As eleições brasileiras correm um sério risco de não serem reconhecidas pela comunidade internacional.
Enquanto o governo faz discurso dizendo que aceita observadores, a realidade nos bastidores é outra: o TSE barra missões internacionais de transparência experientes, e o Itamaraty joga gasolina na fogueira ao negar vistos para uma missão diplomática americana que discutiria exatamente o nosso processo eleitoral.
O segredo do sistema eleitoral brasileiro agora se tornou conhecido no mundo todo. A imprensa internacional está repercutindo a decisão suspeita do Brasil de negar vistos a diplomatas americanos designados a conhecer o método adotado exclusivamente no Brasil.
O Brasil negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado que a administração Trump planejava enviar em uma missão para lançar dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral do país antes da eleição presidencial brasileira neste outono
Com o único sistema do mundo sem comprovante impresso pelo eleitor e o fantasma de empresas obscuras participando da evolução do sistema, o Brasil flerta com o mesmo isolamento diplomático que Nicolás Maduro sofreu em 2024.
Se o governo fecha as portas para o escrutínio internacional, a desconfiança só aumenta.
A semana terminou sem novidades em sua pauta. Há anos ela vem sendo a mesma: a desmoralização do STF. Desta vez através das entrevistas de Gilmar Mendes e o respectivo embate com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. 7 x 0 pro Zema.
E não fica por aí. Bem próximo ao STF está o TSE. Este, sem que o processo eleitoral sequer tenha se iniciado, já passou a ocupar espaços nos meios de comunicação indicando que decisões estapafúrdias, novamente, vão interferir nas próximas eleições. O alvo não mudou: continuará sendo a direita, principalmente no entorno de nomes mais próximos ao Bolsonaro.
Enfim, quatro anos após 2022 os togados já estão entrando em cena. Pensando bem, nunca saíram dela. Na semana passada, Alexandre de Moraes abriu um inquérito para investigar o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, por suposta prática de calúnia contra Lula. Em nota pública, a associação de juristas Lexum apontou falhas na decisão de Moraes. A Associação questionou entre outros motivos, a ausência de análise sobre a imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição, e levantou dúvidas sobre a imparcialidade na condução do caso. Na avaliação da Lexum, a abertura de inquéritos contra adversários políticos em período pré-eleitoral pode produzir um “efeito de silenciamento”, ao impor custos jurídicos e reputacionais que desestimulam a crítica.
Os episódios têm um ponto em comum: atingem diretamente quem se opõe ao
consórcio Lula-STF. Flávio, por exemplo, lidera diversas pesquisas de intenções de voto. Zema, por sua vez, se consolidou como um dos principais nomes do conservadorismo na disputa presidencial.
Contudo, apesar das tentativas do STF e do TSE de reescrever o roteiro de 2022, o cenário agora é outro. Antes intocáveis, ministros passaram a enfrentar desgaste público em razão do escândalo que envolve o Banco Master, entre outros.
Pesquisas de opinião reforçam o descontentamento dos brasileiros com os ministros. Levantamento da Futura Inteligência, em parceria com a Apex Partners, mostra que 43,4% dos brasileiros avaliam a atuação do STF como ruim ou péssima, ante 28,4% que a classificam como ótima ou boa; outros 23,8% a consideram regular. Esse resultado reforça a perda de apoio na opinião pública e contrasta com o ambiente observado na eleição anterior, quando a Corte operava sob maior respaldo institucional.
Nesta 2ª feira (3.fev), o bilionário Elon Musk, líder do Doge (Departamento de Eficiência Governamental) do governo Trump, afirmou que quer fechar a USAID. No mesmo dia, Musk começou a compartilhar as declarações de Michael Benz afirmando que a USAID foi usada para influenciar a mídia internacional. Na entrevista em que citou Bolsonaro, Benz declarou que a agência classificou “o populismo como uma ameaça à democracia, iniciando uma campanha de censura contra movimentos populistas globais“, incluindo o ex-presidente do Brasil. Segundo Benz, a USAID teria “investido em operações e financiamento de legislação contra a desinformação dentro do TSE” para censurar conteúdos de Bolsonaro nas redes sociais. Benz comparou a atuação da USAID no Brasil a um “polvo de censura, com tentáculos estendidos por todo o ecossistema de informação do país“.
Mike Benz atualmente é diretor executivo da Foundation for Freedom Online (FFO), uma organização focada na defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais. As palavras de sua entrevista jogam luz sobre uma operação obscura e vergonhosa no Brasil: a criação de um “Complexo Industrial de Censura” para manipular o debate público e silenciar vozes conservadoras. Segundo Benz, após a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, elites globais, em conluio com instituições brasileiras, decidiram que o povo não poderia mais decidir livremente.
O objetivo. Neutralizar a influência das redes sociais e impor uma narrativa única. Benz revela que essas ações não pararam por aí: instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV) teriam se aliado ao esquema, “criando” pesquisas usando a criatividade para justificar leis de censura travestidas de combate à “desinformação”.
Grupos de mídia brasileiros teriam, segundo Benz, recebido dinheiro para promover essa agenda autoritária. O resultado foi a restrição de conteúdos que desafiavam o establishment e o controle absoluto das informações que chegavam ao público. Tudo isso, é claro, sob o pretexto hipócrita de proteger a democracia. Mas a quem realmente interessa esse tipo de “proteção”?
A verdade é clara e perturbadora: há um esforço internacional em curso para esmagar a liberdade de expressão no Brasil e garantir que o povo permaneça sob o controle de uma elite globalista. O discurso de “combate às fake news” não passa de uma cortina de fumaça para justificar a censura política.
As denúncias de Mike Benz soam como um alerta máximo para todos que defendem a liberdade como um valor fundamental: estamos sob ataque! Se essa rede de controle não for desmantelada, o espaço para o contraditório desaparecerá, e o verdadeiro estado de direito será corroído, condenando o Brasil a décadas de censura e manipulação.
Ainda segundo Karina Michelin, "Alexandre de Moraes, com o respaldo do STF e TSE, está à frente do que Mike Benz chamou de tirania. As revelações expõem uma Suprema Corte em ruínas, com sua reputação profundamente abalada. A confiança da população foi destruída, e o respeito pela instituição corroído por aqueles que, em vez de proteger a Constituição, agora mancham seu nome com autoritarismo e censura".
O texto a seguir está na reportagem publicada por David Agape, sob o título " PF usa teoria da “Bruxa da Vaza Toga” para embasar Relatório do Golpe. O texto completo está acessível através deste link. Recomendamos a sua leitura.
Aqui se destaca o conceito de Firehosing, relativamente novo (criado em 2016) e, portanto, bastante desconhecido da maioria da população. O texto também revela quem mais o utiliza nas conspirações atualmente existentes no Brasil.
Boa leitura.
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O conceito de firehosing tem sido amplamente disseminado no Brasil por Letícia Sallorenzo, jornalista de Brasília e figura já citada em A Investigaçãocomo a "Bruxa" mencionada nas reportagens da Folha de S.Paulo sobre o uso informal da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, expostas por Glenn Greenwald na série da “Vaza Toga. Letícia Sallorenzo, conforme registrado em seu currículo Lattes, se define como “colaboradora informal” do TSE. Fontes indicam que ela foi responsável por enviar dossiês de críticos de Alexandre de Moraes e pressionar assessores do ministro para que contas desses indivíduos fossem removidas das redes sociais. As mesmas fontes afirmam que Letícia também tem acesso privilegiado a eventos fechados com Moraes e ataca qualquer um que critique o ministro..
Na sua tese de doutorado em andamento na Universidade de Brasília (UnB), Letícia argumenta que o firehosing estaria diretamente relacionado aos ataques ao ministro Moraes, apresentando-o como alvo de uma “estratégia coordenada” para desestabilizar o Judiciário e desacreditar suas ações. No resumo do projeto, Letícia afirma que a teoria do firehosing serviu “como base para toda a argumentação jurídica que levou ao pedido de prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.” Ela também sustenta que o firehosing é descrito em documentos do Supremo Tribunal Federal nos inquéritos das Fake News e dos Atos Antidemocráticos, além de ter sido citado no relatório final da CPI do 8 de Janeiro, demonstrando sua aplicação crescente em investigações brasileiras.
Originalmente desenvolvido para monitorar estratégias de desinformação russas, o conceito de firehosing é relativamente novo, introduzido em 2016 pela RAND Corporation, um think tank americano especializado em pesquisa e análise de políticas públicas, com forte histórico de colaboração com o governo dos EUA, especialmente o Departamento de Defesa. Fundada em 1948, a RAND recebe a maior parte de seu financiamento de agências governamentais, incluindo US$ 320 milhões em 2023, provenientes de contratos com o governo americano.
A RAND é criticada por seu viés e proximidade com o governo dos EUA, especialmente nas áreas de defesa e segurança. Críticos afirmam que essa relação influencia suas pesquisas e torna suas recomendações alinhadas aos interesses governamentais e militares americanos. Em 2023, o Comitê de Ciência da Câmara dos EUA questionou a confiabilidade de estudos usados para fundamentar políticas públicas, apontando falta de revisão por pares.
Segundo o site Le Monde Diplomatique, conhecido por sua orientação à esquerda, o cientista social Christopher Paul, coautor do estudo que cunhou o termo firehosing, afirmou em vídeo que nunca imaginou a aplicação do conceito à política norte-americana. Ou seja, o controle sobre o uso do conceito fugiu das mãos dos autores, originalmente focados na propaganda russa, especialmente considerando os vínculos históricos do RAND Corporation com a segurança nacional dos EUA.
Como já destaquei em meu depoimento no Senado brasileiro e em outros estudos, o Consenso Censor Moderno tem origem no deep state americano e rapidamente se espalhou pelo mundo. O medo da chamada conspiração russa levou as agências de inteligência dos EUA, que ganharam enorme poder após o 11 de setembro e a Guerra ao Terror, a voltarem suas ferramentas de censura e repressão contra os próprios cidadãos americanos. Com o tempo, esse Complexo Industrial da Censura chegou ao Brasil, sendo adotado por instituições como o STF, o TSE, ONGs e setores da imprensa, que passaram a usar o modelo para controlar a liberdade de expressão e moldar o debate público sob o pretexto de combater a desinformação.
Há também ações de influência direta dos núcleos de inteligência americanos no Brasil. Além das palestras proferidas por representantes do FBI no TSE em 2017, abordando sua experiência no combate às fake news, o diretor da CIA, William Burns, pressionou o governo Bolsonaro, julho de 2021, a abandonar as críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Segundo a agência Reuters, durante um encontro no Brasil, Burns aconselhou os assessores de Bolsonaro a "pararem de subestimar o sistema de votação no Brasil". Vale destacar que, nos Estados Unidos, o sistema de votação utiliza cédulas de papel, em contraste com o modelo eletrônico brasileiro.
Esse é o título do artigo de hoje publicado pela Folha de São Paulo. No agravo de novembro de 2022, a vice de Aras afirmou a Moraes que a coleta de provas feita pela AEED (Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação) do TSE foi inconstitucional e ilegal por se tratar de "diligências investigativas de ofício realizadas pelo Poder Judiciário, em violação ao sistema processual acusatório".
Em sessão no STF, na semana passada, ele disse: "Seria esquizofrênico eu, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral [à época], me auto oficiar", disse Alexandre de Moraes.
"A esquerda e o establishment de Brasília estão unidos -- como sempre -- em defesa cega de Moraes. Poderíamos publicar áudios de Moraes tramando violência contra críticos e eles diriam: o Rei Xandão não fez nada de errado. Mas esses abusos estão se acumulando e são inegáveis", afirma Glenn Greeewald um dos autores do artigo.
Boa leitura.
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Augusto Aras - Ex-procurador Geral da República
PGR sob Aras apontou afronta constitucional em uso de órgão do TSE por Moraes
Procuradoria, em caso de ex-deputado do Paraná, pediu anulação de decisão expedida com base em relatório do setor de combate à desinformação do TSE
A Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Augusto Aras, contestou em novembro de 2022 a utilização do órgão de combate à desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para abastecer o inquérito de fake news, do STF, por parte do ministro Alexandre de Moraes.
Em um processo sigiloso ao qual a Folha teve acesso, a PGR classificou tal utilização como ilegal, disse que ela viola o sistema penal e pediu a anulação das diligências realizadas, além da revogação das medidas tomadas com base em relatórios do no órgão.
A contestação foi apresentada por Lindôra Araújo, vice-procuradora-geral e braço direito de Aras, em forma de agravo regimental dirigido a Moraes no processo do ex-deputado estadual paranaense Homero Marchese. Como mostrou reportagem da Folha, o caso revela erros e contradições de Moraes.
Sucessor de Aras no comando da PGR, Paulo Gonet saiu em defesa de Moraes após as reportagens. Ao se manifestar sobre o caso no plenário do Supremo, afirmou que "invariavelmente" onde cabia nos processos a intervenção da Procuradoria "houve a abertura de oportunidade para atuação do Ministério Público".
Gonet disse também ter identificado "as marcas de coragem, diligência, assertividade e retidão" do ministro nas decisões e no modo de conduzir o processo. Procurado pela Folha com perguntas sobre o parecer anterior de Lindôra e sobre sua fala recente, o atual PGR não respondeu.
No agravo de novembro de 2022, a vice de Aras afirmou a Moraes que a coleta de provas feita pela AEED (Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação) do TSE foi inconstitucional e ilegal por se tratar de "diligências investigativas de ofício realizadas pelo Poder Judiciário, em violação ao sistema processual acusatório".
No recurso, a PGR também demonstrou não ter a informação de onde partiam os pedidos para produção dos relatórios e qual era a origem do conteúdo recebido por Eduardo Tagliaferro, chefe da AEED no período e responsável por assinar os documentos.
Para Lindôra, nesse cenário, a AEED estava desempenhando uma função investigativa, sem a participação do Ministério Público, afrontando o sistema penal. Segundo a PGR, o STF decidiu que, mesmo no caso do inquérito das fake news, era necessário o acompanhamento do Ministério Público.
"Na prática, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, que eventualmente pode estar recebendo informações do recém-criado núcleo de Inteligência do Gabinete do Presidente do TSE, tem exercido função investigativa a subsidiar inquéritos em curso no STF, o que afronta o modelo constitucional acusatório do processo penal", consta em trecho do agravo.
Segundo a PGR, a estrutura da Justiça Eleitoral estava "atuando em situações alheias ao combate à desinformação no processo eleitoral, passando a monitorar redes sociais de pessoas que convocaram manifestações contra a viagem de ministros do Supremo Tribunal federal aos Estados Unidos, para participação em evento privado em Nova Iorque".
"Não se pode admitir que órgão do Poder Judiciário Eleitoral, a pretexto de combate a desinformação, materialize diligências investigativas, com o escopo de coletar elementos quanto a autoria e materialidade delitiva criminal a serem compartilhados com o STF", disse a PGR.
Lindôra afirmou que a AEED estava "procedendo também a análise de aplicativos de mensagens (Telegram) e culminando com a extração de conteúdo das publicações, realização de diligências para identificação de autoria e produção de relatórios que são remetidos a inquéritos em curso no Supremo".
No caso de Homero Marchese, a PGR ainda registrou que não havia relação direta com fatos sob a competência da Justiça Eleitoral uma vez que se tratavam de manifestações programadas por causa de um evento com participação de ministros em Nova York.
Para pedir a anulação da decisão de Moraes contra o ex-deputado estadual, Lindôra Araújo afirmou que as medidas cautelares de bloqueio das contas sem o pedido do Ministério Público ou da autoridade policial violam "o sistema acusatório e os princípios correlatos, como os da imparcialidade, da inércia e da isonomia assegurados pela ordem constitucional".
A gestão Aras ficou marcada na história por omissões principalmente no período da pandemia. Também foi criticada no Judiciário por diversas vezes defender teses que acabavam protegendo ou tirando a responsabilidade de Jair Bolsonaro (PL) em investigações ou ações como presidente da República.
No período, Moraes passou a tomar decisões de ofício, sem ouvir o Ministério Público, ou ainda ignorar as manifestações do órgão, autorizando pedidos da Polícia Federal mesmo com posições contrárias da PGR.
No sistema acusatório, estabelecido na Constituição Federal, cabe ao Ministério Público ou à polícia a produção de provas e ao Judiciário julgar. A formatação controversa desse inquérito acabou validada pelo plenário do STF somente no seguinte ao de sua criação.
Como revelou a Folha, mensagens entre juízes de Moraes no STF e no Tribunal Superior Eleitoral com auxiliares de seus gabinetes mostram o uso não oficial da AEED para abastecer o inquérito das fake news.
As ordens solicitadas pelo ministro e por seus assessores ao ex-chefe do órgão de desinformação no tribunal eleitoral eram todas dadas de maneira informal. Os assessores de Moraes, segundo as mensagens, sabiam do risco dessa informalidade. Um deles demonstrou em áudios essa preocupação.
"Formalmente, se alguém for questionar, vai ficar uma coisa muito descarada, digamos assim. Como um juiz instrutor do Supremo manda [um pedido] pra alguém lotado no TSE e esse alguém, sem mais nem menos, obedece e manda um relatório, entendeu? Ficaria chato."
Moraes tem dito que todos os procedimentos adotados "foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações".
"Diversas determinações, requisições e solicitações foram feitas a inúmeros órgãos, inclusive ao Tribunal Superior Eleitoral, que, no exercício do poder de polícia, tem competência para a realização de relatórios sobre atividades ilícitas, como desinformação."
Em sessão no STF, na semana passada, ele disse: "Seria esquizofrênico eu, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral [à época], me auto oficiar".
"Processo sigiloso revela erros e contradições de Moraes em uso do TSE Uma das mais preocupantes até agora: mostra a falta de limites para o bloqueio de Moraes nas redes, e as contradições em sua defesa. Esta é mais uma ação sem base legal de Moraes que foi tão extrema que até mesmo seus principais assessores em seu gabinete sabiam que era errado. Ele usou o TSE para bloquear contas das redes, embora isso tivesse a ver com protestos contra Moraes, não as eleiçōes. Pior de tudo: depois do primeiro dia de nossa reportagem, Moraes falou no STF para se defender. Este é nosso segundo artigo provando que a defesa dele não é verdade. Sei que a esquerda já decidiu que tudo que Moraes fez esta bom, mas esta reportagem ainda é vital."
O texto acima é do jornalista Glenn Greenwald na rede social X, nesta última quarta-feira 21/08/2024, anunciando que estava publicando mais uma matéria na Folha de São Paulo
A seguir a íntegra da matéria publicada pela Folha.
Boa Leitura.
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Processo sigiloso revela erros e contradições de Moraes em uso de órgão do TSE
OUTRO LADO: Procurado e informado sobre o teor da reportagem por meio de sua assessoria, o ministro do STF não quis se manifestar
Novos diálogos revelados pela Folha deste domingo (18) mostram a irritação de membros do gabinete do ministro Alexandre de Moraes com o governo americano e a Interpol. Os comentários são de novembro de 2022, entre os juízes auxiliares Airton Vieira do STF e Marco Antônio Vargas do TSE. Auxiliar do ministro fala em 'mandar jagunços" para pegar o jornalista Allan dos Santos. Abaixo a íntegra da reportagem.
Boa leitura.
PS.:
(1) Lembremos que, em 2009, Joaquim Barbosa sugeria que Gilmar Mendes comandava “capangas”. Esse é o ambiente do STF, digno guardião do corruptariado brasileiro, ou seja, o sistema de poder constituído pela fusão do velho coronelismo cheio de capangas e jagunços com o projeto de poder narco-socialista do PT/Foro de São Paulo.
(2) Ainda sem resposta. Adélio Bispo foi jagunço de quem?
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Mensagens mostram irritação da equipe de Moraes com EUA e Interpol sobre Allan dos Santos
OUTRO LADO: Ministro afirma que todos os procedimentos 'foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados'
Uma conversa em 2022 entre dois juízes instrutores do ministro Alexandre de Moraes, um do STF (Supremo Tribunal Federal) e outro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), revela o descontentamento do gabinete do ministro com a postura da Interpol e do governo dos Estados Unidosno caso do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.
O influenciador é investigado nos inquéritos das milícias digitais e das fake news por causa de seus ataques às instituições e à democracia. Ele tem contra si um mandado de prisão preventiva expedido por Moraes e é considerado foragido da Justiça brasileira.
Em outubro de 2021, Moraes também determinou a prisão, a inclusão na difusão vermelha da Interpol e a extradição de Allan pelos EUA —onde ele foi morar desde que foi alvo de buscas da PF no Brasil.
A conversa entre os juízes Airton Vieira, braço direito de Moraes no STF, e Marco Antônio Vargas, do gabinete da presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ocorreu em novembro de 2022 e é parte dos mais de 6 gigabytes de diálogos entre integrantes dos gabinetes de Moraes acessados pela Folha.
Procurado, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes disse que "todos os procedimentos foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações em curso no STF, com integral participação da Procuradoria-Geral da República".
Allan do Santos virou tema no grupo de WhatsApp após aparecer em vídeos durante manifestação contra cinco ministros do STF que participavam de um evento privado em Nova York.
No dia 14 de novembro de 2022, o juiz Marco Antônio Vargas enviou no grupo em que estava Airton Vieira mensagens do ministro Moraes.
O texto é acompanhado de um link de uma publicação em uma rede social com vídeo do blogueiro bolsonarista ofendendo um brasileiro na saída do hotel onde os ministros do STF estavam hospedados.
"Peça para o Airton falar com a PF sobre o alerta vermelho", diz o texto da mensagem enviada pelo juiz do gabinete de Moraes no TSE.
Airton Vieira afirmou ao colega em sua resposta já ter acionado o representante da Interpol no Brasil. Segundo ele, a Interpol em Washington e o adido brasileiro na organização também tinham sido procurados para que tomassem as providências em relação a Allan dos Santos.
Questionado pelo juiz Marco Antônio Vargas se a Interpol havia incluído o nome do blogueiro no alerta vermelho, o magistrado lotado no STF mandou um áudio explicando a situação.
"A questão do alerta vermelho é uma longa história, mas em resumo é o seguinte: o pedido do alerta vermelho já foi feito há mais de ano, só que ele está em Lyon, que é a sede da Interpol. E o pessoal de lá até agora não atendeu, simplesmente se recusou a pôr e de nada adiantaram os pedidos reiterados feitos pela Interpol aqui do Brasil", afirmou Airton Vieira.
Segundo ele, mesmo após vários pedidos, o escritório central da Interpol na França não incluiu o nome de Allan no alerta vermelho e deu a "entender que a questão poderia ter viés político".
"Isso já foi feito há mais de ano, nós estamos pedindo, eles não colocaram. Isso fez com que, aliás, o Allan dos Santos não fosse preso até agora", disse.
O juiz também comentou no áudio que, até novembro de 2022, os EUA nem "sequer responderam oficialmente" o pedido de extradição.
"O escritório central da Interpol, em Lyon, não coloca o nome dele no alerta vermelho, os EUA não respondem ao pedido de extradição, que já foi feito, com base até na prisão preventiva dele decretada, e a situação é essa", afirmou.
Após o áudio, os dois juízes trocaram algumas mensagens ainda sobre o caso de Allan dos Santos. Explicitaram ainda mais o descontentamento com a postura da Interpol e do governo americano.
Airton Vieira, no entanto, afirmou que o "pessoal da Interpol" acreditava que, com a troca de governo e posse de Lula (PT), a situação poderia ter alguma mudança. "Nem vou responder ao Ministro pq ele deve saber bem essa história", disse o juiz Marco Antônio Vargas.
"Sim, conhece essa história em detalhes. Não se conforma, com toda a razão. Mas nada podemos fazer quanto a essa questão da Interpol, assim como com a questão da extradição. Tudo o que podíamos fazer foi feito, seguimos todo o trâmite. Mas a Interpol em Lyon engavetou o pedido de alerta vermelho e os EUA não resolvem a questão da extradição. Difícil."
Em um outra mensagem, o juiz do TSE classificou a postura da Interpol e do governo dos EUA de "sacanagem". Airton, em seguida, afirmou: "Com certeza. Por isso esse idiota do Allan dos Santos se sente livre para fazer o que faz…".
"Dá vontade de mandar uns jagunços pegar esse cara na marra e colocar num avião brasileiro", afirmou Marco Antônio Vargas.
Após as mensagens, Airton Vieira ainda mandou um último áudio sobre o tema. Na mensagem, além de repetir a situação na Interpol, ele elevou o tom das críticas ao governo dos EUA.
"Se eles quiserem te mandar embora porque não gostaram dos seus olhos, eles inventam um pretexto qualquer e colocam você no primeiro avião de volta e deportam, extraditam, dão pé no traseiro, o nome que você quiser, mas eles fazem o que eles bem entenderem com quem eles quiserem. Do contrário, não há governo no mundo que determine o que eles têm que fazer", disse.
"Eles têm o tempo deles, os interesses deles, esse é o problema todo, essa é a questão."
O juiz ainda reforçou a leitura de que a mudança de governo no Brasil poderia facilitar o processo de extradição.
"Porque, se pra nós o Allan dos Santos tem alguma importância, pra eles a importância é zero. Então eles não vão comprar uma dor de cabeça com o governo do Brasil, em que pese o governo do Brasil ser de outra orientação. Talvez a partir de 1 de janeiro a coisa mude, não sei", afirmou.
Os americanos disseram, contudo, que estão dispostos a dar prosseguimento ao processo contra o influenciador em relação a outros crimes, como lavagem de dinheiro.