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29 fevereiro 2020

OS MARES NÃO ESTÃO TRANQUILOS

“Os mares não estão tranquilos, porque vídeos são divulgados, incandescem as redes sociais, as pessoas não raciocinam sobre aquilo que estão escrevendo, emoções são colocadas à flor da pele”. O vice-presidente Hamilton Mourão lembrou ainda com todas as letras: “Isso será superado com a tríade clareza, determinação e paciência. Fazer do Brasil a mais vibrante e mais próspera democracia liberal do Hemisfério Sul. Aqui, ninguém está atentando contra a democracia”.

    As palavras do vice-presidente são respostas a não ocorrência da desidratação política desejada pelos eleitores nas últimas eleições. A doença permanece, especialmente no Congresso Nacional. 

    A metástase na política brasileira sobrevive.  Torna-se, portanto, necessária e urgente, a aplicação de uma forte "dose de quimioterapia" para curá-la e expulsar os responsáveis que provocaram essa metástase NOS TRÊS PODERES. Algum dia ela será debelada, incluindo seu tumor primário? DESCONFIO QUE NÃO. Ela sobrevive desde que Cabral aqui aportou. 

    Hoje li mais uma comprovação disso nas páginas amarelas da Veja, desta semana, dita por um inteligente corrupto de prestígio e bilionário (patrimônio de 12 bi), condenado a 26 anos de cadeia, mas que já cumpre prisão semi-aberta após cumprí-la apenas 4 anos em regime fechado e já no final deste ano segue para o regime aberto. Na entrevista se ver , por exemplo, que um famoso ministro da justiça que ficou na posição por 8 anos era corrupto, atendendo a um modelo brasileiro do agrado de quem manda neste País: empresários e políticos corruptos.

    Notícias publicadas têm dado conta de que o presidente da Câmara dos Deputados - o Botafogo - está em visita oficial à Espanha conversando com políticos locais e com o próprio rei Felipe VI sobre parlamentarismo e as relações bilaterais entre aquele país e o Brasil, com uma postura digna de um verdadeiro primeiro-ministro. 

    Esse é um tipo de parlamentarismo branco, que mandachuvas do Congresso e do STF querem enfiar goela abaixo do Bolsonaro em resposta ao presidencialismo de coalizão por ele desprezado. 

    Do outro lado da praça, o percentual de doentes graves é maior. Basta ver a última declaração do Pavão do Tatuí. Cem anos depois de Rui Barbosa, os brasileiros têm de consolar-se com Celso de Mello e com políticos do naipe do Botafogo?

    Uma sociedade não funciona bem e uma democracia se torna disfuncional quando cidadãos - DE BEM - sentem que o sistema continua doente e viciado.


10 fevereiro 2020

BRASÍLIA ESTÁ SUPERPOVOADA

    Brasília está superpovoada. Mas outra coisa a habita: os parasitas. Não daqueles aos quais o Ministro Paulo Guedes se referiu recentemente durante evento no Rio de Janeiro, que não o são nem na Capital Federal nem no Brasil. Mas sim de grupos e/ou classes (que o Ministro sabe exatamente quais são mas não quis dizer) que devoram as vísceras não só de Brasília mas que se alimentam também do Brasil, consumindo suas entranhas e regurgitando o que sobra para o povo. Os custos de funcionamento do Congresso Nacional, das demais casas parlamentares e dos tribunais de nosso País falam por si só. A esses custos, somam-se aqueles provenientes do desvio de recursos em atos de corrupção, como os mostrados pela Lava Jato  que explicitou as faces daqueles mais perigosos.

    Conferir os benefícios de inativos alcançados por políticos, ministros, juízes e outros integrantes das altas cúpulas do Estado, de tão diferenciados para cima, é um exercício de humilhação para o cidadão comum e uma certeza de que a desigualdade e a concentração de renda são características históricas que herdamos e que se estendem por toda a vida. “Leis em favor dos reis se estabelecem; em favor do povo, só perecem”, já afirmava, há mais de cinco séculos, o maior poeta da nossa língua, Luís de Camões (1524-1580). Pela decisão do STF, semana passada, de acabar com a reaposentação e, anteriormente, com a desaposentação, mostra que o presente é, entre nós, uma extensão natural do passado. 

    A bem da verdade, o termo inativo serviria apenas para a grande maioria de aposentados deste país, que, por seus proventos minguados, se transformam em brasileiros inativados para a vida, incapazes de sobreviver com dignidade, desligados das benesses que teriam direito ao fim de décadas de labuta e tornados, por força das cruéis circunstâncias atuais, em cidadãos de terceira classe e, como tal, um estorvo para o sistema moedor de dignidades.

07 fevereiro 2020

A MATEMÁTICA CONTINUA ENCANTANDO OS SEUS AMANTES

    Em recente matéria publicada no NYT, um professor revelou um truque para resolver equações de segundo grau. O novo método se utiliza da ideia dos gráficos para chegar ao resultado. 
Existem duas formas tradicionais para resolver essas equações, que possuem a base ax² + bx + c = 0. A primeira é adotada quando o valor de "a" é 1. Neste caso, é possível transformar a equação em (x - r)(x - s) = 0, de forma que multiplicar (x - r)(x - s) = x² - (r + s)x + r.s, sendo "r" e "s" as respostas.
    A outra, mais conhecida, é a Fórmula de Bhaskara, fórmula esta que, ainda hoje, assusta muitos alunos do ensino fundamental e, em épocas passadas, a do meu tempo de ginásio. Muitas vezes os alunos questionam qual a utilidade prática da equação do segundo grau. Alguns, fora da sala de aula, até criam memes questionando-a. Na Internet existem vários exemplos de uso quotidiano dessa equação, desde casos práticos do cidadão comum que ocorrem, por exemplo, em consultórios médicos, até os mais complexos como o cálculo de trajetórias de projéteis em movimento.
    O novo método, divulgado no NYT, parte do principio de que uma equação de segundo grau produz uma parábola que, por sua vez, possui um eixo de simetria. Desta forma, as duas soluções são os pontos nos quais a parábola cruza o eixo horizontal. Esses pontos possuem a mesma distância para o eixo de simetria. Veja abaixo o exemplo citado no NYT.



PS.: 17 equações que mudaram o mundo



15 janeiro 2020

A PROFISSÃO DE PROFESSOR ESTÁ SITIADA

A profissão de professor está sitiada. O horário de trabalho dos professores está aumentando à medida que as necessidades dos alunos se tornam mais complexas e os encargos administrativos e burocráticos aumentam. De acordo com a pesquisa recente -  McKinsey Global Teacher and Student Survey - realizada em parceria com a Microsoft, os professores trabalham em média 50 h/semana - um número que vem aumentando cerca de 3% a cada ano. 

Enquanto muitos professores dizem gostar de seu trabalho, eles não relatam que apreciam ficarem tarde da noite marcando papéis, preparando planos de aula ou preenchendo papelada sem fim. Nas escolas mais carentes dos Estados Unidos, por exemplo, a rotatividade de professores supera 16% ao ano. No Reino Unido, a situação é ainda pior, com 81% dos professores que consideram deixar o ensino por causa de sua carga de trabalho. Mais desanimador para os professores é a notícia de que alguns professores de educação chegaram a sugerir que os professores possam ser substituídos por robôs, computadores e inteligência artificial.

Entretanto, a pesquisa oferece um vislumbre de esperança em uma paisagem sombria. O relatório de 2018 do McKinsey Global Institute sobre o futuro do trabalho sugere que, apesar das terríveis previsões, os professores não vão embora tão cedo. A pesquisa estima que os professores crescerão de 5 a 24% nos Estados Unidos entre 2016 e 2030 e na China e na Índia, o crescimento estimado será de mais de 100%.

Uma outra boa notícia também é que a pesquisa sugere que, em vez de substituir os professores, as tecnologias existentes e emergentes os ajudarão a fazer seu trabalho melhor e com mais eficiência, ajudando-os a redirecionar o seu tempo para o aprendizado do aluno, como ilustra a figura ao lado. Há, portanto, muito espaço para as EdTechs.

No Brasil já são 748 startups, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), atuando desde o ensino básico ao superior. O maior desafio de algumas delas é penetrar no ensino público, cujos números de alunos são desafiadores.  Segundo o INEP, são mais de 48,5 milhões de estudantes que frequentam o ensino básico no Brasil.

Por outro lado, existem no País outras questões, talvez até de maior gravidade, a serem enfrentadas. Elas dizem respeito a remuneração adequada do professor, a formação de novos professores, a reciclagem dos atuais e ao fornecimento dos instrumentos didáticos para motivarem os seus alunos a frequentarem as escolas.

A todas essas questões se aplica integralmente o que afirmou recentemente Andreas Schleicher, guru educacional da OCDE: "Nenhum sistema educacional pode ser melhor do que a qualidade de seus professores".

10 janeiro 2020

OS ÊXITOS DA CHINA NA ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Há 28 anos o PIB brasileiro era superior ao da China em US$ 102 bilhões  (462 x 360). Ao longo desse período, vimos aquele país nos igualar e, rapidamente, nos ultrapassar. O país pobre dos anos 1970 tornou-se a segunda economia mundial no momento atual. Perde apenas para os Estados Unidos.

Essa posição foi alcançada após a ascensão de Deng Xiaoping, no fim da década de 1970, que promoveu as grandes reformas na economia e abriu o país para o mundo. O país saiu da periferia para a posição de superpotência mundial.

O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês, em outubro de 2017, aprovou o projeto de desenvolvimento até 2050. As diretrizes desse Congresso dialogam com a população chinesa, quando propõe que até 2020 seja uma sociedade modestamente próspera, isto é, dar fim à pobreza.

Os números publicados recentemente pelo Banco Mundial indicam que a China declarará, até o final deste ano, ter acabado com a pobreza no país. A China resgatou mais de 850 milhões de pessoas da pobreza desde o início das reformas econômicas em 1978. É mais do que toda a população da América Latina.

O crescimento econômico foi o grande remédio antipobreza na China, mas destaco, especialmente, a determinação de seus dirigentes ao fiel cumprimento de metas anunciadas quinquenalmente durante os Congressos do Partido Comunista. Por exemplo, Deng Xiaoping definiu a meta de quadruplicar, até 2000, o PIB chinês e o PIB per capita da China de 1980. Em 1995 o PIB havia crescido quatro vezes em termos reias, e, em 1997, o PIB per capita também. Novas metas de crescimento foram anunciadas e atingidas. 

Tais resultados reforçam a importância de um país ter seus projetos de desenvolvimento longos e duradouros, que apontem com clareza o caminho e os objetivos a serem alcançados. Uma visão estratégica de longo prazo. Que sirva de exemplo para o Brasil.

15 dezembro 2019

EDUCAÇÃO JÁ E PARA SEMPRE !

    O Brasil teve uma leve melhora em seus resultados, mas 4 em 10 alunos não aprendem nem o nível básico, ou seja, 4 em cada 10 adolescentes não conseguem identificar a ideia principal de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros, entender um experimento científico simples. O País também se mantém entre as últimas colocações do ranking internacional nas três áreas avaliadas, Leitura, Matemática e Ciência. E ainda é uma das nações com maior diferença de desempenho entre estudantes ricos e pobres. A China, representada pelas províncias de Pequim, Shangai, Jiangsu e Zhejiang, ficou em primeiro lugar dos rankings mundiais das três áreas. 

    Tais resultados demonstram que não foram levadas a sério  a Lei de Diretrizes e Bases de 1961 nem uma mensagem de um ex-presidente da República encaminhada ao Congresso Nacional, há mais de 50 anos, na qual se ler que uma verdadeira democracia só se alcança quando todos os cidadãos, sem nenhuma distinção, tiverem acesso a uma educação de qualidade.

    A LDB/1961, estabeleceu escola pública, universal, gratuita e laica para todos os brasileiros. O ensino dela decorrente, deveria estar sintonizado com amplo projeto político e liberal, onde o mérito deveria ser o mais essencial critério de progresso do individuo e o método de impulsão e de produtividade de toda a sociedade.

Há 29 anos o PIB brasileiro era superior ao da China
em US$ 102 bilhões  (462 x 360). Ao longo desse período, vimos aquele país nos igualar e, rapidamente, nos ultrapassar, tornando-se a segunda economia mundial neste momento. Se, pelo menos, tivéssemos acompanhado a média do crescimento global, o nosso PIB seria 76% maior do que o valor atual.


    Há medidas propostas para se vencer esse fosso nas próximas décadas. Mas para que não percamos mais 50 anos é preciso que o País, nossos dirigentes em todos os níveis, mudem de atitude rapidamente para que se implementem, sem interrupção essas propostas.

    Uma delas estabelece que nos próximos dois anos as escolas brasileiras devem ser reformuladas para dar início, em 2022, ao novo ensino médio, cujo eixo é a educação centrada no aluno, em seus interesses, suas habilidades e na construção de seu projeto de vida.

    Chamada de "Construção Coletiva de Propostas para o Ensino Médio", foi elaborada a partir de uma parceria entre a Faculdade de Educação da USP, a ONG de empreendedorismo social Ashoka e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, formada por uma rede de entidades da sociedade civil.

    O objetivo é contribuir para que seja eficiente e democrática a implementação das mudanças exigidas por lei no ensino médio. Dentre as 27 propostas apresentadas, entre as principais estão a ampliação da carga horária, que deve gradualmente caminhar para o ensino integral, e a formação de currículos baseados em intinerários, a serem escolhidos pelos estudantes, com participação ativa na elaboração dos projetos pedagógicos (linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e sociais aplicadas, formação técnica e profissional).

11 dezembro 2019

PLATÃO SOBRE O NÚMERO DOS HOMENS FAMOSOS

"Aquele que jamais busca números em coisa alguma, não será ele próprio contado dentre o número dos homens famosos."

Platão em Philebus, 17. Citado por Nicholas Georgesen em "A critique of statistics in relation to social phenomena". Revue Internationale de Sociologie, vol. V, no. 3, 1969, p. 42.


14 outubro 2019

STARTUPS: O BRASIL QUE DÁ CERTO

Grandes empresas têm buscado de forma crescente a aproximação com startups. Corporações de diversos setores investem na criação de espaços de desenvolvimento de inovações para encontrar soluções mais rápidas para seus negócios e para o mercado. Esse movimento chegou a diferentes setores, do financeiro ao automotivo.

Bancos, companhias do setor de construção, mobilidade e seguros estão entre aqueles que decidiram investir em estruturas para fazer parte desse novo ecossistema de negócios. Seja por meio de aportes de capital (a chamada aceleração) ou a criação de espaços de compartilhamento de demandas e geração de ideias. Corporações como Itaú, Bradesco, Banco Inter, MRV, Porto Seguro, Localiza e mais recentemente a Nestlé. Todas apostam alto nas startups.

O Brasil tem estado no radar como um país a receber programas de aceleração de startups nessas áreas por já ter maturidade em projetos que agregam tecnologia. 

Martínez-Yllescas, representante da OCDE, esteve recentemente no Brasil e  destacou que o País tem uma liderança, na América Latina, em número de novas startups, o que gera dados importantes de geração de empregos nessa área.

Além disso, o País também tem se destacado pelo fato de ter hoje várias iniciativas na área digital, tanto por meio da adoção de soluções de fornecedores quanto pelo desenvolvimento interno.

Outro destaque apontado para o Brasil, é o de que seu ecossistema das startups oferece diferentes oportunidades para diferentes perfis de negócios. É claro que todos os seus participantes procuram rentabilidade como qualquer outro empreendimento, mas, também, estão conscientes que não se pode fugir da busca por soluções que ajudem populações de baixa renda, seja nas áreas de educação, saúde ou alimentação.

Na área de educação, já são 748 startups (EdTechs), segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), atuando desde o ensino básico ao superior. O maior desafio de algumas delas é penetrar no ensino público, cujos números de alunos são desafiadores.  Segundo o INEP, são mais de 48,5 milhões de estudantes que frequentam o ensino básico no Brasil.

POSIÇÕES BRASILEIRAS NOS RANKINGS INTERNACIONAIS DE COMPETITIVIDADE


No ranking de competitividade global, como aponta recente levantamento do Fórum Econômico Mundial, na lista de 141 países pesquisados, o Brasil ocupa a 71ª posição. Na America Latina, pelo seu tamanho e peso, não se pode aceitar que fique em oitava colocação na região, atrás de Panamá, Peru, Costa Rica, Colômbia, Uruguai e México. A melhor posição entre os latino-americanos cabe ao Chile, cuja economia é a mais aberta da América do Sul. A pesquisa registra alguns avanços do Brasil, como dinamismo de negócios. Mas falta muito para que o país alcance patamar aceitável em competitividade global.

No Índice de Competitividade do Talento Global, que mede a qualidade do capital humano, o país está em 49° lugar entre 93 países. Na produtividade por trabalhador, fica ainda mais abaixo, na 64ª posição. 

As razões para essas disparidades, dizem especialistas, são, principalmente, educação deficiente ou inapropriada para o mercado de trabalho. Burocracia e corrupção foram também citadas.

Proporcionalmente à sua população, o número de alunos matriculados nas escolas brasileiras tem crescido nas duas últimas décadas. Entretanto, o descompasso existente entre o conhecimento (quando) adquirido nas escolas e o exigido pelo mercado aumentou consideravelmente. Hoje ele é maior do que já foi no passado.

Para piorar o cenário, tal regressão se observa, acentuadamente, nas escolas públicas, responsáveis por cerca de 82% dos alunos do ensino básico.

São vários os motivos para a educação deficiente nas escolas públicas, apontam diversos professores e estudiosos do assunto.

Com raras exceções, especialmente nas escolas militares, as demais escolas enfrentam problemas em todas as frentes: infraestrutura física, laboratórios e equipamentos; conteúdo pedagógico; professores deficientes em quantidade e em qualidade; hierarquia, disciplina e segurança; comunicação e relacionamento entre alunos, pais e professores.

A propósito, veja o que respondeu um antigo professor, de uma outrora e das mais conceituadas escolas públicas de nível médio em Brasília, sobre o que havia acontecido por lá. A resposta veio direta e sem necessidade de análises sociológicas mais profundas.

"A saída da classe média das escolas públicas", disse, "levou consigo o interesse do governo e a obrigação do estado com a educação".

"O que ficou foi isso aí", referindo-se ao estado físico da escola, "um prédio em estilo modernista da época e hoje totalmente desfigurado e dilapidado, transformado em espaço arquitetônico cheio de grades, fechado e opressor".

Em pleno século do conhecimento, infelizmente, esse é o retrato atual do Brasil, deixado pelos últimos governos, após a redemocratização do País, incluindo aquela presidente que adotou "Pátria Educadora" como lema de seu governo e que não passou apenas de um slogan.

12 outubro 2019

O BRASIL ENCOLHE NO MUNDO: UM PASSO PARA A FRENTE E DOIS PARA TRÁS

O título deste artigo diz bem como o Brasil começa a ser visto de forma global. E, desta vez, não se trata dos indicadores sociais. Refere-se sim, ao retrocesso, visível a olho nu, que vem sendo imposto no combate a corrupção, chegando a já se constituir em uma nova barreira na construção de um país civilizado. E tal fato, para a surpresa de muitos, não veio dos morros entupidos de traficantes que mantêm suas populações ao arrepio das leis e de seus fuzis.

Agora, os atos surgiram na Praça dos Três Poderes da República, na Casa Maior da justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União, cujas atribuições são de fazerem com que todos os brasileiros cumpram as leis, a começar pelos seus integrantes.

Refiro-me, por exemplo, à manipulação manifestada nos processos da Lava Jato sobre a ordem a ser seguida na apresentação das alegações finais de delatores e delatados. Ora, ambos são réus. Não há lei que diga o contrário e/ou que estabeleça que uma sequencia deva ser seguida durante a fase de apresentação das alegações finais entre os ditos réus. O STF então resolveu criá-la, adentrando em uma atribuição que a Constituição Federal não lhe confere.

O outro caso, vexatório e que nos envergonha como Nação, perante ao mundo, é o do inquérito aberto, em março, pelo presidente do STF para investigar calúnias, difamações e injúrias que atinjam a “honorabilidade e a segurança” dos ministros do tribunal.

Para completar, enquanto países põem criminosos na cadeia logo após julgamento na primeira instância, como Estados Unidos, Reino Unido e França, ministros do STF dizem ver, na Constituição, dispositivo segundo o qual, inacreditavelmente, réus mantêm a “presunção de inocência” mesmo após condenados em até três graus de jurisdição. Pior: alegam que essa gente só pode ser presa depois de o STF bater o martelo no caso. Basta saber ler para ver que não há nada disso na Constituição. 


O assunto tem auferido grande dimensão ao ponto de um senador da República ter afirmado " O crime no Brasil é tão organizado, que seu departamento jurídico é o STF".

Tais fatos vêm se agravando ao ponto de levarem os auditores fiscais da Receita Federal a submeterem uma representação junto a um organismo internacional em que criticam os retrocessos no combate à corrupção. No documento, o Sindifisco, que representa a categoria, afirma que decisões do STF e do TCU estão restringindo o trabalho do Fisco no País.

A carta foi entregue na sede do Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (Gafi), em Paris, grupo fundado por iniciativa dos países membros da OCDE, responsável por produzir recomendações a respeito do combate a crimes como lavagem de dinheiro e corrupção.

Um de seus parágrafos cita a decisão do presidente do STF que decidiu suspender as investigações baseadas em dados sigilosos do COAF e da Receita sem autorização judicial. Em outro trecho, os auditores criticam a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu 133 procedimentos de investigação da Receita, afirmando que havia "desvio de finalidade".

Os brasileiros irão ficar apenas sentados aguardando o tempo passar para que essa composição atual do STF seja modificada ?

Enquanto tal modificação não ocorre, o BRASIL ENCOLHE NO MUNDO !




09 setembro 2019

ELEITOR NÃO ABSORVERÁ DESMONTE DO COMBATE À CORRUPÇÃO




Este post deixa claro a posição de pelo menos um brasileiro, este que aqui escreve, de que NÃO absorverá um possível desmonte do combate à corrupção, com suporte (acordão) nos três poderes da República e no MP. 

A Nota divulgada pelo presidente do PSL Nacional e mais as suas declarações publicadas nas redes sociais, ambas copiadas aqui neste post, afrontam os brasileiros e obrigam o presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro(1) virem a público e se manifestarem sobre esses fatos. Ambos devem assumir publicamente as suas responsabilidades perante a Nação.

Segundo matéria do Estadão, Flávio Bolsonaro é o único dos quatro senadores do PSL que não assinou a petição pela abertura da CPI da Lava Toga.

A esses fatos vem se somar o ocorrido no Senado, semana passada, quando a Casa rejeitou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limitaria o poder de decisão individual dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), contando para isto com a orientação da liderança do governo - senador Fernando Bezerra Coelho, MDB-PE - acompanhando os votos dos senadores que são alvo de investigações na Justiça Federal. 

(1) Em 10/09/2019, terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro se manifestou sobre o assunto, vídeo disponível aqui no youtube, mas seus argumentos não são convincentes em vários aspectos, inclusive sobre a sua decisão de não assinar o requerimento da CPI da Lava Toga.

04 setembro 2019

RAQUEL DODGE PODERÁ DEIXAR A PGR PELAS PORTAS DOS FUNDOS

Estourou como uma bomba no noticiário deste início de noite, a notícia sobre a formalização do pedido de desligamento dos procuradores do grupo de trabalho da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República.

O pedido de desligamento coletivo ocorreu em protesto contra a procuradora-geral Raquel Dodge. Na manifestação os seis procuradores citam "grave incompatibilidade" com a manifestação enviada por Dodge ao STF, na noite da última terça-feira, sobre a delação premiada do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.

De acordo com fontes que acompanham o assunto, a insatisfação se deveu ao fato de que a procuradora-geral pediu para arquivar preliminarmente trechos da delação que envolviam o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ex-prefeito de Marília (SP) José Ticiano Dias Toffoli, irmão do presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli.

Prestes a deixar a direção da PGR, Raquel Dodge não concorreu, no âmbito da escolha interna dos procuradores (lista tríplice), a um segundo mandato. Mesmo assim, poderia ser reconduzida para o exercício de um novo período à frente da PGR caso o presidente Jair Bolsonaro assim decidisse. Ao que tudo indica o nome será anunciado pelo Presidente nesta próxima quinta-feira (5). Entretanto, esse fato ocorrido sepultou definitivamente uma eventual pretensão da Raquel para se manter no cargo.

Além disso, o tema divulgado nesta noite deverá exigir mais esclarecimentos e poderá macular a imagem da procuradora, obrigando-a a sair da PGR pelas portas dos fundos.