa apresentada nos governos de FHC, de Lula, da Dilma e do Temer. O déficit da Previdência, no regime geral, o INSS, e também na Previdência Pública, irá quebrar o País.

    Números divulgados pelo governo apontam que em 2018 esse déficit foi de R$ 266 bilhões e que atingirá R$ 292 bilhões ao final de 2019. Há controvérsias. Na CPI da Previdência, ocorrida em 2018, estudiosos da área discordaram desses números, inclusive afirmando que ao invés de déficit há superavit. "Os números da seguridade social são positivos, atingem por volta dos R$ 500 bilhões."

    Se olharmos para o passado, veremos que em função da existência à época de uma oposição combativa, representada pelo PT, parte da proposta de FHC relativa ao setor público não foi implementada mas, paradoxalmente, foi adotada pelo governo Lula, em 2003.

    Bom, o fato é que as reformas de FHC e de Lula foram implementadas e aqui estamos nós, a sociedade, de novo, ouvindo a mesma justificativa para implementar, com urgência, a reforma apresentada por Jair Bolsonaro. Ele, pessoalmente, na TV, disse que errou por ter votado contra as reformas propostas pelos presidentes que o antecederam. 

    Comum em todas elas, o aumento das receitas através dos aumentos para os planos de contribuição e de diminuição da remuneração posterior dos respectivos benefícios,  ou seja, o trabalhador irá pagar mais (em valor e/ou em tempo de contribuição) e receber menos. Com tal característica, a NOVA PREVIDÊNCIA, produziu, para o trabalhador, um CONFISCO ao invés de uma esperada capitalização de suas contribuições, nos trazendo uma má lembrança ocorrida no País em março de 1990, como aponta a figura ao lado.

    Olhando para a população em geral, o percentual mais atingido pelo confisco está na classe de baixa renda. São milhões de brasileiros que nela se encontram contra apenas alguns milhares nas classes mais favorecidas. Dirá o leitor: Mas a reforma não irá acabar com os privilégios? Em parte sim, pois haverá cortes nas grandes aposentadorias dos serviços públicos e dos políticos. Mas estes só representam 20% do confisco de R 1,1 trilhão anunciado pelo ministro Paulo Guedes. O restante, R$ 900 bilhões, está no regime geral da previdência social, que é a parte dos mais pobres.


30 junho 2019

EMPREENDEDORES BRASILEIROS DE TI E RESPECTIVO MERCADO ESTÃO SE MEXENDO BEM

Há pouco mais de um ano e com maior intensidade neste primeiro semestre de 2019, temos lido, com freqüência, que empreendedores brasileiros de TI estão se "mexendo" bem.

As notícias divulgadas têm mostrado o aumento crescente de aquisições e fusões entre empresas do setor que estão atuando nos últimos níveis de um ambiente de inovação visando transformar conhecimento em negócio.

A última delas, em 28/06/2019, dá conta de que a Linx pagou R$ 109 milhões pela Millenium. A gigante do varejo já comprou 30 empresas desde 2008. Para citar apenas mais uma, anteriormente, no início de junho, em 05/06/2019, a Loggi recebeu um aporte no valor de US$ 150 milhões e com isso se tornou o mais novo unicórnio - oitavo - brasileiro, ao atingir um valor de mercado de US$ 1 bilhão. A rodada de investimento anunciada foi capitaneada por SoftBank, Microsoft, GGV, Fifth Wall e Velt Partners.

Há duas décadas, afirmamos que o Brasil entraria no clube dos países onde os futuros milionários seriam jovens que aprenderiam a ganhar dinheiro enquanto ainda frequentavam as universidades. 

Segundo levantamento da ABStartups, há atualmente no País 10.200 startups ativas. O ano de 2018 será lembrado, também, como o ano dos unicórnios brasileiros. "Cinco startups brasileiras entraram para o seleto clube de jovens empresas digitais que atingiram o valor de mercado de 1 bilhão de dólares. São elas 99, PagSeguros, Nubank, Stone e iFood."


22 junho 2019

PREVIDÊNCIA SOCIAL: O DEVEDOR NUNCA FOI O TRABALHADOR

A história da Previdência Social aponta que a França foi o primeiro país, no mundo, que criou um plano de aposentadoria, em 1673. No Brasil surgiu em 1888 beneficiando setores que eram importantes para o Império. Mas só em 1923 é que o Brasil vê o ponto de partida da história da Previdência Social como conhecemos hoje. A Lei Ely Chaves, promulgada naquele ano, é considerada o marco inicial da história da previdência brasileira.


Quando Juscelino Kibitschek assumiu a presidência, em 1956, defrontou-se com a necessidade urgente de reformar todo o sistema previdenciário, como ocorre agora com o presidente Jair Bolsonaro. Naquela época, a questão mais premente era a de que os Institutos de Aposentadoria e Pensões¹, criados no governo Vargas, estavam à beira de um colapso financeiro.

Desde 1934, os institutos haviam sido financiados pelo princípio de contribuições tripartite, no qual o governo e o empregador contribuíam com montantes iguais ao do empregado. Na prática, contudo, o governo raramente, ou nunca, pagou totalmente sua parte. Como resultado, o Estado devia ao sistema de previdência social a astronômica cifra de 2,5 bilhões de cruzeiros, e seu débito junto ao IAPI chegava sozinho a 1,5 bilhão de cruzeiros (Malloy 1979 : 182)². Ressalte-se, portanto, que o devedor não era o trabalhador.

Kubitschek, habilmente, resolveu esse impasse através de um acordo pelo qual o governo pagava a dívida aos institutos e estes construiriam as unidades residenciais necessárias à transferência do governo para Brasília. Como cada um dos institutos já tinha uma divisão imobiliária, com vistas a investir e a construir casas para seus assegurados. Kubitschek requereu, mais tarde, que os institutos administrassem as superquadras e casas geminadas que estavam construindo em Brasília. Matou três coelhos com uma só cajadada, SEM NENHUMA PENALIZAÇÃO para os trabalhadores.

Portanto, não é de agora que existe déficit na Previdência. As diversas reformas, e não foram poucas, que se fizeram a partir de 1960 sempre trouxeram esta justificativa. Junto com ela, por trás desse déficit, mas necessariamente sem ser especificado, sempre houve devedores. Entretanto, em todos os momentos, O DEVEDOR NUNCA FOI O TRABALHADOR.

Ao que parece, pelas revelações, escritas e faladas, conhecidas até o momento, os devedores e sacadores atuais da Previdência se concentram em empregadores de grande porte, principalmente os do sistema financeiro e no próprio governo que recebe os recursos arrecadados para seguridade social e os destina para outros setores⁴.

E agora, em 2019? Na semana que ora se inicia será dada a partida, na Câmara dos Deputados, para a votação de mais uma proposta de reforma da Previdência. Contudo, o que se ouve, no sentido de tranquilizar a sociedade brasileira, é que ela será igualitária, PENALIZANDO, desta vez, todas as classes trabalhadoras (e não os devedores), inclusive as pertencentes aos poderes legislativo e judiciário.

SAUDADES DAS HABILIDADES DO JUSCELINO !


¹ O sistema de previdência social consistia em seis grandes institutos que cuidavam, separadamente, da seguridade social dos trabalhadores empregados no serviço bancário (IAPB), nos transportes (IAPETEC), no comércio (IAPC), na indústria IAPI), nas ferrovias e serviços públicos (CAPFESP), e nas atividades marítimas (IAPM). Um sétimo instituto, o IPASE, oferecia uma variedade de benefícios aos servidores do Estado, embora a vasta maioria destes recebesse aposentadorias dos próprios órgãos em qu trabalhavam, que eram em geral mais altas do que as do sistema previdenciário. - Esses institutos eram dirigidos sob os auspícios do Ministério do Tranbalho, que durante a década de 1950 era controlado pelo PTB. O partido tinha condições de usar o sistema da previdência social e seus aproximadamente 62 mil empregos como um feudo para apadrinhamento político (Graham 1968: 138)³.

² Malloy, James M. 1979. The politics of social security in Brazil. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press.

³ Graham, Lawrence S. 1968. Civil service reform in Brazil: Principles versus practice. Austin: University of Texas Press.

⁴ Através da DRU - Desvinculação das Receitas da União, principalmente para o pagamento dos juros da dívida pública.



19 junho 2019

MORO NO SENADO. SAIU MAIOR DO QUE ENTROU !

Após mais de oito horas na audiência pública, realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, o ministro Sérgio Moro arrasou à oposição, especialmente os senadores do PT, e saiu maior do que entrou. Os manifestantes presentes à frente do Congresso Nacional tinham razão. Inflaram, previamente, o Super Moro. O Ministro não os decepcionou.

Desde a sua exposição inicial, deixou claro que os textos dos supostos diálogos publicados pelo site The Intercept carecem de comprovação pericial. Disse também que até então tudo não passou de sensacionalismo.

O ministro ainda chamou à atenção que à medida que os fatos vão sendo esclarecidos, as eventuais desconfianças sobre os procedimentos operacionais da Lava Jato vão diminuindo. Citou, como exemplo, a análise do americano MatMthew Stephenson, da Universidade de Harvard e do site The Global Anticorruption, que mudou de opinião após transcorridos menos de uma semana da divulgação dos fatos no último dia 09/06.

De Guaratinguetá-SP, onde participou de solenidade de formatura de sargentos da Aeronáutica, o presidente Jair Bolsonaro, questionado sobre uma eventual saída do ministro Moro afirmou: "Não posso me casar pensando em separar um dia. Não vi nada de anormal até agora nas conversas publicadas. Querem tentar me atingir atacando quem está do meu lado. O Sérgio Moro é patrimônio, podem procurar outro alvo porque esse já era. Ele fica".

16 junho 2019

IN MORO, I TRUST

O Ministério Público Federal divulgou na tarde deste sábado (15), nota para esclarecer que fake news estão sendo divulgadas em grupos de WhatsApp e em alguns blogs, que mencionam a atuação do procurador da República Diogo Castor de Mattos como suposto autor de hackeamento de mensagens à força-tarefa Lava Jato em Curitiba.

Até o momento, não se conhece, ou ainda não foram publicados, pela Polícia Federal, os resultados das investigações em curso sobre esse assunto. Para o público, em geral, não há informações concretas de como os dados divulgados foram capturados.

Até o momento, também, a empresa detentora do app Telegram não assumiu qualquer falha em seu código ou roubo de dados em seus servidores. O que a empresa tem sempre afirmado é que não existem espaços para violação em mensagens suportadas pelo seu código de criptografia.

Isso é suficiente para se afirmar que os celulares não foram invadidos por hackers? Não. A invasão de uma celular pode ocorrer por diferentes meios e, a partir daí, o invasor conseguir, como se usuário primário fosse, ter acesso à biblioteca de Apps instalados nos smartphones dos usuários, inclusive o Telegram.

E sobre a veracidade das informações até então divulgadas? Só se poderá afirmar que são verdadeiras após a entrega, aos investigadores, de todo o conteúdo que supostamente foi hackeado, incluindo os meios de sua obtenção. É o que tem afirmado renomados juristas de diversas localidades do País.

E mais, sendo verdadeiras tais informações e, eventualmente, comprometedoras para os agentes do Estado, elas não podem ser usadas nos processos que correm na justiça. Seriam provas ilícitas. Interceptações ilegais de conversas ao telefone e invasões de conversas privadas constituem crimes graves (Lei 9.296/96). Seus autores devem ser severamente punidos.

Last but not least, in Moro, I trust.

14 junho 2019

NEGOCIAÇÕES TRANSPARENTES. VIERAM PRÁ FICAR ?

Os últimos dias têm mostrado algo que há muito tempo tinha sumido nas relações entre o Executivo e o Legislativo. Refiro-me à transparência estabelecida nas negociações entre essas partes para a votação de matérias de interesse do País.

Tais interesses estiveram acima das opções ideológicas e/ou partidárias das bancadas, coisas que antes só se resolvia por meio do toma lá dá cá, leia-se: destinação de cargos e de recursos para parlamentares.

Um dos itens das pautas de votação foi o PLN4 que autoriza o governo a captar quase R$ 250 bilhões. Após negociações democráticas, à luz do dia, o projeto obteve aprovação por unanimidade nas duas Casas: Câmara e Senado.

Outras matérias foram discutidas e votadas sem a unanimidade da citada acima. O perde e ganha das partes envolvidas nas disputas travadas no parlamento é parte da regra do jogo democrático.

Esse também parece ser o destino que será dado a reforma da Previdência. É o que se pôde observar no dia de ontem (13) durante a leitura do relatório na Comissão Especial correspondente. Mesmo com as mudanças feitas pelo relator, que atenderam boa parte das demandas dos deputados, os ganhos fiscais ficaram acima do esperado, atendendo a demanda e expectativa do poder Executivo.

Oxalá essa forma de negociação transparente seja uma constante. O que ocorreu nas votações durante esse período no Congresso Nacional é a prova de que isso é possível.

PS.: Será que os parlamentares ouviram as vozes nas ruas ?

31 maio 2019

A URGENTE NECESSIDADE DE NOSSAS CRIANÇAS

No intervalo de apenas 15 dias, ocorreram no País duas manifestações supostamente tendo como pano de fundo mais recursos para a educação. Terá sido mesmo?

Parece que não. Segundo o que foi divulgado, até o momento, não li, não vi, e não ouvi nenhuma palavra, nenhum grito, nenhum gesto em defesa dos mais vulneráveis dos brasileiros: AS NOSSAS CRIANÇAS.

As estatísticas do setor nos apontam que mais de mil municípios brasileiros dependem em mais de 80% da participação do Fundeb (em algumas cidades este valor atinge 95%) e correm o risco de fechar as escolas públicas, locais estes onde as crianças, em muitos casos, fazem a única refeição do dia. Será que ainda não tenha chegado a hora de se discutir a continuidade do Fundeb, cujo prazo de validade é até o final deste ano? A única refeição dessas crianças não pode acabar, o que exige obrigatoriedade de se clamar pela extensão desse Fundo. 

Obviamente, deve se perguntar também por que com todo o dinheiro investido em nossa educação, os nossos jovens aprendem menos do que há 20 anos, segundo o Pisa. Ou por que, segundo dados da OCDE, no Brasil, 67% dos jovens de 15 e 16 anos levariam zero em matemática, leitura e ciências se comparados a seus colegas de toda parte. A mesma pesquisa da OCDE nos colocou em 58o lugar entre 65 países.

Tais resultados demonstram que não foram levadas a sério  a Lei de Diretrizes e Bases de 1961 e uma mensagem de um ex-presidente da República encaminhada ao Congresso Nacional, há mais de 50 anos, na qual se ler que uma verdadeira democracia só se alcança quando todos os cidadãos, sem nenhuma distinção, tiverem acesso a uma educação de qualidade.

A LDB/1961, estabeleceu escola pública, universal, gratuita e laica para todos os brasileiros. O ensino dela decorrente, deveria estar sintonizado com amplo projeto político e liberal, onde o mérito deveria ser o mais essencial critério de progresso do individuo e o método de impulsão e de produtividade de toda a sociedade.

Lamentavelmente essa democracia ainda inexiste no Brasil. Lamentavelmente também, o barulho e/ou a balbúrdia vistas nas duas manifestações, referenciadas no início deste post, tiveram conotações ideológicas e politicas/partidárias acentuadas e nada sobre a citada necessidade de nossas crianças.

28 maio 2019

A GRANDE POLÍTICA

Em seu artigo de hoje (28), no Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo, a propósito das manifestações políticas ocorridas no domingo (26), destacou: "Ao não lotear o governo e recusar o toma lá dá cá, Bolsonaro devolve a GRANDE POLÍTICA ao Congresso, que está recuperando sua capacidade de mediação com a sociedade". 

Em um país democrático é louvável que se constate isso, embora tardiamente, pois essa prática deveria estar ocorrendo desde a redemocratização do País e a aprovação da nova Constituição em 1988.

Disse ainda o colunista:

"Quem apostou no fracasso das manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro no último domingo perdeu. Foi uma dupla demonstração de força: primeiro, do poder de mobilização de uma militância aguerrida e ideologicamente alinhada com seu líder; segundo, da capacidade de direção política dos protestos, que foram convocados para confrontar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabaram redirecionados para apoiar o presidente da República e a reforma da Previdência. Não é pouco."

As manifestações, cuja afluência não foi nada desprezível, confirmaram a legitimidade do presidente Bolsonaro obtida nas urnas, em outubro de 2018, e reiteraram, especialmente, as pautas que decidiram aquelas eleições.

Que esse entendimento, demonstrado nas ruas pela sociedade, em coerência com os milhões
de votos depositados nas urnas, seja também acompanhado pelos parlamentares pertencentes as duas Casas do Congresso Nacional. Com isto, será dado um importante passo para ingressarmos na GRANDE POLÍTICA almejada por todos os brasileiros.

26 maio 2019

PERDA COM EVASÃO ESCOLAR É SUPERIOR AO ORÇAMENTO ANUAL DO MEC

O Brasil perde R$ 151 bilhões por ano ao manter 15% dos jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, ou 1,5 milhão de jovens, aponta matéria publicada neste domingo (26) em O Globo. Há um custo para cada um deles, impedidos de ocupar vagas com maior renda apenas com o ensino fundamental. A conta inclui também os custos para o país de ter na sua população esses trabalhadores menos qualificados. 

Essa perda é superior a todo o orçamento do Ministério da Educação, de cerca de R$ 100 bilhões por ano.

O resultado da evasão escolar na adolescência é que, dos 3,2 milhões de jovens que completam 18 anos a cada ano, 35% não terminam o ensino médio: o equivalente a 1,12 milhão nessa condição. O custo financeiro para o país é de R$ 135 mil para cada jovem que não se forma por ano.

Esse valor é superior ao custo médio por aluno, R$ 27 mil, nas universidades federais, mas existem variações enorme entre elas, R$ 14 mil/ano na UFAP e R$ 70 mil/ano na UFRJ. Mesmo assim, nenhuma delas supera o custo financeiro citado no parágrafo anterior.

As contas são do economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, que coordenou um diagnóstico sobre a educação no país:
— O custo privado mais significativo para jovens é a perda de empregabilidade e renda.

A estimativa leva em conta a perda de produtividade e competitividade do país com trabalhadores menos qualificados, mas também custos relacionados ao aumento da violência e à piora nas condições de saúde dos menos escolarizados.

Em termo qualitativos, os dados da OCDE apontam  que no Brasil 67% dos jovens de 15 e 16 anos levariam zero em matemática, leitura e ciências se comparados a seus colegas de toda parte. A mesma pesquisa nos colocou em 58o. lugar entre 65 países.


Porém, a esses resultados não se pode atribuir a falta de recursos. Já há algum tempo, o Brasil vem investindo na educação valores semelhantes aos dos países desenvolvidos, em torno de 6% de seu PIB. O que devemos cobrar é a eficiência e a eficácia, uma boa gestão, de sua utilização em todas as esferas: federal, estadual e municipal.




22 maio 2019

AS RAÍZES DO ATRASO BRASILEIRO

Na época do "milagre econômico" parecia havermos descoberto a tecnologia de superação do subdesenvolvimento. Naquele decênio, o Brasil se destacou ao poupar respeitáveis 21% do produto interno bruto. Hoje, a "questão terrível", para nós e para o mundo perplexo, consiste em saber como o Brasil consegue continuar pobre.

Há 29 anos o PIB brasileiro era superior ao da China em US$ 102 bilhões  (462 x 360). Ao longo desse período, vimos aquele país nos igualar e, rapidamente, nos ultrapassar, tornando-se a segunda economia mundial neste momento. Se, pelo menos, tivéssemos acompanhado a média do crescimento global, o nosso PIB seria 76% maior do que o valor atual.

No que diz respeito à renda per capita, o Brasil ocupa a 75ª posição no mundo, segundo os dados do FMI e do Banco Mundial. Somos um país de renda média e também um dos mais desiguais. Não temos avançado. Somos 20% da renda per capita dos EUA desde 1960.

O Chile, seguindo os asiáticos, destoa dos demais países da nossa região e deve sagrar-se o primeiro sul-americano desenvolvido na próxima década.

Quem estiver a procura de soluções para os problemas do desenvolvimento econômico brasileiro não precisa ir muito longe.

Basta dar uma espiada e verificar que todos os países que lograram êxito em seu desenvolvimento e nos ultrapassaram em riqueza, buscaram associações entre empresas nacionais e estrangeiras no campo da alta tecnologia. "Temos de reconhecer que a maneira mais sábia e efetiva de proteger nossos interesses nacionais é pela cooperação internacional —a saber, por meio de esforços conjuntos pela obtenção de objetivos comuns" —discurso de encerramento do secretário do Tesouro americano Henry Morgenthau Jr. na conferência de Bretton Woods, em 20 de julho de 1944.

Os segmentos mais sofisticados reúnem a indústria de eletrônica e informática; máquinas e equipamentos; química; automobilística e farmacêutica. O economista Paulo César Morceiro, que terminou seu doutorado na USP (Universidade de São Paulo) em 2018, orientado pelo pesquisador Joaquim Guilhoto, da USP e da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), nos trouxe um trabalho que resultou em análises inéditas sobre a trajetória da indústria brasileira. 

O setor industrial como um todo atingiu, em 2018, sua menor participação no PIB desde 1947. Ele recuou para apenas 11,3%, menos da metade do pico de 27,3% atingido em 1986. "A indústria de mais alta tecnologia no Brasil não conseguiu sustentar seu pico de participação no PIB nem por uma década. É um resultado ruim se comparado ao de países que se desenvolveram", afirma Morceiro. O Brasil perde empresa de alta tecnologia antes de se tornar um país inovador.

Tais números nos trouxeram a lembrança do que ocorreu com o setor de informática a partir de meados da década de 70, cuja reserva de mercado ocupou toda a década de 80, permanecendo até outubro de 1992, com prejuízos incalculáveis à sua utilização, em larga escala, por todo o País. O Brasil demorou muito para ser informatizado.

As repercussões de tal política foram danosas para o País, em especial para o setor de educação. Naquela época já havia computadores nas escolas primárias e de segundo grau dos países desenvolvidos. 

No ensino superior, na Universidade de Chicago (1989), existia um computador por aluno. No Brasil, nem os professores podiam adquiri-los.  Um PC-XT, fabricado aqui por força da reserva de mercado estabelecida, na configuração de 640 kb de memória, teclado e monitor de vídeo, custava 50 salários mínimos (SM) de NCz$ 63,00. Nos EUA esse mesmo equipamento custava um pouco menos de 1 SM, no Reino Unido 1 1/2 e na Coréia do Sul 3 SMs.

Passados cerca de trinta anos melhoramos, mas ainda não conseguimos ter um computador para cada aluno em nossas escolas primárias, salvo algumas exceções no setor privado. Naquelas, as escolas públicas, as noticias diárias são de desânimo dado o estado físico em que se encontram e o baixo valor do salário pago aos seus professores.

Um outro aspecto a ser cuidado com grande atenção, mais do que em qualquer outro momento de sua história, é o da ciência. A falta e/ou a não execução de planejamento estratégico, de investimento e de formação de cientistas poderá nos levar para posições de menor importância no cenário mundial. O Brasil precisa elevar de forma considerável a produtividade da sua economia, o que só ocorrerá com grande investimento na formação/retenção de talentos e na inovação tecnológica.

E temos bons exemplos aqui mesmo que comprovam isso. O Brasil jamais teria alcançado a posição de sétima economia do mundo não fosse o investimento feito em ciência, tecnologia e inovação, que lhe permitiu produzir alimentos a preços acessíveis para sua população e ainda exportar excedentes para todos os cantos do planeta. E a C&T brasileira nos permitiu produzir aeronaves sofisticadas, extrair petróleo das profundezas do mar e produzir uma matriz energética limpa baseada no uso do etanol combustível.

Hoje o Brasil aparece em 12˚ lugar no ranking de investimento em C&T que totalizam apenas 2% do investimento chinês. A Índia segue a China. Nosso País precisa se inspirar no conjunto das nações que estão apostando em investimentos e políticas cientificas e tecnológicas robustas e de longo prazo, únicos caminhos possíveis para alcançar o seu desenvolvimento sustentável e deixar de ser pobre.