Translate

23 fevereiro 2018

CAVALO DE PAU

A busca e o desejo de se manter no poder não têm limites. No momento vigente no Brasil vai mais além. Um novo mandato para o atual presidente evitaria que ele fosse investigado pelas revelações feitas por Joesley Batista em sua delação. Sem  proteção do foro privilegiado, sua situação não seria a das melhores. Poderia, inclusive, fazer companhia a um de seus antecessores.

Após perder o jogo travado no Congresso pela reforma da previdência, Temer foi ao encontro da agenda de outro candidato à presidência da República que tem subido nas pesquisas de opinião, cujo tema central tem sido a segurança pública.

Dando um "cavalo de pau" em sua agenda, optou por decretar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e criar o Ministério Extraordinário da Segurança Pública.

Tais medidas visando aumentar o seu cacife nas eleições marcadas para outubro, cuja intenções de voto, registrada pelo Datafolha, em janeiro último, não ultrapassaram um humilhante 1% e, durante o carnaval, teve a sua imagem associada a um vampiro, compondo o enredo de uma escola de samba cujo tema foi a corrupção no País.

Que as FFAA e outras pessoas do bem possam superar os conchavos dessa manobra política, a politicagem desse processo, e trazerem um pouco de paz para as famílias cariocas, fluminenses e brasileiras.



17 fevereiro 2018

A METÁSTASE BRASILEIRA

    O Rio de Janeiro foi diagnosticado como portador de um câncer em estágio de metástase. Quem o diagnosticou foi, nada mais, nada menos, o atual presidente da República.

    A doença, entretanto, é muito mais ampla e se estende por todo o País, esqueceu o presidente, ao anunciar a intervenção federal na área de segurança do estado do Rio de Janeiro. Todos os demais brasileiros sabem disso.

    Todos os brasileiros sabem também que essa metástase tem origem no tumor primário existente, há décadas, no Palácio do Planalto e ramificado, em todos os níveis, e em todas as esferas do poder público, por todo o Estado brasileiro.

    A doença se propagou, principalmente, pela ausência do Estado nos diversos setores que lhes são obrigatórios a prestar um serviço público de qualidade à população do País, a começar pela educação. Os demais setores são também muito conhecidos: saúde e segurança.

    O primeiro deles, educação, é o mais importante. Só através dela é que se formam CIDADÃOS, com letras maiúsculas mesmo. 

    Como essa não tem sido a opção do Palácio do Planalto, resta-lhe, neste momento, cuidar de suas consequências. Cuidar dos alunos das escolas do crime que se multiplicaram pelo País afora.

    E não foi por falta de aviso. Em 1982, o ilustre Darcy Ribeiro cravou seu prognóstico que se tornou realidade. Disse Darcy: "Se os governantes não construirem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios".

    Contribuíram para essa doença, além da ausência do Estado, dois outros fatores. A má gestão pública e a corrupção. 

    No primeiro fator, é notório o desperdício do dinheiro público, quer seja ele empregado de forma ilegal e incorreta (vide licitações e contratos superfaturados), quer seja por meio de benefícios legais, mas indecentes, como ocorrem através da concessão de privilégios à determinados ocupantes de carreiras do Estado.

    Por fim, permeando tudo isso, instalou-se no País, em escala alarmante, a corrupção e com ela o envolvimento de mais um segmento da sociedade, o setor privado.

    Na corrupção, os dois participantes, o setor público e o setor privado, constituem um outro perfil de delinquentes, os denominados criminosos de colarinho-branco, apesar de muitos deles terem passados pelos bancos escolares, alguns em até escolas destacadas do primeiro mundo.

    O resultado da ação permanente de todos esses criminosos não poderia ser diferente daquela de por o Brasil em estágio de doença terminal.

    Torna-se, portanto, necessária e urgente, a aplicação de uma forte "dose de quimioterapia" para curar - expulsar os responsáveis que provocaram - essa metástase brasileira.

11 fevereiro 2018

ESTAMOS PRECISANDO DE LÍDERES PARA O FUTURO. ONDE ELES ESTÃO ?

"Não foi o Lula que se desviou, foi o poder que o desviou. O poder é maléfico, o poder é oportunista, não é compatível com grandes projetos de nação, projetos intelectuais etc. Foi uma pena, uma grande perda para o Brasil", diz o sociólogo José de Souza Martins, professor emérito de sociologia da USP, em sua longa entrevista ao UOL. Recomendo a sua leitura. É uma entrevista bastante rica, nos dá uma boa aula sobre o Brasil.

Porém, com todo o respeito ao ilustre professor, discordamos  de sua afirmação com relação ao Lula. Quanto ao poder, a sua definição foi precisa.

Nesse sentido, não há dúvida de que o poder chegou com mais do que seus centavos para atrair Lula para os seus salões.

Entretanto, ter chegado e ficado nesses salões, foi uma opção exclusiva do Lula para alcançar o seu sonho de chegar e ficar no poder. E neles chegando não quis mais deixá-los.

Lula entendeu isso quando perdeu a sua terceira eleição, em 1998. Preparou-se para a de 2002. Adentrou aos salões com a "Carta ao Povo Brasileiro" e após conversas com lideranças políticas do PMDB, do PFL e do PL, que lhe falaram os seus preços para os respectivos apoios.

Politicamente, o professor ainda diz que "a esquerda brasileira é muito deficiente de formação teórica. E a direita é maliciosa, voraz e incompetente, também não vai levar ninguém a lugar nenhum ....  e que o Brasil tem que aprender a reconhecer a importância democrática da alternância de poder. Nós não temos isso".

Concordo com o professor. O resultado está ai: retornamos para o grupo de economias de baixo crescimento, aprofundamos ainda mais nossa posição periférica e continuamos reféns do sistema financeiro.

A instabilidade política agrava e prolonga as perdas econômicas, pois não há plano de investimentos e programa de Estado que resistam a tal desordem.

Embora o Brasil de hoje seja consequência do Brasil de ontem, o País perdeu um tempo precioso, notadamente após a sua redemocratização, e será dramático se continuarmos assim.

Estamos precisando de líderes para o futuro.

Onde eles estão ?

04 fevereiro 2018

ABANDONEMOS A VELHA POLÍTICA

    As eleições estão se aproximando. Daqui a oito meses o eleitor estará comparecendo a sua seção eleitoral para cumprir o seu dever cívico de escolher os seus representantes nas casas legislativas e os executivos que irão conduzir o País e os estados da Federação, pelos próximos anos.

    Lá, os eleitores irão encontrar, antes de adentrarem às seções, as listas com os nomes dos candidatos nos quais poderão votar. A escolha, novamente, não será uma tarefa fácil, pois os nomes que lá constarão não foram escolhidos por eles - os eleitores, como já dissemos aqui em "SOMOS REFÉNS".

    Possivelmente, é mais provável que nessas listas não constem nomes de estadistas. Há uma enorme carência de caráter na maioria dos políticos brasileiros. Caráter é uma das exigências que deve estar presente em um estadista, nos termos utilizados por Ulysses Guimarães, no IV Mandamento de seu Decálogo. Nele está escrito:

Caráter: "o estadista tem a posição de suas idéias, e não as idéias de sua posição. Não é um oportunista, que se serve da política, em lugar de servi-la, o que só pensa nas eleições futuras e não no futuro do País. Político de caráter, é fiel - às idéias, não à carreira. Pode perder o poder, o governo, a liberdade, mas não renega as idéias, não perde a vergonha".

    Muito bem. E que nomes iremos encontrar nas referidas listas? O que já se comprova na sociedade é um mal-estar eleitoral. Partidos e políticos não têm oferecido alternativas convincentes e motivadoras para votarmos com uma certa tranquilidade nas eleições de outubro.

    A Operação Lava-Jato e outras que estão em curso, revelaram, e ainda revelam, para a sociedade que o financiamento da política e o enriquecimento pessoal dos nelas envolvidos foram feitos por meio do desvios ilegais de recursos, que deveriam ter ido para a prestação de serviços de qualidade, obrigatórios do Estado: educação, saúde, segurança, mobilidade, etc.

    Portanto, bem ao contrário do desejado pelos eleitores, o que se constata, diariamente, é que o mandamento de Ulysses está em falta na política e no governo. Demagogia, corrupção, fisiologia, e patrimonialismo escancarados permanecem inalterados.

    As manobras e discursos vindos à publico, até então, das mais diversas tendências, mais oportunistas do que detentoras de ideais, indicam que esse cenário não será alterado. O mal-estar não irá ser desfeito. Não teremos estadistas para neles votarmos. Ou abandonamos a velha política, ou as mazelas que atormentam a vida do cidadão e o nosso subdesenvolvimento continuarão existindo.

02 fevereiro 2018

BRASÍLIA - PLANO PILOTO - UMA CIDADE PARQUE

    Na fotografia abaixo, áreas residenciais de Brasília - Plano Piloto. Obra genial do urbanista Lúcio Costa. Infelizmente, suas idéias não foram reproduzidas em outras cidades brasileiras que tiveram essa oportunidade.
    A concepção urbana de Brasília se sustenta em quatro escalas distintas: a Monumental, a Residencial, a Gregária e a Bucólica. Cada uma delas tem o tamanho do que representa e o volume e a extensão necessários ao seu uso.
    Se serve ao poder, tem a dimensão monumental da Esplanada. Se acolhe os moradores, tem a dimensão das superquadras. Se reune a população seja para o lazer seja para a prestação de serviços, tem outro desenho.
    A Escala Monumental é o que mais diferencia Brasilia de uma outra cidade. É a capital de um país e é isso que sua monumentalidade quer explicar.
    A Escala Residencial se traduz nas superquadras, um jeito de morar que Lúcio Costa aprimorou a partir de outras experiências do urbanismo moderno até então . "Serenidade urbana assegurada pelo gabarito uniforme de seis pavimentos, o chão livre e acessível a todos através do uso generalizado dos pilotis e o franco predomínio do verde ... , escreveu o seu criador.
    A Escala Gregária se concentra no centro da cidade, no Setor Comercial, Setor Bancário, Setor de Diversões, Setor Hoteleiro, sul e norte, todo o conjunto de setores destinados à prestacao de serviços e ao lazer da população.
    A Escala Bucólica é a das "extensas áreas livres, a serem densamente arborizadas ou guardando a cobertura vegetal nativa, diretamente contíguas a áreas edificadas", escreveu o autor do projeto do Plano Piloto. Brasília é a cidade de maior proporção em área verde por número de habitantes do mundo (100m2 por habitante).
    Brasília ainda não tinha nem 30 anos quando se candidatou e recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, da qual faziam (e fazem) parte obras milenares como as pirâmides do Egito; a Acrópole, em Atenas; os centros históricos de Roma e de São Petesburgo e a cidade de Cuzco, no Peru.
    Passou, com louvor, nos dois testes exigidos pela Unesco para obtenção do reconhecimento. Brasília tinha de ser considerada obra-prima do gênio criativo humano e exemplo eminente de conjunto arquitetural que representasse período significativo da história.

Cambuís floridos na Asa Sul. Foto de Augusto Areal, 
tirada a partir do edifício do Banco Central, em 19/01/2018.



01 fevereiro 2018

CONTAS PÚBLICAS NO VERMELHO PELO QUARTO ANO CONSECUTIVO

Como era esperado, as contas do governo fecharam 2017, no vermelho pelo quarto ano consecutivo, com um rombo de R$ 124,4 bilhões, o que representa 1,9% do PIB.


Ao divulgar esses números, o governo logo os atribuiu, como responsável principal, os valores deficitários obtidos com a Previdência Social, o que não é assimilado pela maioria da sociedade brasileira. Corrobora pra isto, o resultado da CPI da Previdência, recém concluído e aprovado por unanimidade. Há muita desconfiança sobre a veracidade desses valores.

Nenhuma palavra, entretanto, sobre os subsídios concedidos por bancos oficiais que geram uma conta elevada para o contribuinte e aumentam a dívida pública. Esse custo em 2018 pode chegar a R$ 83,4 bilhões, segundo previsão do orçamento federal.

Grande parte parte do estoque dos subsídios creditícios é resultado da política adotada nos governos passados para a formação de "campeões nacionais", empresas que estão, hoje, no cerne dos escândalos de corrupção, investigadas pela operação Lava Jato.

Da mesma forma, especialistas apontam o equívoco fiscal de subsídios com a desoneração da folha de pagamentos, criado no governo Dilma Rousseff que atingiu cerca de 56 setores. 

Em 2018, de acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA), o conjunto de subsídios terá um custo de R$ 366 bilhões.

Não se ouviu também, nenhum mea culpa a má gestão da máquina pública e outras coisas mais, com a qual este governo esteve umbilicalmente envolvido ao longo dos últimos anos.

Nesse sentido, apenas para citar um respeitável valor, não custa lembrar que, em 2017, as negociações políticas para barrarem as duas denúncias contra o presidente da República podem ter alcançado cerca de R$ 32,1 bilhões, segundo publicou o uol.noticias.com.br .

Para completar, as torneiras continuam abertas, a começar pelo desembolso obrigatório para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), R$ 1,7 bilhão, somado as emendas parlamentares de deputados e senadores, recursos mandatórios superiores a $R 20 bilhões que, em ano eleitoral, irão servir de moeda de troca nos respectivos redutos eleitorais para obtenção de votos.

Esse quadro só irá se modificar quando a mudança de governo ocorrer, quiçá, né ! A duração da crise é a mesma da duração do governo, devido a sua falta de credibilidade e de capacidade de execução de qualquer proposta, política e/ou econômica, posta na mesa.

A saída da crise, portanto, está na mudança política e esta não se resume a troca do presidente. Com  um Congresso desmoralizado, partidos fracos e corruptos, líderes envelhecido e desacreditados, não será possível fazer a nação acreditar que mudança do presidente nos permitirá retornar à superfície do poço.

Bom, daqui a um ano temos apenas uma certeza, haverá uma mudança já confirmada: no título deste post, onde se ler quarto, será lido quinto.

Atualizado em 14/07/2018.

31 janeiro 2018

LULA ESTÁ PAGANDO O PREÇO PELO SEU CV

Do ponto de vista jurídico, a ex-juiza Denise Frossard deixou bem esclarecido como se julga um crime cometido sem a sua foto, como aconteceu no caso Triplex-Guarujá com o Lula. 

Do ponto de vista político, não custa lembrar que o Lula foi tragado pelas lideranças, políticas e econômicas, que sempre usurparam a Nação, em busca do poder e de suas benesses, nem que para isto a corrupção fosse a moeda utilizada. 

E também nesse campo o Lula nunca foi inocente. Lula sempre soube, tinha plena consciência, do que estava acontecendo e do que já tinha acontecido nas entranhas do poder deste nosso Brasil, desde que mergulhou no movimento sindical, em 1972. Muitas vezes isto foi objeto de seus discursos e entrevistas, principalmente para os seus seguidores.

Também é conhecida a sua capacidade de metamorfose pessoal, do ambiente público para o de gabinete, ou vice-versa. Por exemplo, para chegar ao poder em 2003. 

Isso só se tornou viável após ele concordar, de forma consciente, com as exigências das tais lideranças em troca do apoio destas à sua candidatura nas eleições de 2002. 

No campo econômico o fez, por escrito, ao assinar a "Carta ao Povo Brasileiro", em 2002, contendo essas exigências, carta esta redigida e/ou revisada por tais lideranças (econômicas e políticas), usada para acalmar o mercado financeiro e à sociedade em geral.

No campo político, as conversas de gabinete, lideradas por José Dirceu vararam madrugadas, muito vinho, até conseguir o apoio de ACM, Sarney, Pedro Simon, Roberto Requião, Orestes Quércia, estes últimos do PMDB. 

Os demais peemedebistas, bem aquinhoados com cargos e verbas no governo FHC preferiram ficar no governo e apoiaram à candidatura do Serra e vetaram a filiação de José de Alencar ao partido para candidatar-se ao cargo de vice na chapa de Lula.

Em decorrência disso, José de Alencar filiou-se ao PL sob o comando de Waldemar da Costa Neto que foi o interlocutor nas negociações ocorridas, nesse sentido, nas noites brasilienses.  

A moeda utilizada no acordo foi grana mesmo. Apoio contra um pedido de R$ 20 milhões e fechado em R$ 10 milhões, adicionado de cargos e verbas no governo, segundo relato contido no livro "DIRCEU - A BIOGRAFIA", do autor Otávio Cabral.

Os dias foram se passando, a casa caiu, até que chegou o momento em que as duas faces do Lula vieram à público.

Agora Lula está pagando o preço de seu curriculum.  E não sairá barato, no momento só chegou a primeira parcela.

Como consequência,  os seus "amigos" de gabinete, além da maior parte da população do País, querem vê-lo enterrado politicamente e na cadeia pelos crimes que cometeu.

#LulaCondenado #LulaAcabou #LulaNaCadeia


 

28 janeiro 2018

ACORDA BRASIL, A DEMOCRACIA ESTÁ SENDO AGREDIDA

"O Supremo Tribunal Federal é protagonista de uma democracia em desencanto. Os lances mais sintomáticos da recente degeneração da política brasileira passam por ali. A Corte está em dívida com muitas perguntas, novas e velhas, e vale lembrar algumas delas antes que os tribunais voltem do descanso anual nos próximos dias". Há perguntas para todos os gostos.

O artigo completo onde encontrei o parágrafo acima, sob o título "Na prática, ministros do STF agridem a democracia, escreve professor da USP", está na Folha de São Paulo deste domingo, 28/01/2018. Recomendamos fortemente a sua leitura.

Além do que menciona o artigo publicado, também na Folha e em outros veículos de comunicação nos deparamos com afrontas à democracia brasileira provocada por autoridades ocupantes de cargos públicos. Não foi à toa que a decadência desta foi objeto do editorial, "No Brasil, uma democracia em declínio", do Le Monde deste último sábado.

Portanto, não é sem razão que, diariamente, vemos nas redes sociais vídeos da população achincalhando os membros dos três poderes da República, inclusive no exterior. Estamos à perigo, no limite para que algo mais grave possa ocorrer no País.

A história nos ensina como isto pode acontecer e tem acontecido em todo o mundo. Aqui já se passaram algumas décadas, mas no nosso continente, neste momento, há um caso em andamento.

Entretanto, o estágio em que nos encontramos não pode perdurar. O Brasil parou, aliás tem caminhado para trás e as novas gerações não podem continuar sendo penalizadas.

Estamos sendo ultrapassados, quotidianamente, por outros países, inclusive, nossos vizinhos que há poucos anos tinham índices comparativos de uma sociedade pior do que a nossa.

Bem ao contrário do que gostaríamos de estar lendo no século XXI, as noticias diárias sobre a situação vigente no Brasil, situação esta que já atingiu o patamar do horror, em qualquer meio de comunicação e em todo o planeta.

ACORDA BRASIL !

EDUCAÇÃO SE TORNOU MERCADORIA

A proposta do candidato ao Palácio do Planalto nas #Eleições2018 , #JoãoAmoêdo , do Partido NOVO, está bem distante da do Chile, país este que acabou de tornar também gratuito o ensino universitário e que entrará no grupo das nações desenvolvidas na próxima década, o primeiro da América do Sul, possivelmente já a partir de 2020.

A presidente Michelle Bachelet escreveu no Twitter que a Lei das Universidades Estatais, aprovada no Congresso, que fortalece sua gestão institucional, devolve ao Estado o papel principal de assegurar um ensino superior público de qualidade. “Cumprimos nossa promessa!”.

O candidato, vide imagens anexas, quer jogar fora a água e o bebê que ainda temos e não enfrentar, não resolver os problemas existentes nas escolas públicas e, portanto, da educação brasileira que deve estar presente em todo os lugares do território nacional. 

Os números atuais do ensino público secundário (nível:escolas/professores/alunos), são os seguintes: infantil: 117.111 / 417.061 / 6.145.863; fundamental: 141.215 / 1.358.514 / 22.742.259; médio: 20.287 / 431.581 / 6.960.072.

Bem ao contrário, o candidato deixou claro que, no seu entendimento, #Educação é como mercadoria !





25 janeiro 2018

A TURMA DO POWERPOINT

Desde o julgamento do mensalão, muito se tem falado em organização criminosa - ORCRIM (e em suas várias facções) que se estabeleceu no Brasil.

Um dos aspectos que mais surpreende os brasileiros é o número de agentes envolvidos e, principalmente, quem a chefia, quem detém o poder.

Dois são os componentes principais desse tipo de organização.

Um deles é o agente público, encontrado em praticamente todo o organograma do Estado.

O outro componente é de natureza privada, oriundo de praticamente todos os setores da economia.

Todos eles querendo as benesses governamentais, perseguindo o aumento de poder e/ou de seus patrimônios.

Pelo o que já se conhece, desse conluio, e para a surpresa(?) da sociedade, as atividades de ORCRIMs, que já são mais do que sexagenárias, nunca foram interrompidas e sempre tiveram a cumplicidade (ou incentivo) de componentes da direção dos três poderes da República em seus diversos níveis.

Para ficarmos só no Palácio do Planalto e nos últimos 30 anos, verifica-se, nas revelações publicadas até o momento, que todos os ex-presidentes já foram mencionados, dando conta de que a corrupção esteve presente em seus governos. Em termos de gabinete palaciano, talvez só se salve o ex-presidente Itamar Franco.

Quanto a chefia da organização, quem de fato a exerce? O núcleo do poder está na política, ou na economia? Há controvérsias.

Isto ficou evidente nos conchavos realizados em 2002, entre os donos da economia brasileira e as forças políticas de então que levaram Lula ao poder. 

Por exemplo, banqueiros que declararam, em 1989, que deixariam o Brasil se Lula fosse eleito presidente da República, nas eleições de 2002 bancaram a sua vitória, após o obrigarem a divulgar a famosa Carta aos Brasileiros (antes revisada por eles, claro!).

Em tempos mais antigos, pode-se recordar a crise provocada no governo Vargas, em 1953, quando este promoveu um reajuste de 100% no salário mínimo e implantou a política de restrições de remessas de lucros de empresas ao exterior.

Essas decisões colocaram empresários brasileiros e estrangeiros na linha de frente contra Vargas. O final dessa história é por demais conhecido pela Nação.

O exercício real do poder não tem partido nem ideologia.

Essa turma não tem opção partidária. Apoiar ou pertencer, eventualmente, a uma sigla partidária é mera conveniência.

Portanto, seja de um lado, ou do outro, a intenção de todos é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis aos seus objetivos - poder e/ou lucro -, não importando os meios para que isto ocorra, inclusive a corrupção.

A condenação do ex-presidente Lula, ocorrida hoje no TRF-4, vem se somar as outras sentenças já proferidas e lançou esperanças para um Brasil melhor.

A frase mais repetida durante o dia foi a de que ninguém está acima da lei.

Que isto, daqui por diante, seja cumprido permanentemente.

A fila andou. Next, please !



21 janeiro 2018

"EMPREENDEDORISMO É UMA OPORTUNIDADE DE CRIAR O FUTURO"

O título deste post está na entrevista à Folha de São Paulo, em 09/01/2018, de Paulo Veras, fundador da startup 99Taxis que acaba de ser adquirida pela chinesa Didi Chuxing, por um valor que a coloca como o primeiro "unicórnio" brasileiro (apelido para startups que valem mais de US$ 1 bilhão), de um total de 230, aproximadamente. Metade delas são americanas

No decorrer da entrevista, ele cita alguns desafios sobre o exercício do empreendedorismo no Brasil, dentre os quais destacamos dois deles, detectados há mais de 20 anos, quando se iniciou no País, de forma sistemática, o ensino do empreendedorismo e a geração de novas empresas (startups).
  • Quando empresas brasileiras vão passar a comprar startups no exterior? Ainda estamos muito longe disso. Na China, hoje, você acessa capital muito facilmente. No Brasil, é todo o problema que temos. Existem bons empreendedores. Mas, quando a empresa chega a determinado patamar, não encontra mais recursos.
  • Que outro desafio enfrentam empreendedores brasileiros? Poucos têm ambição global. Muitas vezes, eles pensam que ter algo que se destaque localmente é suficiente. Na América Latina, por outro lado, todos começam querendo atacar o mercado brasileiro, pois nosso mercado é muito maior do que o deles.
Primeiramente, devemos reconhecer que nos últimos 20 anos houve avanços no entendimento e no apoio às iniciativas que fizeram crescer e se expandir o empreendedorismo no Brasil.

Por outro lado, entretanto, persistem problemas cruciais como os citados acima. Além deles e de outros também, é muito  lenta a velocidade em que os avanços são aqui conquistados e implementados. 

Nessa área, e em outras também (educação, por exemplo), diversos países, na América Latina e no resto do mundo, se encontravam classificados em posições inferiores ao Brasil. Fomos ultrapassados por muitos deles em apenas duas décadas. Até Botsuana está vendo o Brasil pelo retrovisor. Decuplicou seu PIB nas últimas quatro décadas. Sua renda per capta em medida que compara os poderes de compra, ultrapassou a brasileira em 2014 e não vai parar tão cedo de abrir distância.

Qual então a receita para vencermos as dificuldades apontadas e ganharmos velocidade ?

A resposta está nas palavras do Paulo Veras: "EMPREENDEDORISMO É UMA OPORTUNIDADE DE CRIAR O FUTURO".

O Veras disse também: "sem empreendedores não se constrói a ponte entre o mundo atual e o que está por vir".

Contudo, é preciso que esse conceito seja entendido da forma mais ampla e o mais cedo possível, ou seja, em todos os segmentos da sociedade, pública e privada, a começar no ambiente familiar e na escola fundamental.

Já passou da hora de enterrarmos definitivamente a Lei de Gerson (que o Gerson me perdoe): "Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também", proferida há mais de 40 anos. Junto com ela, outra recentemente enunciada pelo PMDB, traduzida no post O PMDB NO PODER.

20 janeiro 2018

ASSALTO AOS COFRES PÚBLICOS: ANO NOVO SEM SURPRESAS

    Em outubro de 2017, após tramitação no Congresso Nacional, duas leis foram sancionados pelo presidente da República que criaram e regulamentaram o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), para custear as campanhas eleitorais em 2018.

    Esse fundo terá AO MENOS R$ 1,7 bilhão de recursos públicos. A elaboração do texto aprovado contou com a colaboração (ou iniciativa) do líder do governo no Senado, o já tão conhecido Senador Romero Jucá, autor da proposta inicial que previa reunir aproximadamente R$ 3,6 bilhões. Sim, ele mesmo, o Senador que já responde a 14 inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Aliás ser denunciado e responder a inquéritos tem sido a marca na equipe do andar superior do Palácio do Planalto. Dessa marca não escapou nem o Chefe do Governo.

    As torneiras também foram abertas em negociações políticas para barrar as duas denúncias contra o presidente da República que podem ter alcançado R$ 32,1 bilhões, segundo publicou o uol.noticias.com.br , R$ 6 bilhões a mais que os recursos previstos para pagar o Bolsa Família.

    O Palácio do Planalto também vai abrir as torneiras das emendas parlamentares para aprovar a reforma da Previdência antes do fim de fevereiro e consolidar a estratégia de montar uma ampla frente eleitoral com todos os partidos da base aliada. 

    Do ano passado, somente em restos a pagar de emendas parlamentares – que podem ser destinadas por deputados federais e senadores a redutos eleitorais – e novas emendas do Orçamento deste ano são mais de R$ 20 bilhões.

    Somados outros R$ 10 bilhões que o governo estima economizar ainda neste ano caso a reforma da Previdência seja aprovada, e que seriam usados em obras que podem render dividendos eleitorais aos aliados neste ano, o valor do “arsenal” de Temer pode superar R$ 30 bilhões.

    Os assaltos aos cofres públicos não param por ai e as armas não são os fuzis da Rocinha. A arma mortífera para os cofres da Nação é o poder de legislar em benefício de grupos que não desejam perder seus mandatos, da preservação da bandidagem engravatada, oriunda de eleições para as quais os candidatos aos cargos não são escolhidos pelo eleitor, como já dissemos no post SOMOS REFÉNS .

    Não é difícil nominar quem são as vitimas desses assaltos. Podemos citar: aquelas que sucumbem por falta de remédios e hospitais. Aquelas que morrem nas ruas por falta de segurança pública. Aquelas cujo futuro se extingue precocemente nas escolas por falta de condições mínimas de funcionamento.

    A nossa crise é decorrente do nosso sistema político. Mas entre o melhor e o pior tudo pode acontecer, inclusive nada e, desta forma, continuaremos afundando nesse pântano fedido. A impunidade continua sendo a moeda corrente da política brasileira.

    A nossa elite política é a nossa tragédia !